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Greve dos médicos continua a impactar na vida dos utentes do HCN

Nampula (IKWELI) – Pacientes de diversas patologias que procuram por atendimento médico no Hospital Central de Nampula (HCN) afirmam que a greve dos médicos está a impactar negativamente nas suas vidas.

Sófia Inês, paciente diagnosticada em julho findo com cancro do útero, disse que não recebe acompanhamento médico desde que aqueles profissionais entraram em greve. “Estou com problemas ginecológicos, no mês de Julho resolvi dirigir-me ao Hospital Central de Nampula para fazer a observação e pediram para fazer uma análise e que teria resultado no dia 15 do presente mês, mas acontece que os médicos estão em greve e alguns enfermeiros do hospital pediram que mantenha atenta nas redes sociais para saber quando vai terminar a situação e outros passos que serão tomados. Do meu lado é uma grande preocupação porque venho do distrito de Angoche e por ser distante será difícil para mim ter o acesso as informações do hospital e continuar com o tratamento”, disse.

Prosseguindo, Sofia referiu que “tenho conhecimento da greve, mas fico espantada em saber que não há atendimento e, neste momento, gostaria de saber o que realmente está a acontecer com a minha saúde e se for o caso de cancro do útero ou outro problema, procurar outros métodos para continuar a medicação. Aqui no Hospital Central de Nampula é notório um médico estrangeiro que tem estado a ajudar alguns pacientes no atendimento, enquanto os outros não estão presentes no e nós, pacientes, ficamos em aflição”.

Outras fontes que falaram ao Ikweli, exigem que o governo central encontre um mecanismo para resolver as preocupações da classe médica, com vista a garantir a saúde dos cidadãos.

“Lamento bastante a situação, neste momento as pessoas que estão doentes, não recebem acompanhamento dos médicos que, também, estão a lamentar. O governo deve atender as exigências dos médicos e outros profissionais, no sentido de garantir o bem-estar de todos, acredito que a greve dos médicos é dolorosa para todos e necessitamos da rápida intervenção das autoridades competentes”, disse uma cidadã solicitando o anonimato.

Na última sexta-feira (11) do mês corrente, o Secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, deslocou-se ao Hospital Central de Nampula, onde constatou a ausência de, pelo menos, 37 profissionais de saúde. Apelou para que os mesmos retomem ao trabalho de forma a garantir o atendimento aos pacientes que precisam de cuidados médicos.

Passados cinco dias, a reportagem do Ikweli constatou que alguns médicos não retomaram as suas actividades. (Nelsa Momade)

Nampula: Lixo continua a ser um embaraço entre Vahanle e seus eleitores

Nampula (IKWELI) – A demora na remoção de resíduos sólidos na cidade de Nampula continuam sendo uma preocupação para os moradores locais, pois apontam que a situação tem sido responsável pela eclosão de doenças de origem hídrica, sobretudo a cólera que nos últimos dias tem vindo a fazer das suas na urbe.

Por exemplo, o cruzamento entre as avenidas Monomotapa e Josina Machel, bem atrás da Sê Catedral de Nampula, encontra-se cheio de lixo, e em certos casos lixo com características não urbanas, ou seja, que não aparenta ter sido produzido por moradores daquele ponto da cidade.

Manuel Tadeu, residente na cidade de Nampula, aponta não estar a ver melhorias no processo de remoção e tratamento de resíduos sólidos, e considera a situação como sendo “preocupante”, porque, para alem das doenças que podem advir por conta do lixo, o mesmo bloqueia a transitabilidade nas ruas da cidade.

“A falta de remoção do lixo pode, sim, comprometer a manter o presidente a dirigir a cidade de Nampula, porque não é isso que o munícipe esperava e as promessas foram muito boas e enganadoras. Nós esperávamos estradas boas, ruas limpas e outras promessas que hoje não estão sendo cumpridas”.

Os comerciantes ambulantes, também, têm o seu negócio afectado, tal como narrou Aiuba Zacarias, que vende ovo cozido pelas ruas da cidade de Nampula. “Os meus clientes sentem-se desconfortáveis porque as moscas provocadas pelo lixo pousam sobre o ovo que estou aqui a revender e cria mau cheio”.

No cruzamento entre a avenida Josina Machel e rua Dar-És-Salam, a situação, também, é idêntica, mas os moradores acreditam que o lixo não está sendo depositado por eles.

O senhor Lino que residente ao longo da avenida Josina Machel disse que aquele ponto não tem um contentor de lixo, tanto é que havendo o lixo não estaria espalhado.

Igualmente, o nosso interlocutor acha anormal a quantidade do lixo que ali se amontoa e as suas características, mas anota que, vezes há, em que o município fica perto de uma semana sem retirar os resíduos sólidos.

Estas reclamações, também, apuramos dos moradores do bairro de Muahivire, o qual, em vários pontos notam-se montes de lixo.

Os rios não escapam

Os rios que correm na cidade de Nampula, também, não escapam. Andam entupidos de lixo, ainda que haja algum esforço da edilidade para garantir a limpeza.

O rio Muhala, que tem morador nas suas bermas, é o exemplo disso, e preocupa aos munícipes o facto de a edilidade estar indiferente, uma vez que, segundo afirmaram, maior parte das pessoas que vivem no bairro de Muahivire depositam o lixo no rio Muhala, situação que se agrava com a falta de contentores de lixo.

Fátima Saíde, residente nas imediações do rio, disse que “por causa do lixo que é lançado aqui a água fica estagnada e cria mau cheiro, mosquitos baratas e insetos, isso é muito perigoso para a saúde das nossas crianças. Nós que vivemos aqui, semanalmente, levamos as crianças para o hospital por causa de tosses, malária e problemas de pele por causa desta situação”.

As palavras de Fátima foram secundadas por Lázaro, que disse temer que a água que consomem estar contaminada por, também, ser frequente casos de diarreia, por isso pede ao município para intervir. Mas Sara Massute dúvida que o município faça algo, uma vez ter afirmado que o problema é do conhecimento do município.

“O município já sabe disso, está não é a primeira vez que jornalistas falam sobre isso, nós estamos cansados, vamos acabar morrendo de doenças aqui, este lugar é de doenças. Aqui deita-se todo tipo de lixo, aquela água já não passa por causa de lixo, apodrece e só nos causa doenças”, concluiu a entrevistada.

O que diz a edilidade?

Os gestores da autarquia encontram uma justificação para a situação de proliferação de lixo, apontam haver uma situação de lixo estranho que tem sido depositado na urbe.

Nelson Carvalho, director de Comunicação e Imagem da autarquia da cidade de Nampula, anota que “nós sabemos que estamos num período eleitoral. Há momentos em que do nada há um local transformado em lixeira, mas se fazermos análise do lixo que é depositado no local tem a origem desconhecida, exemplo disso é a rua da embaixada, próximo do centro de conferência da Universidade Rovuma, as ruas entre Monomotapa e Josina Machel e outros locais que depositam o lixo no passeio. Esta é uma situação que já nos chegou, mas estamos a trabalhar no sentido de identificar estas pessoas para saber o objectivo obscuro e serem penalizadas. Há dias, o lixo que se encontra no muro da igreja católica foi arrastado para o asfalto com intenção de destruir o asfalto e piorar a situação de buracos na nossa cidade”.

Carvalho assegura que “reconhecemos que é um trabalho que precisamos de envidar esforços, mas essas situações tem fragilizado o esforço que o município da cidade de Nampula tem feito e queremos assegurar de que a nossa missão é cidade de Nampula sem lixo e vamos continuar a trabalhar com os nossos parceiros para construção do nosso aterro sanitário”. (Nelsa Momade e Virgínia Emília)

Por ser chefe regional da Renamo: Gildo Muquera obrigado a abandonar casa que arrenda em Namicopo

Nampula (IKWELI) – O chefe regional norte do partido Renamo, Gildo Muquera, está sendo obrigado a abandonar a residência que arrenda no bairro de Namicopo, exactamente, por pertencer a esta formação política da oposição.

Segundo conta, encontra-se na cidade de Nampula desde o dia 1 de Fevereiro do corrente ano, por conta de ter sido nomeado para a posição que ocupa, tendo sido deslocado da cidade de Nacala para a capital provincial, de forma a facilitar a sua mobilidade para a região.

Muquera contou ao Ikweli que na última quinta-feira (10), teria sido telefonado pela dona da casa onde mora, por sinal membro da PRM, a qual exigia o abandono imediato da mesma por ser membro da perdiz.

“Estando na delegação, fui chamado pela dona da casa onde eu arrendo. Eu respondi e a dona procurou saber de que partido eu era? Eu disse que sou da Renamo, ela disse que não era pelo dinheiro, mas pela confiança, porque conseguiu a casa com dinheiro e suor da Frelimo”, disse a nossa fonte, anotando que a mesma queria a sua casa imediatamente, mas que que após alguma negociação a mesma aceitou prorrogar a sua a estadia até ontem, domingo (13).

“Não tenho rendas em atrasos”, conta, referindo que “estou aqui desde Fevereiro e não tenho renda em atraso”.

Muquera explica não ter celebrado nenhum contrato por escrito com a dona Mira, proprietária do imóvel e que tudo foi na base de boa-fé. (Redação)

Nampula: ADE não está a “pingar” nas contas das escolas e gestores andam desesperados

Nampula (IKWELI) – Os gestores escolares da província de Nampula, região norte de Moçambique, foram unânimes ao revelar que o governo não disponibiliza o fundo de Apoio Direto às Escolas (ADE) desde o primeiro trimestre de 2022, uma situação que coloca em causa a sustentabilidade lectiva naquelas instituições de ensino público.

Trata-se de um programa que tem em vista dinamizar a gestão das instituições de ensino e garantir a qualidade da educação referenciada pela UNESCO.

A informação foi revelada na passada terça-feira (08), pelos gestores escolares de diversas instituições de ensino espalhadas na província, durante um encontro de auscultação sobre “o processo de ensino e aprendizagem”, que teve lugar no Instituto de Formação de professores de Nampula, o qual foi dirigido pela Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH), Carmelita Namashulua.

O director da Escola Secundária de Nampula, Albertino Luís, foi quem deu o pontapé de partida, ao partilhar que desde o ano de 2021 a instituição que dirige não dispõe de recursos fornecidos pelo governo para fazer face ao processo de ensino e aprendizagem.

“Temos um ADE que muitas vezes é de forma oscilatória, porque neste ano podemos ter o ADE em junho, próximo ano as vezes em novembro e outro ano em janeiro e isso de alguma maneira desorienta o processo de ensino”, disse.

Azevedo António, director de uma escola do distrito de Rapale, disse que a falta de desembolso do fundo de ADE está a comprometer a sua boa imagem, visto que neste momento encontra-se mergulhado em dívidas com os fornecedores locais que fornecem material didáctico a escola na expectativa de ter o seu pagamento a posterior.

“Aliado a falta de desembolso do ADE há quase dois anos, nós os directores daquele distrito encontramo-nos endividados com aqueles que são os nossos fornecedores, pois desde o ano passado vínhamos prometendo a eles que pagaríamos pelo material didático o que, até agora, não aconteceu. Se assim prevalecer, provavelmente sua excelência senhora ministra poderá assistir no próximo ano, um director de Rapale na barra do tribunal e nessa altura não será designado por director, mas sim burlador”, afirmou.

Para além da falta de desembolso do fundo de ADE, os gestores clamam pela construção de mais escolas, como explica Cassimo Natunga, director da escola secundária de Namicopo, que referiu que todas escolas secundárias, sobretudo do distrito de Nampula, contam com um número muito elevado de alunos, pelo que roga pela construção de mais escolas para fazer face a superlotação de turmas, o que compromete a qualidade de ensino e aprendizagem.

“O que o ministério recomenda é que nós trabalhemos com dois turnos diurnos, por causa do elevado número de alunos. Agora estamos a fazer segundo ano consecutivo a trabalhar com três turnos e quais são as implicações que isto traz? Tivemos que reduzir o número de tempo de permanência do aluno, de seis tempos para cinco e algumas disciplinas tivemos que reduzir, pelo menos aquelas que tem muitas aulas por semana, falo de português, matemática nalgumas classes de cinco para quatro que é para ver se conseguimos acomodar todos os alunos. E temos casos mais graves na escola secundária de Nampaco, onde reduziram o número de frequência dos alunos de cinco para menos que isso”, explicou.

Na ocasião, foi partilhado que a província de Nampula conta com 2.421 escolas das quais 2.300 do ensino primário, uma situação que também preocupa o governo, por isso Carmelita Namashulua disse aos gestores escolares que o ministério está ciente das dificuldades do sector, no entanto, os recursos são escassos e os responsáveis pelas escolas, para além do ministério, devem procurar soluções locais.

“Eu tenho a consciência de que os colegas acompanham o processo de desenvolvimento do nosso país, sabem muito bem que o sector de educação e saúde tem se beneficiado de fundos externos e nem sempre esses fundos estão disponíveis, não temos que ficar à espera do ministério para vir dirigir, ao nível local e distrital podemos encontrar soluções para todas essas preocupações”, avançou.

A falta de professores especializados, livros, insuficiência de carteiras, assim como vandalismo nas escolas primárias e secundárias foram outras preocupações levantadas pelos gestores no encontro com a ministra. (Ângela da Fonseca)

Fraca capacidade de gestão dos governos locais continua desafio da descentralização em África

Nampula (IKWELI) – O chefe do departamento de Entidades Descentralizadas e Administração Territorial, no Gabinete do Secretário de Estado na província de Nampula, Amílcar Joaniha, entende que a governação descentralizada em África, em particular em Moçambique, está a registar progressos, mas a fraca capacidade de gestão dos governos locais continua sendo um dos grandes desafios deste processo.

Falando exclusivamente ao Ikweli, por ocasião das celebrações de mais um aniversário do Dia Africano da Descentralização e Desenvolvimento Local, efeméride que se assinala esta quinta-feira (10), Amílcar Joaniha reiterou a necessidade de os governos locais pautarem por uma gestão eficiente da coisa pública, fazendo com que os problemas das comunidades locais sejam atempadamente resolvidos, uma das razões da governação descentralizada.

“Fazendo uma radiografia sobre o processo de descentralização e governação local a nível da África, no meu ponto de vista, posso dizer que apresenta-se num cenário excelente, pese embora haja grandes desafios, um deles a capacidade de gestão dos governos locais, portanto, estes precisam prestarem serviços públicos com maior eficiência e eficácia. A questão de recursos, para além de lidar consecutivamente através de processos participativos com a sensibilidade de interesses locais, económicos, políticos e sócios culturais”, referiu Amílcar Joaniha.

Segundo recordou a fonte, “o debate sobre a questão de capacidade dos governos locais nem sempre tem sido pacífico, para uns é de que não existe capacidade de gestão, principalmente a financeira, por isso os aderentes a esta opinião chegam a conclusão radical de que a descentralização de competências, talvez, faça sentido, mas ao mesmo tempo não ocorre com os meios financeiros em cuja gestão o governo central deve manter um papel de controlo. Para outros a experiência mostra que não só os governos locais aprendem rapidamente a gerir as finanças públicas, como também a produzir serviços e a prestarem contas. Portanto, esta opinião salienta o facto de que a descentralização por competências sem os recursos financeiros e humanos resultará num fracasso e descrédito de qualquer política de descentralização”.

Por outro lado, Amílcar Joaniha considera que a descentralização no país, apesar de em parte ser caracterizada por conflitualidade, está a registar avanços, destacando o facto de actualmente possuir 64 cidades e vilas autárquicas, para além da existência dos serviços de representação de Estado e a governação descentralizada nas províncias, apesar de, em muitos dos casos ser, também, desafiada por insuficiência de recursos financeiros.

“Então, esse processo não é assim tão pacífico, porque primeiro não basta esta questão de descentralização do ponto de vista das autonomias de todos esses processos, mas também é preciso termos aqui uma capacidade financeira, a descentralização tem que acontecer também com a questão dos recursos financeiros, nesse caso particular temos a descentralização fiscal, para o caso dos municípios para eles mesmo poderem autogerir-se”, prosseguiu o nosso interlocutor.

“A descentralização como um alicerce para a consolidação da paz e desenvolvimento local afigura-se de grande importância no país, porque é com este processo que se confere uma maior aproximação dos serviços públicos aos cidadãos, ou seja, com a descentralização nós temos a possibilidade de tomar decisões de nível local com uma certa relativa flexibilidade na solução dos problemas nas comunidades. Ou seja, as próprias populações são elas que identificam os seus problemas e sugerem acções e alternativas para solução dos mesmos e não aguardam pelo poder central para solucionar esses problemas locais”, entende Amílcar Joaniha.

Aliás, o nosso interlocutor disse ver a descentralização como sendo um processo irreversível, “com o qual temos todos nós caminhar de mãos dadas e não termos  medo. É um processo de mudança e que vale a pena. Portanto, como um alicerce de construção da paz e garante da participação dos cidadãos na solução dos problemas da sua comunidade, é um processo que conheceu assinalável progresso no nosso país. Moçambique está a caminhar bem neste âmbito da descentralização e tem uma experiência que vale a pena que alguns países a nível da África possam seguir, pese embora existam esses desafios para a materialização deste desiderato. É preciso rever e perceber que a implementação da descentralização não tem sido fácil, muito por conta das questões de índole económica financeira”.

O Dia Africano da Descentralização e Desenvolvimento Local, refira-se, foi estabelecido pela conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana em Julho de 2014 em Malabo e veio a ser formalmente instituída através da Carta Africana sobre os valores e Princípios da Descentralização, Governação Local e Desenvolvimento Local.

Para este ano a efeméride celebra-se sob o lema, “A contribuição dos governos subnacionais e Locais Africanos para a criação da Zona de Comércio Livre Continental Africana- ZCLCA”. Remover os obstáculos a dinâmica do comércio livre é alguns dos subtemas a ser reflectidos para assinalar a data. (Constantino Henriques)

HCN reveste a sua sala de cuidados intensivos com tecnologia de ponta

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN) tende a melhorar as suas unidades infraestruturais, através de reabilitações e apetrechamento com equipamentos de tecnologia de ponta.

Na última quarta-feira (9), o Secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, teve de se deslocar ao HCN para reinaugurar a sala de cuidados intensivos, a qual foi reabilitada e apetrechada com equipamentos de alta tecnologia exigidos pelo padrão internacional para atender aos doentes que precisam de cuidados intensivos, como por exemplo nas sessões de hemodiálise.

O esforço do HCN para a melhoria das suas infra-estruturas e serviços tem sido notório, incluindo o atendimento.

Neto, para alem de reinaugurar a infra-estrutura, também, fez a entrega de uma ambulância para os serviços de urgência.

“Estão a receber dois instrumentos bastante importantes para o vosso trabalho, primeiro é uma nova sala de cuidados intensivos equipada com tecnologia de ponta, a última tecnologia que existe no campo do serviço médico, mas também uma ambulância que igualmente comtempla os serviços de alta qualidade para o nosso hospital”, afirmou Jaime Neto.

Por sua vez, o director do HCN, Cachimo Mulima, disse que com a sala será possível fazer, de forma rápida, o diagnóstico de doenças, assim como a recuperação daqueles que apresentam traumas de diversas origens, pois não haverá necessidade de movimentar os pacientes para outras salas

“Antes, a nossa sala de reanimação não tinha equipamento que faz hemodiálise a nível da sala de cuidados intensivos o que isso quer dizer é que aquele doente que tiver alguma falha multiorgânica ou falha de uma insuficiência renal aguda naquele momento que inclusive está intubado poderá receber tratamento na sala de cuidados intensivos”, afirmou.

Segundo Cachimo, o novo equipamento poderá ajudar os profissionais de saúde daquela unidade sanitária a administrarem os medicamentos aos pacientes que estejam internados na sala de cuidados intensivos para adultos.

“Esse equipamento dá-nos a possibilidade de avaliar a quantidade do medicamento e do soro que está a ser administrado ao paciente. Para além disso, nós não fazíamos a entubação dos doentes, porque não tínhamos ventiladores mecânicos e neste momento temos também um equipamento que vai ajudar a enviar o oxigénio com qualidade para a sala de cuidados intensivos”, referiu.

Importa referir que, a sala de reanimação reinaugurada, conta com uma capacidade para internar um total de 12 doentes, pois o mesmo dispõe de igual número de camas. (Ângela da Fonseca)

Nampula: Educação confirma haver alunos que não realizaram Avaliações Provinciais porque não pagaram taxas de guarda

Nampula (IKWELI) – A Direcção Provincial de Educação (D.P.E) de Nampula confirma que há alunos que não realizaram Avaliações Províncias (AP’s), porque não pagaram a famosa taxa de guardas.

A informação foi dada a conhecer à imprensa na manhã desta sexta-feira (04), pelo porta-voz da instituição, Faruk Carlos Abdul Carim, o qual garante que os envolvidos nesta prática serão responsabilizados.

Na nossa edição 1244, reportamos a situação que alguns alunos da escola secundária de Muatala, nos arredores da cidade de Nampula, passaram. Os mesmos foram impedidos de realizar, pelo menos, a primeira avaliação provincial da calendarização porque não tinham pago a taxa de guarda.

De acordo com o porta-voz, as contribuições nas escolas não são de caráter obrigatório, por isso não havia nenhuma necessidade de os alunos serem impedidos de realizar as avaliações, por este motivo aquela instituição está a fazer um trabalho de investigação para se apurar quantos alunos foram afectados, por conta destas cobranças.

“A situação dos alunos está já acautelada e todos alunos estão autorizados a fazer as provas, até agora o processo está a correr na normalidade e só teremos resultados finais do nosso posicionamento depois de nós terminamos com as investigações”, comenta Faruk Carim, apontado que “o processo não terminou até ao exacto momento por conta de alguns alunos que ainda encontra-se a realizar as avaliações nas escolas”. “Não podemos perturbar os alunos nas provas, ainda falta aferimos as informações com os alunos e professores envolvidos nesta situação”, frisou

Faruk Carim disse que a notícia sobre cobranças ilícitas nas escolas, que foi registrada a nível da província de Nampula, em particular na Escola Secundária de Muatala, chegou a Direcção Provincial de Educação com muita surpresa. “Foi triste, também, nós sabermos, por isso que neste momento a posição da Direcção Provincial de Educação foi, primeiro de admitir que todos alunos fizessem exames ou seja as provas trimestrais”.

“Esta contribuição pode ser tirada a um consenso entre o conselho da escola e a direcção da escola, porque essas decisões são consignadas em actas e a escola acredita que tem legalidade para poder proceder com esse tipo de situação, não existe obrigatoriedade de os alunos tirarem valores para contribuição, porque o aluno tem direito a educação”, afirma este nosso interlocutor, concluindo que “o aluno não pode ser interdito a aula só porque não é portador de um bolso ou porque não pagou alguma contribuição, quer seja para guarda ou por algum outro efeito”. (Herminio Raja)

“Renamo, por dentro, não está preparada para ouvir e acolher a dor do povo”, Arlindo Chissale, membro da perdiz

Balama (IKWELI) – O então jornalista e director de Comunicação e Imagem do conselho autárquico de Nacala, Arlindo Chissale, que tentou ser cabeça-de-lista da Renamo na vila de Balama refere que o seu partido ainda não se mostra preparado para li dar, internamente, com a dor do povo.

Chissale diz que foi combatido e está sendo combatido em Cabo Delgado, pela maioria da liderança local. Nessa entrevista poderá, na integra, acompanhar o seu posicionamento.

Jornal Ikweli (Ikweli): Quero agradecer pelo tempo e respostas que desde já vai nos dando, numa altura em que, tudo o que tem a ver com Política é apetecível, a escala Nacional. Na verdade, eu conheço a ti, como colega e nunca me apercebi que és político e surpreendentemente, o Delegado Político Provincial de Cabo Delgado, concordaria comigo, se formos a ver em muitas publicações, as últimas, a respeito de ti ou de Balama, disponíveis em vários jornais. Quando é que fez esse SHIFT de jornalista para Político?

Arlindo Chissale (Chissale): É normal que ele não me conheça, mas não é normal que ele não me reconheça. Eu sempre trabalhei na clandestinidade e actuei como toupeira. Eu trago credenciais da Renamo em Nacala e já esteve nas mãos e gaveta dele, por duas semanas, e ele mesmo não conseguiu dar um parecer, refiro-me de favorável ou desfavorável sobre a minha estadia ou reconhecimento de que eu existo. Ele fez a questão de me dizer de cara que iria punir aos que me receberam e rubricaram a minha credencial, na Delegação Política Provincial de Cabo Delgado. E eu até hoje me pergunto: Como é que se pune a um Membro, a Luz do nosso Estatuto Político, por ter recebido e encaminhado uma Credencial!? Mas, a nossa conversa está a começar muito azeda e está a parecer encomenda, logo nas suas primeiras intervenções. Não te esqueças que somos da mesma classe e reconheço locais aonde possam haver ratoeiras, de todo o tipo.

Ikweli: Tudo bem. Então, de Nacala para Balama ou por outras, de Nampula para Cabo Delgado, como explica?

Chissale: Não estou deslocado e muito menos a me perder. Eu sou daqui. Fui nascido em Mueda, hoje Muidumbe – Muatide, com a nova Divisão administrativa. Meu pai foi o primeiro enfermeiro a ser enviado para o actual Hospital de Muatide, para ir tratar gente leprosa. Na altura, a Lepra era uma doença misteriosa e ainda em estudos científicos medicinais e vários macondes tinham que ser isolados, fora ou longe da povoação de Mueda, para receber tratamentos ambulatórios. Eu fui nascido naquelas circunstâncias, enquanto minha mãe também dava aulas aos macondes, assim digamos. E, com meus dois anitos, meus pais foram transferidos para Pemba, onde fui estudar no Jardim infantil de Pemba, depois, frequentei o meu ensino Primário na Escola Primaria de Natite, quando o director era Buanar. O ensino Primário foi na EP2 16 de Junho. O ensino secundário na Escola Secundaria de Pemba e meu pai achou que com a chegada dos regressados da Ex-RDA, projectando filmes, nas noites, eu iria me perder e preferiu que eu fosse estudar num Centro Internato e escolheu em Mariri – Ancuabe. Não cheguei de terminar a 10ª classe, naquela escola, tal como era de desejar pois, tive fricções com o chefe do Internato, Sr. Agostinho Daipo, um nome que não me esqueço e voltei para Pemba para inaugurar a Escola África Muslim Agency e depois, para a Escola Secundaria de Pemba onde conclui a 12ª classe. Estando em Pemba, me juntei a vários movimentos sociais e Políticos tal como NUJECAD (Núcleo de Jovens e Escritores de Cabo Delgado) e declamávamos poesias até mesmo na Rádio Moçambique. Baptizei e crismei na Igreja São Paulo. E também, por indução do meu pai, consegui, em tenra idade, ser indicado para o cargo de Adjunto Chefe Provincial da Liga da Juventude da Renamo, nomeado pelo antigo Delegado, Cornélio Quivela e continuei com o Armindo Milaco. Mais tarde, fui bolseiro das Caritas de Moçambique, para ir estudar em Nampula, na UP e meu currículo é interminável, acredite, mas, cheguei a ser o que sou hoje, sempre defendendo a Renamo, com escritas e nos meus dois empregos, quer no jornalismo, quer assessorando ao Presidente do Município de Nacala, Reverendo Raúl Novinte, como assessor de Imprensa, ao longo de todo o mandato. Ora, posso elaborar e te fazer entrega do meu Currículo Político, oportunamente, mas a verdade é que sou daqui, em Cabo Delgado, depois de estar em terras alheias, por 18 anos consecutivos.

Ikweli: Então, tem referências em Cabo Delgado?

Chissale: Tenho tudo, mas também procuro sempre lhes proteger, para não sofrerem represálias pelo regime. Já nos confundiram, várias vezes. Uma delas é a Bellya Nota a qual, nas escritas dela, com tanto ódio, citava meu nome e dava descrições de um ou outro irmão meu, por exemplo, nas redes sociais. Ora, ela sempre me atacou politicamente a distância e agora é que estou a colocar os meus dois pés em terra firme, sem temor e nem remorsos.

Ikweli: Na verdade, não consigo entender, os porquês vir cair neste deserto e vazio. Numa terra em que não tem um prédio, se quer.

Chissale: “Owane – owane”. Significa que, temos sempre que voltar às origens e de forma oportuna. E sabe porquê, mesmo?

Ikweli: Não. E preciso que me clarifique.

Chissale: Vocês não estão bem aqui em Cabo Delgado, em tudo. E acreditam que parte das soluções dos problemas desta província, virão de Ruanda ou da pólvora da SADC, só para exemplificar. Eu trago comigo a gama de conhecimentos pacíficos e políticos, para inseminar na povoação sobrevivente e com doutrina renamista, anunciando nas línguas locais, como podemos sobreviver. Este povo já não acredita num partido cinquentenário e descorado. Quer uma outra alternativa e, quando a própria Renamo, por dentro, não está preparada para ouvir e acolher a dor do povo, recorre a caminhos insanos e por longo tempo, como forma de fazer valer as suas reivindicações. Um povo que vem de uma longa guerra colonial e por sinal, na terra aonde a história nos faz acreditar que houve o primeiro tiro, das mãos empunhadas pelo Chipande e depois, viveu e sobreviveu a guerra dos 16 anos, foi ensardinhado no massacre de Mueda, houve mais outro massacre em Montepuez e o sistema, já os massacra, já não sentem a dor e nem sentem a diferença entre decapitar ou ser decapitado. Meu pré-discurso e de prosperidade, em nome do nosso Partido é esperanças e bem-estar. Digo mais, não posso semear em tempo seco. O momento é hoje, apesar dos obstáculos à vista, por dentro e por fora da Renamo.

Ikweli: Acha que Balama pode passar para as mãos da Renamo, desta vez?

Chissale: Balama nunca foi municipalizado e é possível termos munícipes modelos, usando truques que aprendi, ao longo da minha carreira e pelos municípios de Nampula. Semear palavras de prosperidade, amor e empatia nesta gente e nas línguas locais é o que se precisa.

Ikweli: Acha que os outros da Renamo, cá presentes, não são capazes de dar conta do recado?

Chissale: Quem está preparado para dar conta do recado é a Frelimo e nos moldes em que a própria Frelimo se preparou e armou. Na verdade, no dia em que fui me apresentar, na Delegação Política Distrital de Balama, fui recebido por pessoas e não por personalidades. Entendes o que quero dizer? E são pessoas que dizem que querem e estão em condições e humor para derrotar a Frelimo, uma Frelimo que em Cabo Delgado, tem 18 acentos parlamentares contra 5 da minha Renamo. Hoje em dia, e numa nova vila autárquica, não se pode fazer discurso igual ao de eleições gerais. É controverso, repetitivo, sem adrenalina e condimento juvenil. Este povo agricultor e caçador, quer saber como é que será constituído o plantel da Renamo. Quantas vereações, numa primeira fase e o que quer dizer vereação? E, no seio da Renamo de Balama, não encontrei uma pessoa se quer que entenda sobre actos administrativos. Município não é partido, mas sim, Estado gerido por políticos com a melhor agenda, visão de mocho, com capacidades científicas de influenciar. A escolha do candidato tinha ou tem que ser por mérito e o melhor entre os melhores. Não se pode entrar por nepotismo, njombalismo ou bruxaria, achando que vai receber ou responder um e-mail via magia negra. E eu sou funcionário do Aparelho do Estado, nomeado há 18 anos. Falo todas as línguas locais e escrevo incluindo as línguas dos que estão a investir nesta minha província a destacar, o inglês e francês. Caso a Renamo falhe, dirão que Renamo perdeu ou falhou quando tem a oportunidade de receber de borla e voluntário, pelo menos, um reforço. Balama ainda não tem manifesto eleitoral e nem se sabe, por onde começar. Eu é que fiz o de Nacala, um município de Categoria B e está em uso até hoje, como espelho, depois de alguns retoques para a encadernação e publicação por parte do partido, na Nação. A execução desta ferramenta, na sua totalidade é um outro desafio…

Ikweli: Será que conseguiu esclarecer isto, dentro do vosso partido?

Chissale: Sim. E, não precisa dizer isso a todos os membros. Há membros espiões e intrusos. Alguns deles são aqueles que, depois de me conhecerem, não me reconhecem, me combatem e vão se dar muito mal.

Ikweli: A propósito, já li em alguns jornais de que estás a ser combatido e em gesto de resposta, alegaste que vais responder. Como vais ripostar aos que (como alegas), te atacam, no interior da Renamo?

Chissale: Não sou bebé. Tenho 44 anos, 25 dos quais de militância política puramente renamista. A Renamo ao nível provincial recebeu, de mim, meus dados de confirmação de que eu já tinha me recenseado. Um maldito, internamente, elaborou e enviou para este distrito uma forte e infundada acusação, com alegações de que o meu cartão de eleitor tinha que ser caçado. Fomos até as últimas consequências e já fui inocentado, depois de mostrar, com evidências, o quão genuíno sou de Cabo Delgado, incluindo, com comprovativos de pertença de casas, parcelas de terra aráveis e parte da minha família que vive cá comigo. Tive também, um bom advogado que incapacitou Secretários de Bairro, indicados pela Frelimo, para deporem contra mim, em julgamento da Renamo. O que não se sabe, por parte dos que encomendaram este ataque é que já pedi uma grossa indemnização, num processo separado. Caso eles ganhassem, com aquelas acusações, estária preso por um ano e pagaria, pelo menos, quatro salários mínimos. E, não foi o único ataque frontal que eu recebi, desde que estou por aqui em Balama.

Ikweli: Quais foram outros ataques?

Chissale: Deixa estar, mas, estão a se arrepender, todos eles. Polícias me atacaram, de novo e estão na mira de expulsão do Aparelho do Estado, pelo menos, 3 e já estão a tentar denunciar, quem foram os mandantes. Mas, os meus verdadeiros inimigos, não estão dentro da Renamo, mas sim, fora. Os de dentro, irão reconhecer, ou aparecerão outras referências que lhes clarificarão que estão errados e a caminho do precipício colectivo.

Ikweli: O cargo de Presidente de Município não é muito grande para ti?

Chissale: Dentre vários cargos políticos, ou mesmo político-administrativos, já fui tal como o disse, o de assessor ou mesmo porta-voz do município de Nacala. Tinhas que imaginar o peso desse cargo e num município como o de Nacala, onde tem mais de 600 trabalhadores, refiro-me de nomeados, contratados, aposentados e, também, sempre respondi em nome de cada munícipe, em órgãos de comunicação social.

Ikweli: Caso não consiga, desta vez, ser o que pensa ser, o que pensa em fazer?

Chissale: Esperar. Esperar pelo momento certo, resistindo e defendendo-me. Esperar vendo meus conterrâneos a sofrerem e pelos motivos que me fizeram cá voltar. Pelo menos, tentei ou, terei tentado. Com certeza, que não terei sido cobarde. Farei parte da história dos que tentaram resgatar a terra e aos cidadãos, enquanto venta fortemente. As pessoas mudam, mas o partido Renamo continua o mesmo, dos que resistirem de forma coordenada e unida, tal como tem sido em Nacala-Porto.

Ikweli: Não aceitaria uma outra tarefa, dentro do partido?

Chissale: Já o disse com um amigo, ao telefone que, sendo político, sou ambicioso. Quererei algo igual ou superior do que já tenho ou tive, como recompensa pela minha vinda voluntária, por aqui. Eu não vim assistir navios a passarem. Política não é novela, mas sim, filme de longa-metragem. Mas, fique claro, cá entre nós que hoje, na Renamo em Balama, não sirvo nem para ser apanha-bola, sob orientações da província. Suponho que tenha feito lobbies com uma ala e não com outra ala, a ala que ganha com entradas e saídas de membros. Entendes?

Ikweli: Estamos mesmo na recta final da nossa conversa e queria mesmo saber se a Renamo vai ganhar, cá em Balama.

Chissale: A Renamo que encontrei e está a se fazer de durona, não vai ganhar. Acredito que estão apenas felizes quando são convidados para se fazerem presentes pela praça dos heróis moçambicanos, nas inaugurações. Se fores a perguntar desde o cabeça-de-lista até aos que seguem-no sequencialmente na lista de sucessões, o que significa a palavra município, não te vão responder. Palavra de honra. Tem que aparecer alguém a lhes ensinar e não é nada mau, darem respostas em língua emakhua, por exemplo do que fazer do município, sua viatura de zero quilometro, quando não tens carta de condução e nem queres ser assessorado. Acabas não chegando a algum destino. Quem vai para o partido, deve ir dar ou receber algo. E esse algo, não pode ser suposição ou fofoca. E eu sozinho, que estou a representar uma ameaça, por dentro e por fora da Renamo de Balama, não vou conseguir vencer e gerir sozinho o partido. Precisarei sempre de ajudas, de visionários, colocando pessoas certas em locais certos. E, se fores a escutar atentamente o Hino da Renamo, vem de forma clara e evidente, o perfil do dirigente da Renamo e eu concordo com o mesmo, na sua totalidade.

Ikweli: O nosso tempo já se vai. Quer dar últimas considerações?

Chissale: Poderia falar sobre o futuro do nosso partido, nesta província onde tudo pode ser risonho, mas, estaria a usar o tempo e responsabilidades talvez, do adido de imprensa ou Delegado Político Provincial. Para os que me conhecem e reconhecem, sabem que sou avesso a tudo o que quer crescer torto. Não me importo se o problema está por dentro ou fora da Renamo. Felizmente, o Presidente do Município de Nacala-Porto é um dos que me entende, talvez por ter vivido, por muitos anos, fora deste continente e fazemos uma boa dupla. Mas, vou te deixar com único ponto de reflexão: Sabias que já podes encontrar cartazes digitais de todos ou vários cabeças-de-lista da Renamo, a escala Nacional, na Página do Facebook do nosso Líder Ossufo Momade, mas, nenhum deles é de Cabo Delgado? Podes adivinhar, aonde está a chave de ignição? – Na cabeça dos que pensam com seus órgãos genitais, mesmo na velhice!

E aí Vahanle…?

Nampula (IKWELI) – É certo que depois da tempestade, vem a bonança, mas na cidade de Nampula este velho adagio popular fica substituído pela inovação expressiva: “Depois da poeira, ressurgem os buracos”.

Quis o conselho autárquico da cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, aliviar o sofrimento dos seus munícipes nas artérias da urbe. Para o efeito, ruas e avenidas que se encontravam, altamente, esburacadas, foram tapadas com areia, incluindo saibro.

Os entendidos na matéria já aconselhavam que a prática não é recomendável, tanto é que previam que uma pequena precipitação atmosférica jogaria ao avesso este esforço e recursos despendidos.

Foram dias em que homens e mulheres, descarregados em tractores, juntamente com areia e algumas pás, procuravam minimizar o sofrimento e garantir a mínima transitabilidade rodoviária na urbe, e como tal devolver a mobilidade urbana.

Nas últimas 48h, parece que Deus não “cooperou” com a “burla” que estava sendo imposta aos citadinos desta autarquia, que, em Outubro próximo, terá de eleger novos dirigentes.

Alguns pontos da cidade, senão a maioria, viram a areia colocada nos buracos escorrerem com a pequena água dos chuviscos que se fizeram sentir na cidade. Em outras zonas a areia se transformou em matope, comprometendo ainda mais a higiene das pessoas.

“Como não estava a chover, achávamos que com essa areia estava tudo bem, mas a chuva veio nos mostrar que estávamos errados”, disse um automobilista que opera na rota Muahivire-Expansão/Subestação, comentando ainda que “o município deve começar a levar a sério o seu trabalho, porque assim não fica bem”.

Um operador de táxi de mota referiu que “antes passávamos mal com a poeira, mas agora o matope pode nos levar a fazer acidente com muita facilidade”.

“Eu não condeno ao presidente do município, porque ele faz de tudo para termos uma boa cidade, mas parece que lá, no grupo dele, estão a lhe sabotar. Não faz sentido que aqueles engenheiros que trabalham ali na direção de Manutenção e Obras não saibam que aquela não é areia para colocar numa estrada alcatroada porque só tem buracos”, comenta Jacinto Ibraimo, munícipe que reside na zona de Muhala Expansão.

A rua que passa pelo mercado 25 de Junho, também conhecido por mercado do Matadouro, ficou, praticamente, com as bermas lamacentas, complicando ainda mais a circulação de pessoas e bens.

O mesmo cenário observa-se nas avenidas 25 de Setembro e Eduardo Mondlane, incluindo a rua que passa em frente a residência do autarca Paulo Vahanle, a rua Filipe Samuel Magaia (também conhecida por rua das Flores) e a rua da cidade de Moçambique. (Redação)

Operadores de táxi de mota “atiram” feijão macaco contra militares em Nampula

Nampula (IKWELI) – A passada segunda-feira (31 de Julho) foi dia difícil para alguns militares afectos a Academia Militar Marechal “Samora Moisés Machel”, em Nampula, sobretudo os que foram escalados para supervisionar a famosa praça da ADEMO, localizada nas imediações daquela unidade de forma a impedir os operadores de táxi-mota a exercerem suas actividades naquele local.

Já vai quase um ano que os operadores de táxi-mota são proibidos de exercer as suas actividades na praça de ADEMO, localizada no bairro de Muatala, na cidade de Nampula, junto das instalações da Academia Militar, uma medida que visa reforçar a segurança daquele estabelecimento de formação militar.

Para os operadores de táxi-mota, a praça da ADMEMO é de referência para o desenvolvimento sustentável das suas actividades, por isso após o anúncio da medida, houve resistência para o seu cumprimento, por isso, diariamente é escalada uma equipa de militares para fiscalizar o local.

Mesmo assim, existem alguns taxistas que tentam contrariar as orientações dos militares, chegando a emboscar os clientes no local proibido.

Segundo apuramos, quando interpelados são sancionados de diversas formas, que vão desde, terem as suas motorizadas arrancadas e para a sua recuperação são obrigados a fazer limpeza em algumas áreas da Academia. Alguns dos moto-taxistas contaram que inclusivamente, lhes é cobrado dinheiro que pode chegar até 200,00Mt (duzentos meticais) por militares e noutros casos são vítimas de agressão física.

Devido a essa postura dos militares, na noite do último domingo (30 de Julho) desconhecidos espalharam “feijão macaco” no local onde habitualmente fazem permanência e, no dia seguinte, lá chegados tiveram o sufoco total, devido a comichão provocada por aquela planta.

Como apurou o Ikweli, há uma semana um grupo de operadores de táxi-mota foi fisicamente agredido pelos militares que estavam de ronda no local, pelo que não se descarta a possibilidade que seja a retaliação dos agredidos que espalharam o venenoso “feijão macaco”.

“Então, os militares chegaram ali na praça logo pela manha, como de costume, de repente começamos a ver todos eles a se coçarem de um lado para outro, outros saíram para irem trocar de farda. Não sabíamos o que estava a acontecer, só mais tarde é que percebemos que alguém tinha posto “feijão macaco” onde eles sentam. Não foi fácil naquele dia, até porque quase não trabalharam”, contou um taxista cujo nome não avançámos.

A ira dos militares e a colocação das câmaras de vigilância

No seguimento da história, contaram as nossas fontes, na manhã seguinte, terça-feira (1 de Agosto), um operador de táxi foi vítima da ira dos militares. O referido taxista encontrava-se nas proximidades do local e os militares obrigaram-no a limpar o sítio com a sua camisola e que, depois da limpeza também foi forçado a vesti-la.

“Aquele senhor não sei como terminou, mas deve ter passado mal. Falaram a ele para limpar os bancos onde eles sentam utilizando sua camisa, depois daí lhe obrigaram a usar a mesma, mas acredito que ele não sabia nada do que estava a a acontecer”, fez saber uma outra fonte.

Coincidentemente, depois do incidente foi montado um sistema de vigilância electrónica mesmo sobre o muro da academia, acreditando-se que seja por causa do incidente com o “feijão macaco”.

“Não sei se foi plano deles, mas as câmaras foram montadas por volta das 15 horas de hoje (terça-feira 1 de Agosto)”, referiu um dos nossos informantes. (Constantino Henriques)