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CAVAME-d: Governador de Nampula defende transformação imediata de memorandos alcançados em projectos

Nacala (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, disse, no princípio da noite desta sexta-feira (23), no enceramento da primeira edição da Conferência sobre Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), que o trabalho árduo está, ainda, por vir e será caracterizado pela transformação dos memorandos assinados no evento em projectos concretos.

“Temos agora pela frente o trabalho, porventura menos visível, mas absolutamente indispensável, de transformar os memorandos em projectos, os projectos em fábricas e as fábricas em empregos,” disse o governador, que agradece ao Presidente da República, Daniel Chapo, pela escolha de Nacala para o acolhimento contínuo da CAVAME-d. “Gostaria também de saudar a perspectiva de realização anual desta Conferência em Nacala. Seria uma excelente notícia para a nossa cidade e mais um sinal de que a descentralização, tão incentivada por Sua Excelência o Presidente da República, começa a ganhar expressão em acontecimentos de grande dimensão nacional e internacional.”

Abdula afiançou que “permitam-me que vos diga, com indisfarçável alegria, que este é um daqueles casos em que o fim é, na verdade, um começo. E, perante tudo aquilo que aqui aconteceu nestes últimos dias, não me parece exagerado afirmar que o melhor ainda está para vir,” pois “quando abriu-se esta Conferência, fizemo-lo com enormes expectativas. Acreditávamos que Nacala reunia todas as condições para acolher um acontecimento desta dimensão e, sobretudo, que este encontro poderia abrir novas perspectivas para a nossa Província e para o País,” e “hoje, ao fazermos o balanço destes dias, temos razões de sobra para nos sentirmos satisfeitos. As nossas expectativas foram não apenas correspondidas, mas, atrevo-me a dizer, largamente superadas! E os números falam por si. Cerca de 4,2 mil milhões de dólares americanos em compromissos de investimento e 11 memorandos de entendimento assinados.”

O governador de Nampula passou em recordação outras conquista que a CAVAME-d trouxe para Nacala, referindo que “Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República, anunciou a construção de dois parques industriais em Nacala. Foi igualmente anunciado um investimento inicial de 65 milhões de dólares para a instalação de quatro unidades de processamento de minerais, a partir de 2027,” e “são notícias que nos enchem de entusiasmo e que confirmam aquilo que temos vindo a defender: Nacala tem todas as condições para se afirmar não apenas como um grande centro logístico, mas também como um importante pólo industrial de Moçambique. Isto é a descentralização a acontecer: transformar aqui o que é nosso, com a nossa gente. Queremos que os nossos recursos sejam transformados aqui, que as nossas empresas participem nessa transformação e, sobretudo, que os nossos jovens encontrem oportunidades de trabalho na sua própria terra.”

A 27 de outubro corrente, o aeroporto Internacional de Nacala, que acolheu a primeira edição da CAVAME-d, passa a receber voos da Ethiopian Airlines e, segundo Abdula, essa conquista é “fruto das negociações conduzidas por Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, Presidente da República.” (Redação)

Primeiro leilão de rubis em Moçambique arrebatou mais de 200 mil dólares em Nacala

Nacala (IKWELI) – A estreia da primeira edição do leilão de Rubis em Moçambique, evento que acontece a propósito da 8ª edição da Feira Anual de Gemas de Nampula (FAGENA), posicionou a empresa Zambrock &Minning Exploration como vencedora do ditame, ao apresentar uma proposta de 214 498 (Duzentos e quatorze mil, quatrocentos e noventa e oito) dolares, que quando convertidos ao câmbio do dia, somam 13.702.809,32Mt (Treze milhões, Setecentos e dois mil, oitocentos e nove meticais, trinta e dois centavos). 

A empresa vencedora disputou os 30 kg de Rubi com a MBS Gold Trading, entidade que lida com toda a cadeia de valor de mineração, desde a exploração até a comercialização. 

O Secretário executivo da Unidade de Gestão do Processo Kimberley, Castro Elias, a quem coube apresentar o resultado do leilão, esclareceu que das 12 empresas que fizeram a avaliação do material, apenas 4 deram propostas financeiras. “São cerca de 12 empresas que foram ver e proceder a avaliação do material. Destas empresas, quatro apresentaram propostas financeiras. Das propostas financeiras, primeiro dizer que das duas empresas, uma é de Hong Kong, outra de Sri Lanka, a terceira da Alemanha e as outras nove empresas são empresas moçambicanas, algumas associadas a alguns estrangeiros.”

“Das quatro propostas apresentadas, a empresa FENOX de Hong kong para o lote número um de 78.75 gramas de rubi 2A, apresentou uma proposta de 4 mil dólares. A empresa Zamb project Mining and Exchange apresentou para o lote número 1 e 2 de rubi, estou a falar de 78.75 gramas de rubi 2A e de 1922.1 gramas de rubi 2B, uma proposta financeira de 199.998 dólares americanos. A terceira empresa que apresentou a proposta para o lote número 1 chama-se Lamba Mining. Esta empresa está sediada em Nampula, apresentou para o lote 1 78,5 gramas de rubi do já, uma proposta para o lote número 1. de 400 mil meticais e a empresa MBS Gold Trading Limitada também de Nampula apresentou para os 4 lotes estamos a falar dos 2 lotes de rubi e 2 lotes de corundo uma proposta financeira de 19 mil e 700 dólares americanos,”referiu a fonte. 

A empresa Zambrock & Minning Exploration tem 7 dias para fazer o pagamento do valor e levar o Rubi.(Felismina Maposse, em Nacala)

Estado encaixa mais de 19 milhões de meticais com venda de minerais apreendidos

Nacala (IKWELI) – O segundo dia da Feira Anual de Gemas de Nampula (FAGENA), nesta sexta-feira (23), deu espaço a venda em asta pública de minerais preciosos apreendidos em várias operações.

O valor das vendas, revertidas ao Estado moçambicano, foi na ordem dos  19.770.380,00Mt (dezanove milhões, setecentos e setenta mil e trezentos e oitenta metilais).

A venda em asta pública garantiu que entre as 7 propostas apresentadas, o empresário Ismael Amisse Bazo saísse na frente, ao amealhar 500 toneladas de Quartzo leitoso, correspondente ao primeiro lote, 30 toneladas de Quartzo barra no segundo lote e 45 toneladas de lepidolite.

O Presidente do Júri do concurso, Amide Guambe, esclareceu que “desse jeito encerramos aquilo que é o apuramento, estão de parabéns estão de parabéns os concorrentes.”

Na ocasião, Guambe estabeleceu que, “dos sete lotes, temos o primeiro lote que é de Quartzo leitoso na quantidade de 500 toneladas, foi apurado Ismael Amisse Bazo, no valor de 13 milhões e 500 mil meticais. No segundo lote, Quartzo leitoso, 30 toneladas, foi apurado Ismael Amisse Bazo, no valor de 810 mil meticais. No terceiro lote, Quartzo barba, 2,23 toneladas, foi apurado Lucas de Castro, no valor de 347.880 meticais. No lote 5, 10 toneladas de polucite, foi apurado Ismael Amisse Bazo no valor de 4 milhões e 100 mil meticais. No sexto lote, 45 toneladas de lepidolite, foi apurado Lucas de Castro no valor de 202 mil e 500 meticais. No oitavo lote, 30 toneladas de lepidolite foi apurado o Lucas de Castro no valor de 135 mil meticais o nono lote, quartzo leitoso, 25 toneladas foi apurado o Ismael Amisse Bazo no valor de 675 mil meticais.”

As empresas selecionadas têm 10 dias desde a realização da venda em asta pública para fazer a canalização do valor correspondente aos recursos disponíveis. (Felismina Maposse, em Nacala)

Governador de Nampula garante que Muecate estará plenamente acessível antes da época chuvosa

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, tem vindo a intensificar acções de monitoria das obras de construção de pontes e estradas na província, de forma a garantir que pontos críticos sejam transitáveis antes do pico da presente época chuvosa.

Na manhã desta sexta-feira (23), Abdula esteve no distrito de Muecate, onde visitou as obras de construção das pontes sobre os rios Muecate e Malaco, ao que exigiu, aos empreiteiros, flexibilidade na execução das mesmas.

“Estamos a ver se conseguimos correr com essas obras todas, no sentido de que não haja grandes problemas de transitabilidade, de travessia de pessoas. Começamos na semana passada a visitar alguns distritos,” anotou o governador, realçando que “aqui fico satisfeito, porque a empresa que começou a poucos meses, há dois meses e meio, já tem cerca de 40% de execução da obra feita, e eles prometem correr com a obra. Nós temos a ponte metálica, já está na nossa província e está há menos de 100 quilómetros do armazém, então para não acumular aqui o material preparado, estão a ser construídos os cinco pilares, dos quais três estão quase prontos e eles prometem [concluir] antes de Dezembro”. 

Na mesma ocasião, o governador revelou que a empresa que executa as obras da ponte sobre o rio Muecate vai, no âmbito da sua responsabilidade social, melhorar as condições de transitabilidade entre a vila sede daquele distrito e o posto administrativo de Nacavala, na estrada nacional número um. (Virgínia Emília)

Nampula: Secretário de Estado apela ao reforço da promoção da saúde entre os jovens

Nampula (IKWELI) – O secretário de Estado na província de Nampula, Fernando Bemane de Sousa, apelou à Associação de Saúde Interactiva em Cuidados Humanizados (ASICH) para reforçar as acções de promoção da saúde pública junto das comunidades, com particular atenção à juventude.

O apelo foi feito nesta quinta-feira (22), durante uma audiência com representantes da associação, que desenvolve actividades na província desde o ano passado.

Na ocasião, Fernando Bemane de Sousa reconheceu os desafios enfrentados pelo sector da saúde e afirmou que o Governo está a envidar esforços para absorver profissionais recém-formados, sobretudo jovens da área da saúde, de modo a reforçar a prestação de serviços nas unidades sanitárias da província.

“Recebemos com agrado o vosso apoio. Como Governo, estamos cientes das dificuldades, mas abraçamos a vossa iniciativa. Por isso, vamos trabalhar juntos em prol da saúde da nossa população, em particular dos jovens”, afirmou.

O governante reconheceu igualmente as dificuldades de empregabilidade enfrentadas pelos jovens recém-formados e a necessidade de encontrarem alternativas de auto-emprego.

Por sua vez, o director executivo da ASICH em Nampula, Américo Toquias, explicou que a associação surgiu como uma resposta às dificuldades de inserção profissional dos técnicos de saúde formados anualmente na província, muitos dos quais não conseguem ingressar nos quadros do Estado.

Segundo Toquias, a organização procura aproveitar os conhecimentos adquiridos durante a formação para desenvolver acções de saúde comunitária, em coordenação com as autoridades do sector.

“Na verdade, esta é uma reinvenção para não ficarmos sentados em casa. Estamos a fazer aquilo com que podemos contribuir, usando o nosso saber e os conhecimentos adquiridos na formação, em coordenação com as autoridades do sector da saúde, visto que somos uma agremiação legalmente constituída”, explicou.

O responsável acrescentou que a associação realiza campanhas de sensibilização comunitária sobre saneamento do meio, violência baseada no género, HIV/Sida e saúde sexual e reprodutiva.

Durante o primeiro semestre deste ano, a ASICH trabalhou em colaboração com o Conselho Municipal da Cidade de Nampula, através do pelouro da Saúde, na sensibilização dos munícipes para a prevenção de doenças de origem hídrica e na promoção do saneamento do meio.

A ASICH é constituída por jovens recém-formados na área da saúde que enfrentam dificuldades de inserção profissional nos sectores público e privado. Através da associação, procuram desenvolver actividades de promoção da saúde e prestar serviços às comunidades, aproveitando as competências adquiridas durante a formação.

(Nelsa Momade)

RENAMO expulsa António Muchanga por 13 votos contra dois

Maputo (IKWELI) – O Conselho Nacional da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) decidiu, na manhã desta quinta-feira (22), expulsar António Muchanga das fileiras do partido, numa votação que evidencia divergências internas e levanta dúvidas sobre o futuro de outros membros visados por processos disciplinares.

A decisão foi aprovada com 13 votos a favor e dois contra, no segundo dia dos trabalhos do órgão deliberativo, que decorrem na capital do país.

Segundo apurou o Ikweli, a expulsão foi antecedida por intensos debates iniciados na noite de quarta-feira, durante os quais o assunto chegou a ser suspenso. A discussão foi retomada na manhã seguinte, tendo o processo sido colocado entre as prioridades da agenda.

Os dois votos contra a expulsão foram da secretária-geral da RENAMO, Clementina Bomba, e de Ivan Mazanga, líder da Liga Juvenil do partido.

Segundo fontes internas, Bomba terá alertado para as possíveis consequências políticas da medida, manifestando preocupação com o risco de novas divisões e do afastamento de militantes e apoiantes, caso quadros influentes sejam alvo de sanções disciplinares.

A expulsão de António Muchanga, uma das figuras mais conhecidas da oposição moçambicana, ocorre num contexto de divergências internas sobre a orientação política e a liderança da RENAMO.

Além de Muchanga, também foram mencionados como possíveis alvos de sanções disciplinares João Machava, Edgar da Silva de Jesus, Arone Alfiado Lavanhane, Torina Francisco Miquitae e Orlando Cuna.

Contudo, até ao momento, apenas o processo relativo a Muchanga foi submetido à votação, não havendo indicação de quando os restantes casos serão apreciados.

(Malito João)

Namialo prepara-se para ter sistema de abastecimento de água para 80 mil pessoas

Nampula (IKWELI) – Cerca de 80 mil pessoas da vila de Namialo, no distrito de Meconta, província de Nampula, poderão beneficiar de água potável com a entrada em funcionamento de um sistema de abastecimento destinado a melhorar o acesso à água segura e a reduzir os riscos de doenças de origem hídrica.

O projecto deu mais um passo com a assinatura de um acordo regulatório entre o administrador do distrito de Meconta, Orlando Pedro Muaevano, e a Autoridade Reguladora de Águas (AURA), durante uma cerimónia realizada na cidade de Mocuba, província da Zambézia.

Segundo Muaevano, a iniciativa pretende responder às dificuldades de acesso à água potável enfrentadas pelos residentes de Namialo, numa região onde o consumo de água imprópria tem sido associado a problemas de saúde pública.

O administrador considera que um dos principais desafios será assegurar uma gestão eficiente do sistema, de modo a garantir a continuidade do abastecimento e evitar que a infraestrutura fique sem funcionar.

“Nós, como Governo do distrito de Meconta, temos mais uma responsabilidade que nos é atribuída: fiscalizar e controlar, para que aquele sistema, que custou milhões dos cofres do Estado e do Banco Mundial, não seja um elefante branco. O grande desafio que temos é identificar um operador honesto, sincero, que vai abastecer água à nossa população”, afirmou.

O dirigente referiu que a vila tem registado episódios recorrentes de diarreia aguda, que atribui ao consumo de água imprópria, manifestando a expectativa de que o funcionamento pleno do sistema contribua para melhorar a situação sanitária.

“Há casos cíclicos de diarreia aguda na vila, por consumo de água imprópria, mas, com esta infraestrutura a funcionar em pleno, espera-se que a situação mude”, declarou.

Muaevano acrescentou que o crescimento da população do distrito aumenta a necessidade de garantir fontes seguras de abastecimento, recordando que as comunidades têm enfrentado problemas relacionados com doenças de origem hídrica, incluindo a cólera.

A assinatura do acordo contou igualmente com representantes dos distritos de Malema, Eráti e Mogovolas, também abrangidos pelo projecto. (Malito João)

Ministro defende exploração sustentável dos recursos minerais em Moçambique

Nampula (IKWELI) – O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Rafael Pale, defendeu, esta quinta-feira (22), na cidade portuária de Nacala, província de Nampula, a adopção de práticas sustentáveis de exploração e processamento dos recursos minerais e energéticos, de modo a garantir que as gerações futuras também possam beneficiar dessas riquezas.

Pale falava durante a abertura oficial da Feira Anual de Gemas de Nampula (FAGENA), evento que considerou importante para a promoção dos recursos geológico-mineiros do país e para a divulgação dos conhecimentos científicos ligados às geociências.

“A FAGENA é um evento de promoção dos recursos geológico-mineiros moçambicanos e das geociências, realizado periodicamente na província de Nampula. Este ano, a FAGENA ganha uma nova dimensão: está integrada na primeira edição da Conferência de Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis, a CAVAME-d”, afirmou.

Segundo o governante, a integração dos dois eventos enquadra-se na estratégia do Governo de promover o processamento local da matéria-prima mineral e impulsionar a industrialização do país, com maior aposta na produção nacional.

Pale destacou igualmente a introdução de novas iniciativas na edição deste ano da FAGENA, entre as quais o primeiro leilão de rubis no país, que considerou uma oportunidade para dinamizar a cadeia de valor das pedras preciosas.

“A FAGENA deste ano é mais do que uma montra. É o espaço onde se encontram todos os elos desta cadeia: o minerador artesanal, o operador, o lapidador, o certificador, o investigador, o comprador e o regulador”, declarou.

O ministro explicou que a feira inclui, além da exposição de gemas e metais preciosos, a apresentação de tecnologias e soluções de pesquisa, processamento e transformação de minerais, desde as mais simples às mais complexas.

Outro dos objectivos apontados pelo governante é a formalização da actividade de mineração artesanal, parte da qual continua a ser exercida ilegalmente, bem como o reforço da tributação da comercialização de gemas e metais preciosos.

“Ao promover eventos desta natureza, o Governo de Moçambique pretende, em primeiro lugar, contribuir para a formalização do negócio de gemas e metais preciosos e assegurar a devida tributação da sua comercialização. Pretende também aumentar os ganhos dos mineradores artesanais, massificar o conhecimento e o uso das gemas e divulgar o conhecimento já produzido no país sobre as gemas e as respectivas jazidas”, afirmou.

Pale defendeu ainda a promoção de práticas sustentáveis de extracção e processamento mineiro e o reforço da coordenação entre empresas dos sectores mineiro, energético, dos transportes e da logística, com vista a criar sinergias e impulsionar o crescimento económico.

No final da intervenção, o ministro apelou aos expositores, operadores e estudantes para que participem activamente nos debates previstos para os três dias de realização da FAGENA. (Felismina Maposse)

UniRovuma leva aconselhamento psicológico às comunidades de Nampula

Nampula (IKWELI) – A Faculdade de Educação e Psicologia (FEP) da Universidade Rovuma (UniRovuma), em Nampula, está a promover palestras de aconselhamento psicológico e psicossocial nas comunidades, com o objectivo de sensibilizar a população para a importância da saúde mental, do equilíbrio emocional e da procura de ajuda especializada perante dificuldades do quotidiano.

A iniciativa pretende criar espaços de diálogo e partilha de conhecimentos sobre questões que afectam o bem-estar psicológico e social, incluindo o stress, a ansiedade e os conflitos interpessoais. As sessões abordam igualmente estratégias para lidar com os desafios psicossociais e melhorar a gestão das emoções.

Segundo Ana Chiluvane, directora da FEP e especialista em Saúde Mental, as palestras ajudam os participantes a compreender a importância do equilíbrio emocional, da construção de relações sociais saudáveis e da procura de apoio profissional sempre que necessário.

“Esta é uma das várias acções através das quais pretendemos combater o estigma associado aos problemas de saúde mental, incentivando as pessoas a falarem abertamente sobre as suas dificuldades e a procurarem ajuda sem receio de discriminação ou preconceito”, afirmou.

A responsável considera a prevenção e a sensibilização comunitária fundamentais para promover ambientes mais saudáveis, solidários e inclusivos. Por isso, defende a criação de condições para que as pessoas possam abordar as suas dificuldades emocionais sem medo de julgamentos.

Para além das actividades ligadas à saúde mental, a FEP promove debates e campanhas de sensibilização sobre saúde sexual e reprodutiva das raparigas. Estas acções visam ampliar o acesso à informação, incentivar escolhas conscientes e proteger os direitos e o bem-estar das jovens.

De acordo com Ana Chiluvane, as iniciativas procuram também estimular a participação das jovens na discussão de questões que influenciam directamente a sua saúde, o percurso académico e as perspectivas de futuro. (Malito João)

Twigg aponta incumprimento de acordo com o Governo sobre estradas para escoar grafite

Nacala (IKWELI) – A Twigg Exploration & Mining Limitada, empresa que explora grafite no distrito de Balama, província de Cabo Delgado, critica a falta de manutenção das estradas utilizadas para o escoamento do minério e considera que a situação compromete as condições acordadas com o Governo para a realização do seu investimento em Moçambique.

Além das dificuldades de acesso rodoviário, a empresa enfrenta constrangimentos associados à insurgência armada que afecta Cabo Delgado há cerca de nove anos e à falta de energia eléctrica de qualidade no distrito de Balama.

Laura Mateus, gestora de Administração de Importações da Twigg Exploration & Mining, afirmou que a decisão de investir naquela região foi tomada com base num acordo com o Governo, que incluía compromissos relacionados com a criação de condições para a exportação da grafite.

“Desde que começámos a operar, não tivemos essas manutenções preventivas. As condições das estradas têm estado a piorar, e isso deve estar no fórum correcto, falo da área das infra-estruturas, por forma a garantir que temos estradas em condições para isso”, afirmou Mateus.

A responsável acrescentou que o investimento da empresa teve como pressuposto o cumprimento das obrigações assumidas pelas partes.

“Ao acordarmos com o Governo, no nosso contrato, existem obrigações e direitos. Foi desse acordo que fizemos o investimento que fizemos em Moçambique, e uma das obrigações do Governo é garantir que nós temos condições de exportar a grafite de Balama”, declarou.

À margem da conferência, Mateus apelou à intervenção das entidades competentes para que sejam respeitados os compromissos assumidos e criadas condições para o desenvolvimento da actividade mineira.

“Quero aqui [na primeira edição da CAVAME-d] solicitar ainda o apoio de quem é de direito, por forma a trabalharmos juntos, dentro dos limites estabelecidos pelo nosso acordo, para receber este desenvolvimento que estamos a pedir aqui em Moçambique”, afirmou.

A gestora defendeu igualmente que a melhoria das estradas deve beneficiar todos os utentes, incluindo os operadores económicos que suportam os custos associados à circulação de mercadorias e às operações portuárias.

Mateus manifestou preocupação com a introdução de encargos que anteriormente não eram cobrados em determinadas operações de importação, incluindo taxas municipais, e apelou a que as receitas arrecadadas contribuam efectivamente para a melhoria das infra-estruturas.

“Este ano recebemos muitas taxas em relação à importação que, normalmente, eram gratuitas, agora têm um custo específico. Temos, por exemplo, as taxas do Conselho Municipal, e seria bom vermos como isso vai beneficiar a melhoria das estradas aqui em Nacala e que estas taxas realmente sirvam. Nós, como operadores que estamos a pagar por contentor, queremos ver o benefício para Nacala das referidas taxas que foram impostas”, explicou.

Para a representante da empresa, Moçambique dispõe de potencial para contribuir para a transição energética, mas precisa de reforçar a disponibilidade de quadros qualificados e melhorar as condições de operação das empresas que investem no sector.

“Moçambique tem muito potencial. Temos que ter a capacidade de ter quadros suficientes para podermos contribuir da melhor forma para essa mudança energética que vai acontecer”, concluiu.

Os pronunciamentos foram feitos durante o painel sobre as necessidades logísticas actuais e futuras das empresas mineradoras que operam em Moçambique, no terceiro dia da Conferência sobre Valor Acrescentado aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), que decorre em Nacala-Porto desde segunda-feira, 19. (Felismina Maposse, em Nacala)