Operadores de táxi de mota “atiram” feijão macaco contra militares em Nampula

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Nampula (IKWELI) – A passada segunda-feira (31 de Julho) foi dia difícil para alguns militares afectos a Academia Militar Marechal “Samora Moisés Machel”, em Nampula, sobretudo os que foram escalados para supervisionar a famosa praça da ADEMO, localizada nas imediações daquela unidade de forma a impedir os operadores de táxi-mota a exercerem suas actividades naquele local.

Já vai quase um ano que os operadores de táxi-mota são proibidos de exercer as suas actividades na praça de ADEMO, localizada no bairro de Muatala, na cidade de Nampula, junto das instalações da Academia Militar, uma medida que visa reforçar a segurança daquele estabelecimento de formação militar.

Para os operadores de táxi-mota, a praça da ADMEMO é de referência para o desenvolvimento sustentável das suas actividades, por isso após o anúncio da medida, houve resistência para o seu cumprimento, por isso, diariamente é escalada uma equipa de militares para fiscalizar o local.

Mesmo assim, existem alguns taxistas que tentam contrariar as orientações dos militares, chegando a emboscar os clientes no local proibido.

Segundo apuramos, quando interpelados são sancionados de diversas formas, que vão desde, terem as suas motorizadas arrancadas e para a sua recuperação são obrigados a fazer limpeza em algumas áreas da Academia. Alguns dos moto-taxistas contaram que inclusivamente, lhes é cobrado dinheiro que pode chegar até 200,00Mt (duzentos meticais) por militares e noutros casos são vítimas de agressão física.

Devido a essa postura dos militares, na noite do último domingo (30 de Julho) desconhecidos espalharam “feijão macaco” no local onde habitualmente fazem permanência e, no dia seguinte, lá chegados tiveram o sufoco total, devido a comichão provocada por aquela planta.

Como apurou o Ikweli, há uma semana um grupo de operadores de táxi-mota foi fisicamente agredido pelos militares que estavam de ronda no local, pelo que não se descarta a possibilidade que seja a retaliação dos agredidos que espalharam o venenoso “feijão macaco”.

“Então, os militares chegaram ali na praça logo pela manha, como de costume, de repente começamos a ver todos eles a se coçarem de um lado para outro, outros saíram para irem trocar de farda. Não sabíamos o que estava a acontecer, só mais tarde é que percebemos que alguém tinha posto “feijão macaco” onde eles sentam. Não foi fácil naquele dia, até porque quase não trabalharam”, contou um taxista cujo nome não avançámos.

A ira dos militares e a colocação das câmaras de vigilância

No seguimento da história, contaram as nossas fontes, na manhã seguinte, terça-feira (1 de Agosto), um operador de táxi foi vítima da ira dos militares. O referido taxista encontrava-se nas proximidades do local e os militares obrigaram-no a limpar o sítio com a sua camisola e que, depois da limpeza também foi forçado a vesti-la.

“Aquele senhor não sei como terminou, mas deve ter passado mal. Falaram a ele para limpar os bancos onde eles sentam utilizando sua camisa, depois daí lhe obrigaram a usar a mesma, mas acredito que ele não sabia nada do que estava a a acontecer”, fez saber uma outra fonte.

Coincidentemente, depois do incidente foi montado um sistema de vigilância electrónica mesmo sobre o muro da academia, acreditando-se que seja por causa do incidente com o “feijão macaco”.

“Não sei se foi plano deles, mas as câmaras foram montadas por volta das 15 horas de hoje (terça-feira 1 de Agosto)”, referiu um dos nossos informantes. (Constantino Henriques)

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