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PCA da televisão Muniga detido por burla

Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na província de Nampula, recolheu para as suas celas o Presidente do Conselho Administração (PCA) da Televisão Muniga, indiciado da prática do crime de burla, praticado na província do Niassa.

De acordo com a porta-voz SERNIC em Nampula, Enina Tsinine, o indiciado teria emitido um cheque sem provisão para compra de uma viatura de marca Toyota Land Cruiser, na província do Niassa e andou foragido, tendo sido detido em Nampula, sob mandado de busca e captura.

“O individuo tentava comprar uma viatura de marca Toyota, usando um cheque sem cobertura. Trabalhos feitos pelo SERNIC, culminaram com a detenção do mesmo e neste momento o indiciado está a responder pelo crime de burla nas celas da 1ª Esquadra da cidade de Nampula”, explicou Enina.

O acusado disse que a sua detenção não passa de uma perseguição, onde o mesmo aponta a influência de pessoas que teriam negociado a viatura com ele, como sendo alguém com um padrinho forte na “cozinha” para somente lhe prejudicar a vida.

“O que me faz chegar aqui é um cidadão moçambicano como eu, que acha que tem influência e poder, onde o mesmo vendeu-me uma viatura ilegal sem matrícula. Fiz pagamento de uma parte do valor, descobri que era ilegal e exigi a devolução do cheque e o meu valor para ele levar a sua viatura, e ele não o fez. Simplesmente foi a Niassa, onde ele acha que tem influência e trouxe um mandado de apreensão da viatura e detenção, por isso que estou aqui”, explica-se o indiciado.

O acusado diz não perceber o motivo porque que ainda está detido, pois no eu entender, no dia que foi apreendida a viatura pelo SERNIC, alegadamente que era ilegal, exigiu o seu dinheiro físico e seu cheque que teria entregue a contraparte, como sinal para evitar o problema, que acabou por recusar o pedido. (Malito João)

Ilha de Moçambique está sendo escavada pelos moradores locais por causa de missangas deixadas pelos colonos

Ilha de Moçambique (IKWELI) – Os moradores da Ilha de Moçambique, primeira capital do país, localizada na província de Nampula, estão a fazer escavações ao longo da orla da praia para, alegadamente, para encontrar missangas que, provavelmente, terão sido deixadas na era colonial.

A história dá conta que a Ilha de Moçambique foi o principal entreposto comercial na durante os últimos tempos, onde para além de abastecimento de mantimentos e centro de reparação das embarcações a caminho da Índia, eram comercializados produtos de alto valor da época e dos dias actuais, com destaque para têxteis, especiarias, ouro bem como o marfim.

De acordo com essas informações, aliado aos índices de desemprego que continuam preocupantes um pouco por toda a província de Nampula, e o país de maneira geral, os residentes da Ilha de Moçambique optaram por avançar com as escavações naquela cidade histórica, à procura das melhores condições de vida, por acreditaram que muitos objectos feitos à base de ouro, por exemplo, podem estar enterrados nas profundezas das praias ali existentes.

As referidas escavações estão a verificar-se há seis meses, segundo as autoridades governamentais locais, e acontecem numa altura em que a Ilha de Moçambique está cada vez mais ameaçada pela erosão pelo que a prática dos nativos pode acelerar ainda mais a destruição da Ilha, Património Cultural da Humanidade.

“A situação continua preocupante”, disser Momade Amisse Ali, administrador da Ilha de Moçambique, referindo-se a erosão que fustiga a primeira capital moçambicana. “Temos estado a envidar esforços para combater a erosão, mas também temos um fenómeno estranho que estamos agora a tentar combater com as autoridades policiais, mas também da edilidade, que tem a ver com escavações na orla da praia”, fez saber a fonte.

“As pessoas cavam porque dizem que estão à procura de missangas, com isso vão cavando a praia e isso é um risco para os banhistas, portanto podem encontrar um sítio que depois cria um acidente. Portanto, para além da erosão natural temos esse fenómeno que paulatinamente vamos tentando colmatar, sobretudo com o envolvimento das autoridades policiais e da edilidade”, disse a fonte.

“O fenómeno começou a verificar-se algum tempo atrás, estamos a falar há cerca de seis meses. Já tínhamos conseguido estancar, mas vão retomando cada vez mais. O que temos que fazer é melhorar a fiscalização das praias para desencorajar essa prática”, precisou Momade Amisse Ali.

A Ilha de Moçambique continua sendo o principal destino turístico da província de Nampula particularmente, e do país de maneira geral. Pelo que manter a Ilha conservada é garantir a dinamização da economia local.

O Administrador da Ilha de Moçambique recordou, recentemente, que por exemplo na quadra festiva e de transição de ano de 2022 para 2023, “tivemos boas indicações, só na quadra festiva tivemos mais de 300 mil. O sector hoteleiro e das actividades económicas tiveram um bom desempenho. Mais do que isso, a bem pouco tempo realizamos a segunda edição do festival Macuti que, também, veio dar sinal de que estamos a valorizar o sector do turismo. Para nós o importante agora é continuar. Para nós o mais importante agora é continuar a ser esse povo hospitaleiro, mas, sobretudo, a cuidar daquilo que é o bem mais importante que as pessoas procuram. Realmente estamos a falar das nossas praias, estamos a falar também da nossa gastronomia, da nossa recepção. Então, temos bons indicadores”, referiu o timoneiro da Ilha de Moçambique. (Constantino Henriques)

Nampula: Agente da Polícia Municipal detido por exposição e violência sexual à duas mulheres

Nampula (IKWELI) – Um agente da polícia Municipal, afecto à residência oficial do Presidente de Conselho Municipal da cidade de Nampula, encontra-se detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) indiciado de burla e exploração sexual com promessas de emprego a duas jovens de 24 e 25 anos de idade.

Segundo Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC em Nampula, o suposto culpado foi neutralizado no último fim-de-semana, depois da denúncia de um dos familiares das duas jovens, depois de uma delas informar que era obrigada a pousar nua e mandar fotografias e vídeos de nudez ao agente policial de 30 anos.

Enina disse, por outro lado, que o indiciado, também, fazia as suas actuações numa das igrejas onde o mesmo professava a sua fé, obrigando as suas vítimas a assinar um termo de confidencialidade para que as informações não pudessem vazar.

“Uma das vítimas, que por tanto tempo se mantinha calada, acabou procurando ajuda de um familiar que ajudou-a denunciar o caso, e a outra vítima de violação sexual teria pago quinze mil meticais por promessa de emprego e nada fez, dai que o mesmo vai responder nesses dois casos que é de burla e violação sexual”, explicou a agente Enina Tsinine que também é porta-voz do SERNIC.

À jornalistas, o indiciado, nega o crime que é lhe imputado e diz tratar-se de uma perseguição política, onde no seu entender todas mulheres que passaram pela sua cama eram suas legítimas namoradas. “As duas foram minhas namoradas, é mentira que eu violentei, e cada uma delas vai ter que provar isso mesmo em tribunal, e elas são maior de idade, porque uma tem 25 e outra tem 24 anos”. (Malito João)

“Capitão” detido na Ilha de Moçambique na posse de cocaína

Nampula (IKWELI) – Uma embarcação de nome “Capitão” foi apreendida no último domingo de julho (30), na Ilha de Moçambique, transportando droga do tipo cocaína, cuja quantidade ainda não apuramos.

Nossas fontes no local afirmam que, igualmente, foram detidos três tripulantes da embarcação e, mais tarde, por denúncia destes, outro grupo de individuo foi recolhido, mas que por insuficiência de provas viria a ser liberado na segunda-feira (31 de julho)

A cidade da Ilha de Moçambique, um dos principais pontos turísticos da província de Nampula, tem sido recorrentemente palco de apreensão de drogas, maioritariamente cocaína.

As autoridades ainda não se pronunciarem sobre o assunto, tanto é que no contacto telefónico que mantivemos com a porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, Enina Tsinine, negou a veracidade desta apreensão do último domingo. Em Nampula, questões de trafico e consumo de drogas têm, na dianteira, para esclarecimento o SERNIC.

“Apreendemos ouro”, disse Tsinine, que se encontrava a poucos minutos de dar uma colectiva de imprensa. Aparentemente com o humor afectado pela nossa chamada, esta fonte não quis se pronunciar o bastante, remetendo tudo ao seu pronunciamento na colectiva. (Aunício da Silva)

Detido suposto docente por porte ilegal de arma de fogo

Nampula (IKWELI) – Um suposto docente de um estabelecimento de ensino na cidade de Nampula está a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM), nesta parcela do país, indiciado de porte ilegal de uma arma do tipo pistola de pressão, um crime punível por lei.

A detenção deu-se durante o último fim-de-semana, e o mesmo encontra-se encarcerado numa das celas da 2ª Esquadra da corporação situada no bairro de Muahivire.

Tudo começou quando um jovem, com os seus 21 anos de idade, que se diz ser residente no bairro de Carrupeia, considerado como um reincidente no mundo do crime, arrombou a porta de uma viatura para roubar uma pasta que estava no interior da mesma. Afinal o automóvel pertencia ao docente em causa.

A suposição do jovem arrombador, segundo o mesmo versa, era de que na pasta tinha dinheiro, pelo que levou e com ela pôs-se em fuga.

Apercebendo-se da situação o docente, também, partiu em perseguição do jovem, juntamente com os membros da polícia, que na altura encontravam-se em mais uma acção de patrulha no local. Entretanto, após ser neutralizado o jovem, quando se abriu a pasta foi encontrada a arma de fogo e, da perícia feita, constatou-se que, afinal de contas, o professor não possuía a documentação que lhe permitisse circular com aquele aparelho.

“Estou aqui porque sou vítima desse senhor aqui que roubou minha pasta e que lá na pasta tinha uma arma de pressão de ar. Eu estava a descansar e ele abriu a minha porta do carro e quando eu descobri que alguém levou a minha pasta eu persegui a ele, com a ajuda dos agentes da PRM que estavam a fazer patrulha, capturaram a ele, também. Eu estava a averiguar a minha pasta se alguma coisa foi subtraída ou não. Mostrei aos agentes da PRM que tinha lá uma arma de pressão de ar, mostrei a minha credencial e disseram que vamos a esquadra, por isso estou aqui”, contou o docente cujo nome não avançámos para salvaguarda dos seus   direitos.

A referida arma, do tipo pistola, está nas mãos do docente desde 2016, a qual teria comprado, na altura, a preço de 15 mil meticais, para alegadamente defesa pessoal.  Entretanto, a credencial de que o indiciado alega possuir é falsa, em conformidade com Dércio Samuel, chefe das Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Nampula.

“Trata-se de um indivíduo daquele grupo que tem vandalizado viaturas estacionadas na via pública e esse apercebendo-se da distração do proprietário da viatura vandalizou a mesma, onde subtraiu a pasta que continha uma arma de pressão de ar e colocou-se em fuga. Das diligências feitas pela polícia foi possível a neutralização e detenção desse indivíduo e a recuperação dessa pasta que continha a arma. Foi através dessa arma que a polícia fez averiguação com o proprietário da pasta e o mesmo não conseguiu apresentar a documentação daquela arma, daí que ele é indiciado de uso ilegal de arma de fogo e nem chegou de apresentar a licença que lhe habilita o uso da mesma arma”, contou à jornalistas Dércio Samuel, durante o habitual briefing semanal desta segunda-feira (31).

Mais um “águia” detido em Nampula

Ainda nesta segunda-feira, a Polícia da República de Moçambique, em Nampula apresentou um jovem, elemento do grupo de delinquentes, mais conhecido como “águia” que continua a aterrorizar a capital do norte, através de roubo incessante de celulares em plena via pública, fazendo-se transportar em motorizadas.

A semelhança do jovem que roubou a pasta contendo arma, este também disse ser morador do bairro de Carrupeia.

A neutralização, também, aconteceu na área de jurisdição da 2ª Esquadra policial, concretamente no bairro de Muahivire expansão.

“Fui detido por causa de telefone. Eu arrancava os telefones das pessoas e vendia lá no bairro. Já fiz isso por oito vezes. Pegaram-me em Muhala – Expansão, o dono era um estrangeiro. Já tínhamos tirado e quando quisemos sair eles encostaram a mota com o pé e caímos. Éramos dois, eu estava a conduzir a mota e o outro levou o celular e naquela altura de nós sairmos logo encostaram a mota e o outro fugiu e eu fiquei”, disse o indiciado.

A polícia promete desencadear uma acção com vista a neutralizar o outro ora a monte, para a devida responsabilização criminal.

“O indivíduo faz parte do grupo mais conhecido por águia, este na companhia do seu comparsa, ora a monte, e fazendo-se transportar numa motorizada teriam arrancado dois telemóveis a um cidadão que estava na via pública e porque naquela altura uma força policial encontrava-se a patrulhar, e apercebendo da situação, colocou-se em perseguição onde foi possível a neutralização e detenção deste indiciado que está sob custódia policial, apreensão da motorizada que era usada na hora do crime e a recuperação do telemóvel da vitima e diligências continuam com vista a detenção do outro indivíduo ora a monte para que seja responsabilizado criminalmente, assim como a recuperação do bem em falta”, precisou Dércio Samuel. (Constantino Henriques)

Violência Doméstica em Nampula: Mulher é impedida de entrar em sua casa pelos familiares do marido

Nampula (IKWELI) – Uma mulher violentada fisicamente e abandonada pelo marido tenta regressar a casa que construiu juntamente com o parceiro, porque há três meses que o mesmo não paga a renda da casa onde mora actualmente, com os filhos de ambos, mas é barrada pelos familiares do agressor, na província de Nampula.

Trata-se de Vanda Muanheue, que foi brutalmente espancada pelo seu marido, com quem casou oficialmente há oito anos. Este que por sinal, é funcionário do tribunal provincial de Nampula, onde desempenha as funções de Escrivão de Direito da 4ª secção laboral.

Vanda contou ao Ikweli que teve que entregar as chaves da casa onde estava a alugar porque já não era desembolsado o valor de renda e decidiu voltar para a que construiu com o seu marido, visto que não tem outra solução imediata. No entanto, minutos depois de chagar a residência, eis que aparece a sobrinha do marido que a impediu de entrar na casa, alegando que a mesma pertence ao seu tio.

“Nós começamos a construir juntos, foram anos e anos para terminarmos a casa, para hoje eu estar na rua, pouco se importa com os filhos, não percebo porque que a sobrinha está a fazer isso comigo, para onde eu vou com as minhas crianças? Eu só quero o que é meu de direito, meu e dos meus filhos.  Eu não queria que essa situação chegasse a esse ponto, pois o processo do divórcio e divisão de bens está em tribunal”, contou.

O artigo 113 da Lei da Família, no seu número 1, indica a partilha dos bens do casal e pagamento de dívidas da seguinte forma: “Cessando as relações patrimoniais entre os cônjuges, estes ou os seus herdeiros recebem os seus bens próprios e a sua meação no património comum, conferindo cada um deles o que dever a este património”.

No entanto, com o processo em tribunal, Vanda teve informações de que o marido foi transferido para trabalhar na província de Maputo, capital de Moçambique. Uma situação que a leva acreditar que há manipulação por parte de quem de direito na província de Nampula.

“Não estou a dizer que quero me apoderar da casa não. A casa é nossa vamos chegar a um meio-termo. Já me bateu, e ninguém fez nada, esse processo de violência doméstica vai fazer três meses e a pessoa ainda é transferida, eu não sei onde é que nós estamos e o que está a se passar aqui no meio, porque ele é quem é? Só posso dizer que a impunidade está muito clara”, lamentou.

Vanda lamenta ainda o facto de ter sido agredida e o agressor continuar livre, visto que até o dia do julgamento foi marcado, no entanto o mesmo não se fez presente, “quando chegou o tal dia do julgamento fomos notificados e disseram que não podiam julgar porque a parte não está, até o tempo que ele voltar. Não se sabe quanto tempo vai ficar fora porque foi transferido, está a trabalhar em Maputo. Eu entendo que o processo de providência cautelar é algo urgente por causa das crianças, mas a juíza do caso mandou parar alegando que está à espera do processo do divórcio que ele meteu”, explicou.

Por outro lado, durante a entrevista a sobrinha do agressor, que o jornal conseguiu apurar o nome, Otília, supostamente a mando do seu tio, estava a arrombar a porta do quarto do casal. Visivelmente alterada proferiu as seguintes palavras, “essa casa pertence ao meu tio, meu tio disse que ninguém pode entrar e ninguém vai entrar, essa senhora não vai ficar aqui, é melhor irem embora”, disse na ocasião e até os atacou os repórteres do Ikweli, verbalmente: “Senhores, é melhor apagarem essa gravação, eu não vos pedi para gravar, saiam daqui”, gritou.

Importa referir que o casal tem dois filhos em comum, de nove e cinco anos respetivamente, e de acordo com a fonte os mesmos não recebem assistência do pai.

O artigo 101 da Lei da Família, no seu número 2, afirma que, “estando os cônjuges separados de facto, independentemente das causas da separação, o cônjuge que tiver a seu cargo filhos menores pode sempre exigir do outro o cumprimento da obrigação de contribuição para as despesas domésticas, bem como da prestação de alimentos”. (Ângela da Fonseca)

Nas eleições de 11 de Outubro: Jovens de Nampula não querem ser apenas votantes

Nampula (IKWELI) – Á medida que a data das sextas eleições autárquicas que vão eleger 65 autarcas em Moçambique se aproxima, o debate sobre a inclusão dos jovens nos espaços de tomada de decisão intensifica-se ao nível dos bairros e organizações da sociedade civil.

A questão que nos últimos dias não quer calar é “qual é o papel do jovem nas eleições municipais?” E na busca da resposta o Ikweli conversou com alguns jovens da cidade de Nampula, os quais dizem ser seu desejo que o seu voto se reflita na abertura de espaços, ao nível da autarquia, em que possam contribuir na tomada de decisões, através da representação e criação de plataformas para discutirem com o próximo Governo os destinos e vida da cidade.

Elizabeth Luís, da Associação dos Munícipes de Nampula (AMUCINA), explica que, neste período eleitoral, os jovens são muitas vezes usados para propaganda política e quando chega a hora de governar e tomar decisões eles não são incluídos e os seus problemas são esquecidos.

“Daqui a nada vamos a campanha eleitoral e veremos muitos jovens a serem usados e valorizados pelos partidos políticos e depois disso, eles voltarão ao sofrimento. Penso que isso acontece porque os políticos não vêm o jovem como a raiz para o futuro”, disse a activista que apela para que a juventude esteja ciente do seu papel e, acima de tudo, não atenda as promessas partidárias que muitas vezes não são cumpridas.

As palavras de Elizabeth foram secundadas pelo activista Faque Paciano, que disse que “notamos que o jovem apenas é chamado quando chega esse tempo de eleições. Ele não é ouvido e nem incluído na resolução dos seus problemas, e isso é umã situação de lamentar, porque apenas somos chamados quando querem o nosso voto. Quando falamos de inclusão nos espaços de tomada de decisão, também, devemos olhar para as pessoas deficientes, e eu como jovem moçambicano só tenho a lamentar a exclusão deste segmento social vulnerável”.

Paciano pediu aos políticos e grupos de cidadãos concorrentes nas eleições autárquicas para que não usem apenas o voto dos jovens, mas incluam-nos nos seus programas, na governação e nos espaços de discussão da vida da autarquia da cidade de Nampula.

O activista Santos Conta, que começou por reconhecer o contributo das organizações da sociedade civil para influenciar a inclusão dos jovens nos espaços de tomada de decisão, disse que apesar de maneira tímida, algo em relação a inclusão da juventude tem estado a melhorar e destacou alguns municípios do país em que os partidos políticos apostaram em jovens para encabeçar as listas, o que no seu entender “constitui um passo importante na inclusão do jovens nos espaços de tomada de decisão, quer dizer que os partidos já estão a ver o papel desta camada social”.

Santos Conta prosseguiu dizendo que “antes as decisões dos jovens eram tomadas pelos mais velhos, mas estes não conhecem a real necessidade da juventude, mas agora a situação tende a mudar, apesar de que há ainda desafios porque o Governo e os partidos políticos ainda têm receio em apostar no jovem porque se questionam se ele vai dar o seu melhor na gestão ou se vai tomar melhor decisão”, concluiu.

A luta dos jovens para ter espaço na assembleia autárquica

Na busca por inclusão nos espaços de tomada de decisão ao nível governamental, a Associação dos Estudantes, Pesquisadores e Inovadores de Moçambique (AEIP) submeteu a sua candidatura para assembleia autárquica da cidade de Nampula, com o objetivo, segundo o seu presidente, Marchal Manufredo, de tornar os jovens em tomadores das decisões para a gestão autárquica. “Vocês sabem que o município de Nampula é um dos municípios com população pobre, analfabeta, com uma parte dela a viver do comércio informal, então, é preciso criar políticas próprias com base no contexto municipal, por isso enquanto grupo de jovens, investigadores por sinal, nós sentimos que teremos maior impacto ajudando os políticos na tomada de decisões para a gestão local e isso vai possibilitar que ao nível municipal tenhamos jovens vivos e capazes de gerar mudanças no município”.

Para alcançar este desiderato, Manufredo explica que “primeiro é necessário refletir nos problemas da autarquia, como o deficiente saneamento do meio, desemprego, desordenamento territorial, e outros. Segundo na nossa lista, vamos incluir jovens estudantes, pesquisadores e inovadores que possam, através da ciência, ajudar a resolver estes problemas”. (Adina Sualehe)

Muatala: Alunos da escola secundária local impedidos de realizar AP’s por falta de pagamento de guarda

Nampula (IKWELI) – Alguns alunos da escola secundária de Muatala, nos arredores da cidade de Nampula, foram impedidos, na manhã desta segunda-feira (31 de julho), de acederem ao recinto da mesma e realizarem Avaliações Provinciais (AP’s) pelo facto de não terem efectuado o pagamento da famosa “taxa de guarda” avaliada em 100,00Mt (cem meticais).

A reportagem do Ikweli esteve na entrada da referida escola no período em que os alunos deviam aceder as salas de aulas, onde observamos que os mesmos eram mandados voltar quando não provassem o pagamento da referida taxa, alegadamente em cumprimento rigoroso do regulamento interno daquela instituição de ensino público.

Amelia Estevão, aluna que frequenta a 10ª classe, não entrou na sala de aulas devido ao não pagamento da taxa, reconheceu que é uma medida para todos os alunos e comentou que a direção daquele estabelecimento de ensino devia refletir a decisão consoante a situação financeira de cada aluno.

“Ainda não paguei o guarda, por isso ainda estou aqui fora do recinto escolar. Hoje somente entraram na sala de aulas para fazer a prova os alunos que têm recibo de pagamento de guarda no valor de cem meticais (100,00Mt). No meu caso, não tenho dinheiro e ainda fomos informados que todo aquele que tem exame este ano será exigido o recebido”, disse a aluna Amélia Estevão, lamentando que “os meus pais têm conhecimento da contribuição para o guarda e disseram que não têm dinheiro e agora pedi o meu colega para ver se pode emprestar-me algum valor e pagar o recebido para poder fazer o segundo teste. Mas o director e outros membros da escola devem saber que as pessoas não têm as mesmas condições e impor este tipo de regulamento é complicado”.

Mariamo Conta, também aluna da 10ª classe, se encontra na mesma situação dos que não tiveram dinheiro para pagar a taxa de guarda. À nossa reportagem, explicou-nos que “vivo com irmã e meu cunhado, os meus pais estão fora da cidade de Nampula, agora não estou na sala porque não tenho recibo de pagamento de guarda. Não só, atrasei de chegar na escola, porque antes de sair de casa, primeiro lavei os pratos e outras actividades, automaticamente perdi a primeira avaliação vou aguardo pela segunda”.

Abdulai Dialo considera que a medida está a prejudicar muitos alunos de famílias com baixa renda. “É verdade e está no valor de cem meticais (100,00Mt), é obrigatório para todos alunos terem a oportunidade de fazer o teste, a invenção desta regra por parte da direção da escola está a prejudicar alguns alunos, porque muitos não têm condições de fazer este pagamento e nós alunos quando pedimos dinheiro em casa os nossos pais não acreditam porque o valor é muito”.

Contactado pelo Ikweli, o Presidente do Conselho da Escola Secundária de Muatala, João Baciano, afirma ter sido uma decisão com conhecimento dos pais e encarregados de educação sobre a contribuição para o pagamento do guarda, mas não constitui a verdade que os alunos que não pagaram não possam ser submetidos à realização da avaliação provincial do segundo trimestre.

O director da escola, Orlando ‘Óscar Muarabo, não quis falar do assunto, alegando ser da alçada do Conselho de Escola. (Nelsa Momade)

Na Taça de Moçambique: Ferroviário de Nacala volta a perder com o de Nampula

Nampula (IKWELI) – O Ferroviário de Nampula derrotou na última quarta-feira (26), no Estádio 25 de Junho, o homónimo de Nacala por 2-1, em partida da primeira eliminatória da Taça de Moçambique em futebol, na sua fase regional norte.

Trata-se da segunda vez consecutiva que os “locomotivas” de Nacala perdem diante do Ferroviário de Nampula nesta edição da Taça de Moçambique, já que no jogo da grande final da competição, na sua fase provincial, também consentiu uma derrota, mas na marca das grandes penalidades.

No jogo da passada quarta-feira, as duas equipas entraram bem nas quatro linhas, mas foi o Ferroviário de Nampula a adiantar-se no marcador através de um golaço de Salas Malico, conseguido na cobrança de um livre, durante a primeira parte.

Quando tudo indicava que o jogo iria ao intervalo com o resultado positivo para os anfitriões, o Ferroviário de Nacala restabeleceu a igualdade por intermédio de Rifel. O golo surgiu num trabalho de insistência do representante da zona económica especial, depois de um cruzamento de Laque ao que o guarda-redes Xavito teve uma defesa incompleta e Rifel apenas tratou de empurrar a bola para o fundo das malhas.

No reatar do encontro, o Ferroviário de Nacala possuiu momentos que provocaram calafrios ao adversário. Mesmos nos instantes iniciais, a equipa tecnicamente orientada pelo mister Dário Monteiro, beneficiou de uma grande penalidade que não foi aproveitada por Dinis, que no momento da sua cobrança fê-lo de tal forma que facilitou o trabalho defensivo do guarda-redes Xavito.

A vitória dos autoproclamados axinenes de Nampula foi conseguida na primeira parte do prolongamento, através de Chabindza, um dos reforços da agremiação.

“…mas pronto na segunda parte não baixamos, sabíamos que tínhamos que controlar o jogo, porque vínhamos de um desgaste físico, mas os rapazes conseguiram controlar, conseguimos fazer o golo e foi um jogo que valeu pelo sacrifício”, disse Antoninho Muchanga, treinador do Ferroviário de Nampula, na análise da vitória.

Por outro lado, o técnico disse que o jogo serviu, também, para rodar a equipa, tendo em conta os próximos compromissos no campeonato nacional, o Moçambola e, no próximo domingo, recebe o Ferroviário de Maputo, para a 13ª jornada da competição.

“Valeu sim, porque são esses jogos que precisamos. Temos que ter uma equipa equilibrada, porque senão podemos esgotar aquilo que é o nosso 11 inicial”, precisou o timoneiro dos axinenes de Nampula.

Dário Monteiro, treinador do Ferroviário de Nacala, não se esquivou das responsabilidade e afirmou: “fomos eliminados por culpa própria. Eu acho que tivemos todas as oportunidades para matar o jogo, falhamos uma grande penalidade. No início do prolongamento, tivemos oportunidade clara para fazer o 2 a 1, e depois quem não marca arrisca-se a sofrer. Foi o que aconteceu, sofremos um golo que na minha opinião, também, é falta, se forem ver é falta. Os meus jogadores tiveram um jogo desgastante no domingo com a União Desportiva de Songo, por isso o esforço que empreenderam aqui com prolongamento, acho que mereciam um resultado diferente, mas não aconteceu, agora vamos recuperar para o próximo jogo, até porque a prioridade do Ferroviário de Nacala é a manutenção no Moçambola”, concluiu o técnico.

Com este resultado, o Ferroviário de Nampula defronta na segunda eliminatória desta fase regional norte, a equipa do Baía de Pemba que, por sua vez, eliminou o Ferroviário de Lichinga por 0-1. (Constantino Henriques)

Balama: Delegado da Renamo acusado de recolher dinheiro de perdizes para incluí-los no DDR

Pemba (IKWELI) – Membros do partido Renamo no distrito de Balama, na província de Cabo Delgado, apontam o seu delegado político distrital, Simão Alberto Amimo de os ter cobrado dinheiro para que os incluísse na lista dos beneficiários do extinto processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR) em curso no país.

Ao todo, segundo denunciaram ao Ikweli, mais de 600 militantes do segundo maior partido da oposição teriam entregue, cada, ao Amimo 1.500,00Mt (mil e quinhentos meticais), e depois disso nunca foram contactados para a sua inclusão no processo.

“Ele andou a nos burlar a dizer que vai nos incluir no DDR. Demos a ele 1500,00Mt, mas agora quando perguntamos o ponto de situação, ele diz que nós somos Alshababes”, disse um membro da perdiz indignado com o comportamento do seu delegado.

Ainda de acordo com os nossos denunciantes, Amimo tem vindo a ameaçar os membros da Renamo para que não denunciem essas práticas, tanto quanto para perpetuar na posição montou equipas com ligação familiar a ele para dirigirem o partido ao nível das bases, precisamente nos postos administrativos e nas bases.

Entretanto, contactado pelo Ikweli, Amimo nega as acusações dos membros. “Não é verdade. Eu quem sou na vida militar? Eu sou um civil”, comentou em relação a questão de cobranças para a inclusão dos membros da Renamo no DDR.

Mais adiante, Simão Amimo nega que tais denúncias venham de membros da Renamo. “Não são membros da Renamo, são pessoas que querem denigrir a minha imagem. A minha vida é civil. Eu não sei nada do DDR”, sentenciou, prosseguindo que “são pessoas que querem denigrir a imagem com objectivos só deles. Descontentes. São coisas de fofoquice”.

Para além de delegado político distrital, Simão Amimo é, também, membro da Assembleia Provincial de Cabo Delgado e cabeça-de-lista da perdiz na nova autarquia de Balama. (Redação)