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Muatala: Meninas da escola secundária local voltam a ter desmaios

Nampula (IKWELI) – O fenómeno de desmaios que assombrou, em Maio findo, a escola secundária de Muatala, nos arredores da cidade de Nampula, voltou a acontecer nesta quarta-feira (25), com o registo de, pelo menos, cinco casos.

Todas as vítimas são alunas de idades compreendidas entre 13 e 14 anos, das classes que frequentam aulas no período da manhã.

Nossas fontes no local, afirmam que o registo de desmaios no recinto escolar daquele estabelecimento de ensino secundário de Muatala não é novo, pois no passado já houve casos de género.

Odete João é aluna da 10ªclasse daquele estabelecimento de ensino, ao Ikweli disse que a situação causou pânico aos demais alunos, tanto do sexo masculino, assim como do sexo feminino, e não esconde a sua preocupação, ao mesmo tempo que pede maior investigação por parte das autoridades competentes para compreender o problema.

“Ontem (refere quarta-feira) desmaiaram muitas meninas, o problema de desmaio nesta escola é real, antes acompanhava dos meus colegas, mas ontem presenciei e deixou-me muito triste, não sei o que pode estar por detrás, porque somente as meninas é que tiveram os desmaios é preciso muita investigação”, comentou.

Por outro lado, Teresa Alberto, de 14 anos de idade e aluna da 9ª classe, sublinhou que está com medo sempre que se faz a escola. “Os desmaios que têm estado a afectar as nossas amigas e colegas, deixa-me muito assustada e quando ontem eram 9 horas começou. Uma colega desmaiou e assim foi contagiando as outras, também, na segunda-feira passada, na aula de educação física, no ginásio, ouvi que uma colega desmaiou e começou a bater nos outros. Quando aconteceram estes desmaios fomos instruídos a não nos aproximarmos dessas colegas, porque pode contaminar o problema para as outras pessoas”.

Segundo o presidente do Conselho da Escola Secundária de Muatala, João Baciano, é uma situação que está a verificar-se desde o mês de maio do corrente ano, mas ainda há necessidade de aferir as reais causas que provocam as manifestações das meninas no recinto escolar.

No entanto, o nosso entrevistado fez saber que o cenário vivido na quarta-feira naquele estabelecimento de ensino e aprendizagem é do conhecimento dos pais e encarregados de educação, direcção provincial de Educação e Serviço Provincial de Saúde que alocaram uma equipa multissectorial com vista a aferir as causas do problema, que somente tem estado afectar as meninas.

“A equipa multissectorial está no processo de aferir as causas. As mesmas meninas começaram a manifestar-se e assistimos com muita preocupação e nalgumas vezes parece contaminável, acima de 4 meninas tiveram o mesmo problema que muitos consideram de desmaio. Nós, a direcção da escola, não estamos parados e esta equipa vai continuar a trabalhar com os pais e encarregados de educação, porque precisamos de ficar livre destes males que têm vindo a deixar em pânico as pessoas”, precisou esta fonte.

O director da Escola Secundária de Muatala, Orlando Óscar, explicou que a direcção já trabalha com os sectores de educação e saúde para encontrar explicação do fenómeno, porque é um “assunto que é histeria porque as alunas entram num modo de estresse, neste momento estamos a trabalhar com os médicos psicólogos e psiquiátrico do Hospital Central de Nampula, inclusive ontem eles estiveram aqui para poder apurar as verdades e ainda vão trabalhar com um número específico de meninas desta Escola. Tivemos cinco meninas com problemas de saúde com várias justificações e chamamos aos pais e encarregados de educação sobretudo as mães, estivemos reunidos para que elas tenham o hábito e costume de conversar com as suas filhas, sabemos que entre uma mãe e filha a intimidade é maior”. (Nelsa Momade)

Não há carros para reclusos no norte de Moçambique e para atender sessões de audiência e julgamento recorre-se ao camião de lenha

Nampula (IKWELI) – Os reclusos do Estabelecimento Penitenciário (EP) Regional-Norte, localizado na periferia da cidade de Nampula, são por vezes, movimentados num camião que foi adquirido para o transporte de lenha, distribuição de géneros alimentícios, entre outros serviços, a fim de comparecerem nas sessões de audiência e julgamento.

Essa situação concorre, também, para o atraso do desfecho dos casos em que os reclusos estão envolvidos e demora na tomada de decisão, o que contribui para a superlotação do espaço reclusório.

Segundo o director do Estabelecimento Penitenciário, Sérgio Cumbane, tal situação acontece porque a penitenciária conta com apenas uma viatura celular para responder as solicitações dos tribunais, A mesma é usada igualmente, a nível de toda a região norte do país, incluindo a região centro (Zambézia), esta última, em virtude de sua proximidade, alguns reclusos condenados à penas de prisão maior são conduzidos ao EP regional norte para o cumprimento das mesmas.

Por isso, segundo Cumbane, quando a única viatura recomendada para movimentar os reclusos para os diversos pontos não se encontra disponível, recorrem ao camião que é usado para transportar lenha e, por vezes funcionários daquele estabelecimento regional.

Em entrevista ao Ikweli, Sérgio Cumbane afirmou que para a gestão da movimentação dos reclusos da penitenciária, devido ao elevado numero de reclusos, precisaria, no mínimo, de três viaturas específicas, sendo transporte celular e ambulância.

“Tem sido complicado a gestão de movimentação dos reclusos, quando estes ficam doentes devem ser transportados de ambulância, mas nós não a temos. Além disso temos centros penitenciários abertos, cuja gestão depende desta unidade penitenciária e a depender de uma única viatura. É óbvio que estamos a trabalhar com muita dificuldade. E como estamos cientes de que os reclusos são pessoas, tem todos os direitos, não existindo carro que é específico para o transporte do recluso e por questões de necessidade recorremos ao camião para levar o recluso ao hospital”, afirmou.

Na ocasião, a fonte revelou ainda que face à avaria registada no autocarro, o camião é o único meio disponível que tem respondido todas actividades do EP, incluindo o transporte diário de funcionários.

“A questão de viatura devia ser olhada com prioridade, não apenas a viatura para a condução de reclusos, mas também para o pessoal, esta penitenciaria para funcionar precisa de combustível lenhoso e o mesmo procura-se muito longe, não tendo mini-bus para o transporte do pessoal, temos usado o camião e, é o mesmo que deve ir buscar lenha, então, está a imaginar um camião que carrega lenha e depois leva um agente uniformizado”, lamentou.

Cumbane informou que os estabelecimentos penitenciários contam com apenas duas viaturas, uma para a regional e a outra para a provincial, situação já reportada ao Ministério da Economia e Finanças, através da direcção provincial das Finanças de Nampula e justifica que, “ acredito que é um problema à escala nacional e como estamos cientes tentamos gerir a única viatura e assim que houver disponibilidade de fundos para aquisição irão olhar para isto como uma prioridade”.

Falta de libertação de quotas financeiras deixa os reclusos mais tempo nas cadeias

A Diretora da Penitenciária Provincial de Nampula, Ana Almace, revelou ao Ikweli que, por vezes, os reclusos ficam sem comparecer aos julgamentos quando as duas viaturas ficam avariadas ou sem combustível para leva-los ao tribunal para a leitura de sentença ou julgamento.

“Por vezes temos viaturas e não temos combustível, por falta de libertação da quota financeira, há morosidade e ficamos sem combustível. Mas há um esforço que está a ser envidado de modo a ultrapassar. Não digo que as viaturas não são reparadas, mas as pessoas que reparam os carros nas oficinas não aceitam que as levemos antes do pagamento”.

Vale lembrar que o jornal Ikweli teve conhecimento de fontes próximas que a 5ª Secção do tribunal provincial de Nampula teve que adiar a leitura de uma sentença no passado o dia 15 de junho porque o único meio que devia movimentar o recluso da penitenciaria provincial ao tribunal não tinha combustível.

Ordem dos advogados alerta para a não violação dos direitos humanos dos reclusos

Por outro lado, Mário Amisse, Advogado e Comissário dos direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), explicou ao Ikweli que a não existência de viatura para movimentação dos reclusos ao tribunal, por forma a acompanhar a leitura de sentença, não pode ser motivo para adiamento justificando que, agindo de tal forma, o tribunal estaria a manter o réu mais tempo na prisão.

“Esse adiamento da leitura de sentença não devia ocorrer, porque a mesma pode ser realizada na presença do advogado e este, por sua vez poderá transmitir o teor ao arguido, não se pode adiar uma leitura de sentença por falta de viatura, adiando a leitura de sentença estaríamos a vedar este direito que o arguido tem. Imagine que o mesmo fique mais um, dois, três dias ou até uma semana na cela por causa dessa situação e por fim é absolvido quem irá se responsabilizar pelo tempo que ele ficou preso só porque não podia ir ao tribunal porque o carro não tinha combustível ou estava avariado”, questionou esta fonte.

No que diz respeito ao transporte de reclusos em camiões quando estes encontram-se doentes, Amisse considerou necessária a movimentação dos mesmos através desse meio, pois na sua opinião “não se pode deixar de levar os reclusos a uma unidade sanitária só porque não tem um carro específico, não digo que as condições são boas, mas trata-se de um bem maior que é a vida”.  No entanto chama atenção aos responsáveis para uma possível fuga ao transporta-los desse meio.

“Não quero encorajar que continuem a ser usados camiões abertos de transporte de lenha ou comida para transportar reclusos, sou contra e é contra os direitos humanos. O transporte em si é um perigo porque pode haver perigo de fuga, se for um recluso que não tem nada a perder ele pode pôr-se em fuga saltando do camião colocando em risco a vida de muita gente e não só, serem movimentados em um camião aberto põe em causa a questão da presunção de inocência”, explicou.

Por isso, Amisse apela as autoridades responsáveis pela área de transporte, a envidar esforços de forma a preservar a imagem do recluso. (Ângela da Fonseca)

Nampula: Futuro mecânico detido por roubo em transportes semi-colectivos

Nampula (IKWELI) – Um jovem de 26 anos de idade, por sinal estudante da escola Industrial e Comercial de Nampula, no curso de mecânica industrial, está detido pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal(SERNIC), indiciado de roubo de telemóveis nos transportes semi-colectivo.

O esquema foi despoletado graças a um trabalho árduo do SERNIC, onde, de acordo com a porta-voz, Enina Tsinine, o indivíduo actuava em conluio com trabalhadores de empresas de telefonia móvel, os quais o facilitavam na retirada de valores monetários nas contas/carteiras financeiras móveis das suas vítimas.

O indiciado afirma que nas suas incursões de roubo de telemóveis, trabalhava em cooperação com um agente E-mola que facilitava a fornecer os códigos e  após saquear os telemóveis fazia o levantamento dos valores nas contas das vítimas.

“Eu tenho, também, um amigo ladrão, que rouba telemóveis nos chapa-100. Quando ele rouba me entrega para vender, e os cartões da Movitel entro em contacto com um meu conhecido que é um agente E-mola que me facilita descobrir os códigos para levantar o valor”, contou o indiciado, estudante do curso de mecânica industrial, o qual afirmou que aproveitava o seu tempo de estágio para avançar com as suas actividades de roubo.

O jovem contou que se aproveitava do seu uniforme de técnico industrial, pois ninguém o desconfiava como sendo um larápio.

“O último assalto ocorreu ha sensivelmente dois meses, onde o mesmo jovem apresentado a impressa, e hoje novamente nos surpreende com o mesmo tipo de crime, ele é facilitado os códigos das suas vítimas para roubar o dinheiro nas contas”, disse a porta-voz. (Malito João)

Abatido crocodilo que atacou mortalmente jovem ao longo do rio Malema

Nampula (IKWELI) – Depois de que o crocodilo de mais de dois metros de cumprimento atacou mortalmente na tarde de segunda-feira, um jovem, que se encontrava a tomar banho no rio Malema, no distrito do mesmo nome, em Nampula, um grupo de cidadãos da comunidade de Chuhulo, onde a vítima era residente, com catanas, facas e outros objectos contundentes, caçou e matou o animal.

Segundo os moradores da comunidade de Nataleia, que fica próximo de Chuhulo no posto administrativo de Malema-sede, são frequentes os casos de ataques por crocodilos ao longo do rio Malema. Neste ano, por exemplo, são, pelos menos, quatro casos, incluindo o jovem atacado na tarde de domingo.

“Sempre aquela área da ponte, sempre acontece, claro isso é uma preocupação, porque no passado havia caçadores próprios, bem preparados para tal, não como hoje se leva um polícia”, contou um residente, lembrando como era a resposta no passado em caso de ataque de crocodilo ocorresse naquela circunscrição.

O mesmo interlocutor disse que no tempo chuvoso, os ataques são frequentes “tanto no tempo chuvoso, porque aqueles ali atacam de uma forma indesejável”.

Depois do abate do animal, com recurso a meios tradicionais, no dia seguinte (esta terça-feira) foi transportado numa motorizada à sede do distrito de Malema, mas o técnico do governo de Malema, que o carregava não teceu quaisquer comentários ao repórter do jornal Ikweli, embora tenha permitido que o animal fosse fotografado. (Redação)

Universidades Lúrio e Rovuma querem analisar a prática das uniões prematuras aliada aos ritos de iniciação

Nampula (IKWELI) – A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lúrio, em parceria com a Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Rovuma, pretendem debater sobre os ritos de iniciação face as diversas constatações levantadas por pesquisadores e algumas organizações não-governamentais que acreditam que tal prática contribui para o aumento de uniões prematuras na província de Nampula.

Para o efeito, as duas instituições académicas agendaram para os dias 28 e 29 de novembro do corrente ano, a terceira edição da Conferência sobre os Ritos de Iniciação na Ilha de Moçambique, zona insolar da província de Nampula, sob o lema “Ritos de Iniciação na difícil caminhada com a modernidade”.

Trata-se de um evento cujo o objectivo principal é reflectir em torno das diversas funções que os ritos de iniciação desempenham na vida das populações da região Norte de Moçambique.

O director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UniLúrio, Wilson Nicaquela, espera que a mesma traga surpresas resultante das investigações que estão a ser desenvolvidas por instituições de ensino superior, pesquisadores independentes e organizações que trabalham com a temática.

“Olhando para o período de novembro que é propício as práticas das uniões prematuras, esperamos pela presença de vários pesquisadores, académicos, estudantes e organizações não-governamentais nacionais e internacionais que trabalham com essa temática, por forma a apresentar resultados e dados das pesquisas feitas para podermos analisar de forma isenta daquilo que tem sido o debate nacional em volta das uniões prematuras aliadas aos ritos de iniciação”, explicou.

Nicaquela revelou que,  após as duas últimas conferências realizadas em 2017 e 2018, chegou-se a conclusão de que os ritos de iniciação são uma controvérsia tendo em conta os estudos que aprovam não haver uma relação directa entre a prática desses ritos e a ocorrência das uniões prematuras, no entanto, “há outras instituições que mostram que há uma certa relação entre as uniões prematuras, gravidezes precoces e a prática de ritos de iniciação, portanto há aspectos ou mensagens não adequadas que são transmitidas lá  que contribuem  para ocorrência destes fenómenos”, explicou Nicaquela.

Questionado sobre a escolha do lema para o presente ano, Wilson Nicaquela disse que o mesmo remota da última conferência realizada em 2018, após terem constado que existem noticias que são publicadas as quais revelam, “os ritos de iniciação não existem, apenas matem-se por sobrevivência. Os ritos de iniciação na modernidade estão a sobreviver eles não vivem, há muitas práticas que se dizem ser ritos de iniciação enquanto não são, mas também há muitos fenómenos que acontecem na actualidade e que estão associados aos ritos de iniciação, ou seja há conflitos permanentes entre os ritos e a modernidade e por causa disso achou-se que a convencia é difícil”, afirmou. (Ângela da Fonseca)

Tocova “is back”

Nampula (IKWELI) – Para o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) a decisão da indicação e o anúncio dos cabeças-de-lista para os municípios da província de Nampula deve ter sido a coisa mais difícil, por isso justificasse a demora.

Carlos Saíde, que já foi vereador e candidato derrotado, foi o primeiro a ser anunciado para o município da cidade de Nampula.

O não menos conhecido e polémico Manuel Tocova veio a seguir, sendo indicado para o município da vila de Monapo, sua terra natal.

Tocova tornou-se “famoso” entre os últimos dias de vida do falecido autarca, o melhor que a cidade de Nampula já teve, Mahamudo Amurane, e semanas depois da sua páscoa.

Para garantir a gestão da edilidade, Manuel Tocova, por inerência legal, teve de assumir a presidência interina da autarquia, mas sem muito sucesso, tanto é que por algum tempo andou foragido e mais tarde detido na posse de uma arma de fogo do tipo pistola, por isso teve de ser, imediatamente, substituído por Américo Iemenle.

Para sobreviver, Tocova chegou a operar como transportador semi-colectivo de pessoas, com recurso a uma viatura do tipo Nissan, modelo Navara.

O ano do “surgimento” de Tocova foi 2017, no quarto trimestre, e teria durado até aos primeiros meses de 2018. De lá para cá não mais se ouviu falar dele.

A partir da cidade da Beira, sede do MDM, ouviu-se, por fim, o nome de Manuel Tocova, com a indicação de ser cabeça-de-lista do galo para a vila do distrito que o viu nascer, Monapo. (Redação)

No meio a contestações: Carlos Saíde é o cabeça-de-lista do MDM para o município da cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Derrotado na última eleição intercalar realizada no município da cidade de Nampula para a eleição directa de um autarca, Carlos Saíde, que já foi vereador do malogrado Mahamudo Amurane, é o cabeça-de-lista do Movimento Democrático de Moçambique, (MDM), para chamada capital do norte.

O Ikweli obteve a informação em exclusivo por via de um membro influente do Galo na delegação da cidade de Nampula, o qual avança que essa indicação está sendo contestada pelas bases.

Apuramos, igualmente, que as bases do MDM no município da cidade de Nampula estavam a favor da indicação de um clérigo que milita naquela formação partidária.

“O presidente do MDM foi encurralado pelas alas que estão a contestar a Secretária-geral do partido por ser macua”, conta-nos a fonte, a qual avança que “os membros em Nampula estão tristes com essa informação e, possivelmente, não irão apoiar essa candidatura”.

Outros membros do MDM, ao nível da delegação política provincial, também, confirmaram a indicação de Carlos Saíde para cabeça-de-lista, mas não entendem a razão disso, tal que acreditam que essa imposição seja das alas sulistas e da Beira.

Contactamos a delegação política do MDM na cidade de Nampula, via contacto telefónico. Primeiramente atendeu-nos alguém que disse ser o delegado e que se encontrava na sua casa, seguidamente disse que esta indicação estava sendo contestada, mas tratou de não prolongar a conversa, tendo-nos submetido, telefonicamente, a um outro cidadão que, também, não quis se identificar.

Ambos, aparentemente agitados, deixaram claro que Carlos Saíde não é da vontade dos membros, mas por disciplina partidária não quiseram comentar muito, tanto é que encaminharam-nos a sede do partido na Beira.

“Somos uma organização. Tudo o que fazemos dependemos da nossa liderança. Estamos numa democracia. Preferia que fizesse essa ligação para a nossa sede, lá na cidade da Beira”, concluíram, desligando o telefone. (Redação)

Correia considera as ameaças de morte como parte da democracia multipartidária

Nampula (IKWELI) – O director nacional de campanha do partido Frelimo e chefe da brigada central de assistência a província de Nampula, Celso Correia, desdramatiza as ameaças de morte proferidas pelo presidente da Comissão de Polícia Municipal e Fiscalização da Assembleia Municipal da Cidade de Nampula, Carlos Fernando, por considerar ser fruto da democracia multipartidária que o país está a usufruir.

Durante a segunda sessão ordinária da Assembleia Municipal da cidade de Nampula, recorde-se, Carlos Fernando, membro daquele órgão fiscalizador pela bancada da Renamo e presidente da Comissão de Polícia Municipal e de Fiscalização, terá ameaçado de morte a Celso Correia, por alegadamente o ministro moçambicano estar a frente de um esquema de fraude nas próximas eleições autárquicas de 11 de Outubro do ano em curso.

“Antes de terminar com a minha intervenção, apraz-me exortar ao senhor Celso Correia, que esta unidade geográfica chamada cidade de Nampula é habitada maioritariamente por macuas, aqueles que um dia chamaram de Macuas falsos, xingondos e mais outros nomes. Se o Celso Correia vem aqui para mostrar a sua habilidade de roubar nas eleições de 11 de Outubro, saiba que daqui sairá sem dentes, senão mesmo encaixotado, porque o povo sabe que mesmo com o coitadinho de Manuel Rodrigues, como vosso cabeça-de-lista, aqui em Nampula não passa”, as ameaças de Carlos Fernando foram traduzidas nesses termos.

Chamado a reagir a esses pronunciamentos, Celso Correia considerou as palavras do oponente como sendo normais para um processo eleitoral bastante emotivo.

“Não vou comentar porque estamos num estado de direito democrático”, suavizou o governante, para quem “eu penso que temos que pautar por ter uma campanha positiva. Estamos concentrados nas soluções, basicamente é uma colectividade muito grande, a Frelimo tem 60 anos de história e está concentrada em fazer o melhor para o povo, e não vamos perder nem por um segundo o foco daquilo que é o objectivo principal da nossa actuação e vamos estar orientados para trabalhar”, disse.

Questionado sobre os passos subsequentes após a cerimónia de apresentação pública dos cabeças-de-lista do partido Frelimo, sobretudo para os municípios da província de Nampula, Celso Correia frisou que “estamos numa fase de pré-campanha, é muito importante a preparação interna, preparar as propostas governativas e eleitorais, também, para levarmos uma mensagem positiva ao eleitorado para que eles possam perceber e aceitar e também contribuir com soluções que vão ditar aqueles que vão ser os manifestos locais e as propostas da Frelimo. Portanto, são dois meses de muito trabalho, de muito diálogo acima de tudo para construirmos as melhores propostas, chegarmos a 11 de Outubro e merecermos o voto da maioria da população moçambicana”.

“Vamos construir a vida a cada dia e acredito que vamos merecer no dia 11 a melhor aceitação e resposta do eleitorado na província de Nampula”, acredita o Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural. (Constantino Henriques)

Estrada que dá acesso a Escola Secundária de Maparra continua intransitável

Nampula (IKWELI) – A estrada que dá acesso as escolas primária e secundária de Maparra, bairro de Muatala, na cidade de Nampula, continua intransitável e os alunos e professores daqueles estabelecimentos de ensino público enfrentam enormes dificuldades para acessarem o local. Os moradores locais também estão sufocados com a situação uma vez ser difícil manter a comunicação com o resto da cidade.

A estrada de Maparra estava nos planos de requalificação do então edil da cidade de Nampula, Mahamudo Amurane, a partir da zona de ADEMO. A via estava orçada em cerca de 2.000.000,00 Mt (dois milhões de meticais), através do orçamento participativo de 2017. Aliás, até já tinha sido apurado o empreiteiro da obra que incluía a construção de valas de drenagem, segundo uma placa que existe até nos dias actuais junto da Escola Secundária de Maparra.

O projecto caiu em terra após o assassinato bárbaro de Mahamudo Amurane, a 4 de Outubro de 2017, e a estrada continuou a assistir uma degradação condicionando a normal circulação das pessoas e bens.

A via ficou gravemente devastada no primeiro trimestre de 2022 devido a passagem do ciclone Ana. De lá para cá, a estrada em referência ficou totalmente intransitável, obrigando os utentes da mesma via a recorrer caminhos alternativos para chegar aos destinos, com destaque para a escola.

Os mais sacrificados, refira-se, são os alunos e professores do curso nocturno da Escola Secundária de Maparra, os quais, vezes sem conta, travam discussões com os donos dos espaços por onde as vias alternativas passam. Aliás, neste momento em alguns corta-mato foram montadas as barricadas para impedir a circulação.

“Aqui é no meu quintal, a estrada está aí para vocês passarem, porque não falam com o município para organizar”, dizia uma senhora numa fervorosa discussão com o pessoal docente do curso nocturno e outros moradores locais que procuravam passar na via que atravessa o quintal da mesma.

O triste cenário é sentindo na “carne e osso” no seio das Escolas Primárias e Secundária de Maparra, mas, por questões políticas, algumas pessoas preferem não se pronunciar e nem dar cara em torno deste assunto.

“O que estamos a viver é lamentável. Não se justifica que a gente deve recorrer as vias que passam nos quintais das pessoas para chegarmos numa escola como a nossa que é do Estado. Já passa muito tempo em que a estrada não é transitável, eu penso que o município devia fazer alguma coisa porque a estrada não beneficia apenas a escola, mas para toda comunidade daqui de Maparra”, palavras de um professor que preferiu o anonimato.

Para Selemane Age, um operador de táxi-mota, “esta é uma situação vergonhosa, devia-se fazer alguma coisa nessa estrada para as pessoas passarem normalmente. Ali temos duas escolas que acolhem muitas crianças desta zona, existindo outros alunos que vem do Matadouro, Cossore, para além dos próprios professores. Então, estou a pedir para o governo organizar esta estrada”.

Por causa da intransitabilidade da via, o preço de táxi-mota de ADEMO a Maparra registou uma subida de 30,00Mt (trinta meticais) para 50,00Mt (trinta meticais), para o período diurno e durante a noite o valor sobe, dependendo das negociações.

O município promete intervir só em Agosto

 O Conselho municipal da cidade de Nampula promete repor a transitabilidade da via a partir do próximo mês de Agosto. Em conformidade com Nelson Carvalho, director do gabinete de Comunicação e Imagem da autarquia de Nampula, a via de Maparra está na lista das estradas que neste momento estão a merecer intervenções.

“A via de Maparra será transitável a partir do mês de Agosto próximo. Neste momento estamos a criar condições noutras estradas. A estrada que vai até a escola de Nampaco já trabalhamos e já se passa normalmente, agora estamos a mexer a via que liga a zona do campo dos Macondes, depois daí vamos a Mukurua, por isso dentro do mês de Agosto a equipa vai escalar a via de Maparra”, disse ao Ikweli, Nelson Carvalho.

“Aliás, mais vale ainda lembrar que a via de Maparra está na agenda de pavimentação, nesse caso a segunda fase, porque a primeira fase é aquela que todo mundo testemunhou que é de ADEMO passando pela zona Militar. Mas neste momento só vamos criar as condições básicas de transitabilidade para depois avançarmos com a pavimentação”, precisou a fonte, sem avançar com os valores a serem envolvidos na reparação das vias mencionadas.  (Constantino Henriques)

Nampula: Mulheres empreendedoras reciclam garrafas para salvar o meio ambiente

Nampula (IKWELI) – Mulheres empreendedoras da cidade de Nampula, maior centro urbano do país, decidiram apostar na reutilização de garrafas e todo tipo de material descartável para fabricar cadeiras, bolsas, vasos, entre outros e com isso, salvar o meio ambiente.

Julieta e Lolita, mãe e filha, decidiram há um ano, unir as suas habilidades de costura e artesanato para criar peças através de garrafas que são descartadas nas ruas da capital da cidade.

Lolita Laurentino é artesã e responsável pela transformação das garrafas. A mesma contou ao Ikweli que a ideia surgiu da sua mãe após ter acompanhado alguns vídeos no Youtube sobre a necessidade de reutilizar esse material.

Como artesã, Lolita explicou que já fazia trabalhos com garrafas plásticas, mas que apenas se limitava na criação de cestinhos de aliança e brindes. Trata-se de um trabalho que, para além de manter o ambiente salvo, ajudou igualmente a retirar um menino que vivia na rua.

“Conhecemos um menino que vivia na rua. Minha mãe veio até mim e disse eu ainda estou seria no assunto de reciclagem de garrafas, no início hesitei porque não sabia aonde conseguir as garrafas, mas ela propôs a ideia de trabalhar com os meninos da rua, assim ajudaríamos a eles também e vamos tentar tirar eles da rua para que eles possam ter seu auto-sustento. Dito feito, minha mãe tirou um menino da rua que começou a nos fornecer as garrafas. Mas também, os nossos familiares e amigos nos ajudam, sempre que vão a uma festa no fim, fazem questão de recolher as garrafas para nós”, explicou.

Lolita disse que a primeira peça feita por elas, através da garrafa plástica foi uma cadeira, “como estamos a falar de arte, pensamos logo em mudar o designer da nossa sala e mostrar que nós somos artesãs, fizemos cadeiras que no início as pessoas tinham receio de sentar por medo de cair, mas nós explicamos que não. E a curiosidade começou a aparecer e começamos a fazer vasos, bolsas, porta lápis e muito mais”, disse.

No entanto, a fonte revelou que na região norte as pessoas ainda não estão consciencializadas sobre a importância da reutilização das garrafas plásticas, justificando que algumas pessoas têm receio de comprar um objecto reciclado.

“Temos pessoas que ficam maravilhadas com o nosso trabalho. Mas as outras pessoas quando vê aquilo não dão muito valor. Através do nosso trabalho, estamos a ajudar o meio ambiente, porque são aquelas garrafas que lançam de qualquer maneira e nós decidimos apostar na reciclagem para criar algo para o nosso auto-sustento e ajudar as outras pessoas que não tem emprego”, explicou.

Lolita Laurentino disse ter o sonho de expandir o seu trabalho a nível nacional e internacional, como também firmar uma parceria com o conselho autárquico com vista a evitar a compra das garrafas.

“Já pensamos em fazer um documento e marcar uma audiência com o presidente para demonstrar o nosso trabalho, mostrando a importância da reciclagem mesmo nas escolas, porque tem muitas crianças que saem da escola e vão para casa não tem nada a fazer, ou seja a escola podia igualmente fazer a demonstração numa disciplina para que eles aprendam como arte e lhes possa ajudar, mas também seria uma forma de aprenderem que não podem descartar garrafas depois de beber agua ou sumo, mas sim uma forma de saber que podem usar a mesma garrafa para fazer arte e enfeitar a casa ou a própria escola”, afirmou.

Na ocasião, o Ikweli conversou com Zainabo Ussene, de 15 anos de idade e frequenta a 10ª classe, na Escola Secundaria de Nampula. Há um ano decidiu aprender a reciclar não só garrafas, mas também corte e costura de roupas.

“Agora sei fazer quase tudo, montar pastas carteiras vestidos, gosto de fazer esse trabalho, sei que no futuro vai me ajudar a ter o meu próprio dinheiro”, disse.

A criação das garrafas é implementada através da Cooperativa de Mulheres Empreendedoras de Nampula (COMUEN), uma associação criada há dois anos pelas duas mulheres que, para além da reciclagem, actua nas áreas de costura criativa, culinária orgânica, consertos e reformas de roupas, entre outros.

Fundada em 2020, a fundadora e membro da COMUEN, Julieta dos Anjos, explicou que a associação engloba uma rede de mulheres da província que busca apoiar o desenvolvimento e o empoderamento económico das mulheres por meio de fortalecimento do empreendedorismo sob uma perspectiva colaborativa.

Dos anjos acrescentou ainda que o objectivo é oferecer um serviço melhor e viável e sustentável ao meio ambiente. “Queremos contribuir para o desenvolvimento da nossa cidade e comunidade em geral. A nossa prioridade são os têxteis, eu sou costureira há mais de anos, temos por aí muitas modistas qua saíram daqui e já conseguem fazer algo para sustentar a sua família. Ajudamos as mulheres a trabalhar em cooperativas e em grupo”.

Segundo contou Dos Anjos, na COMUEN nada é descartado, tudo é reaproveitado por forma a não desperdiçar produtos que possam prejudicar o meio ambiente. (Ângela da Fonseca)