Nampula (IKWELI) – Durante o ano de 2020, a província de Nampula, a mais populosa do país, registou a ocorrência de 2518 (dois mil e quinhentos e dezoito) casos de violência baseada no género, contra os 2084 (três mil e oitenta e quatro) registados no ano anterior de 2019.
De acordo com a chefe do Departamento de Atendimento a Família e Menor Vítimas de Violência, no comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, Margarida Cheque, esta redução em 566 (quinhentos e sessenta e seis) casos representa uma redução na ordem dos 19%.
Esta redução surpreendeu aquele departamento policial, que esperava o aumento de casos devido ao confinamento forçado pelas medidas de prevenção da covid-19.
“É um bom sinal porque demonstra que estamos a caminho de um mundo sem violência”, disse a fonte.
Num outro desenvolvimento, Cheque disse que “381 casos foram contra crianças”, e que “a nossa preocupação continua, porque as mulheres e as crianças são as principais vítimas de violência”.
A Inspectora de Polícia, Margarida Cheque, aponta como medida de prevenção da prática de crimes de violência baseada no género, a promoção de palestras de sensibilização por forma a mudança de comportamento da sociedade.
“Apelamos a todos os cidadãos a pautarem pela denúncia, mesmo que não sejam eles a sofrerem a violência, porque muita das vezes a pessoas que sofre violência tem um certo receio de denunciar então nos de fora podemos denunciar para que tenhamos um mundo livre de violência”, concluiu Cheque. (Elisabeth José)
Nampula (IKWELI) – A gestão executiva do conselho autárquico da cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, é cada vez mais obra de crítica por parte dos moradores locais, os quais se sentem defraudados pelo candidato que a Renamo os colocou como opção nas últimas eleições.
Desde a sua tomada de posse, primeiro para terminar o mandato interrompido com o assassinato do autarca Mahamudo Amurane e segundo para um mandato regular, Paulo Vahanle tem sido alvo de críticas, tanto dentro do seu próprio partido, assim como por parte dos eleitores.
Por várias vezes, o autarca já veio ao público estabelecer prazos para execuções especificas para a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, sobretudo nos sectores de saneamento e salubridade, mas nunca as cumpriu.
De forma receosa lançou obras de construção de vias de acesso, incluindo pontes, mas sem muito sucesso e sem expressão para o desenvolvimento da autarquia.
Sobre casos candentes, muitas vezes Vahanle fica no silêncio, incluindo a recente crise de água potável que assolou a circunscrição que dirige.
As aparições públicas de Paulo Vahanle são escassas, e quando sucedem é para mandar recados, ou para a Frelimo ou para o governo da Frelimo, sendo que em muitos casos é mesmo para reivindicar a não transferência de fundos pelo governo central.
Em alguns bairros há aplausos a favor de Vahanle, destacadamente parte do bairro de Mutauanha e parte de Muhala Belenenses, onde duas ruas estão sendo pavimentadas, em resultado da venda de espaços públicos sem transparência.
Em sessão extraordinária da Assembleia Autárquica de Nampula, realizada em Dezembro último, a “turma” de Vahanle decidiu por rever e colocar a aprovação novas taxas a serem cobradas aos munícipes, sem antes haver consulta nesse sentido. E, o resultado não podia ter sido tao desastroso quanto o é. Por exemplo, o Imposto Pessoal Autárquico (IPA) passou dos anteriores 50,00Mt (cinquenta meticais) para 200,00mt (duzentos meticais), e os munícipes não foram informados disso.
Também, os funcionários afectos aos locais onde se faz a colecta e/ou pagamento dos mesmos impostos não sabem a razão da subida dos mesmos.
Não menos importante, a mobilidade rodoviária na cidade de Nampula está impossível nas últimas duas semanas, tudo por conta do não funcionamento dos semáforos.
Esta situação é motivo de conversa em todas as esquinas da cidade, incluindo cafés, transporte semi-colectivos de pessoas e bens, incluindo os bares e barracas, quando estavam abertos.
“A Renamo nos vendeu algo muito errado. Convenceu-nos a votarmos no Vahanle, mas ele não está a fazer, absolutamente, nada”, disse Óscar Danilo, residente da cidade de Nampula, acrescentando que “está difícil circular nesta cidade, porque os semáforos estão todos apagados”.
Pedro Latifo, também, desgastado com o executivo municipal pede ao partido Renamo “para que retire o senhor Vahanle da direcção do município e encontre alguém melhor”. “É que não se justifica que o presidente seja a pessoa mais ausente dos problemas da cidade. Ele não deve aparecer apenas quando lhe apetece. A cidade está toda cheia de lixo. Enfrentou uma crise de água, mas o município nunca disse nada”.
“Está difícil circular aqui na cidade. Primeiro porque aqui conduzimos muito mal, sem observância das normas de trânsito. Segundo piora quando os semáforos não funcionam e ninguém nos diz nada”, disse a senhora Justina do Rosário.
O que mais inquieta aos munícipes é o facto de a edilidade nunca se predispor a explicá-los os problemas que a cidade vive.
O que diz a edilidade?
Quanto a questão dos semáforos, o Ikweli contactou o conselho autárquico de Nampula, através do director de Comunicação e Imagem, Nelson Carvalho, o qual no primeiro contacto prometeu responder com precisão 1h mais tarde.
Depois deste prazo, insistimos ao Nelson Carvalho, o qual disse que “a EDM [Electricidade de Moçambique], sem nos informar, foi desligar a energia regular e montaram credelec. Isso foi sem nos comunicar. Ficamos surpresos quando, de repente, recebemos uma carta a informar que já há credelec e que devem passar a recarregar”.
Ao meio dia desta segunda-feira (18), momento em que, telefonicamente, entrevistamos ao director Carvalho, ele assegurou que “neste momento o presidente [Paulo Vahanle] está reunido com os vereadores do sector para tratar do assunto”. (Aunício da Silva)
E, na sequência, 4 jogadores de Nampula vão integrar a selecção nacional
Nampula (IKWELI) – A selecção nacional de futebol desub-20, ou simplesmente os Mambinhas, averbou uma derrota de 3 a 1, diante da selecção provincial, também de sub-20, de Nampula, em jogo disputado na tarde do último sábado (17), inserido na preparação do combinado nacional com vista a sua participação no Campeonato das Nações Africanas (CAN) da categoria, a disputar-se a partir de Fevereiro próximo na Mauritânia.
A partida teve palco montado no estádio de 25 de Junho, no bairro de Carrupeia, nos arredores da cidade de Nampula, onde os jovens da recém-formada selecção da província mais populosa de Moçambique não pouparam esforço e mostraram o seu expoente máximo aos campeões africanos, logo após o apito inicial de Daniel Cosmo.
A referida selecção provincial de Nampula foi criada há três dias,com o propósito de atender as necessidades dos “Mambas” que escalaram esta parcela moçambicana para a realização do estágio tendo em vista os próximos compromissos. Aliás, maior parte dos atletas que integraram a equipa dos nampulenses provem das agremiações que durante 2019 estiveram a militar no campeonato provincial de Nampula.
O primeiro golo surgiu nos primeiros minutos da partida, favorável aos anfitriões através da conversão de uma grande penalidade pelo Nando. O castigo máximo surgiu devido a uma falta grosseira cometida pelo defensor dos Mambinhas sobre o avançado Ivan.
Depois daquele incidente a selecção nacional despertou a atenção e passou a criar pressão sobre o adversário,mas não conseguiu chegar ao golo,mesmo com os três minutos de compensação, devido a ausência de proeza dos atacantes nacionais, assim como o mérito do próprio Babuba, guarda-redes de Nampula, e os seus defensores.
Aliás, ainda na etapa inicial, Nampula,também,teve inúmeras oportunidades de ampliar o resultado, destacando-se um lance em que Ivan possuiu mesmo na entrada da grande ária simétrica,mas este pautou pelas simulações aos oponentes, inclusive ao guarda-redes Teixeiras, uma postura que lhe levou a perder tempo e a oportunidade de finalização.
Na etapa complementar, as duas colectividades entraram em forma,mas a vontade de fazer golos esteve do lado de Nampula, o que fez com que chegasse ao segundo tento, novamente através da cobrança de uma grande penalidade convertida por Nando, numa falta sobre o jogador Ivan. Inconformado com os acontecimentos, Dias que acabava de entrar aproveitou a cobrança de pontapé de canto do companheiro para chegar ao golo de honra. O golo que carimbou a derrota dos Mambinhas foi por intermédio de Valdo, numa bomba lançada no meio de rua, sem possibilidades de defesa do guarda-redes Horácio.
O prémio para os nampulenses
A partida do último sábado pode entrar para a história por parte de alguns jovens atletas de Nampula que sempre clamaram pela falta de oportunidade. Dário Monteiro, seleccionador nacional de sub-20 não escondeu o entusiasmo com que ficou durante e depois do jogo que ditou a derrota dos Mambinhas e, por causa disso, disse que daquele encontro sairão jogadores que irão se juntar ao grupo de trabalho rumo ao CAN Mauritânia 2021.
“Quero parabenizar a selecção de Nampula, fez um belíssimo jogo, tem ali alguns jogadores interessantes, principalmente na faixa etária que a gente precisa e podem ter certeza que a gente vai juntá-los ao grupo a partir de amanha (Domingo,17 de Janeiro de 2021), fazerem parte do grupo, todos são moçambicanos e têm direito desta oportunidade. Vamos fazer o aproveitamento de quem de facto possa nos ajudar”, prometeu o mister Dário Monteiro, mesmo sem avançar o número exacto e nomes dos jogadores seleccionáveis.
Arnaldo Salvado, director do Gabinete técnico da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), disse, exclusivamente ao Ikweli, que são quatro atletas de Nampula que vão se juntar a outros companheiros rumo ao CAN 2021, a decorrer na Mauritânia. Trata-se de guarda-redes Babuba e avançado Valdo, ambos do Clube Ferroviário de Nampula, avançado Ivan, proveniente do Asante Sport de Nampula e odefesa central Armando, do Sporting de Nampula.(Constantino Henriques)
Nampula (IKWELI) – O laboratório de referência do Hospital Central de Nampula (HCN), maior unidade sanitária do norte de Moçambique, foi, recentemente, acreditado internacionalmente na gestão do sistema de qualidade na testagem de casos suspeitos da Tuberculose (TB), pelo Instituto de acreditação de Portugal.
Com este reconhecimento, os resultados emitidos pelo laboratório de referência de tuberculose do Hospital Central de Nampula, poderão ser válidos em qualquer parte do mundo. Aliás, ao nível de Moçambique, Nampula é o terceiro a possuir um laboratório com essa categoria, depois da capital, Maputo, e a província de Sofala, através do Hospital Central da Beira.
A informação foi partilhada esta quarta – feira (13) por Manuel Lázaro, chefe do laboratório de Análises Clínicas do HCN, para quem o reconhecimento do nível internacional “significa que conseguiu implementar o sistema de gestão de qualidade e conseguiu organizar a sua casa, as técnicas e conseguiu, igualmente, preparar os técnicos e criar uma cultura de qualidade nesta casa. Então, a acreditação de qualidade que nós tivemos, só para a entidade que nos acreditou é o Instituto Português de Acreditação, é uma entidade da Europa”, disse a fonte, acrescentando que “quer dizer que nós reunimos padrões internacional de qualidade, quer dizer, os nossos exames feitos em qualquer parte do mundo, os resultados são exactamente os obtidos aqui. Isso quer dizer que todo paciente que sair com os resultados do hospital central de Nampula, laboratório de referência de tuberculose do Instituto Nacional de Saúde, em Nampula, e for qualquer dos países que sabem reconhecer os sistemas de gestão de qualidade eles não precisam de repetir a realização desses resultados, quer dizer que ele já está”.
Por outro lado, Manuel Lázaro reconheceu que a acreditação do departamento que dirige “é um elemento motivador para o laboratório, para o hospital e ao próprio Instituto Nacional de saúde, também, significa que para o povo, os utentes desta unidade hospitalar, que eles saem convictos de que o produto que eles levam em mão, é produto fiável, quer dizer que não há para que contestar, em casos de dúvida , em caso que haver necessidade, por exemplo de fazer confrontação com resultado de qualquer unidade sanitária, isso significa que ao nível da região norte e mais outras províncias poderão usar como recurso o laboratório de referencia da tuberculose na província de Nampula”.
Isso acontece numa altura em que a tuberculose continua sendo um problema de saúde pública na província de Nampula. Não foi possível apurar os dados atualizados dos casos da doença nesta parcela do país, referentes ao ano passado, mas, em concordância com os dados disponíveis de 2018 e 2019, os casos da TB tendem a subirem a cada ano que passa. Em 2018, por exemplo, Nampula diagnosticou 11649 casos de TB, e 13968 em 2019.
Entretanto, de acordo com Manuel Lázaro, o HCN testa em média diária 30 pacientes de tuberculose referenciados naquela unidade sanitária. “O processo de referenciamento reduziu devido a covid-19, houve muita atenção para com a covid-19 por isso houve essa situação”, justificou a fonte.
Laboratório de referência de Tuberculose do HCN, de acordo com Lázaro, está equipado com tecnologia de ponta, equipamentos modernos, com PCR em tempo real que permite que em duas horas se possa ter um resultado de PCR, isto é, trata-se de equipamentos que podem indicar o padrão de resistência aos principais fármacos que são usados no tratamento da tuberculose, “quer dizer, a partir daí o clínico já sabe quais os medicamentos a administrar e quais não deve administrar e qual é a linha de tratamento para o paciente que ele deve submeter”, precisou a fonte. (Constantino Henriques)
Nampula (IKWELI) – A subida do preço de batata reno no mercado grossista do Waresta, na cidade de Nampula, fez com que maior parte de compradores não consiga adquirir o produto, o que está a originar na sua deterioração pelo prolongado tempo que o produto está no armazém.
Segundo constatamos no terreno, actualmente, o quilograma da batata reno custa entre 50,00Mt (cinquenta meticais) a 60,00mt (sessenta meticais), contra os 25,00Mt (vinte e cinco meticais) que eram praticados até ao mês de Novembro do ano passado de 2020, antes da quadra festiva.
Mesmo durante a quadra festiva, os clientes pouco adquiriram o produto devido a esta galopante subida do preço, o que veio a agudizar-se neste mês de Janeiro com o fim das festivas.
Os vendedores estimam que, nem se quer, chegaram a comercializar cinquenta por cento do que tinham adquirido neste período, e neste momento somam prejuízos avultados com a deterioração da batata reno.
Raiton Armando, um dos comerciantes afectados pela podridão, conta que por cada carga onde gasta 1,000,000,00Mt (um milhão de meticais), a perda por apodrecimento estima-se entre 300,000.00Mt (trezentos mil meticais) a 500,000.00Mt (quinhentos mil meticais), porque “o preço de levantamento está a 50,00Mt (cinquenta meticais) por quilograma, e suponhamos que apodrecem vinte ou cinquenta sacos sendo que em cada, o valor total é de 14,000.00Mt (catorze mil meticais) a 15,000.00Mt (quinze mil meticais) e se multiplicarmos por 50 sacos, o preço a perder é muito elevado”.
Por outro lado, a mesma fonte avança que a chuva que molha o produto, antes do carregamento, precipita na sua deterioração.
“Por falta de dinheiro, a maior parte de pessoas não consegue comprar a batata ao preço de cinquenta meticais por quilograma, e por ficar muito tempo no armazém, o produto começa a apodrecer”, disse o vendedor, para depois acrescentar que “não podemos baixar o preço enquanto lá na fonte compramos por um preço elevado, porque fazendo as contas, para chegar até aqui, gastamos cerca de 50,00Mt (cinquenta meticais) por quilo e se baixarmos para, por exemplo, 45,00Mt (quarenta e cinco), vamos ficar prejudicados”.
Um outro vendedor que se identificou apenas por Januário, caracteriza o mês de Janeiro como sendo no que estes operadores passam mal, por causa do apodrecimento das suas mercadorias por causa do calor associado pelo maior tempo armazenado por falta de clientes causado pelos preços que são exorbitantes.
“O preço contribui, porque se nos formos a ver, desde o ano passado, por causa do coronavírus, não há dinheiro, e principalmente desde Dezembro que os preços subiram mais, as pessoas não tem como comprar. Se lá onde compramos estivesse barato, aqui poderíamos aplicar um preço razoável como noutros tempos, mas não podemos fazer isso enquanto compramos muito caro, precisamos de sustentar as nossas crianças”, sustentou Januário. (Alfredo Célia)
Nampula (IKWELI) – A crise de abastecimento de água que se regista em Nampula desde os finais do passado mês de Dezembro está a preocupar o sector de Saúde naquele ponto do país, receando que a situação provoque caos caso comecem a registar-se doenças de origem hídrica, que ocorrem nesta época do ano.
De acordo com o Dr. Geraldino Avalinho, chefe do Departamento de Saúde Pública, nos Serviços Provinciais de Saúde de Nampula, entre Dezembro e Março é comum o registo, a níveis altos, da cólera, diarreias e malária.
Em exclusivo ao Ikweli, esta fonte mostra ainda receio pelo facto de as populações locais não terem a culpa de tratar, voluntariamente, a água que consomem, e que com esta crise toda água em vista tem servido para o consumo humano.
“Nós, como o sector da saúde, ficamos preocupados, porque não existem muitas alternativas para a população que procura pela água em diversas fontes. A água que se consome pode estar contaminada por fungos fecais, uma vez que as pessoas recorrem às zonas baixas, ou seja, os rios dos esgotos que nascem através das valas de drenagem da própria cidade e as pessoas vão abrindo os poços perto dali. Tratando-se de um esgoto, naturalmente, quando o lençol freático é abundante naquela zona e o risco da água não ser bem filtrada e que esteja contaminada é maior”, explicou a fonte, para quem “a maior parte da nossa população não tem o hábito de garantir que a mesma água seja purificada através do uso do cloro, certeza, entre outros”.
Por outro lado, de acordo com a fonte, é sabido que a cidade de Nampula é endémica ciclicamente, onde quando se regista o surto de diarreia são vários bairros acometidos, isto por conta da fraca rede de abastecimento de água nesta região, por uma parte.
E como o sector da saúde, Dr. Avalinho garante tudo estar aposto para responder a possível eclosão de doenças de origem hídrica, por conta da falta de água potável para o consumo diário. Todavia, exorta as entidades próprias que abastecem a água para envidar esforços no sentido de prover este líquido precioso aos munícipes.
Avalinho vai mais longe ao afirmar que o desenvolvimento demográfico, ou seja, o aumento populacional faz surgir novos bairros em expansão, o que não está a ser acompanhado pela existência de serviços sociais básicos, no caso específico da rede de abastecimento da água.
“A crise de água em Nampula acomete todos os anos, porque não há ser humano que resiste ao fenômeno de seca. Estamos a falar de um líquido precioso que as pessoas precisam de usar para diversas actividades nas suas casas e não só. Nós, como sector da saúde, olhamos isso como um atentado à saúde pública, não necessariamente porque existe alguém que tenha sido culpado, por se tratar de um fenómeno natural, ou seja, é importante que haja chuva para termos água”, disse.
Contudo, o chefe do Departamento da Saúde Pública nos Serviços províncias da Saúde em Nampula, conclui que, também, “é responsabilidade de algum sector aumentar a capacidade de conservação, tendo em conta o nível de expansão que a cidade tem vindo a assinalar nos últimos dias. Há muitos bairros que estão a surgir em Nampula, mas isso não está a ser acompanhado pela capacidade de reserva da água de modo a garantir que estes cidadãos que estão a construir suas residências nas zonas que não são periféricas da urbe tenham acesso a água potável”. (Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – As chuvas que se fizeram sentir nas últimas 48h nos distritos de Ribáuè, Malema, Lalaua e Eráti contribuíram para o incremento dos níveis de armazenamento na barragem de Nampula, construída sobre o rio Monapo, e que serve de principal fonte de abastecimento de água a autarquia mais importante do norte de Moçambique.
Na manhã desta segunda-feira, através da imprensa, o Fundo do Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG) informou que a situação tende a melhorar neste mesmo período.
Dentre várias soluções adoptadas para minimizar a crise, o FIPAG gaba-se e exibe furos nos bairros de Muatala e Muahivire, este último na zona de Namiteca, como alternativas a principal fonte, bem como a melhoria das modalidades de fornecimento, que incluem a montagem de fontanários moveis nos bairros da autarquia.
Na unidade comunal Pedreira, no bairro de Natikiri, o respectivo líder comunitário, Rodrigues Alfredo, conta que a montagem do fontanário móvel está a ajudar a população.
“A água passou a ser gratuita e a população está a tirar constantemente”, disse Alfredo, referindo-se ao impacto daquela unidade de abastecimento de água montada na sua circunscrição.
No pico da crise, segundo esta fonte, “davam água uma semana sim, uma semana não”, mas agora “estamos a receber, constantemente, das 6h as 18h e quando acaba ligamos para FIPAG e nos traz água”.
Por seu turno, Ilídio Khosa, quadro do FIPAG central e que veio a Nampula para apoiar a equipa local a encontrar soluções refere que “reajustamos a nossa operação e conseguimos operacionalizar as bombas de emergência, e por via disso conseguimos reajustar a nossa operação da rede de distribuição. Neste momento, estamos a dar água por seccionamento e por centro distribuidor”.
Conhecedor da região, Khossa já foi director da área operacional de Nampula e mais tarde primeiro director regional norte do FIPAG, por isso sabe dos problemas da região como deve ser.
Ilídio Khossa, Director dos Serviços Centrais de Operações do FIPAG
Das soluções imediatas incluídas pelo FIPAG na sua leva de procura de soluções para o fornecimento de água aos moradores do maior centro urbano do norte de Moçambique, há avanços significativos e, segundo Ilídio Khossa, “estas acções, tanto o reajuste, assim como algumas tomas que foram construídas e os fontanários móveis que estão sendo abastecidos, conseguiram, ao todo, regularizar os serviços de abastecimento de água aos níveis anteriores que eram críticos. Neste momento, estamos a captar entre 18 à 20 mil metros cúbicos por dia. Isto permite que, pelo menos, quase todos os dias, nas últimas 48h, satisfazer as necessidades da nossa população”.
“Entendemos que as medidas que estamos a tomar ainda não são suficientes para declararmos que a situação está extinta, mas do cenário que tínhamos hoje permite-nos afirmar que estamos no melhor momento. Também, isto tem a ver com grande contribuição da população, a organização que se teve nos bairros onde temos fontanários moveis e a população definiu os horários de funcionamento”, reconhece o nosso interlocutor, por isso “o FIPAG vai continuar a desenvolver acções duradoiras que permitem que situações como estas no futuro não sejam tão graves quanto hoje. Com isso continuaremos a trabalhar em Namiteca e noutras fontes seguras”.
Mesmo com os seis furos, a fonte reconhece que a capacidade instalada é insuficiente para “resolver a falta de água. A principal fonte, até agora, segura e sustentável é essa da barragem de Nampula”.
Para a resolução definitiva do problema de abastecimento de água a cidade de Nampula, Khossa avança que é uma “acção combinada”, e que a “fonte de Nampula já está esgotada há muito tempo. Quando esta fonte está em pleno armazenamento e não há recarga a montante, se nós mantivermos os níveis de captação só dá para funcionar 3 meses. Se essa água chegou até este momento tivemos de fazer reajustes e restrições para que ela pode-se prolongar mais 150 dias para além do período normal de operação”.
“O sector está a mobilizar investimentos para construir mais barragens, como é o caso de Meluli e por aí fora. São soluções que poderão levar, por aí, mais de cinco anos. Não são soluções imediatas”, referiu o director dos Serviços Centrais de Operações no FIPAG central.
Barragem apenas está a 30%
De acordo com o director da Administração Regional de Águas – Norte (ARA – Norte), Carlitos Omar, actualmente, e com as chuvas que se fizeram no corrente mês de Janeiro, a barragem passou de 22% para perto de 30% na sua capacidade de armazenagem.
Carlitos Omar – Director da ARA Norte
“Em relação a barragem de Nampula devo dizer que continua a apresentar níveis baixos. Como sabem, em Dezembro foi o mês que a barragem atingiu o nível mais crítico, 22%, como resultado de precipitações muito baixas. Ao nível da bacia de Monapo tivemos uma precipitação em volta de 43% que é uma precipitação muito baixa para este período”, disse a fonte, concluindo que “em Janeiro tivemos uma precipitação de 53%, e isto fez com que a albufeira começasse a recuperar paulatinamente. Não de uma forma satisfatória, mas já recuperamos e saímos dos 22% e agora estamos aos 30%. Isso encoraja-nos”.
As previsões meteorológicas
Alberto Colarinho é o delegado do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), e na colectiva de imprensa conjunta realizada na manhã desta segunda-feira (11), na barragem de Nampula, disse que “em termos de previsão, como todos sabemos, estamos na época chuvosa e que a previsão sazonal preconiza para este período, de Janeiro até Março, ocorrência de chuvas normal para chuvas acima do normal, principalmente para os distritos do interior da província de Nampula”.
Neste momento, prosseguiu esta fonte entendida em matérias meteorológicas, que “em termos de horizonte de chuvas para esta época que vai até Março, nós ainda esperamos que ocorram normais. Obviamente que para o Dezembro (2020) tivemos deficit de precipitação em relação aquilo que é o normal da província de Nampula. Nos primeiros dias do mês de Janeiro tivemos cerca de 25 milímetros, que é muito abaixo daquilo que nós podemos ter. Só para poderem comparar, neste mesmo período em 2019, nos primeiros 10 dias de Janeiro ocorreu precipitação de cerca de 150 milímetros, que é muito acima daquilo que estamos a presenciar”.
Alberto Colarinho, Delegado do INAM Nampula
Colarinho encontra uma explicação óbvia para a ausência de precipitação no momento apropriado, e assegura que “há influencia de mudanças climáticas sobre a nossa província, e elas vão se reflectindo com irregularidade de chuvas”.
Ainda no meio dessa crise, a fonte reconhece que “temos situações a melhorar nos distritos de Ribáuè, Malema, Lalaua Eráti, que são distritos acima do rio Monapo, que é aquele que é o epicentro de abastecimento de água na cidade de Nampula”, e que “estamos à espera da ocorrência de chuvas esporádicas, portanto, moderadas em alguns distritos, incluindo a cidade de Nampula. Vão ocorrendo precipitações com alguma naturalidade, mas que ainda são insuficientes para aquilo que pode ser a necessidade hídrica para a cidade, tanto para a província”.
“Nos próximos 7 dias esperamos a ocorrência de algumas precipitações, incluindo trovadas no parâmetro de 0 a 20 milímetros”, prevê o INAM. (Aunício da Silva)
Nampula (IKWEILI) – Os últimos dois meses do ano 2020 foi, aparentemente, calmo, no que se refere a novas infecções pela covid-19, mas a entrada para o ano novo de 2021, as coisas mudaram de figura e os dados são cada vez mais preocupantes.
Só no último fim-de-semana, o segundo do ano, a província mais populosa do país registou 136 casos positivos da doença, segundo dados do ministério moçambicano da Saúde (MISAU).
A cidade de Nampula, maior centro urbano do norte do país e primeiro local a ser considerado em situação de transmissão comunitária, é a que mais casos da doença regista, havendo casos que assolam agências de bancos comerciais.
As festas do Natal e do fim do ano foram um autêntico pico da violação das normas de prevenção da pandemia, sobretudo o distanciamento físico e social, bem como o uso da máscara foi dispensado. Vários eventos foram organizados sem a observância das medidas afins, ainda que os cartazes publicitários se referissem ao cumprimento das medidas.
Neste mesmo fim de semana, a província testou, no total, 432 amostras, das quais 136 foram positivas. Assim, actualmente, a província contra com 214 casos internados, de um cumulativo de 932 casos positivos. (Redação)
Nampula (IKWELI) – O centro de saúde de Muhala Expansão, localizado na periferia da cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, está em volto de um ambiente de higiene e saneamento deplorável.
As casas de banho para os utentes encontram-se completamente imundas, segundo notou a reportagem do Ikweli no local, liberando um cheiro nauseabundo. Igualmente, podem se ver excrementos humanos até nas paredes das casas de banho, incluindo no recinto em volta das infra-estruturas.
“Meu caro, é preciso vir para cá, isto está horrível”, disse ao telefone o primeiro denunciante da situação.
Já no terreno, com algum receio, os utentes falam, amiúde, da situação, e contam que não é nada novo, por isso “não se deve atribuir culpa a crise de água que a cidade de Nampula enfrenta nos últimos meses”.
Situação externa das casas de banho
“Aqui sempre foi assim, e ninguém fala disso por ter medo das pessoas que dirigem aqui”, apontou uma fonte que conversou com o Ikweli no recinto do centro de saúde de Muhala Expansão.
Esta situação constitui um perigo para a saúde pública, tanto dos utentes assim como dos moradores em volta da unidade sanitária.
Para ter a posição da direcção daquela unidade sanitária, a reportagem do Ikweli dirigiu-se a secretária do gabinete da directora, de onde ficamos a saber que a responsável máxima se encontrava ausente, alegadamente, porque encontra-se doente.
Também, fomos remetidos, pela secretária da directora, aos Serviços Distritais da Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) de Nampula, a fim de obtermos autorização para entrevistar a directora do centro de saúde de Muhala Expansão.
Igualmente, contactamos, telefonicamente, ao director dos SDMAS de Nampula, Dr. Nilton Napoleão, mas não atendeu as nossas chamadas. (Aunício da Silva e Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – A crise de água para o consumo humano na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, está cada vez mais crítica, exigindo a intervenção de todo, tanto do ponto de vista material, assim como espiritual.
É neste contexto que a Comissão de Alimos de Nampula, uma agremiação religiosa islâmica, deliberou para que, nesta sexta-feira (08), os muçulmanos espalhados em diferentes mesquitas da cidade e província de Nampula dediquem as suas orações pedindo chuva a Deus, para aliviar o sofrimento das pessoas.
Além da acentuada crise de água, sobretudo a potável para o consumo humano, os muçulmanos justificam o seu peditório de chuva ao divino para salvaguardar a produção agrícola na província, uma vez que as autoridades do sector da Agriculta e Pescas já, publicamente, anunciaram que enquanto a situação da falta de chuva prevalecer estará, completamente, comprometida a presente época agrária 2020/2021.
De acordo com o presidente da Comissão de Alimos de Nampula, Essimela Abudo, contrariamente aos anos anteriores, em que em casos semelhantes eram rezados em molduras humanas, desta vez será diferente, devido às medidas restritivas impostas pelo governo, no âmbito da situação de calamidade pública que o país vive, face a pandemia da covid-19.
“Sem água, não há vida, por isso estamos a promover esta campanha para oração. Sabemos que este problema não afecta somente a cidade de Nampula, mas nós estamos mais focados a mobilizar aos sheiks da cidade para o efeito”, disse.
Aquele líder religioso fez saber que a corrente de orações pela chuva será apenas para nesta sexta-feira, porém não descarta a possibilidade de que tal continue, enquanto a situação de estiagem continuar, principalmente na terceira maior cidade moçambicana.
Recorde-se que a barragem de Nampula, construída sobre o rio Monapo que abastece água a cidade de Nampula contínua, segundo as autoridades gestoras do preciso líquido, sem capacidade para prover água a urbe, a considerada capital do norte. (Sitoi Lutxeque)