Paulo Vahanle: Uma farsa que a Renamo “vendeu” a cidade de Nampula

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semáforos estão avariados na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – A gestão executiva do conselho autárquico da cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, é cada vez mais obra de crítica por parte dos moradores locais, os quais se sentem defraudados pelo candidato que a Renamo os colocou como opção nas últimas eleições.

Desde a sua tomada de posse, primeiro para terminar o mandato interrompido com o assassinato do autarca Mahamudo Amurane e segundo para um mandato regular, Paulo Vahanle tem sido alvo de críticas, tanto dentro do seu próprio partido, assim como por parte dos eleitores.

Por várias vezes, o autarca já veio ao público estabelecer prazos para execuções especificas para a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, sobretudo nos sectores de saneamento e salubridade, mas nunca as cumpriu.

De forma receosa lançou obras de construção de vias de acesso, incluindo pontes, mas sem muito sucesso e sem expressão para o desenvolvimento da autarquia.

Sobre casos candentes, muitas vezes Vahanle fica no silêncio, incluindo a recente crise de água potável que assolou a circunscrição que dirige.

As aparições públicas de Paulo Vahanle são escassas, e quando sucedem é para mandar recados, ou para a Frelimo ou para o governo da Frelimo, sendo que em muitos casos é mesmo para reivindicar a não transferência de fundos pelo governo central.

Em alguns bairros há aplausos a favor de Vahanle, destacadamente parte do bairro de Mutauanha e parte de Muhala Belenenses, onde duas ruas estão sendo pavimentadas, em resultado da venda de espaços públicos sem transparência.

Em sessão extraordinária da Assembleia Autárquica de Nampula, realizada em Dezembro último, a “turma” de Vahanle decidiu por rever e colocar a aprovação novas taxas a serem cobradas aos munícipes, sem antes  haver consulta nesse sentido. E, o resultado não podia ter sido tao desastroso quanto o é. Por exemplo, o Imposto Pessoal Autárquico (IPA) passou dos anteriores 50,00Mt (cinquenta meticais) para 200,00mt (duzentos meticais), e os munícipes não foram informados disso.

Também, os funcionários afectos aos locais onde se faz a colecta e/ou pagamento dos mesmos impostos não sabem a razão da subida dos mesmos.

Não menos importante, a mobilidade rodoviária na cidade de Nampula está impossível nas últimas duas semanas, tudo por conta do não funcionamento dos semáforos.

Esta situação é motivo de conversa em todas as esquinas da cidade, incluindo cafés, transporte semi-colectivos de pessoas e bens, incluindo os bares e barracas, quando estavam abertos.

“A Renamo nos vendeu algo muito errado. Convenceu-nos a votarmos no Vahanle, mas ele não está a fazer, absolutamente, nada”, disse Óscar Danilo, residente da cidade de Nampula, acrescentando que “está difícil circular nesta cidade, porque os semáforos estão todos apagados”.

Pedro Latifo, também, desgastado com o executivo municipal pede ao partido Renamo “para que retire o senhor Vahanle da direcção do município e encontre alguém melhor”. “É que não se justifica que o presidente seja a pessoa mais ausente dos problemas da cidade. Ele não deve aparecer apenas quando lhe apetece. A cidade está toda cheia de lixo. Enfrentou uma crise de água, mas o município nunca disse nada”.

“Está difícil circular aqui na cidade. Primeiro porque aqui conduzimos muito mal, sem observância das normas de trânsito. Segundo piora quando os semáforos não funcionam e ninguém nos diz nada”, disse a senhora Justina do Rosário.

O que mais inquieta aos munícipes é o facto de a edilidade nunca se predispor a explicá-los os problemas que a cidade vive.

O que diz a edilidade?

Quanto a questão dos semáforos, o Ikweli contactou o conselho autárquico de Nampula, através do director de Comunicação e Imagem, Nelson Carvalho, o qual no primeiro contacto prometeu responder com precisão 1h mais tarde.

Depois deste prazo, insistimos ao Nelson Carvalho, o qual disse que “a EDM [Electricidade de Moçambique], sem nos informar, foi desligar a energia regular e montaram credelec. Isso foi sem nos comunicar. Ficamos surpresos quando, de repente, recebemos uma carta a informar que já há credelec e que devem passar a recarregar”.

Ao meio dia desta segunda-feira (18), momento em que, telefonicamente, entrevistamos ao director Carvalho, ele assegurou que “neste momento o presidente [Paulo Vahanle] está reunido com os vereadores do sector para tratar do assunto”. (Aunício da Silva)

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