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SERNIC apreende heroína e metanfetamina em Nacala-Porto

Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, apreendeu na madrugada do dia 23 de Janeiro corrente no distrito de Nacala-Porto, uma quantidade de 66 quilogramas de droga e uma viatura que, supostamente, serviria para o transporte da mesma, na sequência, foi detido um indivíduo em conexão.

Trata-se de 61 quilogramas de heroína e 5 de metanfetamina que, segundo a porta-voz do SERNIC a nível da província, Enina Tsinine, presume-se que a mesma era trazida da Tanzânia, e Nampula como de sempre, serviria de corredor, porque o produto tinha como destino a África do Sul.

A apreensão desta droga foi efectuada depois da mesma ter chegado à costa de Nacala-Porto graças às informações das fontes do SERNIC, e em coordenação com a Polícia Costeira, foi possível impedir que a mesma atravessasse para o seu destino. Na altura, cinco indivíduos que supostamente traziam o estupefaciente, colocaram-se em fuga usando a mesma embarcação que transferia o produto.

“Nós fomos recebendo as informações das nossas fontes, e em coordenação com a força da polícia costeira, foi possível, por volta da 1h de madrugada, a detenção deste indivíduo, bem como a apreensão da respectiva droga, e no local foi encontrada uma viatura abandonada e supomos que a mesma serviria para o transporte da mesma”, disse a porta-voz.

Segundo dados colhidos pela instituição durante a investigação com o detido, este é o único moçambicano, e teria arrendado a sua residência perto da praia, que serviria de guardião da droga e os restantes cinco que se puseram em fuga na altura da operação, são de nacionalidade tanzaniana.

Por sua vez, o indiciado confirma o seu envolvimento no tráfico e diz ter entrado no esquema inocentemente porque, segundo ele, um conhecido de nacionalidade tanzaniana havia-lhe ligado para informar de um negócio, mas sem especificar o tipo tendo ele concordado e entrado no tráfico.

“Eu fui encontrado no local, porque um conhecido meu, que na altura lhe dei boleia, ligou-me para me dizer que tinha uma bolada, mas não me disse qual é, e a minha missão era de fazer a sinalização no local da atracagem do barco. Depois de a polícia chegar, eles fugiram e eu sem saber nada fiquei ali parado e fui levado para aqui”, disse o detido.

Importa referir que a situação de apreensão de drogas tem sido recorrente na província de Nampula, o que pode ser a prova de que a província serve de corredor para o transporte destes estupefacientes, e no final do ano passado o SERNIC apreendeu mais de 400 quilogramas do produto. (Alfredo Célia)

Agentes da UIR pegam 30 anos de cadeia por assassinar polícia camarária em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Tribunal Judicial da província de Nampula, no norte do país, decidiu por condenar, nesta quinta-feira (28) aos dois agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), a penas de 30 anos de prisão efectiva, por estar provada a sua autoria moral e material no assassinato a tiro de um membro da polícia municipal da maior autarquia daquela região.

A vítima foi baleada na sua residência, no bairro de Namutequeliua, em Julho do ano passado, 2020, sem motivo aparente.

O veredito proferido pelo Juiz da causa, Dr. César Fernando, incluiu uma indemnização a família da vítima, no valor de 500,000.00Mt (quinhentos mil meticais), pelos danos causados. (Redação)

Água potável continua sendo uma preciosidade em Nampula

Nampula (IKWELI) – A crise de água potável prevalece, apesar das chuvas que têm vindo a cair de forma esporádica, na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, e o problema continua a dividir os cidadãos consumidores e o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), empresa pública distribuidora de água, por esta, alegadamente, insistir a emitir facturas altas sem o consumo regular.

A cidade de Nampula, lembre-se, começou a ressentir-se da crise de água em finais de Outubro do ano passado, mas com o pico entre finais Dezembro e princípios de Janeiro corrente, por conta da falta de chuva, factor que continua a ser apontando, apesar da mudança do cenário nos últimos tempos, como sendo um dos principais constrangimentos que contribui para a redução das reservas na barragem de Monapo, a principal fonte de abastecimento daquele precioso líquido no maior e mais importante centro urbano do norte de Moçambique.

A nossa equipa de reportagem percorreu diferentes bairros e unidades residenciais da cidade, nomeadamente Mutauanha, Muatala, Piloto, Muthita, Ntotha e Murrapaniua, onde constatou que a situação prevalece, apesar de o FIPAG estar a fornecer ocasionalmente, diferentemente do período antes da agudização da crise.

Na unidade residencial do Piloto, pertencente ao bairro de Mutauanha, o Ikweli conversou com Catarina Lopes que diz ter esquecido as datas que já consumiu água potável, fornecido pelo FIPAG, pelo menos 8 horas por dia.

“Mesmo antes desta crise, nós tivemos muitas dificuldades. A crise iniciou em Dezembro, mas nós já estamos na crise desde Junho do ano passado. Eu apenas pago facturas sem consumo, já reportei este problema ao FIPAG, mas nunca resolvem. E mesmo com esta crise continuamos a receber e pagar factura”, disse a fonte, visivelmente desapontada.

Para a nossa entrevistada, a atitude dos gestores do FIPAG em Nampula não passa de uma autêntica burla e roubalheira aos seus consumidores, uma vez que esta nunca, sequer, se dignou em reajustar as facturas em função dos meses em que a empresa não forneceu aquele precioso líquido aos seus clientes.

“Tenho uma factura de quase cinco mil meticais, contando com as dívidas acumuladas. Eu não encontro motivos para pagar sem consumir, penso que a empresa está a agir de má fé”, lamentou a nossa interlocutora.

Francisco Coelho, residente na unidade comunal Muthita, questiona: “os dirigentes do FIPAG já vieram ao pública anunciar que haverá alternativas para o abastecimento de água, através de furos, então o que é que está a acontecer para a contínua crise?”.

Para aliviar-se da crise da água potável, o Ikweli apurou que muitos cidadãos recorrem a água das chuvas e armazenam em recipientes, enquanto aguardam pelos serviços do FIPAG na canalização daquele líquido vital.

“Ainda há crise. O problema não está resolvido”

O Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), através do director dos Serviços Centrais de Operações, Ilídio Khossa, o então director regional norte e quem monitora toda operação do sistema em Nampula, sobretudo neste período de crise, disse em exclusivo ao nosso jornal que a situação da crise será apenas ultrapassada com a queda regular das chuvas e posterior “encaixe” suficiente da água na barragem de Nampula, construída sobre o rio Monapo.

“Ainda há crise. O problema não está resolvido”, referiu, para sustentar que “a situação da água poderá passar com chuva. Na barragem não tem muita e não está a encher água, apesar das chuvas dos últimos dias. No dia em que chover e a barragem ter água suficiente e não fornecermos aí o problema será nosso”, observou o responsável.

Ainda assim, o director dos Serviços Centrais de Operações do FIPAG considera que a situação actual de abastecimento daquele líquido indispensável ao ser humano não é critica, tal como no passado. “Já não se regista aquela procura como nas últimas semanas de Dezembro e primeira semana de Janeiro em curso, todo o mundo estava a reclamar, hoje minimizamos. Mas, a crise ainda não está resolvida. Temos alguns furos [em Namiteca e Muatala] que abastecem um pouco por toda cidade”, disse.

Sobre as alegadas cobranças de facturas sem o consumo regular, Ilídio Khossa disse que “é preciso analisar caso á caso. Em regras gerais, o nosso sistema de cobrança é pós-pago e faturamos, normalmente, no intervalo entre 20 até 30 dias depois do consumo, quero crer que as facturas que estarão a receber, eventualmente, são dos consumos de Novembro e Dezembro, portanto os consumos de Janeiro, eu acredito que poderão receber a partir de Fevereiro e tenho a certeza que os custos vão baixar. As pessoas só vão pagar aquilo que estiveram a consumir, se consumiram 25 ou 30 metros cúbicos/mês com certeza que vai ser menos, esta é uma questão que, infelizmente, não temos como mudar”, frisou.

Contudo, o nosso entrevistado fez saber que a empresa não abre espaço de compensação dos dias que consumidores não tiveram acesso e que o pagamento e/ou facturação será feito em função do consumo registado no contador. (Sitoi Lutxeque)

Situação de segurança em Cabo Delgado continua volátil

  • Considera a ACNUR que avança que, até ao momento, existem 530.000 pessoas deslocadas.

Nampula (IKWELI) – A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR, na sigla inglesa) considera que a situação de segurança na província de Cabo Delgado, no norte do país, continua volátil e o número de deslocados internos tende a aumentar.

Em uma nota de actualização mensal (15 de Dezembro 2020 a 15 de Janeiro de 2021), distribuída a partir de Maputo, a ACNUR aponta que“existem 530.000 pessoas deslocadas internamente (IDPs) nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, quase cinco vezes o número registado em Março de 2020”, afirmando que “as principais necessidades e desafios enfrentados pelas comunidades deslocadas continuam a estar relacionados com a falta de instalações de abrigo, acesso a serviços básicos e medo de serem perseguidos nas áreas para onde estão se mudando, o que cria um ambiente de proteção altamente volátil em Cabo Delgado, bem como em províncias vizinhas”.

É na mesma nota onde se lê que “a situação da segurança em Cabo Delgado permanece volátil, com operações militares em curso em várias partes da província. Os distritos de Quissanga, Macomia, Meluco, Mocímboa da Praia, Muedumbe e Nangade permanecem inacessíveis devido à forte presença de grupos armados não estatais e às operações policiais / militares em curso”.

Igualmente, esta agência das Nações Unidas prossegue que “Cabo Delgado enfrenta uma situação contínua de violência por grupos armados não estatais desde outubro de 2017. A natureza e o âmbito da violência aumentaram constantemente ao longo do tempo com os grupos armados não estatais reivindicando cidades, como Quissanga e Mocímboa da Praia em Março de 2020. Desde então, vários casos de graves abusos dos direitos humanos, incluindo mortes e prisões arbitrárias, sequestros, tráfico de seres humanos e violência contra crianças (estupro, casamentos prematuros) foram registados em várias partes da província de Cabo Delgado, sendo a maioria nos distritos do centro e norte da província. Em Janeiro de 2021, um número estimado de 530.000 indivíduos foi deslocado pela violência, procurando segurança em várias partes de Cabo Delgado, Nampula, Niassa e outras províncias”.

Com efeito, e para apoiar estas vítimas, “em 18 de dezembro de 2020, a ONU e seus parceiros lançaram o Plano de Resposta Humanitária (PRH) de um total de UD $ 254 milhões para fornecer assistência e proteção urgentemente necessárias para 1,1 milhão de pessoas afetados pela violência e insegurança em Cabo Delgado, Nampula e Niassa em 2021”.

Durante o período do relatório, houve também uma escalada significativa de ataques conduzidos por grupos armados não estatais em Palma, Nangade e Macomia distritos, incluindo ataques armados na Península de Afungi.

“Os distritos de Quissanga, Macomia, Meluco, Mocímboa da Praia, Muedumbe e Nangade permanecem inacessíveis às Agências da ONU e outros atores humanitários devido às razões de segurança mencionadas acima associadas à forte presença de grupos armados não estatais e operações policiais / militares em curso”, lê-se no documento, cujo conteúdo temos vindo a citar, contando que “também, houve um aumento significativo no número de deslocados internos – aproximadamente 100.000 novos deslocados desde novembro de 2020 – como resultado da violência contínua na província”.

A ACNUR tem trabalhado continuamente com os parceiros e o Governo, tanto em Cabo Delgado como em Nampula, para identificar e implementar projectos que respondam às necessidades humanitárias mais urgentes dos deslocados internos e comunidades anfitriãs.

Assim, em 2021, a ACNUR pretende “identificar, mitigar e responder aos riscos de proteção das populações afetadas; apoiar a resiliência das comunidades afetadas; expandir os mecanismos de proteção baseados na comunidade, de modo a garantir que as comunidades afetadas tenham autonomia para lidar com suas próprias preocupações de proteção; e fortalecer as instituições públicas para responder directamente às necessidades dos deslocados internos em Cabo Delgado”.

As principais necessidades e desafios enfrentados pelas comunidades deslocadas continuam a estar relacionados com a falta de instalações de abrigo, acesso a serviços básicos e medo de serem perseguidos nas áreas para onde estão se mudando, o que cria um ambiente de proteção altamente volátil em Cabo Delgado, bem como em províncias vizinhas, por isso “é necessário aumentar o monitoramento da proteção, especialmente em áreas de difícil acesso, para ajudar os indivíduos ali assentados, que geralmente são os grupos mais vulneráveis”. (Aunício da Silva)

Professores reformados preocupados com a sua situação social em Nampula

Nampula (IKWELI) – A situação social de professores reformados na província de Nampula, no norte do país, é preocupante, muitas vezes estando, a sua maioria, voltada a pobreza absoluta.

E para colmatar e minimizar as dificuldades que enfrenta este grupo de profissionais, nasceu este ano a Associação dos Professores Reformados de Moçambique (APREMO).

Com poucos dias de existência, a APREMO conta com 30 membros na sua maioria fundadores da agremiação, número que se espera que venha disparar assim que a organização for do domínio público e tendo em conta o grosso número dos profissionais de educação abrangidos pela reforma em Nampula.

“Nós fomos reflectindo a nossa situação, como professores reformados, de que de facto se nós formos organizados alguns problemas que temos enfrentado no dia-a-dia estaríamos em condições de resolver alguns deles, foi daí que nós pensamos e nos organizamos, através desta Associação de Professores Reformados de Moçambique”, disse Jeremias Amade Naface, presidente do conselho de direcção da APREMO.

Com génese na cidade de Nampula, o presidente da APREMO fez saber que a curto, médio ou longo prazo, a ccolectividade terá representação em todo território moçambicano, visto que “quando fizemos um levantamento em todo o país, fomos encontrar a mesma tónica em termo de choro quando o professor reforma. Quando está desligado do aparelho do estado, ele (o professor) passa por várias consequências, ele é esquecido, o estado esquece essa pessoa que tanto fez para o país”, disse Naface, acrescentando que “o que pretendemos é que, realmente, fazer perceber a todos aqueles que pensam que reformar é um fim, mas nunca é um fim. Reformar é algo de reconhecimento e isto está plasmado na lei que quando tem uma determinada idade tem que ir descansar”.

Segundo clarificou Jeremias Amade Naface, a APREMO não nasceu com o fim de reivindicação, mas sim “uma associação humanitária que quer apoiar aos outros colegas professores reformados, porque muitos colegas, sobretudo aqueles que vivem lá nas zonas recônditas, quando vão a reforma pensam que são incapazes de fazer algo, e passam a vida a beber e levam uma vida miserável, mas hoje somos o que somos graças ao professor, então, porque não esta sociedade ter que reconhecer este papel?”, questionou, para reiterar que “esta associação veio para constituir mais uma força complementar do governo”.

“Quando o professor é reformado é logo apagado do sistema, e ninguém sabe onde ele está, como está, o que está a fazer, todas essas situações. Então, é isso que nós pensamos que iríamos fazer alguma coisa em prol do desenvolvimento deste país continuando a fazer alguma coisa, não na sala de aulas, mas noutras vertentes”, precisou Jeremias Naface.

Alguns membros fundadores da APREMO acreditam, igualmente, que aquela agremiação poderá fazer diferença na vida dos professores reformados, de modo em particular os que aderirem a organização.

Augusto dos Santos Tauancha, um dos membros fundadores e presidente da mesa da Assembleia, precisou que “a nossa expectativa é forte para nós, porque estamos de facto muito conformados e sérios para ouvir a voz dos professores reformados ao nível nacional, achamos que é uma preocupação dos professores reformados ao nível nacional. Acreditamos que essa voz dos reformados, que tem um invólucro de conhecimentos e experiência sofridas, esteja ao alcance dos outros”, acrescentando que “temos experiências que os professores reformados estrangeiros fizeram flúor ao nível da província de Nampula”.

Para Maria Paposseco, outro membro da APREMO, reiterou que “esta associação tem por objectivo ajudar o professor reformado, aquele que está lá deitado no lixo, porque nós estamos a nos sentir já pessoa sem voz, mas ainda temos muito para dar neste país, somos capazes”, disse a professora reformada desde 2016 e actualmente contratada numa escola particular. “Assinei um contrato numa escola privada, onde ainda ponho as crianças a ler, a escrever e a contar”, ironizou sorridente a nossa interlocutora.

Refira-se que no último sábado (23) a APREMO esteve reunida na sua primeira sessão extraordinária para, dentre vários pontos de agenda, apresentar os instrumentos reguladores da agremiação, aos demais membros e simpatizantes. (Constantino Henriques)

Negócios da OJM em Nampula: Requalificação do mercado dos bombeiros desconfiada pelos utentes

Nampula (IKWELI) – Está em curso, na cidade de Nampula, a requalificação da Feira Recreativa da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), braço juvenil do partido Frelimo, uma actividade que desconforta pelos vendedores que a classificam na como sendo um negócio para a sua expulsão.

Também, conhecida como mercado dos Bombeiros, a Feira Recreativa da OJM fica localizada no bairro dos Poetas, no posto administrativo autárquico central do mais importante centro urbano do norte de Moçambique.

Os vendedores dizem que foram colhidos de surpresa com a informação da requalificação do espaço que ocupam há mais de 25 anos, e que devem desocupar as parcelas no sentido de permitir a execução das obras.

“O que está a acontecer aqui é uma situação muito triste”, disse Danilo Domingos, proprietário de uma das bancas, justificando que “estamos a trabalhar neste mercado da OJM desde 1996 e de repente, estamos a ser expulsos, de forma inexplicável, uma vez que não fomos informados formalmente sobre a alegada reestruturação do mercado. Apenas recebemos informações dos nossos inquilinos a dizer que temos de nos retirar. De princípio queriam que nos retirássemos até o passado dia 30 de Dezembro, mas recusamos porque não tínhamos uma informação sobre isso e, quando procuramos saber da situação a OJM encaminhou-nos ao partido FRELIMO”.

Recorrido o comité provincial da Frelimo em Nampula, os ocupantes ficaram a saber que existe um investidor que tem interesse em requalificar o mercado, mas que ainda não havia um contrato, daí que poderiam aguardar o desenrolar da situação. Entretanto, “surpreende-nos ainda quando vimos um comunicado colado, alegando que temos de nos retirar até o dia 30 de Janeiro corrente. Aonde está a documentação para este propósito, se não houve nenhuma negociação, nem com a OJM que é titular do espaço, muito menos o tal investidor”.

Havendo este propósito de requalificação, os vendedores entrevistados adiantam estarem a ser excluídos, embora os contratos para o uso do espaço serem firmados com a OJM. Aliás, estes lamentam pelo facto de serem retirados numa altura em que a procura de emprego é maior e, o mercado em alusão, emprega pouco mais de três mil jovens vendedores.

A dona Mariazinha, proprietária de um dos estabelecimentos comerciais, mostra-se ressentida pele facto de a OJM estar a colocar barreiras de como conseguir sustento para a sua família. Segundo ela, a organização que ordena a retirada ameaça-os para abandonarem o recinto, sob o risco de serem os agentes da Polícia da República de Moçambique a proceder.

Eliseu Carlos, outro membro da comissão do mercado dos Bombeiros, entrevistado questiona o facto de não serem envolvidos na suposta requalificação que se pretende. Ainda porque, segundo este, o que se prevê é que os vendedores abandonem o mercado para depois da reestruturação voltarem a arrendar as barracas, o que eles como vendedores e proprietários não aceitam, ao se ter em conta do contrato que já têm.

Enquanto isso, Mundefa Augusto Mundefa, Secretário Provincial da OJM em Nampula, disse que “nós temos um projecto de requalificação do mercado. Já faz tempo que andávamos a procura de parceiros para fazermos a requalificação, e quando manifestamos o interesse tivemos um apoio de um empresário que quis explorar o espaço, daí que nós colocamos as necessidades e reunidos os requisitos ao nível central da organização foi autorizada a execução do trabalho”.

Mundefa Augusto Mundefa retira a hipótese de os vendedores não voltarem a ocupar os espaços e avança que “enquanto eles vendem, nós (a OJM), também, queremos benefícios, porque o local vai prever a construção da sede da organização o que nos levou a procurar parceria. A nossa vontade não é tirar o pão aos vendedores, mas queremos que eles vendam de forma organizada. Naquele mercado não existe outro proprietário senão a OJM”.

Contudo, o representante dos jovens da FRELIMO recusa a existência de algum memorando entre a organização que dirige e os vendedores, uma vez que a maior parte deles ocuparam a chamada feira recreativa da OJM depois do incêndio que se registou no mercado dos Bombeiros. “Nós não temos nenhum memorando com os ocupantes, apenas tínhamos o memorando com o município, que há cinco anos não nos dá nada. Nós vamos parar para dar lugar ao trabalho de requalificação”. (Esmeraldo Boquisse)

Nampula regista um óbito devido a covid-19

Nampula (IKWELI) – Uma pessoa perdeu a vida, nas últimas 24h na província de Nampula, vítima da covid-19.

Segundo o comunicado diário do Ministério da Saúde (MISAU), no mesmo período, a mais populosa província do país registou o total de 32 novos casos positivos da doença, de um total de 139 amostras testadas.

Em todo o país, foram registados 18 óbitos e 1.126 novos casos positivos. Quanto a testagem, foram submetidas aos laboratórios, dentre públicos e privados, o total de 4.206 amostras.

“Queremos lamentar o registo de dezoito (18) óbitos em pacientes infectados pelo novo coronavírus. Trata-se de dez (10) pacientes do sexo masculino e oito (8) óbitos do sexo feminino cujas idades variam entre trinta e sete (37) anos de idade e 85 anos de idade. Destes, um (1) óbito foi declarado no dia 15.1.2021, sete (7) óbitos foram declarados no dia 18.1.2021, seis (6) óbitos foram declarados no dia 19.1.2021 e quatro (4) óbitos foram declarados no doa 20.1.2021”, lê-se no comunicado, cujo conteúdo estamos a citar.

Na mesma nota, consta que no mesmo período 42 crianças, com menos de 5 anos de idade testaram positivo para a covid-19, 67 dos 5 aos 14 anos de idade. (Redação)

Vendedores informais voltam a ocupar os passeios de Nampula

Nampula (IKWELI) – Na cidade de Nampula, no norte do país, depois de uma tentativa de desmantelamento dos vendedores informais que praticavam as suas actividades nas ruas e passeios da urbe, a prática voltou a ganhar dimensão nos últimos dias.

Segundo se pode observar nas ruas, esta situação tem propiciado a ocorrência de acidentes de viação na urbe, perigando assim a vida dos transeuntes.

Um dos locais que estava, quase, desocupado é o passeio da avenida do Trabalho, concretamente na zona da Padaria Nampula, onde nas últimas duas semanas os comerciantes voltaram com agressividade jamais vista, perante olhar impávido da edilidade.

O regresso daqueles comerciantes, divide opiniões na urbe. Há cidadãos que defendem o seu retorno, mas a maioria condena esta atitude, comentando que concorre para a imundice na cidade.

“A retoma destes vendedores nas ruas é uma valia, assim torna-se fácil fazer compras,porque naquela altura em que eram proibidos de venderem aqui era difícil ir aos mercados onde estavam por causa da distancia. A maior preocupação que tenho é de eles ocuparem todos passeios e não deixarem espaço para se passar, o que eu peço é que o município venha demarcar um espaço onde eles não devem ocupar”,disse a senhora Rufina António.

Enquanto senhor Davide Pedro refere que “isso é falta de urbanismo. As pessoas devem entender que isto é uma cidade e tem um código de postura. Vender em todas as ruas retira a beleza e a estética da cidade”.

Para além de acidentes, há quem teme a existencia de malfeitores que possam se aproveitar da situação para fazerem roubos uma vez que a agitação é grande.“Esta situação só veio para dar lugar aos ladrões para roubarem as nossas bolsas e celulares,porque com esta agitação é normal alguém entrar na sua pasta sem se aperceberes, isso ja havia melhorado com naquela altura em que não permitiam esta actividade de venda aqui”,apontou a senhora Manuela.

Esta desordem alegra os próprios comerciantes informais, os quais entendem que a não retira deve ser ordem do autarca Paulo Vahanle.

“O presidente Vahanle está de parabens por nos permitir retornar a este espaço,porque nos mercados não havia movimento e aqui como é no centro,e quase a maioria circula aqui, é facil vender, por isso agradecemos ao nosso presidente por pensar em nós”, disse contou Assane Momade,para depois acrescentar que “o nosso presidente estave sendo agitado para nos tirar, eu acredito que não era da vontafe dele, por isso se ele não seguir opiniões de quem quer distruir, pode contar com a vitória nas póximas eleições”.(Alfredo Célia)

Em 2020 Nampula registou mais de 2500 casos de violência baseada no género

Nampula (IKWELI) – Durante o ano de 2020, a província de Nampula, a mais populosa do país, registou a ocorrência de 2518 (dois mil e quinhentos e dezoito) casos de violência baseada no género, contra os 2084 (três mil e oitenta e quatro) registados no ano anterior de 2019.

De acordo com a chefe do Departamento de Atendimento a Família e Menor Vítimas de Violência, no comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, Margarida Cheque, esta redução em 566 (quinhentos e sessenta e seis) casos representa uma redução na ordem dos 19%.

Esta redução surpreendeu aquele departamento policial, que esperava o aumento de casos devido ao confinamento forçado pelas medidas de prevenção da covid-19.

“É um bom sinal porque demonstra que estamos a caminho de um mundo sem violência”, disse a fonte.

Num outro desenvolvimento, Cheque disse que “381 casos foram contra crianças”, e que “a nossa preocupação continua, porque as mulheres e as crianças são as principais vítimas de violência”.

A Inspectora de Polícia, Margarida Cheque, aponta como medida de prevenção da prática de crimes de violência baseada no género, a promoção de palestras de sensibilização por forma a mudança de comportamento da sociedade.

“Apelamos a todos os cidadãos a pautarem pela denúncia, mesmo que não sejam eles a sofrerem a violência, porque muita das vezes a pessoas que sofre violência tem um certo receio de denunciar então nos de fora podemos denunciar para que tenhamos um mundo livre de violência”, concluiu Cheque. (Elisabeth José)

Paulo Vahanle: Uma farsa que a Renamo “vendeu” a cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – A gestão executiva do conselho autárquico da cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, é cada vez mais obra de crítica por parte dos moradores locais, os quais se sentem defraudados pelo candidato que a Renamo os colocou como opção nas últimas eleições.

Desde a sua tomada de posse, primeiro para terminar o mandato interrompido com o assassinato do autarca Mahamudo Amurane e segundo para um mandato regular, Paulo Vahanle tem sido alvo de críticas, tanto dentro do seu próprio partido, assim como por parte dos eleitores.

Por várias vezes, o autarca já veio ao público estabelecer prazos para execuções especificas para a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, sobretudo nos sectores de saneamento e salubridade, mas nunca as cumpriu.

De forma receosa lançou obras de construção de vias de acesso, incluindo pontes, mas sem muito sucesso e sem expressão para o desenvolvimento da autarquia.

Sobre casos candentes, muitas vezes Vahanle fica no silêncio, incluindo a recente crise de água potável que assolou a circunscrição que dirige.

As aparições públicas de Paulo Vahanle são escassas, e quando sucedem é para mandar recados, ou para a Frelimo ou para o governo da Frelimo, sendo que em muitos casos é mesmo para reivindicar a não transferência de fundos pelo governo central.

Em alguns bairros há aplausos a favor de Vahanle, destacadamente parte do bairro de Mutauanha e parte de Muhala Belenenses, onde duas ruas estão sendo pavimentadas, em resultado da venda de espaços públicos sem transparência.

Em sessão extraordinária da Assembleia Autárquica de Nampula, realizada em Dezembro último, a “turma” de Vahanle decidiu por rever e colocar a aprovação novas taxas a serem cobradas aos munícipes, sem antes  haver consulta nesse sentido. E, o resultado não podia ter sido tao desastroso quanto o é. Por exemplo, o Imposto Pessoal Autárquico (IPA) passou dos anteriores 50,00Mt (cinquenta meticais) para 200,00mt (duzentos meticais), e os munícipes não foram informados disso.

Também, os funcionários afectos aos locais onde se faz a colecta e/ou pagamento dos mesmos impostos não sabem a razão da subida dos mesmos.

Não menos importante, a mobilidade rodoviária na cidade de Nampula está impossível nas últimas duas semanas, tudo por conta do não funcionamento dos semáforos.

Esta situação é motivo de conversa em todas as esquinas da cidade, incluindo cafés, transporte semi-colectivos de pessoas e bens, incluindo os bares e barracas, quando estavam abertos.

“A Renamo nos vendeu algo muito errado. Convenceu-nos a votarmos no Vahanle, mas ele não está a fazer, absolutamente, nada”, disse Óscar Danilo, residente da cidade de Nampula, acrescentando que “está difícil circular nesta cidade, porque os semáforos estão todos apagados”.

Pedro Latifo, também, desgastado com o executivo municipal pede ao partido Renamo “para que retire o senhor Vahanle da direcção do município e encontre alguém melhor”. “É que não se justifica que o presidente seja a pessoa mais ausente dos problemas da cidade. Ele não deve aparecer apenas quando lhe apetece. A cidade está toda cheia de lixo. Enfrentou uma crise de água, mas o município nunca disse nada”.

“Está difícil circular aqui na cidade. Primeiro porque aqui conduzimos muito mal, sem observância das normas de trânsito. Segundo piora quando os semáforos não funcionam e ninguém nos diz nada”, disse a senhora Justina do Rosário.

O que mais inquieta aos munícipes é o facto de a edilidade nunca se predispor a explicá-los os problemas que a cidade vive.

O que diz a edilidade?

Quanto a questão dos semáforos, o Ikweli contactou o conselho autárquico de Nampula, através do director de Comunicação e Imagem, Nelson Carvalho, o qual no primeiro contacto prometeu responder com precisão 1h mais tarde.

Depois deste prazo, insistimos ao Nelson Carvalho, o qual disse que “a EDM [Electricidade de Moçambique], sem nos informar, foi desligar a energia regular e montaram credelec. Isso foi sem nos comunicar. Ficamos surpresos quando, de repente, recebemos uma carta a informar que já há credelec e que devem passar a recarregar”.

Ao meio dia desta segunda-feira (18), momento em que, telefonicamente, entrevistamos ao director Carvalho, ele assegurou que “neste momento o presidente [Paulo Vahanle] está reunido com os vereadores do sector para tratar do assunto”. (Aunício da Silva)