Negócios da OJM em Nampula: Requalificação do mercado dos bombeiros desconfiada pelos utentes

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Nampula (IKWELI) – Está em curso, na cidade de Nampula, a requalificação da Feira Recreativa da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), braço juvenil do partido Frelimo, uma actividade que desconforta pelos vendedores que a classificam na como sendo um negócio para a sua expulsão.

Também, conhecida como mercado dos Bombeiros, a Feira Recreativa da OJM fica localizada no bairro dos Poetas, no posto administrativo autárquico central do mais importante centro urbano do norte de Moçambique.

Os vendedores dizem que foram colhidos de surpresa com a informação da requalificação do espaço que ocupam há mais de 25 anos, e que devem desocupar as parcelas no sentido de permitir a execução das obras.

“O que está a acontecer aqui é uma situação muito triste”, disse Danilo Domingos, proprietário de uma das bancas, justificando que “estamos a trabalhar neste mercado da OJM desde 1996 e de repente, estamos a ser expulsos, de forma inexplicável, uma vez que não fomos informados formalmente sobre a alegada reestruturação do mercado. Apenas recebemos informações dos nossos inquilinos a dizer que temos de nos retirar. De princípio queriam que nos retirássemos até o passado dia 30 de Dezembro, mas recusamos porque não tínhamos uma informação sobre isso e, quando procuramos saber da situação a OJM encaminhou-nos ao partido FRELIMO”.

Recorrido o comité provincial da Frelimo em Nampula, os ocupantes ficaram a saber que existe um investidor que tem interesse em requalificar o mercado, mas que ainda não havia um contrato, daí que poderiam aguardar o desenrolar da situação. Entretanto, “surpreende-nos ainda quando vimos um comunicado colado, alegando que temos de nos retirar até o dia 30 de Janeiro corrente. Aonde está a documentação para este propósito, se não houve nenhuma negociação, nem com a OJM que é titular do espaço, muito menos o tal investidor”.

Havendo este propósito de requalificação, os vendedores entrevistados adiantam estarem a ser excluídos, embora os contratos para o uso do espaço serem firmados com a OJM. Aliás, estes lamentam pelo facto de serem retirados numa altura em que a procura de emprego é maior e, o mercado em alusão, emprega pouco mais de três mil jovens vendedores.

A dona Mariazinha, proprietária de um dos estabelecimentos comerciais, mostra-se ressentida pele facto de a OJM estar a colocar barreiras de como conseguir sustento para a sua família. Segundo ela, a organização que ordena a retirada ameaça-os para abandonarem o recinto, sob o risco de serem os agentes da Polícia da República de Moçambique a proceder.

Eliseu Carlos, outro membro da comissão do mercado dos Bombeiros, entrevistado questiona o facto de não serem envolvidos na suposta requalificação que se pretende. Ainda porque, segundo este, o que se prevê é que os vendedores abandonem o mercado para depois da reestruturação voltarem a arrendar as barracas, o que eles como vendedores e proprietários não aceitam, ao se ter em conta do contrato que já têm.

Enquanto isso, Mundefa Augusto Mundefa, Secretário Provincial da OJM em Nampula, disse que “nós temos um projecto de requalificação do mercado. Já faz tempo que andávamos a procura de parceiros para fazermos a requalificação, e quando manifestamos o interesse tivemos um apoio de um empresário que quis explorar o espaço, daí que nós colocamos as necessidades e reunidos os requisitos ao nível central da organização foi autorizada a execução do trabalho”.

Mundefa Augusto Mundefa retira a hipótese de os vendedores não voltarem a ocupar os espaços e avança que “enquanto eles vendem, nós (a OJM), também, queremos benefícios, porque o local vai prever a construção da sede da organização o que nos levou a procurar parceria. A nossa vontade não é tirar o pão aos vendedores, mas queremos que eles vendam de forma organizada. Naquele mercado não existe outro proprietário senão a OJM”.

Contudo, o representante dos jovens da FRELIMO recusa a existência de algum memorando entre a organização que dirige e os vendedores, uma vez que a maior parte deles ocuparam a chamada feira recreativa da OJM depois do incêndio que se registou no mercado dos Bombeiros. “Nós não temos nenhum memorando com os ocupantes, apenas tínhamos o memorando com o município, que há cinco anos não nos dá nada. Nós vamos parar para dar lugar ao trabalho de requalificação”. (Esmeraldo Boquisse)

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