Professores reformados preocupados com a sua situação social em Nampula

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Professora em sala de aula

Nampula (IKWELI) – A situação social de professores reformados na província de Nampula, no norte do país, é preocupante, muitas vezes estando, a sua maioria, voltada a pobreza absoluta.

E para colmatar e minimizar as dificuldades que enfrenta este grupo de profissionais, nasceu este ano a Associação dos Professores Reformados de Moçambique (APREMO).

Com poucos dias de existência, a APREMO conta com 30 membros na sua maioria fundadores da agremiação, número que se espera que venha disparar assim que a organização for do domínio público e tendo em conta o grosso número dos profissionais de educação abrangidos pela reforma em Nampula.

“Nós fomos reflectindo a nossa situação, como professores reformados, de que de facto se nós formos organizados alguns problemas que temos enfrentado no dia-a-dia estaríamos em condições de resolver alguns deles, foi daí que nós pensamos e nos organizamos, através desta Associação de Professores Reformados de Moçambique”, disse Jeremias Amade Naface, presidente do conselho de direcção da APREMO.

Com génese na cidade de Nampula, o presidente da APREMO fez saber que a curto, médio ou longo prazo, a ccolectividade terá representação em todo território moçambicano, visto que “quando fizemos um levantamento em todo o país, fomos encontrar a mesma tónica em termo de choro quando o professor reforma. Quando está desligado do aparelho do estado, ele (o professor) passa por várias consequências, ele é esquecido, o estado esquece essa pessoa que tanto fez para o país”, disse Naface, acrescentando que “o que pretendemos é que, realmente, fazer perceber a todos aqueles que pensam que reformar é um fim, mas nunca é um fim. Reformar é algo de reconhecimento e isto está plasmado na lei que quando tem uma determinada idade tem que ir descansar”.

Segundo clarificou Jeremias Amade Naface, a APREMO não nasceu com o fim de reivindicação, mas sim “uma associação humanitária que quer apoiar aos outros colegas professores reformados, porque muitos colegas, sobretudo aqueles que vivem lá nas zonas recônditas, quando vão a reforma pensam que são incapazes de fazer algo, e passam a vida a beber e levam uma vida miserável, mas hoje somos o que somos graças ao professor, então, porque não esta sociedade ter que reconhecer este papel?”, questionou, para reiterar que “esta associação veio para constituir mais uma força complementar do governo”.

“Quando o professor é reformado é logo apagado do sistema, e ninguém sabe onde ele está, como está, o que está a fazer, todas essas situações. Então, é isso que nós pensamos que iríamos fazer alguma coisa em prol do desenvolvimento deste país continuando a fazer alguma coisa, não na sala de aulas, mas noutras vertentes”, precisou Jeremias Naface.

Alguns membros fundadores da APREMO acreditam, igualmente, que aquela agremiação poderá fazer diferença na vida dos professores reformados, de modo em particular os que aderirem a organização.

Augusto dos Santos Tauancha, um dos membros fundadores e presidente da mesa da Assembleia, precisou que “a nossa expectativa é forte para nós, porque estamos de facto muito conformados e sérios para ouvir a voz dos professores reformados ao nível nacional, achamos que é uma preocupação dos professores reformados ao nível nacional. Acreditamos que essa voz dos reformados, que tem um invólucro de conhecimentos e experiência sofridas, esteja ao alcance dos outros”, acrescentando que “temos experiências que os professores reformados estrangeiros fizeram flúor ao nível da província de Nampula”.

Para Maria Paposseco, outro membro da APREMO, reiterou que “esta associação tem por objectivo ajudar o professor reformado, aquele que está lá deitado no lixo, porque nós estamos a nos sentir já pessoa sem voz, mas ainda temos muito para dar neste país, somos capazes”, disse a professora reformada desde 2016 e actualmente contratada numa escola particular. “Assinei um contrato numa escola privada, onde ainda ponho as crianças a ler, a escrever e a contar”, ironizou sorridente a nossa interlocutora.

Refira-se que no último sábado (23) a APREMO esteve reunida na sua primeira sessão extraordinária para, dentre vários pontos de agenda, apresentar os instrumentos reguladores da agremiação, aos demais membros e simpatizantes. (Constantino Henriques)

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