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Viúva forçada a abandonar casa pela sobrinha do falecido marido

Nampula (IKWELI) – Uma idosa de mais de 60 anos de idade, viúva e residente no bairro de Mutauanha, nos arredores da cidade de Nampula, está sendo forçada a abandonar a sua casa pela sobrinha do falecido marido, alegadamente por não ter procriado com o finado.

Segundo conta a viúva, Angelina Joaquim, viveu em união de factos com o seu falecido marido por pouco mais de 40 anos, até que a morte os separou.

Todavia, neste período, a sobrinha que exige a sucessão dos bens do tio viveu com ambos por cerca de 20 anos.

Angelina conta que, após a morte do marido, em 2020, os outros parentes do mesmo carregaram tudo o que tinha no interior da casa, deixando-a a sua sorte, até que chegou o momento desta sobrinha querer vender o que resta.

“Eu e o meu falecido marido compramos tudo juntos. Lembro-me bem quando compramos esse espaço, era tudo mato. Deus não nos deu filhos, nem dentro e nem fora do casamento até a morte dele, tudo que conseguimos foi junto, e não sei onde vou ficar se eu for expulsa dessa casa”, disse a senhora, acrescentado que “de princípio, pensei que ela queria vender a casa e comprar para mim uma outra em um lugar qualquer, afinal não era isso, ela quer vender a casa e ficar com todo o dinheiro”.

A senhora, preocupada, questiona: “e eu onde vou parar? vai me expulsar da minha casa porque Deus não nos deu filhos? Que culpa temos?”.

Esta situação está a comover os vizinhos da viúva, os quais classificam o comportamento da sobrinha como pura maldade. “Desde que vivo nesse bairro, conhecia esse casal, eram cúmplices e essa sobrinha que hoje quer vender essa casa foi criada com essa senhora, cresceu nas mãos dessa senhora, mas hoje quer tirar a única coisa que ela tem de valioso, isso não está certo”, comentou, em entrevista ao Ikweli a senhora Julieta Azarias.

O senhor Abílio Augusto é outro vizinho que não concorda com a acção da vizinha, e afirma que “essa senhora não tem filhos, e ela já é idosa onde ela vai parar se venderem essa casa? Pelo menos, aqui ela tem vizinhos que a consideram como uma avó, quando estiver doente podemos socorrer para o hospital, mas estando distante como vai ser ajudada”.

Estudiosos em matéria de direito deixam claro que, legalmente, a viúva é a legítima sucessora do seu marido, por ser sucessora do mesmo nos termos da Lei das Sucessões em vigor na República de Moçambique.

O professor universitário de direito civil, Bogaio Nhancalaza, comenta que “a nova lei das sucessões já protege os herdeiros legítimos e mesmo a antiga lei de sucessão já protegia essas situações de união de facto. Na união de facto, quando um companheiro morre, quem herda os bens é o cônjuge, nesse caso a companheira ou o companheiro que estiver vivo e os descendentes. Especificamente, no caso da senhora, não havendo filhos, ela fica herdeira universal. Com os elementos que recebi de que o falecido morava com a senhora desde jovem, os bens adquiridos são bens comum, e do regime dos bens adquiridos morreu o senhor ela é herdeira universal”, prosseguindo que, “no entanto, não tem sobrinha, nem sobrinho, nem primo a vir reivindicar um imóvel que está no património do casal, porque os herdeiros da primeira classe são os cônjuges e seus descendentes”.

Por esse motivo, o Dr. Bogaio Nhancalaza defende que a “se tiver alguém a ameaçar a sua propriedade, ela deve abrir uma providência cautelar não especificada, para que essa sobrinha não traga essa conduta de retirar a senhora o imóvel, e mais tarde abrir uma acção de reconhecimento de propriedade do imóvel porque ela é herdeira universal. Ainda que o tribunal entenda que não estão preenchidos os requisitos há muitas dúvidas e a um espaço para recorrer e manifestar a sua posição”. (Elisabeth José)

Deslocados da guerra de Cabo Delgado provocam pressão no atendimento hospitalar em Nampula

Nampula (IKWELI) – Enfermeiros do distrito de Nampula, no norte do país, defendem o aumento do efectivo daqueles profissionais de saúde para garantir um atendimento de qualidade e humanizado aos cidadãos, cuja demanda tem vindo a aumentar com a chegada de deslocados da guerra de Cabo Delgado.

O distrito de Nampula, recorde-se, é um dos principais pontos da província que acolhe muitas famílias deslocadas devidos aos ataques terroristas na vizinha província de Cabo Delgado, facto que concorreu na alteração precoce do seu quadro demográfico. É por essa razão que os enfermeiros, nesta parcela moçambicana, exigem às autoridades governamentais a dar maior atenção a este ponto, sobretudo no provimento de mais profissionais de saúde para se adequar com a actual realidade.

Estima-se que ao nível do distrito de Nampula, existem mais de novecentos e trinta mil (930000) habitantes, sem incluir os deslocados, os quais são assistidos por quatrocentos e quarenta e sete (447) enfermeiros, distribuídos pelas 24 unidades sanitárias existentes, o que faz com que 2000 cidadãos estejam a depender de um enfermeiro.

“O número ideal, olhando pela demanda da nossa população, nós podíamos falar mais de 1000 enfermeiros no distrito. Nós temos os nossos compatriotas que estão a vir de Cabo de Delgado, e temos, exactamente, que tentar nos arranjar, ver se podemos acolher os nossos irmãos que vem de Cabo Delgado, e prestarmos cuidados de qualidade e humanizados”, disse Belmiro Pedro, representante da Associação Nacional dos Enfermeiros de Moçambique (ANEMO), em Nampula, por ocasião do dia internacional dos enfermeiros que se assinalou nesta quarta-feira (12).

A mesma posição foi comungada por Froi Borges Froi, Médico chefe da cidade de Nampula, para quem “nós sabemos muito bem que a enfermagem é uma profissão mãe, é uma profissão que está em contacto directo, está mais tempo com o doente, está a fazer uma ligação com outros grupos de trabalho na área de saúde, então precisamos de aumentar a nossa equipa para melhorarmos a posterior o tratamento, o cuidado que todo nosso paciente merece nas nossas unidades sanitárias”.

“Apesar do número dos enfermeiros que o distrito de Nampula possui (447), parecer suficiente, para o melhor atendimento devemos aumentar esse número porque, se formos a aumentar, nós estamos a diminuir o tempo de espera no atendimento do doente”, reiterou Froi Borges.

Outra velha preocupação dos enfermeiros, no distrito de Nampula, tem a ver com a morosidade nos actos administrativos, como a mudança de carreira, promoções e progressões, a necessidade de se rever o próprio quadro de remuneração daqueles profissionais, bem como a insuficiência de material de trabalho com destaque para material cirúrgico.

“Segundo aqueles que são os actos administrativos, pensamos nós que de dois em dois anos deviam acontecer os actos administrativos, progressões e promoções. Neste momento temos alguns colegas enfermeiros que não se beneficiam exactamente dessas progressões e promoções, isso verifica-se. Nessas 24 unidades sanitárias há desafios e nós temos que ir atrás disso, temos que colaborar, comunicar com as autoridades governamentais, os parceiros de cooperação e aqueles que são os decisores políticos”, referiu Belmiro Pedro.

“Nós sabemos que trabalhamos muito e, aquilo que é a remuneração não vai ao encontro daquilo que é o nosso trabalho. Nos fazerem elevar, nós como pessoal da saúde. O que peco é que o nosso governo junto do nosso ministério é que percebam que nós trabalhamos e merecemos muito mais, é por aí”, precisou a enfermeira Sónia João.

Para Luciana Vicente, outra enfermeira “nós, neste momento, estamos a enfrentar muita falta de material cirúrgico. Não é culpa das unidades sanitárias, deveu-se a pandemia, uma vez que somos um país pobre e que dependemos dos apoios de outros países, mas estamos a trabalhar”.

Para este ano, o dia internacional dos enfermeiros é celebrado sob o lema “Enfermeiros: uma voz para liderar, uma visão para o futuro dos cuidados de saúde”.

“Com este lema pretende-se transmitir que o enfermeiro é comunicativo, defensor dos direitos Humanos, que deve interagir com as lideranças governamental, comunitária, decisores políticos e investidores, para a superação dos desafios do desenvolvimento do milénio, na melhoria das condições de trabalho, condições salariais, e fornecer evidencias necessárias para convencer os outros de que a saúde é um direito consagrado pela Constituição da República de Moçambique, que só assim caminharemos para melhor transformação dos sistemas de saúde e cuidados de saúde, que significa não apenas a disponibilidade de serviços de saúde, mas um estado completo de saúde físico e mental que permite a uma pessoa levar uma vida social e economicamente produtiva”, enfatizou Belmiro Pedro, representante da ANEMO, em Nampula.

Refira-se que ao nível da província de Nampula, as cerimónias centrais do dia Internacional do Enfermeiro, tiveram lugar no distrito de Mogovolas. (Constantino Henriques)

Cáritas Diocesanas assistem perto de 40.000 famílias de deslocados internos em Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – A Cáritas Diocesanas, uma organização da igreja católica, assistiu, na cidade de Pemba, desde Janeiro do corrente ano até a esta parte cerca de 40000 (quarenta mil) famílias deslocadas em consequência do conflito armado que assola os distritos do norte da província de Cabo Delgado.

De acordo com Manuel Mota, director da Cáritas Diocesanas em Pemba, a maioria dos deslocados são crianças e mulheres que chegam a capital de Cabo Delgado a procura de segurança.

Esta fonte refere que o ataque a Palma fez muitas vítimas mortais, incluindo deslocados internos que não sabem o que fazer e nem onde ir.

“A Cáritas não tem o número fixo de apoiados, ou seja, não fixa um número para dizer que vamos apoiar tantas famílias apenas. Não temos fronteiras, procuramos ir em todos os lados dentro das nossas possibilidades, sobretudo, onde não tenha havido algum apoio humanitário, ou as organizações humanitárias internacionais não podem ir por questões de protocolo de segurança”, disse Manuel Mota, para quem “o número que temos atendido desde Janeiro do ano em curso, até este momento, ronda perto de 40.000 (quarenta mil) famílias que já apoiamos, não só em alimentos, como também vestuário, quites de higiene e mais”.

Mota disse a nossa reportagem que a Cáritas, como igreja, atende todos os deslocados internos. Todavia, o maior destaque está nas crianças e mulheres que representam uma média de 75 por cento quando comparado com os homens.

Ele disse ainda que a organização que representa não recebe os deslocados internos, apenas actua depois de estes serem recebidos e registados pelas autoridades governamentais em coordenação com as outras organizações humanitárias internacionais.

Contudo, a Cáritas sendo um organismo humanitário, dependendo da sua disponibilidade em termos de recursos, manifesta o interesse de colaborar em certas actividades com o governo para a área de segurança alimentar que consiste na distribuição de alimentos, meios de vida [distribuição de instrumentos para a criação de actividades de geração de renda], saneamento do meio, abrigo, nutrição e mais.

Na componente de abrigo, o interlocutor refere que a Cáritas faz a distribuição do material para a construção de abrigos temporários, assim como cobertores, esteiras e kits de cozinha.

No centro de reassentamento de Mecurane, distrito de Chiúre, por exemplo, estão a ser construídas casas definitivas do Tipo 1, embora o doador chame isso de abrigo temporário, mas para os beneficiários serão definitivos. Os abrigos são feitos de material local e a cobertura de chapa de zinco de maior espessura.

Igualmente, “vamos construir mais um total de 265 (duzentas e sessenta e cinco) casas do Tipo 2 no centro de reassentamento de 3 de Fevereiro, em Mecúfi, nesta província de Cabo Delgado. .No sector de nutrição, Mota informou que “medimos o perímetro braquial para ver o nível de nutrição das crianças dos 0 aos cinco anos, e havendo petizes que precisam de um acompanhamento específico, encaminhamo-los para os serviços distritais da saúde, mulher e acção social para os tratamentos subsequentes”.

Para a assistência alimentar o director deu a conhecer que é privilegiado um kit composto por 25 quilogramas de farinha de milho e arroz, sete quilogramas de feijão, quatro litros de óleo de cozinha purificado e dois quilos de sal iodado para cada família. Para ele, a Cáritas considera família um grupo de cinco membros, e em casos de existir uma família que seja composta por 10 pessoas dá-se dois kits, para cobrir o período de trinta dias.

A fonte avança que a entrega de donativos é feita, em muitas vezes, através de depósito de produtos por via dos grandes estabelecimentos comercias instalados na cidade de Pemba e faz-se o levantamento nas zonas de destino. “Se nós queremos fazer uma acção humanitária em Mueda, por exemplo, não precisamos de sair de Pemba para Mueda, fazemos o depósito dos produtos que pretendemos dar e os padres que estão noutras regiões em coordenação com as Cáritas a nível das paróquias, levantam os produtos, fazem a distribuição e nos enviam os registos para efeitos de monitoria”, explicou.

Ao Ikweli, o director da Cáritas Diocesana de Pemba, na província de Cabo Delgado, garantiu que o braço humanitário da igreja Católica já dispõe de kits alimentares nos seus armazéns para atender cerca de 2.500 (duas mil e quinhentas) famílias pelo menos até o fim mês de Maio em curso. (Esmeraldo Boquisse)

Na celebração do Eid Ul-Fitr: Líder da Nova Democracia dedica pensamento de pesar e dor as vítimas do terrorismo em Cabo Delgado

Maputo (IKWELI) – O líder do partido Nova Democracia (ND), Salomão Muchanga, na sua mensagem de saudação aos muçulmanos por ocasião do fim do ramadan, dedica linhas de pensamento de pesar e de dor as vítimas do terrorismo em Cabo Delgado.

Nesta celebração do Eid Ul-Fitr, Salomão Muchanga deseja que “todos os deslocados encontrem a esperança”.

“É para mim um grande prazer dirigir-vos a minha saudação, por ocasião da celebração do Eid Al-fitr, que simboliza o fim do Jejum do Ramadão, mês dedicado a meditação, orações e ajuda aos necessitados”, lê-se na mensagem distribuída a imprensa nesta quarta-feira (12).

Por esta ocasião, prossegue o líder, “quero em primeiro lugar saudar a todos os muçulmanos moçambicanos, dentro e fora do País e desejar que a celebração decorra num ambiente de verdadeira paz, harmonia e concórdia Nacional”.

É consciência do líder Muchanga que “este ano, de novo, o Eid Al-fitr acontece num momento em que a atenção está virada para a prevenção e o combate ao Covid19, uma Pandemia que assola a Humanidade e que veio alterar a Ordem Mundial Instituída”.

Por fim, o político faz votos de que “as forcas que todos os fiéis muçulmanos receberam de Allah durante este período de Jejum e reflexão, sirvam de alavanca para a valiosa contribuição para o progresso de Moçambique e justiça social”. (Redação)

Padrasto indiciado de violar sexualmente sua enteada em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um indivíduo, com pouco mais de 40 anos, de idade é indiciado de ter violado sexualmente a sua enteada de, apenas, 10 anos de idade na zona residencial de Saua-Saua, no mais populoso bairro do país, Namicopo.

A menor diz estar a sofrer ameaças de morte, de forma a servir os apetites sexuais doentes do seu padrasto, mas mesmo assim decidiu por denunciar.

O acto, segundo informações colhidas pelo Ikweli, ocorreu recentemente no regulado de Namicheca, onde na ausência da esposa, o indiciado aproveita-se para violar a menor.

Nyelete Maxmiliano (nome fictício), vítima do acto macabro, conta que o seu padrasto a violou sexualmente por quatro vezes, ou seja, quatro dias, ameaçando-a para não contar a ninguém, sob risco de ambos serem levados a cadeia. Ademais, o suposto violador informou a vítima que o acto sexual seria frequente nos próximos tempos, mesmo que a menor tivesse o seu lar depois de atingir a maioridade.

“Isso começou a acontecer lá em casa onde vivemos. Ele iniciou-me na machamba, nesse dia estávamos só nós os dois, porque era hábito irmos a machamba juntos. Ele ordenou para me deitar no chão e começou a fazer sexo comigo. Segunda vez foi em casa, o meu padrasto saia do quarto e vinha até a sala, tudo quando a mãe dormia”, conta a menor, para quem “outro dia apareceu e começou a me arrancar a capulana na qual eu me cobria e eu mostrei resistência, só que sempre ao acordar deparava-me com a minha roupa molhada pelo sémen e dores no meu órgão genital”.

Para se descobrir o acto, segundo contou a menor, foi porque o tio estranhou a forma como a menor se apresentava e por isso decidiu perguntar.

A menor diz que, sempre, contou a mãe que mantinha relações sexuais com o padrasto, mas contra a sua vontade e ela nada fez para reverter o cenário, apenas segredou pelos cantos.

A pequena Nyelete, que frequenta a 3ª classe naquela circunscrição, revela que o seu desejo é ver o violador responsabilizado pelo acto cometido porque sempre a forçou. Quem apenas se pronunciou em torno do caso é o tio que depois de descobrir, preferiu transferir a menor de Saua-Saua para Namiepe, posto administrativo de Namicopo, cidade de Nampula.

“Pode ser detido eu não tenho nada a ver. Ele quis se aproveitar de mim e ainda mais foi contra a minha vontade. Eu nunca gostei do que estava a acontecer, porque se gostasse nem contaria ao meu tio quando ele me perguntou, poderia ficar calada ou mesmo recusar”, disse a vítima.

A nossa reportagem entrevistou o senhor E. Salimo, primo da vítima que disse ter denunciado o caso à uma associação que trata da violência sexual de menores, na altura em que ele tomou conhecimento do mesmo. Por sua vez, este organismo encaminhou o caso à uma subunidade policial localizada no posto administrativo de Namicopo.

Sem gravar a entrevista, a mãe da menor contou ao nosso repórter que quando se apercebeu do incidente tratou de questionar o seu marido se era verdade o que estava a ser acusado. Porém, este recusou-se a assumir o acto.

Soubemos ainda que o tio materno da menor aconselhou aos envolvidos a enveredarem por um tratamento costumeiro do caso.

Neste momento, o caso está tendo seguimento a partir da 5ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), localizado em Namiepe, de onde os resultados médico solicitados para o início do processo indicaram que houve penetração no órgão genital da vítima. (Esmeraldo Boquisse)

Manuel Tocova suspenso do MDM

Nampula (IKWELI) – O polémico e então autarca interino da cidade de Nampula, Manuel Tocova, foi suspenso da posição de membro do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) em consequência de se ter rebelado contra a substituição de Vasco Napaua na direcção da formação política no maior círculo eleitoral país.

Na companhia de Tocova, também, foram suspensos Américo da Costa da Iemenle (que também foi autarca interino em substituição de Tocova), Maria Luísa Marroviça (membro da Assembleia Municipal da cidade de Nampula), Sismo Eduardo, Trinta Vicente, Calaveta, Isildo, Zito, incluindo Luciano Tarieque que já desempenhou as funções de delegado político ao nível da cidade de Nampula.

Este grupo e mais outros foram suspensos em Novembro de 2020 pelo Conselho Jurisdicional, mandatado, para o efeito, pelo malogrado Daviz Simango.

Os visados andam revoltados, e na altura dos factos tentaram se apoderar das instalações da delegação provincial, exigindo a retirada de Napaua no posto que se lhe tinha confiado.

Fontes do partido apontam que o grupo em alusão pretendia desestabilizar a delegação provincial de Nampula, por isso achou-se bem a sua suspensão.

Refira-se que, nos últimos tempos, com a adesão de Rachade Carvalho ao partido Nova Democracia, muitos membros do MDM abandonaram o galo para se juntar ao novo partido. (Sitoi Lutxeque)

Chaquir Bemat já não é treinador do Ferroviário de Nampula

Nampula (IKWELI) – A direcção do Clube Ferroviário de Nampula demitiu, na última segunda-feira (10), Chaquir Bemat, do comando técnico da equipa sénior masculina em futebol, cargo que vinha exercendo desde o ano passado, em consequência da onda de maus resultados que a colectividade vem registando na presente edição da maior prova futebolística moçambicana.

A informação sobre o despedimento de Chaquir Bemat do comando técnico do Ferroviário de Nampula foi conformada ao Ikweli pelo próprio treinador, entendendo que sai do clube com cabeça erguida.

“A informação de que fui despedido é verdadeira por isso, neste momento, não estou disponível porque estou a tratar do processo para o meu regresso (a Maputo)”, disse Chaquir Bemat, para quem enaltece a prontidão de alguns jornalistas desta parcela moçambicana na cobertura dos diferentes momentos vividos pela sua equipa. “Obrigado por sua colaboração, trabalhamos juntos”, disse Bemat sem muitas palavras.

Recorde-se que nas cinco jornadas do Moçambola deste ano, o Ferroviário de Nampula conseguiu, apenas, três dos 15 pontos possíveis, fruto de quatro derrotas e uma vitória, sendo que a última derrota deu-se no passado domingo (9) diante do Ferroviário da Beira por 1-2, a contar para a quinta ronda da prova.

Para além dos maus resultados, o modelo desenvolvido pelo mister Chaquir Bemat sempre foi contestado pelos amantes do futebol desta parcela moçambicana. Aliás, os resultados menos conseguidos foram associados pela forma como a equipa abortava as partidas, caracterizado por um futebol apoiado e em bloco, sem jogadas de profundidades.

“Para mim sinto que a equipa tem mais proveito com este modelo. Não podemos pegar os erros individuais, temos que olhar o próprio sistema do jogo. Temos que olhar situação da organização, se calhar defensiva, melhoramento em termos de aproveitamento de oportunidades e na criação das próprias oportunidades. Eu não acho que o modelo esteja a interferir, aliás, o modelo até cria um certo conforto aos próprios jogadores de poderem se adaptar rapidamente. Para um jogador da qualidade do futebol moçambicano fica um bocadinho difícil quando a gente bate sempre a bola para afrente, temos que disputar, não temos essa compleição física, então é muito mais fácil quando jogamos apoiados, procuramos as costas, mas de uma forma organizada”, recuperamos uma entrevista do passado mês de Fevereiro, por onde o Mister Chaquir Bemat defendeu o seu modelo de jogo como que tarde que fosse traria resultados promissores aos axinenes de Nampula.

“O futebol é um bocadinho irónico, porque se a gente estivesse a jogar nada e a ganhar estaria tudo bem, mas sem jogar nada algum momento iríamos perder porque não estávamos a construir, agora estamos a construir para que quando começarmos a ganhar só termos uma base para andar. Então o futebol é um bocadinho disto, é como se estivesse a pôr uma casa rapidamente porque queremos viver para depois ela cair não é possível, não estamos a dizer que estamos a perder propositadamente, não, nós estávamos a criar isto para conciliar as duas coisas, de princípio, não foi possível, mas não vamos desistir, vamos procurar de todas maneiras possíveis no nosso melhor para tentar aliar esta qualidade e o resultado”, disse Chaquir Bemat.

Entretanto, a direcção do clube ainda não se pronunciou a respeito deste assunto. Aliás, segundo fontes ligadas ao clube Ferroviário de Nampula, que preferiram falar ao anonimato, afirmam que o despedimento sem aviso prévio ao mister Chaquir pode ter sido por imperativo do novo Director Executivo da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), em Nampula, principal patrocinadora daquela agremiação.

Segundo apuramos, o novo Director executivo tem vindo a receber, no seu gabinete de trabalho, muitas queixas, por parte dos sócios do clube, sobre a gestão menos conseguida do conjunto dos axinenes de Nampula, que em parte afecta até o balneário.

“É uma decisão que colheu-me de surpresa. Se dependesse de mim, a equipa técnica devia merecer mais uma oportunidade tendo em conta que vem duma paragem da prova. Perdemos da maneira como perdemos e todo o mundo viu, a equipa esteve bem, mas, infelizmente perdemos, esta não seria o tempo ideal para despedir a equipa técnica”, disse uma das nossas fontes.

Com a saída de Chaquir Bemat, Artur Macassar (Turito), que foi treinador adjunto, poderá assumir o trono. (Constantino Henriques)

INAE ordena a suspensão de actividades do Instituto de formação de professores Muniga por suspeita de ilegalidade

Nampula (IKWELI) – A Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE), delegação da província de Nampula, no norte do país, ordenou a suspensão das actividades do Instituto Privado de Formação de Professores Muniga, localizado nos arredores do maior centro urbano da região.

O motivo do encerramento é a falta de documentos que autorizam o funcionamento da instituição, cuja direcção está renitente no cumprimento da medida, entendido que depois de uma primeira acção decidiu, unilateralmente, por retomar as suas actividades lectivas.

Igualmente, o primeiro aviso de suspensão de actividades que tinha sido colado na secretária da instituição, pela equipa da INAE, foi removido, e do lado do Instituto Muniga não há explicação plausível.

“Estamos numa situação de suspeita de que este estabelecimento de ensino não tenha documentação que prova a sua legalidade. Então, foi feito um trabalho multissectorial com o Serviço Provincial dos Assuntos Sociais, Inspecção da Educação e a INAE onde aferiu-se que a mesma ainda não continha os documentos da sua legalidade. Face a esta situação, a Inspecção Nacional das Actividades Económicas, nos termos da sua competência e tratando-se de uma actividade económica o passo subsequente, numa primeira fase, foi suspender a actividade até que pudessem apresentar a sua legalidade”, disse na ocasião, 5 de Maio, Muaruri Abílio, Inspector da INAE, delegação provincial de Nampula.

O inspector Muaruri Abílio que, também, assume o cargo de chefe do Departamento da Educação, Cultura e Desporto na instituição disse que depois de se estampar o termo de encerramento na primeira vez, que colocava em suspensão todas as actividades daquele estabelecimento, o mesmo (termo) foi retirado assim que a equipa de inspectores abandonou o local.

Contudo, “estranhamente, tendo sido estampados os termos de encerramento o estabelecimento continuou a trabalhar, naturalmente, depois de retirar os termos colados no seu edifício. De novo viemos cá para fazer a segunda fase do trabalho que, também, consiste no encerramento da instituição”, continuou a fonte, que prossegue que “numa primeira fase, a instituição não apresenta o alvará. Aliás, por causa da retirada do termo estampado ontem (quarta-feira), estes incorrem ao crime de desobediência”.

De acordo com a fonte, o Instituto Privado de Formação de Professores Muniga é uma instituição que desde está a pautar pela desobediência, uma vez que em finais do ano passado o Serviço Provincial de Assuntos Sociais já teria suspendido a realização das actividades na Muniga.

Todavia, a INAE estabeleceu o prazo de cinco dias para que a instituição possa apresentar a documentação exigida, mas não havendo este pronunciamento e apresentação dos documentos, elaborar-se-á um relatório para a entidade licenciadora o que culminará com o encerramento definitivo da mesma.

No acto da assinatura da notificação que teve lugar numa das salas do Instituto Privado de Formação de Professores Muniga, o Ikweli captou excertos pronunciados por uma das representantes do estabelecimento que indicam que “ontem (05 de Maio) haviam dito que até as 14 horas de hoje é que devíamos retirar os colegas no estabelecimento de trabalho, e estamos mesmo a aguardar os resultados. Mas a partir de amanhã (sexta-feira, 07 de Maio) iremos encerrar as nossas portas aguardando as orientações subsequentes”.

Quando questionados do porquê da retirada dos termos do encerramento colado no edifício daquela instituição, os representantes responderam que não fazem ideia de quem o terá feito. “Até as 17 horas do primeiro dia, o termo de encerramento ainda continuava colado e não sabemos quem retirou. O nosso director continua doente”.

Através de uma equipa da TV Muniga, alegadamente para tentar salvaguardar a imagem da instituição, dois trabalhadores contactaram a direcção do Ikweli, supostamente, para encontrar um espaço da colocação da reacção do Presidente do Conselho de Administração da empresa, mas até ao fecho desta matéria não mais se pronunciaram depois de termos esperado por mais de cinco dias.

O que disseram aos estudantes

O Ikweli apurou que para os estudantes, a direcção do Instituto Privado de Formação de Professores Muniga informou que a suspensão das aulas deve-se a uma suspeita de casos positivos da covid-19 na instituição.

“Boa noite. Há suspeita de Covid19 no nosso Instituto! INAE, após ter feito uma inspecção no IPFP constatou que a nossa instituição não segue rigorosamente as medidas de prevenção contra a covid19, havendo desta forma a maior probabilidade de contaminação. Nisso, a equipa afixou panfletos com a seguinte mensagem: “Encerrado temporariamente”! A mensagem alarmou todos os actores incluindo Formadores, pais, parece associar-se a questão de alvará que tem criado pânico no nosso dia-a-dia. Mas na verdade trata-se apenas de um encerramento de curto prazo que visa dar lugar ao trabalho de limpeza e desinfecção da instituição. Portanto, vamos aguardar o retorno das aulas na próxima semana e para o efeito fiquemos atentos ao WatsApp, onde poderemos receber a informação relativa ao regresso à Escola”, esta é a mensagem que foi colocada a disposição dos formandos justificando a suspensão das actividades da instituição.

Para além do desespero provocado com a suspensão das actividades daquela instituição, agora o pânico é maior porque os estudantes e outros utentes precisam saber da sua situação em relação a covid-19.

Entretanto, o Ikweli contactou as autoridades da saúde em Nampula. Através do chefe do Departamento da Saúde da Comunidade no Serviço Provincial da Saúde, Dr. Geraldino Avalinho ficamos a saber que o governo não tinha a informação em referência.

“Não tenho a informação”, disse Avalinho, concluindo que “se tivéssemos os nomes dos casos suspeitos faríamos o cruzamento com a nossa base de dados”. (Texto: Aunício da Silva e Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)

Nível de pobreza contribui na não resolução definitiva do conflito armado em Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – A Comissão Episcopal de Justiça e Paz, da igreja católica em Moçambique, entende que a pobreza tem sido um indicador bastante para que não se encontre uma solução definitiva do conflito armando no país.

“A não resolução definitiva do conflito armado está acentuando o nível de pobreza e ofusca o sonho de desenvolvimento, o que cria descontentamento de revolta e isso pode ser um foco para origem de um outro conflito que dizima a espécie humana que já está sendo reduzida pelos insurgentes”, refere uma nota distribuída por aquela organização religiosa, da qual ainda se pode extrair que “a maior concentração na defesa do negócio de gaz e petróleo em detrimento da defesa de vida de milhares de moçambicanos induz-nos a acreditar que a primazia do Estado é defender os lucros e bem-estar para um pequeno punhado de gente já abastada”, ainda que “sem vida numa região e sem recursos humanos locais é impossível e absurdo catapultar o desenvolvimento”, por isso “a primeira luta seria de pôr fim ao conflito armado, investir na área de social e de infraestruturas, definir estratégias para uma exploração eficaz e segura dos recursos, onde os lucros farão sentir na melhoria das condições de vida das pessoas humanas residentes no local. E uma aposta na educação dos jovens seria uma aposta estratégia”.

Entende a Comissão Episcopal da Justiça e Paz “há ligação lógica entre uma juventude alienada e as diferentes formas de insurgência tais como a criminalidade, o terrorismo e o extremismo político e religioso”.

“Portanto, assistimos, com todas estas constatações, um agudizar da crise humanitária em Cabo Delgado, uma crise que ameaça alastrar-se a outros pontos do país e da região. Não faz mais sentido parar e não fazer nada, pois estamos implicados todos. Precisamos explorar e perceber os contornos da crise humanitária que hoje assistimos em Cabo Delgado, e salvarmos o que ainda for possível salvar. Em relação ao papel do Governo, vários apelos já se têm feito no sentido de se fazer presente e actuante, de cumprir o seu papel. Mas nós, como Igreja, precisamos acolher e cuidar da vida daqueles nossos irmãos que tiveram que se retirar das suas casas, porque viram tudo a ser destruído”, conclui a nota assinada pelo bispo de Nacala, Dom Alberto Vera Arejula, presidente da Comissão Episcopal de Justiça e Paz. (Aunício da Silva)

Diante do Ferroviário da Beira: Locomotivas de Nampula descarrilam por 1-2 no regresso do Moçambola

Nampula (IKWELI) – A equipa do Ferroviário de Nampula averbou na tarde de ontem, domingo (9), diante do seu homónimo da Beira por 1 a 2 a contar para a 5ª jornada do campeonato nacional de futebol onze da primeira divisão, o Moçambola 2021.

Esta jornada, marcou o regresso da principal prova futebolística nacional, depois de uma paragem por cerca de três meses, em cumprimento das medidas adoptadas pelo governo moçambicano na contenção da propagação da covid-19.

O golo do Ferroviário de Nampula foi marcado por intermédio do avançado Sala, a passagem do minuto 19 do tempo complementar.

Para os visitantes do Chiveve, os golos foram marcados por Dayo e Mafaite, respectiva nos minutos 45 e 58 da partida.

Em termos de presença no reduto, o Ferroviário de Nampula teve um bom desempenho, e durante a primeira parte criou quatro oportunidades que poderiam ter dado em igual número de golos, mas os problemas de finalização continuam a perseguir os pupilos de Chaquir Bemat.

Tímido, mas certeiro, o Ferroviário da Beira apenas acordou diante dos ataques do seu adversário que o havia encurralado. Neste despertar, os locomotivas do Chiveve saíram felizes por precisão no capítulo da finalização.

O treinador do Ferroviário da Beira, Aquil Marcelino, reconhece a qualidade do seu adversário, entendendo que o mesmo deu trabalho para a conquista dos três pontos, objectivo central da deslocação da sua turma para o santuário 25 de Junho, no bairro de Carrupeia.

Por seu turno, Chaquir Bemat, como de sempre, voltou a queixar-se da falta de sorte nos jogos caseiros, tanto que não entende o que teria acontecido, olhando pelo número de oportunidades de golos criados pela sua equipa. (Constantino Henriques)