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Regalias na AR: ND apela ao PR para “salvar a honra do convento”

Maputo (IKWELI) – A luz do Estatuto do Funcionários e Agentes da Assembleia da República, recentemente aprovado, cujas regalias constantes surpreenderam ao país, o partido Nova Democracia (ND) exige que o Presidente da República não promulgue o documento.

“A Nova Democracia convida o Chefe do Estado a sacudir o capote e a salvar a honra do convento, se ainda pode”, refere a organização política em um comunicado distribuído neste domingo (9), defendendo que “é tempo de justiça social, é tempo de união e coesão para reavivar um país com potencial enorme para ser um lugar onde viver em paz”.

Por outro lado, segundo o mesmo documento, a “Nova Democracia repudia com veemência e desprezo este pontapé à justiça social, esta peregrinação insensata ao erário público e convida os três ao retrato em tempo útil. Pois assim responsabilizam-se pelo caos do país enquanto agentes mobilizadores de guerra”, tanto que considera “ainda mais desesperante assistir esta aprovação unânime num jogo de falsidade, cavalgando o povo”.

No entender do partido liderado por Salomão Muchanga, “os representantes do povo tinham o dever moral de recusa firme de cumplicidade em relação a perpetuação da condição deprimente dos moçambicanos e moçambicanas”, ou ainda que “não fosse mera questão de peso de consciência e de busca de parceria no seu despesismo; fosse mesmo uma questão de sororidade, então seriam eles mesmos deputados a descontar suas regalias para cobrir dos funcionários. Aqui não há voltas e nem espaço para depositar a conta na factura do cidadão comum já enforcado pelo salário de fome que nunca sobe”.

“Estamos perante o clímax da irracionalidade por um lado e ponto álgido de insensibilidade por outro. Na verdade, os funcionários da Assembleia da República são vítimas dos deputados que não querem sujar as mãos sozinhos”, defende o ND, precisamente porque o país está “num momento em que o povo vive uma pobreza visceral, uma economia deprimida pelas dívidas ocultas e ilegais, pelas consequências da pandemia do COVID 19, um povo a comer capim e abatendo-se de gastrite pela fome, as crianças estudam em baixo das árvores, milhares e milhares de deslocados desabrigados em Cabo Delgado, um povo num sofrimento sem paralelo na história contemporânea, semanas após se anunciar o congelamento do aumento do salário mínimo interprofissional, não é possível achar que há espaço na agenda para debater qualquer regalia. A questão não é ter estatuto, a questão é muito mais profunda, é a incapacidade dos deputados de ver toda a imagem e o fundo de todos os ângulos sem resumir o país a vergonha, é ter sentido de oportunidade, racionalidade e empatia”.

“A AR sempre igual a si, chamou a si o condão de humilhar gravosamente os Moçambicanos, que na sua generalidade vive essa indignidade que tanto os ofende, num exercício de descentralização do saque diurno ao erário público”, prossegue o comunicado, que conclui que “não é apenas o Parlamento, é o saque generalizado em instituições do Estado que nunca têm para os transportes, o pão, os medicamentos e os deslocados, mas sempre tem para a dignidade das elites. Isto é realmente o colapso do Estado, tal selva do Índico. Para não variar as três bancadas sempre unidas nas mordomias, nivelam por baixo ao seu patrão e anunciam que não mais representam o povo senão a eles próprios já que a muito fazem da AR um hospital de doentes terminais de política. É a cessação da personalidade política de quem já viciou o conceito de legislar”. (Aunício da Silva)

Vendedores de bebidas alcoólicas ressentem-se do Ramadan em Nampula

Nampula (IKWELI) – Os vendedores de bebidas alcoólicas na cidade de Nampula, no norte do país, queixam-se da fraca aderência aos seus produtos no período referente ao corrente mês sagrado do ramadan.

As diferentes casas de venda destas bebidas desconhecem o habitual movimento desusado que, habitualmente, se regista nos restantes meses do ano, por isso a queixa agrava-se, desrespeitando o sacrifício porque os praticantes da religião islâmica passam no mesmo período.

Estas reclamações parecem absurdas, tanto que quando se olha pela situação de calamidade pública, devido a pandemia da covid-19, que o país passa, mas a verdade é que as contas estão a apertar para estes cidadãos.

“Quando chega o tempo de Ramadan as nossas vendas caem, porque vários clientes passam a jejuar”, disse o comerciante Genivaldo Baptista, prosseguindo que “isso não é só esse ano. Nos anos anteriores, também, temos tido esse baixo nível de vendas dos nossos produtos”.

Numa das ruas da cidade de Nampula, pensativo e encostado ao seu estabelecimento de venda de bebidas alcoólicas, conversamos com o jovem Calton Sousa, que entende que o facto de os muçulmanos não estarem a beber provoca constrangimentos nas suas receitas.

“Desde que iniciou o jejum, na religião muçulmana, na bebida registamos uma queda. Não estão a comprar as mesmas quantidades”, disse este nosso interlocutor, afirmando que “são mesmo poucas pessoas que vêm comprar. Como vês está vazio aqui”.

Há ainda comerciantes que defendem que a redução da cliente se deve, maioritariamente, pelo facto de o mundo estar a passar por uma das pandemias mais mortíferas do século XXI, a covid-19. Célio Pedro é apologista deste entendimento, ainda acreditando na contribuição negativa do Ramadan.

“As pessoas compravam a bebida no horário estabelecido”, disse Pedro, assegurando que “passar daqui as 12 horas tinha enchentes, porque fechamos as 13 horas, mas quando o mês do Ramadan iniciou, até então que estamos no final, estamos as moscas. Há um e outro cliente que vem comprar, mas não é uma venda significante”.

Não são apenas os vendedores de bebidas de fabrico industrial que se queixam da situação, os caseiros também. A cabanga [bebida tradicional confeccionada com base no farelo e açúcar] já não tem saída, porque os potenciais clientes, alegadamente, estão a jejuar.

“Esse é o meu único negócio”, refere o senhor Ainda José, vendedor de cabanga num dos bairros da cidade de Nampula, acrescentando que “aproveito comer, comprar sabão e energia, tudo aqui mesmo, e esses dias que estão a jejuar não compram minha cabanga fica aqui por muitos dias”.

Os consumidores que não pararam em observância ao sagrado mês de Ramadan, sentem-se isolados e reconhecem que a companhia reduziu significativamente.

“Consumo bebidas alcoólicas sim, mas esse mês não estou a consumir porque estou a jejuar. É um mês sagrado, e nós estamos mesmo focados nisso”, disse Omar Taibo

“Não sou muçulmana e consumo bebidas alcoólicas. Para mim, um dos motivos que fazem os locais de venda de bebidas alcoólicas estarem vazios é porque tem uma parte [consumidores] que está a jejuar, e outros que não jejuam, como eu, estão a beber. Tem pessoas em casas que jejuam, então devem respeitar esse momento e evitar consumir bebidas alcoólicas perto de onde tem alguém que está em sacrifico”, disse a consumidora Sandra Manhique. (Elisabeth José)

Gravidezes resultantes da exploração sexual: Abortos clandestinos continuam sendo problema em Nampula

Nampula (IKWELI) – Uma adolescente, de apenas 16 anos de idade, residente no bairro de Namutequeliua, nos arredores da cidade de Nampula, escapou a morte depois de uma tentativa malsucedida da realização de um aborto clandestino sem assistência especializada.

Fontes próximas da rapariga, contaram ao Ikweli que a mesma tomou quantidade não especificada de comprimidos com o intuito de interromper a gravidez.

Segundo a história da menor que vive com a sua mãe e outros irmãos mais novos, o início da prática da actividade sexual foi em consequência das dificuldades financeiras por que a família passa.

Foi neste contexto que a Milena (nome fictício) conheceu um senhor que a assumiu como namorada, mas quando engravidou não quis saber da menor, e muito menos da sua situação.

Actualmente, devida e legalmente justificado, o aborto é permitido em instâncias hospitalares em Moçambique.

Milena contou a reportagem do Ikweli que a gravidez estava na 19ª semana, e que “quando o senhor negou assumir a barriga eu fiquei desesperada, e minhas duas amigas me aconselharam a fazer o aborto”. “Minha amiga me ajudou a comprar os comprimidos. Três chupei e dois introduzi nos meus órgãos sexuais, e a noite comecei a sentir dor, a sangrar muito e fiquei sem ar. Eu não conseguia respirar, dai minha mãe descobriu e me levou ao hospital”, contou a menor, prosseguindo que ‘eu não sabia que a barriga era de 5 meses, por isso que decide abortar sozinha. Depois das enfermeiras me ajudaram a remover toda sujidade fiquei no hospital três dias internada”.

Debilitada e visivelmente arrependida, a menor Milena ainda está traumatizada pelo que que passou.

A mãe da menor, A. Chabane, disse que nos últimos tempos vinha notando um comportamento estranho por parte da sua filha, mas não se preocupou por achar que a mesma iria partilhar a situação.

“Eu não conheço esse senhor, quando ele engravidou a minha filha negou a barriga e ficou desligado”, disse a senhora, avançando que “quando fui na casa dele onde a minha filha frequentava não o encontramos e os proprietários da casa disseram-me que ele estava a alugar a casa e que já não estava lá há um mês. Minha filha é menor de idade, ele mantinha relações sexuais com ela e isso é uma violação, eu vou queixar no posto policial”.

Mas os vizinhos desta família apontam a mãe da menor como a principal culpada, por incentivar a sua filha a práticas sexuais em troca de valores monetários.

“Ela é uma menor de idade e trazia coisas de valor para dentro de casa. Já comprou televisão, comprou colchão e comprava comida”, disse uma das vizinhas, que questiona: “essa mãe achava que essas coisas ela tirava de onde?”. (Elisabeth José)

Mais de quatro mil crianças sofrem de desnutrição aguda na província de Nampula

Nampula (IKWELI) – O total de 4.607 (quatro mil, seiscentos e sete) menores de idade, de ambos sexos, foram diagnosticados com desnutrição aguda na província de Nampula, no norte de Moçambique, durante o primeiro trimestre do corrente ano, 2021.

De acordo com o responsável provincial do Programa de Nutrição, Malverno Sueleque, os distritos de Monapo, Eráti e Nampula são os que registam o maior índice de desnutrição aguda, respectivamente com 720, 421 e 394 casos.

“Desnutrição é uma condição de doença em que uma pessoa pode se encontrar, devido a fraca ingestão de alimentos em quantidades suficientes para o seu organismo ou, também, pela ocorrência de doenças de forma frequente que fazem com que o seu organismo esteja a perder a massa do músculo, provocando assim emagrecimento de forma gradual. Quando a pessoa estiver nesta condição pode se dizer que a pessoa está desnutrida”, explicou Malverno Sueleque, para depois acrescentar que “temos a desnutrição aguda e a crónica. A desnutrição aguda caracteriza-se pela privação de ingestão de alimentos de curto período, ou a pessoa ficou exposta a doenças e depois se instalou a desnutrição dentro de um período muito curto. Enquanto a desnutrição crónica caracteriza-se por privação da ingestão alimentar num período longo e acaba comprometendo o crescimento das crianças, o que faz com que a idade da criança seja maior enquanto a altura continua baixa”.

Falando ao Ikweli, o responsável provincial do Programa de Nutrição apontou a insegurança alimentar que assolou algumas regiões da província, com maior destaque para o distrito de Monapo, o mau saneamento do meio e má preparação dos produtos alimentares disponíveis no seio das famílias, como sendo os factores que contribuem para que as crianças tenham a condição de desnutrição, o que faz com que o crescimento normal da criança seja comprometido, ou seja, “os nutrientes, por exemplo, ajudam na formação do cérebro. Então, quando uma criança desenvolve uma desnutrição crónica, o processo de desenvolvimento do organismo acaba ficando comprometido e consequentemente, o nível de inteligência vai ser baixo, ou seja, tudo que é a produção cognitiva será baixa”.

“Uma das causas é o saneamento do meio, a insegurança alimentar e as doenças. Ainda mais, se estas crianças não receberem os cuidados médicos adequados e por completo, a curto e médio prazo a criança pode desenvolver problemas de desnutrição. A questão do saneamento do meio se subscreve na água que as famílias consomem e o ambiente de higienização em que vivem. No entanto, se estes factores estiverem ainda a caracterizar as nossas sociedades, esperamos que haja casos de desnutrição nas comunidades.” Explicou a fonte.

O rastreio dos casos de desnutrição em todas as suas vertentes, de acordo com Dr. Sueleque é feito através do programa Pacote de Nutrição na Comunidade liderado pelos Agentes Polivalentes Elementares (APE’s), onde é feita a pesagem e medição do braço das crianças.

O nosso interlocutor explica ainda que a nível das unidades sanitárias é feito o mesmo procedimento, entre outros, que ajuda a identificar a criança tem ou não desnutrição aguda. Caso tenha, ela é referida ao programa.

Refere-se que, de acordo com o Estudo de Base de 2013, a província de Nampula, por sinal a mais populosa do país, possui uma alta taxa de desnutrição, sobretudo, crónica, com mais de 50 por cento. Ou seja, uma em cada duas crianças menores de cinco anos de idade não consegue atingir o seu potencial de crescimento físico, cognitivo e mental. (Esmeraldo Boquisse)

International IDEIA vai apoiar o fortalecimento da capacidade do parlamento moçambicano

Maputo (IKWELI) – O Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEIA) vai, nos próximos 30 meses, prover assistência técnica e financeira a Assembleia da República (AR) de Moçambique com o objectivo de fortalecer a instituição.

Para o efeito, foi rubricado, recentemente, entre as duas instituições um memorando de entendimento por forma a efectivar a intenção de “fortalecimento dos conhecimentos e capacidades dos deputados, comissões e gabinetes parlamentares; fortalecimento da capacidade do secretariado-geral, suas direcções, unidades orgânicas e pessoal; aumento da abertura e acessibilidade da actividade da Assembleia da República aos cidadãos; e fortalecimento do papel da Assembleia da República na promoção da igualdade de género”.

“Para além de formalizar a cooperação entre as duas instituições, a assinatura deste documento foi um passo importante para a operacionalização do apoio a Assembleia da República por parte do Programa “Consolidação da Democracia em Moçambique”, um programa do governo de Moçambique e da União Europeia, financiado pela União Europeia e co-financiado pela Agencia Austríaca para o Desenvolvimento e implementado pela International IDEIA”, refere um comunicado da International IDEIA distribuído a partir de Maputo. (Aunício da Silva)

 

Transporte público continua sendo um problema na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Os moradores da cidade de Nampula, maior e mais importante autarquia do norte do país, se queixam de problemas no transporte público de passageiros, supostamente pela falta de provedores que respondam com a demanda.

Esta situação é mais notória nos bairros de expansão, novas áreas habitacionais que estão surgindo para responder o crescimento demográfico, e com efeito, os seus moradores vem se obrigados a percorrer longas distâncias para alcançar um ponto de “chapa-100”.

Os bairros de Muhala – Expansão, Muahivire Expansão, Murrapaniua – Expansão, Nampaco, bairro Novo, Piloto, Natikiri, Muthita, Marrere e Napipine são os que mais enfrentam dificuldades no acesso ao transporte semi-colectivo de pessoas e bens. Igualmente, os bairros com problemas de vias de acesso, devido a construções desordenadas, como Mutauanha, Carrupeia, Murrapaniua, Namutequeliua, Namicopo, Muatala e Napipine passam pelo mesmo problema.

No bairro de Mutauanha, um líder comunitário local, Fernando Cachama, disse ao Ikweli que a situação é complexa e que a mobilidades dos moradores é difícil.

“Felizmente, nós temos zonas, minimamente, transitáveis em Mutauanha, mas nota-se que ainda enfrentamos problemas da falta de transporte, não sei o que, exactamente, está a acontecer, se é mesmo por existir uma estrada definida para a circulação. Embora verifica-se a degradação de algumas vias, pelo menos teríamos um e outro chapa-100 a circular”, disse a fonte.

Cristina Ramusseque, cidadã entrevistada pelo Ikweli na unidade comunal de Muthita, posto administrativo de Muatala, conta os episódios que tem vivido por falta de transporte. Várias vezes ela acorda de madrugada para se preparar e ir caminhando até a paragem de chapa-100 que fica nas imediações da Escola Secundária de Muatala, percorrendo uma distância de mais de dois quilómetros.

Outra dificuldade que as mulheres enfrentam no acesso deficitário dos transportes semi-colectivos, de acordo com a cidadã Cristina, é quando se trata de um doente, no caso particular as mulheres grávidas. Apenas sentem-se pouco aliviadas quando solicitam um operador de táxi moto, onde as cobranças rondam entre 20,00Mt (vinte meticais) a 50,00Mt (cinquenta meticais).

“Pelas manhãs nós saímos das nossas casas caminhando até no cruzamento da Subestação ou mesmo na Escola Secundária de Nampula para apanhar chapa. Há vezes que na nossa zona, em Muatala, os chapeiros chegam até ao posto administrativo de Muatala apenas no período da manhã, depois das 08:00 horas eles nem voltam mais, as pessoas têm de caminhar para conseguir carro”, informou Cristina, para quem pede apoio de quem é de direito para criar condições de modo que o transporte chegue até aos postos administrativos desta autarquia.

À semelhança dos moradores do bairro de Mutauanha, no posto administrativo de Namicopo, zona residencial de Namiepe, o Ikweli encontrou Juma Ramadane que, em entrevista, disse ser importante a disponibilização de serviços públicos para os munícipes, no caso concreto de transportes.

Segundo Juma, em Namiepe nota-se, por algumas vezes, a circulação de chapa-100, sobretudo, os que levam produtos de primeira necessidade para fins de comercialização nos pequenos mercados daquela área. “Aqui em Namiepe conseguimos algumas vezes transporte, mas a verdade é que enfrentamos dificuldades, primeiro porque os chapeiros não se fazem a esta zona frequentemente, depois o movimento de clientes não é dos melhores, talvez seja por isso que eles não aparecem”.

Da zona residencial de Elipse, no posto administrativo de Muhala, encontramos Kátia Artur que afirma ser o desafio do dia-a-dia, o acesso ao transporte, uma vez que muitos percorrem longas distâncias para o efeito.

A fonte olha os operadores de táxi-moto como um alívio para a população. Contudo, aos que não têm condições monetárias para tomar este meio de transporte (táxi moto), sublinha ser uma “desgraça”, porque essas pessoas não têm alternativas, senão caminhar até a estrada principal para tomar o chapas-100. (Esmeraldo Boquisse)

Há cada vez mais adolescentes que procuram por declaração militar em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Centro Provincial de Recrutamento e Mobilização de Nampula (CPRM) diz que tem vindo a receber e rejeitar, com frequência, solicitações de pedido de declarações militar por parte de cidadãos com idade inferior a 18 anos, que pretendem ingressar em várias instituições de ensino superior e escolas de conduções.

Sem avançar em concreto os números, o delegado provincial do CPRM, Eugénio Tiago, disse que a situação, que verificasse há bastante tempo, tem vindo a ganhar espaço nos últimos meses, desde que se declarou o início do processo de inscrições em instituições de ensino superior.

“Temos recebido solicitações de declarações de cidadãos nascidos em 2003, mas que vão completar 18 anos em Agosto, por exemplo, e nós não os atribuímos, porque ainda não atingiram a idade”, disse aquele responsável, para avisar “que não nos baseamos no mês que a pessoa vai completar 18 anos, mas sim na idade completada”.

Um outro problema é o facto de os jovens estarem a recensear-se apenas para facilitar o acesso a declaração militar, para fins de preenchimento de vagas, mas que no fim ao cabo preferem virar as costas ao processo de incorporação.

“Felizmente, não temos muitos casos de jovens que não aderem ao serviço militar depois do recenseamento, mas isso tem acontecido”, disse, para recordar que neste ano a sua instituição incorporou para o primeiro turno um número considerável, em cumprimento das metas estabelecidas, mas que todos foram de forma voluntaria.

Recorde-se que para o presente ano, o Centro Provincial de Recrutamento e Mobilização de Nampula foi atribuído uma meta de recensear um total de 20.442 cidadão, mas que segundo o delegado da instituição foram ultrapassadas em acima de seis porcentos.

Inobservância das medidas de prevenção da covi-19

 A moldura humana que tem acorrido as instalações do Centro Provincial de Recrutamento e Mobilização (CPRM) está a provar um autêntico desrespeito as normas de prevenção do novo coronavírus, uma pandemia que tem vindo a matar milhões de cidadãos, diariamente no mundo, incluindo Moçambique.

O aglomerado populacional começou a conhecer pico em finais do mês passado, quando o Hospital Central de Nampula (HCN), a principal e maior unidade sanitária da região norte do país, disponibilizou vagas para ingresso de quadros a vários níveis, além do início das inscrições em algumas universidades sedeadas e/ou com representação na província de Nampula.

No recinto, logo a entrada daquela instituição militar, existe um balde contendo água e sabão, para a desinfecção das mãos, mas que ninguém usa e os poucos que aderem o processo fazem-no por livre vontade e/ou porque estavam a consumir algum alimento que requer a lavagem das mãos. O uso incorrecto da máscara e abraços forçados pela enchente tem sido um outro problema.

O delegado provincial do Centro de Recrutamento e Mobilização, Eugénio Tiago, reconhece a violação das medidas de prevenção da covid-19, mas diz que a sua instituição tem feito o que pode.

“Nas últimas duas semanas, há muita procura dos nossos serviços, por parte dos jovens, que resulta das vagas de algumas instituições públicas, facto que tem originado uma moldura humana. Estamos cientes do novo coronavírus, e como medida de prevenção temos água e sabão, onde todos devem desinfectar antes de ter acesso ao interior. Sobre o distanciamento reconhecemos que tem sido difícil”, disse. (Sitoi Lutxeque)

Cerca de meia década depois: ND apela ao governo para deixar de confundir orgulho político com a defesa da soberania na guerra de Cabo Delgado

Maputo (IKWELI) – Há cerca de meia década que os distritos do norte da província de Cabo Delgado têm vindo a sofrer de ataques terroristas, ceifando vidas, destruindo aldeias e deteriorando a situação dos direitos humanos.

O partido Nova Democracia (ND) entende que na perspectiva da resolução do problema, “o governo deixe de nivelar por baixo ao seu patrão e não confunda orgulho político com a defesa da soberania. Pois se afigura que haja com urgência, haja vista ao sofrimento do povo que se agrava a cada dia”.

Em comunicado distribuído a partir de Maputo, o partido liderado por Salomão Muchanga está assertivo de que “dentre muitas estratégias falhadas para estancar a corrente desta situação que rouba a paz e o sono dos moçambicanos e do mundo, nota-se um orgulho e falta de vontade política por parte daqueles que deveriam de tudo fazer para que se pusesse um fim a este terror. Politicamente, a guerra é reveladora de um problema de índole social ou ideológica. E nesse sentido, não se pode esperar que ela termine sem que haja uma intervenção lúcida e séria por parte dos governantes”.

Por outro lado, a mesma nota de imprensa aponta que “os factos nos elucidam, temos a prontidão da SADC já manifestada em colocar três mil homens em combate. Essa é intervenção que se pretende fazer a nível regional. De braços cruzados e inchado de orgulho mortal e irresponsável, em resposta o regime moçambicano diz preferir ajuda logística e táctica. Esta posição faria sentido se estivéssemos em fase de incubação do conflito. Mas trata-se de uma tensão militar que já provou ser complexa e carente de seriedade”.

Por fim, a Nova Democracia “diante destes factos, e porque não nos podemos fazer indiferentes enquanto os nossos irmãos sofrem e assistem a suas esperanças se desfazendo aos bocados, exigimos que o governo aceite a proposta da SADC e adopte um plano triangular: deixar a operação dos três mil homens actuar, treinar as forças nacionais, e gradualmente a medio prazo retirar as forças estrangeiras”. (Aunício da Silva)

Bebé de uma semana de vida encontrada sem vida numa lixeira em Mutauanha

Nampula (IKWELI) – Um recém-nascido do sexo feminino foi encontrado sem vida, na manhã da última terça-feira (04), numa lixeira próxima de um cemitério na unidade comunal 7 de Setembro, no bairro de Mutauanha, posto administrativo de Muatala, na cidade de Nampula.

A triste situação, que chocou os moradores e os que se fizeram ao local para recolher informações, foi descoberta por um grupo de menores de idade que procuravam sacos na lixeira do cemitério localizado na zona residencial do Ntotha.

De acordo com os residentes do bairro, trata-se de uma recém-nascida que foi colocada num vaso de galão de cinco litros e abandonada na lixeira, entre o cemitério e o pequeno riacho que separa as unidades comunais 7 de Setembro e Piloto.

“Encontramo-nos tristes e preocupados porque nesta manhã, quando eram aproximadamente 11 horas, vimos algumas crianças a virarem e revirarem os sacos plásticos nesta lixeira, da maneira que fazia isso chamou-nos atenção porque nem eles sabiam o que era, apenas viam sangue e uma coisa enrolada. Dai, aproximamos, antes pensamos que era um cão morto, mas afinal de contas, tratava-se de um ser humano. Aquela criança vinha num penico de galão de cinco litros e deitaram no lixo”, disse Cortélia Cachimo, residente no bairro de Mutauanha.

Cortélia Cachimo que disse não saber as circunstâncias em que a recém-nascida chegou ao local, conta ao nosso repórter que “no momento em que se aperceberam do incidente, a recém-nascida estava em vida, presume-se que devido aos raios solares acabou morrendo. Aquela criança tem unhas e cabelo”.

Teresa Imora, outra moradora entrevistada pelo Ikweli, conta a mesma versão da Cortélia e sublinha ser a primeira vez que são surpreendidos por este acontecimento, naquele bairro. De acordo com ela, é preciso que se trabalhe para conhecer quem é a pessoa que fez isso e de seguida responsabilizá-la pelo acto cometido.

“Nós pedimos que se trabalhe bastante para sabermos quem matou aquele ser humano. É preciso responsabilizar para evitarmos que casos do género voltem a acontecer aqui no bairro, e no mundo em geral. Este comportamento não é digno de ser exibido na nossa sociedade. Queremos justiça”, pediu Teresa Imora, para quem diz ser um comportamento que envergonha as mulheres.

“Eu tomei conhecimento disso através da minha esposa, quando eram 11 horas. Quando me fiz ao local, na verdade deparei-me com essa situação de uma criança morta e abandonada na lixeira. Daquilo que ouvi é que foi um grupo de menores que descobriu quando eles procuravam sacos, latas e plásticos”, disse Fernando Cachama, líder comunitário da circunscrição, para depois avançar que “quando tomei conhecimento, fiz questão de comunicar às autoridades policiais mais próximas no sentido de se fazer a remoção do corpo e avançar-se para os trabalhos de investigação”.

À semelhança do senhor Cachama, Francisco Rogério, líder tradicional do bairro de Mutauanha, o conhecido Ntotha afirma que não se pode tolerar essa atitude. Para ele, o lixo acumulado nas imediações do cemitério local, também, contribui para que as pessoas de má-fé usem o espaço para abandonarem tudo que acharem impuro.

“Aqui tem dois lugares onde existe um entulho de lixo, algumas campas já não existem. No entanto, quando as coisas são assim, há pessoas que aproveitam, até pode alguém se esconder aqui e ninguém perceber. Estamos mal. Como líder deste bairro, apelo às mulheres a não pautarem por este comportamento, e aos homens, não aconselhem às suas parceiras para matar menores”, concluiu Francisco Rogério. (Texto: Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)

Renamo em Nampula acusa governo de incapacidade para defender população de Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – Membros e simpatizantes do partido Renamo, em Nampula, juntaram-se na manhã desta segunda-feira (3) para assinalar a passagem do terceiro aniversário da morte do segundo presidente da organização, Afonso Dhlakama, no meio de queixas e repúdios sobre as acções do governo do dia.

Uma das inquietações levantadas por Abiba Aba, delegada da perdiz em Nampula, é em torno, no seu entender, da incapacidade do governo em lidar e acabar com os ataques terroristas nos distritos do norte de Cabo Delgado.

“Temos a situação que afecta aos nossos irmãos em Cabo Delgado, onde homens terroristas assassinam sem dó e nem piedade a população indefesa, saqueando bens e queimando o património público sob pretexto ainda não conhecido”, disse Aba, para prosseguir que “lamentavelmente, o governo do dia, mesmo sentido ou reconhecendo a sua incapacidade para proteger e defender as populações de Cabo Delgado teima em não aceitar a intervenção da força militar dos países vizinhos capaz de minimizar e controlar a situação e repor a segurança”.

Por outro lado, a fonte apelou aos membros da Renamo para apoiar aos deslocados da mesma guerra terrorista. “Esperamos de vós, irmãos da Renamo, uma solidariedade para com estes compatriotas através de doações de produtos não perecíveis e peças de vestuários para minorar o sofrimento a que estão sujeitos”, apelou a delegada política provincial da Renamo em Nampula.

Referindo-se a memoria do líder Afonso Dhlakama, Abiba Aba enalteceu as suas qualidades humanas e de liderança. “Não lutou pela ambição do poder”, mas porque “viu traídos os sonhos da independência nacional, de ver o moçambicano, verdadeiramente, livre e a gozar os seus direitos, as suas liberdades e as garantias que são o apanágio dos países modernos”. (Aunício da Silva)