Gravidezes resultantes da exploração sexual: Abortos clandestinos continuam sendo problema em Nampula

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Nampula (IKWELI) – Uma adolescente, de apenas 16 anos de idade, residente no bairro de Namutequeliua, nos arredores da cidade de Nampula, escapou a morte depois de uma tentativa malsucedida da realização de um aborto clandestino sem assistência especializada.

Fontes próximas da rapariga, contaram ao Ikweli que a mesma tomou quantidade não especificada de comprimidos com o intuito de interromper a gravidez.

Segundo a história da menor que vive com a sua mãe e outros irmãos mais novos, o início da prática da actividade sexual foi em consequência das dificuldades financeiras por que a família passa.

Foi neste contexto que a Milena (nome fictício) conheceu um senhor que a assumiu como namorada, mas quando engravidou não quis saber da menor, e muito menos da sua situação.

Actualmente, devida e legalmente justificado, o aborto é permitido em instâncias hospitalares em Moçambique.

Milena contou a reportagem do Ikweli que a gravidez estava na 19ª semana, e que “quando o senhor negou assumir a barriga eu fiquei desesperada, e minhas duas amigas me aconselharam a fazer o aborto”. “Minha amiga me ajudou a comprar os comprimidos. Três chupei e dois introduzi nos meus órgãos sexuais, e a noite comecei a sentir dor, a sangrar muito e fiquei sem ar. Eu não conseguia respirar, dai minha mãe descobriu e me levou ao hospital”, contou a menor, prosseguindo que ‘eu não sabia que a barriga era de 5 meses, por isso que decide abortar sozinha. Depois das enfermeiras me ajudaram a remover toda sujidade fiquei no hospital três dias internada”.

Debilitada e visivelmente arrependida, a menor Milena ainda está traumatizada pelo que que passou.

A mãe da menor, A. Chabane, disse que nos últimos tempos vinha notando um comportamento estranho por parte da sua filha, mas não se preocupou por achar que a mesma iria partilhar a situação.

“Eu não conheço esse senhor, quando ele engravidou a minha filha negou a barriga e ficou desligado”, disse a senhora, avançando que “quando fui na casa dele onde a minha filha frequentava não o encontramos e os proprietários da casa disseram-me que ele estava a alugar a casa e que já não estava lá há um mês. Minha filha é menor de idade, ele mantinha relações sexuais com ela e isso é uma violação, eu vou queixar no posto policial”.

Mas os vizinhos desta família apontam a mãe da menor como a principal culpada, por incentivar a sua filha a práticas sexuais em troca de valores monetários.

“Ela é uma menor de idade e trazia coisas de valor para dentro de casa. Já comprou televisão, comprou colchão e comprava comida”, disse uma das vizinhas, que questiona: “essa mãe achava que essas coisas ela tirava de onde?”. (Elisabeth José)

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