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Dia internacional da criança: A triste realidade porque passam as crianças de Nampula

  • Deslocadas internas da guerra, exploradas no trabalho infantil e outras abandonadas na rua.

 Nampula (IKWELI) – Assinala-se hoje o dia internacional da criança, e na província de Nampula, no norte do país, a situação delas não tem sido das melhores, estando sujeitas ao trabalho infantil, violação e abuso sexual, uniões prematuras e outras formas de violação dos seus direitos.

Nas últimas duas semanas, o Ikweli colheu sensibilidades de várias crianças em torno da data, mas a maioria desconhece a sua importância, tanto que há os que nunca tiveram motivo para celebrar.

Um novo fenómeno emergiu em Outubro de 2017, com o início dos ataques terroristas nos distritos do centro e norte da província de Cabo Delgado, e com ele a deslocação de pessoas passou a ser um facto recorrente.

As estatísticas oficiais apontam que a maioria dos deslocados de Cabo Delgado são mulheres e crianças, grupos vulneráveis e, por vezes, incapazes de se defenderem.

No posto administrativo de Corrane, no distrito de Meconta, milhares de pessoas deslocadas encontram-se abrigadas em um centro improvisado, mas que vai ganhando vida, para o reinício da vida dos deslocados.

No local, entrevistamos várias crianças, bem identificadas, mas por razões de protecção omitimos as verdadeiras identidades, por isso recorremos a nome fictícios.

Zeca Amido, de 15 anos de idade, conta que perdeu o contacto com os seus progenitores na madrugada de uma quinta-feira do mês de Maio do ano 2019, quando a sua aldeia natal foi, severamente, atacada pelos insurgentes. Na companhia de dois amigos conseguiram escapar e mais em frente encontraram pessoas conhecidas.

“Há uma senhora que brincava com a minha mãe, e foi ela que nos acolheu quando lhe encontramos, também, a fugir”, disse, prosseguindo que “tivemos de andar dias e noites para chegar a um ponto seguro”.

Amido explica que “para chegar a Nampula não foi nada fácil, andamos muito e a pé. Depois fomos a Metuge, onde a nossa tia conseguiu dinheiro de chapa para virmos a Nampula. Quando chegamos paramos em Namialo, e de lá fomos trazidos aqui”.

Já acomodados em tendas, o drama e o trauma continuam, mas é preciso se reerguer, tal como refere o menor que aponta que “aqui quando chegamos era ainda mais difícil. Entendíamos muito pouco a língua, mas aos poucos estamos a tentar sobreviver”.

“O meu maior desejo é saber como estão os meus pais e irmãos, mas não sei como”, suspira o menor.

Tal como Zeca Amido, Abiba Julião, também, está em Corrane e disse a nossa reportagem que mal sabe a razão de se celebrar o 1 de Junho, enquanto muitas crianças estão a sofrer em Cabo Delgado, e não só.

“Eu fugi de Mocímboa em Junho de 2018, e até agora estou a sofrer. Não estudo, não tenho a minha família por perto e não sei o que será da minha vida”, disse Abiba Julião, de 16 anos de idade, que conta que “para chegarmos aqui foi muito difícil. Fugi eu, mais cinco amigos quando nos atacaram na aldeia. Para comermos durante a nossa caminhada tivemos que dormir com homens mais velhos, camionistas. Chegamos a Namialo e depois nos levaram para cá”.

“Eu sei que tenho direitos”, reconhece Pedro Jamal, de 14 anos de idade, fixado em Corrane, no centro de deslocados, mas “sei que agora nem me posso preocupar com isso porque as coisas não estão boas lá na minha aldeia em Macomia”. “Nós fugimos, mas outros não conseguiram escapar. O meu pai e o meu irmão foram assassinados pelos bandidos”.

Já na cidade de Nampula, há menores que fugiram de Cabo Delgado, mas optaram por viver de outras maneiras para garantir a sua sobrevivência. Umas alinharam para o mundo da prostituição, o que legalmente se presume na exploração sexual.

No bairro dos Belenenses, 4 menores da idade compreendida entre os 13 e 16 anos vivem com base em trocas sexuais, ou seja, para comerem precisam se meter com vários homens”.

A Benedita, do grupo das 4 menores, conta que “já vivemos em vários bairros desde que chegamos aqui em 2019, muitas vezes nos dão corrida porque não gostam do que fazemos. Andamos com maridos das pessoas e outros são nossos vizinhos, mas nós não temos culpa, queremos comer”.

A entrevista com o grupo destas meninas realizamos na tarde do dia 28 de Maio, mas no final do dia 31 de Maio quando chegamos ao local, ficamos a saber com o proprietário da casa que as expulsou pelo comportamento que levavam, moralmente condenável.

Por outro lado, na autarquia de Nampula prevalecem os problemas do trabalho infantil, na sua maioria sendo exploradas no comércio informal.

A venda de comidas confecionadas e outros produtos alimentares, como o amendoim, doces e salgados tem sido a área onde mais são abusadas as crianças.

Cada uma delas tem uma história triste que a outra, a sua maioria trazida a cidade sob pretexto de oferta de oportunidade para dar continuidade aos estudos e progredir na vida, mas outros nem por isso.

“Eu vivo em Murrapaniua. Por dia devo vender 150 chamuças, se não acabarem minha tia me zanga”, disse Florinda Cassamo, interpelada pelo Ikweli ao longo da avenida do Trabalho.

Mesmo em frente a nossa redação, conversamos com Memuna Carimo, desmoralizada perto das 16 do dia 30 de Maio, lamentava em não saber em que condições passaria o 1 de Junho.

“Na casa onde vivo a minha tia é muito má. No ano passado só comprou coisas novas para os filhos, e nós até fomos vender amendoim cozido e maçaroca na rua, enquanto é nosso dia”, conta, triste, Memuna.

Estas e outras histórias são recorrentes na chamada capital do norte, mas as autoridades continuam a observar sem muito intervir nestas e outras situações. (Aunício da Silva)

Dez novos administradores distritais tomam posse em Nampula

Nampula (IKWELI) – Tomaram posse na tarde desta segunda-feira (31/05), 10 (dez) novos administradores distritais na província de Nampula, dos quais duas mulheres, que recentemente foram nomeados para o efeito.

Das novas indicações, o destaque vai para o jurista e antigo presidente da Assembleia Provincial, Morchido Daudo Momade, que vai comandar os destinos dos distritos de Malema, região que bem a domina, tendo em conta que parte do seu percurso profissional foi ali realizado.

Ao Alide Bernardo, então director provincial da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religioso, foi confiado o distrito costeiro de Angoche.

As duas únicas mulheres que tomaram posse, Ruquia Momade Saíde e Cedinha Crisanto Estevão Mpila, vão, respectivamente, comandar os distritos de Liupo e Muecate.

Por sua vez, o Sheik Juma Cateria Assane, responsável máximo do Conselho Islâmico de Moçambique (CISLAMO) em Nampula, tomou posse para dirigir o distrito de Memba, uma zona com forte influência islâmica e considerado ponto estratégico para o combate ao recrutamento de jovens para a insurgência em Cabo Delgado.

Igualmente, na mesma ocasião e na cerimónia dirigida pelo Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola, tomaram posse Válter Monteiro Bonifácio, para o distrito de Larde, Orlando Pedro Maievano, para o distrito de Mecubúri, Abacar Chande, para o distrito de Moma, Manuel Salimo Amisse Manussa, para o distrito de Eráti, e Rafael Mário Tarcísio para o distrito de Nampula.

Ainda no quadro da reestruturação dos governos distritais, os administradores Alfredo Matata (que dirigia o distrito de Nampula) vai transferido para o distrito de Lalaua, Emanuel Impissa (que dirigia Ribáuè) vai para o distrito de Mogovolas, Araújo Chale Momade (que comandava Eráti) vai para o distrito de Monapo.

A vacatura de Ribáuè será preenchida por Iasalde das Neves Ussene que vem transferido da província do Niassa, e em Nacarôa, a senhora Rosa Mário Jerónimo será a “número um”.

Intervindo, Mety Gondola apelou aos empossados para que se guiem com o programa quinquenal do governo, por expressar o compromisso do governo para com as populações.

“Temos esperança de que a vossa indicação pelo cargo vai representar uma mais-valia para o Estado e para as populações dos nossos distritos onde cada um irá trabalhar, e que tenham a oportunidade de aprimorar o espírito de trabalho em equipa, de maneira a envolver todos para a satisfação das necessidades que ainda persistem nos distritos”, apelou Gondola aos empossados, reconhecendo que “os desafios são enormes, por isso deve-se encontrar respostas a estes desafios. Os colegas administradores que terminam a sua caminhada enquanto dirigiam o destino dos distritos esforçaram-se bastante, obtiveram resultados aos que pretendemos que vós façais o esforço de proteger essas conquistas. Que não abram descontinuidades. Que não procurem escangalhar o que de melhor foi feito e que não signifique mudança brusca de metodologia de trabalho, alteração de abordagem sem que se justifique”.

Outrossim, o governante chama atenção aos empossados ao afirmar que “nos distritos para onde vão, é preciso ter consciência que vão para dar continuidade que consiste na exploração das equipas de trabalho que lá já existem. Continuidade de exploração de potencialidade dos funcionários existentes. O que de melhor fizemos foi com esses funcionários, razão pela qual é com eles que iremos contar. Assistimos à nomeação de um dirigente que vem de boas experiências numa outra instituição e que com ele, pretende carregar todos os funcionários que de melhor foram fazendo na instituição em que estava para poderem vir dar contribuição na instituição em que passam a ser responsáveis, não. Deve ficar a recomendação que vão trabalhar com o quadro de recursos humanos existente no distrito, em situações extremas e bem justificadas é que buscaremos reforço, mas a primazia deve ser dada a exploração da capacidade existente”.

Por sua vez, dos empossados entrevistados pelo Ikweli mostram-se prontos para assumir as responsabilidades que lhe são conferidas, e garantem conduzir os destinos da população dos distritos onde irão representar.

“Realmente, os desafios são enormes dentro do distrito, com destaque para o aliciamento de jovens para engrossarem as fileiras dos insurgentes na vizinha província de Cabo Delgado. Porém, nós como jovens, também, faremos o possível de mobilizar a juventude para que não adira às falsas promessas dando oportunidades de projectos, de acordo com as necessidades do distrito”, reagiu Cedinha Crisanto Estevão Mpila que disse pouco conhecer a realidade do distrito de Muecate, onde vai governar.

Igualmente, do distrito de Malema Morchido Daudo Momade garantiu que vai trabalhar para manter aquela região como o celeiro da província de Nampula, em termos de produção agrícola, apostando no agro-processamento. Ademais, “em termos de assistência é aquilo que tem sido o apanágio por parte dos Serviços Distritais de Actividades Económicas que tem há ver muito mais com a assistência aos produtores, através da equipa dos extensionistas, o que vamos fazer é voltar a potenciar esse trabalho”, concluiu o novo administrador do distrito de Malema. (Texto: Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)

 

Motoristas usam meios da edilidade para fazer “boladas” em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Presidente do Conselho Autárquico da Cidade de Nampula, Paulo Vahanle, denunciou, nesta semana, a existência de funcionários confiados aos trabalhos de recolha de resíduos sólidos que, ao invés de fazer apenas a sua tarefa, usam os camiões da instituição para fins particulares como o transporte de areia, pedras e outros materiais com destino a casas de alguns munícipes em troca de valores monetários.

Segundo o autarca, esta prática por vezes tem resultado em acidentes que nalgum momento prejudicam as viaturas e retardam aquilo que é o seu trabalho destinado, a recolha de resíduos sólidos e como prova, falou de um camião da instituição que capotou em Natikiri, e depois de algumas investigações apurou-se que afinal de contas o mesmo ia abastecer areia a um munícipe naquela zona em troca de valores.

“O município tem envidado esforço no sentido de adquirir equipamentos, mas os nossos munícipes em coordenação com os nossos funcionários têm enveredado a situações que não são muito correctas, eles contactam os nossos motoristas para a aquisição de areia e de outros materiais e em consequência, assistimos muitos acidentes fora do circuito normal do trabalho”, disse Vahanle.

Na mesma ocasião, o Presidente do Município afirmou que com este comportamento, será obrigado a expulsar aqueles funcionários que forem encontrados a desviar-se daquilo que é o seu trabalho de rotina para fins particulares, e apelou aos munícipes para não aliciarem estes trabalhadores para evitar problemas.

“Nos próximos dias, nós como Conselho Municipal, somos obrigados a despedir alguns funcionários com este comportamento desviante. Apelar aos munícipes que não usem esses serviços para casos particulares porque isso para além de prejudicar os próprios motoristas que serão expulsos depois da descoberta, também vai afectar o Município e os munícipes porque caso aconteça um acidente que possa estragar a viatura, é o processo de recolha de lixo que estará comprometido e o mesmo munícipe estará a reclamar que a edilidade não trabalha sabendo que é o mesmo que estragou o camião para o efeito”, concluiu. (Alfredo Célia)

 

Kamal Badrú em pré-campanha na região norte do país para a presidência da FMA

Nampula (IKWELI) – Kamal Badrú, um dos candidatos à presidência da Federação Moçambicana de Atletismo (FMA), disse ter chegado o momento de tirar a modalidade de atletismo da situação menos encorajadora em que se encontra actualmente, através de criação de condições favoráveis para a prática digna da modalidade e consequente conquista de bons resultados desportivos em competições internacionais.

Badrú reiterou esta posição durante os recentes encontros com os fazedores da modalidade de atletismo na província de Nampula, no norte de Moçambique. Aliás, a sua candidatura para a presidência do órgão máximo que zela pelo atletismo no país, visa remover os obstáculos que enfermam o desenvolvimento da modalidade.

“É uma conjuntura geral, falta de pistas, falta de condições de trabalho, melhor capacitação dos recursos humanos, a interacção a sociedade ao atletismo, a interacção empresariado ao atletismo, interacção de todos nós, as sinergias das instituições para o melhoramento da modalidade do atletismo”, referiu a Kamal Badrú em entrevista exclusiva ao Ikweli.

Segundo acrescentou a fonte, “a motivação principal da minha candidatura é o atletismo para todos, trazer de volta o atletismo. O atletismo é uma modalidade olímpica e, quando se fala de jogos olímpicos a modalidade base é o atletismo, então, não pode Moçambique ficar alheio em participar nos jogos olímpicos”, referiu enfatizando que “temos que começar a participar em grande número na modalidade de atletismo, então motiva-me porque já trabalhei para o atletismo, como secretário – geral da FMA e, acredito que posso trazer ideias que possam melhorar, fazer inversão da situação que está hoje o atletismo e trazer boas condições”.

Para além da província de Nampula, Kamal Badrú escalou, igualmente, as de Cabo Delgado e Niassa, por onde, segundo o candidato, esteve a fazer o mapeamento sobre a real situação da modalidade de atletismo com vista à elaboração do seu manifesto eleitoral.

“Eles estão receptivos, todas as associações provinciais receberam e estão a concordar com o projecto, embora algumas lamentações devido a falta, por exemplo de pistas em condições, este ponto é um calcanhar de Aquiles porque, como se diz, o atletismo sem pistas não é atletismo, então fica como uma das promessas bases, melhoria de pistas a nível nacional”, disse o nosso interlocutor.

Refira-se que as eleições na FMA estão agendadas para o segundo semestre do ano em curso e duas listas estarão em confronto directos e uma delas é encabeçada pela campeã olímpica dos 800 metros, Maria Lurdes Mutola.

Apesar do invejável currículo da sua oponente (como atleta), Kamal Badrú mostra-se confiante na ascensão ao trono para a condução dos destinos do atletismo em Moçambique. “Eu estou a desenhar o meu projecto e trocar as ideias do meu projecto, não gosto de falar dos outros candidatos, para mim o fundamental que tem que ficar registado é a instituição, eu estou a concorrer para uma instituição, quem tem maior valor é a instituição, então não gosto de falar de ninguém”, precisou Badrú. (Constantino Henriques)

Entre consensos e desconfianças: discute-se a responsabilidade social e empresarial da Haiyu Mozambique Mining em Angoche

Nampula (IKWELI) – As 12 comunidades directa ou indirectamente impactadas pelo projecto de exploração de areias pesadas de Sangage, no distrito de Angoche, tem vindo a discutir com a direcção da empresa, o governo local, sociedade civil e a Assembleia Provincial as formas da sua inclusão e benefício pela actividade.

Em Angoche, a exploração de areias pesadas está a cargo da empresa Haiyu Mozambique Mining, firme de capitais chinesas, e desde a sua instalação na região as relações com as comunidades não têm sido das melhores, tanto que a Amnistia Internacional publicou, no passado, um relatório sobre a violação de direitos humanos na comunidade de Nagonha, uma das doze.

Para forçar a empresa e o governo a aceitarem a sua inclusão nos benefícios dos recursos minerais, as comunidades, com a assistência da sociedade civil, enfrentaram diversas batalhas, incluindo o bloqueio de vias de acesso para que maquinarias da empresa não passassem nos seus territórios.

Entretanto, diante das desconfianças, desconforto e ameaças, viu-se aberta uma janela de esperança e diálogo no processo da elaboração de um novo plano de responsabilidade social e empresarial da referida empresa.

O documento, elaborado por uma equipa de consultores de alto gabarito, foi resultado das preocupações colhidas nas reuniões realizadas com as 12 comunidades.

Já afinado e quase para a assinatura do Acordo de Desenvolvimento Local, há quem mantém ainda a desconfiança sobre a sua real implementação.

Na última segunda-feira (24), a sala de reuniões do governo do distrito de Angoche acolheu a última reunião de apresentação do referido plano.

Como manda a lei, foi o administrador distrital que presidiu a reunião, na presença do presidente da Assembleia Provincial de Nampula. Feita a apresentação, na fase de debate, os líderes comunitários ainda se mostravam reticentes em relação ao cometimento da empresa na efectivação do plano.

O que os líderes desejam é que as comunidades não apanhem migalhas da grande riqueza que detém. Devem ser incluídos nos benefícios de forma justa e honesta, e não como simples pedintes.

O líder da comunidade de Serema, por exemplo, queixou-se da poeira que é provocada pelos camiões da Haiyu Mozambique Mining no trajecto fábrica-porto, carregando o minério sem protecção e deixando, também, alguns restos no ambiente comunitário.

Quem, também, sente-se excluído dos benefícios da exploração de areias pesadas pela mineradora são os comerciantes que, a todo o custo, conseguiram entrar na sala de reuniões, mesmo sem convite formal para apresentar as suas inquietações.

Este grupo deixou claro que “devem fazer parte dos beneficiários”, mas o Dr. Morchido Momade, consultor da Haiyu Mozambique Mining rebateu que todos os residentes das 12 comunidades são mesmo beneficiários. (Aunício da Silva)

Árbitros de Nampula voltam a exibir a sua classe no Moçambola

Nampula (IKWELI) – Onze (11) árbitros membros da Comissão Provincial de Árbitros de Futebol (COPAF) de Nampula, norte de Moçambique, de entre principais e auxiliares, de diferentes categorias, voltam nos próximos dias a orientar as partidas do campeonato nacional de futebol, o Moçambola, depois de terem passados nos testes físicos realizados, recentemente, na cidade de Nampula.

Os testes foram dirigidos pelos técnicos da Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (CNAF), e trata-se da segunda fase que acontece na capital do norte, depois da primeira realizada no passado mês de Fevereiro onde foram registados reprovações em massa. Aliás, nos referidos exames a província de Nampula conseguira apurar apenas um árbitro, na circunstância Mateus Coconja.

Dos árbitros apurados nesta fase, destaca-se o regresso de Feliciano dos Santos, Maulana Buanamade, Neca Boavida, Paulo Abudo e Mateus Coconja (com a categoria de árbitros principais), Sebastião Carlos, Muchinde, Amisse Abacar, Cassimo Essimela, Izidro Aspirante e Ossufo Marcelino, na categoria de juízes de linha (assistentes).

“Não, desta vez não se lamenta porque eles tiveram susto nos primeiros testes em que reprovaram. Então, daí ficaram a preparar-se. As recomendações que agora deixamos é que eles continuem a correr de forma a prepararem-se, não correr só quando aproximam os testes, eles devem se preparar constantemente para estarem prontos para a missão que lhes espera”, disse Faria Wiston, secretario da COPAF em Nampula.

“Na verdade, os primeiros testes que aconteceram em Fevereiro, quero acreditar que muitos árbitros não estavam preparados, só para imaginar desde Fevereiro até cá o tempo foi suficiente para podermos treinar e fazermos os testes positivos, como se viu”, referiu Maulana Buanamade.

“Daqui para a frente vamos continuar a trabalhar e seguir as orientações dos instrutores que aqui estiveram porque os testes não terminaram uma vez que daqui a 90 dias teremos outros. Então vamos continuar a treinar e esperarmos uma boa nomeação a partir da própria direcção da CNAF”, precisou a fonte.

Para além da província de Nampula, os referidos testes contaram, também, com a participação dos árbitros das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Zambézia e, no total, o encontro apurou 23 árbitros, de um universo de 30 concorrentes, um número que deixa satisfeito Adolfo Chitache, vice-presidente da CNAF.

“No global o resultado é positivo, porque em Fevereiro reprovaram muitos e meteram isso na cabeça que deviam trabalhar. Eles trabalharam e, mesmo o aspecto físico mostra que eles trabalharam neste intervalo de tempo”, sublinhou Adolfo Chitache. (Constantino Henriques)

 

Aprovado o preço da comercialização do algodão caroço em Moçambique

Nampula (IKWELI) – O preço do quilograma do algodão caroço em Moçambique vai custar, na campanha de comercialização 2020/2021, o valor de 25,00Mt (vinte e cinco meticais), consenso alcançado na província de Nampula nesta quinta-feira (27).

A localidade de Netia, no distrito de Monapo, foi palco das negociações que juntaram, na mesma mesa, produtores, empresas fomentadoras e o governo (representando pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia).

Os 25,00Mt por quilograma foi proposta dos produtores, através do Fórum Nacional dos Produtores de Algodão (FONPA), mas a Associação Algodoeira de Moçambique propunha 24,50Mt (vinte e quatro meticais e cinquenta centavos), mas o governo que na última campanha subsidiou o sector que corria o risco de colapsar mediou para que a proposta dos produtores vigora-se, ao que todos os intervenientes concordaram.

“O preço mínimo do algodão caroço é regulado para equilibrar e proteger os interesses destes actores e é determinante para o sucesso da comercialização desta importante commodity”, explicou, na ocasião, o ministro Celso Correia, para quem “este é o momento mais alto do sector produtivo da cultura do algodão, pois ao longo dos anos constituiu-se como uma plataforma de diálogo estratégico para o sector, onde para além de definir o preço mínimo para a comercialização do algodão caroço para campanha, todas as partes envolvidas na cadeia de valor passam em revista o desempenho sectorial e as projecções futuras”.

Recordando-se, o dirigente disse que “em 2020 todos pudemos acompanhar as negociações que tiveram como preço de partida 19 MT por quilo –, apurado pela fórmula proposta pelos intervenientes do sector e aprovada pelo Conselho de Ministros em 2017 –que levou o Governo a subsidiar o preço de compra num momento em que a produção desta cultura tinha atingido um dos níveis de produção mais baixos até então registados”.

De acordo com o ministro, o subsídio dado pelo governo ao subsector do algodão, custou aos cofres do estado mais de 240 milhões de meticais.

Ainda no meio destas adversidades, Celso Correia afirmou que houve o “registo de um crescimento de 75% de produção saindo de 30 mil toneladas para 52 mil toneladas”, por isso “iremos duplicar as exportações da fibra passando de 20 milhões de dólares para cerca de USD 38 milhões”.

Com estes níveis de produção, o estado espera fazer um encaixe que “poderá superar os 70 milhões de meticais contra os 21 milhões atingidos em 2020”.

Por seu turno, Manuel Rodrigues, governador da província de Nampula, referiu que “a província de Nampula contribui com 50% da produção global do algodão que é produzido na nossa bela pátria”, por isso enalteceu o preço que considera justo para os produtores.

“A cultura do algodão e oleaginosas jogam um papel importante na vida das muitas famílias na província de Nampula, bem como na economia nacional, de forma geral”, reconhece o governador Rodrigues, considerando que “para nós, o algodão constitui uma cultura histórica da nossa estimada população. Com este produto de rendimento, a nossa população tem estado a resolver diferentes problemas de ordem económica, até sociais, o que nos faz concluir que o algodão é a sumula da sua vida”.

“O cultivo do algodão, nos últimos tempos, tem sido uma actividade segura, devido a garantia do mercado e a melhoria permanente do preço da sua compra, o que não só encoraja o governo da província de Nampula, como também, estimula a própria população produtora apostando, no meio de outras culturas de rendimento que disputam o mesmo espaço”, precisou o governador, concluindo a sua intervenção.

O presidente do Fórum Nacional dos Produtores de Algodão, Benson Simoco, disse que “a campanha 2020/2021 foi uma campanha bem acolhida pelos produtores, isso deu a entrada que com o aumento do preço por quilo os produtores ficaram motivados para mais adesão e inscrição de novos membros que ampliaram as suas áreas de produção”, e considera justo o consenso alcançado, por reconhecer os esforços das famílias produtores da cultura.

Por seu turno, Francisco João Ferreira dos Santos, presidente da Associação Algodoeira de Moçambique, apontou que o preço alcançado vai satisfazer os anseios do sector, e ainda focou-se no programa “algodão – sustenta”.

“Aquilo que o nosso governo investiu para o aumento da renda do produtor foi tao importante para minimizar os impactos da crise, permitiu multiplicar aquilo que vamos colher este”, reconhece Francisco dos Santos, prosseguindo que “todos nós, sem excepção, conseguimos estruturar esta operação extraordinariamente complexa em muito pouco tempo”. (Aunício da Silva)

Cidades de Nampula e Nacala-Porto são as que menos observam o recolher obrigatório na província

Nampula (IKWELI) – Na sua última comunicação a nação no âmbito da prevenção, mitigação e contenção da covid-19, o Presidente da República, Filipe Nyusi, alargou os territórios para a observância da medida de recolher obrigatório entre as 22h as 4h, mas na província de Nampula, os moradores das duas principais cidades (Nampula e Nacala-Porto) não observam esta medida legal.

No início da introdução desta medida no computo da situação de calamidade pública, segundo o porta-voz do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, Zacarias Nacute, entre 200 e 300 pessoas eram sancionadas por violarem esta medida, mas actualmente o número ronda entre 500 e 600 pessoas que são encaminhadas nas subunidades policiais por circularem no horário desaconselhado.

“Infelizmente, temos registado um número maior de indivíduos que são encaminhados às nossas subunidades por conta da medida do recolher obrigatório. Mas a polícia está a fazer tudo quanto possível, não só para encaminhar a estes cidadãos à polícia, como também sensibilizá-los a observarem estas medidas de mitigação e prevenção da pandemia da covid-19”, disse Zacarias Nacute.

Outrossim, o porta-voz refere que no âmbito de monitoria com vista a fazer cumprir o decreto, durante a semana de 14 a 20 do mês de Maio em curso, 593 (quinhentos e noventa e três) cidadãos foram encaminhados às diferentes subunidades policiais ainda no período do recolher obrigatório. Ademais, “quanto ao balanço que a polícia faz referente ao cumprimento do decreto presidencial, os números de contagem da covid-19 a nível da província falam por si. Temos uma redução considerável, comparativamente aos períodos anteriores. No entanto, a questão do recolher obrigatório ainda tem suscitado algum trabalho há mais, uma vez que se verifica o maior descomedimento dessa medida”.

No controle sobre a pandemia, de acordo com o porta-voz, 34 (trinta e quatro) automobilistas de transporte público de passageiros foram autuados pelas autoridades policiais e multados pela não observância das medidas de mitigação e prevenção da pandemia.

Nacute fez estes pronunciamentos no habitual briefing semanal com a imprensa que se realiza nas segundas-feiras, momento em que deu a conhecer que no dia 18 de Maio corrente, dois indivíduos foram interpelados e neutralizados indiciados de roubo de medicamentos do Sistema Nacional de Saúde, no hospital distrital de Moma, nesta província.

Segundo Nacute, os dois cidadãos foram interpelados na área da 2ª Esquadra da P.R.M, na cidade de Nampula, quando transportavam, numa viatura, 14 (catorze) caixas de fármacos ainda não especificados que, provavelmente, seriam comercializados nos mercados informais da província.

“A polícia, em patrulha, interpelou uma viatura que transportava uma certa mercadoria ao longo da Avenida das F.P.L.M, na cidade de Nampula, onde quando os agentes aproximaram-se para saber do que se tratava aperceberam-se que eram medicamentos do Sistema Nacional de Saúde. Estes indivíduos, de forma fraudulenta, conseguiram uma guia de transporte, mas porque as circunstâncias levantaram uma suspeita por parte dos membros da polícia, os indivíduos foram encaminhados a 2ª Esquadra da P.R.M. De seguida, fez-se o contacto com a direcção distrital de saúde em Moma onde não foi confirmado o transporte deste medicamento, facto que fez com que as autoridades instaurassem um processo-crime que já decorre os seus trâmites legais para responsabilizar os cidadãos por furto de medicamentos do Sistema Nacional de Saúde”, concluiu Nacute. (Esmeraldo Boquisse)

Primeiro trimestre de 2021 foi menos violento para família e crianças em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Gabinete de Atendimento à Família e Criança Vítima de Violência (GAFCVV), da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, refere que o primeiro trimestre do corrente ano de 2021 foi menos violento naquele ponto do país.

Dados da instituição apontam que houve o registo de uma redução em mais de 85% de casos de violência envolvendo famílias e menores, ou seja, no mesmo período de 2020 foram registados 704 casos e no período referente a 2021 foram, apenas, 605 casos.

De acordo com Trindade João, do GAFCVV, está redução é encorajadora, sobretudo porque é resultado das campanhas de sensibilização e consciencialização que a instituição e parceiros tem vindo a promover nas comunidades.

“Estamos num passo satisfatório, visto que temos uma redução”, aponta a fonte, reconhecendo que “devemos ter em conta que essa redução pode não ser na totalidade satisfatória, precisando um estudo para entender o porque dessa redução, porque pode ser a falta de denúncia”, mas “estamos satisfeitos por reduzir os casos no seu todo em 85.99%”.

As mulheres e as crianças, segundo Trindade João, são as principais vítimas dos casos denunciados, o que preocupa aquele departamento policial. Dos 285 casos cíveis registados, 101 as vítimas são crianças e 207 tem como vítimas mulheres, “o que nos preocupa muito”.

Para o crime de liberdade sexual, foram registados 49 casos, e mais uma vez mulheres e crianças foram as principais vítimas. (Elisabeth José)

Extracção Mineira em Moçambique: Há fraca participação das mulheres e jovens na gestão de receitas de 2.75%

Nampula (IKWELI) – Uma pesquisa desenvolvida pela KUWUKA JDA, uma organização da sociedade civil, apresentada recentemente na cidade de Nampula concluiu haver fraca participação dos jovens e mulheres nos processos de decisão sobre o uso das receitas, vulgo 2.75%, canalizadas às comunidades abrangidas nas áreas de extracção mineira, no país.

O estudo teve como amostra os distritos da província de Nampula, nomeadamente Larde e Moma, bem como os de Moatize e Mutarara, na província central de Tete, por sinal os únicos que até nos dias actuais são beneficiários dos 2.75% das receitas resultantes da extracção mineira.

Destes distritos, segundo o estudo, os membros dos Conselhos Consultivos Locais são constituídos sem a observância da lei que determina que 30% dos membros sejam mulheres e 20% jovens.

Nos dois distritos da província de Nampula abrangidos pela pesquisa, por exemplo, constatou-se que do universo dos membros dos dois conselhos consultivos, apenas 6% são provenientes da camada jovem e 31% mulheres. Na província de Tete, o estudo relata que no universo dos membros dos conselhos consultivos de Moatize e Mutarara, apenas 25,5% dos membros são mulheres e 0% (zero por cento) jovens.

Aponta-se como causas que estejam por detrás da alegada fraca participação, os factores culturais, religião, o baixo nível de escolaridade, por parte das mulheres, falta de motivação dos jovens aliada com o egocentrismo por parte dos próprios líderes comunitários.

“Também, verificou-se que a maioria dos membros do Conselho Consultivo são as lideranças locais, são pessoas filiadas a um órgão social do partido, são pessoas com um cargo especial ao nível das comunidades”, disse Germano Rujuane, oficial de Programas da KUWUKA JDA, durante a apresentação do estudo.

“Relativamente à participação das mulheres e jovens é muito fraca. Na província de Nampula, sobretudo, foram levantados os factores sócio-culturais, sendo que nas zonas costeiras a predominância da comunidade islâmica, historicamente as mulheres não devem participar de uma forma activa como os homens participam. Também outro factor levantado é a ocupação, as mulheres no campo estão mais atarefadas em relação aos homens, então as mulheres preferem participar nas suas actividades domésticas do que ir em uma reunião porque acham que o marido estando lá já representa os interesses de toda a família”, disse Rujuane.

“Relativamente aos jovens levantavam a questão de dividendos, porque os jovens dizem que não tem nada que participar nesses processos e em todos os fóruns de tomada de decisão e preferem ficar com actividades que podem lhes dar rendimento em detrimento de participarem nesses fóruns de tomada de decisão”.

De entre várias recomendações, a pesquisa considera ser necessário a participação de todos os actores na tomada de decisão, sobretudo para a gestão e utilização do montante provenientes dos 2,75%, como forma de garantir a transparência em todos os processos. Para o efeito, a pesquisa recomenda ao governo e a sociedade civil, assegurarem a capacitação de homens e mulheres, líderes comunitários e pessoas influentes na comunidade sobre os processos participativos, bem como equidade de género, com vista a participação efetiva das mulheres e jovens.

Importa referir que a pesquisa foi apresentada na última sexta-feira (21) durante um workshop sobre transparência fiscal e Fundo Soberano em Moçambique, na cidade de Nampula, evento promovido pela KUWUKA LDA e Solidariedade Moçambique (SoldMoz), em colaboração com o movimento cívico sobre o Fundo Soberano. (Constantino Henriques)