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Nampula faz parte das províncias onde mais se violam as medidas de prevenção da covid-19

Nampula (IKWELI) – As províncias de Nampula, Sofala e Maputo, incluindo a cidade de Maputo, são consideradas, pela Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE), como sendo os pontos do país onde mais se desobedece as medidas legais impostas para fazer face a propagação da covid-19.

Com efeito, a INAE teve de encerrar, definitivamente, pelo menos, 250 estabelecimentos comerciais devido a renitência no cumprimento das medidas referentes.

Destacadamente, segundo a Inspectora-Geral da INAE, Rita Freitas, foram encerradas discotecas, barracas e estabelecimentos de restauração pela desobediência reiterada.

“Ao nível de todo o país, no primeiro semestre deste ano deverão estar nos cerca de 250 estabelecimentos com este tipo de comportamento, aqueles que nós encontramos, isto porque temos muitos outros que nós não temos conhecimento ou não os apanhamos. Mas daqueles que já foram encontrados a funcionar de forma clandestina, entre discotecas, salas de dança, restaurantes que funcionam como discotecas e bares, locais que se realizam eventos sociais privados, andam por volta de 250 estabelecimentos”, disse a Inspectora-Geral Rita Freitas, para quem “a INAE primeiro pauta pela sensibilização e educação. A multa é o último recurso, quando se trata de uma segunda ou terceira vez sim, tem uma multa para além da suspensão por um a três meses, ou cassação da licença para o caso de infracções mais graves ou exercício de actividade de forma ilegal”.

No entanto, “continuamos a notar que as pessoas não estão a respeitar o decreto presidencial, no que toca aos eventos sociais privados e o horário em relação ao encerramento dos restaurantes. De uma forma geral, isso tem acontecido um pouco por todo o país, com maior destaque para cidade e província de Maputo, Nampula e Sofala, são províncias que têm maior número de desobediência nestes aspectos”.

No disser da Inspectora-Geral da Inspecção Nacional das Actividades Económicas há muita renitência por parte dos agentes económicos. Enquanto alguns colaboram, maior parte, principalmente do sector de restauração, verifica-se o incumprimento, dado que “alguns estabelecimentos encerram as portas na hora definida por lei, que é das 21 horas, mas através de outras portas alternativas continuam a entrar e sair clientes. Outros ainda usam uma nova estratégia que é de os clientes que estarem dentro dos estabelecimentos, sobretudo, em locais meio escondidos, o que não permite ser visível, esses ficam até de manhã, hora em que já podem circular. Isto tem nos preocupado”.

Em relação a realização de eventos sociais em tempos da pandemia, Rita Freita dá a entender que há cidadãos que promovem grandes festas em suas residências que, neste momento, de acordo com ela, continuam interditadas a realização de eventos sociais privados com excepção de casamentos que podem ser realizados para 20 pessoas.

Rita Freitas falava, em entrevista, aquando da realização do V Conselho Consultivo Nacional que decorreu no distrito de Nacala-À-Velha, província de Nampula, onde o organismo pretendia desenhar novas estratégias de actuação no âmbito da fiscalização em tempos da covid-19 que assola o mundo e o país, em particular. (Esmeraldo Boquisse)

CDD exige ao IACM esclarecimento sobre a segurança do transporte aéreo em Moçambique

Maputo (IKWELI) – As recorrentes situações de insegurança aeronáutica que se registam com os voos das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) estão a mexer com diversas sensibilidades da sociedade no país, e com efeito, o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) exige esclarecimento por parte da Autoridade da Aviação Civil de Moçambique (IACM) sobre a segurança aeronáutica.

Em carta data de 11 de Junho corrente, a organização liderada pelo Professor Adriano Nuvunga, arrolando os incidentes, cujo pico começou a 26 de Fevereiro corrente na cidade de Quelimane, Zambézia, escreve que “ninguém merece aquela situação de terror que se vive nas aeronaves da LAM”, ao que “duvidamos que se um avião estivesse a transportar o Presidente da República ou mesmo o Primeiro-Ministro estivesse com vidro rachado ou partido, como daquele avião [referindo-se ao recente evento de Pemba]” levantaria voo.

No entender do CDD, estas situações revelam “insensatez com vidas alheias por parte da direcção da LAM e da IACM”, porque “se aquele avião saiu com vidro danificado e sem capacidade de segurar a entrada de ao bordo, é porque o mesmo não passava e nem passou de manutenção há bons pares de dias”.

‘Urge que a Vossa Excia repreenda vigorosamente a LAM para que esta retorne à consciência de servir os seus clientes com zelo, dedicação e responsabilidade”. (Aunício da Silva)

PCA do FNDS esclarece que não é intenção excluir candidatos com base na sua filiação partidária

Maputo (IKWELI) – O Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), Cláudio Borges, defende que não é intenção da instituição que dirige incluir ou excluir candidatos com base na sua filiação partidária.

Reagindo ao estudo do Centro de Integridade Pública (CIP), divulgado na última quarta-feira (10), que alega a existência de falta de transparência na selecção dos beneficiários do Projecto “Sustenta” o que indicia “compra de lealdades ao nível local”, Borges referiu que “não é nossa intenção incluir ou excluir candidatos com base na sua afiliação partidária, nós estamos aqui a procura de moçambicanos capazes de produzir (alimentos)”.

“A implementação do projecto Sustenta, na fase de selecção dos beneficiários, foi marcada por falta de informação pública sobre os critérios exigidos para a selecção dos candidatos a Pequenos Agricultores Comerciais Emergentes (PACEs)”, indica um estudo do CIP, que alega “a falta de uma comunicação clara sobre os critérios de selecção tornou o processo o menos transparente possível. Há indicações de que nem todos os concorrentes tinham informação completa sobre os requisitos necessários. Alguns requisitos só eram partilhados entre pessoas afiliadas ao partido no poder, o que contribui grandemente para a falta de transparência”.

No estudo, realizado com um número não especificado de entrevistados nas províncias de Tete, distrito de Tsangano, Nampula distritos de Malema e Ribaué e Zambézia nos distritos de Alto Molócue e Gurué, o CIP alega que “no distrito de Tsangano em Tete uma candidata que havia sido reprovada, a posterior foi selecionada. Pelo que, há que questionar se este procedimento era válido para todos os distritos em casos similares ou esta excepção teve em conta o facto de existir uma relação entre a candidata e o seu esposo que ocupa a posição de edil no Conselho Autárquico de Tete, em representação do partido Frelimo”.

O Centro de Integridade Pública sugere ainda que o processo de selecção de candidatos a PACE´s do Programa Sustenta corre o “risco de apropriação do processo por parte dos governos locais na procura de ganhos e vantagens, a submissão das propostas é feita no SDAE, e isso acaba criando maior inclusão e vantagem dos camaradas “do Partido Frelimo” e excluindo os da oposição”.

“Nós recebemos 3.702 candidaturas, os PACEs têm em média planos de negócios estimados em cerca de 100 mim dólares (equivalentes a cerca de 6 milhões de meticais), se tivéssemos disponibilidade orçamental se calhar teríamos financiados todos, infelizmente isso não foi possível devido a limitações de orçamento”, explicou Cláudio Borges.

De acordo com o PCA do FNDS foi definido “um critério mínimo de 14 hectares, tendo em conta que a variação para um PACE vai de 5 a 50 hectares de área de produção, e ficamos com 556 PACES em todo o território nacional com áreas. O 2º critério, que se calhar é talvez o mais importante de inclusão, é a predisposição destes PACEs em trabalhar com pequenos agricultores, de incluí-los na sua cadeia de valor, e nós estimamos numa média de 200 Pequenos Agricultores por PACE”.

 

Relativamente a alegação de “falta de informação pública” Borges lembrou que “promovemos durante 1 mês uma acção de divulgação da chamada para candidaturas a partir do momento em que Sua Excelência o Presidente da República lançou o Programa Sustenta nacional, a 31 de Julho do ano passado, através das rádios, televisões e jornais, aliás até foi confundida com propaganda, então há aqui uma faca de gumes. Reconhecemos que o alcance desta acção não permitiu que a informação chegasse à base, a todos aqueles que eram alvo do projecto, é algo que temos de melhorar no novo processo que vai começar nas próximas 2 a 3 semanas”.

Sobre o facto de no distrito do Gurúè terem sido selecionados apenas extensionistas rurais como PACES o PCA do FNDS revelou que “o Governo decidiu  no ano passado experimentar o fomento directo através dos extensionistas que foram selecionados com base na sua performance, não precisavam de ter terra nem necessariamente um plano de negócios, precisava de identificar uma comunidade a qual ele prestasse assistência e pudesse distribuir insumos e monitorar a produção e produtividade com base no pacote tecnológico. Foram indicações dos governos provinciais que passaram por crivo ao nível Central, mas são um piloto, da mesma maneira que em 2017 o veículo piloto era o PACE ou uma pequena ou média empresa. Ainda não estamos em condições de fazer um balanço porque a campanha está na sua fase terminal”.

“Quando a monitoria e avaliação concordo que a fase piloto do Programa Sustenta nós é que promovemos e avaliamos o impacto, mas tendo em conta a envergadura que o Programa ganhou precisamos de olhos independentes, organizações da sociedade civil, pequenas e médias empresas de consultoria, academia”, desafiou Cláudio Borges. (Aunício da Silva)

Prevalência da desnutrição crónica em Nampula preocupa Mety Gondola

Nampula (IKWELI) – O Secretário de Estado da província de Nampula, no norte do país, Mety Gondola, queixa-se da prevalência do índice da desnutrição crónica que afecta maior parte de crianças nesta circunscrição geográfica,mesmo com um potencial de produção de alimentos de elevado gabarito.

A preocupação do representante do Chefe do Estado foi manifestada na manhã de ontem, quinta-feira (10), aquando do Diálogo Nacional sobre a situação de segurança alimentar e nutricional em Moçambique, realizada na cidade capital provincial de Nampula, sob o lema “Contribuindo para a melhoria da situação da segurança alimentar e nutricional em Moçambique”.

Falando aos actores dos sectores público e privado, que lidam com as questões de segurança alimentar e nutricional no país, no geral, e em Nampula, em particular, Mety Gondola explicou que o governo, junto dos seus parceiros de cooperação, muito tem feito face à problemática da desnutrição no seu todo. Ademais, sob ponto de vista de produção os efeitos são visíveis. Porém, ainda a população ressente-se de níveis elevados de desnutrição crónica e de insegurança alimentar, entre outros fenómenos que deixam vulneráveis as comunidades, com maior destaque para as da zona rural.

O governante afirma, ainda, que o distanciamento entre os esforços empreendidos e os resultados obtidos são,também, visíveis quando se faz uma análise do ponto de vista global. No seu entender, o mundo definiu as abordagens, as prioridades e, de seguida, configurou-as ao longo da estruturação dos objectivos de desenvolvimento sustentável, mas pode-se ainda referir que os resultados alcançados, infelizmente, à semelhança da província de Nampula, não se mostram satisfatórios.

“Este espaço de diálogo nacional surge como resposta ao que todos temos acompanhado nos últimos tempos, em que muitos esforços, os demais diversos governos e organismos internacionais têm feito para condução do mundo, do país e da província em particular, de modo que possamos ter vida digna para a população. Igualmente, o espaço surge como resposta ao facto de todos esses esforços, infelizmente, não estarem a surtir efeitos que nós todos desejamos”, sublinhou o dirigente.

Mety Gondola acrescenta, ainda, que foi baseando-se nestas evidências que o Governo de Moçambique, através do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, criou o espaço para “propor mudanças e estruturar processos a fim de obter melhores resultados no âmbito do combate a segurança alimentar e nutricional, envolvendo o sector público e privado, por estes representarem as mais diversas sensibilidades a nível das comunidades”.

“Não percamos de vista a necessidade de identificar barreiras no acesso a alimento seguro e nutritivo, nos processos de produção”, apelou o dirigente, para quem “temos de prestar atenção na disponibilidade dos meios e programas que nos possam permitir que as comunidades estejam menos vulneráveis a situação de alterações climáticas, em situações de insegurança alimentar por razões de conflitos e alterações no quadro geral das relações que comprometem os processos produtivos, distribuição, acesso e consumo dos mais variados bens”.

Refira-se que, nos primeiros três meses do presente ano, pouco mais de 4000 (quatro mil) crianças foram diagnosticadas com desnutrição aguda na província de Nampula, e os distritos de Monapo, Eráti e Nampula são os que apresentam maior índice de prevalência, segundo aponta o sector provincial da nutrição, no Serviço Provincial da Saúde, nesta região nortenha. (Esmeraldo Boquisse)

Agentes da PRM condenados em Montepuez por exploração ilegal de rubis

Montepuez (IKWELI) – Seis indivíduos, dos quais três agentes da Polícia da república de Moçambique (PRM),foram condenadas pelo Tribunal Distrital de Montepuez, na província de Cabo Delgado, há penas de prisão de 1 ano e seis meses de multa, pela prática do crime de pesquisa e exploração ilegal de recursos minerais na concessão da Montepuez Ruby Mining (MRM).

Entretanto, as penas de prisão foram convertidas em um ano de multa, à taxa diária de 300,00Mt (trezentos meticais), em virtude de os acusados serem réus primários. Os arguidos foram, igualmente, conjunta e solidariamente, condenados ao pagamento de uma indemnização à MRM no valor de 300.000,00Mt(trezentos mil meticais).

Entre os arguidos, três são agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), dois são funcionários da GardaWorld e um é funcionário da MRM afecto à segurança. Concretamente, trata-se dos agentes Celestino Jussa, Joaquim Alberto e Malimo Afonso; dos tratadores de cães Daniel Almeida e Armando Semenha, ambos da GardaWorld; e de Ahamade Francisco, operador de vigilância na MRM.

No entanto, um sétimo arguido, identificado por Feliciano Januário, também funcionário da GardaWordl, foi julgado à revelia, por se encontrar em parte incerta.

Concorreu para a condenação dos arguidos o facto de ter ficado provado, em sede do tribunal, que o funcionário da MRM, da GardaWorld e os agentes da PRM, em estreita colaboração, facilitaram a exploração ilegal na concessão da Montepuez Ruby Mining, em troca de valores monetários.

Paralelamente à condenação, correm contra os agentes da Polícia processos disciplinares ao nível do Comando Provincial da PRM, em Pemba, bem como contra os funcionários da GardaWorld e da MRM, movidos por estas últimas, respectivamente.

A Montepuez Ruby Mining vai doar o valor de indemnização (300 mil meticais) fixada pelo tribunal às pessoas deslocadas devido aos ataques terroristas na província de Cabo Delgado, cujo número não pára de crescer.(Redação)

Comandante da 3ª Esquadra da PRM em Namicopo condenado por prática de actos criminais

Nampula (IKWELI) – O comandante da 3ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), localizada no mais populoso bairro do país, Namicopo, na cidade de Nampula, Maurício Mucareia, foi condenado pelo Tribunal Judicial da cidade de Nampula acusado de vários crimes.

A sentença do caso foi proferida recentemente, e o mesmo era acusado da prática do crime de usurpação coisa móvel, ofensas corporais voluntárias a cidadãos, injúria e difamação, condenáveis a luz do Código Penal em vigor no território moçambicano.

Entretanto, segundo apuramos, o crime de difamação foi o que mais pesou para a condenação daquele membro da corporação visto que, em conformidade com o Tribunal, outros crimes de que o acusador destaca não foram tidos em consideração pelo Tribunal, por alegadamente faltar evidências necessárias e suficientes para constar no acto condenatório.

Na verdade, Maurício Mucareia, comandante da 3ª Esquadra da PRM, é confesso de ter tratado a um cidadão de extorquidor, adjectivo que não se relaciona com a sua personalidade.

Face a isso, Maurício Mucareia foi condenado a pena de prisão de 30 dias, e 30 de multa correspondente a 6.000.00MT (seis mil meticais), equivalente a uma taxa diária de 200.00MT (duzentos meticais). Paralelamente, segundo as decisões daquele órgão de justiça, o ofendido será indemnizado com o valor de 2500.00MT (dois mil e quinhentos meticais). (Lino Mpaque)

Mety Gondola apela a necessidade de preservação dos oceanos

Nampula (IKWELI) – Dos 23 distritos que compõem a província de Nampula, 10 são banhados pelo oceano índico, e ontem, terça-feira (8), foi assinalado o dia mundial do oceano, com principais mensagens da necessidade da sua protecção e conservação perante a acção humana.

O distrito de Nacala-Velha, a noroeste da província de Nampula, foi o palco das celebrações naquele ponto mais populoso do país, e o Secretário de Estado, Mety Gondola, teve de se deslocar para lá e apelar a mudança de comportamento perante os oceanos e mares.

“Hoje é um dia que se marca essa celebração e para renovar o nosso compromisso na proteção do oceano e do mar, e de todos os benefícios que emergem dessa facilidade que usufruem”, disse, na praia dos namorados, Gondola, prosseguindo que neste dia “refletimos sobre o papel de cada um na proteção do mar e os benefícios que temos”, por isso, “a reflexão tem de ser, primeiro individual, sobre como temos vindo a lidar com essa questão do mar e em conjunto”, sobre os benefícios que advém deles, e ainda a questão das “mudanças climáticas, tanto em comunidade assim como de forma institucional no sentido de mantermos o que estamos a fazer melhor e desvendar o que não fazemos para melhorar a nossa actuação”.

Esta fonte governamental, está segura de que o “repovoamento de mangal é algo crucial na proteção das nossas comunidades, da nossa costa, na redução dos riscos de devastação das casas das nossas comunidades, um contributo a nossa economia com a reprodução de crustáceos”, ao que “as nossas ações não devem ser somente em datas comemorativas. Façamos com que esse comportamento seja introduzido nas comunidades. Quando nós nos fazemos as nossas praias que cuidemos do ambiente, que não tragamos garrafas, plásticos e outros objectos que depois do consumo deixamos lá. Sejamos, nós, os primeiros fiscais na actuação para com as nossas praias”.

O distrito de Nacala-Velha dispõe de 50 quilómetros banhados pelo oceano indico, e o respectivo administrador Abdurremane Selemane, está ciente da necessidade da união de esforços para a protecção do oceano. (Aunício da Silva)

Há proliferação de terminais ilegais de passageiros e cargas na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – O surgimento de parques e terminais de passageiros e de carga na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, constitui um problema para a mobilidade rodoviária na autarquia, facto que preocupa os transeuntes.

Para cada zona de ligação com outras províncias do país, há sempre um novo parque e/ou terminal a surgir. A sua maioria estão localizados nas avenidas do trabalho (junto da Estrada Nacional Número 1) e na avenida das FPLM.

Os operadores destes serviços de transporte de pessoas e cargas disputam, incluindo, os passeios com os peões, os quais não escondem o seu desagrado com a situação, sobretudo pela insegurança que constitui.

“É constrangedor para nós, quando lá passamos com uma mochila, ou uma pasta grande pensam que queres viajar até te arrancam a pasta como se a pessoa quisesse viajar,  isso porque estão num ponto errado, se fosse um parque com quintal eles já iriam  ter ideia de que as pessoas que querem viajar são aqueles que estão dentro do quintal”, disse a munícipe Lucrécia Santos, que comenta que “depois, nos pontos onde fazem de parque, há muita gente desde passeiros, automobilistas e ladrões disfarçados, um pequeno descuido roubam seu celular, sua pasta, seu dinheiro entre outras coisas”.

Dino Manuel, outro cidadão entrevistado pelo Ikweli a propósito, diz que “na FAINA, para quem curva para o mercado do Waresta, tem carros que vão a Murrupula, Ribáuè Namaita, Rapale entre outros distritos. Ali não é parque e fica cheio, os que não tem carro nem tem onde passar porque o passeio já é onde o carro tem estado estacionado”.

Este cenário, também, verifica-se na avenida das FPLM, próximo a direcção provincial da Educação e Desenvolvimento Humano, onde viaturas que carregam para os distritos de Angoche, Larde, Moma, Mogovolas, Mogincual e Liupo assaltaram os passeios.

Os operadores deste serviço defendem-se que os parques oficiais ficam localizados distantes do centro urbano, por isso a opção é encontrar alternativas, ainda que prejudiquem a mobilidade na autarquia.

“Temos parque na Petrona, mas é distante, para esperar passageiros lá não é fácil e nós trabalhamos com metas. Pelo menos, em um dia de trabalho devemos fazer duas viagens para conseguir combustível, então saímos da Petrona e procuramos passageiros nas ruas onde tivermos um fluxo ficamos aí, e dia seguinte voltamos no mesmo lugar onde tínhamos fluxo de passageiros e aí transformamos a rua em nosso parque”, confirma o transportador Sérgio Conta, que faz o percurso cidade de Nampula – Ilha de Moçambique.

Lino Bonifácio, outro transportador de passageiro, questiona: “o que adianta sentar no parque se não aparecem os passageiros?”, comentando que “nós trabalhamos com passageiros e temos que ir buscar onde eles estão, por isso optamos em usar algumas ruas para fazer carregamento porque são essas ruas onde encontramos os passageiros”.

O conselho autárquico da cidade de Nampula ainda não se pronunciou sobre esta situação, mesmo diante das insistências por parte da nossa equipa de reportagem. (Elisabeth José)

Porto de Nacala-Velha transportou menos carvão no primeiro trimestre de 2021 do que de 2020

Nampula (IKWELI) – O porto de Nacala-Velha, principal ponto de escoamento do carvão mineral pela empresa Nacala Logistic, registou uma redução da quantidade do produto exportado durante o primeiro trimestre do corrente ano de 2021, comparativamente ao igual período de 2020.

Um comunicado de imprensa enviado ao Ikweli, refere que “durante o primeiro trimestre, o transporte de carvão situou-se em 1 milhão de toneladas, contra o orçado de 1.5 milhões de toneladas, e o embarque atingiu 1.1 milhão de toneladas, contra 1.5 milhões de toneladas previstas. Estes resultados representam uma diferença em relação ao planificado na ordem de 34% (transporte) e 28% (embarque)”.

Ainda assim, a nota aponta que “o Relatório Financeiro e de Produção da Nacala Logistics do primeiro trimestre de 2021 apresenta um aumento do lucro bruto (EBITDA) na ordem dos 6%, nos negócios de transporte de carvão e de carga geral. O crescimento do lucro bruto ficou a dever-se a gastos operacionais abaixo do previsto. Para este período foram orçados 88 milhões de dólares, sendo que o cumprimento situou-se na ordem dos 83 milhões de dólares”.

Citado pelo comunicado, Fábio Iwanaga, Administrador Financeiro da Nacala Logistics, destacou que “as operações nos dois negócios, carvão e carga geral, continuam a enfrentar desafios”. O responsável aproveitou para felicitar o apoio e dedicação dos colaboradores no contributo pela continuidade do negócio.

Na carga geral, durante os primeiros três meses do ano, foram transportadas 76 mil toneladas, contra 80 mil toneladas previstas para este período. “Na carga geral, a demanda continua a ser um desafio, mas os resultados melhoraram bastante no primeiro trimestre e esperamos que a carga retorne nos próximos meses, para atingirmos os nossos orçamentos”, referiu ainda o Administrador Financeiro da Nacala Logistics.

Apesar de um contexto económico desfavorável devido à pandemia do novo coronavírus, a Nacala Logistics continua a investir na segurança e no bem-estar dos seus colaboradores e stakeholders, mantendo o compromisso de contribuir para o desenvolvimento sustentável de Moçambique e das comunidades onde opera. (Redação)

Má conservação de alimentos propicia a contaminação de doenças em Nampula

Nampula (IKWELI) – A não observância de boas medidas de conservação de alimentos de origem animal, no caso concreto a carne, constitui um perigo a saúde pública, segundo aponta o director do Centro de Estudos Interdisciplinares Lúrio, Ibrahimo Chabite, na província de Nampula, região Norte de Moçambique.

O posicionamento foi revelado na manhã da última segunda-feira (7), no âmbito da celebração do Dia Mundial do Alimento Seguro. Para Ibrahimo Chabite “não há segurança alimentar sem alimentos seguros”, o que significa que “é necessário ter alimento seguro para se ter a segurança alimentar. Mesmo que os alimentos sejam poucos, pode-se ter maior índice da população com uma boa saúde. Nós não podemos apenas nos cingir na quantidade da produção e deixarmos a parte da segurança desses alimentos que produzimos”.

De acordo com este director afecto no laboratório de segurança alimentar na Universidade Lúrio, em Nampula, o sector que dirige enfrenta desafios ligados a criação de uma legislação que possa proteger os consumidores porque, segundo ele, a maior parte da produção em Moçambique não faz o controle de toxinas, ou então, reduzir o máximo possível o nível de toxidade de alimentos, sobretudo, os de origem animal.

“A nível do laboratório, já encontramos diversos alimentos de índice de toxidade acima do recomendado. Os alimentos seguros são aqueles que têm um índice muito baixo de contaminação química, microbiológica, física ou biologia, o que se quer é que não tenha contaminação, ou então contaminação muito baixa”, explicou Chabite, para quem “o leite para crianças, por exemplo, não pode ter certos contaminantes microbiológicos. Tem óleo de cozinha que tem de ter quantidade baixa de acideis e não pode estar acima do recomendado. Ainda mais, encontramos diversos alimentos com baixo nível de fortificação, como é o caso de açúcar”.

Por sua vez, a nutricionista afecta na Universidade Lúrio em Nampula, Brígida Makhasa, realça que a segurança dos alimentos consiste na garantia de que todos os alimentos que consumimos não possam causar nenhum tipo de doença. Por isso, a necessidade de consciencializar a população sobre os perigos da venda e consumo dos nossos produtos, com maior destaque para o processo de venda de produtos de carne, peixe e dos ovos.

“Actualmente verifica-se, em algures da cidade, a venda de carne em condições não favoráveis. Por isso, alertamos sobre o perigo de venda e consumo destes produtos, porque na sua maioria, esses produtos são perecíveis, deterioram-se com maior facilidade e exigem melhores condições de conservação, a carne deve ser conservada em câmaras de refrigeração”, disse.

Makhasa refere que a carne mal conservada apresenta microrganismos que causam doenças ao consumidor. Exemplo disso, de acordo com a nutricionista, nos últimos tempos a cidade de Nampula já apresenta casos de febre tifóide que é consequência da má conservação dos produtos alimentares na sua maioria de origem animal. Porquanto, é importante que os vendedores de carne, ovos e peixe tenham consciência de quais são os cuidados que devem ter no processo de venda dos seus produtos de maneiras que os consumidores não saiam lesionados.

Igualmente, “os mesmos cuidados devem ser observados pelos consumidores. Se alguém compra carne, seja ela fresca ou congelada devo ter cuidados quando chego a casa. No caso da carne congelada, quando chego a casa tenho de manter a sua temperatura, armazenar num congelador. No momento de descongelar nós temos o hábito de mergulhar a carne num recipiente por muito tempo, mas é preciso ter cuidado, substituir a água em tempo útil”. (Esmeraldo Boquisse)