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Nas últimas duas décadas Moçambique perdeu mais de 150 milhões de dólares devido as mudanças climáticas

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, disse na manhã desta segunda-feira (21), que o país perdeu, nas últimas duas décadas, mais de 150 milhões de dólares norte-americanos em consequência das mudanças climáticas.

O estadista que falava na cidade de Nacala-Porto, província de Nampula, procedeu ao lançamento público do Centro de Operações Humanitárias e de Emergência (COHE) da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), onde, também, esteve presente o presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi, presidente do órgão da SADC de Defesa e Segurança.

De acordo com Nyusi, devido a estas perdas, o país e a região tem estado a unir esforços no sentido de criar capacidade de resiliência, redução de riscos e prevenção de danos, bem como a resposta à emergências.

Na qualidade de presidente da SADC, Filipe Nyusi disse que a região tem vindo a sofrer os efeitos das mudanças climáticas, tanto que a resposta para estas ocorrências deve ser coordenada e conjunta.

“É nesta cidade de Nacala-Porto, onde o processo de integração regional é vivido e realizado todos os dias no seu porto, aeroporto, linha férrea, estradas e outras várias formas”, justificou Filipe Nyusi a escolha daquela Zona Económica Especial para a instalação da COHE, prosseguindo que “a nossa presidência [da SADC] decorre num contexto de adversidades sem precedentes. Estamos a enfrentar o triplo desafio dos hediondos e cobardes ataques terroristas em algumas partes da província de Cabo Delgado, os devastadores efeitos das mudanças climáticas em forma de ciclones, cheias e secas, e a pandemia da covid-19”.

Por outro lado, o estadista apontou que “o facto de em nada não contribuirmos para a origem de qualquer destas crises, em nada alivia ou minimiza o enorme preço humanitário que os povos da SADC e moçambicano, em particular, tem vindo a pagar”.

Sede do Centro de Operações Humanitárias e de Emergência da SADC

Igualmente, Nyusi considerou que a inauguração do COHE “é uma resposta concreta aos desafios decorrentes das mudanças climáticas”.

O COHE é uma iniciativa que visa dotar a região Austral de África de instrumentos e instituições para fazer face aos desafios decorrentes do impacto das mudanças climáticas e outras emergências associadas que requerem uma intervenção rápida, coordenada e atempada em qualquer estado-membro. (Aunício da Silva, em Nacala-Porto)

Ferroviário de Nampula alcança primeira vitória no “25 de Junho” no Moçambola 2021

Nampula (IKWELI) – O Ferroviário de Nampula conseguiu, neste domingo (20), conquistar a sua primeira vitória na presente edição do Moçambola, em pleno estádio 25 de Junho, localizado no bairro de Carrupeia, no terceiro maior centro urbano de Moçambique, ao derrotar ao homónimo de Maputo por 1-0.

A partida contou para a 10ª jornada do campeonato nacional de futebol sénior masculino, ou simplesmente o Moçambola deste ano. Aliás, trata-se da segunda vitória consecutiva do Ferroviário de Nampula depois de 1 a 0 conseguido na semana passada, fora de portas, diante do Matchedje de Mocuba.

O Ferroviário de Nampula entrou melhor em campo, com jogadas combinadas e de pressão que desequilibraram, de forma integral a filosofia dos representantes do Ferroviário de Maputo, fazendo com que cometessem muitos erros na sua zona defensiva.

O único golo do confronto foi apontado na passagem do quinto minuto do jogo, por intermédio do inevitável Salas Malico (SM10) cujo milagre combina com a do Nelson Santos, treinador principal dos chamados Axinenes de Nampula.

“A missão quando o Nelson Santos chegou era tirar o mais rápido possível a equipa da zona de perigo, é verdade que dois jogos, duas vitórias e seis pontos, dois golos e zero sofridos, é o trabalho, acima de tudo, dos jogadores. O trabalho, atitude e a fé que eles têm, o resultado é dos jogadores. O mais importante é o Ferroviário de Nampula ganhar e estarmos lá em cima, ainda não estamos onde queremos estar, temos que ser humildes, temos que trabalhar muito, falta muito campeonato ainda, é positivo vermos que as coisas estão a aparecer jogo a jogo”, disse depois da partida, Nelson Santos, treinador do Ferroviário de Nampula.

Para Daúdo Razaque, treinador do Ferroviário de Maputo, “falhou muita coisa, entramos um pouco apáticos, um bocado desconcentrado nos primeiros minutos e deu no que deu, sofremos golo muito cedo. Nós sabíamos que íamos jogar com uma equipa que precisa de pontos, jogou o seu anti-jogo à sua maneira e saiu-se bem. Agora já passou este jogo e não conta como se cai, mas como se levanta, os campeões são feitos nos maus momentos, também”, ironizou o técnico.

Com este resultado, o Ferroviário de Nampula passa a somar 10 pontos na décima posição.

Outros resultados da jornada são: Ferroviário de Lichinga 2 – 0 Ferroviário de Nacala, Costa do Sol 2 – 2 Associação Black Bulls, Ferroviário da Beira 1 – 0 Desportivo, Incomáti de Xinavane 1 – 2 União Desportiva de Songo, Ferroviário de Nampula 1 – 0 Ferroviário de Maputo, Associação Desportiva de Vilankulo 2 – 2 Matchedje de Mocuba e Textáfrica de Chimoio 1 – 1 Liga Desportiva de Maputo

A Associação Black Bulls continua líder imbatível aa presente edição do Moçambola com 26 pontos. (Constantino Henriques)

Corrupção leva a cadeia três funcionários da Migração em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Gabinete Provincial de Combate a Corrupção de Nampula (GPCC) “quebrou” no final da tarde da última sexta-feira (18), a rotina criminosa de um grupo de três funcionários dos Serviços Provinciais de Migração daquele ponto do país.

De acordo com o Dr. José Sopa Wilson, porta-voz do GPCC de Nampula, sucede que, em todas as sextas-feiras, este grupo de servidores públicos dirigia-se a empresa Companhia de Plásticos de Moçambique, localizada na zona da Rex, no populoso bairro de Namicopo, onde ameaçavam os proprietários, de nacionalidade chinesa, e extorquiam avultadas somas monetárias.

Quis a sorte que os abandonasse na última operação, e em consequência foram denunciados pelas vítimas, já cansadas das chantagens do grupo destes operativos que foi, imediatamente, recolhidos para os calabouços.

“Por volta das 17h [do dia 18 de Junho de 2021], o Gabinete recebeu uma denúncia, dando conta que na empresa Companhia de Plásticos de Moçambique, aqui em Nampula, na zona da Rex, estavam lá fiscais dos Serviços Provinciais de Migração a fazer o seu trabalho. Entretanto, ao invés de fazer o seu trabalho como devia ser, eles dedicaram-se a cobrança ilícita”, disse a fonte, explicando que “nesse caso, cobraram 40.000,00Mt (quarenta mil meticais) a um cidadão chinês. O cidadão pagou 30.000,00Mt (trinta mil meticais) em troca da sua liberdade, porque os fiscais ameaçaram deter o individuo porque, alegadamente, ele tinha DIRE (autorização de residência) caducado, mas sabendo que o respectivo processo estava em curso na Migração. Ele para se librar da detenção acabou pagando os 30.000,00Mt (trinta mil meticais).

Por outro lado, Wilson diz que “nós fomos lá a tempo e encontramos em flagrante os indivíduos quando acabavam de receber o dinheiro, e já se preparavam para abandonar o local”.

De uma leitura legal superficial, o nosso interlocutor disse que os detidos vão responder pela prática dos crimes de abuso de cargo ou função, corrupção passiva e enriquecimento ilícito. (Aunício da Silva)

Muahivire já não pertence a Muhala

Nampula (IKWELI) – O Bairro de Muahivire, na cidade de Nampula, norte de Moçambique, foi elevado à categoria de posto administrativo nesta terça-feira (15), durante o decurso da 2ª sessão ordinária da Assembleia Municipal daquele que é considerado o terceiro mais importante centro urbano do país.

Com a elevação do bairro de Muahivire para Posto Administrativo municipal, a cidade de Nampula passou dos anteriores seis postos administrativos para sete. Segundo apuramos, pretende-se com a ideia de elevar Muahivire a esta categoria, reduzir a distância que, actualmente, é percorrida pelos munícipes residentes naquela circunscrição geográfica para ter acesso a sede do posto administrativo de Muhala, no qual fazia parte, para a resolução dos seus problemas do dia-a-dia.

“É para respondermos as inquietações, as reclamações dos nossos munícipes, porque o bairro em si quase é um distrito inteiro e havia dificuldades de movimentação para irem a Muhala para tratar seus expedientes, então, com esta aprovação queremos reduzir as distâncias percorridas pela população”, disse a imprensa, Paulo Vahanle, autarca de Nampula.

Questionado sobre se estão criadas ou não as condições para o funcionamento normal de Muahivire como posto administrativo municipal, Paulo Vahanle respondeu que “as condições existem, porque o município tem técnicos, o município tem pessoas qualificadas para tal e lá tem infra-estruturas mínimas. O que falta é estender outras construções naquelas que eram simples células, já que é um posto administrativo, então transformar em localidade, há condições sim e há orçamento para isso porque o pessoal que vai trabalhar já está no município, já tem salário garantido, simplesmente é só colocar as pessoas a funcionar”.

Entretanto, Paulo Vahanle não avançou com a exactidão sobre quando Muahivire passará a funcionar na íntegra como posto administrativo, mas não descarta a possibilidade de que o acto seja concretizado no dia do aniversário da urbe, a assinalar-se no próximo dia 22 de Agosto do ano em curso, enfatizando que “vai levar algum tempo, porque para organizar tudo isso haverá uma cerimónia em que vamos empossar as estruturas competentes para responder aquele posto, mas, neste momento, há condições mínimas para pormos a funcionar o posto administrativo de Muahivire”.

Para a elevação de Muahivire a categoria de posto administrativo municipal, as três bancadas que constituem a Assembleia Municipal de Nampula, nomeadamente, Renamo, Frelimo e MDM, aprovaram por unanimidade a proposta da edilidade chefiada por Paulo Vahanle, proposta de autonomização do bairro de Muahivire e elevação a posto administrativo.

Para Pedro Kuylumba, chefe da bancada da Frelimo, não havia espaço para a rejeição da elevação de Muahivire a um posto administrativo, uma vez que reúne requisitos plasmados pela lei. Aliás, segundo recordou, mesmo nos tempos em que o seu partido conduzia os destinos dos nampulenses, foi expressa a mesma intenção que fracassou por razões adversas. “Esta proposta de elevação, autonomização do bairro de Muahivire em Posto administrativo é bem-vinda, porque é nossa proposta, de facto, aprovamos proceder com a aprovação desta proposta porque nós vamos trazer os serviços básicos dos munícipes a este território, portanto, é uma boa renovação da nossa proposta em autonomizar este bairro”, precisou Pedro Kuylumba.

Por seu turno, Salimo Paulino, chefe da bancada da Renamo, precisou que a elevação de Muahivire para Posto administrativo, “não é só um ganho da Renamo, é um ganho dos munícipes de Nampula residentes no bairro de Muahivire. Nós vamos ver a dimensão do posto de Muhala, você vive em Muahivire na zona de Muegane, lá é longe do posto administrativo e isso significa que uma vez aprovado a favor, essa proposta, é um ganho do povo”.

“A bancada do MDM, minha bancada, está satisfeita com a autonomização do bairro de Muahivire em posto administrativo, mas, portanto, não deixa de recomendar para que tudo que está escrito neste documento seja materializado. Isto é, seja matéria de implementação de tudo aquilo que está escrito neste documento, porque isso se não acontecer não será um posto administrativo”, disse Aiupa Nacozeria, membro da bancada do MDM.

Com uma população estimada em mais de 67.000 habitantes, o posto administrativo de Muahivire é constituído por três bairros nomeadamente, Muahivire que terá como unidades comunais, Gorongosa, Muetasse, Muacothaia, Namuatho C e Muegane; bairro de Namiteca, também com cinco unidades comunais destacadamente, Namiteca, Elipisse, Mucuache, Teacane e Malelane e, o bairro de Mutotope com três unidades comunais, 7 de Setembro, Napacala e Nanuco.

Outro dado não menos importante, é que Muahivire possui, entre outros importantes estabelecimentos, duas escolas secundárias, nomeadamente Escola secundária 22 de Agosto e Escola Secundária de Maparra, para além do maior centro de instruções Militares (Academia Militar de Nampula), sem descurar uma das importantes paróquias da Igreja católica, a paróquia Santa Cruz. (Constantino Henriques)

Vahanle “foge” a Comissão de Petições, Queixas e Reclamações da AR

Nampula (IKWELI) – Antigo deputado da Assembleia da República, o autarca da cidade de Nampula, Paulo Vahanle, decidiu por gazetar a solicitação da Comissão de Petições, Queixas e Reclamações da Assembleia da República (AR) que se encontra em serviço no maior círculo eleitoral do país.

Segundo apurou o Ikweli, dentre várias queixas recebidas, os cinco membros da comissão que se encontram em Nampula decidiram por solicitar o autarca, mas este se fez rogado, mesmo conhecendo as regras, e decidiu por mandar o seu chefe de gabinete e mais um vereador para o representar na audição.

De acordo com o relator da referida comissão, Júlio Fortunato Maga, sem entrar em detalhes, o autarca da capital da província mais populosa do país foi solicitado em resultados das queixadas recebidas, mas o mesmo não compareceu.

“Ele [Paulo Vahanle] mandatou vereadores e nós pedimos a presença dele, e estamos certo de que se for por questões de agenda vai nos informar”, disse o deputado Maga, prosseguindo que “a nossa missão é solicitar que a entidade se faça presente”.

Por outro lado, a mesma fonte explicou, na manhã desta quarta-feira (16), que “os representantes não são, neste caso, autorizados por isso que se dirige a entidade superior. Se é o administrador vamos ao administrador, se é o director provincial é o director provincial, esse é que responde. Não vai, portanto, que ouvir chefe de departamento. Ele, na qualidade de presidente do município, é a figura que nós temos que ouvir, não vamos ouvir o vereador”, tanto que “quem tomou posse para dirigir o município é o presidente, o vereador está, portanto, a apoiar os trabalhos do edil”.

Relativamente as petições, queixas e reclamações recebidas, também, a fonte não entrou em detalhes, mas referiu-se a casos de conflitos de terra no bairro de Namutequeliua, bem como “queixas que tem a ver com questões laborais, e temos muito poucos casos que tem a ver com funcionários públicos que pretendem ser reintegrados depois de serem expulsos”. (Aunício da Silva)

Governo de Nampula insta aos produtores de milho a terem paciência no início da comercialização

Nampula (IKWELI) – O governo da província de Nampula, através da direcção provincial da Indústria e Comércio, apela aos produtores para que não avancem com a comercialização do milho antes de atingir a sua total maturação, por forma a garantir a qualidade do mesmo, aceitação pelas indústrias de farinação e o registo de perdas avultadas.

De acordo com o director do sector, Alfredo Nampuio, muitas vezes, para assegurar a disponibilidade da matéria-prima, os industriais de farinação são obrigados as recorrer a outras províncias.

“O milho é um dos produtos que temos grandes perdas, em termos de qualidade, porque se este for comercializado antes de atingir a total maturação traz problemas, principalmente, no processamento, e neste ano, trabalhamos com as comunidades no sentido de elas não venderem de forma precoce para observarmos estes elementos, por isso que até agora não temos a comercialização de milho em grandes quantidades,porque eles estão a espera que seque para poder vender”, disse Nampuio.

A situação de má qualidade do milho de Nampula, é uma das preocupações que os industriais de farinação têm colocado ao governo, facto que lhes custa mais investimentos para ir buscar o produto noutras províncias, o que resulta no agravamento do preço da farinha de milho na província.

A título de exemplo, o Governador de Nampula efectuou num passado recente uma visita a uma indústria moageira localizada no bairro de Mutava Rex, onde depois de ouvir o preço praticado, mostrou-se insatisfeito, porque segundo ele, “não faz sentido registar-se subida de preços enquanto possuímos matéria-prima em abundância”, tendo, na altura, o representante daquela moageira defendido que o milho de Nampula não tem a qualidade recomendada e que o que está a ser usado é da província do Niassa, e para buscar envolve-se custos adicionais.

Quanto à perda durante o armazenamento, o director garantiu ter trabalhado com todos os armazenistas na província, no sentido de terem em conta todas medidas para a conservação do grão usando alguns produtos químicos no sentido de combater pragas em armazéns. (Alfredo Célia)

Governo capacita técnicos e fiscais florestais na região Norte do país para identificação de espécies madeireiras

Nampula (IKWELI) – Arrancou ontem na cidade de Nampula, no norte do país, a capacitação de técnicos e fiscais florestais, da região, em matéria de identificação de espécies madeireiras, de forma a suprir o défice de domínio da matéria.

O encontro vai ter a duração de 4 dias, estando sob gestão da direcção nacional de Florestas, do Ministério da Terra e Ambiente.

Afecta a direcção nacional de Florestas, a técnica Alima Issufo Dakdir refere que pretende-se melhorar a capacidade de identificação e fiscalização dos recursos florestais, dentre os quais as diversas espécies madeireiras mais comercializadas no território nacional.

“Um tronco cortado pode ser confundido pelo outro. Desta forma, se os nossos técnicos e fiscais estiverem capacidades poderão melhorar a identificação de um determinado tronco ou toro que passa por um posto de fiscalização”, disse a fonte, numa colectiva de imprensa.

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM), através do Laboratório de Tecnologia de Madeira, também, está envolvida nesta actividade e de acordo com Ernesto Uetimane Júnior, técnico da instituição, “pretendemos apoiar o desempenho da fiscalização no campo. Hoje em dia a madeira explorada passa nos postos de fiscalização já processadas e não em tornos, por isso muitas das vezes pode confundir os fiscais que têm a dificuldade de distinguir uma madeira das outras, sobretudo, as espécies muito parecidas das outras”.

Em Moçambique, ao todo, 25 espécies madeireiras são as mais comercializadas, ao que há toda uma necessidade de os técnicos e fiscais do sector saberem lidar com as mesmas com alguma facilidade.

Esta actividade está inserida no projecto Programa de Investimento Florestal em Moçambique – MozFIP, na sua quarta componente. Igualmente, a capacitação acontece de fórum regional, tendo sido realizado há um passado, na região Centro do país e, actualmente, no Norte, envolvendo as províncias do Niassa, Cabo Delgado e Nampula. (Esmeraldo Boquisse)

Violador de menores condenado a 19 anos e 6 meses de prisão em Nampula

Nampula (IKWELI) – O colectivo de juízes da 6ª Secção do Tribunal Judicial da Província de Nampula, no norte de Moçambique, decidiu por condenar o arguido Nordino Abdul Tacamal a uma pena de 19 anos e 6 meses de prisão, provada a sua autoria moral e material na prática do crime de trato sexual com menor de doze anos na forma continuada.

As vítimas, de 8 e 10 anos de idade, respectivamente, caíram nas malhas do predador as 11h do dia 29 de Dezembro de 2020, no bairro de Muahivire, concretamente na Rua Sem Saída.

Igualmente, Nordino Abdul Tacamal deverá indemnizar a família dos menores com o total de 40.000,00Mt (quarenta mil meticais).

A Dra. Cristina Miguel, Juíza da causa, disse, na leitura da sentença, que “no passado dia 29 de Dezembro de 2020, por volta das 11h, o arguido teria encontrado os menores quando brincavam numa moagem abandonada na Rua Sem Saída”, e que momentos depois uma das vítimas se ausentou para fazer necessidades menores, o que o violador aproveitou para satisfazer os seus desejos sexuais introduzindo o seu órgão genital no ânus da primeira vítima, e no regresso da outra o mesmo teria negociado o pagamento de 50,00Mt (cinquenta meticais), não so para pagar pelo silêncio, assim como para violar o outro menor.

“O arguido, em momento algum, mostrou sinais de arrependimento. Os factos, assim descritos, deram-se com sucesso porque o réu agiu com manifesto desprezo com relação a idade das suas vítimas”, entende a juíza.

O Ministério Público (MP), através do Procurador Cristóvão Mulieca, foi a entidade mais feliz com a decisão tomada pelo tribunal, entendendo que a mesma estava dentro das espectativas do órgão.

Segundo esta fonte, o MP tem se desdobrado na acusação de casos desta natureza, exigindo a aplicação da pena máxima por forma a desencorajar tais práticas.

“Em relação a sentença proferida, é aquilo que nós já esperávamos”, disse o Dr. Mulieca, prosseguindo que “num computo, neste momento, o Ministério Público está mais preocupado com o acompanhamento psicossocial dos dois menores, e já estamos a fazer o seguimento”. (Aunício da Silva

Na estreia de Nelson Santos: Salas Malico “salva” Ferroviário de Nampula em Quelimane

Nampula (IKWELI) – Finalmente, o Ferroviário de Nampula conseguiu abandonar a zona de descida de divisão, na presente edição do Moçambola, depois de derrotar a equipa do Matchedje de Mocuba por 0-1, em partida da 9ª jornada da prova disputada na cidade de Quelimane, capital provincial da Zambézia.

Coincidência ou não, a vitória do Ferroviário de Nampula acontece logo na estreia de Nelson Santos, como treinador principal dos chamados axinenes de Nampula. Lembre-se que o Ferroviário de Nampula vinha com uma série de seis jogos sem vencer na presente edição do Moçambola, facto que determinou na contratação do técnico português que se juntou ao mister Artur Macassar (Turito), que treinava a equipa interina, desde a 6ª jornada, depois da expulsão de Chaquil Bemat.

O único golo que garantiu o triunfo dos nampulenses foi marcado por Salas Malico, camisola número 10, ou simplesmente SM10. Com esta vitória, o Ferroviário de Nampula soma sete (7) pontos na tabela classificativa da competição e, na sequência, abandona, imediatamente, a zona de despromoção.

 

E Antero Cambaco sem antídoto para evitar nova derrota

Por seu turno, o Ferroviário de Nacala, outro representante da província de Nampula sofreu uma pesada derrota de 1-3 perante o Costa do Sol, em jogo a contar para a mesma ronda, disputado no estádio 25 de Junho na cidade de Nampula.

O internacional moçambicano Telinho foi o protagonista daquela tarde desportiva, ao apontar dois dos três golos que garantiram os três pontos da turma do Costa do Sol. O terceiro golo foi apontado por Wilton, e o golo singular do Ferroviário de Nacala surgiu por intermédio de Toure.

“Com certeza, o Costa do Sol pode ser uma equipa com outra dimensão, mas hoje fomos uma equipa, no que concerne a abordagem do jogo, fomos infeliz ao nível defensivo, voltamos a cometer os erros que nos fazem pagar carro. Três golos todos eles muito passivos em relação à abordagem dos lances dos nossos defesas e acabou dando nesses golos”, disse o mister Cambaco com um semblante de tristeza com o rumo da sua colectividade.

“Depois, tudo isso acontece num momento em que a gente sentiu que estávamos a perder por 2 a1, estávamos na mão de cima, estávamos a controlar o jogo ao nível do meio campo, jogo ofensivo, posse de bola estava mais acima do normal, mas contra – corrente do jogo, numa desatenção um lance sem disputa dá no terceiro golo e, todos os golos idênticos, muita passividade defensiva e isso fez com que a gente saísse daqui derrotado e quando a gente teve situações que nós também pudéssemos traduzir em golo, a nossa equipa atacante não foi tão lesta e acabamos por desperdiçar aquilo que seria, talvez uns golos que iriam criar o equilíbrio do jogo”, referiu Antero Cambaco.

Por seu turno, e em poucas palavras, Artur Comboio, treinador do Costa do Sol disse que “de facto não é fácil, não é todos os dias que se joga com Ferroviário de Nacala que e em Nampula, acho que estou feliz com a minha equipa porque sinto que depois de termos trabalhado semanalmente a equipa tem evoluído bastante e hoje provou, para quem esteve aqui a ver o jogo é um Costa do Sol diferente”, precisou o timoneiro.

Outros jogos da nona jornada do Moçambola 2021 forneceram os seguintes resultados: Ferroviário de Maputo 2-0 Incomáti de Xinavane, União Desportiva de Songo 0-0 Ferroviário da Beira, Liga Desportiva de Maputo 2-2 Associação Desportiva de Vilankulo, Desportivo de Maputo 0-2 Ferroviário de Lichinga, Associação Black Bulls 4-0 Textáfrica. A turma da Black Bulls continua líder do Moçambola com 25 pontos. (Constantino Henriques)

RENAMO realiza Conferência Nacional da Juventude Ilegal

Mocuba (IKWELI) – A juventude da RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, está reunida em Conferência Nacional, a partir de amanha, 14 de Junho de 2021, na Cidade de Mocuba, Zambézia, para eleger os novos órgãos, de forma ilegal, violando os Estatutos do partido.

A conferência de Mocuba acontece sem a participação da maioria dos membros do Conselho Nacional da Juventude da RENAMO, órgão máximo daquela organização especial partidária, composto por 65 membros, que à luz dos Estatutos do partido, deve eleger os órgãos da juventude do partido.

A violação dos Estatutos está a ser promovida pelo Secretário-geral do partido, André Magibire, que emitiu um “Guião de Procedimento das Conferências Provinciais” que proíbe aos membros efectivos do Conselho Nacional da Juventude, agora em vigor, que tenham acima de 33 anos de idade, a participarem da Conferência de Mocuba. O referido Guião, em nosso poder, refere que “aos antigos membros do Conselho Nacional que estejam dentro da idade são automaticamente Delegados à Conferência Nacional da Juventude [de Mocuba]”, o que significa que os membros efectivos do Conselho Nacional eleitos há seis anos na cidade da Beira, que tenham ultrapassado a idade estipulada por André Magibire (33 anos de idade) estão impedidos de participar, o que viola a convenção do limite da idade considerada de 35 anos para a juventude usado em todo em mundo.

“Dada a ilegalidade e manipulação na escolha dos delegados à Conferência de Mocuba, os actos ali deliberados serão nulos e deverão ser desafiados nos tribunais. Mesmo a eleição que dela resultar será igualmente nula. Somente uma Conferência Nacional da Juventude da RENAMO pode eleger órgãos da organização, e nunca uma simples conferência, ainda por cima sem a participação dos 65 membros efectivos que compõem aquele órgão”, disse uma fonte entendida na matéria consultada pelo Ikweli.

No entender desta fonte, cuja identidade omitimo-la a seu pedido, “a manipulação da composição dos delegados da Conferência visa impedir que os jovens membros do actual Conselho Nacional possam participar em pleno e votar livremente no próximo Presidente da Juventude do partido”, porque “a direcção do partido quer impor Ivan Mazanga como Presidente da Juventude, contra a vontade da maioria dos jovens do partido que são provenientes do norte e centro do país. Mazanga é da província de Gaza, embora residente na Cidade de Maputo, uma província sem muita expressão no partido RENAMO. Ele não tem aceitação nem inserção social entre os jovens do norte e centro que são a maioria no partido. Ao contrário dos outros candidatos, como o actual Presidente da Juventude da RENAMO de Manica, Araújo Muenhe. A província de Manica é um dos bastiões do partido”.

A eleição de Ivan Mazanga, segundo apuramos dos delegados que estão a caminho de Mocuba, tem como objectivo final manipular os jovens do partido a apoiarem Ossufo Momade nas próximas eleições do partido, porque a maioria dos jovens do partido não nutre simpatias pelo actual presidente.

Entretanto, a imposição de Ivan Mazanga pode falhar porque não há nenhuma garantia de que todos os delegados das 10 províncias do país, sem contar com a Cidade de Maputo, irão votar nele. A votação é secreta.

Actualmente a Liga da Juventude da Renamo é dirigida pela deputada Ivone Soares, que não se recandidata por já ter cumprido dois mandatos e ter ultrapassado 35 anos de idade.

Chamada a comentar a manipulação da reunião a acontecer amanhã em Mocuba, Ivone Soares declinou tecer qualquer comentário, remetendo-nos ao Secretariado Geral.

Contactámos André Magibire, Secretário-geral da RENAMO que disse que “é uma conferência que tem muitos pontos de agenda, e que um deles é a eleição do presidente da Liga Nacional da Juventude da Renamo”.

Perguntamos ao Magibire sobre o descontentamento de alguns delegados, ao que nos respondeu: “olha, nós estamos num processo democrático, em que todos têm a liberdade de se candidatar e de concorrer. Eu tenho conhecimento de que para essa conferência vão concorrer 4 candidatos, e nós como partido damos a liberdade que todos concorram, porque não se pode impor. Se houvesse necessidade de impor até não haveria conferência nacional. Era só dizer que a partir de hoje quem vai ser o presidente da Liga Nacional da Juventude é este, mas não. Nós somos democratas, estamos a organizar essa conferência aqui em Mocuba. Todo aquele que é jovem que queira ser presidente concorra de forma livre e transparente. Nós não metemos mão nisso aí”.

O Secretário-Geral da Renamo fala de candidatos oriundos das províncias da Zambézia, Manica e Inhambane.

Igualmente, procuramos ouvir, também, Alfredo Magumisse, membro da Comissão Política da Renamo, o qual diz que não está integralmente envolvido na conferência. “Neste momento estou envolvido em trabalhos da Assembleia da República, de tal forma que não estou muito envolvido directamente com o processo de preparação, organização e realização da conferência nacional da Juventude do nosso partido. Nestes termos não posso lhe dar detalhes. A informação que eu tenho, também, é geral como tem acontecido”. (Redação)