Má conservação de alimentos propicia a contaminação de doenças em Nampula

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Nampula (IKWELI) – A não observância de boas medidas de conservação de alimentos de origem animal, no caso concreto a carne, constitui um perigo a saúde pública, segundo aponta o director do Centro de Estudos Interdisciplinares Lúrio, Ibrahimo Chabite, na província de Nampula, região Norte de Moçambique.

O posicionamento foi revelado na manhã da última segunda-feira (7), no âmbito da celebração do Dia Mundial do Alimento Seguro. Para Ibrahimo Chabite “não há segurança alimentar sem alimentos seguros”, o que significa que “é necessário ter alimento seguro para se ter a segurança alimentar. Mesmo que os alimentos sejam poucos, pode-se ter maior índice da população com uma boa saúde. Nós não podemos apenas nos cingir na quantidade da produção e deixarmos a parte da segurança desses alimentos que produzimos”.

De acordo com este director afecto no laboratório de segurança alimentar na Universidade Lúrio, em Nampula, o sector que dirige enfrenta desafios ligados a criação de uma legislação que possa proteger os consumidores porque, segundo ele, a maior parte da produção em Moçambique não faz o controle de toxinas, ou então, reduzir o máximo possível o nível de toxidade de alimentos, sobretudo, os de origem animal.

“A nível do laboratório, já encontramos diversos alimentos de índice de toxidade acima do recomendado. Os alimentos seguros são aqueles que têm um índice muito baixo de contaminação química, microbiológica, física ou biologia, o que se quer é que não tenha contaminação, ou então contaminação muito baixa”, explicou Chabite, para quem “o leite para crianças, por exemplo, não pode ter certos contaminantes microbiológicos. Tem óleo de cozinha que tem de ter quantidade baixa de acideis e não pode estar acima do recomendado. Ainda mais, encontramos diversos alimentos com baixo nível de fortificação, como é o caso de açúcar”.

Por sua vez, a nutricionista afecta na Universidade Lúrio em Nampula, Brígida Makhasa, realça que a segurança dos alimentos consiste na garantia de que todos os alimentos que consumimos não possam causar nenhum tipo de doença. Por isso, a necessidade de consciencializar a população sobre os perigos da venda e consumo dos nossos produtos, com maior destaque para o processo de venda de produtos de carne, peixe e dos ovos.

“Actualmente verifica-se, em algures da cidade, a venda de carne em condições não favoráveis. Por isso, alertamos sobre o perigo de venda e consumo destes produtos, porque na sua maioria, esses produtos são perecíveis, deterioram-se com maior facilidade e exigem melhores condições de conservação, a carne deve ser conservada em câmaras de refrigeração”, disse.

Makhasa refere que a carne mal conservada apresenta microrganismos que causam doenças ao consumidor. Exemplo disso, de acordo com a nutricionista, nos últimos tempos a cidade de Nampula já apresenta casos de febre tifóide que é consequência da má conservação dos produtos alimentares na sua maioria de origem animal. Porquanto, é importante que os vendedores de carne, ovos e peixe tenham consciência de quais são os cuidados que devem ter no processo de venda dos seus produtos de maneiras que os consumidores não saiam lesionados.

Igualmente, “os mesmos cuidados devem ser observados pelos consumidores. Se alguém compra carne, seja ela fresca ou congelada devo ter cuidados quando chego a casa. No caso da carne congelada, quando chego a casa tenho de manter a sua temperatura, armazenar num congelador. No momento de descongelar nós temos o hábito de mergulhar a carne num recipiente por muito tempo, mas é preciso ter cuidado, substituir a água em tempo útil”. (Esmeraldo Boquisse)

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