Aprovado o preço da comercialização do algodão caroço em Moçambique

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Nampula (IKWELI) – O preço do quilograma do algodão caroço em Moçambique vai custar, na campanha de comercialização 2020/2021, o valor de 25,00Mt (vinte e cinco meticais), consenso alcançado na província de Nampula nesta quinta-feira (27).

A localidade de Netia, no distrito de Monapo, foi palco das negociações que juntaram, na mesma mesa, produtores, empresas fomentadoras e o governo (representando pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia).

Os 25,00Mt por quilograma foi proposta dos produtores, através do Fórum Nacional dos Produtores de Algodão (FONPA), mas a Associação Algodoeira de Moçambique propunha 24,50Mt (vinte e quatro meticais e cinquenta centavos), mas o governo que na última campanha subsidiou o sector que corria o risco de colapsar mediou para que a proposta dos produtores vigora-se, ao que todos os intervenientes concordaram.

“O preço mínimo do algodão caroço é regulado para equilibrar e proteger os interesses destes actores e é determinante para o sucesso da comercialização desta importante commodity”, explicou, na ocasião, o ministro Celso Correia, para quem “este é o momento mais alto do sector produtivo da cultura do algodão, pois ao longo dos anos constituiu-se como uma plataforma de diálogo estratégico para o sector, onde para além de definir o preço mínimo para a comercialização do algodão caroço para campanha, todas as partes envolvidas na cadeia de valor passam em revista o desempenho sectorial e as projecções futuras”.

Recordando-se, o dirigente disse que “em 2020 todos pudemos acompanhar as negociações que tiveram como preço de partida 19 MT por quilo –, apurado pela fórmula proposta pelos intervenientes do sector e aprovada pelo Conselho de Ministros em 2017 –que levou o Governo a subsidiar o preço de compra num momento em que a produção desta cultura tinha atingido um dos níveis de produção mais baixos até então registados”.

De acordo com o ministro, o subsídio dado pelo governo ao subsector do algodão, custou aos cofres do estado mais de 240 milhões de meticais.

Ainda no meio destas adversidades, Celso Correia afirmou que houve o “registo de um crescimento de 75% de produção saindo de 30 mil toneladas para 52 mil toneladas”, por isso “iremos duplicar as exportações da fibra passando de 20 milhões de dólares para cerca de USD 38 milhões”.

Com estes níveis de produção, o estado espera fazer um encaixe que “poderá superar os 70 milhões de meticais contra os 21 milhões atingidos em 2020”.

Por seu turno, Manuel Rodrigues, governador da província de Nampula, referiu que “a província de Nampula contribui com 50% da produção global do algodão que é produzido na nossa bela pátria”, por isso enalteceu o preço que considera justo para os produtores.

“A cultura do algodão e oleaginosas jogam um papel importante na vida das muitas famílias na província de Nampula, bem como na economia nacional, de forma geral”, reconhece o governador Rodrigues, considerando que “para nós, o algodão constitui uma cultura histórica da nossa estimada população. Com este produto de rendimento, a nossa população tem estado a resolver diferentes problemas de ordem económica, até sociais, o que nos faz concluir que o algodão é a sumula da sua vida”.

“O cultivo do algodão, nos últimos tempos, tem sido uma actividade segura, devido a garantia do mercado e a melhoria permanente do preço da sua compra, o que não só encoraja o governo da província de Nampula, como também, estimula a própria população produtora apostando, no meio de outras culturas de rendimento que disputam o mesmo espaço”, precisou o governador, concluindo a sua intervenção.

O presidente do Fórum Nacional dos Produtores de Algodão, Benson Simoco, disse que “a campanha 2020/2021 foi uma campanha bem acolhida pelos produtores, isso deu a entrada que com o aumento do preço por quilo os produtores ficaram motivados para mais adesão e inscrição de novos membros que ampliaram as suas áreas de produção”, e considera justo o consenso alcançado, por reconhecer os esforços das famílias produtores da cultura.

Por seu turno, Francisco João Ferreira dos Santos, presidente da Associação Algodoeira de Moçambique, apontou que o preço alcançado vai satisfazer os anseios do sector, e ainda focou-se no programa “algodão – sustenta”.

“Aquilo que o nosso governo investiu para o aumento da renda do produtor foi tao importante para minimizar os impactos da crise, permitiu multiplicar aquilo que vamos colher este”, reconhece Francisco dos Santos, prosseguindo que “todos nós, sem excepção, conseguimos estruturar esta operação extraordinariamente complexa em muito pouco tempo”. (Aunício da Silva)

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