Nampula (IKWELI) – O antigo autarca da Ilha de Moçambique, Saíde Amur Gimba, está sendo acusado da prática de actos de corrupção, pelo Gabinete Provincial de Combate a Corrupção (GPCC) de Nampula, cujo tramites do processo correm naquela instituição da justiça.
Segundo sabe o Ikweli, Gimba é acusado de ter liderado um esquema que resultou no desvio de, pelo menos, 3.000.000,00Mt (três milhões de meticais) durante o seu mandato, segundo concluiu uma auditoria do ministério da Economia e Finanças.
Maria Ferrão, directora do GPCC de Nampula, garante que o antigo edil da Ilha de Moçambique já foi constituído arguido no processo, esclarecendo que para além de Saíde Gimba há, também, outros edis que estão sendo indiciados da prática de crimes similares.
“Inicio desses processos são, mesmo, na base de uma auditoria. E na maioria dos casos, a auditoria é recebida no Gabinete de Combate a Corrupção vindo até directamente da Procuradoria-Geral da República, isto é o ministério da Economia e Finanças, feito auditoria, havendo indício de desvios de fundos, remete a PGR está que encaminha a jurisdição onde ocorreram estes factos. Não estamos a espulgar os relatórios, mas estamos a solicitar os visados para justificar”, disse para assegurar que “há processos que já foram constituídos arguidos e correm a sua tramitação”.
Entretanto, o ex-autarca da Ilha de Moçambique, Saíde Amur Gimba, nega o seu envolvimento no alegado desvio de mais de três milhões dos cofres da edilidade, presentemente gerida pela Renamo, e diz que o processo da auditoria decorreu e foi encerrado sem sequer ser ouvido.
Contudo, o ex-governante diz-se tranquilo, por entender que não cometeu nenhum tipo legal de crime, mas, de qualquer das formas, promete colaborar com as autoridades judiciais no esclarecimento de quaisquer dúvidas, relativamente ao caso.
“Nós já fizemos o contraditório e já submetemos (ao GPCC) a dizer que não constitui verdade aquilo que foi arrolado. Foi uma auditoria sem contraditório, mas nós fomos chamados e demos todas as provas”, disse.
Gimba insiste que não desviou sequer um centavo durante a sua gestão e/ou a transição da mesma à nova administração. “Todos os justificativos estão lá no Gabinete Provincial de Combate à Corrupção”, sacudiu.
Aparentemente tranquilo, o nosso entrevistado entende a sua intimação como um processo normal, mas lamenta não ter sido ouvido no decurso da auditoria interna as contas da edilidade que liderou durante dez anos.
“Qualquer um que é dirigente está sujeito a receber uma auditoria e/ou ser auditada as suas contas institucionais, mas tem sempre haver algum contraditório. Mesmo assim estamos preparados para colaborar em tudo que nos for solicitado”, concluiu. (Sitoi Lutxeque)
Nampula (IKWELI) – A terceira vaga da covid-19 está mexendo com tudo e todos, e na manhã desta segunda-feira, o Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola, teve de se deslocar ao mercado grossista do Waresta, nos arredores do maior centro urbano do norte de Moçambique.
A principal preocupação do governante, naquele local, é o cumprimento escrupuloso das medidas de prevenção da pandemia, por isso a sua principal mensagem de sensibilização é a prevenção.
Preocupado com o cenário de aglomerados de pessoas que encontrou, acompanhado com o não uso de máscara facial e a não higienização das mãos, Gondola viu o seu perímetro de segurança quase que invadido na totalidade, porque precisava conversar os utentes.
Os que o cercavam ainda portavam alguma máscara, mas houve a situação de um indivíduo que teve de ganhar máscara das mãos de Gondola, e porque por perto não tinha de reserva, teve mesmo de comprar com um vendedor ambulante.
“Cuidemos para, também, a nossa família estar bem cuidada. Vamos nos esforçar. Usar máscara não é porque está a ver que está ali polícia”, recomendou Gondola na conversa informal com os vendedores, recordando que é necessário “usar a máscara para se mesmo, para o seu bem e o bem da sua família”.
“Temos de nos cuidar, senão vamos arranjar problemas”, continuou o Secretário de Estado da mais populosa província do país, prosseguindo que “hoje vínhamos falar, mas a partir de amanha [hoje] a polícia municipal ou de protecção há-de vir e aquele sem máscara vão recolher”.
“Não podíamos mandar vir sem antes vir falar convosco. É bom falar. Amigos, estamos a pedir. Agora, aquele que quiser teimar pode teimar, vamos tomar medidas”, concluiu Mety Gondola.
Os utentes reconhecem que pouco tem feito no cumprimento das medidas de prevenção da covid-19, e a maioria entende que a doença não existe.
“Eu não uso máscara porque me faz muito mal, mas vou passar a usar porque não quero problemas com a polícia”, disse Domingas Zé, vendedeira de tomate no Waresta, a qual considera que “sempre vivemos assim, mas como o governo quer nós vamos cumprir”.
Vasco Guido, outro vendedor entrevistado pela nossa equipa de reportagem, disse que “é bom que o próprio chefe veio falar com as pessoas, porque muitos exageram. Não se cuidam, e isso é um perigo para nós os outros. Eu costumo a ver pessoas que estudaram que vem da cidade para aqui, mas sem máscara e a andarem a vontade”.
Arlinda Cesário é vendedeira no mercado grossista do Waresta há mais de cinco anos, e ao Ikweli disse que os últimos dois anos não tem sido nada fácil, sobretudo porque, ao nível individual, exige-se muita mudança de comportamento para que “não levemos esta doença para as nossas famílias”.
Entretanto, a Polícia da República de Moçambique (PRM) tem vindo a empreender esforços no sentido de garantir que, voluntariamente, os cidadãos cumpram as medidas de prevenção da covid-19. Os que não cumprem, têm sido obrigados a faze-lo, tal como sucedeu com os oitos secretários de bairro e líderes comunitários que foram recolhidos aos calabouços por promoverem aglomerados. Também, no último fim-de-semana perto 4 mil pessoas foram retidas pela corporação por não observarem as medidas. (Aunício da Silva)
Nampula (IKWELI) – A população moçambicana, principalmente de Nampula, a província mais populosa do país, tem vindo a crescer, num ritmo bastante acelerado nos últimos anos o que tem concorrido, também, para o aumento da pobreza.
A juventude é a maior faixa etária. O desemprego, insuficiências de infra-estruturas socioeconómicas são um dos maiores problemas que o país, em particular a província de Nampula, enfrenta.
Actualmente, o país conta com perto de 30 milhões de habitantes, estando Nampula com mais de seis milhões e oitocentos mil pessoas, maioritariamente constituída por jovens.
De acordo com um estudo populacional desencadeado, em 2019, pela Universidade Rovuma (UniRovuma), que inquiriu mais de três mil famílias, em nove dos 23 distritos da província de Nampula, tornado públicorecentemente, nos últimos dez anos a população da província cresceu em 3.2%.
A pesquisa refere que em 1980, a título de exemplo, no primeiro recenseamento geral da população realizado no país, Nampula tinha cerca de dois milhões de habitantes e em 2017, no último senso populacional, passou para mais de seis milhões de habitantes
O docente da Universidade Rovuma, Professor Doutor Vanito Viriato Frey, que participou do estudo e fez apresentação do mesmo, defende que o crescimento populacional, em Moçambique, principalmente, na província de Nampula, deve ser acompanhado pelo acesso aos serviços básicos de qualidade e oportunidades de emprego para a juventude que constitui a maioria da população nacional.
“A estrutura etária de Moçambique é predominantemente jovem, e isso implica desafios sérios para o sector da educação, não só na província de Nampula, mas no país no geral. Há necessidades de mais escolas para esta estrutura etária de jovens, que constitui a base da província de Nampula. E se estamos a falar que é uma população jovem, isso tem implicações ao nível do emprego, por exemplo. A juventude precisa de oportunidades de emprego”, disse.
O académico defende que tem de haver “um acompanhamento eficaz relativamente a este crescimento da população. Este crescimento impõe desafios ao governo, e de modo geral, ao estado”, desafia o académico.
“É necessário o desenho de políticas que promovam a criação de manutenção de novos postos de emprego e fundamentalmente a questão do auto-emprego, para que os jovens não fiquem refém dos novos postos de emprego que vem do governo e do sector privado. Em termo de infra-estrutura, também, é um aspeto muito importante: um crescimento da população implica uma maior necessidade em infra estruturas sociais, nomeadamente aumento de número de escolas, hospitais, vias de acesso, transporte entre outos”, observou.
O académico aconselha o governo a desenhar melhores estratégias para a redução da natalidade em Moçambique. “As pessoas são livres de procriar e de ter quantos filhos que elas quiserem, mas quando a gente coloca a redução de taxas de natalidade é no sentido de que é preciso um trabalho para consciencializar a população, no sentido de perceber se, de facto, é o melhor, momento de ter, por exemplo, oito filhos ao invés de quatro”, disse.
O estudo conclui que é necessário o investimento nas áreas sociais, no sector produtivo, incluindo as infra-estruturas, fomentar a participação da mulher no mercado de trabalho e é preciso no sector da produção aumentar a rede de equipamento de produtivos e sociais.
O governo, através da vice-ministra da Economia e Finanças de Moçambique, Carla Louveira, reconheceu que nos último anos, “a nossa população tem estado a crescer a ritmos acima, em alguns casos, alguns países da nossa região e a principal que nos colocam (pelos países da região) é oque nós como país estamos a fazer para responder este crescimento elevado da população”, disse.
“Nos grandes desafios que foram apresentados, no estudo, entre eles capital humano, crescimento económico, produção, infraestruturas e recursos naturais, fazem parte de prioridades que constam no nosso plano quinquenal do governo”, disse.
A governante assegurou que o governo continuará a envidar esforços com vista a melhoria das condições de vida das populações, em função do seu crescimento. (Sitoi Lutxeque)
O autarca loca, Ismail Chacufa, entende que uma intervenção de grande calibre e com recurso a tecnologia de ponta pode ajudar a resolver o problema de saneamento do meio na parte insular.
Ilha de Moçambique (IKWELI) – A cidade da Ilha de Moçambique, no norte do país, foi fustigada por chuvas torrenciais no último fim-de-semana, o que resultou no alagamento de bairros, ruas e residências de particulares.
A parte insular, onde ficam localizadas instituições públicas e privadas de relevo, foi a mais afectada, ainda que a destruição de uma casa, na totalidade, tenha se registado na parte continental.
O Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola, viu-se obrigado a viajar de emergência para, in loco, inteirar-se da situação, sobretudo porque as imagens postas a circular eram mesmo preocupantes.
O autarca da primeira capital de Moçambique e património cultural da humanidade, Ismail Chacufa, louvou a iniciativa de Gondola, sobretudo porque permitiu que esforços coordenados minimizam-se o sofrimento da população.
“Estava aqui o Secretário de Estado e trabalhamos juntos”, disse o edil da Ilha de Moçambique, agradecendo o facto de os apoios terem chegados de todos os lados. “Tivemos apoio de Mossuril, com algumas motobombas”, avançou a fonte, prosseguindo que “abrimos uma vala de drenagem na praia para garantir o escoamento das águas”.
Na manha desta segunda-feira, o autarca falou ao Ikweli e garantiu que a situação está minimizada, ainda que haja pessoas com os seus bens ainda molhados, e que passaram a noite em condições pouco agradáveis.
Igualmente, Chacufa esclareceu que “alguns bairros estão com deficiência de escoar a água”, e que o problema é recorrente, exigindo uma intervenção com recurso a tecnologia de ponta para a sua resolução.
No fim da tarde de domingo, Mety Gondola palmilhou os bairros, drasticamente, afectados e disse, na altura, que “o que estamos, neste momento, é fazer o levantamento. Ter certeza o que está a acontecer. Como é que está a situação geral da população. Estamos a fazer isso com o governo do distrito e conselho municipal. Os dois juntos para corrigir aquilo o que está a acontecer”. (Aunício da Silva)
Nampula (IKWELI) – O ministro moçambicano da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, disse na manha desta quinta-feira (8) que o estado não vai tolerar e vai punir, exemplarmente, os exportadores que tentarem enganar o estado moçambicano e as famílias produtoras agrárias.
O governante fez estas declarações no distrito de Monapo, no princípio da tarde do mesmo dia, diante produtores e agentes do sector privado empoderados no âmbito do programa SUSTENTA.
Pela manha Correia inaugurou uma fábrica de pré-processamento gergelim em Nacala-Porto, de onde rumou para a localidade de Nacololo, onde, no meio de um campo de cultivo de gergelim, começou por interagir com produtores para colher os seus níveis de satisfação, como também de insatisfação.
Diante disto, o “pai” do SUSTENTA disse que “o que podemos anunciar é que este ano a produção de oleaginosas, estamos a falar de gergelim, algodão, soja, subiu 20%. Este é o cálculo que está em cima da mesa. 20% É um valor significativo”.
Já mais inspirado, Celso Correia anunciou que “agora, temos problemas. Estamos a ajustar o programa para responder as experiências que estamos a colher e as contribuições que vamos colhendo ao longo deste ano. E um dos grandes desafios é ter a certeza que esta produção que sai aqui, pelo porto, sai a preço justo porque aquele que exporta um produto que vale lá fora, no mercado internacional, mil dólares por tonelada, se chegar nas finanças e registar quinhentos dólares significa que dentro de Moçambique está a entrar metade daquilo que devia entrar”, e pergunta: “o resto do dinheiro, da produção, está a ir aonde?”
“Esse é um problema que nós temos que resolver”, garantiu, prosseguindo que “pelos nossos cálculos o gergelim, este ano, irá atingir cerca de cento e cinquenta milhões de dólares de produção nacional. Nós queremos ir ver nas pautas se produzimos cento e cinquenta milhões de dólares tem que entrar, em Moçambique, cento e cinquenta milhões de dólares. E quando começarmos a ter certeza que não há esquemas, cortamos a nossa dependência, ou melhor passamos a ser independentes”, por isso, “é muito importante, também, os nossos exportadores terem consciência. E se há alguma coisa que nos possamos fazer, como governo, para vos ajudar, se existe alguma dificuldade, não precisa fazer corta-mato, porque não nos vamos entender. Estamos a construir um país com regras e com objectivo claro, que é tirar os moçambicanos da pobreza com esta realidade que foi apresentada”.
“Não vamos ser complacentes com situações que subvalorizamos a nossa produção para verem ganhos ou fuga de divisas no país. E todos os anos temos que fazer a gestão da nossa política monetária com dependência porque importamos mais do que exportamos, condicionando a gestão do nosso metical”, anotou a fonte mais importante do MADER, deixando claro que “está aqui a polícia económica, estamos a trabalhar para apertar o cerco. Falsificam, dizem que estão a exportar castanha, feijão bóer… isso é defraudar o estado. É crime, mas mais do que tudo é deixar aquelas famílias que estão ali continuem cada vez mais na pobreza, a condicionar ao estado moçambicano de como agir para resolver a pobreza”.
Diante destas descobertas, o ministro apela a este grupo que “só tem a ganhar se interagirem com o estado e começarem a registar grandes níveis de exportação. É um objectivo, para nós, inverter a balança de pagamentos agrícolas. Essa é uma das metas, o impacto que o SUSTENTA quer”.
“Não vamos permitir que por causa de dois ou três, que estão a fazer milhões que passamos a ser considerados um país de ladrões”, e “um esforço de milhares de produtores ser posto em causa por um porto de Nacala, ou num porto da Beira porque não estamos a fiscalizar o valor da produção que está a sair e se o dinheiro está a entrar no nosso país. Essa transformação tem que acontecer”, garantiu, de novo, Correia.
Celso Correia justifica que “escolhi, exactamente, este momento porque estou a ver Nacala-Porto para deixar essa mensagem. Existe uma acção integrada das nossas Alfândegas, o ministério da Agricultura e outras autoridades para pormos ordem. Portanto, queremos apelar, a nível nacional, a todos exportadores que façam negócio honesto. São moçambicanos, e está em causa a vida de milhares de moçambicanos”. “Estamos com esforços, num momento de muita adversidade, em que ninguém está a espera que as nossas economias cresçam, ninguém está a espera de ver investimentos, o que estamos a fazer, a abrir fábricas, é ver o rendimento da maioria da população que está envolvida nestes programas de produção a ter produção. Estamos a ver os armazéns cheios de comida. Não pode ser uma classe exportadora a pôr em causa a nossa caminhada, os nossos objectivos”, referiu o ministro, concluindo que “é importante que se faça negócio justo para continuar a aumentar o rendimento das famílias, é importante que o exportador assuma esta responsabilidade de serem justos na declaração do valor da exportação e é importante que as divisas entrem em Moçambique. Não são muitos que exportam, nós conhecemos os que exportam. E aqueles todos que estão na cadeia de exportação, por favor, está em causa o rendimento de famílias moçambicanas”. (Aunício da Silva)
Nampula (IKWELI) – O ministério moçambicano do Trabalho e Segurança Social aponta que, pelo menos, 1.200.000 (um milhão e duzentas mil) crianças estão associadas ao trabalho infantil no país, dentre as quais, nas piores formas de trabalho considerados perigosos para crianças.
A directora nacional de Trabalho, Marta Isabel Maté, destaca a prostituição infantil, a carga pesada e a mineração artesanal, ou seja, o garimpo, como sendo as piores formas de trabalho infantil, dadas a sua perigosidade.
O facto de não existir menores a trabalharem no sector formal deixa o governo, e os seus parceiros relaxados, segundo a directora marta Isabel Maté, mas adianta que preocupa as autoridades o sector informal onde se regista em grande escala, a integração de crianças no trabalho.
No seu entender, a principal actividade que se desenvolve em Moçambique é a agricultura, ou seja, a maior parte das províncias moçambicanas tem crianças a trabalharem na agricultura, o que varia de 80% a 95%.
“O sector formal não emprega crianças, estamos a falar de empresários com responsabilidade e que conhecem as regras. Raras vezes se ouve falar de crianças a trabalharem no sector formal”, precisou a directora nacional do Trabalho para depois partilhar os dados do último estudo realizado em 2016 que indica que “1.200.000 (um milhão e duzentas mil) crianças são submetidas ao trabalho infantil com maior enfoque para a agricultura, envolvendo menores de faixa etária dos 11 aos 15 anos”.
Em entrevista, depois da abertura do seminário de disseminação da lista dos trabalhos considerados perigosos para as crianças, realizada na cidade de Nampula, Maté referiu que a situação do trabalho infantil afecta mais as zonas dos corredores, sobretudo, trabalhos de cargas pesadas, prostituição infantil a prática da agricultura.
Entretanto, o que predomina nas cidades capitais províncias, segundo ela, é o trabalho doméstico [crianças como empregadas domésticas], no sector informal e nas casas de pasto ou barracas.
“A principal questão para o trabalho infantil são as causas, para combater este cenário temos de começar pelas causas, dentre elas, melhoria da capacidade das famílias, através de programas do governo e seus parceiros, bem como a mudança de mentalidade que envolve a componente sensibilização começando pela divulgação das formas piores de trabalhos infantis. A criança pode trabalhar, mas dentro da sua capacidade física. Proíbe-se trabalhos pesados e perigosos”.
Refira-se que na província de Nampula, em particular, a situação actual é considerada preocupante, pelo facto de ser notório o envolvimento de crianças na produção do algodão, no distrito de Mecúburi, e tabaco, no distrito de Meconta, maior parte de crianças no comércio informal. (Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, apresentou na manhã desta quarta-feira (7) três indivíduos, dos quais uma mulher, indiciados no envolvimento do assassinato do jovem Selemane Mussagi, a 1 de Junho do corrente ano.
Mussagi foi, barbaramente, assassinado numa das zonas mais movimentadas, e aparentemente seguras, do maior centro urbano do norte de Moçambique, Nampula, quando se dirigia a uma agência bancária, onde pretendia depositar, em numerário, mais de um milhão de meticais. Na ocasião, os malfeitores apoderaram-se do valor e puseram-se em fuga numa viatura, tendo da avenida Francisco Manyanga, local dos factos, rumado para a avenida do Trabalho no sentido sul-norte.
Ao todo, o SERNIC diz que o grupo era constituído por quatro (4) indivíduos, mas até a manha do dia 7 de Julho, apenas, três (3) tinham sido neutralizados.
“Foi um trabalho investigativo que culminou com a detenção do grupo aqui em causa. Estamos a falar de casos de roubos agravados ocorridos em Novembro do ano passado, Março e Junho do presente ano 2021, este último que ocorreu no dia 1 em frente ao banco BIM, concorrendo com homicídio”, disse à jornalistas Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC em Nampula.
Na apresentação dos indiciados, a porta-voz deu a conhecer que o SERNIC recebeu informações do acto a partir do cometimento, tendo depois dado seguimento das pistas, sendo que foi possível a apreensão de uma arma de fogo do tipo pistola, na posse de um líder religioso, por sinal um dos membros do gang.
“No último caso nós fizemos a apreensão de uma pistola numa residência a partir de denúncias de populares, a qual dava conta que lá continha uma arma escondida proveniente de um cidadão que havia sido detido, e quando se viu em apuros, acabou deixando o instrumento numa residência abandonada. Portanto, os trabalhos iniciados culminaram com a detenção do bispo citado no grupo. Ele é um bispo de uma igreja, por excelência, que fazia o armazenamento do armamento que a quadrilha usava nos seus assaltos”, contou a fonte.
Selemane Mussage
Enina Tsinine explicou ainda que os supostos criminosos faziam a aquisição do armamento na cidade de Maputo, e que era transportado pela namorada do atirador ora foragido, através de uma transportadora inter-provincial com a rota Nampula/Maputo e vice-versa. Ademais, no assalto e consequente homicídio, os indiciados apoderam-se de mais de 1.000.000,00 (um milhão de meticais), valor este que de acordo com as suas palavras, foi partilhado para cada uma dos cônjuges dos membros do grupo.
Igualmente, “quem fazia o depósito dos valores, fruto de assalto é o senhor bispo, uma vez que os outros tinham o medo de se aproximar ao banco, sob riscos de serem identificados. A parceira, do atirador confirma e, temos na nossa posse, fotografias de residência que foi construída na cidade de Quelimane, fruto do mesmo valor roubado, bem como viaturas compradas através do mesmo valor, o que significa que o grupo não seria apenas actuante na cidade de Nampula, como também a nível do país”.
Para além de provas verbais, ou seja, testemunhas, a porta-voz do SERNIC em Nampula, adianta que existem mais provas que associam os indiciados ao crime, com destaque para a arma usada no crime, contas bancárias em que foram partilhados os valores resultantes do assalto, provas facilitadas pelo bispo, integrante do grupo.
Depois deste acto macabro que pôs fim a vida de um pai e esposo, o atirador abandonou a cidade de Nampula em direcção à capital moçambicana, tendo deixado a sua namorada e os restantes colaboradores. Outro facto não menos importante, segundo a fonte, o atirador que se presume que seja o cabecilha não vive a maior parte do tempo em Nampula, ele simplesmente tem seguidores e o seu trabalho é entrar e protagonizar os assaltos, e depois deixar as armas usadas no crime na mão dos seus parceiros.
Já nas mãos da polícia, os três indivíduos assumem a sua relação com o atirador, bem como a participação no crime. Exemplo disso é a namorada deste que, por presunção de inocência, omitimos a sua identidade. De 23 anos de idade e natural da província de Maputo, conta que chegou a Nampula com a intenção de estudar e, consequentemente, conheceu o namorado.
“Ele é meu namorado, foi no dia 2 de Junho que me pediu para organizar a sua mala porque tinha de viajar, urgentemente, para Maputo, depois o acompanhei para a estação de regresso. Entretanto, ele apareceu na noite do mesmo dia e me disse que não conseguiu viajar. E quando estávamos na cama o meu namorado contou-me que teria atirado em alguém em frente ao banco”, disse a indiciada, para depois afirmar que “o meu namorado é assaltante, eu conheci ele no ano passado na cidade de Maputo, mas ele disse-me que se eu contasse aos outros sobre o seu trabalho os seus amigos iriam à casa dos meus pais e assassiná-los”.
Outros dois neutralizados, dos quais, um vendedor de viaturas no mercado informal e o líder religioso, afirma que sabiam do lado criminoso do amigo, mas mesmo assim continuaram a encobri-lo. Aliás, “as armas estavam todas numa pasta e eu deduzi que eram pistolas, tudo porque ouvi pelos outros que ele era assaltante. Isso foi quando ele pediu-me que eu guardasse a sua viatura porque ele precisa(va) sair da Nampula de emergência, isto no dia 2 de Junho, ao que tudo indica que ia para a casa dele”, contou o cidadão de 29 anos de idade, por sinal o pastor que diz ser trabalhador de uma fábrica de chapas de zinco localizada na cidade de Nampula. (Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – Um indivíduo de nacionalidade chinesa, de 29 anos de idade, está a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula, indiciado de contrair matrimónio com uma menor de 15 anos de idade no distrito de Monapo.
Confesso, o indiciado conta que só foi aceite em união prematura com a menor na terceira tentativa, depois de as duas anteriores terem fracassado. E segundo aponta, a terceira só teve sucesso porque começou a fazer gastos para a família.
“Esta menina veio onde eu estava a trabalhar, e quando eu vi gostei. Perguntei onde era a casa dela e fui para lá”, disse o chinês, prosseguindo que “encontrei a mãe e a avó e lhes disse que estou a gostar da menina, e elas me disseram que ela não estava, por isso disseram ir e voltar quando a dona estivesse”.
No posto administrativo de Netia, local dos factos, o infractor alega que trabalha em obras de construção de estradas na região, e durante a vigência da relação criminosa, o mesmo terá custeado as despesas da família.
A mãe da menor, cuja identidade omitimos por presunção de inocência, revela dados assustadores, e na sua convicção o caso só chegou as autoridades porque as cobranças feitas pelo líder comunitário e o director da escola pública local ao seu “genro” não foram satisfeitas.
Mãe da menor vítima
O líder comunitário exigia o valor monetário de 10.000,00Mt (dez mil meticais) para anuir a união, enquanto que o director da escola queria nada mais nada menos que 100.000,00Mt (cem mil meticais) pelo silêncio que devia manter conhecendo do acto criminal.
Fazendo companhia ao “genro” nas celas da polícia, a cidadã diz que “[o chinês] veio pedir a mão da criança e foi-se embora, ao regressar eu disse que ainda é criança. Eu disse para esperarmos, porque aqui na minha terra crianças não casam”, por isso “esperarmos, pelo menos, que a criança passasse pelos ritos iniciação, então ele foi-se embora. Ele voltou três meses depois, e aceitamos. Começou a comprar-lhe cadernos e uniforme, por isso submetemos aos ritos de iniciação”.
Transferido do comando distrital da PRM de Monapo para a alçada do comando provincial da corporação, o indiciado foi encaminhado a 1ª Esquadra, no centro da capital provincial, local onde foi apresentado a imprensa.
Dércio Samuel, chefe do Departamento de Relações Públicas do comando da PRM em Nampula, disse que o caso foi tornado público graças a denúncias populares, por isso apela para que as comunidades denunciem casos desta natureza e que sejam intolerantes.
“Assim que a polícia tomou conhecimento do caso ao nível daquele distrito, accionou mecanismos com vista a localização deste indivíduo assim como o resgate da menor””, precisou esta fonte policial, avançando que o infractor confessa que “noivou a menor sob autorização dos pais”.
A Lei nº 19/2019, de 2 de Outubro, Lei de Prevenção e Combate às Uniões Prematuras, define no número 1 do artigo 2 que “união prematura é a ligação entre pessoas, em que pelo menos uma seja criança, formada com o propósito imediato ou futuro de constituir família”, por isso no artigo 8 estabelece a proibição de celebração do mesmo. (Aunício da Silva *Fotos: Hermínio Raja)
Nampula (IKWELI) – O Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola, tem vindo a envidar esforços no sentido de que a prevenção e combate a pandemia da covid-19 sejam algo concreto e prático naquele ponto do país.
Com efeito, o dirigente tem se notabilizado em campanhas de sensibilização e na realização de encontros, para sensibilização, com diversas entidades que actuam na mais populosa província do país.
No último sábado, Gondola viu-se obrigado a manter encontros separados com gestores de bancos comerciais e operadores turísticos do ramo de restauração e bebidas.
Na ocasião, o Secretário de Estado da província de Nampula exigiu, destes operadores o redobrar de esforços no cumprimento efectivo das medidas de prevenção da covid-19, de forma a reduzir a propagação da pandemia, sobretudo nesta terceira vaga em que a variante indiana tem vindo a fazer das suas.
“Os restaurantes devem observar com rigor o horário de abertura e de fecho definidos, e desencorajar a promoção de espectáculos, pois incentivam concentrações com riscos de contaminação”, disse Mety Gondola.
Em relação aos bancos comerciais, a fonte exige que sejam observadas as medidas tanto nos balcões, assim como nos multi-caixas (ATM).
Quanto as enchentes, os gestores dos bancos comerciais recomendaram a possibilidade de pagamentos faseados de salários, como forma de evitar aglomerados nas ATM´s. (Aunício da Silva)
Nampula (IKWELI) – O bispo auxiliar da Arquidiocese de Nampula, Dom Ernesto Maguengue defende que os jovens devem ser protagonistas do seu progresso presente e futuro, não devendo engrossarem as fileiras dos que pautam pela desestabilização, facto que mina o desenvolvimento do mundo e de Moçambique, em particular.
O posicionamento do clérigo foi defendido em consideração aos ataques armados e actos terroristas que ocorrem nas zonas centro e norte do país, esta última, a que mais intensa e brutal se revela, tendo ainda causado a deslocação de mais de 70.000 (setenta mil) cidadãos da vizinha província de Cabo Delgado.
Por isso, de acordo com Dom Ernesto Maguengue, a necessidade de o Governo ter um plano de reintegração dos jovens, de forma que os mesmos não se sintam excluídos dos processos de desenvolvimento de tomada de decisão do país.
“Nós tivemos um diálogo com o Presidente da República, onde, depois de uma declaração feita, apresentamos a nossa preocupação com a situação actual da juventude. Sentimos a necessidade da criação de um plano que integra a juventude. Neste diálogo, apresentamos a disponibilidade da igreja junto dos outros actores sociais, tentar dar o seu contributo a partir do seu património cultural e espiritual”, informou o prelado.
Em exclusivo ao Ikweli, este líder religioso não poupa apelo aos jovens que, também, segundo ele, não estão isentos de tomar decisões certas que não atentam para a desestabilização do país, recusando os aliciamentos através de promessas de emprego.
“O jovem, em primeiro lugar, deve tomar consciência de ser um actor da sua própria vida e da sociedade em geral. Ele é actor e não um simples assistente, portanto, o desenvolvimento da nação está confiado ao jovem, daí, o cuidado de ter uma formação rumo ao crescimento integral é da sua inteira responsabilidade”, afirmou Dom Maguengue, para depois acrescentar que “os jovens devem aproveitar o seu tempo comprometendo-se no aproveitamento da sua nação e serem arquitectos do seu projecto de vida”.
Outrossim, para que haja bom discernimento da juventude, o bispo auxiliar de Nampula aponta a família como sendo a base para o crescimento da capacidade de discernimento dos jovens. Para ele, “é ainda obrigação de cada cidadão, dar espaço aos jovens para escolher o bom caminho, contrariamente ao de praticar actos que violam a dignidade humana e ameaçam a integridade social”.
A nossa fonte refere que devem ser bem conjugados os direitos e deveres, de modo que no futuro, não haja uma juventude rebelde. O que acontece, segundo as suas palavras, “saímos de uma crise para a outra, o que afecta as famílias””, por isso, “muitos jovens são filhos de mães solteiras que fazem muito para responder o papel de mãe e pai. A família tem de ser pai e mãe que está para educar os seus filhos e dar o melhor, mas prontos, aqui temos situações em que os homens espalham filhos e não tomam conta deles. Isso tudo contribui para uma desintegração da sociedade, bem como o aumento de dificuldades”, concluiu o bispo auxiliar de Nampula, em entrevista concedida ao Ikweli. (Esmeraldo Boquisse)