Início Site Página 540

Pai e madrasta queimam menor por causa de badjia em Carrupeia

Nampula (IKWELI) – Um menor de oito anos de idade, residente no bairro de Carrupeia, nos arredores da cidade de Nampula, foi queimado pelo próprio pai em conluio com a madrasta, alegadamente, por ter comido duas badjias [pasteis típicos da região produzidos com base na farinha de feijão nhemba].

Casos de violência contra menores, neste ponto do país, tem agudizado desde que eclodiu a pandemia da covid-19. Desprovidos de locais e alternativas para brincar, as crianças passam mais tempo em casa, e quem os devia garantir protecção é, habitualmente, que as expõe ao perigo.

Denunciado este caso, o casal foi capturado pela Polícia da República de Moçambique (PRM), na zona da 3ª Esquadra, e mais tarde transferidos para as instalações da 1ª Esquadra da corporação.

Sem alternativa, o pai do menor, cuja identidade omitimos por presunção de inocência, diz-se arrependido pelo acto cometido, e defende que tenha sido possuído por forças paranormais para que agisse com tamanha violência contra o seu próprio filho.

Com 26 anos de idade, pintor, o indiciado é divorciado com a mãe da vítima, a qual reside na circunscrição de Niarro, próximo a barragem de Nampula, e tinha confiado a guarda e os cuidados do seu filho a sua rival e o seu ex-marido.

“Na segunda-feira passada eu fui ao serviço e voltei, e encontrei minha mulher a contar para vizinhos a dizer que essa criança aqui em casa roubou de novo”, situou o pai da vítima sobre a origem da causa que ditou a queima do menor, prosseguindo que “eu voltava (voltei) com um pouco de stress e quando perguntei o que se estava a passar, ela disse que o miúdo roubou de novo”, por isso “aquele satanás me entrou na cabeça, peguei o miúdo e dei porrada. Aí peguei a criança e queimei com fogo”, porque a “mãe disse que ele roubava badjia e bolo, parece que foram duas”.

A madrasta, também, conta uma versão similar com a do seu marido, e diz que o menor é renitente em não seguir orientações dos seus encarregados.

Nos calabouços da 1ª Esquadra, a senhora teve a sorte de ter sido exibida a imprensa, o que lhe valeu um banho de sol, e de lá referiu que o produto consumido, pelo menor, valia, nada mais, nada menos que 2,00Mt (dois meticais).

“Eu fui queimado porque comi duas badjias”, disse o menor, inocente e triste, próximos a agentes da corporação que no recinto da esquadra circulam munidos de AK47 e pistolas.

Atónito, e desconfortável por estar em lugar desconhecido, o menor mostrou-se trémulo diante das camaras e microfones dos jornalistas, mas, em emacua, conseguiu soltar a razão de não estar a brincar com os seus amigos e a contorcer-se de dores pela queimadura protagonizada pelo próprio pai.

A vista desarmada é possível ver a barbaridade cometida contra aquele corpo franzino, carenciado de todo o tipo de assistência medica, incluindo nutricional, balbuciando algumas palavras para, apenas, fazer chegar uma das várias situações porque crianças passam pelos próprios progenitores, o que se agudizou com a pandemia.

O chefe do Departamento de Relações Públicas, no comando provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, garante que o casal será, exemplarmente, punido.

“Este casal maltratou este menor, alegando que roubou 5,00Mt (cinco meticais), no período de 09 a 15 Julho do ano em curso”, disse Samuel, apelando a comunidade para que não pactuem com casos dessa natureza e se combata este comportamento. (Aunício da Silva *Foto: Hermínio Raja

Americanos reabilitam Bilibiza após ataque de terrorista

Maputo (IKWELI) – O Governo dos Estados Unidos da América (EUA), através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), inaugurou a reabertura do Instituto Agrário de Bilibiza no dia 9 de Julho corrente.

Um comunicado da embaixada americana, distribuído a partir de Maputo, indica que “em parceria com o Instituto Agrário de Bilibiza, a USAID reabilitou vários edifícios no campus e recebeu de volta 300 estudantes, após o seu encerramento na sequência de um ataque terrorista no campus em Janeiro de 2020. Agora localizado no distrito de Chiúre na província de Cabo Delgado, o instituto reabilitado irá proporcionar aos seus estudantes uma educação de qualidade que lhes dará os conhecimentos e competências necessárias para trabalharem no sector agrícola”.

Em Janeiro de 2020, o Estado Islâmico-Moçambique (ISIS-M) atacou Bilibiza e destruiu o Instituto Agrário de Bilibiza. Antes do ataque, o Instituto era o principal local de formação de técnicos agrícolas da província e era motivo de orgulho para a comunidade local e para a região. Criado em 1982, milhares de formados de Cabo Delgado passaram a trabalhar no governo e no sector privado, onde apresentaram aos agricultores técnicas agrícolas melhoradas e deram orientações às comunidades locais sobre como melhorar a sua produtividade agrícola.

“Em Fevereiro de 2020, o Instituto Agrário de Bilibiza encontrou um porto seguro no distrito de Chiúre”, lê-se na mesma nota, que prossegue avançando que “dada a contínua insegurança no norte, o instituto decidiu mudar-se definitivamente para este local. Recebeu uma infraestrutura governamental que não estava a ser usada, mas os edifícios estavam em mau estado, o que impediu a reabertura do instituto por mais de um ano. O programa Tuko Pamoja da USAID, que apoia a subsistência em Cabo Delgado, trabalhou com o instituto para concluir a reabilitação até Julho, mesmo a tempo de a escola reabrir as portas a 300 estudantes que irão continuar os seus estudos”.

A reabilitação e retomada das aulas constituem o primeiro passo para a recuperação a longo prazo do Instituto Agrário de Bilibiza. O instituto planeia utilizar os terrenos circundantes para demonstração agrícola para que os alunos possam praticar as suas competências fora da sala de aulas.

“Os Estados Unidos investem mais de 100 milhões de dólares em Cabo Delgado para uma série de programas de resiliência comunitária e assistência humanitária.  A promoção da resiliência comunitária e a melhoria dos meios de subsistência são componentes fundamentais da assistência mais ampla do Governo dos Estados Unidos em Moçambique. Em estreita colaboração com o Governo da República de Moçambique, o Governo dos E.U.A. fornece mais de 500 milhões de dólares em assistência anual para melhorar a qualidade da educação e dos cuidados de saúde, promover a prosperidade económica e apoiar o desenvolvimento global da nação”, conclui o comunicado de imprensa. (Redação)

Vahanle no Brasil a procura de parcerias para Nampula

Nampula (IKWELI) – O presidente do Conselho Autárquico de Nampula, Paulo Vahanle, está de viagem ao Brasil, concretamente no município do Belo Horizonte na capital do Estado de Minas Gerais, por onde durante as próximas três semanas irá firmar parcerias com vista ao desenvolvimento da cidade de Nampula, sobretudo na componente de vias de acessos.

A informação foi partilhada exclusivamente ao Ikweli pelo director do departamento de Comunicação e Imagem, no Conselho Autárquico de Nampula, Nelson Carvalho. Segundo a fonte, Paulo Vahanle far-se-á acompanhar por outros quadros do município com destaque para o vereador das finanças.

“ O presidente do Conselho Municipal da cidade de Nampula desloca-se a partir deste domingo ao Brasil com a visão de ir discutir projectos ligados ao desenvolvimento do nosso município”, disse Nelson Carvalho, para quem “não posso dizer com exactidão sobre quantos dias o presidente irá ficar no Brasil mas vai levar duas ou três semanas porque vai interagir com vários parceiros de cooperação”.

Para a fonte, “a visão nossa é conseguirmos projectos que possam alavancar a nossa governação, que possam deixar os nossos munícipes satisfeitos, através das actividades que serão realizadas no nosso município, são projectos de vários sectores, tanto a componente de finanças, a componente de vias de acesso, abastecimento de água, mas que temos certeza de que muitos porjectos poderão ser aprovados e que nos próximos dias poderemos ter surpresas”. (Constantino Henriques)

Luís Sande considera que as grandes empresas devem envolver-se em acções humanitárias em tempos de crises

Nampula (IKWELI) – O director do Serviço Provincial do Ambiente de Nampula, Luís Sande, defende que as empresas que actuam em diferentes áreas económicas naquele ponto do país devem centrar as suas acções, também, em ajudas humanitárias para minimizar o sofrimento das famílias vulneráveis.

Luís Sande teceu essas considerações no último sábado (17), durante uma campanha de doação de sangue ao Hospital Central de Nampula (HCN), promovida pela rede das associações GirAmbiente, e contou com gesto solidário da empresa Recheio, que opera no ramo comercial, que facultou kits de produtos alimentares para os doadores daquele líquido vital, envolvidos na campanha. Aliás, na referida campanha, foram colectadas perto de cinquenta (50) unidades de sangue.

“Esta campanha visa apoiar o nosso sector da saúde, ajudar os doentes porque, como temos informação, os nossos hospitais têm – se deparado com a falta de sangue devidamente neste tempo de pandemia, então, visa ajudar a nós todos”, começou por dizer Luís Sande, director do Serviço Provincial do Ambiente de Nampula.

“Agradecer ao Recheio pelo apoio, agradecer também ao Girambiente e à mesquita, pela organização desta actividade. Aproveito este momento para convidar outras empresas (que operam na província de Nampula) para participarem com essas acções, porque na nossa província para além de precisarmos de sangue, também temos deslocados de guerra que vem de Cabo Delgado, eles precisam do nosso apoio, todos nós, a sociedade em geral, para que possamos contribuir para apoiar os deslocados, a necessidade de obtenção de sangue, e tudo isso, estamos aberto”, precisou Luís Sande.

“O nosso objectivo é de ver a sociedade com uma sustentabilidade ambiental muito avançado, daí surgir-nos esta ideia de interagir com as comunidades junto com o governo da província com vista a unirmos esforços para a salvação da saúde pública, através de doação de sangue as unidades sanitárias”, acrescentou Amarjo Jackson, director executivo da rede GirAmbiente.

“Doar sangue é uma coisa muito normal, não traz nenhum transtorno. Deixo essa mensagem a todos que podíamos ajudar os nossos irmãos que precisam deste precioso líquido e, temos que ajudar entre nós, o islão recomenda nisso, é bom”, disse um dos dadores de sangue.

Para João Baptista, representante do movimento desportivo, “vim em resposta ao apelo do governo para salvar vidas. Nós temos recebido muitas das vezes pessoas que vem de fora, doentes sem sangue, as vezes é solicitada a família do doente para tirar o sangue, então se ele vem de longe como vai fazer, nós queremos ver se podemos estancar este tipo de comportamento para que as pessoas quando vem aqui não sentir a diferença de ter ou não ter família, então vamos tentar se organizamos um grupo que esteja nessa ideia de apoiar os que vem de muito longe e sem família”.

Na ocasião, Márcia Maquina, administrativa do Banco de Sangue no Hospital Central de Nampula, disse que o sangue colectado, recentemente, irá reforçar o stock existente no banco de sangue daquela unidade sanitária, descrito como sendo médio. “Doar sangue é um gesto muito bom, porque ajuda muita gente visto que nós, ao nível do Hospital Central de Nampula, temos recebido pacientes não só dos distritos periféricos da província de Nampula como também os pacientes das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, por isso é um gesto de louvar”.

Segundo acrescentou a fonte “em termos de necessidade, uma vez que sabemos que é tempo de pandemia, não estamos muito bem nem muito mal, temos um stock médio, quer dizer, sendo um hospital quaternário, seria muito bom elevar o stock e, com estas campanhas que já iniciaram vão ajudar o banco de sangue a elevar o stock de sangue para que nenhum doente que necessita deste precioso líquido fique sem ele”. (Constantino Henriques)

Detido professor que se dedicava a falsificação de certificados de habilitações literárias

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, deteve um individuo, por sinal professor, indiciado da prática de falsificação de documentos, precisamente certificados de habilitações literárias.

O recinto da 1ª Esquadra da corporação, na cidade de Nampula, foi palco da exibição do indiciado e o seu respectivo material de trabalho, constituído por carimbos de escolas das províncias de Nampula, Zambézia, Niassa e Tete.

Estou aqui porque falsifiquei um certificado para uma pessoa que queria trabalhar”, disse o indiciado, cuja identidade omitimos por presunção de inocência.

Com nível superior de formação, e o grau de mestre, o professor assume as práticas ilegais de que está sendo acusado, apontando que “faço este trabalho há três meses” e que já perdeu a conta do número de certificados que falsificou.

“As assinaturas são minhas”, disse a fonte, assumindo que, quando questionado sobre como garantia aparente legitimidade nos documentos, o último trimestre não foi dos melhores.

O detido aponta que cobrava o mínimo de 1.000,00Mt (mil meticais) para cada documento, mas a PRM está convicta de que o mesmo cobrava, no mínimo, 4.000,00mt (quatro mil meticais).

Igualmente, um estudante de uma instituição pública de ensino superior, também, está a contas com a polícia indiciado da falsificação de documentos diversos, e com ele foi recolhido um computador e outro material informático que o facilitava.

“No prosseguimento das diligências para o esclarecimento de casos criminais na província de Nampula, concretamente na área da 1ª Esquadra a Polícia da República de Moçambique tomou conhecimento, através de denúncias populares, da existência de dois indivíduos que se dedicavam a prática de falsificação de documentos”, disse a imprensa Dércio Samuel, chefe do departamento de Relações Públicas no comando provincial da PRM, esclarecendo que “o primeiro caso aconteceu no dia 12 de Julho e o segundo ocorreu no dia 14”. (Aunício da Silva)

Celso Correia quer uma nova lei do caju para aumentar rendimentos dos produtores

Maputo (IKWELI) – O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, lançou a auscultação da revisão da Lei do Caju, em vigor há mais de duas décadas, de forma a resgatar a indústria e aumentar rendimentos dos produtores.

“Pretendemos que o preço mínimo da compra da castanha de caju bruto no produtor passe a ser definida anualmente pelo Conselho de Ministros”, disse o governante na ocasião, prosseguindo que o “objectivo é o aumento da renda familiar” de 1,4 milhões de produtores familiares e resgatar a indústria nacional.

Cerca de 22 anos após a aprovação da Lei do Caju o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural(MADER) deu início, esta quarta-feira(14), a socialização e busca de consensos para a sua revisão tendo em conta a perda da produtividade e qualidade da castanha exportada e a crise cada vez mais profunda das indústrias processadoras, estão em funcionamento apenas quatro das 17 fábricas nacionais.

“O primeiro e sagrado objectivo é o aumento da renda familiar dos produtores através da melhoria da qualidade e produtividade da castanha de caju, este valor inegociável, é muito importante que o produtor saia da situação de estar a produzir com rendimentos muito baixos daquilo que é o rendimento agrícola mínimo para satisfazer as suas necessidades básicas”, deixou claro o ministro Correia que enquadrou esta actualização legislativa no mote principal do Programa Sustenta que é tirar os Pequenos Agricultores da pobreza.

Discursando para os industriais e produtores o governante esclareceu que “o segundo grande objectivo é a valorização da produção nacional através do processamento local e geração de valor acrescentado da castanha de caju, acreditamos que se gerarmos valor teremos benefícios económicos e sociais acrescidos para Moçambique. Queremos gerar mais oportunidades de emprego no sector industrial e ao longo da cadeia de valor”.

“Assegurar a actividade sustentável da cadeia de valor, e a palavra sustentável tem um significado muito grande nesta nossa abordagem, com destaque para o comércio justo, por vezes a falta de informação, a falta de rigor e instabilidade de mercado geram injustiça na sua comercialização”, é outro dos objectivos da actualização legislativa que, de acordo com o titular da Agricultura, deverá ainda promover a “investigação agrária e transferência de tecnologia para os produtores, naturalmente orientada para a renovação do parque cajuícula nacional”.

Celso Correia disse que as principais revisões, a serem submetidas à Assembleia da República até ao fim do ano, consistem na introdução de um mecanismo de definição anula do preço mínimo da compra da castanha de caju em bruto no produtor e na possibilidade do processador industrial exportar a castanha em bruto, “o que queremos aqui é quem tem indústria quando houver maior produção sem capacidade de processamento poderá exportar castanha (…) ao abrimos esta alínea acreditamos que estamos também a potenciar a industrialização”.

“Precisamos de um balão de oxigénio para manter as fábricas a trabalhar”

O vice-presidente da Associação das Indústrias de Caju (AICAJU), Gonçalo Correia, lembrou que “a nossa indústria está a atravessar um momento muito difícil(…)nós precisamos de um balão de oxigénio para manter as fábricas a trabalhar e eventualmente de uma linha regulatória que permita atrair novos investimentos e sobretudo permita reiniciar as várias fábricas que estão paradas(…) Nós vivemos num mundo globalizados, os grandes processadores de caju em África não tem sobretaxa”.

“Em relação ao preço mínimo é perigoso, eu entendo que haja uma ambição de protecção para o produtor, nós também somos interessados e os exportadores também pois não queremos comprar a castanha muito barata alguns anos e depois daqui a 5 anos não haverá matéria-prima”, argumentou Gonçalo Correia que claricou que o receio maior é “o processo de fixação do preço (mínimo). O preço de referência da castanha que temos nos 2 últimos anos tem sido o preço mínimo”.

“O que temos de fazer como estratégia nacional é resgatar as industrias que estão paradas”

O experiente economista e consultor da AICAJU, António Souto, começou por saudar a proposta de imposição de uma taxa de 15 por cento de sobrevalorização para a exportação da amêndoa da castanha de caju com película, “isto é extremamente importante porque ¾ da mão-de-obra dos industriais são mulheres envolvidas no sector da despeliculagem, é uma mão-de-obra especializada, reduzir essa taxa significa, cinicamente, dizer que a mulher do Vietname é mais importante do que a mulher moçambicana”.

Souto, cuja experiência remonta as discussões da década de 90 para a lei em vigor, afirmou, “O que temos de fazer como estratégia nacional é resgatar as industrias que estão paradas, se não nos concentrarmos no resgate destas industrias o impacto negativo vai-se aprofundar” disse António Souto enfatizando “qualquer taxa sobre a indústria vai impedir o processo de resgate das fábricas e bloquear a atracção de novos investimentos e Moçambique precisa novos investimentos”. (Aunício da Silva)

Funcionários do HCN detidos por venda ilegal de sangue em Nampula

Nampula (IKWELI) – Três funcionários, incluindo estagiários, do Hospital Central de Nampula (HCN) foram detidos, pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), indiciados de envolvimento num esquema de venda de sangue, naquele que é o maior estabelecimento hospitalar do norte de Moçambique.

Trata-se de enfermeiros afectos ao Banco de Socorros, enfermaria e um estudante finalista de medicina no Instituto Superior de Ciências de Saúde que envolveram-se, no passado dia 7 do mês em curso, numa “bolada” de sangue para facilitar a cirurgia de um paciente com tumor, na cirurgia II.

A porta-voz da direção provincial do Serviço Nacional de Investigação Criminal em Nampula, Enina Tsinine, falando a jornalistas, disse que a sua instituição já vinha recebendo denuncias, sobre a venda ilegal de sangue em janeiro passado, período em que iniciou com o seguimento de pistas que culminou com a detenção dos funcionários no passado dia 7 do corrente mês.

“A detenção foi em flagrante delito de um funcionário e estudante do HCN na posse de 1500,00Mt (mil e quinhentos meticais), quando pretendia fazer a venda de sangue a um cidadão que tinha seu parente internado na cirurgia, aguardando uma intervenção cirúrgica”, relatou.

O esquema de venda de sangue no Banco de Sangue do Hospital Central de Nampula não funcionava apenas por uma pessoa, mas em rede composta vários funcionários, sendo que o azar piscou por estes três e acabaram caindo nas malhas das autoridades policiais.

Neste momento, de acordo com a porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal em Nampula, já foram abertos os processos criminais, que correm os seus trâmites legais, para a responsabilização dos indivíduos.

Entretanto, A. Vigílio, estudante finalista de medicina no Instituto Superior de Ciências de Saúde, confessou ter participado e liderado o esquema de venda de sangue, mas diz que a sua intenção era de apenas adquirir, uma unidade daquele líquido vital, junto do seu colega, para ajudar a operar um paciente, cujo processo contribuiria bastante no estágio final e pratico do curso.

“Passei a requisição de sangue e entreguei a família para adquirir sangue junto ao banco de sangue [um processo que só acontece mediante adoção por parte da famílias], entretanto a famílias foi fazer a doação de sangue, mas era do grupo sanguíneo diferente que pretendia-se, e eu acabei falando com um colega para facilitar e ele disse que só podia mediante ao pagamento de 1500,00Mt e eu canalizei a família a informação e no momento em que era para receber o dinheiro para dar o colega fui interpelado, razão pela qual estou cá”, disse.

O enfermeiro apontado por Virgílio negou todas as acusações e diz que na altura em que fora tratado a bolada esteve de folga e em sua casa, e apenas terá sido solicitado, uma chamada que não lhe levou a casa, senão as celas do Serviço Nacional de Investigação Criminal de Nampula.

Por seu turno, o director clínico do Hospital Central de Nampula, Anselmo Vilanculos, disse que aquele estabelecimento hospitalar há muito que vinha ouvindo rumores, mas não havia provas para a neutralização e responsabilização dos envolvidos.

“A nível do hospital, nós estamos a espera de mais elementos e logo que tivermos a informação, vamos activar todos os mecanismos previstos nos estatutos gerais dos funcionários e agentes do estado e isso é que vai determinar o que será do futuro profissional deles”, disse, para depois “exortar a todos os profissionais do Hospital Central de Nampula para não poderem se deixar levar em actos que possam criar problemas no futuro das suas famílias”, concluiu. (Sitoi Lutxeque)

Pedra a Pedra Vahanle vai construindo a cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Com uma governação começada a meio de críticas, o autarca do maior centro urbano do norte de Moçambique, Paulo Vahanle, tem se destacado nos últimos tempos na melhoria da mobilidade urbana através e construção de vias de acesso.

Com efeito, arrancaram nesta quarta-feira (14) as obras de pavimentação da rua que liga a Academia Militar Marechal Samora e a Escola Secundária de Maparra, no bairro de Muahivire, na autarquia de Nampula, com um investimento de 13.000.000,00Mt (treze milhões de meticais).

Paulo Vahanle, autarca do maior centro urbano do norte de Moçambique, disse, no lançamento da primeira pedra, que “nós escolhemos esta rua porque desde a independência nacional vimos que estava cada vez mais a degradar-se, e porque é por aqui onde passam as ambulâncias, nossos doentes em estado critico, isso me chamou atenção como edil, como município e escolhemos”.

A estrada é de um quilometro e quinhentos metros, e será suportada com fundos provenientes de receitas próprias com comparticipação do Fundo de Investimento Autárquico (FIA), e espera-se que fique concluída em 90 dias.

“Estamos esperançados que nós estamos, cada vez mais, engajados na melhoria das vias de acesso para o bem dos nossos munícipes”, concluiu Vahanle. (Redação)

Tropas estrangeiras em Moçambique: Nova Democracia critica não declaração de guerra em Cabo Delgado

Maputo (IKWELI) – O partido Nova Democracia (ND) critica ao governo moçambicano por não emitir uma declaração de guerra em Cabo Delgado, mas permitindo a vinda de militares estrangeiros.

Perante isto, o partido liderado por Salomão Muchanga entende que “estamos realmente num regime de força e não de direito”, pelo que “governa-se o país como um deserto desconcertado e toma-se decisões abruptas em função de interesses individuais e da contingência do ambiente do dia e interpretam o estado de direito as avessas ou querem fazer de cabo delgado um protetorado?”.

Um comunicado do ND enviado a partir de Maputo, enaltece a vinda das forças da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), mas não faz boa apreciação a vinda dos militares ruandeses.

“Apoiamos a intervenção da SADC pelas relações históricas e culturais que nos fazem bloco regional. Mas notadamente este pulo para Ruanda transmite uma mensagem forte de desconcerto de posições e desconforto diplomático com os Estados vizinhos e que Moçambique “abandonou” a região e age no seu descenso arbítrio, ficando   margem e vitimizada”, lê-se na mesma nota, que prossegue que “isto lembra que Moçambique deste regime n o consegue dar nem mais um passo no sentido da integração regional e só aparece em questões marginais que n o transformam quanto n o mudam a situação do país na região e vai acumulando conflitos com os vizinhos com que partilha fronteiras e recursos. Nomeadamente, Malawi na navegação do Zambeze e Chire, Zimbábue na definição da fronteira na região de Barué, Tanzânia na exploração o conjunta do gás e crude no Rovuma e África do Sul nas rivalidades económicas e acesso ao mar pelo nosso país”.

Porquê Ruanda? a que preço? quem paga? Isto se parece mais com um shopping militar constituído numa decisão pessoal do PR com recurso a relações inconfessáveis com o ditador do Ruanda. Porquê escolher um país cujo regime cria problemas nos grandes lagos e que persegue opositores e activistas por toda africa? Faz se la fazem aqui?”, questiona a Nova Democracia.

No entender deste partido político, “aceitável a intervenção da SADC, União africana e nações unidas. Mas   estranho o envolvimento do Ruanda sem consulta Nacional as forças activas da sociedade nem mesmo ao Conselho de estado e parlamento e sem nenhuma comunicação a Nação”.

“Estamos perante outra agressão a calada da noite e em surdina por outros meios, o que evidencia uma reiterada violação dos comandos normativos da Nação”, concluí a Nova Democracia. (Redação)

Oh, Novinte: que zip tão flexível tendes tu?

Nacala – Porto (IKWELI) – Dançarino e descumpridor nato de procedimentos legais, Raul Novinte, autarca de Nacala-Porto, eleito pela lista da Renamo em 2018, acaba de protagonizar mais um escândalo, desta vez de grandes proporções.

Novinte é acusado de ter violado sexualmente uma menor de 15 anos de idade, residente no bairro Ontupaia, na cidade de Nacala-Porto.

O acto praticado pelo autarca é um tipo legal de crime, cuja moldura penal é de 8 a 12 anos de prisão, segundo o actual Código Penal moçambicano. Todavia, Novinte pode ser condenado a uma pena de 2 a 8 anos de prisão, considerando que praticou os actos de violação sexual ou de actos sexuais contra menores na vigência do anterior Código Penal.

Nossas fontes em Nacala-Porto apontam que Novinte vinha praticando actos sexuais com a menor, há mais um ano, o que resultou na gravidez.

Para ver-se livre do acto praticado e as suas consequências, o autarca tentou negociar com a família, ao que lhe foi exigido o valor de 500.000,00Mt (quinhentos mil meticais) e o acompanhamento da menor, pagando todas as despesas necessárias.

Sucede que, após pagar um irmão da vítima o valor de 300.000,00Mt (trezentos mil meticais), o autor abandonou a responsabilidade de assistência garantida a família da menor. E porque o “cunhado” não declarou a família que tinha recebido dinheiro, a mesma viu-se revoltada e fez chegar o caso as autoridades policiais.

Igualmente, o Ikweli apurou que Raul Novinte já foi notificado pela Procuradoria Distrital de Nacala-Porto, a fim de ser ouvido em relação ao caso. (Redação)