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Detido o ex-director do Serviço Provincial de Identificação Civil de Nampula

Nampula (IKWELI) – Foi detido na manha desta segunda-feira (2), na cidade de Nampula, o ex-director do Serviço Provincial de Identificação Civil de Nampula, entre os anos 2019 e 2020, Orlando Avelino, indiciado da prática de actos de corrupção.

A detenção foi a mando do Gabinete Provincial de Combate a Corrupção (GPCC), e tornou-se pública através de um comunicado de imprensa que “dá a conhecer que ao abrigo do processo de instrução n°133/0301/P/GPCCN/2020, hoje, dia 02 de Agosto de 2021, segunda-feira, por volta das 9:00 horas, na cidade de Nampula, foi detido o ex-director dos Serviços Provinciais de Identificação Civil de Nampula, indiciado de desvio de fundos públicos, avaliados em 2.127.160,00Mt (dois milhões e cento e vinte e sete mil e sessenta meticais), resultantes de receitas do processo de emissão de Bilhetes de Identidade, entre os anos 2019 e 2020”.

Segundo a mesma nota de imprensa, “o facto foi denunciado pela Direcção Nacional de Identificação Civil, ao verificar que durante aqueles anos, o detido não apresentou os valores completos das receitas”.

“O detido dirigia-se pessoalmente aos Postos de Identificação Civil, a nível da cidade de Nampula e de outros distritos da província, onde solicitava a entrega dos valores da receita, alegadamente para posterior envio a Direcção Nacional de Identificação Civil. E uma vez na posse dos valores, ele subtraia uma parte e, a outra, depositava em conformidade”, explica a nota o modus operands do detido.

O GPCCN defende que a detenção é em virtude de haver o receio de fuga e perturbação da instrução do processo, e as acusações fundam-se no “abuso de cargo ou função, peculato e enriquecimento ilícito”. (Aunício da Silva)

PRM desmantela quintais – bares em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, desmantelou, na noite da última sexta-feira (30 de Julho), algumas residências, cujos quintais foram transformados em bares e barracas na cidade capital provincial, no norte do país, facto que contraria o decreto do Conselho de Ministros vigente sobre o encerramento de estabelecimentos de venda e consumo de bebidas alcoólicas como forma de combater a covid-19.

Liderada pelo comandante da 1ª Esquadra, uma equipa de agentes da Polícia da República de Moçambique iniciou uma patrulha nos arredores da cidade de Nampula, o que resultou no desmantelamento de mais cerca de quatro residências, incluindo duas barracas que, depois de encerradas as portas, improvisaram um bar dentro do quintal, contra todas as medidas de prevenção da pandemia da covid-19 e, consequentemente, o incumprimento do decreto em vigor no território nacional.

Nesta operação, realizada ao longo das avenidas do Trabalho, FPLM, Rua da Liberdade e nas zonas residências da FAINA, Muaco Wanvela e Waresta, nos bairros de Mutauanha e Natikiri, respectivamente, fez com que mais de 20 indivíduos, dos quais, duas vendedeiras de alimento confecionado, ficassem detidos nas celas da 1ª Esquadra por desobediência.

“Eu fui encontrado na rua, pela polícia, a beber com os meus amigos, claramente que não foi no período do recolher obrigatório, mas infringimos porque estávamos na rua, sem o devido cumprimento das medidas de prevenção da covid-19. Mas porque a polícia estava a fazer o seu trabalho, terminei nesta situação. Tínhamos duas lâminas de cerveja, quando abordados não mostramos resistência e fomos recolhidos. Contudo, agora estou arrependido, pelo menos no meu caso tenho a noção de que a coisa é séria e até às 18 horas não devo circular de qualquer maneira na rua e a beber”, reconheceu um dos recolhidos.

Outro indivíduo, também, recolhido às celas disse estar ciente de que violou a norma, tendo em conta os tempos da pandemia em que nos encontramos. “Estávamos a tomar cerveja, mas sabíamos que também violamos a norma, embora não seja no período de recolher obrigatório. Neste momento, o conselho que dou aos outros é que não façam o que eu fiz”, disse esta fonte.

Por sua vez, o chefe do Departamento de Relações Públicas do comando provincial da Polícia da República de Moçambique, em Nampula, Dércio Samuel, destaca que a corporação constata de forma recorrente a venda e consumo de bebidas alcoólicas na via pública, bares e barracas clandestinos, razão pela qual a realização desta operação que visava a fiscalização da violação das medidas de prevenção e contenção da covid-19.

“Recebemos denúncias populares da existência de locais de venda e consumo de bebidas alcoólicas de uma maneira clandestina e com aglomerado de pessoas e, chegados no terreno, abordamos os indivíduos que depois conduzimos a 1ª Esquadra que é para serem responsabilizados. Foi também apreendida toda a bebida encontrada no terreno”, apontou Dércio Samuel, que exorta ao cumprimento das medidas de prevenção desta pandemia, sob riscos de a corporação agir de forma coerciva.

Nesta operação, de acordo com o chefe do Departamento de Relações Públicas, alguns indivíduos interpelados mostraram resistência, o que fez com que a Polícia usasse a sua força proporcional para estes e, seguidamente, a sua condução às celas para depois se lavrar a peça de expediente que seguirá os trâmites legais. (Esmeraldo Boquisse)

Suposto empresário tenta desalojar 15 famílias no bairro de Murrapaniua

Nampula (IKWELI) – Cerca de 15 famílias residentes no quarteirão número 10, unidade comunal de Ratane A, bairro de Murrapaniua, posto administrativo urbano de Natikiri, arredores da cidade de Nampula, correm o risco de serem desalojadas por um cidadão que se presume que seja de origem indiana por, alegadamente, ser proprietário do espaço em litígio, naquela região.

São famílias que na sua maioria adquiriram os espaços há mais de cinco anos e outros ainda nativos que, de acordo com informações colhidas pela nossa reportagem, no passado dia 8 de Julho deste ano, foram surpreendidos nas suas residências por um grupo constituído por agentes do tribunal e da Polícia da República de Moçambique (PRM) que traziam notificação para se apresentarem ao tribunal e em causa estava o terreno de cerca de 400m² (quatrocentos metros quadrado), em Murrapaniua.

Factos apresentados ao Ikweli, indicam que algumas famílias abrangidas possuem os documentos que comprovam a aquisição do espaço, como licença de ocupação e construção, atribuídas pelo Conselho Autárquico de Nampula. Entretanto, o suposto proprietário apresenta, segundo informações, documentos datados dos anos de 2020 e 2021, tudo contrário à documentação das vítimas que trazem licenças de ocupação antes destes anos.

“Há dois dias apareceu aqui um cidadão alegando que o espaço é dele, mas pelo que consta é que já vão mais de 20 anos que ele ocupou o espaço, mas que não fez a legalização. Dado esse tempo todo, ele aparece reivindicando o espaço. Com ele veio um oficial da justiça e agente da polícia que usou métodos coercivos, ameaçando-nos e paralisando as obras em construção alegando que o Naby [suposto proprietário] era o dono do espaço”, informou Lázaro Graciano, um dos membros da família vítima deste conflito.

O interlocutor disse ao Ikweli que, consta nos documentos anexados na procuração, um título de urbanização que data de 2019. Contudo, estas famílias já estão a ocupar o terreno há mais de 20 anos. Igualmente, consta na procuração, de acordo com Lázaro Graciano, “Registo de Terra com a data de 20 de Agosto de 2020, daí se questiona a possibilidade de ele ser o legítimo proprietário se nem Direito do Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT), ele tem”.

Ainda mais, inquieta àqueles moradores, o facto de o suposto dono não ter interagido com eles e levado o caso directamente ao tribunal sem, ao menos, envolver as lideranças comunitárias, sobretudo, a direcção do posto administrativo urbano de Natikiri, área de jurisdição onde ocorreu o caso, facto que representa uma clara intimidação.

“Apareceu um senhor com uma notificação do tribunal no dia 28 de Julho, acompanhado por um agente do tribunal e dois polícias, a mandar a paralisação das actividades de construção que aqui estão a ocorrer, e a notificar no sentido se fazer a presença no dia 30 no tribunal com a intuição de reclamar o seu direito, no caso específico do quarteirão que nós estamos como residentes”, disse um outro cidadão abrangido que preferiu não se identificar por razões óbvias, para quem “notificados dirigimo-nos ao tribunal para aferir a verdade da sua contestação, mas pedimos ao adiamento para o dia 5 de Agosto para reunirmos a prova e poder fundamentar a nossa estadia cá e contrapor o que está a dizer”.

A nossa fonte disse ainda não saber há quanto tempo o suposto dono adquiriu o espaço, uma vez que eles já estão há mais de cincos anos, e quando aparece alguém com documentos de 2019 e 2020 estes ficam equivocados de como é possível isso acontecer, até porque a concessão foi autorizada pela edilidade.

“Queremos saber a origem deste cidadão e quais são os fundamentos que tem como legítimo proprietário do quarteirão. Mas mesmo assim, queremos o que é de nosso direito, temos famílias que não têm para onde ir. A nossa posição é de nos mantermos firmes e aguardarmos a decisão do tribunal porque, afinal de contas, estamos nos nossos próprios espaços, quanto a isso não nos vamos intimidar”, concluiu.

O Ikweli tentou, sem sucesso, ouvir a versão do suposto proprietário do espaço antes de ser ouvido pela justiça. Até porque foi marcada a primeira audição das partes na passada sexta-feira (30 de Julho), o que não aconteceu porque os notificados pediram o adiamento no sentido de reunir provas em torno do caso, sendo que ficou para o dia 5 de Agosto.

Outro facto, não menos importante, é que os secretários do bairro de Murrapaniua, concretamente, na zona em conflito, distanciam-se do conflito pelo simples facto de serem ignorados no primeiro instante. (Esmeraldo Boquisse)

HCN com enfermarias em avançado estado de degradação

Nampula (IKWELI) – As enfermarias do Hospital Central de Nampula (HCN), maior unidade sanitária e de referência no norte de Moçambique, encontram-se em avançado estado de degradação, o que preocupa a direcção da instituição.

Na última sexta-feira do mês de Julho (30), o Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, visitou aquele estabelecimento hospitalar, e da direcção ficou a saber que a infra-estrutura enfrenta problemas estruturais graves.

“O nosso hospital tem mais de 50 anos e a parte estrutural do hospital está cansada. Muitas vezes reportamos questões de desabamento de tectos e outros locais. Por via disso, temos grande parte do hospital com problemas estruturais, o caso das enfermarias da obstetrícia e do bloco operatório”, fez saber, na ocasião, Lúcio Henriques, administrador do HCN.

Ainda assim, segundo Henriques, “dentro daquilo que são as nossas capacidades, nós temos tentado resolver em partes. Neste momento, estamos a reabilitar a Cirurgia III, Medicina II e neste momento estão em fase avançado das obras. E, provavelmente, dentro de duas ou três semanas havemos de receber as obras para o funcionamento normal do hospital”.

“Fora destas obras, como poderam ver, as enfermarias abaixo se encontram em avançado estado de degradação o que requer mesmo uma reabilitação. Nós estamos limitados porque não temos recursos, não temos fundos de investimentos para o hospital para 2021. Estamos com dificuldades de pór essas obras em dia”, avançou a nossa fonte, prosseguindo que “temos feito algumas obras de emergência, e fizemos a pouco tempo na Urgência de Pediatra. Foi um dia desses que estava a chover e o tecto desabou”.

Mety Gondola, no fim da visita, disse que a situação não é das melhores, mas com o que se tem os profissionais ali afectos e a direcção tem dado o seu máximo para garantir um bom atendimento.

“Estivemos a verificar as condições ao nível do Banco de Socorros e podemos afirmar que as condições são aceitáveis. As medidas de prevenção da covid-19 estão a ser observadas de forma bastante rígida”, disse o governante, avançando que “ficamos preocupados em relação a Pediatria. Nós estamos a trabalhar para ver se conseguimos algum resultado em relação a Pediatria. Neste momento, o ministério [da Saúde] está a trabalhar com vários parceiros para ver se conseguem alguma solução”, por isso, “paralelamente, foi dado a conhecer que há ajustamentos que foram feitos na infra-estrutura existente”.

O Hospital Central de Nampula tem uma capacidade instalada de 563 camas, com uma taxa de ocupação acima de 85%. (Redação)

Dércio Rodrigues é o primeiro porta-voz da Nova Democracia

Nampula (IKWELI) – O jovem Dércio Rodrigues, de 27 anos de idade, foi designado, pela Comissão Política, como o primeiro porta-voz do partido Nova Democracia (ND).

A sessão da Comissão Política do ND que designou Rodrigues como porta-voz do partido foi realizada neste sábado (31 de Julho), e teve como enfoque o reforço da estratégia de comunicação do movimento.

“No Quadro do reforço da estratégia de comunicação do ND, a COMISSAO POLÍTICA reunida hoje na sua sessão mensal, anuncia à comunicação social e a sociedade no geral que é designado Dércio Rodrigues, um jovem de 27 anos, formado em história na Universidade Eduardo Mondlane, para Porta-Voz deste movimento”, lê-se num comunicado do ND enviado a nossa redação.

Com esta indicação, a Nova Democracia entra para o panorama da comunicação partidária corporativa. (Redação)

Munícipes de Nampula continuam a ignorar medidas de prevenção da covid-19

Nampula (IKWELI) – Os moradores da cidade de Nampula, maior autarquia do norte de Moçambique, estão, voluntariamente e sem recomendação especializada, a abandonarem a prática das medidas de prevenção da covid-19.

Nos principais pontos com aglomerado de pessoas, como mercados e paragens de autocarros, nota-se o incumprimento, de forma clara, das medidas de prevenção e mitigação da pandemia.

Na manha desta quarta-feira (28), uma equipa do Ikweli visitou alguns desses pontos, e observamos que, aparentemente, as mensagens de sensibilização não estão sendo acatadas como devia ser.

Actualmente, o país vive uma terceira vaga da doença e pelas estatísticas os casos positivos continuam a aumentar. Se a província de Nampula registava, na segunda vaga, números bastante reduzidos (nalguns casos chegando uma semana a registar, diariamente, menos de cinco casos), agora os números estão sempre acima de duas a três dezenas.

As autoridades governamentais locais andam preocupadas com a situação, tal que o Secretário de Estado da província, Mety Gondola, já foi ao mercado grossista do Waresta para “implorar” aos utentes para cumprirem com as medidas impostas, de forma a reduzir a propagação da doença.

Por outro lado, Manuel Rodrigues, primeiro governador eleito do maior círculo eleitoral do país, também, já foi a escola, sem agendamento, para observar a verdadeira situação que se passa.

Nos estabelecimentos de ensino visitados, Rodrigues notou que nada está sendo feito para a prevenção e mitigação do novo coronavírus. Por exemplo, na Escola Secundária de Nampula, maior estabelecimento de ensino público no norte de Moçambique, tudo está um caos. A higiene não está sendo garantida, e o risco de contaminação é evidente entre alunos, professores e outros funcionários não docentes.

Segundo constatamos nas entrevistas, o entendimento dos cidadãos, sobretudo os da periferia, é que a covid-19 “é um assunto do governo”, o que representa um perigo para a prevenção da doença.

“Eu não sei se a doença existe, mas sempre ando com máscara para em caso de ver um polícia usar e não me levaram a esquadra”, disse Catarina Bento, vendedeira de alface na zona da Faina.

Esta interlocutora comenta que “penso que algo está muito errado sobre esta doença. Já tivemos cólera, malária e outras doenças, mas nunca vimos nenhum chefe grande a ir para os mercados”, por isso “estamos a achar que esse é um assunto do governo”.

No mercado Central de Nampula, o cenário é idêntico, tal como no dos Belenenses, onde as pessoas preferem ter as máscaras nos bolsos no lugar de coloca-las no lugar certo.

“Eu sei que a doença existe e está a matar, mas não sei o que fazer porque todos os dias com máscara na boca é difícil”, aponta Amílcar José, comerciante de mariscos no mercado dos Belenenses, prosseguindo que “há, ainda, muito trabalho a ser feito, porque muita gente não acredita na existência da doença”.

Ainda nas ruas de Nampula conversamos com jovens que se dedicam ao comércio informal, cuja maioria entende que a doença constitui tabu, porque “há pessoas informadas e formadas que não cumprem com essas medidas”.

“Eu costumo a ver na televisão que procuradores, advogados e juízes costumam a se juntar em aglomerados e sem cumprirem com as medidas de prevenção da covi-19, por isso acho duvidosa essa doença”, comenta Artur Banhoso, entrevistado pelo Ikweli a entrada do Mercado Novo.

Esta fonte questiona: “se há covid-19, como é possível juízes, procuradores advogados e outras pessoas informadas se juntarem em locais fechados e sem distanciamento físico”, entendendo que “são eles que andam a condenar pessoas por desobediência”.

Com um novo modelo de funcionamento das escolas, adolescentes e jovens vêm-se com tempo de sobra, e no lugar de permanecer em casa vão a rua, mesmo sem agenda devida.

Para sobreviver a meio da pressão e stress, muitos correm para o Parque dos Continuadores, no centro da cidade de Nampula, onde passam o tempo tirando fotografias e fazendo o uso da internet gratuita ali instalada pelo governo no âmbito das praças digitais.

“Eu vim tirar fotos e colocar nas redes sociais”, comenta a jovem Madalena Paulino, defendendo que “está chato ficar em casa. Eu vou para escola, apenas, duas vezes por semana e tenho muito tempo para brincar e namorar”.

“Acabei de largar, e como agora saio cedo decidi vir brincar aqui nos baloiços com os meus amigos”, disse o adolescente Chitom Bruce, assegurando que “os meus pais nem se apercebem que nós estamos a estudar muito pouco”.

Os aglomerados na cidade de Nampula, também, se registam em restaurantes, bares e outros locais de venda de bebidas de fabrico caseiro, perante o olhar da polícia. (Aunício da Silva)

Curandeiro viola sexualmente menor de 16 anos em Namicopo

Nampula (IKWELI) – Um indivíduo de pouco mais de 50 anos de idade, que se dedicava a medicina tradicional na zona residencial de Namiepe, no populoso bairro de Namicopo, está a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM) indiciado de ter violado, sexualmente, uma menor de 16 anos de idade.

Segundo a polícia, o acto foi consumado no dia 22 do corrente mês de Julho, e que a vítima, residente no bairro de Namutequeliua, é uma cliente do curandeiro que, por razões de saúde procurou, junto com a família, os serviços oferecidos pelo indiciado para apanhar a cura, tendo depois resultado numa violação sexual, volvidos seis dias de tratamento árduo na residência do suposto violador.

“Eu fiquei doente, razão pela qual fui levado ao hospital e das análises feitas não mostravam resultados. Depois disso, a minha família levou-me ao curandeiro que, depois de fazer os seus trabalhos de adivinha, disse que quem teria provocado a doença era uma tia minha, por isso devia seguir com o tratamento tradicional para a doença curar”, disse a vítima, prosseguindo que “depois do primeiro dia, o curandeiro chamou apenas os meus pais e disse-lhes que eu devia fazer o tratamento num intervalo de seis dias seguidos e, porque queria me ver curada, eles aceitaram. Com isso, eu frequentei a casa do curandeiro durante seis dias acompanhado pela minha mãe”.

A vítima revela que foi no sexto dia que o curandeiro a orientou que aparecesse no sétimo dia para o último tratamento sem companhia da sua mãe ou qualquer outro membro, o que foi acordado pelas duas partes. Entretanto, “quando cheguei no curandeiro, no sétimo dia, fiz o tratamento e querendo sair, o senhor chama e orienta para eu voltar às 15 horas do mesmo dia, mas que desta vez eu devia trazer uma lâmina.”

Na referida tarde, segundo a menor, o suposto violador inventou que o tratamento devia ser fora do seu quintal, em local isolado, de forma que ninguém pudesse assistir. No local, para onde o médico tradicional a levou, o indiciado vendou a cara da vítima para lograr os seus intentos.

O mais caricato ainda é que, de acordo com a menor supostamente violada, o curandeiro ameaçou a menor de morte dos seus pais, caso ela denunciasse o caso às autoridades ou mesmo a sua família.

Suposto violador

Por sua vez, a Polícia da República de Moçambique (P.R.M), em Nampula, após tomar conhecimento do caso levou a cabo diligências, onde se apurou que houve penetração no órgão genital da menor e, seguidamente, a neutralização do indiciado na última segunda-feira 26 de Julho corrente na sua residência.

“A polícia tomou conhecimento através de uma denúncia dos familiares desta menor. Depois accionou os mecanismos com vista a localização deste indiciado e a vítima foi socorrida ao posto de saúde de Namiepe onde foi observada e tratada. O indiciado foi encaminhado à 5ª Esquadra, onde foi lavrada a respectiva peça de expediente para que este seja responsabilizado criminalmente”, informou Dércio Samuel, chefe do departamento de Relações Públicas no comando provincial da P.R.M.

Segundo Dércio Samuel, o indiciado tentou, sem sucesso, negociar com a família para que o caso não fosse denunciado, mas “tratando-se de um crime público, não há espaço para negociação, os infractores devem ser denunciados para que sejam punidos exemplarmente”.

Todavia, o curandeiro que teria supostamente violado a menor, recusa todas as acusações que pesam sobre si, embora reconheça ter tratado-a no intervalo de sete dias.

De acordo com ele, isso pode ser uma armação da família da sua cliente como forma de não pagar o devido valor combinado que, apenas, foi entregue a primeira tranche de 1.800,00Mt (mil e oitocentos meticais), faltando a mesma quantia.

“Eu não sei de nada, não reconheço ter dormido com a menor. O que eu fiz foi apenas o tratamento tradicional que me pediram, uma vez que ela encontrava-se doente aparentemente com perturbação mental e eu consigo curar isso”, até porque “eu faço o trabalho dentro do meu quintal e a menina tratei-a na presença dos pais”. (Esmeraldo Boquisse)

FIPAG reforça capacidade de higiene e saneamento nas escolas de Nampula para a prevenção da covid-19

Nampula (IKWELI) – Escolas públicas da província de Nampula, no norte do país, estão a beneficiar de construção e/ou reabilitação de sanitários e pequenos sistemas de abastecimento de água no âmbito dos esforços do governo para a prevenção e mitigação da covid-19.

Com o alastramento da pandemia, o governo viu-se obrigado a tomar medidas para responder com a emergência sanitária imposta pelo novo coronavírus, por isso na província mais populosa do país, o Fundo do Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG) foi lhe confiada a missão de gerir a construção e/ou reabilitação de 4 lotes das referidas infra-estruturas.

Esta actividade concorreu para o surgimento de novos desafios. Nas comunidades, onde se encontram as escolas, a relação entre a população estudantil com um novo modelo de higiene e saneamento, acompanhado com infra-estruturas modernas, eleva os níveis de preocupação dos gestores das mesmas.

No distrito de Malema, por exemplo, o governador de Nampula, Manuel Rodrigues, viu-se obrigado a exigir algumas correções aos sanitários da Escola Secundária Eduardo Silva Nihia, por entender que podia se ter feito mais.

Na ocasião, depois da constatação, foi explicado ao governante que parte do material tinha sido vandalizado, sobretudo torneiras, por isso apresentavam-se aspectos que comprometiam, aparentemente, a qualidade da infra-estrutura. Mas, uma explicação do administrador da empresa contratada para a execução das obras deixou esclarecido Manuel Rodrigues, ao que apelou a comunidade escolar para colaborar na segurança da mesma.

Hipólito Machaieie, administrador da EMOTEC, explica que, incluindo pequenos sistemas, a empresa que gere está, também, a levar a cabo construções similares nos distritos de Murrupula, Lalaua, Mecúburi e Rapale.

“Fizemos todas as correções que foram solicitadas”, disse Machaieie em relação as constatações do governador, garantindo que “neste momento [os sanitários] estão em condições de serem utilizados pelos os alunos. Fizemos as correções das torneiras, que foi o aspecto predominante que o governador fez menção. As torneiras, assim como o patamar que era necessário para o acesso ao sanitário, estão corrigidos”.

Este empreiteiro garante que a execução da obra seguiu todos padrões constantes do caderno de encargos, mas lamenta a sabotagem que sofreram com a vandalização.

“Há situações que tivemos anteriormente é que, recorrentemente, existe vandalização, isto não aconteceu apenas no distrito de Malema, mesmo em outros distritos nos quais nós fizemos trabalhos similares as torneiras têm sido vandalizadas”, apontou a fonte.

Por seu turno, o director da Escola Secundária Eduardo Silva Nihia, Jacob Julião, disse que para garantir segurança daqueles sanitários, medidas foram tomadas, em colaboração com a comunidade local.

“Nós estamos preparados para conservar os sanitários, já temos material suficiente para o efeito, temos comissões de trabalhos para limpeza”, garantiu Julião, explicando que “são professores e alguns funcionários da secretaria”, entendendo que a instituição não dispõe de verba para contratar mão-de-obra externa.

Em relação as vandalizações, o director Jacob Julião explica que “isso aconteceu devido a própria escola que não está protegida, mas por enquanto estamos com um desafio de fazer o murro de vedação, e já montamos a comissão de protecção da segurança da escola. Portanto, estamos garantidos que isso poderá ser conservado”.

Mateus Saeze, do FIPAG na região norte do país, garante que a execução de todas as obras está em fase avançada, fazendo saber que alguns sanitários e pequenos sistemas de abastecimento de água já estão concluídos.

Todavia, a fonte está preocupada com a gestão e/ou conservação das infra-estruturas, mas segundo avança “é desafio do próprio sector ou da própria escola na questão da educação do uso dos balneários. É um desafio grande, e eu acho que a própria direcção da escola poderá encontrar alternativas para superar”.

Por outro lado, a fonte garantiu que há constatações que foram tidas em conta para garantir qualidade nos balneários, tal como observou o governador na visita que fez a Malema.

Por fim, Saeze voltou a falar da questão de segurança dos balneários. “O que nós nos apercebemos é que sempre que terminava o tempo lectivo, tirava-se as torneiras e voltava-se a colocar no dia seguinte. Certamente que isso ao se fazer sempre tinha que haver um dia que a torneira não ficasse bem apertada”. (Aunício da Silva)

PRM volta a “caçar” os que não cumprem as medidas de prevenção da covid-19 em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, reafirma que os próximos dias vão ser difíceis para as pessoas que violam, grosseiramente, o decreto do Conselho de Ministros, número 50 de 16 de Julho, que estabelece medidas gerais para conter a pandemia da covid-19 no âmbito da situação da calamidade pública.

“Temos vindo a constatar que, ainda, há uma resistência da nossa população no cumprimento, fecho de estabelecimentos comerciais, fecho das barracas, algum aglomerado populacional, com intuído de desencadear várias acções, então, nós como a PRM e outras forças vivas preocupadas, vamos agir”, refere Augusto Guta, director da Ordem e Segurança Pública no Comando Provincial da PRM em Nampula.

“Não vamos dar tréguas a situação de desobediência do decreto número 50, de 16 de Julho”, alertou Augusto Guta.

Para além de medidas repreensivas, a PRM em Nampula, também, diz que vai continuar com as acções de fiscalização e sensibilização às populações sobre a necessidade do cumprimento das medidas de prevenção da covid-19. Como, por exemplo, nesta quarta-feira (21) a corporação, em coordenação com outros actores, levou a cabo uma campanha de fiscalização e sensibilização em três potenciais mercados da cidade de Nampula, nomeadamente, Waresta, Belenenses e mercado Central.

“Estamos numa fase em que já temos vindo a desencadear várias actividades com vista a prevenção. A nossa província não está alheia sobre a situação de calamidade pública, daí que temos vindo a desencadear várias operações com vista a sensibilização da população, com vista a fazer a fiscalização da superlotação dos veículos de semicolectivos, de passageiros sobretudo, isto tem revelado um progressivo cumprimento das nossas populações, mas não devemos nos cansar. Temos feito um trabalho coordenado entre a PRM em Nampula, a polícia municipal, INAE [Inspecção Nacional de Actividades Económicas] e outras forças que preocupados com a covid-19 vão desencadeando actividades para que o surto da covid-19 não crie mais luto nas nossas famílias e nas nossas populações”, disse a fonte.

“Hoje, como estão organizados, vamos sair para três mercados para sensibilizar, vamos actuar aquelas situações que forem uma expressão clara de inobservância daquilo que o decreto preconiza. Estaremos no mercado Waresta, Central e Belenenses. Vamos falar sobre a necessidade de haver um distanciamento das pessoas que estão a desencadear suas actividades nos mercados. Vamos falar com os utentes que acorrem a esses mercados sobre a necessidade do uso correcto da máscara, vamos falar com os operadores dos semicolectivos sobre a necessidade de não haver a superlotação nos semicolectivos”, referiu, destacando que “se nós constatarmos que há superlotação naturalmente que devemos desembarcar as pessoas e voltar ao número exacto para que o índice da covid-19 não acorra”. (Constantino Henriques *Foto: Hermínio Raja)

Jovem de 21 anos detido por violar adolescente de 16 anos em Namutequeliua

Nampula (IKWELI) – Um jovem de 21 anos de idade encontra-se detido, numa das celas da 1ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, indiciado de ter violado sexualmente uma menor de 16 anos, no bairro de Namutequeliua.

O caso ocorreu no sábado passado, e segundo Dércio Samuel, chefe do departamento de Relações Públicas, no Comando Provincial PRM, em Nampula, “a polícia tomou conhecimento deste caso através da denúncia da mãe da menor, que terá notado sangue nas vestimentas da menor e depois de questionada as causas a mesma relatou o cenário da violação forçada por um jovem”.

Diante da denúncia, Samuel disse que a corporação, da área de jurisdição da 4ª Esquadra, fez diligências que culminou com a neutralização do jovem, enquanto a família da menor seguia, com uma guia da unidade policial, a um estabelecimento hospitalar para exames médicos.

Feitos os exames, de acordo com Dércio Samuel, os resultados apontaram para uma violação sexual, daí que “foi lavrada a respectiva peça de expediente e encaminhada ao Ministério Público para que ele seja responsabilizado criminalmente pelo acto cometido”.

Entretanto, M. Cesar, o suposto violador, foi confesso e desmentiu que tal acto fosse forçado, tal como fez entender a Polícia da República de Moçambique, na pessoa do responsável das Relações Públicas no comando provincial de Nampula. Contudo, o jovem diz estar arrependido no cometimento do crime.

Tanto a mãe da menor, assim como a violada, na presença da imprensa e do suposto estuprador, visivelmente aborrecidas, pediram que a justiça seja, efectivamente, feita contra o violador, como forma de desencorajar o recrudescimento de actos desta natureza.

Este é mais um caso que engrossam as estatísticas relativamente aos casos de violações sexuais, na cidade e província de Nampula. E para reduzir esta problemática, as autoridades policiais continuam a exortar a denúncia, por parte da população, de casos desta natureza para a responsabilização dos autores como forma de desencorajar tais práticas.

“Nós temos levado a cabo reuniões polícia-comunidade, a nível dos bairros, uma vez que no meio da comunidade que estes casos ocorrem. Pedimos as lideranças do bairro parta que sempre que tiverem conhecimento a denunciarem a uma subunidade policial a denunciarem estes casos que é para a responsabilização dos autores”, disse, para quem “no caso do abuso sexual, não há espaço para negociação” com os criminosos. (Sitoi Lutxeque, Fotos: Hermínio Raja)