Munícipes de Nampula continuam a ignorar medidas de prevenção da covid-19

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Nampula (IKWELI) – Os moradores da cidade de Nampula, maior autarquia do norte de Moçambique, estão, voluntariamente e sem recomendação especializada, a abandonarem a prática das medidas de prevenção da covid-19.

Nos principais pontos com aglomerado de pessoas, como mercados e paragens de autocarros, nota-se o incumprimento, de forma clara, das medidas de prevenção e mitigação da pandemia.

Na manha desta quarta-feira (28), uma equipa do Ikweli visitou alguns desses pontos, e observamos que, aparentemente, as mensagens de sensibilização não estão sendo acatadas como devia ser.

Actualmente, o país vive uma terceira vaga da doença e pelas estatísticas os casos positivos continuam a aumentar. Se a província de Nampula registava, na segunda vaga, números bastante reduzidos (nalguns casos chegando uma semana a registar, diariamente, menos de cinco casos), agora os números estão sempre acima de duas a três dezenas.

As autoridades governamentais locais andam preocupadas com a situação, tal que o Secretário de Estado da província, Mety Gondola, já foi ao mercado grossista do Waresta para “implorar” aos utentes para cumprirem com as medidas impostas, de forma a reduzir a propagação da doença.

Por outro lado, Manuel Rodrigues, primeiro governador eleito do maior círculo eleitoral do país, também, já foi a escola, sem agendamento, para observar a verdadeira situação que se passa.

Nos estabelecimentos de ensino visitados, Rodrigues notou que nada está sendo feito para a prevenção e mitigação do novo coronavírus. Por exemplo, na Escola Secundária de Nampula, maior estabelecimento de ensino público no norte de Moçambique, tudo está um caos. A higiene não está sendo garantida, e o risco de contaminação é evidente entre alunos, professores e outros funcionários não docentes.

Segundo constatamos nas entrevistas, o entendimento dos cidadãos, sobretudo os da periferia, é que a covid-19 “é um assunto do governo”, o que representa um perigo para a prevenção da doença.

“Eu não sei se a doença existe, mas sempre ando com máscara para em caso de ver um polícia usar e não me levaram a esquadra”, disse Catarina Bento, vendedeira de alface na zona da Faina.

Esta interlocutora comenta que “penso que algo está muito errado sobre esta doença. Já tivemos cólera, malária e outras doenças, mas nunca vimos nenhum chefe grande a ir para os mercados”, por isso “estamos a achar que esse é um assunto do governo”.

No mercado Central de Nampula, o cenário é idêntico, tal como no dos Belenenses, onde as pessoas preferem ter as máscaras nos bolsos no lugar de coloca-las no lugar certo.

“Eu sei que a doença existe e está a matar, mas não sei o que fazer porque todos os dias com máscara na boca é difícil”, aponta Amílcar José, comerciante de mariscos no mercado dos Belenenses, prosseguindo que “há, ainda, muito trabalho a ser feito, porque muita gente não acredita na existência da doença”.

Ainda nas ruas de Nampula conversamos com jovens que se dedicam ao comércio informal, cuja maioria entende que a doença constitui tabu, porque “há pessoas informadas e formadas que não cumprem com essas medidas”.

“Eu costumo a ver na televisão que procuradores, advogados e juízes costumam a se juntar em aglomerados e sem cumprirem com as medidas de prevenção da covi-19, por isso acho duvidosa essa doença”, comenta Artur Banhoso, entrevistado pelo Ikweli a entrada do Mercado Novo.

Esta fonte questiona: “se há covid-19, como é possível juízes, procuradores advogados e outras pessoas informadas se juntarem em locais fechados e sem distanciamento físico”, entendendo que “são eles que andam a condenar pessoas por desobediência”.

Com um novo modelo de funcionamento das escolas, adolescentes e jovens vêm-se com tempo de sobra, e no lugar de permanecer em casa vão a rua, mesmo sem agenda devida.

Para sobreviver a meio da pressão e stress, muitos correm para o Parque dos Continuadores, no centro da cidade de Nampula, onde passam o tempo tirando fotografias e fazendo o uso da internet gratuita ali instalada pelo governo no âmbito das praças digitais.

“Eu vim tirar fotos e colocar nas redes sociais”, comenta a jovem Madalena Paulino, defendendo que “está chato ficar em casa. Eu vou para escola, apenas, duas vezes por semana e tenho muito tempo para brincar e namorar”.

“Acabei de largar, e como agora saio cedo decidi vir brincar aqui nos baloiços com os meus amigos”, disse o adolescente Chitom Bruce, assegurando que “os meus pais nem se apercebem que nós estamos a estudar muito pouco”.

Os aglomerados na cidade de Nampula, também, se registam em restaurantes, bares e outros locais de venda de bebidas de fabrico caseiro, perante o olhar da polícia. (Aunício da Silva)

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