Pai e madrasta queimam menor por causa de badjia em Carrupeia

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Nampula (IKWELI) – Um menor de oito anos de idade, residente no bairro de Carrupeia, nos arredores da cidade de Nampula, foi queimado pelo próprio pai em conluio com a madrasta, alegadamente, por ter comido duas badjias [pasteis típicos da região produzidos com base na farinha de feijão nhemba].

Casos de violência contra menores, neste ponto do país, tem agudizado desde que eclodiu a pandemia da covid-19. Desprovidos de locais e alternativas para brincar, as crianças passam mais tempo em casa, e quem os devia garantir protecção é, habitualmente, que as expõe ao perigo.

Denunciado este caso, o casal foi capturado pela Polícia da República de Moçambique (PRM), na zona da 3ª Esquadra, e mais tarde transferidos para as instalações da 1ª Esquadra da corporação.

Sem alternativa, o pai do menor, cuja identidade omitimos por presunção de inocência, diz-se arrependido pelo acto cometido, e defende que tenha sido possuído por forças paranormais para que agisse com tamanha violência contra o seu próprio filho.

Com 26 anos de idade, pintor, o indiciado é divorciado com a mãe da vítima, a qual reside na circunscrição de Niarro, próximo a barragem de Nampula, e tinha confiado a guarda e os cuidados do seu filho a sua rival e o seu ex-marido.

“Na segunda-feira passada eu fui ao serviço e voltei, e encontrei minha mulher a contar para vizinhos a dizer que essa criança aqui em casa roubou de novo”, situou o pai da vítima sobre a origem da causa que ditou a queima do menor, prosseguindo que “eu voltava (voltei) com um pouco de stress e quando perguntei o que se estava a passar, ela disse que o miúdo roubou de novo”, por isso “aquele satanás me entrou na cabeça, peguei o miúdo e dei porrada. Aí peguei a criança e queimei com fogo”, porque a “mãe disse que ele roubava badjia e bolo, parece que foram duas”.

A madrasta, também, conta uma versão similar com a do seu marido, e diz que o menor é renitente em não seguir orientações dos seus encarregados.

Nos calabouços da 1ª Esquadra, a senhora teve a sorte de ter sido exibida a imprensa, o que lhe valeu um banho de sol, e de lá referiu que o produto consumido, pelo menor, valia, nada mais, nada menos que 2,00Mt (dois meticais).

“Eu fui queimado porque comi duas badjias”, disse o menor, inocente e triste, próximos a agentes da corporação que no recinto da esquadra circulam munidos de AK47 e pistolas.

Atónito, e desconfortável por estar em lugar desconhecido, o menor mostrou-se trémulo diante das camaras e microfones dos jornalistas, mas, em emacua, conseguiu soltar a razão de não estar a brincar com os seus amigos e a contorcer-se de dores pela queimadura protagonizada pelo próprio pai.

A vista desarmada é possível ver a barbaridade cometida contra aquele corpo franzino, carenciado de todo o tipo de assistência medica, incluindo nutricional, balbuciando algumas palavras para, apenas, fazer chegar uma das várias situações porque crianças passam pelos próprios progenitores, o que se agudizou com a pandemia.

O chefe do Departamento de Relações Públicas, no comando provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, garante que o casal será, exemplarmente, punido.

“Este casal maltratou este menor, alegando que roubou 5,00Mt (cinco meticais), no período de 09 a 15 Julho do ano em curso”, disse Samuel, apelando a comunidade para que não pactuem com casos dessa natureza e se combata este comportamento. (Aunício da Silva *Foto: Hermínio Raja

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