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António Bachir é o novo comandante provincial da PRM em Nampula

Nampula (IKWELI) – Tomou posse na manha desta segunda-feira (20) o novo comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, António Bachir, em substituição de Adelaide Muianga que vinha exercendo a função há um ano e quatro meses.

O comandante do ramo de Polícia Costeira, Lacustre e Fluvial, Alfredo Mussa, foi quem empossou ao novo homem forte da corporação na província mais população do país, e apelou que “vocês devem continuar aquilo que sempre foram. Bons formadores, bons guias. Corrigir o que é mau, manter o que é bom”, reconhecendo que “Nampula é uma das provinciais que tem o comando operativo a 100%”.

Por seu turno, Adelaide Muianga, comandante cessante, disse que sai de Nampula com a sensação de missão cumprida, sobretudo porque por ser mulher, “as mulheres não me deixaram sozinhas nessa missão. Apoiem o novo comandante”.

Bachir disse que não traz uma varinha mágica para melhorar a ordem e tranquilidade públicas. “Não esperem que o Bachir que vem de Maputo vem dotado de conhecimentos de manter a ordem e tranquilidade públicas”, disse o novo comandante, deixando claro que trabalhará com todos para o bem da ordem e tranquilidade públicas, sobretudo pelo facto de “até hoje Nampula está à altura daquilo que se pretende”.

“Vamos ser humildes a partir do nosso elemento da esquadra até aquele que é o mais velho”, pediu António Bachir, prosseguindo que “temos que sair daquele jugo que mancha o bom nome da corporação”. (Aunício da Silva)

Tanzaniano condenado a um ano de prisão por pesquisa e exploração ilegal de recursos minerais em Montepuez

Nampula (IKWELI) – O Tribunal Judicial do distrito de Montepuez, na província de Cabo Delgado, condenou o cidadão tanzaniano, Ramadane Sumail, a um ano de prisão e multa correspondente, com a taxa diária de 150,00Mt (cento e cinquenta meticais).

De 28 anos de idade, Sumail era acusado de pesquisa e exploração ilegal de recursos minerais, o quem em sede de julgamento ficou provado, e a actividade era desenvolvida na concessão da Montepuez Ruby Mining (MRM).

Para este tipo legal de crime, a pena varia de 1 a 5 anos de prisão e multa de até 2 anos, mas o autor teve a sorte de pegar a pena mínima, e após cumprir a pena ele deverá ser deportado para o seu país de origem.

“O número crescente de incidentes, ataques e fatalidades envolvendo mineiros ilegais na concessão da Montepuez Ruby Mining (MRM) é uma grande preocupação para a empresa e para as comunidades locais, cujas aldeias são pressionadas pelo afluxo de mineiros ilegais de cidades distantes, províncias vizinhas e países estrangeiros. As práticas inseguras dos mineiros ilegais, que são normalmente supervisionadas ou coagidas por sindicatos de contrabando ilegal de pedras preciosas financiados por comerciantes estrangeiros que operam na região, continuam a resultar na perda desnecessária de vidas na região”, refere um comunicado da MRM distribuído pela assessoria de imprensa.

Igualmente, a mesma nota explica que “a MRM realiza actividades de comunicação contínuas para alertar acerca dos perigos da exploração mineira ilegal e insta os indivíduos a não realizarem tais actividades. A MRM também faz campanhas de sensibilização nas comunidades próximas (onde os mineiros ilegais abrigam-se temporariamente) sobre os perigos da exploração mineira ilegal”.

Estes incidentes foram levados ao conhecimento das autoridades, tanto a nível provincial assim como governamental, na esperança de que sejam tomadas medidas mais pró-activas contra aqueles que estão a financiar, facilitar e encorajar o comércio ilegal de rubis Moçambicanos que prejudica Moçambique e o seu povo como consequência da perda de vidas e da privação das tão necessárias receitas fiscais dos recursos minerais de Moçambique. (Aunício da Silva)

Dificuldades em distinguir civis de terroristas periga vida de nativos nas áreas de conflito em Cabo Delgado

Pemba (IKWELI) – As Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique, que actuam no Teatro Operativo Norte (TON), mostram-se com enormes dificuldades na distinguição de civis com membros das aldeias locais, dos terroristas, facto que pode estar a concorrer para a violação dos direitos humanos.

Desde a eclosão do conflito armado, em 2017, que fustiga os distritos de Palma, Mocímboa da Praia, Muedumbe, Macomia, Nangade e Quissanga há relatos de que populações civis tenham sido vítimas de maus tratos por parte dos membros das FDS, e que em alguns casos resultaram em mortes.

Em Julho do corrente ano, a Televisão de Moçambique (TVM) publicou uma reportagem apresentando um grupo de pessoas, alegadamente que eram terroristas capturados pelas FDS, mas uma investigação levada a cabo pelo Ikweli desde então, concluiu que as pessoas são populares civis, cuja maioria é natural e residente na aldeia Monjane, no distrito de Palma.

Na conversa com as fontes, depois de verem/assistirem os vídeos exibidos pela televisão pública, disseram que aquelas nunca foram as matas e várias vezes fugiram juntos de incursões terroristas de Monjane a outros locais desde Março até antes da sua captura.

Uma das fontes, natural de Monjane distrito de Palma, que está na cidade de Pemba há mais de 30 dias, conseguiu identificar no referido grupo pessoas que diz conhecer, nomeadamente Ali Madula, Chafim Mogo, Amir, Jadu, Matanga, Momade Madamo, e outras citadas pela rapariga e disse que não são elementos terroristas.

Diz mais que nenhum deles tem noção de pegar ou manipular arma, fora das actividades pesqueiras ou pequenos negócios que eles faziam, presumido que talvez foram pegues, porque Monjane está próximo de Patacua, onde tem a uma das posições das forças de defesa e segurança, numa altura em que as forças de defesa e segurança, suspeitam quaisquer pessoas, tal como afirmou o porta voz das FDS que na caça aos terroristas no terreno todas pessoas são acusadas independentemente do sexo.

“Foi nestes moldes de não condução de investigações exaustivas por parte das forças de defesa e segurança, que muitas pessoas capturadas no distrito de Palma depois do ataque de 24 de março, não regressaram ao convívio familiar, tal como aconteceu com o tio do Momade J, que foi capturado pelas FDS quando regressava de Palma sede, onde fora ver alimentos para família que estava em Quitunda, mas por não ter apresentado o seu documento de identificação que perdeu nas correrias”, disse a nossa fonte.

A mesma fonte prossegue que quando “ele [o tio] foi capturado, ele não tinha documentos, os outros foram deixados, esperaram um pouco a frente, mas não veio e quando chegaram em Quitunda, esperaram ainda mais, mas não apareceu até hoje, explicou Momade J, que lamenta a forma de actuação das autoridades no teatro operacional norte”.

A military convoy of South Africa National Defence Forces (SANDF) patrols in Pemba on August 5, 2021. – The Southern African Development Community (SADC) bloc is rallying behind neighbouring Mozambique, sending troops to battle jihadists wreaking havoc in the gas-rich north and posing a threat to other countries. Regional giant South Africa announced on July 28 it would deploy 1500 to fight the terrorist insurgency that has left more than 3,000 people dead and halted Africa’s biggest private investment yet. (Photo by Alfredo Zuniga / AFP)

Por outro lado, as nossas fontes acreditam que a senhora que foi usada para identificar in loco os presumíveis terroristas, que não passavam de bodes expiatórios, terá sido manietada pelas FDS. Para justificarem as suas barbaridades contra civis indefesos.

Alguns dos integrantes do grupo, ora apresentada na televisão pública nacional, terão, dias mais tarde, liberados pelas FDS, mas outras não tiveram a mesma sorte, e as nossas fontes garantem que foram mortas.

O assassinato destes civis foi sob pretexto de serem insurgentes, mas nossas fontes nas fileiras da FDS garantem que não houve trabalho aturado para, realmente, apurar sem “aquelas pessoas eram mesmo terroristas ou não”.

“Há muitos inocentes mortos sob acusação de serem insurgentes, em critérios pouco claros sobre a acusação”, afirmam nossas fontes, explicando que um dos critérios é o facto de “algum elemento das FDS saber que você tem algum valor monetário”.

Ainda em relação a mulher que se dedica a identificação de presumíveis terroristas, nossas fontes classificam-na como “mulher dos militares”, para dar a entender que “ela namorou com militares, sendo que supostamente já a usaram várias vezes para relações sexuais, depois de divorciar-se”.

Anica Sumail é natural de Monjane, “o pai é um pequeno comerciante e estava em Pemba quando aquilo aconteceu, porque vinha aqui comprar mercadoria, mas não conseguiu passar devido ao mau tempo e voltaram em Matemo”.

Disseram mais que aquela camiseta que vestiu é da equipa futebolística Bafana-Bafana de Monjane, na qual outros suspeitos de serem insurgentes apresentados pelas FDS jogavam. (IKWELI)

Nampula vacina perto de cinco milhões de animais em 6 meses

Nampula (IKWELI) – O governo da província de Nampula, através da direcção provincial de Agricultura e Pescas, vacinou entre Março e Agosto do corrente ano o total de 4.681.953 (quatro milhões, seiscentos e oitenta e um mil, novecentos e cinquenta e três) animais contra diversas doenças.

De acordo com Ernesto Pacule, director do sector, esta acção insere-se na campanha de vacinação veterinária que decorre em toda a província, e cujo o término está previsto para os finais do corrente mês de Setembro.

Ao todo, segundo esta fonte, Nampula espera vacinar perto de outo milhões de animais, e ao que tudo indica o número será alcançado olhando para a demanda por parte dos criadores.

Os distritos de Moma, Angoche, Murrupula e Mogovolas são os que mais efectivos apresentam em termos de animais, daí a necessidade de se intensificar a campanha nestas regiões sem, no entanto, excluir as outras regiões que, também, detém números significantes de animais que devem ser vacinados.

“Em termos de adesão dos criadores nas campanhas de vacinação obrigatória tem sido positiva ao nível de todos os distritos. Nós intensificamos as nossas campanhas nos distritos com maior efectivo, mas não descartamos a ideia de que os outros distritos tenham maior efectivo”, disse ao Ikweli o director Ernesto Joel Pacule.

Desde Março do presente ano, altura em que iniciou a campanha de vacinação veterinária obrigatória em Nampula, a fonte destaca a vacinação de cerca de 6.562 (seis mil, quinhentos e sessenta e dois) animais contra a raiva, num total de 35.098 (trinta e cinco mil, noventa e oito) animais previstos na presente campanha. Nesta abordagem, a fonte deu a conhecer que ainda se está num momento propício de vacinação contra a raiva, dado que se espera alcançar a meta, com o envolvimento dos governos distritais, bem como os conselhos autárquicos da província de Nampula.

“Desde que iniciou esta campanha notamos que a maior parte dos criadores está a aderir. Exemplo disso é que, em termos de Carbúnculo emético, tínhamos um plano de 117.143 animais, sendo que neste momento estamos em 96.269 animais vacinados. Carbúnculo sintomático temos o plano de vacinar 38.657 animais, mas agora estamos com 37.352. sobre a dermatose, temos o plano de 11.717 que ainda não vacinamos, isto porque existe um período específico para se fazer”, detalhou a fonte, para depois avançar que “sobre a dermatose nodular tínhamos o plano de 9.000, mas já ultrapassamos a meta, estamos com 14.681 animais vacinados, enquanto na newscatle está prevista a vacinação de 4.413.859 e, neste momento, temos 2.851.751”.

Por outro lado, nosso interlocutor refere que o programa de fomento pecuário implementado pelo governo para aumentar o efectivo animal contribui significativamente, no número elevado de animais a serem vacinados, sobretudo, na presente campanha. (Esmeraldo Boquisse)

Ferroviário de Nampula “sem dinheiro” para participar no nacional de atletismo

Nampula (IKWELI) – O Clube Ferroviário de Nampula decidiu, na última hora, em não participar no campeonato nacional de atletismo, prova que arranca hoje, sexta-feira, na cidade de Maputo por, alegadamente, falta de condições financeiras para suportar com as despesas inerentes às deslocações, alimentação, assim como alojamento dos atletas.

O campeonato nacional de Atletismo deste ano tem o pontapé de saída na manha desta sexta-feira (17) na capital moçambicana e, inicialmente, como o Ikweli noticiou na sua edição 775, a província de Nampula estaria representada na competição por oito atletas. Entretanto, este número não vai se concretizar porque o Ferroviário de Nampula, o campeão em título, e que iria participar com seis atletas, pautou pela não participação na prova.

A comunicação da desistência do Ferroviário de Nampula colheu de surpresa à equipa técnica e os próprios atletas que vinham trabalhando com afinco, com vista a sua participação na maior montra do atletismo moçambicano.

Para alguns atletas que falaram exclusivamente ao Ikweli, a posição da direcção do clube locomotivo é infeliz, acrescentando que a mesma decisão veio provar que a única aposta da colectividade é o futebol onze.

“Uma pessoa não contava, depois de tanto treino e na última da hora disseram que não haveria nada, dizem que o clube não tem condições”, lamentou um dos atletas que preferiu falar ao anonimato por temer represálias. Para o mesmo atleta, a justificação da direcção do clube, sobre a falta de condições, é desonesta, e acrescentou que a única modalidade valorizada pela direcção é o futebol.

“Dizem que o clube não tem condições, mas o futebol sempre está em pé, têm feito viagens de voo daqui à Maputo. Agora como é uma equipa de atletismo não é bem vista, nunca há dinheiro, eles alegam que não têm dinheiro, eles não valorizam o atletismo, eles não nos veem como se fossemos…”, referiu o atleta anónimo.

Joaquim Augusto, outro atleta que figurava na lista dos atletas que seguiriam viagem para o nacional de atletismo, também, lamenta o posicionamento da direcção do Clube Ferroviário de Nampula. “É verdade, pela posição da direcção senti-me mesmo desamparado. Eles não nos consideram, apenas levam as condições para o futebol, mesmo fazermos o nosso esforço a direcção não nos considera”, contou o atleta.

“Em Janeiro, também, fomos a Chimoio e trouxemos trofeu ao clube, mas eles não falaram algo até agora, por isso que quando isto acontece não há dúvidas que eles não nos consideram. Apesar disso, nós queríamos ir ao nacional para ver se traríamos mais trofeus ao clube, mas dizem que não tem condições nem de transporte, é uma vergonha para um clube grande como aquele”, precisou Joaquim Augusto.

A tristeza é, também, sentida no seio da equipa técnica chefiada por Ernestina Sagula. Ao Ikweli, Sagula disse não ter informação clara sobre as razões que ditaram o cancelamento da participação da equipa no nacional de atletismo.

“Não tenho nenhuma informação só os chefes é que sabem. Não tenho nenhuma informação sobre as razões desse cancelamento só os chefes do Ferroviário de Nampula é que sabem”, disse a treinadora, reiterando que “o sentimento é de tristeza porque os atletas já estavam a treinar para irem competir”.

A notícia, também, colheu de surpresa a direção da Associação Provincial de Atletismo de Nampula que esperava uma boa representatividade no campeonato nacional. “Nós já tínhamos feito a nossa parte como Associação e contávamos que o Ferroviário iria participar, mas na última hora é quando o Ferroviário disse que não tem fundos para custear a viagem dos atletas para o nacional, então não indo isso cabe ao próprio Clube Ferroviário”, disse Clemente João, vice-presidente para alta competição na Associação Provincial de Atletismo de Nampula.

“Ficamos apertados e desmoralizados porque já tínhamos em mente que, junto dos atletas que a Federação custeou para irem lá porque todos iriam representar a província de Nampula, então quando na última hora o Ferroviário diz que não vai participar por falta de condições financeira, automaticamente nós ficamos um pouco desmotivados”, referiu Clemente João.

Entretanto, José Maússe, secretário-geral do clube Ferroviário de Nampula, suavizou que as reais razões da não participação da sua agremiação na fase nacional tem a ver com questões técnicas. “Toda gente sabe que nesta situação pandémica tivemos limitações e, duma avaliação, chegamos a conclusão que não estávamos devidamente preparados para poder fazer representar de forma condigna o clube e defender o título e representar, também, de forma condigna a própria província”, disse, referindo-se que “limitações não é em termos financeiros, é em termos técnicos mesmo”.

“Nós respeitamos as outras questões porque parece que o problema é vocês devem ir, mas há outras coisas que devem ser analisadas. Não basta participar por participar, nós tínhamos um título para defender e a nossa ideia era, vamos quando estivermos preparados para defender de forma condigna, então houve avaliação nesse sentido”, precisou José Maússe, exclusivamente ao Ikweli. (Constantino Henriques)

Vahanle torna-se fonte de inspiração para autarcas da Renamo do norte de Moçambique

Nampula (IKWELI) – Presidentes dos municípios geridos pelo partido RENAMO, no norte de Moçambique, tem no autarca de Nampula, Paulo Vahanle, como fonte de inspiração, e com efeito tem vindo na circunscrição colher “bons” modelos de gestão e direcção.

Eleito, pela primeira vez, como último autarca por voto pessoal e directo, Paulo Vahanle chegou ao poder, no município de Nampula, em Abril de 2018 para terminar o mandato do malogrado Mahamudo Amurane, barbaramente assassinado no princípio do dia 4 de Outubro de 2017, quando o país assinalava a passagem de mais um aniversário.

No início, Vahanle foi vítima de todo o tipo de crítica, tanto que chegou a semear inimizade com alguns órgãos de comunicação social. Ainda em 2018, o edil voltou a ser eleito pela lista do partido Renamo, para a fazer, assim, o seu primeiro mandato regular.

Volvidos mais de dois anos, o autarca do mais importante centro urbano do norte de Moçambique começou a mostrar pujança. Focando-se no melhoramento da mobilidade urbana, através da construção de infra-estruturas diversas, como estradas e pontes, o olhar sobre Vahanle, também, mudou, ainda que persistam falhas na gestão do sistema de saneamento.

Igualmente, o sector de receitas começou a melhorar, depois de ter estado em banho-maria durante algum tempo. E é com o desempenho deste sector que a edilidade consegue fundos para a execução dos seus planos.

Os municípios de Cuamba e Angoche, também geridos pela RENAMO, vendo esses avanços decidiram por encontrar mecanismos para “beber” e partilhar os conhecimentos do Vahanle na gestão da coisa pública, e com efeito rubricaram acordos de gemelagem.

Para operacionalizar esses instrumentos, vereadores e técnicos das duas edilidades tiveram de se deslocar a Nampula para desenhar estratégias para o efeito.

Na primeira semana do corrente mês de Setembro foi a vez do município de Cuamba, e na última terça-feira, Ossufo Raja e seus técnicos, incluindo vereadores, estiveram na cidade de Nampula para, também, desenharem os mecanismos da implementação do acordo.

Na ocasião, Raja disse que o seu maior interesse é de beber de Vahanle, principalmente sobre o uso da Polícia Municipal e de Fiscalização para a arrecadação de receitas, para além da gestão financeira, porque segundo ele, a cidade de Nampula está a progredir de uma forma muito rápida estando sempre em frente.

“Eu pensava que o meu Angoche é que estava a desenvolver rapidamente, mas vi que Nampula está ainda mais enfrente e é daí que queremos aprender sobretudo na questão financeira, como é que eles estão a operar, como aplicam os valores que conseguem e a sua gestão no geral, e para além disso, temos também a questão de transporte onde temos tido problemas de como cobrar os transportadores”, disse Raja.

Por sua vez, Paulo Vahanle, durante a sessão, chegou a falar que “muitos pensam que Dhlakama me deixou dinheiro, mas a verdade é ter estratégias de cobrança de receitas e saber gerir que a nossa cidade evolui”, prosseguindo que “com a união de forças, vai-se cada vez mais melhorar e construir infra-estruturas como vias de acesso, água, salas de aulas”.

“Isso é voluntário, depois de termos o encontro com Cuamba, Angoche manifestou interesse em colaborar connosco e já fizemos o acordo de gemelagem. Não somos muito importantes como cidade de Nampula, mas simplesmente parece-me que há muita experiência que os colegas têm interesse em aprender como é que nós ultimamente estamos a superar as dificuldades”, apontou o autarca de Nampula, acrescentando que “há muitos municípios que manifestaram este interesse de aprender de Nampula, mas vamos esperar para ver”.

Sobre a situação da Polícia Municipal e de Fiscalização, Vahanle considerou este espaço como uma oportunidade para junto de Angoche colher ideias sobre como agir de modo a evitar situação recorrentes em que munícipes reclamam a má actuação dos agentes. (Alfredo Célia)

Nova Democracia contesta segregação salarial especulativa em benefício de altos dirigentes do Estado

Maputo (IKWELI) – O partido Nova Democracia (ND) entende que a nova tabela salarial que segrega, de forma especulativa, os aumentos da classe operária com o governo seja uma clara demostração que a crise económica de que se fala é apenas para um grupo.

“A Nova Democracia denuncia a tabela salarial abusiva, excessiva, insensível, desumana, criminosa e completamente à margem da realidade nacional para o Presidente da República, Primeiro-Ministro (PM), Presidente da Assembleia da República (PAR), Procuradora- Geral da República (PGR), e outros membros do Governo à escala nacional, aprovada na trigésima sessão ordinária do Conselho de Ministros de 31 de Agosto, uma semana após o ajuste salarial de fome para a classe trabalhadora nacional”, aponta o partido em comunicado de imprensa distribuído a partir de Maputo.

Por outro lado, o ND considera ser “escandaloso que, depois da polémica discussão das regaliasparlamentares, o Executivo de forma corajosa aprove subsídios de representação correspondente a 100% do vencimento de base para o Presidente da República e 50% para os dirigentes superiores do Estado, incluindo subsídio de reintegração e demais suplementos, fazendo, tal reprodução de Sodoma e Gomorra, ouvido de mercador ao que levou a juventude à rua num passado recente”.

Consta da mesma proposta que, os titulares de funções de direção, chefia e confiança passam a beneficiarde uma gratificação de chefia  a incidir sobre o vencimento do respectivo beneficiário, que significa  um acréscimo entre 20 à 75% ao salário de base, designadamente 75% para Secretários Permanentes Ministeriais, Directores Gerais e Inspectores Gerais, 65% para Directores e Inspectores Gerais Adjuntos, 55% para Directores Nacionais, Secretários Permanentes Provinciais, Assessores e Inspectores Sectoriais,entre outros.

“Confunde-nos sobremaneira que, no dia 26 de Agosto de 2021, a Ministra do Trabalho e Segurança Social tenha justificado o ajuste salarial humilhatório entre 100 à 600 MZN para a classe produtiva alegando quesão “os possíveis, tomando-se em conta a actual conjuntura económica e social do nosso país”, e fazendomenção aos impactos negativos do Covid-19, dos ataques armados no centro e norte do país e das calamidades naturais”, comenta o partido liderado por Salomão Muchanga, para depois questionar: “e agora Sra. Ministra, o país saiu da crise ou a crise é só para o povo?”.

Igualmente, o ND questiona se “não seria altura para renunciarem as regalias excessivas com vista a subsidiar as vítimas da guerra e das políticas públicas excludentes como um exemplo de contenção dadespesa pública?”, entendendo que “é o empregado a fazer prosperar a pobreza colectiva dosmoçambicanos! Um balúrdio de MZN 800.000,00 para o empregado e uma miséria estimada em MZN4.000,00 para o patrão, mesmo que distante dos MZN 15.000,00 que custa a cesta básica nacional”.

Assim, no entender do jovem partido político, esta situação “lembra que a nossa pobreza inicia quandodesvalorizamos àquelas pessoas cujas funções na sociedade são de crucial importância. É a aberração habitual de um governo que há muito superou a depreciação máxima”.

“Assim, à semelhança do que sucedeu com o Estatuto do funcionário e agente parlamentar, instamos aoParlamento Moçambicano a reprovar por unanimidade esta proposta governamental de tabela salarial única no que concerne aos dirigentes do Estado, aprovando apenas para os profissionais de saúde,extensionistas agrários, oficiais de justiça, professores e docentes, policiais, militares e outros sectoresprodutivos”, apela a Nova Democracia, explicando que “se o aumento salarial para a classe trabalhadora varia entre 1.1% e 10% que, também, os dirigentes do Estado se conformem com nenhum ou com a médiadeste aumento. De outra forma é a inversão de valores celebrar uma política salarial contrária à inclusão social e equilíbrio na distribuição da renda”.

“Dizemos não a segregação salarial especulativa e gritamos para que os menos favorecidos sejam contemplados nas políticas que visam benefícios para os trabalhadores”, conclui a Nova Democracia no comunicado, cujo conteúdo estivemos a citar. (Redação)

Erros no teste da covid-19 levam o patinador Donaldo Salvador a perder voo para Alemanha

Nampula (IKWELI) – O internacional moçambicano de patinagem em linha, Donaldo Salvador, não conseguiu seguir viagem à Alemanha onde irá decorrer a Maratona Internacional de patinagem em linha no próximo dia 25 do mês em curso.

A viagem de Donaldo Salvador, o homem que percorreu quase todo país através da patinagem em linha, estava agendada para a tarde da última segunda-feira (13), mas na hora certa, no aeroporto internacional de Nampula, não foi permitido seguir viagem pela companhia transportadora, devido a caducidade do seu teste para a covid-19.

Para além da caducidade do referido teste, o mesmo, emitido na cidade de Maputo, não apresentava o carimbo que pudesse conferir a sua legalidade.

Foi uma situação que acolheu de surpresa ao homem que continua a carregar nas costas o nome de Moçambique na modalidade de patinagem em linha à escala internacional. Aliás, na ocasião Donaldo Salvador não conteve as emoções fazendo com que o aeroporto internacional de Nampula fosse banhado de lagrimas do atleta.

“Houve um erro por parte dos agentes da saúde para controlar as datas da viagem, as coisas deveriam ser feitas um dia antes para termos um teste válido. Houve uma distração por parte da saúde e não tivemos condições para pudermos embarcar para Alemanha e tive que perder o voo”, contou exclusivamente ao Ikweli o patinador Donaldo Salvador.

No entanto, o novo teste para a covid-19 foi feito por volta das 11 horas desta terça-feira no Hospital Central de Nampula esperando-se o resultado em 24h.

Como consequência, a viagem do atleta será concretizada a partir das 17 horas desta quarta-feira com a chegada em Berlim prevista para por volta das 11 horas da próxima quinta-feira (16). Outras consequências, com alteração da viagem, estão relacionadas com a mudança do programa dos treinos do atleta antes da competição.

“Houve consequências para poder contornar a situação para viajar amanhã dia 15 [hoje], e eu acho que a situação está resolvida. Foi preciso uma grande intervenção por parte da Associação Provincial de Patinagem de Nampula e os próprios profissionais da companhia aérea pelos quais vão os meus agradecimentos”, disse Donaldo Salvador.

Para além da falta de colaboração por parte de alguns profissionais do sector de saúde, no que concerne a verificação das datas de validade do teste, Donaldo Salvador fala, também, da falta de apoio por parte do governo moçambicano para garantir uma participação condigna na prova continental.

“Não tivemos apoio para Alemanha, está difícil. Há muita coisa que deve ser tida em consideração, com vista a criação de condições condignas na nossa viagem”, refere o patinador.

Segundo o atleta, para suportar toda viagem, são necessários cerca de quinhentos mil meticais (500.000,00MT), valor que não dispõe. Mesmo assim, o atleta disse que vai continuar com a sua aventura com objectivo destacado de elevar a patinagem moçambicana.

“O governo sempre tem estado do nosso lado para poder nos apoiar, mas neste momento há dificuldades de fundos para poderem nos apoiar. Neste momento não há condições para nos apoiar e temos que arregaçar as mancas para continuarmos para a frente”, suavizou o desportista, acrescentando que “para o tipo de competição que vamos participar nós precisamos de mais ou menos 300.000,00MT a 500.000,00MT para poder cobrir as viagens, alimentação, alojamento, material necessário, os testes e para casos emergentes”, precisou.

A prova a ser disputada num único dia, Donaldo Salvador terá pela frente cerca de oito mil (8000) patinadores de todo o mundo, numa distância estimada em mais de quarenta quilómetros (40km). A ambição de Salvador passa por ocupar os lugares que honra o povo moçambicano, mesmo reconhecendo as qualidades dos adversários. (Constantino Henriques)

PRM diz que violentou escribas por falta de identificação e uso de telefones celulares para captar imagens em Nampula

Nampula (IKWELI) – O porta-voz do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, Zacarias Nacute, justificou que a agressão protagonizada pelos seus colegas contra seis jornalistas e operadores de câmera na semana passada deveu-se ao facto de as vítimas não terem trajado coletes com identificação dos respectivos órgãos de informação e por terem gravado o incidente com recurso a telefones celulares, ainda que tal não constitua verdade.

No habitual briefing com a imprensa, que acontece nas segundas-feiras, Nacute nem se quer se referiu a este acto violento, mas os jornalistas tiveram de perguntá-lo a razão das constantes agressões que este “parceiro” tem lhes proporcionado.

“Existiam jornalistas que, posteriormente, foram identificados como jornalistas a fazerem gravações com telefones celulares”, justificou-se a fonte, prosseguindo que “nós, como instituição, não estamos acostumados a ver jornalistas a gravarem imagens com telefones celulares. Pareceu-nos tratar-se de indivíduos curiosos que estiveram a tentar captar imagens para publicar e a posterior criar uma má imagem da actuação policial”.

Diante das insistências, Nacute teve de elaborar mais um pouco e disse que “a informação que nós colhemos dos nossos agentes, que são agentes íntegros e que fazem a sua actividade com zelo e profissional, é de que houve uma desestabilização da ordem pública. E nesse processo de desestabilização da ordem pública, estiveram indivíduos que posteriormente foram identificados como jornalistas no grupo daqueles que encontravam-se, em algum momento, a criar maior agitação no processo da desestabilização da ordem pública”, por isso e “face a esta situação, a Polícia, como o garante da ordem e segurança públicas, sentiu a necessidade de recolher esses agitadores para que o processo de desestabilização da ordem pudesse se estancar”.

Assim, no entender do porta-voz da PRM em Nampula, os jornalistas agitaram as pessoas que estavam a reivindicar, tanto que “nesse processo de recolha desses indivíduos foi-se aferir, já no interior das instalações do INAS, que era o alvo da manifestação, que se tratavam de jornalistas em número de seis que, posteriormente, foram soltos depois de se verificar as suas identificações”.

“Queríamos, neste momento, aproveitar para deixar um recado a todos os responsáveis dos operadores de comunicação social para que identifiquem, da melhor forma, os seus agentes para que em processos de desestabilização da ordem pública para que a polícia possa, de forma clara, identificar de quem se trata o individuo”, exigiu Nacute, comentando que “uma vez não identificados, não portam coletes com identificação das suas operadoras, é difícil num processo de agitação o agente conseguir discernir de quem se trata o individuo, dai que todo aquele que nalgum momento está a criar alguma desestabilização foram isolados para que o processo de desestabilização não pudesse ter pernas para andar”.

Por fim, Nacute concluiu que, justificando tamanha violência, “esta é uma acção normal de controlo de massas, daí que a polícia teve essa atitude por zelo e competência dos agentes da PRM face a desordem pública que havia no local”. (Redação)

Estacionamentos irregulares afectam circulação de viaturas e peões na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – A falta de espaços para estacionamento de viaturas e outros meios circulantes na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, já começa a criar constrangimentos na mobilidade rodoviária.

Para circular nas principais ruas e avenidas da autarquia, no horário normal de expediente, é um desafio, tanto para os automobilistas, assim como para os peões.

As avenidas Eduardo Mondlane, FPLM, Paulo Samuel Kankhomba, Samora Machel, Josina Machel, 25 de Setembro e Francisco Manyanga, incluindo as ruas da Cidade de Moçambique, Monomotapa, 3 de Fevereiro, Continuadores e Daniel Napatima são exemplo disso.

Esta situação torna-se ainda mais terrível com o desrespeito pelas regras de trânsito por parte dos condutores de “chapa-100”, motociclistas e operadores de táxi de carro.

Por exemplo, na avenida das FPLM, no troço que sai da rua dos Viveiros até ao mercado do Naloco a situação é drástica. Os proprietários de viaturas e clientes dos estabelecimentos comerciais ali existentes estacionam de tal forma que consomem, quase que, a metade da avenida.

Próximo a ponte sobre rio Muhala, no mesmo troço, automobilistas particulares e de longo curso passam por martírio para conseguir atravessá-lo.

“A circulação aqui é difícil. Alguém pode vir com pressa passando pela avenida F.P.L.M, mas quando chega na zona da ponte sobre o rio Muhala, tem de abrandar a marcha, para não correr o risco de se acidentar. Isto devido a existência de muitos carros que são estacionados por um período longo, ou mesmo entre nós chapeiros não conseguimos nos organizar quando pretendemos parar”, disse Aviriato Marcos, automobilista que circula na rota Subestação/Muahivire, na cidade de Nampula.

Igualmente, os taxistas de moto constituem mais um factor que contribui para que haja dificuldade na circulação, uma vez que estes criaram a sua paragem a poucos metros da ponte, um ponto bastante movimentado da cidade de Nampula.

“Há vezes em que chega aqui um grupo de agentes da Polícia de Trânsito e os da Polícia Municipal e de Fiscalização para pôr a ordem neste local, mas depois da sua retirada o cenário volta na mesma. Pior ainda nas manhãs, ao meio-dia e no começo da noite enfrentamos dificuldades em circular normalmente ao longo desta avenida”, disse ao Ikweli Nelson da Inês Vasco, partilhando a mesma ideia com Carlos Pique, ambos automobilistas de transporte público de passageiros.

Na rua da cidade de Moçambique, concretamente entre a avenida Francisco Manyanga (próximo aos Correios de Moçambique) até a rua 3 de Fevereiro (junto aos Serviços Distritais da Educação, Juventude e Tecnologia) a circulação de pessoas e veículos está sempre condicionada, sobretudo por ser uma rua de sentido único há quem decida estacionar sem a observância das regras.

Cenários dramáticos o Ikweli observou, também, na rua Monomotapa e Daniel Napatima, onde, estando os passeios ocupados por vendedores informais, peões são obrigados a disputar o espaço que resta, no meio da rodovia, com automobilistas, estes últimos impacientes e sempre apressados.

Na rua 3 de Fevereiro, desde a avenida da independência até a rua dos Continuadores, a circulação é sempre tensa, pois para além de veículos mal-estacionados, há, também, motoqueiros que estacionam quase que no meio da estrada.

“Isto aqui é sempre assim”, disse Anastácio Paulino, munícipe entrevistado pelo Ikweli, o qual prossegue que “de segunda-feira a sábado o cenário não muda. Nós que não temos viaturas corremos mais risco. Esta situação concorre para a existência de muitos ladrões, porque quando te roubam desaparecem entre estes carros aqui irregularmente estacionados”.

A senhor Benedita Manhonha trabalha em um dos estabelecimentos que fica localizado ao longo da rua 3 de Fevereiro, e refere que “isto é um sofrimento. Eu penso que o município devia encontrar alternativas a isso, porque não pode continuar assim este cenário”.

“Já vimos muita coisa aqui. Ora são acidente, ora são roubos. As pessoas estacionam de qualquer maneira, e nem se quer deixam espaços para manobras”, afirma Gani Pedro, que trabalha em uma loja ao longo da rua Daniel Napatima.

Este cenário acontece perante olhar impávido da edilidade presidida por Paulo Vahanle. Das intervenções pretendidas pela autarquia não passaram, nunca, de promessas.

Neste ano, o conselho autárquico da cidade de Nampula tinha anunciado a introdução do sistema de estacionamento rotativo, uma medida que se acreditava que fosse acabar com os estacionamentos irregulares na urbe, mas tal não passou de discurso. (Aunício da Silva e Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)