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Terrorismo e covid-19 repelem turistas em Nampula

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Manuel Rodrigues, disse, na manha desta segunda-feira (27), que a província que dirige ressente-se da falta de turistas desde o passado ano, 2020, em consequência da eclosão da pandemia da covid-19, associado ao problema de terrorismo que afecta a vizinha Cabo Delgado.

A margem das celebrações do dia internacional do turismo, o governante deixou claro que o fluxo de turistas, sobretudo estrangeiros, reduziu drasticamente, o que propiciou na crise das instâncias turísticas convencionais e comunitárias, afectando, também, os trabalhadores do sector.

“Infelizmente, nós temos dado a conhecer, nos últimos tempos, um decréscimo do número de turistas que se fazem às nossas praias”., disse Rodrigues, convicto que “com esta abertura, através do decreto 63/2021, de 25 de Setembro, acredito que já vai se relançar e conhecer-se-á visitas de turistas na nossa província. Mesmo o número de voos havia reduzido, bem como a ocupação de camas nos hotéis. Tivemos um golpe duro na área turística por conta da Covid-19”.

Falando à imprensa, no distrito de Nacala, o primeiro governador eleito disse ser importante e necessário a criação de condições de segurança como forma de garantir a permanência de turistas na província.

De acordo com as suas palavras, “é preciso ainda a vigilância de todos os actores da sociedade”, ao considerar a situação de terrorismo em Cabo Delgado que, por conta disso, várias pessoas estão deslocadas à esta província.

Rodrigues aproveitou a ocasião para apelar a comunidade a ser vigilante, como forma de evitar que haja oportunistas que venham criar instabilidade na província. E mais, “a nossa província e o país têm potencialidades bastantes, então queremos paz. É esta paz condição indispensável para o desenvolvimento turístico, social e, também, económico. Por isso vamos ser vigilantes e dizer não ao terrorismo porque Nampula tem muito para dar”.

Quando questionado se a província explora, a 100%, o potencial turístico que detém, Manuel Rodrigues respondeu claramente que a região que dirige tem, na verdade, maior potencial em termos de recursos turísticos, a ter em conta a sua extensão que é coberta por praias, montanhas, entre outras. Ademais, aponta a existência de locais que não possuem infra-estruturas, daí que convidou aos investidores a fazerem a sua parte como forma de impulsionar o desenvolvimento, através de construção de estabelecimentos turísticos.

O chefe do Conselho Executivo Provincial de Nampula disse que a região que dirige conta com 694 (seiscentos e noventa e quatro) estabelecimentos hoteleiros, num universo de cerca de 7.119 (sete mil e cento e dezanove) trabalhadores, razão pela qual, encoraja aos investidores a criarem oportunidades de emprego nesta província.

Sob o lema “Turismo como o factor impulsionador do crescimento inclusivo” o Dia Mundial do Turismo foi caracterizado pela reposição de mangal no distrito costeiro de Nacala, como forma de criação de espaços condignos para acolher os banhistas, entre outros que fazem àquele distrito. A data é celebrada desde o 21 de Setembro de 1940, pela Organização Mundial do Turismo e estabelecida pela terceira conferência da Assembleia Geral da Organização Mundial dos Trabalhadores. (Esmeraldo Boquisse)

Moçambique participa do Fórum Mundial da Natureza na Hungria

Hungria (IKWELI) – Moçambique participa desde o passado dia 25 do corrente mês de Setembro do Fórum Mundial da Natureza e da maior exposição sobre a natureza que decorre na Hungria.

O evento decorre até ao dia 14 de Outubro próximo, e o país se faz representar através da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) em colaboração com a Associação Moçambicana de Operadores de Safaris (AMOS).

Um comunicado da ANAC recebido na nossa redação indica que o país participa com dois stands, sendo um do governo (ANAC) e outro do sector privado (AMOS). O stand de Moçambique está localizado numaárea estratégica do “pavilhão A”, e a temática destaca duas das características distintas de Moçambique, nomeadamente “a beleza e diversidade das suas áreas de conservação marinhas e as de interiorilustradas por painéis amplos com fotografias em 3D da Ponta Dobela, localizada na Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro; de uma manada de Elefantes do Parque Nacional da Gorongosa e pela foto deuma manada de búfalos a perder-se de vista nas planícies do complexo de Marromeu. A ilustrar parte do património cultural do país, a parte traseira do stand do país exibe um imponente painel com a imagem das pinturas rupestres do Parque Nacional de Chimanimani, que constituem registo da cultura material dos povos Khoisan, ou Bosquimanos, caçadores- recolectores que habitaram a área de Chimanimani há muitos milhares de anos até ao primeiro milénio”.

Mateus Mutemba, Director-Geral da ANAC, aponta que “viemos para este evento tendo em vista dois segmentos principais, nomeadamente investidores e turistas. Trazemos um conjunto de oportunidades de investimento em turismo baseado na natureza (contemplação e de caça), mas também trazemos os nossos parques e reservas nacionais com as suas atracções e comodidades para os turistas que se interessam em África, destacando o que de distinto nós temos a oferecer em termos de turismo de interior e decosta. Em particular, destacamos as oportunidades de investimento no Parque Nacional de Chimanimani, realçando o facto de este constar entre os 100 lugares do mundo eleitos pela Revista TIMES como os melhores destinos a visitar em 2021”.

“Em relação aos mercados para o turismo de caça, em esforço conjunto com a Associação dos Operadores de Safaris de Moçambique, vamos direcionar a nossa abordagem para os países da Europa do Leste, incluindo a Hungria, a Rússia, entre outros, assim como dos países do médio oriente. Vemos uma necessidade de abordar de forma mais incisiva estes mercados que têm sido consistentes nos últimos anos, tendo em conta a tendência de redução dos actuais principais mercados emissores de turismo decaça onde há um crescente movimento de banimento da importação de troféus de vida selvagem emalguns ocidentais”, adiantou a fonte prosseguindo que “usaremos, também, esta oportunidade para fazer alianças com outros países que praticam caça responsável para juntos demonstrarmos como a manutençãoda caça responsável e devidamente regulada desempenha um papel importante na gestão do crescimento das espécies, no combate á caça furtiva e comércio ilegal de produtos de vida selvagem bem como na economia dos nossos países e no desenvolvimento social e económico das comunidades que vivem em áreas adjacentes às nossas coutadas ou fazendas do bravio, áreas em que se pratica a actividade de caça”.

Mutemba assegura, ainda, que “estamos, também, a acompanhar os desenvolvimentos tecnológicos e pesquisas relevantes para o nosso sector e a familiarizar-nos com o trabalho que outros países e empresas têm feito no âmbito da cadeia de valor da indústria de vida selvagem, tendo em vista a maximização das oportunidades geradas por aquele sector para a economia local e geração de empregos no processamentopor exemplo, em actividades como a taxidermia, por exemplo”.

Por sua vez, o Presidente da Associação Moçambicana de Operadores de Safaris (AMOS), Adamo Valy,disse que a participação da sua agremiação junto com a OPHAA “visa mostrar o papel fundamental que os operadores privados têm na preservação da biodiversidade e como a actividade de caça responsável contribui para a economia dos países, principalmente no crescimento económico e social das comunidades envolvidas”.

Em Moçambique a actividade de caça é regulamentada pelo Decreto 82/2017 de 29 de Dezembro o qual aprova o Regulamento de Caça, e estabelece os termos e condições para o exercício da actividade,com salvaguarda da protecção e conservação da biodiversidade faunística, no quadro do desenvolvimento sustentável.

A actividade de caça é praticada nas áreas de conservação de uso sustentável, como são os casosdas Coutadas Oficiais e as Fazendas do Bravia, bem como nas zonas de utilização múltipla. As receitas do turismo cinegético (de caça) constituem 80% da contribuição para a receita global do sector das Áreasde Conservação, tendo em 2020 totalizado 72,441,201.00 de Meticais, o que representou uma queda de 60.2% em relação a 2019. Em consequência da Pandemia da COVID-19 a receita específica do turismo cinegético registou uma queda ainda maior, na ordem de 75.4%, dado que a maior parte dos turistas caçadores são provenientes da América, Ásia, Europa e África do Sul, regiões que foram e estão sendoafectados pela pandemia. (Redação)

Terroristas raptam três mulheres no distrito de Nangade

Nampula (IKWELI) – Três mulheres, que não apuramos as suas idades, foram raptadas por um grupo de terroristas, que na quinta-feira da semana passada atacou a aldeia 5° Congresso, no distrito de Nangade, extremo norte da província de Cabo Delgado.

Segundo contaram fontes entrevistadas pelo correspondente do Ikweli em Nangade, as vítimas foram surpreendidas após um pequeno grupo terrorista armado escalar a aldeia por volta das 18 horas.

Infelizmente, trata-se de mais um grupo de mulheres que vai ser vítima das barbáries do grupo terrorista que desde há quase três anos, rapta mulheres e raparigas e força-as a práticas desumanas diversas contra sua vontade, incluindo casamentos, abuso sexual e trabalhos domésticos.

Um grupo mais de 20 raparigas, que no princípio do corrente mês de Setembro, sobressaiu na aldeia Nanjaba, 16 quilómetros da vila de Macomia-sede, depois de fugir de um esconderijo terroristas nas baixas do rio Messalo, disse que as mulheres são submetidas contra sua vontade a casamentos com elementos e chefias dos terroristas.

Ainda no distrito de Nangade, o correspondente do Ikweli registou, no dia 22 de Setembro, que duas mulheres tinham sido maltratadas depois de capturadas por um grupo de militares ao serviço das tropas da SADC, a quando de operações numa zona muito próxima da aldeia Litingina.

Na ocasião, segundo soube o correspondente, depois das mulheres terem sido trazidas ao quartel das forças na sede do distrito de Nangade. Na posse das duas mulheres, de 30 e 40 anos respectivamente, foram encontradas duas armas de fogo, o que se presume que sejam terroristas.

Já no último Sábado, outras três mulheres foram espancadas por um grupo de terroristas na aldeia Nazimodja, no mesmo distrito de Nangade. As mesmas, de acordo com uma fonte bem posicionada em Nangade sede, deram entrada no centro de saúde de Nangade, mas tiveram alta. O grupo de terroristas que maltratou as três mulheres era composto por 9 integrantes. (IKWELI)

Terroristas matam mais de 10 civis em menos de uma semana no distrito de Quissanga

Pemba (IKWELI) – Pelo menos duas pessoas poderão ter perdido a vida na aldeia de Lindi, distrito de Quissanga, em consequência de um ataque protagonizado por terroristas na tarde da última quinta-feira (22).

Igualmente, naquele ponto do posto administrativo de Bilibiza, próximo ao distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado, há o relato de que mais duas pessoas ficaram gravemente feridas.

O nosso correspondente em Quissanga confirma que, ao abandonarem a aldeia, os terroristas capturaram, também, alguns civis.

Por outro lado, há o relato de celeiros e casas da população incendiadas, como também, produtos alimentares saqueados.

Nossas fontes no terreno acreditam que estes terroristas poderão ser os mesmos que foram escorraçados dos distritos de Palma e Mocímboa da Praia.

Igualmente, na mesma quinta-feira, o mesmo grupo é referido como tendo queimado casas e bens da população nas aldeias de N’nawa e Quissanga 2, no mesmo distrito de Quissanga.

Em menos de uma semana, segundo relatos locais, estes terroristas que fugiram do sul de Mocímboa da Praia e do norte de Macomia causaram, pelo menos, cinco mortes na aldeia de Namaluco, em Quissanga.

Ainda no posto administrativo de Bilibiza, de acordo com as nossas fontes, numa lagoa foram capturadas cinco pessoas pelos terroristas, e até ao momento desconhece-se o paradeiro delas.

Outro dado fornecido pelos nossos correspondentes, em Quissanga, indica que na aldeia de Tapara, os terroristas assassinaram outras cinco pessoas na mesma incursão. (IKWELI)

Roque Silva “chora” pelos municípios de Nampula “perdidos” em 2018

Nacala (IKWELI) – O Secretário-Geral da FRELIMO, Roque Silva, que se encontra de visita de trabalho à província de Nampula, disse aos membros do seu partido que é necessário engajar as bases de forma a se reconquistar os municípios perdidos em 2018.

Na cidade de Nacala, o político manteve uma reunião com os órgãos de base e deixou claro que não existe outra alternativa senão a recuperação dos municípios.

Em 2018, o partido Frelimo perdeu, para a RENAMO, os municípios de Malema, Ilha de Moçambique, Angoche e Nacala. E na capital provincial não conseguiu abalar a perdiz.

“Não há outra alternativa que não passe pela recuperação dos municípios que em 2018 perdemos a favor da oposição o que exige empenho de todos e de cada um de nós”, disse Silva em Nacala, por isso há toda uma necessidade de se trabalhar “de forma articulada e focados no objectivos, e sempre atentos ao espírito de união e coesão, armas fundamentais para as vitórias em qualquer batalha”.

Ainda naquele entreposto comercial, o Secretário-Geral da FRELIMO voltou a recordar aos membros do partido sobre a importância estratégica do município de Nacala. (Redação)

Nova Democracia saúda candidatura de Moçambique à membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas

Maputo (IKWELI) – O partido Nova Democracia (ND) defende que a candidatura de Moçambique à membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas deve merecer apoio de todos, pela necessidade da inserção do país no conserto nas nações.

“A Nova Democracia, no âmbito da sua política externa, defende um país inserido no conserto das Nações,com voz interventiva, compreendida e relevante nos múltiplos espaços de influência e decisão à escalaGlobal, através da conexão e diálogo multilateral e com cada vez mais parceiros”, lê-se num comunicado de imprensa distribuído pelo partido liderado por Salomão Muchanga, o qual afirma que “é assim que emite estaMoção de apoio a candidatura do país à membro não permanente do conselho de segurança das Nações Unidas”.

Na mesma nota, o ND prossegue que “ao nível deste organismo, a cooperação para a paz deve ser prioridade e é central que o enfoque das Nações Unidas tenha impacto na segurança Global e reforce osentimento de pertença dos países captando a diversidade contextual das origens e expectativas de todospaíses membros”, por isso que “esperamos que esta candidatura sirva, também, para que o estadoMoçambicano faça uma introspeção sobre os valores da paz e segurança nacional e o respeito escrupulosopelos direitos humanos na letra e no espirito”.

Na situação a que o país se encontra, a Nova Democracia espera que “esta candidatura, tenha um simbolismo mais do que documental e presencial em dizer que Moçambique faz parte, mas sim umademonstração clara das pretensões governamentais na segurança Nacional e internacional num momento em que enfrentamos problemas como o terrorismo em Cabo delgado, conflitos armados no centro do país eoutros focos de instabilidade em todo país”, tanto que defende ser “urgente um compromisso sério econsequente do Governo de Moçambique em relação aos Direitos Humanos, paralisando já as perseguições,tortura e assassinatos a activistas, políticos e académicos e estendendo se a refugiados Ruandeses”.

“É inadiável também que se busque experiências de modo a que se possa desenvolver acções pragmáticas e nítidas para a paz, segurança e direitos humanos no país começando pela agenda e recomendações darevisão periódica universal”, conclui a Nova Democracia. (Redação)

Cabo Delgado: Deslocados continuam a enfrentar fome nos centros de acolhimento

Pemba (IKWELI) – Um pouco por todos locais onde vivem, incluindo os centros de reassentamentos, as famílias deslocadas dizem estar a enfrentar enormes desafios no acesso a ajuda alimentar, canalizada pelas autoridades e seus parceiros de ajuda na resposta humanitária em Cabo Delgado.

Por exemplo nos centros de reassentamentos do distrito de Chiúre, as famílias deslocadas, principalmente as oriundas do distrito de Mocímboa da Praia, queixam-se de humilhação a quando da inscrição ou recepção dos donativos doados pelo Programa Mundial Alimentar (PMA).

De acordo com relatos dos correspondentes do Ikweli, há igualmente omissão de nomes nas listas dos beneficiários, e os responsáveis alegam que “essas pessoas já devem ter recebido noutros bairros”, sem, no entanto, apresentar provas.

“Dizem que não tenho direito de receber comida porque recebi, mas a verdade é que não recebi nada”, disse uma mãe que cuida de seis menores, dos quais dois são seus filhos.

No centro de deslocados de Mapupulo, no distrito de Montepuez, as reclamações, também, estão no facto de nas novas listas não constarem nomes de famílias que, anteriormente, eram beneficiárias de cheques mensais de 3.600,00Mt (três mil e seiscentos meticais).

No centro de Marocane, no distrito de Ancuabe, os deslocados alegam que a comida que receberam no mês passado [Agosto] é a última e que o PMA avisou que tem dúvida se haverá nova alocação nos próximos meses.

Aliado a este factor, os deslocados de Marocane, segundo contaram, dizem que foram aconselhados, numa reunião, para abrir novos campos e aumentar as áreas de produção e que o governo vai alocar semente melhorada, para a próxima safra agrícola com vista a garantir a sua segurança alimentar.

No distrito de Macomia, até no dia 18 de Setembro, as famílias deslocadas dos postos administrativos de Mucojo, Quiterajo, bem como das aldeias do distrito de Quissanga e Muedumbe, não tinham recebido algum apoio alimentar das autoridades, e segundo nossas fontes locais, os registos para o efeito foram feitos várias vezes.

Já no distrito de Palma, onde mais de 20 mil pessoas deslocadas em Quitunda, regressaram nos últimos dias a vila sede, os residentes queixam-se de elevado custo de venda de produtos, alguns dos quais, vendidos por elementos das Forças de Defesa e Segurança.

Dados de correspondentes locais indicam que os produtos básicos ainda continuam altos, a pesar de ligeira descida, o que concorre para que muitas famílias compostas por idosos e crianças ainda passem fome.

O óleo alimentar está a 150,00Mt (cento e cinquenta meticais) o litro, arroz ronda nos 200,00Mt (duzentos meticais) e 170,00Mt (cento e setenta meticais) a cada quilo, farinha de milho 150,00Mt (cento e cinquenta meticais) o quilograma e o açúcar custa entre 200,00Mt (duzentos meticais) e 250,00Mt (duzentos e cinquenta meticais).

Em Palma, para além da vila sede, os produtos alimentares estão disponíveis na aldeia Maganja/Namandingo. (IKWELI)

Milicianos podem estar a matar inocentes em Cabo Delgado

Pemba (IKWELI) – A entrada de milicianos no Teatro Operativo Norte (TON), com vista a contribuir no combate de focos de terroristas que assolam e a fustigam alguns distritos da província de Cabo Delgado, pode estar a contribuir negativamente na observância dos direitos humanos, sobretudo dos civis.

Apesar de não ter sido instruído um decreto, ou qualquer documento por parte das autoridades moçambicanas, com vista a legalizar a entrada dos milicianos (forças locais) na luta contra os terroristas, também chamados insurgentes, vezes sem conta as autoridades, incluindo o chefe do Estado moçambicano, Filipe Nyusi, já destacaram o papel do grupo.

Aliás, muito recentemente, através do Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), o Presidente da República, Filipe Nyusi, ofereceu na vila de Mueda vários bens para o reforço das actividades das forças locais.

Do apoio, destacam-se 12 toneladas de produtos alimentares diversos que o Chefe do Estado recebeu da população, na sua última visita presidencial à província do Niassa, onde Nyusi disse que os produtos iriam reforçar o trabalho das forças locais na sua maioria composto por elementos dos Antigos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN), embora não esteja clarificado se o mesmo tratamento abrange todos os distritos assolados pela insurgência ou apenas em Mueda onde, também, o secretário-geral da ACLLN esteve em Julho findo.

Entretanto, durante a sua missão de se juntar aos esforços das Forças de Defesa e Segurança (FDS), no combate aos invasores da pátria moçambicana, os milicianos estão a matar cidadãos inocentes, agindo assim fora das motivações iniciais.

Para alguns milicianos no TON, qualquer suspeita de ser membro dos terroristas é sinónimo de o cidadão perder o direito a vida. Eles matam, alega-se, sem oferecer aos suspeitos a oportunidade de se explicarem.

Uma das evidências que comprovam a actuação cruel dos milicianos contra os cidadãos     inocentes, aconteceu em finais de Julho do ano em curso, no posto administrativo de Chai, distrito de Macomia, na nortenha província de Cabo Delgado, quando elementos das forças locais posicionados naquela parcela moçambicana interpelaram e executaram dois indivíduos de nacionalidade moçambicana que, supostamente, acabavam de fugir das bases dos terroristas, depois de quatro meses como reféns.

Para além da falta de questionamento que conduziu à rápida tomada de decisão em termos de execução dos dois jovens, os milicianos avançaram pela exposição enquanto torturavam os malogrados numa filmagem em que o vídeo viria a ser viralizado nas redes sociais.

O Ikweli soube das suas fontes em Macomia, que um dos jovens vítima desta barbárie dos milicianos, em vida respondia pelo nome de Bento que se diz ser natural de Macomia-sede, por sinal sobrinho do antigo delegado político do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM) no distrito de Macomia, Luís Abdala. Para o outro jovem não foi possível apurar a sua identidade, mas o Ikweli soube que, o mesmo era natural do distrito de Moma, na vizinha província de Nampula.

“Sim ele foi um familiar directo, foi um sobrinho. Aqui em Moçambique não há justiça”, disse sem entrar em detalhes Luís Abdala, antigo delegado político do MDM e membro da Comissão Distrital de Eleições em Macomia.

No pouco questionamento que tiveram antes de serem executados pelas forças locais de Chai-sede, o jovem Bento explicou aos milicianos que foram encontrados na aldeia 5º Congresso e pediram boleia para chegarem à Macomia. Entretanto, o motorista desviou o destino deles e levou-lhes às mãos dos milicianos que se encontravam em Chai.

Para caírem nas hostes dos insurgentes, Bento explicou, nas vésperas da sua morte, que foram à comunidade de Mucojo no mesmo distrito de Macomia, na companhia de outras pessoas, a fim de pescar, e terão sido capturados pelos insurgentes e permaneceram na base dos terroristas cerca de quatro (4) meses.

Nossas fontes na vila de Macomia garantem que Luís Abdala, antigo delegado do MDM naquela circunscrição geográfica, contactou as autoridades locais, com enfoque para o Comandante Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) de Macomia, mas foi informado que os milicianos, e outros populares que participaram na execução dos dois jovens, não tiveram orientações das autoridades.

Aliás, segundo nossas fontes, a polícia em Macomia alega ter informação sobre aquele assassinato bárbaro perpetrado pelos milicianos, através do vídeo partilhado nas redes sociais.

Refira-se que a falta de domínio dos princípios legais sobre a vida das pessoas como direito fundamental, aliado à falta de formação em matérias de Direitos Humanos e por estarem desprovidos de quaisquer métodos científico de investigação, podem concorrer nas decisões precipitadas e cruéis das forças locais nos distritos de insurgência na nortenha província de Cabo Delgado. Aliás, segundo fontes e que vem no vídeo, os visados imploraram várias vezes para que fossem dados a oportunidade de viver o que não foi suficiente para os executores.

“Se os milicianos tivessem formação em Direitos Humanos, acredita-se que teriam agido de outra forma, e que os malogrados poderiam servir de mais uma fonte de informação no concernente às pistas dos terroristas, um grupo considerado complexo no seu combate à escala mundial”, comenta uma fonte entendida na matéria.

Entretanto, após o incidente, segundo apuramos, nada foi feito no sentido de serem responsabilizados os actores daquele crime. (IKWELI)

Corrupção leva a cadeia dois funcionários da Migração em Nampula

Nampula (IKWELI) – Dois funcionários da direcção provincial de Migração de Nampula foram recolhidos para as celas, por ordens do Gabinete Provincial de Combate a Corrupção de Nampula (GPCCN), indiciados da prática de actos de corrupção.

A detenção teve lugar na manha desta terça-feira (21), e são indiciados da prática dos crimes de peculato, abuso de cargo ou função e uso de documento falso.

“Os detidos estando em serviço no aeroporto internacional de Nampula, no dia 06 de Agosto de 2021, apareceram no local dois cidadãos estrangeiros que pretendiam regularizar a sua situação, uma vez que o seu tempo de permanência no país estava expirado”, começa por explicar o GPCCN sobre o modus operands dos funcionários, prosseguindo que “na ocasião, os funcionários da Migração emitiram avisos de multa de cinquenta e sete mil meticais para cada, e, depois do pagamento, os mesmos emitiram recibos falsos e, seguidamente, apoderaram-se dos valores monetários em causa, usando-os no seu próprio interesse, em prejuízo do Estado”.

Na circunstância, segundo consta dos autos de instrução preparatória do processo nr. 82/0301/P/GPCCN/2021, os dois funcionários recolheram, ao todo, 114.000,00Mt (cento e catorze mil meticais).

A detenção dos dois indivíduos, segundo a mesma nota de imprensa, “funda-se em receio de fuga e perturbação da instrução do processo”. (Aunício da Silva)

Jovem de 30 anos flagra a esposa a manter relações com três homens na via pública e suicida-se em Mutauanha

Nampula (IKWELI) – Nos últimos dias a cidade de Nampula tem registado, de forma recorrente, casos de suicídio envolvendo pessoas do sexo masculino.

Em menos de duas semanas, o Ikweli apurou o suicídio de três pessoas, todas do sexo masculino, sendo que duas delas ainda se desconhecem as suas, precisamente o caso de um senhor no bairro de Namutequeliua e um professor reformado no bairro de Mutauanha.

É ainda no bairro de Mutauanha, onde no mesmo dia, último domingo (19), duas pessoas, sem nenhuma ligação decidiram por pôr termo as suas vidas, ambas por enforcamento.

Pelo menos o terceiro caso já se conhecem as causas, sendo a vítima um jovem de 30 anos de idade que se suicidou em consequência de uma traição amorosa protagonizada pela sua própria esposa.

Segundo nossas fontes próximas ao casal, o jovem que se suicidou teria encontrado a sua companheira mantendo relações sexuais, na via pública, com três homens, todos em estado de embriaguez.

Contam ainda os informados no caso, que na tarde do mesmo domingo a esposa o teria despedido com o pretexto de ir conversar com as suas amigas, mas sucede que o plano era mesmo ir consumir bebidas alcoólicas. Informado da situação pelos amigos, o finado decidiu ir aferir os factos com a própria retina, mas o que encontrou levou-lhe a decidir a partir para o além.

A meio do caminho, o malogrado encontrou a esposa em beijos e relações sexuais com o grupo de três jovens, os quais puseram-se em fuga quando se aperceberam da presença deste, mas a sua cônjuge não conseguiu fugir porque estava “altamente” bêbada, segundo nossas fontes.

“Foi assim como aconteceu”, disse Anifa da Silva Nruye, moradora daquela unidade comunal, a qual prossegue que “agora não sabemos se isso foi o que forçou o jovem a se matar. Quando ele encontrou a sua esposa ela não estava consciente, porque o álcool tomou conta dela, estava totalmente embriagada e não se sabe se foi ou não forçada a fazer relações sexuais pelo caminho, talvez os homens se aproveitaram dela”.

Anifa conta que “depois de descobrir, pessoalmente, a traição, o finado agrediu fisicamente a sua esposa até que esta ficou inconsciente. De seguida, ele abandonou a casa sendo que, na madrugada desta segunda-feira (20), foi encontrado o corpo suspenso no interior da sua casa, ou seja, enforcado com recurso a uma corda”.

Os vizinhos e as lideranças comunitárias não avançam dos reais motivos, mas não descartam a hipótese de se tratar de um enforcamento por motivos passionais, tendo em conta a origem da briga do casal.

“Nada temos a dizer. Apenas lamentamos pelo que ocorreu, uma vez que trata-se de um jovem que tinha ainda muito para dar. Há informações de que antes da sua morte este descobriu traição, o que nos remete a várias conclusões, mas deixamos tudo nas mãos das autoridades para decidirem”, disse Araújo Loieque, secretário da unidade comunal 3 de Fevereiro, em Mutauanha, arredores da cidade de Nampula que disse ter comunicado a polícia depois de tomar conhecimento. (Esmeraldo Boquisse)