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Outra vez Novinte?

Há problemas de gestão no município de Nacala

Nacala (IKWELI) – As aparições públicas do autarca de Nacala, Raul Novinte, nos últimos tempos, não tem sido por bons motivos, tanto que de dentro da edilidade informações dão conta de que a boa gestão da coisa pública foi dispensa pelo pastor.

Desde que assumiu as rédeas da edilidade, não se conhece nenhuma obra de realce realizada pela autarquia de Nacala, somente os relatos de violação sexual de menores é o que dado motivo para a aparição do edil.

De fontes seguras na edilidade, o Ikweli apurou que as receitas provenientes dos mercados da autarquia não são, devidamente, encaminhadas para os cofres do município.

“Há um esquema montado para desviar as receitas próprias provindas dos mercados”, diz a nossa fonte, esclarecendo que “isto é do conhecimento do presidente do município”.

Segundo esta mesma fonte, o edil protege os fiscais e cobradores que não encaminham as receitas, por isso “há senhas de cobrança paralelas. As pessoas nos mercados pensam que o valor que pagam vai para os cofres da edilidade. Eles recebem senhas, mas são, maioritariamente, falsas”.

Igualmente, apurámos que um vereador do município de Nacala teria flagrado um fiscal a desviar receitas, tendo o encaminhado a polícia, mas “o presidente [do município] foi mandar soltar”. O referido fiscal procedia o scanner de senhas e entregava a cobradores, que a posterior entregava o valor cobrado ao mesmo.

Dívidas na periferia

Quando assumiu a presidência do município de Nacala, Novinte encontrou uma dívida avaliada em mais de 40 milhões de meticais, contraída pela antiga gestão.

Todavia, o autarca não moveu palha para cumprir com a obrigação de amortizar o crédito, tanto que o conselho autárquico de Nacala teve de passar para a lista negra ao nível da banca comercial devido ao incumprimento das suas obrigações como devedor.

Nesta situação, Novinte não encontrou alternativa para manter o funcionamento da edilidade, tanto que optou por começar a fazer dívidas fora do sistema formal, ou seja, “recorreu a agiotagem para manter o município”.

“Acredito que o presidente já fez mais de 100 milhões de meticais em dívida. Tudo isso ele faz lá fora, com pessoas que são perigosas. A maioria são estrangeiros”, disse um funcionário afecto a direcção de Finanças do município de Nacala.

A opção de gerir o município sem a observância das normas legais fez com, pelo menos, dois directores financeiros colocassem o seu lugar a disposição, estando, neste momento, a cumprir o mandato um terceiro director, em menos de dois anos.

“Veja que os agentes da polícia camarária que foram apresentados no dia 2 de Outubro tiveram uma formação muito mal feita, porque o município não tinha condições para isso. Até arroz e feijão faltava”, disse ao Ikweli a mesma fonte, a qual avança que “para terem uniforme, por exemplo, tiveram de pedir dinheiro a um estrangeiro, e ele está sempre a vir cobrar o dinheiro no gabinete do presidente”.

O que diz o Novinte?

Diante destas acusações, o Ikweli solicitou Raul Novinte para reagir as acusações. E para a nossa surpresa, o autarca, apenas, limitou-se em desvalorizar as denúncias, afirmando que “a pessoa que te deu estas informações é maluca. Não está bem, e não conhece Novinte”.

Durante a conversa telefónica de perto de 10 minutos, Novinte convidou o seu vereador institucional para ajudá-lo a refutar as denúncias.

Em relação ao fiscal que ordenou a sua soltura, Raul Novinte defende-se que fê-lo por questões humanas, e afirma que o mesmo é membro do partido Frelimo, tanto que ele não queria ser referido como estando a perseguir. (Aunício da Silva)

Tráfico de pangolim leva quatro jovens à prisão em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um grupo constituído por quatro jovens de nacionalidade moçambicana e residentes na cidade de Nacala, na província de Nampula, caiu nas mãos do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na semana finada, por seu envolvimento no esquema de tráfico ilegal de pangolim, uma das espécies faunísticas protegidas no país.

O pangolim é uma das espécies protegidas pelo facto de estar em via de extinção, daí que o abate e tráfico constitui um crime nos termos das leis vigentes no território Moçambicano. Aliás, as penas por tráfico ilegal daquele tipo de animal, chega até 16 anos de prisão.

O animal em causa, segundo apuramos, pesa oito quilogramas (8kg) e foi encontrado numa das florestas localizadas no interior do distrito de Memba, em Nampula, e depois levado a cidade de Nacala para fins de comercialização. Refira-se que, no mercado informal, aquele tipo de espécie animal está avaliado em cerca de um milhão e quinhentos mil meticais (1.500.000,00MT), tendo em conta que cada quilograma das escamas é comprado cerca de 186.000,00MT, e 62.000,00MT da sua carne.

Em conformidade com Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC em Nampula, os referidos jovens foram neutralizados pelo SERNIC durante o processo de negociação com os prováveis compradores e, e o preço por eles fixado foi de duzentos e cinquenta mil meticais (250.000,00MT).

“Estamos perante uma situação de tráfico de espécie faunística protegida, nesse caso falamos, concretamente, de um pangolim, em que um cidadão teria levado na mata do distrito de Memba para Nacala onde pretendia comercializar, e como não foi possível encontrar o cliente na cidade de Nacala acabou mandando um dos seus elementos com fim de negociar e com a força operativa (o SERNIC) passou de um comprador e das negociações feitas levou a detenção de um dos elementos que era o negociador e que nos conduziu ao distrito de Nacala onde encontramos outra quadrilha bem como o pangolim em causa”, disse Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC em Nampula.

Entretanto, os quatro jovens disseram a imprensa não serem proprietários daquele animal e alegaram que receberam o convite pelo “legítimo proprietário”, por sinal um madeireiro que opera no distrito de Memba, com vista a flexibilização do processo negocial. Aliás, segundo alegaram, o desconhecimento de lei concorreu para anuir o seu envolvimento naquele acto criminal.

Enina Tsinine disse, por outro lado, que as diligências continuam com vista a neutralização do presumível proprietário do referido pangolim.

Para o animal em alusão, segundo apuramos, foi transladado, ainda na semana passada, para a reserva do Niassa onde será fixada sua nova moradia.  (Constantino Henriques)

Namiteca poderá aliviar crise de água na cidade de Nampula a partir do dia 30 de Outubro

Nampula (IKWELI) – Espera-se que a partir do próximo dia 30 do corrente mês de Outubro, os 10 furos de captação de água abertos pelo Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG) na zona de Namiteca, bairro de Muahivire, estejam ligados a rede de distribuição do precioso líquido da maior autarquia do norte de Moçambique, o que poderá aliviar a pressão sobre a barragem de Nampula.

Segundo dados do FIPAG, Namiteca poderá incrementar os níveis de abastecimento de água na maior autarquia do norte do país em 20%.

Regularmente, entre o último trimestre do ano e o primeiro do ano seguinte, a cidade tem enfrentando crises no abastecimento de água, sobretudo quando não se regista a precipitação atmosférica como deve ser.

Preocupado com esta estacão, o governador de Nampula, Manuel Rodrigues, visitou o FIPAG para se inteirar dos esforços em curso para minimizar e/ou resolver o problema.

Rodrigues foi, directamente, ao campo, e neste caso visitou os 10 furos que estão em Namiteca, e pelo que viu aparentava um governante satisfeito com as soluções graduais que estão sendo encontradas para minimizar o problema de abastecimento de água na cidade de Nampula.

“De facto, nós estamos sempre preocupados com a situação de abastecimento de água na nossa cidade de Nampula, preocupação essa que se junta a província no seu todo, porque como sabem que a água é um líquido precioso”, disse Rodrigues no campo de Namiteca, para depois prosseguir que “sem o qual não há vida, e nós queremos que a população da província de Nampula, em especial aqui na cidade de Nampula onde temos cerca de um milhão de habitantes, tenha água”.

Por outro lado, o governante reconhece que a pressão no acesso à água tem sido intensa. “Nós temos que ter água para a nossa população”, clarificou Rodrigues, primeiro governador eleito de Nampula, para quem “é no quadro desta necessidade, que queremos acompanhar aquilo que é o progresso do trabalho que está a ser feito para minimizar este problema de falta de água na nossa cidade de Nampula”.

Actualmente, os níveis de encaixe na barragem de Nampula, construída sobre o rio Monapo, rondam aos 70%.

Depois de visitar aquele ponto, Rodrigues explicou que em “Namiteca nós temos 10 furos que já estão prontos. O trabalho já está concluído. Neste momento, decorre o trabalho de montagem de tubos de canalização para que a água possa se juntar a tubagem principal que abastece a cidade de Nampula, através do bairro de Muhala Expansão e de Muahivire Expansão, o que quer dizer que o que acabamos de ver aqui em Namiteca, os trabalhos, de facto, estão em 80% de execução”.

Com os 10 furos, o FIPAG passará a bombear mais 6 mil metros cúbicos de água, o que vai contribuir para suprir os níveis de abastecimento.

Em tom de apelo, Rodrigues disse que “vamos continuar a monitorar”, e que “como governo estamos muito preocupados. A população quer água, o governo quer água. Portanto, nós não queremos fazer manifestações e não queremos continuar a ter aquela situação triste das pessoas todos os dias terem que acordar com baldes na cabeça, percorrerem toda cidade”, porque “aquilo é uma vergonha, por isso mesmo a natureza nos dá essa água”, por isso com os furos de Namiteca “a cidade de Nampula não irá conhecer a situação triste que nós tivemos no ano passado, de estamos a ver tanta gente a andar com baldes a procura de água em tudo que é canto da cidade Nampula”.

A fonte está ciente que a solução, actualmente, encontrada é paliativa, por isso deve se equacionar a longo prazo soluções que estanquem para sempre o problema de abastecimento de água na cidade de Nampula.

“Para o caso específico da cidade de Nampula, a opção que nós temos é Monapo e tem de ser de forma abraçada, apesar de ser uma opção cara, porque envolve a questão dos recursos financeiros, porque terá que atravessar, praticamente, dois ou três distritos até chegarmos a cidade de Nampula”, sublinhou o chefe do Conselho Executivo Provincial de Nampula.

Por seu turno, Novais Soca, chefe do departamento Técnico do FIPAG – Área Operacional de Nampula, “neste momento, as obras estão, em termos de execução física, ao 83%. Isso representa um número muito bom para aquilo que é o cronograma para cumprir com a entrega das obras”, e que “temos a previsão de entrega das obas a 30 de Outubro, mas antes, obviamente, que vão decorrer aqui os ensaios da conduta adutora, e os ensaios de testes de equipamentos”.

Soca está ciente que essa não é a varinha mágica para tirar, em definitivo, a cidade de Nampula do problema de abastecimento de água, mas “ainda nos garante um conforto, porque a situação da albufeira, neste momento, é de 80% daquilo que é o volume de armazenamento”.

O responsável do departamento técnico do FIPAG refere que “ainda conseguimos fazer uma boa distribuição até finas de Outubro. Estamos a dizer que podemos estar a 60% e podemos continuar com uma captação de 60%, nessa altura, dado o acréscimo de 20%, que nós temos em Namiteca que são 6 mil metros cúbicos de água a bombar para a rede, nessa primeira fase, isso nos conforta muito em termos de abastecimento. Se formos a comparar com a situação do ano passado, até porque mesmo em relação aquilo que são os números de encache, este ano estamos mais confortáveis em relação ao ano passado”. (Aunício da Silva)

HCN rende homenagem aos seus técnicos em mural

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN), maior unidade sanitária de referência no norte de Moçambique, decidiu por homenagear, através de um mural, os seus agentes que se destacaram na luta contra a pandemia da covid-19.

Cachimo Mulina, Director-Geral do HCN, disse na ocasião que o gesto é a forma encontrada para agradecer o esforço dos profissionais ali, especialmente, afectos. “Este gesto que hoje estamos a testemunhar, significa um reconhecimento pela luta incansável dos profissionais de saúde”, apontou o dirigente, clarificando que “o Hospital Central de Nampula tem sido uma das principais entradas de muitos doentes vindos de várias unidades sanitárias da província de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e uma parte da Zambézia, no centro do país, o que remete ao elevado índice de infeções da covid-19”.

Esta actividade moveu Mety Gondola, Secretária de Estado na província de Nampula, para as instalações do HCN, a fim de testemunhar o acto.

“Usamos essa oportunidade para saudamos aqueles que tenham sido os verdadeiros heróis da nossa história, aqueles que carregam uma responsabilidade complexa que nó todos enfrentamos. Prestar nosso reconhecimento aos profissionais de saúde, aos verdadeiros heróis, mesmo com dificuldades e cansaço. Buscaram forças para oferecer alento a nossa população”, disse Gondola. (Hermínio Raja)

Há 4 anos que Amurane não descansa em paz

Nampula (IKWELI) – Passam nesta segunda-feira (4) quatro anos após o assassinato bárbaro do então autarca de Nampula, Mahamudo Amurane, cujo esclarecimento ainda está longe de se efectivar.

Familiares, amigos e admiradores juntaram-se no novo cemitério municipal da faina para, mais uma vez homenagear o malogrado, com lágrimas no canto do olho, lamentado a prematura morte do primeiro presidente que colocou a cidade de Nampula na nota de reconhecimento sobre a boa gestão da coisa pública.

De acordo com alguns políticos e líderes religiosos o não esclarecimento da morte macabra daquele que era considerado o “salvador” do povo de Nampula, representa mais que uma hipótese de que Moçambique está longe de celebrar a paz, daí a necessidade de se trazer a tona a verdade sobre o assassinato do então edil da capital provincial de Nampula.

Da cidade de Quelimane, província da Zambézia, colhemos a sensibilidade do presidente Manuel de Araújo que, de acordo com as suas palavras, a paz não é só a ausência de guerra, mas sim é justiça, reconciliação nacional e a melhoria de condições de vida da população.

Contudo, “se o nosso povo continuar a sentir os efeitos quer da guerra, quer da fome ou da pobreza não teremos paz. O facto é que não podemos falar de paz e reconciliação nacional sem que haja justiça, daí que é importante que crimes como estes do Mahamudo Amurane e do jovem Max Love, entre outros jovens assassinados onde os executores ainda não foram encontrados é imperioso que o SERNIC, a P.R.M, a Procuradoria-Geral da República, e outras entidades tomem a sério estes casos, encontrem os culpados e que os leve à barra da justiça”.

Para Araújo, não faz sentido que “passados quatro anos ainda não tenham encontrado os mandantes, nem os executores do crime”.

Igualmente, o autarca de Quelimane disse que “não faz sentido que volvidos oito anos os executores do Max Love, que é conhecido, o tribunal já sentenciou, mas até hoje, as nossas Forças de Defesa e Segurança não conseguem trazer o culpado. Isso não é democracia, não é reconciliação e não é paz”.

Da Comunidade Islâmica de Moçambique, o Ikweli entrevistou o sheik Maulana Muhammed que defende que o esclarecimento do assassinato de Mahamudo Amurane seria o melhor caminho de se mostrar o interesse que o Governo tem em alcançar a paz à favor do seu povo.

Embora que os indivíduos que assassinaram o edil não tenham assassinado os seus ideias, este entrevistado exige a transparência e o esclarecimento do caso pelas entidades de justiça.

No seu entender, “todo o presidente que entra na cidade de Nampula a tendência é chegar a meta do senhor Amurane ou muito mais que isso. Com isso significa que o seu legado ficou e nós esperamos que onde ele estiver fique bem. Mais ainda é que o moçambicano é pela paz e dissemos que quem nos traz o ódio nós lançamos o amor”.

Outrossim, Américo Sardinha, da Comunidade Sant’Egídio, disse estar na expectativa de que as autoridades esclareçam o caso de maneiras que aos poucos se desfrute dos efeitos da paz que o povo moçambicano almeja. Segundo as suas palavras, o esclarecimento do assassinato por desconhecidos do então presidente do Conselho Autárquico de Nampula, faria bem aos moçambicanos, com maior destaque para os nampulenses. (Esmeraldo Boquisse)

Força local captura dois terroristas em Muedumbe

Muedumbe (IKWELI) – Dois supostos terroristas foram capturados, na tarde do dia 29 de Setembro, na aldeia Muatide, no distrito de Muedumbe, província de Cabo Delgado, por elementos da Força Local, constituída por combatentes da luta armada de libertação nacional e seus descendentes.

“Foi por volta das 15h”, conta nossa fonte que observou a operação, prosseguindo que “isso foi no troco mercado – escola secundária de Luanda. Os dois insurgentes são naturais da mesma aldeia”.

Ainda de acordo com as nossas fontes no terreno, os dois supostos terroristas foram levados, imediatamente, para o distrito de Mueda, a fim de serem interrogados.

Enquanto isso, no distrito de Nangade, dois cidadãos de, aparentemente, 40 anos de idade, foram espancados por um grupo de militares das Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique no princípio da noite do dia 27 de Setembro findo.

Segundo apuramos, os dois cidadãos saiam da sua aldeia, Litingina, para a aldeia de Chibau, fugindo de terroristas que tem tentando fazer das suas naqueles pontos. (IKWELI)

Deslocados enfrentam dias difíceis em Nangade

Nangade (IKWELI) – A situação humanitária por que passam os deslocados de guerra que estão acolhidos, em um antigo armazém de castanha de caju, no distrito de Nangade, província de Cabo Delgado, está cada vez mais degradante.

No local, os nossos correspondentes observaram que falta um pouco de tudo, e a sobrevivência diária é complexa. Por vezes as crianças amanhecem e dormem sem esperança de, sequer, ter uma refeição.

A assistência alimentar, providenciada pelo governo e seus parceiros, há muito que deixou de ser regular naquele ponto de Nangade-sede, e a última vez, cuja data os deslocados não se recordam, foi a Médicos Sem Fronteira quem providenciou.

O Instituto Nacional de Gestão de Desastres e Riscos (INGD) tem, por vezes, providenciado a assistência alimentar aos mais de 300 deslocados, mas em quantidades ínfimas e que não satisfazem as reais necessidades.

Outro dado notado pelos nossos correspondentes tem em conta as condições que as pessoas dormem no local. “Dormimos em lonas oferecidas pelos Médicos Sem Fronteira”, conta uma deslocada entrevistada pelo Ikweli.

Diante destas dificuldades, as famílias procuram soluções locais para garantir a sua subsistência, e uma delas passa pelo corte e venda de combustível lenhoso, fabrico de cestos, incluindo a pesca na lagoa de Nangade. (IKWELI)

Contíno da escola secundária da Barragem viola sexualmente aluna de 16 anos numa mata em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um indivíduo de 50 anos de idade, funcionário do sector da Educação afecto a escola secundária da Barragem na cidade de Nampula, é indiciado de ter violado sexualmente uma aluna de 16 anos de idade.

O indiciado desempenha a função de contínuo [agente de serviço] e tinha, por obrigação, de zelar pela assiduidade dos alunos, oportunidade que teve de apreciar a sua vítima, a ponto de manter relações sexuais numa mata próxima aquele estabelecimento de ensino público.

Segundo conta a vítima, o último envolvimento sexual com o predador foi na manha da última terça-feira (28), ainda uniformizada, a 400 metros da escola, local para onde foi levada debaixo de ameaças.

Felismino Murrupa, guarda do campo de produção para onde a vítima foi levada, foi quem denunciou o caso a direcção da escola secundária da Barragem, depois de encontrar, em flagrante, o continuo a manter relações sexuais com a menor.

A fonte disse ao Ikweli que práticas do género no seu local de trabalho [machamba] são frequentes, por isso, cansado, decidiu denunciar.

“Eu sou guarda naquela machamba. Foi de manhã que saí de casa para o trabalho. Quando lá cheguei, vejo um senhor a entrar no mato onde eu guarneço com uma menina uniformizada. Mas porque tratava-se de um estranho, não me precipitei em chamar atenção para melhor perceber o que ia acontecer. Passados alguns minutos, aproximei-me do local e encontrei aquela menina a usar sua roupa interior e o senhor a apertar o cinto”. Entretanto, “quando me viram o senhor começou a ameaçar e eu lhe disse que sou responsável do local e que me devia esclarecimento, mas por arrogância, disse-me que eu devia, querendo, ir queixar aonde eu quiser por isso segui até a escola, mas depois de informar outras pessoas que na altura perguntaram-se do assunto”.

O facto é repudiado pelas alunas da escola da Barragem onde, em entrevista ao Ikweli, desvendam o comportamento desviante do visado que, em pleno exercício das suas actividades, assedia sexualmente as alunas e faz uso de influência para satisfazer o seu apetite sexual.

“Isso que aconteceu é preocupante, há um senhor que trabalha aqui que foi encontrado a fazer amor com uma aluna no mato. a função deste senhor é parar na porta da escola para controlar quem está ou não asseado, caso contrário ele impede a sua permanência no recinto escolar, bem como tocar o cino sempre que for o horário de intervalo. O seu comportamento não ajuda”, contaram ao Ikweli três alunos, entre homens e mulheres.

As nossas fontes suspeitam que os dois mantinham a relação amorosa há pouco tempo. Mas que mesmo com isso, não se justifica a atitude tendo em conta que a vítima é uma menor, ela pode ser forçada a fazer o que fez.

“O que aconteceu foi terrível. O nosso contino está sempre a conquistar alunas que se fazem a escola. Ainda temos informações que isso não está a começar, dado que já manteve relações sexuais com várias meninas daqui, e desta vez a máscara do velho caiu, ele foi descoberto. Uma vez forçou uma colega nossa alegadamente porque não tinha bolso da escola, bem como a gravata. O acto sexual foi praticado na casa de banho da escola”, revelou a aluna que responde pelo nome de Maria.

O Ikweli dirigiu-se à Escola Secundária da Barragem onde, em entrevista com a vítima, apurou que o cidadão a teria forçado a manter relações sexuais, sob alegação de influenciar no seu trajecto escolar para reprovar de classe. Igualmente, revelou no momento que a queria como esposa e não simples amante, tendo em conta que o indiciado é pai e casado, residente na zona da Presidência, no bairro de Carrupeia, em Napipine.

“Sai de casa em direcção a escola, mas em pleno caminho encontrei o senhor funcionário da escola que me chamou, alegadamente porque tinha calcinhas a venda, eu recusei. Entretanto, ele começou a dizer que era influente e que podia ma fazer reprovar se não aceitasse apreciar as calcinhas e conversar com ele”. E mais, “porque senti-me com medo, recebi as calcinhas e obrigou-me a experimentar. Foi então neste momento em que me empurrou para outro lado do mato, e começou a fazer sexo”, revelou a menor Ruquia, nome fictício encontrado para omitir a sua identidade.

Natural do distrito de Monapo e residente na zona da Barragem com a sua irmã, a vítima disse estar a passar momentos de discriminação na escola e na comunidade, uma vez que o assunto foi tornado público, maior parte das pessoas da escola tomou conhecimento. O mais caricato ainda é que a menina e os familiares desconhecem os caminhos certos para recorrer.

Entrevistado pelo Ikweli, junto a direcção da Escola Secundária da Barragem, o indiciado recusa ter mantido relação sexual com a menina, mas afirma categoricamente que gosta dela e que a quer como esposa, mesmo sendo casado e pai, mas mesmo assim, pretende unir-se maritalmente com a sua vítima de 16 anos de idade.

Este indivíduo conta que “combinamos para nos encontrarmos naquele sítio, com o objectivo de conversarmos em relação ao nosso casamento, nosso amor e prontos. Mas eu não reconheço ter violado, eu disse a pessoa que nos encontrou que não estávamos a fazer sexo, para isso tinha de nos flagrar pelados, mas não foi o que aconteceu. Por isso que eu não reconheço que já violei a menina, mas estávamos juntos”.

Em relação as calcinhas o contino afirma que foi um presente que fez à sua vítima, uma vez que ela pediu. Mas porque não era conhecido na família e não a queria levar a sua casa, escolheu aquele campo de cultivo, no meio do mato, para entregar o presente a sua suposta namorada.

Seguro com as suas palavras, este declarou que pretendia casar a menina, faltando apenas a confirmação dos encarregados de educação. Outrossim, garantiu que esperaria até que a vítima concluísse os estudos, pelo menos o nível médio do ensino secundário para lhe fazer de esposa, tudo estava combinado, mas o plano frustrou.

Por sua vez, mesmo depois de acompanhar as confissões do indiciado, a direcção da Escola Secundária da Barragem representada pelo respectivo director, escusou-se a falar em torno do caso, tendo garantido dar seguimento. Em conversa, o director mostrou-se preocupado e repudia o comportamento desviante do contino. (Esmeraldo Boquisse)

Fome leva deslocada de guerra de Cabo Delgado a burlar 200 conterrâneas em Nampula

Nampula (IKWELI) – Uma cidadã de 42 anos de idade, natural de Mocímboa da Praia, encontra-se detida na 4ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, indiciada de burlar cerca de duzentas (200) pessoas deslocadas em consequência dos ataques terroristas que assolam os distritos do norte de Cabo Delgado.

A falta de assistência, sobretudo em géneros alimentícios, tem propiciado a prática de actos ilegais e imorais por parte dos deslocados, sendo que há casos em que se envolvem em actos criminais e outros em que mulheres vêm-se obrigadas a prostituir-se para conseguir o mínimo possível para a sobrevivência.

As vítimas foram burladas no bairro de Namutequeliua, concretamente na zona do campo dos macondes, e a promessa era de receber géneros alimentícios no dia 28 do corrente mês de Setembro.

“Estou aqui por causa de senhas que vendi”, conta a indiciada, justificando que foi “Omar que me deu as senhas”, mas nega conhecer Omar de algum lado, ainda que está convicta que “queria comida, por isso vendi as senhas que fui levar com o Omar no condomínio”.

Segunda a senhora, “cada senha vendia 100,00Mt (cem meticais) e foram 200 senhas. Cada senha que vendia comprava comida”.

No recinto da 4ª Esquadra, no bairro de Namutequeliua, perto de cinquenta vítimas encontravam-se para saber do destino que o caso dará.

À imprensa, Amina Armando confirmou, em representação do grupo, que “nós sofremos burla com uma nossa conterrânea”, porque “aquela senhora nos mentiu que ia nos dar comida e nos vendeu senha”.

Amina está ciente que a compra de senhas para ter acesso a alimentos não é uma prática normal, mas diz que fê-lo “por causa de fome”, porque “estamos há seis ou oito meses sem receber comida” e “o que nos fez comprar senha é fome. Começamos a comprar há um mês”.

Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula, explica que “uma cidadã na companhia do seu comparsa, que neste momento encontra-se foragido, engendraram burlas contra a população, alegando que forneciam senhas para receber algum benefício direcionadas as vítimas deslocadas de Cabo Delgado”, e que “nesse processo foram arrecadando valores em troca de senhas para receberem esses bens. No momento que iam receber os bens descobriram que foram enganados por esses cidadãos”. (Aunício da Silva)

Somaliano tenta sem sucesso abusar sexualmente jovem de 21 em Nampula

Nampula (IKWELI) – Uma jovem de 21 anos de idade foi, brutalmente, espancada por um individuo de nacional somaliana na unidade Comunal Muthita, na cidade de Nampula, por ter negado envolver-se sexualmente com ele.

O caso ocorreu no último sábado, 25 de Setembro, e a vítima conta que o violador, um conhecido da zona, teria lhe chamado quando esta regressava do mercado, mas a mesma não cedeu ao convite.

Vendo-se sem sucesso, Abdulay, nome pelo qual o agressor é conhecido, perseguiu a vítima até a residência onde vive, e não tendo conseguido entrar no quintal ficou do lado de fora esperando que a mesma saísse.

A vítima, cuja identidade omitimos, disse quando tentou sair para uma casa vizinha o agressor a interpelou, tentando forçá-la para ceder um envolvimento sexual. “Ele agarrou-me e quis obrigar-me para tirar a roupa, e eu neguei. Durante a minha resistência ele partiu uma garrafa de bebida que estava com ele e começou a me espetar na cabeça e por todo o corpo”, disse a vítima.

Durante a agressão, a vítima tentou pedir socorro, mas ninguém se predispôs a ajudá-la. Contudo, depois do incidente, a família da vítima denunciou o caso ao posto policial local. Desta subunidade policial, a vítima e a sua família foram encaminhadas para o centro de saúde a fim de a mesma ter assistência médica e medicamentosa.

E segundo apurou o Ikweli, o indiciado foi solicitado para comparecer as autoridades policiais, mas não o fez.

A mãe da vítima conta que, no dia em que era suposto que o indiciado se apresentasse a polícia, ele mandou um recado, por intermedio de um operador de táxi de mota, a informar que não dispunha de tempo para responder a solicitação.

“Ele diz que não tem tempo, o pai vai pagar todas as despesas, tem dinheiro”, conta a mãe da vítima, que entende que o mesmo está faltando respeito as autoridades, por isso questiona a eficácia do trabalho da corporação.

Ao nível do comando provincial da PRM ainda não se sabe do caso, tal como disse Zacarias Nacute, porta-voz da corporação, quando questionado pelo Ikweli sobre o mesmo incidente.

Entretanto, na unidade comunal Muthita, apuramos que não é a primeira vez que o cidadão envolve-se em confusões do gênero, mas preocupa os residentes o facto de o mesmo não estar a ser responsabilizado. Aliás, no mesmo do em que agrediu a jovem teria vandalizado alguns produtos que estavam a ser vendidos no mercado local. (Redação)