Fome leva deslocada de guerra de Cabo Delgado a burlar 200 conterrâneas em Nampula

Nampula (IKWELI) – Uma cidadã de 42 anos de idade, natural de Mocímboa da Praia, encontra-se detida na 4ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, indiciada de burlar cerca de duzentas (200) pessoas deslocadas em consequência dos ataques terroristas que assolam os distritos do norte de Cabo Delgado.

A falta de assistência, sobretudo em géneros alimentícios, tem propiciado a prática de actos ilegais e imorais por parte dos deslocados, sendo que há casos em que se envolvem em actos criminais e outros em que mulheres vêm-se obrigadas a prostituir-se para conseguir o mínimo possível para a sobrevivência.

As vítimas foram burladas no bairro de Namutequeliua, concretamente na zona do campo dos macondes, e a promessa era de receber géneros alimentícios no dia 28 do corrente mês de Setembro.

“Estou aqui por causa de senhas que vendi”, conta a indiciada, justificando que foi “Omar que me deu as senhas”, mas nega conhecer Omar de algum lado, ainda que está convicta que “queria comida, por isso vendi as senhas que fui levar com o Omar no condomínio”.

Segunda a senhora, “cada senha vendia 100,00Mt (cem meticais) e foram 200 senhas. Cada senha que vendia comprava comida”.

No recinto da 4ª Esquadra, no bairro de Namutequeliua, perto de cinquenta vítimas encontravam-se para saber do destino que o caso dará.

À imprensa, Amina Armando confirmou, em representação do grupo, que “nós sofremos burla com uma nossa conterrânea”, porque “aquela senhora nos mentiu que ia nos dar comida e nos vendeu senha”.

Amina está ciente que a compra de senhas para ter acesso a alimentos não é uma prática normal, mas diz que fê-lo “por causa de fome”, porque “estamos há seis ou oito meses sem receber comida” e “o que nos fez comprar senha é fome. Começamos a comprar há um mês”.

Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula, explica que “uma cidadã na companhia do seu comparsa, que neste momento encontra-se foragido, engendraram burlas contra a população, alegando que forneciam senhas para receber algum benefício direcionadas as vítimas deslocadas de Cabo Delgado”, e que “nesse processo foram arrecadando valores em troca de senhas para receberem esses bens. No momento que iam receber os bens descobriram que foram enganados por esses cidadãos”. (Aunício da Silva)

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