Nampula (IKWELI) – No âmbito dos esforços de combate ao terrorismo que assola distritos do centro e norte da província de Cabo Delgado, combatentes da luta armada de libertação nacional e seus descendentes foram apelados para se juntaram as iniciativas governamentais para proteger as aldeias, mas o convívio entre estes e membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS) não tem sido pacífico.
Os membros das FDS não encaram como colaboradores os membros da designada força local, maioritariamente constituídas por estes combatentes da luta de libertação, por isso as suas investidas contra eles têm sido semelhantes as que promovem contra a população civil, com tratamento até desumano.
Na vila sede do distrito de Nangade tem sido recorrente maus-tratos entre as partes, e muito recentemente um cidadão foi espancado, até perder sentidos, por um militar por lhe ter negado o cigarro.
No dia 15 do corrente mês de Novembro, nosso correspondente em Nangade apurou que um membro da força local terá sido baleado por um militar, alegadamente, sem razão aparente. O acto ocorreu na aldeia de Ndenganamade, depois de um cruzamento menos amistoso entre um grupo de três militares e a vítima.
Sem discutir, segundo apurou o correspondente do Ikweli em Nangade-sede, o membro da força local, que na altura portava uma arma e vestido do uniforme, disse que ia ter com o comandante do grupo para receber ordens e que se não concordassem tinha o telefone para o ligarem ou mesmo poderiam ir juntos.
Consta que, os militares não concordaram e acabaram baleando em uma das suas pernas e abandonaram no local, onde graças a pedido de socorro, foi socorrido e encontra-se a receber tratamentos tradicionais.
O caso, segundo apurou o correspondente, foi reportado à Polícia da República de Moçambique naquele distrito, onde tem sido recorrente ouvir que militares fazem acções que põem em causa a vida normal da população local. (Redação)
Namanhumbir (IKWELI) – A 11 de Novembro de 2021, a Montepuez Ruby Mining Limitada (MRM) foi informada de que um mineiro ilegal havia perdido a vida numa mina artesanal, na sua concessão, às 04h00.
A vítima era natural do distrito de Mueda, mas residia em Nanhupo e perdeu a vida enquanto minerava ilegalmente, com outros três, quando a mina artesanal desmoronou.
O desabamento da mina provocou, também, ferimentos ligeiros a um dos mineiros ilegais, sendo que os outros dois saíram ilesos.
O incidente foi imediatamente comunicado à Polícia, que acorreu ao local para proceder à remoção do corpo do finado e ulteriores procedimentos.
Da informação fornecida, acredita-se que a mina aberta pelos garimpeiros ilegais tenha desmoronado em condições meteorológicas normais.
O número crescente de incidentes, ataques e fatalidades envolvendo mineiros ilegais na concessão da Montepuez Ruby Mining (MRM) constitui uma grande preocupação para a empresa e para as comunidades locais, cujas aldeias se encontram sob pressão, devido ao afluxo de mineiros ilegais de cidades distantes, províncias vizinhas e outros países.
As práticas inseguras dos mineiros ilegais, que são normalmente supervisionadas ou coagidas por sindicatos de contrabando ilegal de pedras preciosas, financiados por comerciantes estrangeiros que operam na região, continuam a resultar na perda desnecessária de vidas humanas na área.
É neste sentido que a MRM realiza actividades de comunicação contínuas, com vista a alertar para os perigos da exploração mineira ilegal e insta as comunidades a não realizarem tais actividades. A MRM também difunde a sensibilização nas comunidades próximas (onde os mineiros ilegais se abrigam temporariamente) sobre os perigos da exploração mineira ilegal.
Durante 2021, a MRM foi informada de que nove (9) pessoas, na sua maioria jovens do sexo masculino idos de outros países ou aldeias distantes, perderam a vida a empreender actividades mineiras ilegais sem segurança, na concessão da MRM, devido a desmoronamentos de minas, nas quais os mineiros ficaram soterrados.
Estes incidentes foram levados ao conhecimento das autoridades, tanto a nível provincial como central, na esperança de que sejam tomadas medidas mais proactivas contra aqueles que estão a financiar tais actividades, facilitando e encorajando o comércio ilegal de rubis moçambicanos, o que prejudica Moçambique e a sua população, em resultado da perda de vidas e privação das tão necessárias receitas fiscais dos recursos minerais de Moçambique. (Redação)
Nampula (IKWEL) – O autarca de Nampula, Paulo Vahanle, procedeu a inauguração da rua 3.309 que liga a Estrada Nacional Número Um (EN1) ao posto administrativo autárquico de Muatala.
O acto teve palco na manhã da última segunda-feira, e a infra-estrutura compreende o troço entre a EN1 e a Escola Secundária de Muatala, numa extensão de um quilometro.
Vahanle disse que a intenção de construir, numa primeira fase, aquele troço é no sentido de aliviar o sofrimento dos utentes da escola em referência pela degradação que a mesma se apresentava, sobretudo na época chuvosa.
“Está via fazia muita falta para os alunos, principalmente para a acesso a escola, e esta zona era lamacenta nos tempos chuvosos e os alunos chegavam atrasados visto que os chapeiros não queriam fazer-se a escola alegando que não tinha uma boa via de acesso”.
As obras, segundo a edilidade, custaram aos seus cofres o total de 9.000.000,00Mt (nove milhões de meticais), por isso o autarca garantiu que “esta via faz parte de um pacote de medidas que o nosso governo estruturou para responder às preocupações dos nossos munícipes”.
Quem está satisfeito com a via são os utentes, sobretudo os operadores de táxi de mota e os alunos da Escola Secundária de Muatala.
Nelita Rosário, aluno da referida escola, disse ao Ikweli que a estrada vai ajudar na assiduidade dos alunos, por isso “é muito bom para nós e para todos residentes deste bairro, e é um bom trabalho que ele fez para nós e isso nos ajudou muito principalmente nos tempos chuvosos, mesmo nos tempos de Sol nos ajudou muito por causa da poeira, e assim continuamos sempre agradecer”.
Flora Félix mora naquela circunscrição e com a infra-estrutura respira de alívio, porque “do cruzamento para escola era muito difícil, passávamos arrasca por causa das chuvas, com as águas acumuladas, e isso criava um grande risco de sujar o uniforme antes de chegar à escola”, e que “os moto-taxistas cobravam muito carro só para sair daqui até na escola, mas com essa estrada organizada acho eu que eles vão baixar os preços dos seus serviços”.
“Essa estrada é bem-vinda, e gostaria que a estrada chegasse até ao posto administrativo”, rematou esta fonte.
Abdala Naiso, também, residente de Muatala sente-se satisfeito com a estrada, e entende que seja “uma ideia positiva, porque desde 1994 nós nunca vimos uma coisa igual, então quando vimos isso estamos a rezar para que Deus dê forças ao presidente município Paulo Vahanle, para continuar a embelezar a cidade de Nampula para estar brilhante como na Europa”.
Alpendre Rodrigues Leite, operador de táxi de mota, está feliz com a infra-estrutura e está convicto sobre as vantagens que a mesma vai trazer na zona.
“Eu gostei muito de ver essa obra a ser inaugurada, apesar de que só terminou na escola”, disse, recordando que “para levar um aluno daqui até na escola era um grande problema. Nós tínhamos de envidar esforço para que os uniformes dos mesmos não chegassem na escola com sinais de lama ou poeira”.
Jorge Vasco é outro moto-taxista feliz com a estrada, tendo em conta que “era muito difícil passar por esta estrada, pior quando caísse chuva, por causa de água que a chuva deixava e lama, também, obrigava uma pessoa a usar botas”. (Hermínio Raja)
Nampula (IKWELI) – A Universidade Lúrio (UniLúrio), com sede na cidade de Nampula, promoveu na manhã desta terça-feira (16), no campus de Marrere, um simpósio de divulgação de um dispositivo de inteligência artificial.
Trata-se de uma experiência tecnológica capaz de diagnosticar doenças oculares, sobretudo a cegueira.
A tecnologia trazida pelo Governo japonês, através da Universidade Ehime, é considerada pela comunidade universitária da UniLúrio como um meio-termo na busca de soluções de problemas de saúde ocular da população, dada a sua importância na evolução da ciência e da tecnologia no sector da saúde. Neste processo, a UniLúrio far-se-á representar pela Faculdade de Ciências de Saúde, através do seu programa Um Estudante Uma Família.
“O mérito da tecnologia para nós advém do facto de que o aumento da cegueira, no nosso país, poderá contar com este aplicativo para facilitar o trabalho dos optometristas e de outros profissionais da saúde nas zonas mais remotas onde há falta de pessoal de saúde especializado”, apontou Leda Hugo, Reitora da Universidade Lúrio, no seu discurso de abertura do simpósio.
De acordo com a reitora, é pela primeira vez que a instituição que dirige participa no lançamento de uma Câmara de Lente Inteligente, uma ferramenta usada para fazer o diagnóstico de doenças oculares. Até porque este é um facto que, segundo as suas palavras, anteriormente só era possível realizar em presença de um clínico especializado em saúde ocular.
Na ocasião, a Leda Hugo explicou que a UniLúrio vai participar na testagem, beneficiando as famílias abrangidas pelo seu programa, através da ligação duradoura e mútua que possui entre os profissionais e a comunidade. Igualmente, na segunda fase do chamado dispositivo de Inteligência Artificial espera-se o alargamento do mesmo e a sua aplicação em diagnósticos clínicos em todo o território nacional.
“Gostaríamos de enaltecer os esforços da nossa universidade de trazer parcerias e soluções, cada vez mais avançadas, aos problemas que a sociedade moçambicana apresenta, com recurso a investigação científica, inovação e divulgação do conhecimento para as comunidades. Para tal, afigura-se importância o alargamento das parcerias e sinergias com o mundo, apostando naturalmente na inovação tecnológica”, destacou Leda Hugo. (Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – O Secretário-Geral do partido Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), André Magibire, anunciou na cidade de Nampula que está para breve o reinício do pagamento dos subsídios dos homens residuais da perdiz abrangidos pelo processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) em curso no país.
Na cidade de Nampula, Magibire participou da inauguração de mais uma rua construída pela edilidade comandada pela Renamo na última segunda-feira (15) e foi nessa ocasião que ele anunciou esta boa-nova que se espera há um ano.
“Quero dar uma palavra de conforto aos desmobilizados, sobretudo no âmbito do DDR. Por razões adversas da nossa vontade, viram os seus subsídios interrompidos há um ano”, disse Magibire, apelando a paz e a união dos moçambicanos.
No contexto da paz, o SG da RENAMO aponta a necessidade do perdão, porque é preciso “deixar o nosso ódio de lado e seguir os nossos caminhos, por isso assinou-se o acordo de paz e reconciliação de Maputo, e hoje estamos no processo de DDR para o bem-estar da população porque Moçambique é de todos nós”.
Ainda em Nampula, André Magibire reuniu com os membros da perdiz em preparação das eleições de 2023, no sentido de evitar a ocorrência de fraudes.
“Estamos aqui reunidos para criar uma estratégia para acabar com as fraudes que temos sido alvos nas eleições”, garantiu o político. (Hermínio Raja)
Nampula (IKWELI) – As obras de asfaltagem da segunda faixa de rodagem da avenida Eduardo Mondlane, uma das importantes vias de acesso na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, estão reavaliadas em mais de cinquenta e nove milhões de meticais (59,000,000.00MT) contra o custo inicial que estava fixado em 29,970,109.20MT.
As obras de asfaltagem da referida via de acesso tiveram o seu início a 20 de Abril do ano em curso com a conclusão prevista para dia 20 de Setembro findo, portanto, seriam executadas num período de cinco meses. Entretanto os prazos, inicialmente estabelecidos, não foram observados pelo empreiteiro que, inclusive, se revelava incapaz de executar aquela natureza de empreendimento. Na circunstância, segundo reportamos na edição 801, a edilidade viu-se forçada a rescindir contrato com o empreiteiro.
Para a dinamização dos trabalhos foi contratada a ECRAN construções, entidade com a qual foram estabelecidos os novos custos de 59 milhões de meticais. Com o novo custo, a edilidade chefiada por Paulo Vahanle, alega que o novo empreiteiro traz consigo um cronograma de trabalho, que inicia pelo estudo do projecto, seguido da construção propriamente dita.
“Primeiro tivemos que rescindir contrato com o anterior empreiteiro porque, afinal de contas, o contrato constava o estudo do projecto e a segunda fase era a construção mas, infelizmente, aquele nosso empreiteiro não tinha feito o estudo sendo que apenas limitou-se a fase de construção e durante a execução da obra foi deparando-se com certas dificuldades que ditaram com que o presidente do Conselho Municipal tivesse que rescindir o contrato com ele de forma unilateral”, começou por contextualizar Paulo Vahanle, autarca de Nampula.
“Neste momento, realmente está um novo empreiteiro e que feito o estudo do projecto mais a construção a obra vai custar aproximadamente cinquenta e nove milhões de meticais”, continuou Paulo Vahanle.
Empreiteiro sem asfalto e obras sem prazos para sua conclusão
Entretanto Paulo Vahanle não avança os novos prazos para a conclusão e entrega daquelas obras, mas não descarta a possibilidade de que conclusão seja efectivada só no próximo ano. O autarca aponta a falta de asfalto como sendo um dos factores que poderá estender ainda mais os dias para relaxar o trânsito naquela rodovia.
“Devido o atraso da obra, nós ali, também, vamos compreender duas fases na parte de execução. A primeira fase vai ser de construção da ponte, valas de drenagens, estabilizar os solos e tudo mais”, disse Vahanle, acrescentando que “porque o tempo é muito escasso e o agente, neste momento, não adquiriu o asfalto e vem no estrangeiro, acreditamos que até 20 de Dezembro vamos fazer a primeira parte que é de estabilização do solo e construção de valas de drenagem e a segunda fase acreditamos que só será no próximo ano que vai ficar para asfaltar a via”.
“Mas estamos a envidar esforços no sentido de a curto prazo conseguirmos o alcatrão. Se conseguíssemos o asfalto, até fim de Dezembro, teríamos a estrada já asfaltada, mas a probabilidade é muito pouca em relação esta segunda fase”, frisou o dirigente. (Constantino Henriques)
Nampula (IKWELI) – A 3 de Novembro de 2020, para responder a entrada de deslocados internos oriundos dos distritos sob ataques terroristas na vizinha província de Cabo Delgado, era aberto o Centro de Reassentamento de Deslocados no posto administrativo de Corrane, no distrito de Meconta, sob alçada dos Serviços de Representação do Estado na província de Nampula.
Até Junho do corrente ano, o governo tinha o registo de, pelo menos, 6 mil e 613 deslocados, mas este número é maior em relação as pessoas actualmente existentes devido as entradas clandestinas.
A iniciativa tinha em vista, primeiro oferecer amparo e conforto as famílias, maioritariamente constituídas por mulheres e crianças, e segundo dar oportunidade e segurança para que as pessoas reiniciem as suas vidas.
Um ano depois, o desespero ainda toma conta dos deslocados, cuja maioria vê-se dividida entre continuar em Corrane e voltar para as suas zonas de origem, mas o sofrimento que passam há anos, apenas, traz frustração nas vítimas.
Grosso número de deslocados que se instalou em Corrane foi retirada da cidade de Nampula e do posto administrativo de Namialo, onde viviam na rua, sem comida e sem água.
Diante destas dúvidas, há famílias que falam de melhoria da qualidade das suas vidas, pese embora a dor de perder o pouco que tinham, incluindo pessoas amadas, e o desespero de nunca regressar a terra que os viu nascer prevaleça.
“Corrane melhorou muito, quando cheguei aqui, não havia casas, tudo era em tendas e daquele lado só capim, desde aqui no bairro Nampula até lá no bairro Namapa, mas hoje vejo diferença”, disse a senhora Reinata Vicente.
Para outros deslocados, ainda que não haja algo para as pessoas fazerem, a paz é que importa, e acrescenta “as pessoas estão a brincar, andar, rir, por mais que seja aqui, paz há paz, ninguém pensa onde vai esconder-se quando anoitecer, tal como lá em casa”.
De 22 anos de idade, Consolata Fernando defende que a energia eléctrica no centro de Corrane contribuiu bastante para a melhoria da vida no local, bem como a água potável e casas de chapa. “Quando chegamos estivemos a dormir numa tenda, como aquela ali, mas hoje temos casas de chapa, é claro que falta muito aí dentro, mas se chover pelo menos não vamos sofrer tanto”, diz Consolata.
Com 35 anos de idade, Ancha Abacar elenca, também, mudanças em Corrane, sobretudo no contexto de formação profissional. “Consigo banhar capulanas, cozer calções e máscaras”, relata esta fonte que, durante 14 dias, foi treinada em matéria de corte e costura.
Ancha Abacar
Uma das primeiras técnicas do sector de Saúde ali afecta é Lúcia Mário Maleza, que entende que, actualmente, há melhores condições para atender os pacientes que procuram pelos serviços de saúde. “Agora temos quase todos serviços básicos”, assegura a técnica de Medicina Geral, exemplificando “a triagem de adultos, pediatria, consulta de planeamento familiar, maternidade e farmácia”.
Ainda há fome em Corrane
Uma das principais queixas dos deslocados acolhidos em Corrane tem a ver com a falta de alimentos para assegurar a sobrevivência das famílias, propiciando, assim, a ocorrência de situações de fome, tal como se queixam as vítimas.
Nos últimos meses, os apoios em gêneros alimentícios tendem a reduzir, e isso afecta o dia-a-dia das famílias.
Reinata Mpulangue, deslocada de Miangalewa, distrito de Muidumbe, vive em Corrane há um ano. Em entrevista ao Ikweli, contou que os deslocados estão há dois meses que não recebem apoio alimentar que, anteriormente, era canalizado mensalmente.
“A vida está a ir, mas temos problemas de comida e sabão, há dias recebemos um saco de milho que nos dividimos quatro famílias, e veja que aqui somos nove pessoas”, disse Reinata, para depois solicitar, “estamos a pedir mais comida e algumas actividades para fazer”.
O sentimento de redução de apoios alimentares em Corrane, também foi manifestado à reportagem do Ikweli, pelo deslocado Saíde Martins, chefe de um agregado constituído por quatro pessoas, para quem além da última vez terem recebido, um saco de 50 kg de milho para quatro famílias, o óleo e feijão recebido foi ínfimo, o que faz com que haja duas refeições ao dia.
“Farinha que recebemos só serve para papas de manhã e a noite, ou de dia fazer chima para almoço, mas o que piora ser pouca comida é porque a mesma nós vendemos para os nativos para termos algum dinheiro para compra de sabão ou outra coisa”, contou.
De Litamanda, Viera Ndumucha, também, está em Corrane há um ano, tal como outras pessoas, refere que a comida canalizada aos deslocados não tem sido suficiente para a sua família. “A comida tem sido pouca 25 ou 50 kg para todas refeições não chega”, reclama este entrevistado que cuida de um agregado de 8 pessoas.
Todavia, o governo diz que está a prover o que pode, mas em quantidades suficientes, por isso uma fonte do Instituto Nacional de Gestão de Desastres e Riscos (INGD) assegura que há comida para todos, mas o facto é que sempre que as famílias recebem chamam outros parentes fora do agregado já registado, e assim a comida não dura por muito tempo. “Muitas famílias quando recebem os produtos, chamam seus familiares que estão noutros locais e assim a comida acaba muito rapidamente”, disse a nossa fonte.
Por outro lado, ficamos a saber que o Programa Mundial de Alimentação, uma agência das Nações Unidas, retomou no último sábado (13) a assistência alimentar as famílias instaladas em Corrane, dois meses depois.
A preocupação com os novos ataques
Voltar para a casa tem sido um pensamento recorrente nos deslocados, sobretudo quando as forças militares estrangeiras que apoiam as Forças de Defesa e Segurança (FDS) no teatro operacional norte começaram a chegar e a destruir bases dos grupos terroristas, mas as notícias dos últimos dias que indicam novos ataques constituem frustração para os deslocados.
“Não sabemos se vamos regressar ou não, porque estamos a ouvir que os alshababs (terroristas) ainda estão a atacar, ouvi que entraram em V Congresso, distrito de Macomia”, disse em tom de profunda preocupação, Manuel Ngales, em entrevista ao Ikweli, prosseguindo que “aqui estamos em paz, não ouvimos armas, mas também lá às coisas deviam acabar, quem sabe lá se um dia podemos regressar”.
“Eu não sei se vamos ou não, aconteça o que acontecer, mas estamos a ouvir que atacaram ali ora lá, mas o governo é que sabe”, comenta Ancha Assumane, em Corrane há um ano provindo de Mocímboa da Praia.
Em Cabo Delgado, nos distritos afectados pelo terrorismo, recentemente, foram reportados ataques nas aldeias Ntuleni, distrito de Palma, Lijungo e Mandimba em Nangade e V Congresso e Nanjaba no distrito de Macomia.
Naqueles pontos, as forças conjuntas moçambicanas, ruandesas e da SADC ainda estão no terreno para devolver a paz arrancada pelos terroristas há 4 anos. Estima-se que mais de 400 pessoas morreram e 817 mil estão deslocadas.
Ancha Bacar, até a data do ataque que a fez deslocar-se, disse que vivia no bairro Pamunda, Mocímboa da Praia e compara que lá a vida era melhor que em Corrane, e coloca a questão de dependência alimentar como sendo um dos grandes problemas.
“Lá a gente comia o que quer, mas aqui não, de manhã papas, ao meio-dia chima com feijão, quase todos dias, e para ter peixe não está fácil, eu só espero o governo anunciar para regressar”, afirma Ancha.
Ainda assim, Ancha e o seu marido redobram esforços para garantir a sua subsistência, e com efeito construíram um forno de produção de pão, o qual é vendido no local.
A pretensão de regressar a sua terra, em Mocímboa da Praia, bairro Nanduadua, também, é manifestada pela Fátima Muamede, ainda que idosa, de 71 anos de idade diz que o que lhe faz lembrar a sua terra é alegada falta de apoio.
“Desde que cheguei aqui, ainda não recebi qualquer ajuda, durmo no chão, as vezes sem comer e se comer não o suficiente, mas estou a ouvir que aí receberam comida, sabão, mas eu nada, então digo vale a pena em casa”, desabafou a idosa.
Ancha Assumane, mãe de uma criança, entende que enquanto não haver paz em Mocímboa da Praia, vai continuar em Corrane, mas quando as autoridades permitirem há-de regressar. Diz que a forma como vive, muitas das vezes sem opção para comer, o facto de não ter a quem pedir em caso de fome, porque todos são deslocados, e não ter dinheiro para fazer um pequeno negócio, é motivo bastante para não parar de pensar na sua terra.
O desespero dos jovens
Os jovens que, também, foram forçados a abandonar as suas terras e procurar segurança em Corrane, queixam-se da falta de oportunidades para o seu crescimento económico e social.
“Por exemplo, eu sou pedreiro, era minha actividade lá em Pamunda, Mocímboa da Praia, e aqui ninguém me chama para fazer obra nem rebocar a casa, como resultado, tenho que ir a machamba, onde também o resultado não é imediato”, conta Passule Assane, de 27 anos de idade residente em Corrane.
Passule anotou que este facto de os jovens não terem alguma actividade para fazer, mesmo tendo habilidades como pedreiro ou carpinteiro, concorre para o aumento de fome na família, e “você não tem como ter dinheiro, o nosso problema aqui em Corrane é dinheiro, ninguém lhe chama para dar um biscate nem reboque, aquelas casas de chapas estão só, estão a viver assim mesmo”.
Por conta disso, este nosso entrevistado tem sido obrigado a vender a comida que recebe para adquirir outras coisas que a família necessita, uma vez que ser pedreiro já não lhe serve, por enquanto.
Manuel José, de 21 anos, deslocados de Litamanda, distrito de Macomia, também, diz não haver oportunidades para desenvolver em Corrane, pior ainda que não estuda este ano, alegadamente por não ter condições, mas também chegou em Corrane quando as aulas já tinham começado. Na sua terra, diz que era proprietário de uma horta.
“Eu gostaria de fazer um negócio, ao invés de ficar aqui, o meu sonho é ter uma formação na medicina, quero ser médico ou um professor ou mesmo ter meu negócio”, afirma Manuel José, explicando que “aqui já não posso, também, desenvolver uma horta, porque quando tentei pedir algum lugar aos donos da terra, deram-me um lugar onde é difícil ter horta, porque não tem água, assim fico só, sem algo para fazer”.
Rachide Abudo, de 27 anos, que está acolhido em Corrane vindo de Mitope, diz que concluiu a 10ª classe na escola secundária de Mueda, mas ainda não encontra emprego desde 2015. Em Corrane concorreu para um comitê de proteção de crianças deslocadas, mas não conseguiu.
Outra oportunidade referenciada é um programe de fomento pecuário que, igualmente, não abrangeu muitos jovens. Algumas famílias selecionadas em Setembro findo ainda esperam receber os animais para implementar a iniciativa.
Igualmente, há o desafio no acesso à para a produção agrícola, o que contribui para que as famílias continuem a enfrentar a fome.
De acordo com deslocados entrevistados pela nossa reportagem, ainda não têm espaço atribuído para abertura de machamba, alegadamente, porque os nativos de Corrane querem que eles comprem os espaços. “Uns têm machamba outros não têm, até posso dizer que muitos não têm machambas, os donos dizem que temos de comprar, a terra para machambas que deram na época passada não produzem”.
A alegada falta de fertilidade da terra foi, também, levantada por uma outra deslocada, que disse ter vontade de cultivar mandioca, para aproveitar as folhas para caril, mas não consegue, alegadamente, porque não sabe a quem pedir.
Em Corrane, alguns deslocados explicaram que já tinham sido emprestados terra para trabalhar, mas porque começaram fora da época, a produção não foi suficiente, tal como afirmou um outro chefe de família deslocada de Miangalewa, distrito de Muidumbe.
Em Setembro deste ano, o chefe do posto administrativo de Corrane, Alberto Alexandre, disse à um órgão de informação que não havia problemas de os nativos recusar ceder a terra aos deslocados para prática de agricultura. (Redação)
Nampula (IKWELI) – A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) defende a necessidade de uma reconstrução urgente de infraestruturas condignas nas zonas fustigadas pelas acções terroristas na nortenha província de Cabo Delgado, bem como a construção de habitações condignas para as populações que nos últimos tempos tentam regressar as suas origens, dois anos depois.
Com os avanços significativos que têm sido alcançados no terreno, pelas Forças de Defesa de Moçambique, as tropas ruandesas e da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), caracterizado pela recuperação das zonas que por algum tempo estavam sob controlo dos terroristas, algumas famílias deslocadas ganharam a coragem e regressam a casa, abandonando assim os centros de reassentamento cujas condições não têm sido satisfatórias.
Nesse sentido, a CEM destaca como prioridade, “a urgência de organizar e investir no trabalho de reconstrução de infraestruturas condignas e habitações para as populações que voltam para as próprias aldeias”, refere um comunicado enviado a nossa redação.
“A presença das forças estrangeiras, ruandesas e da SADC, faz esperar da melhoria da situação de segurança. Com efeito, há notícias de progresso na recuperação do espaço que estava nas mãos dos insurgentes, o que contribui para uma segurança relativa. Algumas pessoas regressam às próprias aldeias. Renovamos a nossa solidariedade para com a multidão de pessoas que ainda permanece nos campos de reassentamentos. Um dos grandes desafios do momento presente continua a ser a assistência humanitária às populações vítimas de violência e deslocadas. Há muita gente passando fome, sede, portanto, sem o mínimo de recursos para a sobrevivência”, refere o comunicado.
Entre os dias 8 a 14 do mês em curso, a CEM esteve reunida na sua segunda sessão ordinária da Assembleia Plenária. Entre outros pontos, o encontro analisou, também, a actual situação da juventude como estando a preocupar aquela agremiação religiosa da Igreja Católica. (Redação)
Nampula (IKWELI) – Cinco viaturas envolveram-se em um acidente de viação no princípio da tarde desta segunda-feira, (15) no cruzamento entre as avenidas Eduardo Mondlane e Josina Machel, no centro da cidade de Nampula, sem, no entanto, causar danos humanos.
O acidente foi causa, primeiramente, duas viaturas que cruzavam as duas avenidas, mas que uma delas cortou prioridade a outra, o que mais tarde viria a envolver mais três viaturas.
“Quem causou o acidente é o condutor do carro de Mark X que saia da escola para o governo de Nampula, isto porque não respeitou a prioridade do motorista da D4D. o que aconteceu é que quando Mark X bateu outro carro, este que foi cortado prioridade puxou e bateu num outro carro que este outro atingiu mais outras duas criando problemas destas viaturas”, contou Rito Mucussete, que disse ter acompanhado o acidente na altura em que aconteceu.
Após o ocorrido uma equipa de agentes da Polícia da República de Moçambique (P.R.M) fizeram-se ao local para a recolha das informações. Estes agentes não aceitaram partilhar informação sobre as causas do acidente. (Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – A 6ª Secção do Tribunal Judicial da província de Nampula, no norte de Moçambique, julgou na última sexta-feira (12) o caso de um pai que há dois anos violou sexualmente a filha e a neta, ambas menores de idade, no povoado de Thokoma, no Posto Administrativo de Lunga, distrito de Mossuril.
Trata-se de P. Assane, de 50 anos de idade, que em 2019 terá mantido relações sexuais, primeiro com a sua enteada actualmente com 15 anos de idade e que na altura dos factos tinha 13 anos. Seguidamente o indiciado manteve relações íntimas com a neta, actualmente com 10 anos de idade.
Pressupõe-se que as duas menores constituíam “pão de cada dia” do velhote, mas foi Rapia Mussa, por sinal sua esposa que, pela primeira vez, terá lhe encontrado em flagrante numa manhã de um belo dia do mês de Abril de 2019, no seu próprio quarto junto com a filha H, ambos sem roupa.
“Ele deixou-me na machamba e disse que iria a praia, mas quando voltei para casa encontrei meu marido sem roupa no quarto com a filha”, contou a dona Rapia em declaração ao Tribunal.
“Aquilo espantou-me, não sei dizer com exatidão se é que o acto foi consumado ou não, na verdade quando cheguei o sexo dele estava mole, não controlem se a esteira estava molhada ou não, porque fiquei sem força, e logo de seguida sai para fora e comuniquei a vizinhança sobre o que acabava de ver”, continuou aquela mãe, em resposta às questões persistentes da Juíza do processo.
Para a segunda vítima, a neta S que na altura tinha 8 anos de idade, o indiciado terá lhe convidado para um alegado passeio à praia, mas acabou desviando o destino para uma mata onde consumou-se o acto sexual.
“Quando chegamos na mata, ele estendeu a minha capulana e começou a doer-me aqui em baixo e depois deixou-me molhada”, contou a menor, que acrescenta tratar-se da primeira vez que o avô optava por aquele comportamento impiedoso.
Depois do incidente, P. Assane avisou a neta para que o que acabava de acontecer não fosse contada a ninguém, muito menos a sua avó, visto que se assim acontecesse, iria tirar a vida. Entretanto, a notícia espalhou-se no bairro porque a pequena não viu razões de esconder às amigas sobre o que tinha acontecido e, por sua vez, elas fizeram chegar a informação aos pais que trataram de denunciar.
Ministério Público exige pena máxima ao réu
O Ministério Público, representado pelo Procurador Cristóvão Mulieca, exige uma condenação exemplar e pesada ao réu porque, segundo argumentou, estão preenchidos todos os requisitos para o efeito. Aliás, no entender do procurador, a condenação de P. Assane nos moldes que sugeriu é no sentido de desencorajar tais práticas nas comunidades.
“Ele foi flagrado com a mãe quando estava completamente nu com uma criança e dentro de um quarto. Portanto, não precisa de ir numa escola para poder fazer qualquer tipo de ginástica para saber o que aquela pequena teria passado”, referiu Cristóvão Mulieca.
“Não vai naquilo que o réu aqui nalgum momento mesmo que não tenha dito e nós pensarmos que ela quis. A idade que as duas pequenas têm, a vontade delas não é relevante. Era de ver o réu aqui presente obstar que tais factos ocorressem, mas pelo contrário ele mesmo que incentivou ou que provou com que ocorresse os factos e vimos que não há dúvidas de que o réu deixou sequelas que vão durar toda a vida daquelas pequenas”, continuou o procurador.
“Com isso, nós instância do Ministério Público, nós como donos da acção penal, vimos que estão preenchidos todos os requisitos para que o réu seja responsabilizado com penas exemplares e pesadas porque, afinal de contas, ele praticava esses factos de forma continuada. Portanto, essa continuação criminosa, portanto, deve servir para uma agravante para a pena máxima para o réu”, rematou Cristóvão Mulieca.
“A defesa se posiciona em como deve-se observar todo dispositivo que milita para este réu”, precisou em poucas palavras, Júlio Ernesto Ripiha, advogado do réu.
“Não tenho algo a dizer, somente tenho de agradecer a Deus”, posicionou-se o réu quando dado a palavra para se defender pela última vez. A sentença, segundo garantias da juíza, será lida no próximo dia 22 do mês em curso. (Constantino Henriques)