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Direcção do Estabelecimento Penitenciário Feminino de Nampula ordena destruição de mais de 100 casas de famílias indefesas

Nampula (IKWELI) – Os conflitos de terra na cidade de Nampula, maior autarquia do norte de Moçambique, estão cada vez mais evidentes, estando a criar consequências desastrosas, e na semana passada mais de 100 casas de construção precária foram queimadas na zona de Maruma, no bairro de Namutequeliua.

As vítimas ocupam os espaços há mais de 4 anos, mas o Estabelecimento Penitenciário Feminino de Nampula, reivindica a titularidade do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT), por isso a direcção ordenou que as casas fossem queimadas.

Os moradores exigem o ressarcimento pelos danos causados, e exigem intervenção de quem de direito, porque contam que quando chegaram ao local era apenas uma mata subaproveitada.

Por outro lado, os lesados lamentam a forma como a instituição agiu sem, no mínimo, dar um pré-aviso e tempo para que as famílias abandonassem o local.

A senhora Anifa Formiga é uma mãe que ocupa um dos espaços em litígio há 4 anos, e com a queima da sua casa o desespero tomou conta dela.

“Nós começamos a viver aqui em 2016. Agora nesse 2021 estamos a ver alguns objectos, como demarcação destes espaços e construção de quintais. Agora a partir de Sexta-feira estamos a ver pessoal da polícia a vir aqui e a mandar demolir nossas casas sem sequer avisar-nos”, conta esta entrevistada, que prossegue que “nós pedimos a eles o favor de retirarmos os nossos bens, mas eles não nos deram ouvido, única resposta que saiu da boca deles foi: “calem vossas bocas”, e eles começaram a demolir essas nossas casas junto com os nossos pertences lá dentro”.

“Estamos preocupados e a chorar por causa disso”, disse a mesma fonte, que esclarece que “estamos há 4 dias que não apanhamos sono tranquilamente, e não nos alimentamos como deve ser, porque não estamos a ver onde cozinhar para comer e nem dormir, porque onde nós cozinhávamos e dormíamos é aí onde já está destruída”.

Uma das vítimas está ciente que ocupavam ilegalmente os espaços, mas não esperava tamanha actuação desumana por parte do Estabelecimento Penitenciário Feminino de Nampula, sobretudo porque não os avisaram com antecedência para que pudessem proteger os seus bens.

“Esse espaço nós invadimos em 2016 e construímos essas nossas casas, e vivemos até a última sexta-feira do corrente mês de Novembro 2021, antes dos agentes virem e demolir as mesmas”, disse esta fonte que não quis revelar o seu nome, a qual reconhece que “nós invadimos porque não tínhamos dinheiro e nem espaço para construir as nossas casas, esse espaço era de um português de nome Baptista, que vivia aqui com os seus animais, e quando ele perdeu a vida este terreno ficou a responsabilidade da população e as mesmas faziam aqui as suas machambas”, por isso “como nós vimos que isso é só mato preferimos vir construir nossas casas. Eu vivia aqui com minha família, minha mulher, meu irmão, a esposa do meu irmão e nossos filhos, assim não sei onde vamos viver, estamos aqui no sol desde o dia que vieram destruir essas casas, eu só peço que o governo arranje um lugar para nós vivermos”.

Nem todos os moradores que viram suas casas irem abaixo vivem de graça nos mesmo espaço, tal como uma fonte que garantiu ter comprado o terreno onde estava a viver. “Aconteceu de repente”, refere esta fonte, apontando que “no momento em que não estávamos preparados psicologicamente, e nem sequer financeiramente, que haveria de acontecer uma tragédia do tipo. Consegui o espaço aqui porque estava a viver em casa de um amigo e o mesmo disse minha mãe tem um espaço que está a vender, eu cheguei nesse local e vi o espaço, gostei, procurei algum valor e comprei o espaço”.

Por outro lado, este entrevistado conta que depois de adquirir o espaço começou a erguer a sua casa, mas “os homens da cadeia feminina chegaram e nos chamaram atenção, dizendo que não era para construir neste espaço. Isso entre 2017 e 2018, depois do aviso eles foram e voltaram num outro dia, com uma outra ideia dizendo que a partir deste riacho, que era o limite que os mesmo puseram, nós não deveríamos mexer, mas esse ano 2021, estamos a ver eles a virem com uma outra ideia que nos surpreendeu”.

Por fim, o nosso interlocutor contou que “de repente, começamos a ver chuva de tiros de um lado para outro, e os reclusos deles não nos davam tempo nem se quer de tirarmos nossos pertences de dentro, e estragaram vários bens das pessoas, e assim não sabemos onde vamos terminar, não tenho uma outra casa e aqui eu vivia com cerca de 4 pessoas que é a minha família”. (Hermínio Raja)

Campanha agrária 2021/2022: Nampula prevê aumento da produção em mais de 7%

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, uma das maiores produtoras agrícolas do país, prevê um aumento da produção, na campanha agrária 2021/202, na ordem dos 7.4%, cujo lançamento teve lugar na última sexta-feira (12).

Segundo as autoridades governamentais da mais populosa província do país, este aumento, em termos concretos, representa uma produção estimada em mais de 11 milhões de toneladas de produtos diversos, dentre alimentares e de rendimento.

Manuel Rodrigues, governador de Nampula, foi a figura que liderou o lançamento da campanha no distrito de Meconta, e na ocasião mostrou-se optimista e confiante, justificando-se pela boa previsão na queda regular das chuvas, fonte principal do recurso água usado na produção agrária naquele ponto do país.

De acordo com o governante, o prognóstico é associado não só pelos factores físico ou naturais, como também pelo investimento e maior atenção que o governo presta ao sector agrário no país e na província de Nampula, em particular, com destaque para a disponibilização de insumos agrícolas e a assistência técnica nos campos de cultivos em todos os 23 distritos.

“Queremos uma agricultura envolvente e mais participativa entre jovens e adultos, entre homens e mulheres, orgulhando os seus praticantes e que sonhem em atingir níveis mais altos”, referiu o chefe do Conselho Executivo Provincial de Nampula, recordando que para a presente campanha iniciada, e no âmbito do programa SUSTENTA, foram admitidos 219 extensionistas, passando a província a contar com 525 técnicos que irão assistir um total de 114.852 produtores, nesta circunscrição geográfica.

Entretanto, Manuel Rodrigues recorda os fenómenos que na campanha agrária transacta condicionaram a prática da agricultura na maior parte dos distritos, dentre os quais, a lagarta do funil de milho, gafanhoto, podridão radicular da mandioca, entre outros que atacam as culturas. E como resultado, de acordo com o governante, cerca de 37.830 hectares de produção ficaram afectadas pelos fenómenos.

“É motivo não só, de se sonhar mais alto, mas também acreditar nas nossas capacidades de virmos a atingir um crescimento de produção nesta campanha que hoje lançamos na ordem de 7,4 por cento, o que equivale dizer que a próxima campanha agrária promete ainda mais. Queremos o volume a aumentar, já atingimos cerca de 11 milhões de toneladas e vamos crescendo, porque nós queremos chegar até aos 12, 14 e porque não 20 milhões de toneladas de produtos diversos, porque Nampula provou que é uma província que tem recursos humanos com capacidade e força e terras aráveis”, desejou.

Para o efeito, aos produtores, Manuel Rodrigues prometeu envidar esforços junto do seu executivo, no sentido de garantir a disponibilização de insumos agrícolas, nomeadamente, sementes melhoradas, tractores, pesticidas para o combate às pragas, bem como a assistência aos produtores pelos técnicos extensionistas existentes no sector da agricultura e pescas na província.

Ademais, “os pequenos agricultores e comerciantes emergentes já falam de quantidades que irão, de forma muito mais rápida, introduzir em termos da sua produção para que possam nos pôr a uma reflexão sobre a implementação efectiva da componente de agro-processamento. Nós queremos começar a processar maior parte dos nossos produtos aqui em Nampula para podermos, primeiro, valorizar o esforço dos produtores e, em segundo, a nossa produção seja valorizada e colocada no mercado nacional e internacional, o que poderá contribuir no aumento da renda familiar”, acrescentou.

Na ocasião, o governante apontou a falta da definição de preços que sejam sustentáveis, por um lado, e que compensem os esforços e motivem os produtores. Outrossim, apela à firmeza no combate à especulação e contrabando dos produtores agrícolas diversos, com maior destaque para a castanha de caju, uma das culturas bandeiras da província de Nampula e de maior rendimento económico em Moçambique. (Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)

Terroristas matam 3 civis em Macomia

Macomia (IKWELI) – Pelo menos três pessoas foram mortas durante um ataque terrorista ocorrido na noite da última sexta-feira (12), na aldeia Nanjaba, a 16 quilómetros da sede do distrito de Macomia, província de Cabo Delgado.

“Uma das vítimas conheço, era um vizinho na minha machamba, também outras duas pessoas morreram, a situação agora está complicada”, disse uma fonte ao correspondente do Ikweli na vila de Macomia.

De acordo com relatos, das três pessoas, duas morreram carbonizadas, sendo um deles um idoso e a outra foi atingida por tiro, quando tentava fugir.

Segundo informação apurada no local, os terroristas vieram do lado de Mucojo-sede, roubaram bens da população e algumas pessoas estão desaparecidas, acreditando-se que foram raptadas.

Poucos mais de 20 palhotas da população, que basicamente vive da agricultura, foram, também, queimadas.

E na aldeia V Congresso, durante a semana passada, terroristas que durante dois dias fustigaram a região mataram uma pessoa. (Redação)

Nangade: Militar espanca cidadão por negar-lhe cigarro

Nangade (IKWELI) – Um militar das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), afecto a uma das unidades destacadas no âmbito do esforço do combate ao terrorismo, espancou um cidadão até ficar inconsciente na vila de Nangade por ter lhe negado um cigarro.

A vítima, de mais de 30 anos de idade, é residente daquele ponto da província de Cabo Delgado, e testemunhas no local contam que “o caso ocorreu na tarde da última segunda-feira (8)”, e que “o militar pediu o cigarro sem modos e com tendência de ameaças”.

Depois de ter sido agredido, o cidadão em causa manteve-se estatelado no local e debaixo de sol escaldante, até que a família o veio recuperar.

Refira-se que está não é a primeira vez que militares são indiciados de maus-tratos contra civis naquele distrito do norte de Cabo Delgado. (IKWELI)

Nampula: Acidentes de viação causaram mais de 50 óbitos em 9 meses

Nampula (IKWELI) – Durante os primeiros nove meses do corrente ano, pelo menos, cinquenta e duas (52) pessoas perderam a vida nas diferentes estradas da província de Nampula, vítimas de acidentes de viação.

Este número de óbitos consta dos dados da Polícia da República de Moçambique (P.R.M), através do ramo da Polícia de Trânsito (P.T), no comando provincial de Nampula, resultado de um registo feito entre os meses de Janeiro e Setembro do presente ano, onde embora reduzido o número de acidentes quando comparado com igual período do ano passado, ainda constitui preocupação às autoridades policiais.

O fenómeno é considerado como sendo um dos grandes problemas social e económico da região, ao se ter em conta das vítimas mortais que tem causado no seio das famílias.

Segundo a Polícia, a maioria dos acidentes são do tipo despiste e capotamento, choque entre carros, choque entre carro e motorizada, embate entre carro e objectos fixos, os quais são provocados por excesso de velocidade, condução em estado de embriagues, não observância das regras elementares de trânsito, ou então debilidade do ponto de vista mecânico dos automóveis.

Em torno disso, o Ikweli dirigiu-se ao Comando provincial da P.R.M, no departamento da Polícia de Trânsito, onde entendemos que acções estão a ser feitas com vista a reduzir o índice de sinistralidade, na região. Porém, há que se reinventar mais para o efeito, ao considerar o comportamento dos actores chaves, com destaque para os automobilistas e os agentes reguladores de trânsito.

“O trabalho da Polícia de Trânsito é de educar todo utente da via, fiscalizar e sancionar os infractores das regras de trânsito. Igualmente, nos postos de controle a polícia tem uma missão de fiscalizar todos os autocarros que saem e entram na província de Nampula”, explicou Salvador Isaquiel Demande, chefe da Secção de Instrução e Educação na Polícia de Trânsito.

Portanto, “em termos de sinistralidade na província de Nampula registamos, durante os nove meses do ano em curso, 36 acidentes de viação contra 56 de igual período do ano passado, que tiveram como consequências, 52 óbitos contra 74 do período comparado”, igualmente, “52 e 59 cidadãos ficaram grave e ligeiramente feridos, respectivamente, contra 51 e 43 do período comparado de 2020”, informou a fonte para depois referir que um número significativo de danos materiais avultados e ligeiros foram registados decorrentes dos acidentes em alusão.

No meio disso, Demande denunciou à nossa equipa sobre a existência frequente de violadores das regras de trânsito, o que contribui significativamente na ocorrência de sinistros. Contudo, “a pessoa está para educar, mas como último recurso é a responsabilização destes por via de aplicação de multas dependendo da infracção”.

Nesta que é a província mais populosa do país, a corporação mapeou os principais pontos onde ocorrem acidentes de viação, destacadamente na Estrada Nacional Número Um (EN1) na zona de Nacarôa, Netia (Monapo), Santa Filomena (Meconta), Cazuzo (distrito de Murrupula), Carrapira, no troço Rapale/Ribáuè, entre outras, sem deixar detrás, as avenidas de e ruas da cidade capital provincial.

Igualmente, a falta de uma escola de condução específica para motociclistas é apontada, pela nossa fonte, como sendo um dos factores que faz com que haja acidentes envolvendo automobilistas e motociclistas nesta parcela do país.

“Os motociclistas não têm nenhuma escola de formação, porque para conduzir um meio tem de passar de uma escola. Os que conduzem carros na sua maioria passam de uma escola, embora não obedeçam algumas regras de trânsito. Se tivesse uma escola de formação para estes poderíamos dizer alguma coisa contrária a esta, apenas agora temos a dizer que não têm conhecimento das regras de trânsito quando se fazem à via pública”, referiu.

A dor nas famílias

José Alberto Júnior é jornalista baseado na cidade de Nampula, a capital da mais populosa província do país. Júnior é uma das pessoas que não guarda boas lembranças quando se fala de sinistralidade, tampouco se atreve em aventuras de excesso de velocidade, superlotação nas viaturas e condução em estado de embriaguez por temer consequências advindas destas práticas.

Foi na manhã do dia 1 de Setembro de 2016 que Júnior, em companhia de seus colegas de trabalho fazia-se transportar numa viatura de marca Toyota Regius com destino para o distrito portuário de Nacala, para mais uma actividade de cobertura jornalística. Entretanto, chegados na zona de Carrapira, distrito de Monapo a viatura capotou, causando quatro óbitos, dentre os quais, três jornalistas e o motorista da viatura. E dos feridos graves nesse acidente, infelizmente, o nosso entrevistado não escapou.

“Falar do acidente ocorrido a 1 de Setembro as memórias continuam frescas nas nossas mentes, principalmente na minha, não guardo boas lembranças devido a forma em que o acidente aconteceu, apesar de que ainda estamos vivos e gozando, aparentemente de boa saúde. Mas eu, principalmente, não consigo apagar aquele sinistro”, recordou José Alberto Júnior, para quem ficou hospitalizado durante um mês na maior unidade sanitária da região norte, Hospital Central de Nampula, período em que ficou cerca de 10 dias inconsciente e a receber cuidados médicos intensivos.

“Em termos do ocorrido já não me recordo em detalhes, eu fiquei inconsciente no momento de tumultos, quando a viatura estava a virar não me recordo de nada”, referiu a vítima.

Um facto não menos importante que o nosso interlocutor destaca é o comportamento de algumas pessoas que acorrem ao local de acidente, que no lugar de prestar primeiros socorros, cingiram-se na recolha de bens materiais das vítimas, o que acelera a morte de quem sofreu o sinistro, no entender da fonte. Diante disso, exorta as pessoas a pautarem pelo civismo e ter um lado humano, de maneiras que seja valorizada e colocada em prioridade a vida humana.

Tal como Júnior, o Ikweli entrevistou Celestino Manuel que perdeu o seu pai no ano de 2000, na província de Cabo Delgado, vítima de acidente de viação ocorrido na região de Metoro, distrito de Ancuabe quando este dirigia-se ao distrito de Montepuez para mais uma missão de trabalho, naquela circunscrição geográfica.

Em entrevista, Celestino recorda que “falar de acidentes de viação não guardo boas recordações, é um assunto dramático que, por conta disso, perdi o meu pai em 2000. Ele ia em missão de serviço para Montepuez, quando chegaram na localidade de Metoro o carro capotou e, infelizmente, o meu pai foi o único que morreu no local, enquanto outros seus colegas contraíram ferimentos graves que levou alguns a amputar os seus membros superiores e inferiores, foi triste”.

O seu falecido pai que em vida respondia pelo nome de Manuel Reteva era militar, chefe de família e que representava um meio de sucesso na família. Contudo, o tempo escasseou-se para o senhor Reteve e morreu vítima de um acidente, facto que marcou a família até aos dias de hoje.

Celestino refere que quando ouve falar de um sinistro fica comovido pela situação, dada a sua fatalidade. Para este, o comportamento humano é essencial para se evitar a ocorrência de um acidente, para além da situação mecânica das viaturas, bem como a qualidade das vias de acesso que algumas não estão em condições, no seu entender.

“Nós podemos sim sensibilizar as pessoas, não exceder o limite de lotação, não conduzir em estado de embriaguez entre outras ideias, porém, quando estes entram na via não observam ou acatam as recomendações. Contudo, quando acontece acidente perde a vida alguém que era confiado na família, são sonhos perdidos, são crianças que podem perder a escola e muita coisa que pode ser considerada. Então, nunca é demais os condutores observarem as regras de trânsito”, lamentou.

Numa outra abordagem, a nossa fonte aponta a debilidade do sistema no acto da fiscalização, com maior destaque para os agentes reguladores de trânsito e avança que “há muita corrupção. Se a Polícia de Trânsito trabalhasse como deve ser, acredito que teríamos casos reduzidos porque estancar é que não, ao considerar também outros factores. Estariam a evitar sangue nas estradas, mas há muita corrupção”, exemplo disso é que “os transportadores inter-distritais quando se fazem aos seus destinos superam a lotação de passageiros, bem como a de carga, mas essa mesma viatura passa pelos vários controles que existem. Então a questão que se coloca é, o que é que acontece nesses controles para o automobilista junto do seu ajudante passar neles? Lá rola muita corrupção”.

Dados oficiais indicam o registo de 119 acidentes de viação em 2020, contra 121 do ano anterior 2019, o que representa uma redução de dois acidentes. Ou então, nos últimos cinco anos tende a reduzir o número de acidentes de viação em Nampula, ao passar de 283 em 2015 para 119 em 2020, ficando na quarta posição de sinistralidade rodoviária no país, depois de Maputo Cidade, Gaza e Maputo Província.

No contexto geral, o índice de gravidade de acidentes aumentou no país, no intervalo de 2018 a 2020, em cerca de 23,6% óbitos em cada 100 acidentes, facto que continua a preocupar as autoridades do governo e a sociedade civil.

A situação de acidentes de viação também preocupa ao Centro de Integridade Pública (CIP) que, em 2014, publicou resultados de uma pesquisa sobre a sinistralidade, no âmbito do jornalismo investigativo, tendo concluído que a corrupção na Polícia, no Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO), nas escolas de condução, nos centros de exames médicos, na Polícia Municipal e nos centros de inspecções de veículos constitui um dos factores principais da si­nistralidade rodoviária em Moçambique. (Esmeraldo Boquisse)

Um bengali tentou sem sucesso ser moçambicano

Nampula (IKWELI) – Um cidadão de nacionalidade bengali tentou, sem sucesso, obter um Bilhete de Identidade moçambicano, recorrendo, para o efeito, a uma certidão de nascimento falsificada.

O facto ocorreu nesta quarta-feira (10), e o indivíduo de 28 anos de idade diz ser comerciante de produtos agrícolas, sobretudo a castanha de caju, milho e feijão bóer. Vive na cidade de Nampula, no bairro de Napipine, desde 2012.

Já nas malhas da Polícia da República de Moçambique (PRM), o indivíduo conta que um amigo seu convenceu-lhe a adquirir a nacionalidade moçambicana de forma fraudulenta, por isso recorreu a falsificação do documento em causa.

Este não é o primeiro caso em que os Serviços de Identificação Civil interceptam documentos falsos para obtenção do BI moçambicano, e em todos os casos os autores contam que foram persuadidos por cidadãos nacionais.

“Alguém me enganou para tratar um bilhete de identidade moçambicano, é um amigo de lá do bairro. Ele tratou de me convencer e eu achando que seria o caminho fácil como ele, também, disse, cai na sua armadilha”, conta o indiciado, prosseguindo que “a pessoa conseguiu certidão de nascimento, deu-me e orientou-me que fosse ao registo para então tratar o bilhete de identidade. Mas quando lá cheguei, depois de me apresentar fui questionado muita coisa e fiquei detido até esta altura que estou na polícia”.

O bengali disse estar ciente da via ilícita que usou para adquirir a nacionalidade moçambicana, mas não sabia que se tratava de certidão falsa que o seu amigo lhe facilitou, daí lamenta por terminar no estado em que está. Ademais, o indiciado confessou ao Ikweli que a garantia era de pagar 10.000,00Mt (dez mil meticais) ao seu amigo depois de este conseguir ter B.I moçambicano, porém, tudo falhou.

“Trata-se de um cidadão segundo as suas declarações de nacionalidade bengali que apresentou-se no posto de atendimento sede, portando uma certidão de nascimento lavrada pela conservatória do registo civil do distrito de Mogovolas. Fizemos uma triagem normalmente onde constatamos algumas suspeitas no documento, interagimos com ele e vimos que tratava-se de uma certidão falsa”, informou Martinho Salimo, chefe do departamento de identificação civil, afecto no Serviço Provincial de Identificação Civil, em Nampula.

Em exclusivo ao Ikweli, Martinho Salimo deu a conhecer que durante a triagem o bengali ]confessou o seu nome verdadeiro, diferente do que constava na certidão, facto que levou a condução imediata do indivíduo à 1ª Esquadra da polícia, onde seguem os trâmites legais para a responsabilização pelo acto supostamente cometido.

“O que temos a dizer, neste momento, é que tratava-se de uma tentativa de pedido de emissão de um bilhete falso”, igualmente, “ao que tudo indica é que há envolvimento de outras pessoas, uma vez que ele afirma que foi facilitado, daí que temos de entender e confirmar se se trata de funcionário. Vamos ainda conferir a certificação do número do assento a partir dos meios usados para a falsificação do documento”, concluiu Martinho Salimo, chefe do departamento de identificação civil, afecto no Serviço Provincial de Identificação Civil, em Nampula.

Recorde-se que este é o terceiro caso de falsificação de certidão de nascimento que as autoridades despoletam envolvendo cidadãos de nacionalidade estrangeira, em Nampula. Dentre os casos registados, os últimos dois acontecem em menos de um mês, sendo que o penúltimo foi reportado no dia 14 de Outubro último, no Serviço Provincial de Identificação Civil, envolvendo uma cidadão de nacionalidade guineense, residente até a data da sua detenção, na capital provincial de Nampula. (Texto: Esmeraldo Boquisse.  *Foto: Hermínio Raja)

PRM apreende maior quantidade de droga de todos os tempos em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, fez apreensão na última terça-feira (09) de uma quantidade não especificada de drogas que estava sendo comercializada numa residência localizada no bairro urbano central, concretamente na Rua Filipe Samuel Magaia (Rua das Flores) na cidade de Nampula.

Trata-se da maior quantidade de estupefacientes apreendida na história das operações das esquadras policiais em Nampula. Das drogas, ora apreendidas, destaca-se canábis sativa (suruma), metanfetamina, “touro”, bolinhos feitos a base chocolate, entre outros tipos não especificados.

Contrariamente as anteriores apreensões, desta vez foi possível se interpelar os proprietários das drogas, que com o seu auxiliar encontram-se sob custódia policial. Aliás, a elevada quantidade de droga, como adjectiva a corporação, foi flagrada a ser comercializada na residência do alegado proprietário do produto.

“Esse produto foi apreendido na posse de um cidadão na Avenida Filipe Samuel Magaia, vulgo rua das Flores, área de jurisdição da 1ª Esquadra. Foi um trabalho que a 1ª esquadra vem levando há um mês no processo de investigação e ontem (dia 9 de Novembro de 2021) no período das 16 às 24 horas a 1ª Esquadra conseguiu apreender esse produto e a detenção de dois indivíduos que estiveram directamente conectos ao produto”, começou por dizer Zacarias Nacute, Porta – voz da PRM em Nampula.

“Em termos de quantidade ainda não foi especificada, mas podemos afirmar que do trabalho feito a nível de Nampula esta é a maior apreensão numa esquadra”, destaca Nacute, para quem “damos parabéns a nossa PRM por tirar em circulação esse produto que é bastante nocivo a saúde dos nossos cidadãos ao nível da província”.

Nacute não veda a possibilidade de existirem outros focos de comercialização e consumo de estupefacientes a nível da província mais populosa de Moçambique, mas “o que a polícia teve foi uma investigação sobre um foco de venda de canábis sativa e outros tipos de estupefacientes e acreditamos nós que esse era o fornecedor de outras bocas a nível da nossa cidade de Nampula, daí que acreditarmos termos estancado em grande medida a venda e consumo de drogas ao nível da nossa província”.

Segundo garantias daquele porta-voz, “esse trabalho irá continuar até que a PRM possa sentir de que o comércio de drogas e todos outros produtos do tipo estupefaciente não sejam mais efectivos ao nível da nossa província”.

 

A droga veio de Maputo

O suposto proprietário da referida droga nega o seu envolvimento e avançou que o produto parou na sua residência em resultado de uma encomenda vinda de Maputo, a mando do seu conhecido que identificou como Afonso.

“Estou detido porque foram apanhadas algumas caixas na minha casa. As caixas estavam seladas por isso não sabia o que se tratava. As caixas vieram do Maputo, quem trouxe é um senhor de nome Afonso. Eu não sabia o que tinha lá dentro, quando trouxe era para fazer entrega, depois ia-me dar a orientação. Se soubesse do que se tratava acho que a recompensa podia ser maior”, abreviou o alegado proprietário, cuja identidade omitimos.

“Ainda não sei dizer porque estou detido”, começou por se posicionar J.M.B, jovem que facilitava o processo de entrega do estupefaciente aos respectivos clientes. “Eu aceitei trabalhar como um guarda – segurança numa casa que pertence ao senhor que está detido comigo”, prosseguiu a fonte, para quem “na minha íntegra o que eu queria era fazer o trabalho e seguir o que o patronato dizia, o que me entregavam para dar alguém fora eu nunca quis saber o que se tratava, apenas levava e entregava (aos clientes). Não podia negar o que era mandado porque são meus patrões”, referiu.

“As pessoas que eu entregava não conheço e não sei dizer a sua nacionalidade, mas só sei dizer que eram pessoas que têm condições porque vinham de carro, as duas pessoas”, precisou a fonte. (Constantino Henriques)

Líderes comunitários dispostos a combater uniões prematuras em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um total de 30 líderes comunitários do distrito de Nampula, no norte de Moçambique, reassumiu o compromisso de continuar a liderar a luta contra as uniões prematuras que destroem o tecido social das suas circunscrições.

Na manhã desta terça-feira (9), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla inglesa) arrancou com um treinamento sobre nutrição e uniões prematuras, cujo grupo-alvo são líderes comunitários.

A ideia, segundo Baisamo Marcelino, coordenador do UNICEF em Nampula, é doptar as lideranças com conhecimento para fortalecer as suas capacidades no combate a estes males, bem como no melhoramento do sistema de saneamento do meio.

“Essa capacitação demostra, mais uma vez, este compromisso com o Governo que é de melhorar o bem-estar das populações, em especial as crianças. Olhando alguns dados estatísticos, nós temos mais de 12 milhões de moçambicanos a viverem de baixo da linha da pobreza, e cerca de 40% representa crianças e adolescentes”, disse a fonte.

Marcelino está convicto que o treinamento é importante, por ser “um processo que vai permitir que cada um de nós possa a dar o seu máximo para podermos inverter este processo, e não há dúvidas que a liderança comunitária poderá contribuir para o bem-estar das comunidades, para que o país possa atingir as suas metas socioeconómicos”.

Por seu turno, os líderes deixaram claro que o compromisso está reassumido, e que o treinamento é de vital importância porque vai garantir que os conhecimentos sejam refrescados e que regressados as comunidades o combate a uniões prematuras continue.

“’Eu sou Líder comunitário do bairro Napacala, Localidade de Anchilo, o que eu espero desta capacitação é de ouvir uma boa mensagem para eu ir transmitir, para minha comunidade”, disse o líder Alberto Mucatatiha, prosseguindo que “os temas são bons e interessantes, para as raparigas e crianças das nossas comunidades que casam, sem ter os seus 18 anos de idade”,

O líder Simão Júlio diz que na sua comunidade, em Murrapaniua, não há casos de uniões prematuras actualmente, em resultado das campanhas de sensibilização que tem sido promovido na circunscrição.

“Na minha comunidade não há casos e nem números alarmantes de casamentos prematuros”, apontou este líder, justificando que “eu criei alguns grupos de ativistas que é para expandir e divulgar essas situações de uniões prematuras”.

Júlio está ciente que as uniões prematuras constituem um perigo para a sociedade, porque “está a nos colocar em perigo, e o futuro das nossas crianças, também”.

O Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, procedeu a abertura do evento, e aproveitou o momento para apelar as lideranças comunitárias no sentido de não vergarem na luta contra o fenómeno das uniões prematuras. (Hermínio Raja)

Comunidade e escola disputam espaço em Namuatho B

Nampula (IKWELI) – Os moradores da comunidade de Namuatho B e a direcção da Escola Primária Completa local estão de costas voltadas, em resultado da disputa de um espaço de terra que cada parte reivindica titularidade.

O conflito remota de 2019, e em causa está o quarteirão três, sendo que a antiga directora da EPC de Namuatho B lidera a expulsão da população do espaço em referencia. No local, alguns moradores ergueram as suas casas e ocupam a terra de boa-fé.

Segundo apurou o Ikweli os moradores estão desesperados, e dizem que nunca foram esclarecidos que o espaço pertence a escola.

Ângelo Alaneque é pai e residente em Namuatho B há mais de 25 anos. Ele conta que, antes da instalação da escola, a zona era habitada e pertencente à missão católica que por motivos religiosos movimentou pessoas para residirem no espaço e, consequentemente, muitos foram baptizados e de seguida casados pela igreja e construíram as suas famílias naquela região.

“Quando os nossos pais e avós perderam a vida, nós, os filhos já crescidos, ficamos a viver nas terras dos nossos antepassados, fizemos as nossas famílias até esta altura em que estamos a ser forçados a abandonar o local sem nenhuma indemnização por parte de quem nos manda embora”, contou Alaneque.

A fonte deu a conhecer ainda que nesta senda, a antiga directora da escola forçou os moradores a abandonarem os espaços, tendo prometido atribuir uma porção de terra de cerca de 10 a 15 metros de dimensão para estes erguerem as suas habitações na zona próxima do rio que se localiza naquela região. No entanto, a proposta foi recusada devido a tamanha redução do espaço atribuído e por se tratar de uma área localizada nas margens de um rio.

“Nós estamos a ser enxotados com a directora da escola junto com o seu presidente da escola. Ela disse que temos de sair no espaço escolar para ocuparmos um outro espaço, perto do rio, onde ela demarcou 10/15 para os abrangidos. Porém, nós recusamos porque somos muitos e as dimensões que nos seriam atribuídas são muito reduzidas, até porque é próximo do rio”, e mais, “temos conhecimento de que chegou um cidadão chinês que pretende comprar o espaço em conflito. O suposto comprador contactou com a directora e fizeram o acordo, e para o efeito tinham de encontrar uma forma de nos retirar sem nenhuma compensação, daí que a alegação foi de que o terreno pertence a escola de Namuatho B”, acrescentou Tomás Salvador, outro morador entrevistado pela nossa reportagem.

No meio das alegações que apontam a direcção da escola, os moradores que se dizem vítimas garantem que não vão facilitar o processo, até que haja intervenção de quem de direito para solucionar o problema. Em suma, “como moradores desta zona desde há muito tempo não aceitaremos isso. Não queremos sair daqui sem nenhuma coisa que pode nos moralizar. O que queremos é a intervenção do município de Nampula, fazer a demarcação e a respectiva atribuição aos nativos”, rematou.

Outra informação avançada pelos residentes é que nunca foram auscultados sobre o facto até à data em que começaram as ameaças em Novembro de 2019, por parte da referida directora da escola. Ademais, a mesma directora acusa os moradores de a ameaçar de morte caso ela (a directora) insista na retirada daquela população que não aceita abandonar sem remuneração.

“O que nos preocupa é que não há esclarecimento sobre o que se pretende com este espaço onde estamos a ser retirados. E mais, nós sabemos que o presidente da escola construiu uma casa de raiz no mesmo espaço da escola, mas quem deve sair somos nós, isso é mau”, lamentou Daúto Alberto, outro lesado que acrescenta que em resultado desse caso um dos moradores foi vítima pela acção policial o que culminou com a detenção de um munícipe.

“Por causa desse assunto de terreno foi movimentado um contingente da polícia liderado pelo comandante distrital de Nampula e o chefe do posto policial da FAINA para aquele local. O que aconteceu é que recebemos uma convocatória pelo presidente da escola de que tínhamos de participar uma reunião, entretanto, quando lá chegamos deparamo-nos com uma Mahindra cheio de agentes da polícia, o que nos preocupou, uma vez que não houve agressão. Por causa disso, duas pessoas ficaram detidas no posto policial da FAINA”, denunciaram os moradores da unidade comunal de Namuatho B, bairro de Mutauanha, arredores da cidade de Nampula.

Uma informação não menos importante é que, quando nos dirigimos a direcção da EPC de Namuatho B para ouvir a contraparte, tomamos conhecimento de que a referida directora que tentou desalojar aquelas famílias foi substituída por um novo director. Entretanto, este novo director disse não ter informações claras sobre o assunto, daí viu-se na impossibilidade de reagir em torno do conflito. (Esmeraldo Boquisse)

Membros das forças locais detidos em Muedumbe por roubo de painéis solares de unidades sanitárias

Pemba (IKWELI) – Pelo menos cinco indivíduos, identificados como membro de uma força local (constituída por combatentes da luta de libertação nacional), no distrito de Muedumbe, em Cabo Delgado, foram detidos pela Polícia da República de Moçambique (PRM) indiciados de roubo de painéis solares que garantiam energia em instituições públicas localizadas na vila sede.

A detenção teve lugar no dia 2 de Novembro, e a acusação enumera o roubo de sete painéis solares e baterias nos centros de saúde de Ntchinga e Namacande.

O grupo foi, mais tarde, transferido para a vila sede do distrito de Mueda, onde, também, terão confessado que a “operação” envolve outros companheiros, os quais, nas casas abandonadas, retiravam bens deixados para trás pelas vítimas do terrorismo. (IKWELI)