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Fome mata mulher de 50 anos em Mogovolas

Nampula (IKWELI) – Uma mulher, que se presumi ter cinquenta anos de idade, perdeu a vida na semana passada no distrito de Mogovolas, na província de Nampula, no norte de Moçambique, sendo a fome apontada como a principal causa do óbito.

A informação foi tornada pública nesta segunda-feira (08) pelo Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula, através do respectivo porta – voz, Zacarias Nacute, durante a habitual actualização semanal sobre os trabalhos operativos da corporação, referente a semana de 29 de Outubro a 4 de Novembro do ano em curso.

Zacarias Nacute não avançou a identidade da vítima nem o local específico onde residia a referida senhora, porque, segundo disse, a informação que recebera dos seus colegas em Mogovolas não trazia detalhes.

“Durante a semana em causa tivemos um caso de corpo sem vida. Tratou-se de uma cidadã de 50 anos de idade e após fazer-se exames cadavéricos presumiu-se que tenha perdido a vida por casos naturais, particularmente, por causa da fome”, começou por informar Zacarias Nacute, porta – voz da PRM em Nampula.

Quando questionado se a referida senhora vivia sozinha ou não, Nacute respondeu que “até o momento que foi elaborado este relatório a informação que a polícia tinha era só de uma senhora que se encontrava sozinha no local, por sinal na sua residência onde acabou perdendo a vida por conta da fome. Não houve outros detalhes sobre o caso, porque após a tomada de conhecimento do caso a polícia removeu o corpo a morgue para que pudesse conservar o corpo até que se ache alguém responsável ou então possa-se proceder com outras acções que são propriamente dirigidas através do hospital local”.

“Sempre que há corpos sem vida, a equipa da PRM vai acompanhada pelos membros do SERNIC e da medicina legal onde logo a prior faz-se o exame cadavérico daí que presumisse que tenha perdido a vida por causa da fome”, reiterou a fonte.

Por outro lado, quando confrontado pelos jornalistas em Nampula sobre se Mogovolas voltou a registrar bolsas de fome, Nacute foi cauteloso na resposta e precisou que “a polícia lida mais com questões de ordem e segurança pública. Essa é uma questão que nos foi facultada através dos médicos legistas, porque a polícia não tem formação para determinar o óbito, então existem equipas competentes para isso que foram eles que determinaram que presumivelmente tenha perdido a vida por conta da fome e é isso que nós constamos nos nossos relatórios porque os especialistas da área é que nos informaram. Agora quanto outras questões não estou capacitado para dizer”.

Outras incidências da semana passada

Durante a semana em alusão, Zacarias Nacute fala da detenção de quarenta e dois (42) indivíduos por seu envolvimento em diversos actos criminais perpetrados toda província.

“Quanto a resposta policial face a incursão dos criminosos a nível da nossa província, 42 indivíduos foram detidos destes oito estiveram envolvidos nos crimes registados ao nível da semana e os restantes nas diversas operações levadas a cabo pela força, onde podemos destacar três cidadãos que foram encontrados na área da quarta esquadra (na cidade de Nampula) com diversos bens de proveniência duvidosa e um cidadão na província de Rapale que foi neutralizado na posse de uma nota de mil meticais (1000.00MT) falsa. Dos bens recuperados temos a destacar uma motorizada, um computador e dois televisores e outros diversos bens de género alimentícios e de vestuário”, disse Nacute.

“No cumprimento do plano operativo que visam a garantia da ordem e tranquilidade públicas em várias áreas, contando a segurança pública propriamente dita, investigação criminal e a circulação de estrangeiros na nossa província, seiscentos e setenta e quatro (674) cidadãos foram interpelados desses nove cidadãos de nacionalidades estrangeiras diversas”, referiu a fonte que, inclusive, fala da morte de um cidadão no distrito de Malema, vítima de ataque pelo crocodilo, assim como uma menor de seis anos que morreu no distrito de Nacala-a-velha, vitima de afogamento.

Ainda na semana passada, em conformidade com PRM em Nampula, houve o registo de dois acidentes de viação, ocorridos nos distritos de Nampula e Nacarôa. Aponta-se como causa dos referidos acidentes. Trata-se dos acidentes do tipo atropelamento carro – peão, e o choque da viatura contra obstáculo fixo. Apontam-se como causa dos sinistros, a deficiência mecânica e excesso de velocidade. (Constantino Henriques)

Banco de Moçambique: Há contrabando de castanha de caju em Moçambique

Nampula (IKWELI) – O Banco de Moçambique (BM), que esteve reunido na semana passada em 46° Conselho Consultivo na cidade de Nampula, fez saber que há contrabando da castanha de caju no país, em consequência da debilidade do sistema de comercialização desta cultura de rendimento.

O banco emissor chega a esta conclusão em resultado de um estudo realizado a propósito, o qual aponta para um nível acelerado de produção em Nampula, por sinal a que ocupa o primeiro lugar na cadeia de valor, desde a produção, maior rede de comercialização e fábricas de processamento ao nível nacional, mas a parte que vai ao processamento é ínfima, sendo que a maior vai para o contrabando.

Os números referem que em 2015 a produção da castanha de caju saiu de cerca de 110.000 (cento e dez) mil toneladas para 120.000 (cento e vinte mil) no ano seguinte. Actualmente, ronda em cerca de 145.000 (cento quarenta e cinco) mil toneladas, isto é, na campanha de 2020/2021.

A referida debilidade do sistema de comercialização caracteriza-se em dois factores principais, dos quais, a generalização da licença de comercialização e a fragilidade do processo de fiscalização e coordenação inter-institucional. No primeiro, caracteriza-se pela existência de operadores licenciados para comercializar outros produtos, mas que podem igualmente adquirir a castanha, fazendo com que predomine em grande escala a informalidade na comercialização deste produto de maior rendimento.

O segundo factor faz com que, apesar de a lei instituir que a exportação, deve ser feita depois de satisfazer a indústria local, o que não acontece. Os resultados desses factores conjuntos é o menor incentivo do produtor em vender a sua castanha ao processador, a falta de capacidade de o processador concorrer com os preços praticados pelos clandestinos, e a baixa qualidade da castanha que é fornecida à indústria local.

Para além de problemas na comercialização, o estudo apresentado no último Conselho Consultivo do banco central aponta dificuldades no acto do processamento, caracterizado pelo limitado acesso ao financiamento, com destaque para as empresas de capitais nacionais.

O ensaio revela que a limitação decorre em dois factores, nomeadamente, o elevado risco no canal habitual de concessão de crédito que é a banca comercial, isto porque a banca tem domínio da debilidade na comercialização deste produto, e a baixa qualidade do produto disponível para a indústria. Há, também, a questão da volatilidade dos preços no mercado internacional, para além da sobreposição dos ciclos de comercialização e processamento que dificulta a restruturação do próprio crédito para o sector.

Face a estes problemas, o Banco de Moçambique sugere a organização do sistema de comercialização onde se pode avançar, primeiro, para a instituição do licenciamento específico dos actores da cadeia, ou seja, para além de o Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM) fazer apenas o registo dos actores, deve licenciar os mesmos nas suas respectivas áreas de actuação com requisitos diferenciados, sejam eles comerciantes ou exportadores.

A segunda proposta é a transição para um sistema de leilões, como a única modalidade de venda da castanha. Há que referir que o estudo toma em consideração que para esta implementação carece de alguma preparação exaustiva, mas adianta que uma vez adoptado o leilão como a modalidade de venda única, haverá maior controle do produto comercializado, sabe-se quem é o exportador e processador.

Outra vantagem na possível implementação desta iniciativa é a redução das assimetrias quanto à qualidade e o preço da castanha. Quer dizer, o produtor sabe da qualidade que está a vender tal como o processador tem noção da qualidade do produto que está a adquirir e qual é o retorno, o que resulta na maximização dos ganhos para todos os actores na cadeia do valor.

Na senda das propostas, o Conselho de Administração do Banco de Moçambique avança para a reforço do fundo de garantia e o maior envolvimento dos bancos comerciais, a destacar o fundo de garantia onde se propõe o agravamento da sobretaxa de exportação dos actuais 18% para 25%, a introdução de uma sobretaxa para amêndoa, afim de promover o processamento doméstico e reforçar o fundo de garantia, bem como a selecção de bancos comerciais para o financiamento à indústria através de um concurso público para a concessão de crédito cobertas pelo fundo de garantia.

O estudo revela que, em termos macroeconómicos, o sector da castanha de caju representa a fonte importante de divisas no país, ocupando a terceira posição na exportação de culturas de produtos agrícolas depois do tabaco. Com o facto, de acordo com o estudo, o Estado tem vindo a arrecadar divisas em níveis significativos, dado que, nos últimos cinco anos arrecadou uma média de nove milhões de dólares.

 

Enquanto isso…

Para a província de Nampula, o sector ocupa o primeiro lugar em todas as vertentes de cadeia, desde a produção, maior rede de comercialização e detém 82% das fábricas de processamento do país. Todavia, ressente-se, nesta região, a problemática do contrabando da castanha, sendo que se desconhece o destino de parte do produto.

Assim, “a província de Nampula conta com seis viveiros públicos de produção de mudas enxertadas nos distritos de Meconta, Angoche, Mogovolas, Moma, Monapo, com uma capacidade de produção anual de 2,2 milhões de mudas de cajueiro, visando a inversão do cenário de produção ao nível do país”, apontou Manuel Rodrigues, governador da província de Nampula que participou no 46º Conselho Consultivo do Banco de Moçambique.

Na ocasião, o chefe do Conselho Executivo deu a conhecer que nos últimos três anos foram exportados cerca de 3.089 (três mil, oitenta e nove) toneladas da castanha, 5.584 (cinco mil, quinhentos oitenta e quatro) e 9.784 (nove mil, setecentos e oitenta e quatro) toneladas em 2018, 2019 e 2020, respectivamente, e até o terceiro trimestre do presente ano 2021, a província exportou cerca de 4.649 (quatro mil, seiscentos e quarenta e nove) toneladas da castanha de caju.

Actualmente, o preço da castanha de castanha de caju é de 43 meticais por quilograma, o que de acordo com o governador, representa um facto aliciante ao produtor. No entanto, “das 14 fábricas existentes na nossa província, sete encontram-se paralisadas, apontando-se como uma das razões a insuficiência da matéria-prima, pode parecer paradoxo. Uma insuficiência da mat­éria-prima originada em parte pelo contrabando da produção local, abrindo espaço para a perda de emprego dos nossos concidadãos e a perca de divisas”, lamentou o governante. (Esmeraldo Boquisse)

Subida de preços de combustíveis afecta a actividade de táxi de mota na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – A subida dos preços de combustíveis no país está, significativamente, a impactar de forma negativa na actividade de táxi de mota na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, e os operadores estão desesperados.

O Ikweli conversou com alguns operadores, os quais não escondem a preocupação com a situação, afirmando que as suas receitas caíram drasticamente, ao que ponderam subir os preços praticados.

De 22 anos de idade, o operador Assane Jaime, pai de dois filhos, tem a estação dos Caminhos de Ferro (CFM) como a sua praça de referência, e em entrevista disse que, nas últimas duas semanas, a situação não tem sido encorajadora.

“Desde que subiu o combustível para 71,00Mt (setenta e um meticais), estou a sofrer muito”, disse, comentando que “eu sou pai de filhos, para sustentá-los dependo da minha actividade de táxi mota, e assim com esta subida fica difícil ganhar lucro para o sustento”.

Antoninho Manuel, outro operador de táxi de mota, também, está na mesma situação e disse ao Ikweli que “nós, como taxistas, nos sentimos obrigados a aumentar o preçário do táxi para, pelo menos, obter lucro”, exemplificando que “assim levar um cliente da sipal para o mercado central cobramos 30,00Mt (trinta meticais), contra os anteriores 20,00Mt (vinte meticais)”.

Em alguns casos, ainda que não seja unanime, há relatos de zonas que o preço do táxi de mota subiu em mais de 50%.

Alberto Cipriano, também, operador de táxi de mota, anda desesperado com a situação, e entende ser preocupante porque “assim vamos morrer a fome”.

O pedido deste grupo de cidadãos é no sentido de que voltem a ser revistos os actuais preços, no sentido de que todos possam ter benefícios. (Nelsa Momade)

“SOU FELIZ PORQUE TENHO O AMOR E O RESPEITO DA MINHA FAMÍLIA” – TOLEDO

Pemba (IKWELI) – Durante os dias que correm, infelizmente, ainda é frequente ouvir o relato de pessoas LGBT em Moçambique e não só, de terem sido expulsas de casa por conta de serem homossexuais, pelos seus entes queridos. Mas de Pemba, concretamente em Paquitequete, o famoso e mais populoso bairro localizado lá para as bandas da terceira maior baía do mundo, Pemba – província de Cabo Delgado, vêm-nos um exemplo que contraria a narrativa que descrevemos mais acima e faz jus à Constituição da República de Moçambique, “a família é o elemento fundamental de toda a sociedade,” pois constitui o espaço privilegiado no qual se cria, desenvolve e consolida a personalidade dos seus membros e onde devem ser cultivados o amor, diálogo e a entreajuda. E, Luís Francisco Toledo, ou simplesmente Toledo, têm isso, o privilégio de ter na sua família o seu maior suporte, a compreensão e o respeito, que como ele mesmo emocionado assume, “a minha família é tudo o que tenho, é o que de melhor Deus me podia ter presenteado.”

Ainda que a viver em Paquitequete há já pouco mais de 12 anos, Toledo tem as suas raízes em Memba, um dos distritos da província de Nampula onde ainda, por imperativos familiares de ainda mantém um firme contacto, mas é em Pemba, no coração do primeiro bairro periférico daquela cidade no norte de Moçambique, onde Toledo vive desde que se conhece por gente, “toda a minha descoberta, sobre quem sou, a minha homossexualidade foi tudo no Paquite”, afirma orgulhoso e destaca, “graças a Deus isso nunca foi um problema na minha casa’ mas lamenta, ‘conheço muitas man@s que as pessoas que mais lhes discriminam são os próprios familiares,”.

Toledo tem consciência da sua orientação sexual desde muito cedo e, ainda que sob olhar atento e comentários muitas vezes pouco felizes da vizinhança, em casa “sempre tive espaço para eu ser quem sou de verdade, sem me esconder,” para isso, uma pessoa muito especial foi muito importante, a tia Jacinta, irmã de sua mãe que desde cedo fez-se próxima e boa conselheira de sua mãe, fazendo-a compreender que Toledo é uma criança normal, “apenas diferente da maioria das outras, mas que não tem nenhum problema e que deve ser tratado da mesma maneira que todos outros filhos, com amor e carinho dentro da família.”

Foto: Cortesia/Lambda

Mas porque infelizmente, não há bela sem senão, com alguma tristeza, Toledo diz que teve sempre uma relação distante com o seu pai, sem muito desenvolver, para Toledo, “ele sempre se mostrou ausente e pouco interessado em saber de mim.”

Entretanto, apesar de sua mãe continuar a viver em Nampula, em Memba – Toledo diz que mantém uma relação próxima e de muita cumplicidade com sua mãe, aliás, segundo Toledo, o seu caracter, determinação e orgulho sobre quem ele é, resulta muito dos conselhos de sua querida mãe, “foi a minha mãe quem sempre me aconselhou a não dar importância aos comentários negativos e ofensivos das pessoas sobre mim mesmo,’ por isso, acrescenta, ‘eu não tenho vergonha nem problemas de vestir a roupa com a qual eu me sinto bem […]  para outras pessoas isso pode parecer que me quero exibir, mas não é para elas que eu me visto, é para mim mesma”.

Com o nível médio de escolaridade (12ª classe) já concluído e o desejo de dar continuidade aos estudos no topo das prioridades e actualmente estar envolvido nas actividades da associação LAMBDA como Agente Comunitário, contribuindo na sensibilização e disseminação de informação correcta sobre a comunidade LGBT naquela cidade – cujo trabalho, reconhece, para além de o ter ajudado a ser uma pessoa muito mais esclarecida sobre a sua orientação sexual, também fez com que se tornasse numa pessoa muito conhecida em Pemba e brinca – “até as galinhas sabem quem é Toledo nesta cidade”, […risos].

No fim da nossa conversa, questionamos a Toledo se é(ra) uma pessoa feliz, sem hesitar e nem medir palavras, veio a resposta; “sou muito feliz porque tenho o amor e o respeito da minha família, isso faz-me muito bem. Eu poder ser quem sou de verdade, não ter de me esconder, isso me faz muito bem, torna-me mais humano!”. (IKWELI em colaboração com Lambda)

Narcotráfico em Moçambique preocupa Nova Democracia

Maputo (IKWELI) – O partido Nova Democracia (ND) diz-se preocupado com o narcotráfico internacional em Moçambique que é apontado como a principal motivação da guerra em Cabo Delgado, e entende que seja o fim da linha do ex-movimento libertado (Frente de Libertação de Moçambique – FRELIMO).

Em comunicado enviado a imprensa, o partido liderado por Salomão Muchanga refere que “O narcotráficono país nasceu vinculado ao contrabando, evasão de riquezas nacionais e à corrupção governamental, crime organizado transnacional e as conexões indicam que, para além dos grupos paquistaneses e de suas fragatas frequentes naquela região, o comércio da droga ou pelo menos a circulação dos narcotraficantes é de níveis assustadores, o que sugere que é um negócio secular naquela região de confluência entre o Zanzibar e a foz do Rovuma, ao importante porto e aeródromo da Vila da Mocímboa da Praia”, pelo que “afastado do centro do poder, tem servido a nível estratégico dos criminosos, para aceder à África do Sul e daiexpedir para a Europa e América entre outros destinos dos narcóticos no mundo”.

Um vídeo transmitido por uma estação televisiva brasileira põe a nu algumas dessas operações ilegais, por isso o ND não se conteve em não reagi-lo.

Os relatos no vídeo, referem que “destacados membros do Partido Frelimo, governam este negócio juntocom os traficantes, num negócio que tem movimentado milhões de dólares americanos ano, e que com apresença dos megaprojetos, ficou a região condicionada, o que sugere que mina a livre circulação do narcotráfico e daí a necessidade de querer dominar e ter a força aquela região, o Porto e o aeródromo,respectivamente”.

Outro facto que remota de algum tempo é a pronúncia nos Estados Unidos de cidadão de origempaquistanesa identificado como barão do narcotráfico, preso e depois liberado em Pemba, por supostainsuficiência de provas e que viria a ser mais tarde, preso e extraditado para ser julgado na América.

Mais recentemente foi o episódio Fuminho, o barão brasileiro foragido da polícia federal brasileira e procurado pela Interpol e por toda América latina e nos Estados Unidos, que estava supostamentehospedado e guarnecido sob auspícios do regime, ou no mínimo, de seus membros e levava uma vida normal feito um cidadão de bem, que estava em Moçambique ao serviço da economia justa.

Mais recentemente, contextualiza a ND, ainda foram encontradas quantidades significativas da droga na Zambézia cujos autores e mentores a justiça não diz quem são, interceptadas e presas embarcaçõespaquistanesas transportando drogas pesadas, a apreensão de estupefacientes no corredor de Nacala,uma importante feitoria para circulação de drogas, incluindo os hotéis exageradamente construídos naquelaregião, cujo fluxo turístico não justiça, o que sugere um sindicato altamente enraizado em Moçambique, cujosmentores alimentam entre outras desgraças, a guerra no norte de Cabo Delgado, numa clara reivindicaçãode espaços para a manutenção da sua situação criminosa, sob olhar cúmplice dos sucessivos governos da Frelimo, porque antes da instalação dos mega projectos aquela região tinha sido sujeita ao abandono, desgoverno e de livre árbitro, para os mentores e agentes do narcotráfico.

“Porquê do silencio sobre as suspeitas e indicação das outras Nações, que tendo capacidade de o fazer, Moçambique escolhe albergar criminosos deste calibre e com compromissos e alianças do Partido no poder?”, pergunta a NV, prosseguindo que “já não são poucas as vezes que estes financiam esquemas de sabotagem eleitoral, com base em pessoas suspeitas por governarem o mundo da droga no país, com ofertas obscenas em campanhas eleitorais, que sugerem que haja esquemas de passagem e branqueamento de capitais”.

Para a Nova Democracia, este crime organizado tem as suas raízes bem distantes, podendo-se confundir com a idade do estabelecimento da Frelimo naquela região, aquando da luta para independência, se não tiver sido usado pelos sultãos do crime e do narcotráfico mais a norte de Moçambique, da Tanzânia e da Ilhade Zanzibar, cuja história de comércio com as comunidades a norte de Cabo Delgado, remota da épocamercantil.

A Nova Democracia julga que do ponto de vista de intervenientes para a dominação mercantil e comercial e das rotas de produtos e mercadorias e quiçá, a partir de um determinado momento que não se conhecepode, ter-se transformado na rota preferível do narcotráfico, essencialmente pela infraestrutura portuária eaeroportuária, fora do controle directo do poder executivo na região da Vila da Mocímboa da Praia, e danavegabilidade do canal de Moçambique na região costeira desde a foz desguarnecida do Rovuma a baía do Mocímboa da praia e Pemba, espaços de disputas entres Swahiles, Mackwes, Macondes e Mwanis e outros intervenientes, nomeadamente os ligados aos interesses coloniais, que nunca desapareceram na sua totalidade, nos domínios do comércio, pesca, navegação e intermediação, no acesso ao mar e às condições para o desenvolvimento de actividades pouco veladas pelo Estado, necessariamente pelo afastamento e desleixo a que, aquela região ficou exposta pelo menos da independência até ao surgimento das intenções de exploração dos projectos do gás.

Da região da Baía de Pemba sabe-se que um grupo considerável de indivíduos afectos a área comercial sededicou ou se dedica à actividade do narcotráfico e a exemplo um notável comerciante fora recentemente preso por envolvimento com este tipo de crime, o que sugere que um pouco por todo o País nomeadamenteas praias de Chongoene em Gaza, Zalala e Pebane na Zambézia, Nacala Porto e Memba em Nampula, entre outras pontos, têm sido fundamentais portas de entrada e de coexistência, entre o crime do narcotráficoe as comunidades, que enumeras vezes já receptaram nas pescarias a margem das praias, quantidades dedrogas, descartadas pelo factor tempo e riscos a cada recepção deste tipo de estupefacientes.

Ainda na senda das questões que levanta para reflexão, a Nova Democracia questiona: “porquê o governo do dia não age contra os já pronunciados em praças judiciais internacionais e porquê não enceta investigações internas a estes consórcios do crime, para que os seus mentores sejam presos eresponsabilizados, e o nosso país esteja isento do mapa do narcotráfico?” e “quem nos sucessivos governosda Frelimo beneficia deste tipo de crime organizado?”, tanto que “o nosso país está cercado de miséria criadapelos que deveriam proteger as comunidades da exposição a estes problemas na sociedade”.

O partido de Muchanga é ciente de que “não há razões bastantes para que estejamos sujeitos a convivercom barões do tráfico de drogas, tão pouco precisamos que a juventude seja infestada de psicotrópicos,potencialmente nocivos a vida dos nossos concidadãos”, analisando que “se ontem os consórcios do consumo de drogas pesadas era uma miragem em nosso contexto, com o desgoverno do regime, as nossas crianças em idade escolar estão expostas a isto, havendo registos de venda e consumo de drogas pesadas nos recintos escolares, de diversão, praias e espaços de laser, em quantidades industriais, o quesugere que as gerações que vêm, correm o risco de não encontrar uma sociedade para nela crescer e emlugar disto, nascerem para ser intoxicado por uma sociedade que se alienou, se corrompeu e se deleitou ao mundo do crime e da criminalidade sem escrúpulos e sem qualquer vergonha”.

A Nova Democracia avança que “chegou a hora de expurgar este partido estado de cariz socialistaselvagem, que ao longo de mais de 45 anos especula e espezinha o seu povo, transformando o País e asociedade em um interessante palco do crime apetecível por todo o clã universal da degeneração social edo desprezo humano mundial”, pelo facto de que “Moçambique tem-se tornado nestes mais de 45 anos no pior Estado do mundo, graças a uma classe de políticos corruptos e corruptíveis, que se venderam ao crime organizado internacional, e tem vivido nestes longos anos, sustentado seus grupos, através da contrafacção, do crime, da droga e despesismo absurdo e da delinquência institucional colectiva e  estatal”.

Um outro apelo deste partido é no sentido de os cidadãos acordarem, porque “os movimentos nacionalistasrevolucionários têm vindo a tomar partido nos países amigos e vizinhos, numa clara evidência de que não émais sustentável, manter sistemas políticos viciados que degradam a sociedade, tão pouco deve se tolerar qualquer das suas manifestações, devendo todo o povo unir-se num projecto político único, para derrubar, destituir, eliminar suas células criminosas instaladas e institucionalizadas e uma responsabilização de todos aqueles que ao lado deste governo doentio, encontram proteção e abrigo para desenvolvimento deactividades contra o desenvolvimento da nossa sociedade, e vivem do narcotráfico”. (Redação)

Manuel Rodrigues não está a gostar das “brincadeiras” dos que queimam matas a procura de ratos

Nampula (IKWELI) – O governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, mostra-se preocupado com as práticas tradicionais de queimadas descontroladas protagonizadas por indivíduos que procuram animais selvagens, sobretudo ratos e ratazanas, para consumo prejudicando assim o ecossistema.

Em Nampula, estas práticas são recorrentes, preferencialmente na época do verão.

“Estamos tristes, e continuamos a nos sentir impotentes, perante as pessoas mal-intencionadas que todos os dias queimam a nossa província, queimam as nossas localidades e queimam os nossos distritos. Todos os distritos que nós vamos encontramos chamas, isso quer dizer que toda nossa província está a arder”, lamenta o primeiro governador eleito do maior círculo eleitoral do país, que prossegue que “tem pessoas que queimam as nossas matas a procura de animais, como ratos e ratazanas para melhorarem, segundo eles, o apetite dos seus petiscos e isso faz com que demore o desenvolvimento da nossa província”

Num outro desenvolvimento, o governante disse que “queremos apelar aos produtores agrários que desenvolvem as suas actividades no cimo das montanhas para que evitem eliminar a vegetação que, normalmente, protege as represas e protege, também, os nossos rios”.

“Quando se cortam aquelas árvores que protegem as nossas represas, a água pode ser turva, porque quando chove a lama é conduzida até as fontes de abastecimento de água que nós temos. Isso é uma chamada de atenção aos nossos produtores agrários”, concluiu Manuel Rodrigues. (Hermínio Raja)

Quelimane: PRM procura inviabilizar passeata do autarca e um grupo de embaixadores

Quelimane (IKWELI) – O fim da tarde da última quarta-feira (3) poderia ter terminado das melhores maneiras, quando o autarca de Quelimane, na Zambézia, o Professor Doutor Manuel de Araújo, decidiu levar um grupo de embaixador para dar uma volta pelo município de Quelimane, mas agentes da Polícia de Moçambique (PRM) decidiram “seguir ordens” para tentar impedir a actividade, o que provocou um mau estar nos corredores diplomáticos acreditados em Maputo.

Violações contra o próprio autarca e suas iniciativas, pela Polícia, tem sido recorrente naquele ponto do país. Em 2013, quando se celebrava a segunda vitória de Manuel de Araújo como autarca, democraticamente eleito, um agente da PRM afecto a Unidade de Proteção de Altas Individualidade (UPAI) em serviço na residência do então governador que viria a ser ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Joaquim Veríssimo, decidiu, deliberadamente, atirar contra o jovem músico Max Love que viria a perder a vida no local. O julgamento deste caso, apenas, começou oito anos depois, no passado mês de Outubro e o arguido se encontra ainda em parte incerta por, tanto a Polícia (de que é membro) e muito menos os órgãos de administração da justiça, não conseguirem localizá-lo.

Em vídeos postos a circular nas redes sociais, vê-se viaturas da PRM do tipo Mahindra bloqueando a passeata mesmo em frente ao edifício sede do conselho autárquico da cidade de Quelimane, em frente a Praça dos Heróis Moçambicanos.

Um indivíduo de corpo avantajado, dirigindo a operação e com tom de arrogância, foi abordar ao grupo do autarca exigindo explicações.

“Eu só quero saber o que se passa aqui na cidade de Quelimane”, escuta-se o agente no vídeo, o qual prossegue que “nós estamos a receber informações, parecer que Município não tem Presidente, não tem carta que autoriza, é uma marcha, quem fez isto, isto é distrito de quem? Excelência, é distrito de quem?”.

Este agente que dirige a operação, tem sido o mesmo que tem sido usado para “perseguir” Manuel de Araújo quando promove eventos do género na cidade que dirige.

Carismático, calmo e sem volta, o Professor Manuel de Araújo respondeu que “não é marcha, isto não é marcha, são 10 pessoas que vão conhecer a cidade, são embaixadoras de Canadá, Suécia e Finlândia”.

A arrogância daquele grupo de agentes da PRM que estava armada até aos dentes, somente, foi bloqueada depois que o autarca efectuou chamadas para a ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, e ao Comandante-Geral da PRM, Bernardino Rafael. (Redação)

Macomia: Marinha moçambicana mata 12 pescadores

Macomia (IKWELI) – Os militares da marinha moçambicana que intensificam acções de patrulha ao longo da costa da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, com vista a extinção de algumas linhas orientadoras dos terroristas, são acusados pelos populares locais de terem morto doze (12) supostos pescadores na Ilha de M’makolowe, no distrito de Macomia.

Segundo conta o nosso correspondente em Macomia, o incidente deu-se na terça-feira da semana passada, dia 26 de Outubro do ano em curso, na ilha de M’makolowe, localizada na aldeia Pangane no posto administrativo de Mucojo, no distrito de Macomia em Cabo Delgado, quando uma embarcação onde havia 13 pessoas, dadas como pescadores, foi interpelada pelos militares da marinha moçambicana que trataram de aniquilar 12 deles, por suspeita de serem elementos do grupo dos terroristas.

O suposto grupo de pescadores, segundo acrescentam nossas fontes em Macomia, eram deslocados e vinham da Ilha Matemo no vizinho distrito de Ibo para mais uma actividade de pesca, uma das principais fontes de renda na região.

A notícia espalhou-se nas comunidades, graças a um dos treze pescadores sobrevivente que se encontra em tratamentos hospitalares numa das unidades sanitárias da cidade de Pemba.

“O não regresso daqueles 12 pescadores foi por causa de terem sido encontrados por militares no mar e foram mortos todos. O pescador que sobreviveu é porque fingiu que tinha morrido, mas acabou chegando na comunidade”, contou uma das nossas fontes.

Refira-se que nos últimos tempos, sobretudo com a presença das tropas estrangeiras, o espaço marítimo dos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia e Palma, por sinais os mais afectados pelo terrorismo, está restringido à presença de civis. Por essa razão, as autoridades marítimas em Pemba apenas emitem guias até a Ilha Matemo.  (IKWELI)

Pemba: Sociedade Civil denuncia maus-tratos à deslocados pelas FDS

Pemba (IKWELI) – Organizações da sociedade, em Pemba, entendem que os deslocados internos da guerra que fustiga aquele ponto do país, ainda não encontraram sossego na capital de Cabo Delgado.

Estas vítimas, ainda se ressentem do trauma devido aos momentos difíceis que passaram aquando dos ataques às suas aldeias e durante a fuga a pé, de carro ou ainda de barco, e da morte de seus familiares e perda de vários bens, e em causa estão aos abusos perpetrados por certos elementos das Forças de Defesa e Segurança, que quando os interpelam sem documentos, neste caso o Bilhete de Identidade (BI), os ameaçam e até os acusam de serem colaboradores de terroristas.

Em alguns casos, os deslocados são vítimas de ofensas psicológicas, assédios e extorsão de dinheiro quando não apresentam o bilhete de identidade ou declaração do bairro, e noutros são fisicamente violentados.

As denúncias contra maus-tratos às famílias deslocadas foram feitas na última segunda-feira, (25) em Pemba, por organizações da sociedade civil, num encontro com a Procuradora-Geral Adjunta da República, Glória da Conceição Adamo.

Em reação, Glória da Conceição Adamo, orientou a procuradoria Provincial a palestrar aos agentes das Forças de Defesa e Segurança sobre os direitos humanos e tornar medidas, não se devendo continuar a se assistir polícias, por exemplo, a criarem situações de medo e pânico.

Estiveram presentes no encontro de reflexão sobre os direitos humanos em Cabo Delgado, as organizações Kwendeleya, Kupendana, Sant Egídio, Associação para o Desenvolvimento e Promoção dos Direitos da Mulher e Rapariga, Actionaid, ADEL, Igreja Católica, Comissão Interligiosa da Paz, entre outras. (IKWELI)

Director provincial da Saúde de Nampula considera consumidores de drogas como um “lixo social”

Nampula (IKWELI) – O director provincial da Saúde em Nampula, Fernando Mitano, considera consumidores de Drogas naquele ponto do país como sendo um “lixo social”, na medida em que comprometem o desenvolvimento da sociedade local.

o dirigente fez estas declarações, em tom de crítica, aquando da realização de uma capacitação de activistas antidroga na cidade de Nampula, evento promovido pelo Gabinete Provincial de Prevenção e Combate à Droga.

“O comportamento dos consumidores de drogas começa a não ser adequado e esperado. Portanto, desenvolvem personalidades estranhas e podem até criar personalidades obsessivas e compulsivas, o que constitui perigo no seio da sociedade”, começou por considerar Mitano, para depois rematar que “a droga é responsável pelo divórcio nos lares, ela é responsável pela caducidade, as pessoas caducam imediatamente quando elas estiverem envolvidas nas drogas e, obviamente, a sociedade fica a criar aquilo que posso chamar pessoalmente de lixo social. Nós estamos a criar estas pessoas que optam pelas drogas que, ao mesmo tempo, classificam-se como um lixo social”.

Este director vai longe ao afirmar que os consumidores de estupefacientes para além de serem lixo social, exigem muito mais do governo, na medida em que necessitam de medicamentos para o seu tratamento, assistência psicossocial, bem como o reforço policial para garantir o controle, uma vez que constituem perigo na vida de outros cidadãos.

E mais, de acordo com as suas palavras, o consumo excessivo de narcóticos torna-se o maior problema para a sociedade, ao se considerar recursos financeiros que esta prática exige, sobretudo, para a camada jovem que não trabalha, e para alimentar o vício recorre ao roubo de dinheiro na casa dos seus progenitores, e não só.

Todavia, entre as adversidades, o director provincial da Saúde disse, em entrevista, que um combate cerrado contra este mal seria importante, envolvendo os diversos actores da sociedade, com destaque para os órgãos de comunicação social que desempenham um papel preponderante na informação e formação do cidadão, de maneiras que se possa almejar um futuro promissor nas campanhas que são promovidas por diversos órgãos sociais.

“Na nossa província nós temos um hospital psiquiátrico, e lá temos casos que, uma boa parte provém do consumo excessivo do álcool, entre outras drogas. Obviamente que estamos preparados não só em criar condições nos hospitais, mas também em ajudar essas pessoas a saírem na condição em que se encontram”, disse, ressaltando que “temos de entender que o hospital não é casa, hospital não é comportamento das pessoas, apenas disponibiliza ajuda biológica e psicológica necessária”, aconselhando aos que já estiveram na condição de tóxico-dependentes a abandonarem a prática, porque a droga consumida pode desembocar em epilepsias, esquizofrenias, bem como vários tipos de demências.

No seu entender, o consumo de álcool e drogas tende a aumentar na província de Nampula, onde uma parte significativa de consumidores contempla a juventude que, em consequência disso, abandona os estudos e entra no mundo do crime.

“Quando se trata de jovens em idade escolar, quer dizer que estes nunca serão produtivos, porque a droga vai reduzir a possibilidade de desenvolver a área cognitiva e até vai criar problema do desenvolvimento psicomotor. Estamos a dizer que esses jovens não caminharão como poderiam caminhar, não poderão ter uma reflexão digna como deviam ter e, em consequência disso, temos jovens que agridem a própria sociedade em resultado do uso dessas drogas. Estamos a dizer que a vida normal desses jovens está absolutamente acabada”, concluiu Fernando Mitano. (Esmeraldo Boquisse)