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Pescadores de Angoche com protecção de policiais corruptos geram renda na “pesca” de Haxixe

  • “Precisamos desses carregamentos para ter comida em casa” – Jaime Ibraimo, pescador que se dedica ao transporte de drogas do mar para o continente.

Angoche (IKWELI) – No lugar de se fazerem ao mar para a busca de pescado, um número não quantificado de pescadores nativos do distrito costeiro de Angoche, tem feito uso das suas embarcações para o transporte de Haxixe, um derivado químico de cannabis sativa.  O distrito de Angoche, localizado a sul da província de Nampula, continua sendo um dos principais entrepostos de entrada de drogas, destacadamente o haxixe, a partir do mar para o continente, que a posterior é expedida para a capital do pais, Maputo e, daqui para a vizinha África do Sul. Segundo apuramos numa investigação aturada, a actividade narcótica que está a fazer prosperar a muitos, a olhos vistos, só é possível com o beneplácito de sectores corruptos infestados nas fileiras da Policia da Republica de Moçambique (PRM).

Durante semanas, o Ikweli seguiu as operações de busca, entrega e transporte terrestre. Essas actividades são sensíveis, ainda que feitas com alguma naturalidade, há todo o sigilo para que quem não esteja imiscuído na rede, se aperceba.

Para além do antigo porto de Pescas, que fica próximo a um pavilhão desportivo, há uma preferência pela localidade de Aube para o escoamento dos produtos.

O Ikweli escalou o distrito de Angoche numa quarta-feira, 10 de Novembro. Por volta das 16 horas a nossa equipa de reportagem chegou ao mercado do Metal Box com a ideia de procurar um pescador que nos pudesse fornecer, pelo menos, 100 quilogramas de peixe do tipo tainha. No local, os revendedores, disseram-nos que a hora não era apropriada porque estava toda a gente a se preparar para ir ao alto mar, mas o regresso só aconteceria no dia seguinte.

Com essa informação decidimos que pretendíamos, também, pegar uma embarcação para umas da Ilhas de Angoche, a fim de passar lá a noite, mas foi nos desaconselhado.

Nossos contactos recomendaram que voltássemos no dia seguinte, 11 de Novembro, pelas 6 horas da manhã. Com esta sugestão, a nossa equipa abandonou o local, e fomos nos instalar em uma barraca de venda de comida e bebidas alcoólicas bem próximo ao porto de Angoche.

Neste local onde permanecemos até as 23 horas, tínhamos uma vista privilegiada. Foi dai que observamos um pouco de tudo. O movimento de pequenas embarcações a motor e canoas trazendo mercadorias de forma natural e que era esperada por jovens locais para o transporte.

Perguntamos a proprietária da barraca, que produto estava sendo pescado, ao que nos respondeu que “aqui vivemos assim mesmo. Estamos habituados”, por isso “não se admirem tanto. É só ver e calar, depois cada um recebe a sua parte”.

Parte das embarcações envolvidas nas operações

Lopes José é um jovem de 19 anos de idade, e reside no famoso bairro de Ínguri. Depois da sua jornada, juntou-se ao pessoal que estava na barraca em referência. De imediato reconheceu-nos e avançou até nós, perguntando com espanto “meus amigos, estão aqui também?”, para depois prosseguir “viram porquê não queríamos vos levar para Ilha, nem? Íamos perder essas boladas”.

José aceitou a nossa amizade e prometeu no dia seguinte falarmos daquelas operações.

“Ele é membro da rede”

No local onde nos encontrávamos, estava um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), vestido a civil, controlando os movimentos e garantindo que nada fosse interceptado, e ao que apurámos “ele é membro da rede”.

Já na manha do dia seguinte, fomos tomar o café da manha na casa do jovem Lopes José, em Ínguri. Uma casa linda, recentemente construída, com o seu interior altamente equipado com televisão de última geração, uma cozinha americana e lindo mobiliário da sala.

“Estão a ver? Esta minha casa construi com essas boladas e fiz em um ano”, conta-nos esta fonte a qual conquistamos a sua confiança com muito esforço.

Perguntamos ao José o que na verdade transportava na sua embarcação para ganhar muito dinheiro, ao que nos respondeu que “são coisas pesadas e muita gente, aqui em Angoche, vive disso. Eu comecei a transportar com o falecido meu pai. Assim que ele morreu eu fiquei com o negócio. Eu faço isso com meus primos e amigos, e alguns velhos é que nos controlam. Eles é que nos dizem quem vai receber. Apenas sabemos até aí”.

Segundo contou-nos “depois que a mercadoria (haxixe) chega no continente é entregue aos transportadores de carga e de pessoas que partem de madrugada de Angoche para a cidade de Nampula”.

“Normalmente, eles arrumam em baixo essa mercadoria, e depois colocam peixe e pessoas por cima, para que ninguém desconfie”, explica esta nossa fonte.

Depois do café da manha nos despedimos, e seguimos com destino a Aube. Nesta localidade as operações são bem mais sigilosas. Não aceitam visitas de estranhos e nem a sua entrada nos principais pontos de desembarque.

No dia em que chegamos, perto das 12 horas, fomos manifestar a ideia de encontrar um pescador que nos levasse para as ilhas, ao que nos foi desaconselhado, alegadamente porque se estava em um período de fluxo de grandes embarcações que “trazem mercadoria sensível e prioritária”.

Ficamos mais 48h em Aube, e fomos granjeando simpatias, tanto que durante uma cavaqueira em uma barraca de venda de bebida tradicional fomos conhecendo o cerne das operações.

Principal rua de Angoche, onde na fachada central são discutidas as estratégias de escoamento de drogas

“O meu trabalho aqui é ir buscar o que vem do barco e entregar uma senhora que chega aqui com uma camioneta da marca Canter as 2 horas da madrugada”, contou-nos o pescador Jaime Ibraimo, afirmando que “precisamos desses carregamentos para ter comida em casa”.

O senhor Jaime diz que tem os filhos a estudarem nas universidades na cidade de Nampula com despesas pagas por aquele negócio. “Eu estou nesse negócio há mais de 20 anos. Durante esse tempo contrui duas casas em Nampula e tenho quatro casas aqui em Angoche. Formei o meu filho mais velho no Maputo e os outros estão a se formar na cidade de Nampula”.

Também, em Aube, há um agente da PRM que ajuda com a segurança. Ele garante que nenhum seu colega vá aquele perímetro, e “sempre que temos essas operações aquele chefe está aqui para não nos apanharem”.

Os proprietários das mercadorias (haxixe) ninguém os conhece, mas acredita-se que sejam cidadãos nigerianos baseados em Nampula e Maputo, e alguns paquistaneses.

Questionamos a estes nossos interlocutores sobre quem os entrega as encomendas lá no alto mar, ao que responderam que “os barcos são tripulados por uns senhores brancos, e acredito que sejam indianos ou paquistaneses”.

“Eles não falam português. Um jovem daqui de Angoche entra lá nos barcos e fala uma língua (acredita-se que seja hindu) estranha com eles, e depois começam a colocar o produto nas nossas embarcações”.

A versão da PRM…

 A Polícia da República de Moçambique (PRM), através do seu porta-voz no comando provincial de Nampula, Zacarias Nacute, afirma que há um trabalho para acabar com o fenómeno das drogas naquele ponto do país.

“Nós já falamos bastante sobre esse assunto. Os resultados que a polícia tem obtido nos últimos dias são prova clara de que um trabalho está a ser feito em prol do combate ao tráfico de droga. E como resultados já apresentamos aos órgãos de comunicação social diversas apreensões, não só ao nível da P.R.M, mas também ao nível do SERNIC onde foram apresentadas várias apreensões de droga e o trabalho irá continuar até que os indivíduos que usam a província de Nampula como um corredor para a comercialização de drogas sintam-se desencorajados de continuar com esta acção”, disse Zacarias Nacute.

Enquanto isso, “todas as nossas forças encontram-se activas nos principais pontos de entrada da província para evitar que situações do género voltem a ocorrer no nosso território”.

Em relação aos actores envolvidos nesses tráficos, Nacute é cauteloso e elabora pouco em torno, afirmando que “infelizmente nesse tipo de crime os proprietários nunca se encontram no manuseamento do material. Já foram detidas algumas pessoas envolvidas no tráfico de drogas, no entanto, são pessoas mandadas por alguém e instruídas a transportar o material e os proprietários continuam ainda incógnita”.

Ademais, “o trabalho de investigação, juntamente com as pessoas que já foram neutralizadas cedo ou tarde irá nos fazer chegar até aos proprietários desses materiais”.

Em relação a quantidades já apreendidas pela corporação, Nacute diz que “são quantidades bastante avultadas. Mas foram informações que nós já apresentamos aos órgãos de comunicação social desde o ano passado, quando se fez a primeira grande apreensão de pouco mais de 400 quilogramas de drogas pesadas. Seguidamente tivemos mais 300, tivemos mais de 100 quilogramas, então são informações que já disponibilizamos aos órgãos de comunicação social e que é difícil trazer os detalhes agora porque são informações que já se encontram arquivadas”. (IKWELI)

Nyusi diz que mantém a esperança que investidores retomem a Palma

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, disse na última sexta-feira (26), na cidade de Nampula, que a esperança em ter os investidores do ramo de hidrocarbonetos de volta a Palma é factual.

Com os relatos dos progressos que tem sido alcançados pelas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique em coordenação com os militares ruandeses e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) que consiste na desactivação dos focos dos terroristas no teatro operativo norte, os investidores nacionais e internacionais ganham força e tentam regressar a Cabo Delgado, em especial no distrito de Palma onde se situa um dos maiores projectos de exploração mineira de todos os tempo no país.

O distrito de Palma, em Cabo Delgado, registou um dos últimos ataques de vulto e de reconhecimento mundial, em Maio do ano em curso, tendo obrigado aos investidores, sobretudo do ramo mineiro, a suspender suas actividades o que, em certa medida decresceu o rumo invejável de desenvolvimento econômico de Moçambique.

Na cidade de Nampula, o PR fez a apresentação de companhias da Polícia da República de Moçambique (PRM) que vão garantir protecção das sedes distritais no norte do país.

“Palma foi um dos palcos, mas os vossos colegas não deixaram Palma nas mãos dos terroristas. Houve combates duros, incluindo a segunda vez em que tentaram ir”, disse Filipe Nyusi, para quem “há tendência do regresso dos investidores, mas a maior segurança que será garantida por vocês que são donos de Palma, vai motivar mais regresso de investidores. Bater duro ao inimigo se ele surgir, mas coordenar com a população”.

Para além do distrito de Palma onde se registam sinais de regresso dos investidores e consequente normalização da economia local e do país, de forma geral, o Presidente da República reiterou, também, que no distrito de Mocímboa da Praia, a génese das acções terroristas em Moçambique, foram desactivados, na totalidade os focos dos terroristas.

“Mocímboa da Praia é um dos distritos que o inimigo ficou muito tempo, mas foi completamente desactivado. Seguem missões de esclarecimento e de limpeza, mas o vosso problema não está aí na sede só. É preciso controlar Mbau e em todos sítios onde haja problema, onde vocês sossegam só quando não existir problema”, realçou Filipe Nyusi.

Sobre o programa de posicionamento de companhias de políciais independentes de unidades de operações especiais em reserva da PRM nos distritos do país, cuja fase piloto teve lugar no estádio 25 de Junho na cidade de Nampula, pretende-se garantir a ordem, segurança e tranquilidade públicas nas sedes distritais onde há incidência de ocorrências de actos terrorista e não só.

Numa primeira fase, os perto de 1.500 membros da força especial foram alocados aos doze distritos, destacadamente, Mocímboa da Praia, Palma, Muidumbe, Meluco, Quissanga e Nangade, na província de Cabo Delgado onde se intensifica o terrorismo. Os distritos de Memba e Moma, na província de Nampula, apontados como sendo principais pontos de recrutamento de jovens para alimentar as fileiras dos terroristas. Marrupa e Mecula, na província do Niassa, nos mesmos propósitos e para salvaguardar a economia local. Inhassoro, na província de Inhambane e o distrito de Gurué na província central da Zambézia.

“A alocação das forças não está em função do terrorismo ou não. Todo tipo de crime. Gurué é um distrito muito rico e produtivo. Portanto, também, os objectos económicos são a razão da vossa existência. Controlem Gurué e me deixem sossegado, porque temos que ter certeza que temos uma força que vai assegurar o distrito de Gurué, sem quartel específico”, salientou Filipe Nyusi.

“Ainda persistem bolsas de insegurança em alguns distritos da província de Cabo Delgado, embora se esteja a registar grandes progressos fruto do empenho das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique em coordenação das forças amigas do Ruanda e da SADC que forçam aos terroristas a uma posição defensiva e de fuga permanente a procura de refúgio”, admitiu, entretanto, o Presidente Filipe Nyusi.

“Ao criar estas companhias o Estado pretende reforçar, numa fase piloto, a capacidade operativa policial de protecção de pessoas e seus bens nas províncias indicadas e distritos concretos”, esclareceu o estadista moçambicano.

Segundo precisou Filipe Nyusi, “estamos seguros de que o vosso exemplo irá iluminar ainda mais homens e mulheres nesta nossa pátria. A vossa integração nestas companhias independente deve valer-se de prontidão e preparação táctico – militar que receberam durante a instrução que possibilite envolver-se em ambientes complexos com objectivo de trazer soluções tangíveis para o bem-estar dos moçambicanos”, referiu Nyusi para quem “hoje partem para missões específicas em dispositivos. O chamamento de hoje é para proteger território que se chama distrito, o pólo de desenvolvimento para onde o governo tem estado a direccionar sua atenção em todas as dimensões”.

Dos apelos aos militares e a população

Na ocasião, Filipe Nyusi apelou a recém-criada força especial para não desestabilizar as comunidades, desviando-se da nobre missão que lhe foi confiada.

“Vão defender crianças, mulheres, idosos, vão defender todos os moçambicanos e os que em Moçambique residem numa área delimitada é da vossa responsabilidade. No terreno vão defender empreendimentos económicos públicos e privados, vão defender projectos de desenvolvimento de Moçambique”, recordou Nyusi.

“As populações depositam confiança em vós, e buscam em vós a esperança de tranquilidade perante o ladrão, o traficante da droga, de seres humanos, os assassinos dos nossos concidadãos com a pigmentação da pele, os terroristas. O povo não deve viver com medo, porque a sua polícia vai cobra-lo pela sua defesa.  O povo já pagou através das suas rendas que produzem embora ainda baixa”, continuou.

“Eu quero ouvir de que vocês são amigos das comunidades. Quero ouvir aquilo que estou a ouvir duma forma evolutiva no teatro norte, onde as populações tomam as suas Forças de Defesa e Segurança como verdadeiros filhos e protectores. A disciplina constitui, também, uma questão basilar para o sucesso da vossa actuação”, destacou, reiterando que “evitem situações que possam desviar o vosso foco na realização de missão que a partir de hoje vós atribuímos. Vocês são forças que tem que se distinguir de todos outros. Vocês não estão para discutir com a população, são para acarinhar. Vocês estão para defender a população”.

O apelo de Nyusi à população consiste no acolhimento da nova força. “Apelamos, igualmente, a toda colaboração, honestidade, e apoio necessário das Forças de Defesa e Segurança, denunciando todas situações que põem em perigo a segurança e o bem-estar colectivo para o sucesso da actividade de garantia da ordem, segurança e tranquilidade públicas”, disse o presidente, sublinhando que “não quero ouvir a população dos distritos que passa toda hora a fazer acusação à nossa tropa. Se um falhou não falhou a unidade, são obrigados a dizer aquele falhou porque vão trabalhar sobre pressão, são jovens que se entregaram para defender está pátria. Então, a primeira coisa que pedimos a população é a colaboração e carinho a esses nossos filhos. Só com a união e auxílio de todos se pode vencer todo tipo de crime incluindo o terrorismo”. (Constantino Henriques)

Violência escolar contra LGBT’s: “MECANISMOS DE DENÚNCIA NÃO FUNCIONAM EM MUITAS ESCOLAS MOÇAMBICANAS” – QUEIXAM-SE ESTUDANTES LGBT

Nampula (IKWELI) – “Muitas vezes fui discriminado e violentado por colegas e também por alguns professores na escola, por conta da minha orientação sexual – [homossexual]. Mas quando apresentei o problema à direção da escola, nunca se tomou alguma medida para resolver o problema.” Este é um dos vários depoimentos de jovens estudantes LGBT, apresentado ontem, 24, em Maputo, durante mais uma sessão de disseminação dos resultados do estudo sobre “Violência com base na Orientação Sexual e Identidade de Género perpetrada contra Jovens estudantes LGBT nas escolas secundárias de Maputo, Beira e Nampula”, realizado pela associação LAMBDA.

Segundo apontam, o problema da violência e discriminação no espaço escolar, vem ganhando terreno e proporções alarmantes, porque as questões relacionadas a temática LGBT e identidade de género ainda são tratadas de forma “marginal” nas escolas do país, o que “contribui para a ocorrência de comportamentos e atitudes desrespeitosos, incluindo de violência, quer por parte de estudantes, como também de professores para com os estudantes que se identificam como LGBT- Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros,” consideram.

O estudo sobre “Violência com base na Orientação Sexual e Identidade de Género perpetrada contra Jovens estudantes LGBT nas escolas secundárias de Maputo, Beira e Nampula,” – realizado pela associação LAMBDA em 2021 e apresentado publicamente em Agosto passado, estando agora na fase de disseminação dos respectivos resultados pelo país, apresenta os principais desafios do sector da educação no que tange à problemática do estigma, discriminação e violência baseados na orientação sexual e identidade de género e apresenta os principais caminhos que podem contribuir para mitigar e/ou resolver os impactos do estigma e discriminação no espaço escolar, tendo em vista a necessidade de reduzir os altos níveis de desistência e insucesso escolar no seio da comunidade LGBT em Moçambique.

Na ocasião, ao intervir, a Presidente do Conselho de Direção da LAMBDA – Terezinha da Silva, apontou que em Moçambique há ainda um longo caminho a percorrer no que diz respeito ao reconhecimento da diversidade e da igualdade substantiva entre os cidadãos, independentemente da sua orientação sexual e, como prova disso, “é a atitude do Ministério da Justiça ao se manter em silêncio sobre o pedido de legalização da nossa organização, a [LAMBDA].”

Créditos/: #Lambdamoz

Para a Presidente da LAMBDA, a pesquisa em alusão, é de elevada importância porque, “conhecer esta realidade [sobre a comunidade LGBT] com maior detalhe e dá-la a conhecer, cumpre tanto uma função social quanto científica que nos habilita enquanto comunidade nacional a melhor nos entendermos e a melhor nos prepararmos para fazer do futuro uma coisa muito melhor do que o presente e o passado.”

Por seu turno, Roberto Paulo – Director Executivo da LAMBDA lamentou a falta de progressos no sector da Educação ao contrário do que vem se registando no sector da Saúde, aonde passos significativos têm sido dados com vista a inclusão das pessoas LGBT nas políticas públicas bem como a oferta de serviços de saúde amigáveis e humanizados, “algo que não se regista no sector da educação.”

Recorde-se, nos últimos 5 anos, a LAMBDA vem realizando sessões de sensibilização de professores secundários, a nível nacional, com vista ao desenvolvimento de competências culturais sobre diversidade, identidade de género e direitos humanos.

Enquadrado nos objectivos da associação LAMBDA, de sensibilização e educação pública para a mudança de comportamento, o evento juntou actores da sociedade civil, incluindo da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, académicos e jovens estudantes da comunidade LGBT. (Redação com Lambda)

Litígio de terra em Nampula: Governador do Banco de Moçambique admite que Nyusi teve de intervir para que obras da filial de Nampula fossem concluídas

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República, Filipe Nyusi, procedeu a inauguração da filial do Banco de Moçambique (BM) na cidade de Nampula na manha de ontem, quinta-feira 25), 9 anos após o lançamento da primeira pedra.

A demora na conclusão das obras foi motivada pelo litígio que opõe o BM e o grupo empresarial Rajahussein Gulamo, o qual ainda não conhece do seu fecho, estando, actualmente, a ser tramitado no Tribunal Superior de Recursos de Nampula.

Oficialmente, o Banco de Moçambique nunca se tinha pronunciado sobre este litígio, mas quis o seu o governador, Rogério Zandamela, elaborar algumas linhas na sua intervenção para referir-se ao caso, especialmente para agradecer o PR pelo papel que desempenhou para que as obras conhecessem o bom fecho.

“Como é de conhecimento geral, esta obra ficou paralisada por longo período decorrente de um litígio desgastante para o Banco de Moçambique”, disse Zandamela, no seu discurso de ocasião, prosseguindo que para esta situação foi “muito difícil encontrar amparo mesmo nas instituições que visam proteger o bem público”, por isso “nesta sequência, o Banco de Moçambique apenas retomou recentemente a posse deste edifício que hoje estamos a inaugurar graças à liderança e comprometimento pessoal de sua excelência o Presidente da República”.

A titularidade do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) sobre o espaço em referência ainda preocupa o grupo empresarial Rajahussein Gulamo que se vê sacrificado sem o ressarcimento pelos danos causados, considerando que no espaço já havia infra-estruturas. (Redação)

Restabelecida Energia nos distritos da zona Norte de Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – A Electricidade de Moçambique, E. P. (EDM), em comunicada de imprensa, informa aos seus Clientes e ao público em geral que concluiu com sucesso, esta semana, os trabalhos de restabelecimento de energia a todos os distritos da zona norte da Província de Cabo Delgado afectados pelos ataques terroristas.

“Depois de restabelecido o fornecimento da corrente eléctrica nos distritos de Mueda, a 3 de Setembro; Mocímboa da Praia, a 11 de Setembro; Nangade a 27 de Setembro; e Palma, a 8 de Outubro; a energização, a 22 de Novembro,  do distrito de Muidumbe, que se encontrava desprovido de energia desde 20 de Agosto de 2020, representa o culminar das intervenções de emergência de curto prazo iniciadas com a recuperação e energização da subestação de Awasse”, refere a nota enviado no princípio da tarde desta quarta-feira (24).

As obras para reposição do fornecimento de energia no norte de Cabo Delgado, segundo a mesma nota, contaram com o financiamento do Governo de Moçambique e fundos próprios da EDM, estando em curso a mobilização de fundos junto dos parceiros de cooperação para reconstrução definitiva do sistema eléctrico daquela região do País. (Redação)

Nigerianos detidos pelo SERNIC por tráfico de drogas em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, deteve, esta semana, dois cidadãos de nacionalidade nigeriana por seu envolvimento nos esquemas de tráfico e consumo ilícito de drogas no país.

Para além dos dois cidadãos de nacionalidade nigeriana, o SERNIC deteve, também, outros dois moçambicanos sendo um homem e uma mulher, por sinal a esposa do chefe do grupo dos nigerianos. Aliás, o referido chefe dos nigerianos traficantes de drogas, para sonegar as entidades que lidam com investigação no país, as documentações das viaturas envolvidas no transporte de drogas vinham em nome da moçambicana (Deise).

“A partir do nome do marido da Deise que nós tínhamos, se as viaturas estivessem registadas em nome dele facilitaria aquilo que eram as investigações”, referiu Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC em Nampula.

O referido grupo de nigerianos é proprietário de 36 quilogramas de droga apreendida em Junho do ano em curso, no controlo de Matibane, distrito de Nacala em Nampula. Aliás, na ocasião o SERNIC conseguiu deter apenas o motorista do referido camião, mas que depois das diligências foi possível encarcerar os outros quatro, totalizando cinco e a meta actual passa por neutralizar o alegado proprietário das referidas drogas.

A droga em causa tinha como ponto de entrada a cidade de Nacala, com destino para Maputo e África do Sul onde seria comercializada e consumida.

Segundo recordou Enina Tsinine, a investigação que culminou com a detenção do grupo dos traficantes iniciou-se em 2020, altura em que foi reportada a existência de um grupo que se dedicava ao tráfico de drogas ao nível do distrito de Nacala. Aliás, a fonte fez saber que o mesmo grupo antes estava instalado em Cabo Delgado e viu-se obrigado a abandonar por, alegadamente, enfrentar uma vez que os indiciados não tinham residência naquele ponto de Moçambique e Nacala encontraram o solo fértil para a prática criminosa.

“O seu irmão é que orquestrava o esquema, na medida em que ele organizou um sítio de alojamento no distrito de Nacala e tinha como missão a recepção de droga que fosse descarregada nos contentores em Nacala e posterior distribuição nas viaturas que eram registadas em nome da Deise”, disse Enina Tsinine.

Nem toda riqueza dos estrangeiros em Moçambique vem das práticas honestas

A porta-voz do SERNIC em Nampula explicou no acto de apresentação daqueles traficantes de drogas que, alguns cidadãos de origem estrangeira quando chegam a Moçambique, muitas das vezes simulam fixar algum tipo de actividade comercial lícita só para não serem suspeitos das suas práticas satânicas.

Deu exemplo do recente grupo dos nigerianos traficantes de drogas que ao chegarem a Moçambique fingiram serem vendedores de acessório de móveis, quando na verdade a principal actividade é o tráfico de drogas.

“Como é um cidadão estrangeiro não poderia estar no país sem que exerça alguma actividade comercial ou algo que justifique a sua estadia, o Kristian foi obrigado a abrir um negócio de venda de acessórios e assim ele conseguiria facilmente disfarçar as investigações das autoridades do SERNIC para que os mesmos não fossem descobertos”, continuou a fonte.

“Os dois irmãos tinham outra missão que era de transportar com a facilidade que eles tinham de serem naturais de Nampula, em particular o distrito de Nacala. Eles tiravam as drogas nos camiões bem como noutros minibuses com destino a Maputo, concretamente na praça de Touros, onde o Mound (o chefe do grupo dos nigerianos) tinha lá seu estabelecimento comercial, também de disfarce, porque na verdade, o comércio que ele se dedica é o comércio de drogas”, precisou a porta – voz do SERNIC em Nampula. (Constantino Henriques)

Drogas no porto de Nacala: Alarga-se a rede do narcotráfico no porto de Nacala com novos actores

Nacala (IKWELI) – O tráfico de drogas, tendo como principal ponto de entrada o porto de Nacala, na província de Nampula, está a tornar-se cada vez mais forte e com o envolvimento de novos actores. Já tínhamos reportado em Março deste ano sobre os contornos de uma larga apreensão.

Uma investigação levada a cabo pelo Ikweli, naquele porto, apurou que devido as dificuldades para o manuseamento de drogas proibidas na República de Moçambique, os responsáveis da rede tiveram de alargar a base dos actores envolvidos nos processos.

Com efeito, e para evitar situações de interceção e captura pelas autoridades policiais, a rede decidiu por envolver funcionários dos sectores responsáveis pela fiscalização.

O trânsito de drogas no porto de Nacala não é algo novo, e é tido como sendo um ponto estratégico na África Austral para o baldeamento para o efeito antes do seu envio, via terrestre, para a Africa do Sul e depois deste pais para mercados europeus e asiáticos.

Quem, também, passou a fazer parte da rede são os condutores de camiões que, para o porto de Nacala, vão fazer o levantamento de mercadoria diversa para distribuir pelo país e para outros países da região.

Houve tempos em que as drogas eram logo apreendidas antes de entrar para o mercado nacional. Nessa época, os técnicos das Alfândegas não faziam parte do circuito de movimentação. Aliás, os técnicos que controlavam as câmeras de vigilância, também, não faziam parte dos esquemas, por isso as denúncias eram frequentes.

Entretanto, de um tempo a esta parte o cenário mudou. É que as operações deste calibre são do conhecimento de todos os funcionários, tanto é que quando uma equipa de inspecção decide fazer uma visita ao local, ocorre uma comunicação no sentido de se travar as operações ilícitas.

Os serviços de scanner estão a cargo da empresa Kudumba Investiments, Limitada. Trata-se de um negócio adjudicado pelo Governo, com o apadrinhamento de altas figuras do Estado para viabilizar a entrada de drogas.

O Ikweli apurou que houve tempos em que alguns funcionários dessa firma que não compactuavam com essas práticas faziam denúncias anónimas. A rede de tráfico apercebendo-se da situação acabou alterando a forma de actuação.

Nos dias que correm o circuito tornou-se mais secreto. Informações em nosso poder referem que a entrada da droga pelo Porto de Nacala é feita de diferentes formas. Há traficantes que preferem descarregar o produto a partir da praia do Fernão Veloso, antes mesmo do navio atracar no Cais do Porto, recorrendo-se a pequenas embarcações, na sua maioria de fabrico tradicional.

Vezes há em que, mesmo chegando no Porto, a operação de retirada da mercadoria ilícita é feita antes de os contentores serem descarregados do navio. A carga é colocada nos pequenos barcos para seguir outros destinos.

Embarcação retirando droga do porto de Nacala para a Praia do Fernão Veloso

O nosso repórter apurou, ainda, que outros contentores contendo as drogas passam pelo Porto de Nacala, mas criam-se mecanismos de evitar a passagem pelo scanner. Quando isso acontece há o envolvimento da direcção do Porto de Nacala, que dá ordens aos conferentes para não questionar a proveniência e o destino da carga.

As nossas fontes, que pediram anonimato por temerem represálias por parte dos superiores hierárquicos, disseram que essas operações acontecem a meia-noite para evitar qualquer tipo de fuga de informação.

Os conferentes recebem ordens acompanhadas de ameaças sob risco de perder o emprego, caso alguém tente frustrar a movimentação de mercadorias ilícitas. “Quando a mercadoria é ilícita surgem ordens para não exigir documentos, não fazer anotações do contentor e muito menos obrigar a passar pelo scanner. A partir desse momento começamos a desconfiar o tipo de carga”, disse o nosso entrevistado.

Olhando para os investimentos que estão a acontecer no Porto de Nacala, do ponto de vista de obras de reabilitação e a melhoria dos níveis de segurança, o nosso jornal ficou a saber que não há espaço para essas manobras sem o envolvimento directo de gente graúda.

Dizem que os profissionais das Alfândegas estão, directamente, ligados ao movimento de drogas. O director do Porto de Nacala, Neimo Induna é apontado como sendo que a pessoa que dá as caras para dirigir as operações secretas. Contudo, a nossas fontes afirmam que ele só está a ser usado por figuras que não podem aparecer.

O director do Porto de Nacala é apontado como a pessoa que liderou a contratação de novos funcionários, dentre eles amigos e familiares, através dos quais instalou uma equipa de supervisão para controlar os movimentos estranhos. É esse grupo que tem a responsabilidade de comunicar ao “chefe” sobre qualquer trabalhador que tenta promover a fuga de informação referente as operações secretas.

Nos últimos tempos, os membros da referida rede de traficantes adoptaram uma medida para despistar a atenção de quem quer que seja a pessoa curiosa. É que os documentos que acompanham os contentores já não apresentam detalhes do tipo de mercadoria em trânsito.

O portfólio que apresenta o Programa de operação de contentores, emitido pela direcção dos Caminhos de Ferro de Moçambique, órgão que gere o Porto de Nacala, omite o tipo de mercadoria, limitando-se a referenciar “Carga diversa” e o nome do cliente, ou seja, o proprietário da mercadoria.

Trata-se de um pormenor que é observado em todos os contentores que entram naquelas infra-estruturas portuárias.

Os nossos informantes revelaram que as drogas que são apreendidas e anunciadas na imprensa os seus proprietários recusam-se a “colaborar” com todos os intervenientes no esquema de movimentação. Ate ao fecho da nossa edição, todas as tentativas de ouvir a versão do diretor do porto foram infrutíferas. Mas prometemos continuar a envidar esforços de o oferecer o direito que o assiste: o do contraditório. (IKWELI)

Murrupula: Arrancou processo de desmilitarização de perto de 590 homens da RENAMO

Nampula (IKWELI) – Arrancou na manha desta terça-feira (23), o processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos homens residuais no norte de Moçambique, e o primeiro grupo está sendo beneficiado no posto administrativo de Cazuzu, no distrito de Murrupula.

Em Nampula, naquele referido centro, espera-se que, pelo menos, 587 (quinhentos e oitenta e sete) antigos guerrilheiros da perdiz sejam reintegrados na sociedade, no âmbito dos esforços da manutenção da paz em Moçambique.

O evento movimentou altas figuras do Estado e da Renamo, destacadamente o Secretário-Geral e representante da RENAMO na Comissão dos Assuntos Militares (André Magibire), o General Paulo Chachine, representante do governo na Comissão dos Assuntos Militares, e Mety Gondola, Secretário de Estado na província de Nampula.

Na ocasião, Magibire tratou de felicitar os seus companheiros pela nova fase das suas vidas, por isso pediu ao governo para que respeite estes cidadãos que passam a ter um novo estatuto na República de Moçambique.

Igualmente, este político mantem a esperança de que os subsídios atribuídos neste âmbito passem a ser regulares para que os antigos guerrilheiros tenham as suas vidas em progresso.

O General Paulo Chachine voltou a referir-se do papel que as lideranças do governo, Filipe Nyusi, e da RENAMO, Ossufo Momade, tem tido para a manutenção da paz em todo o país, por isso o acto que foi testemunhado em Murrupula deve servir de inspiração e uma nova fase na vida dos moçambicanos. (Redação)

Recrutamento para o terrorismo: Perto de 1500 agentes da PRM vão aumentar segurança Nampula

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, realiza no próximo dia 26 de Novembro corrente uma parada policial de apresentação de perto de mil e quinhentos (1500) novos agentes da corporação que vão reforçar as actividades operativas naquela província do norte de Moçambique.

Os distritos da zona costeira da província de Nampula continuam sendo apontados como sendo os principais fornecedores de jovens ao grupo terrorista que continua a perturbar a ordem e tranquilidade públicas em alguns distritos da província nortenha de Cabo Delgado.

Por essa razão, segundo apuramos de fontes credíveis, perto de 1500 agentes serão alocados aos distritos da província de Nampula, suspeitos de serem centros de recrutamento de jovens para alimentar as fileiras dos terroristas.

A referida parada policial, segundo apuramos, será presidida pelo comandante – geral da PRM, Bernardino Rafael, não se descartando, também, a possibilidade de o acto ser dirigido pelo Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi. (Redação)

Vahanle vai leiloar produtos não perecíveis e oferecer os perecíveis

Nampula (IKWELI) – Durante o próximo mês de Dezembro, o conselho autárquico de Nampula, através da sua Polícia Municipal e de Fiscalização vai proceder a venda, em leilão, dos vários produtos não perecíveis recolhidos durante as actuações da corporação contra vendedores informais nas ruas da urbe.

De acordo com a chefe de Educação Pública na Polícia Municipal e de Fiscalização da cidade de Nampula, Zaina Muatamurro, os produtos perecíveis deverão ser oferecidos a instituições como os estabelecimentos penitenciários.

Esta responsável diz-se que os produtos são referentes aos primeiros nove meses do corrente ano, mas o número de vendedores ambulantes desmantelados ainda está por quantificar.

“Durantes estes 9 meses, nós da polícia municipal e fiscalização desmantelamos um número maior de vendedores ambulantes, e sendo assim não temos um número claro dos vendedores”, disse a fonte, esclarecendo que o programa de venda em leilão ser irreversível.

Mesmo diante da educação cívica promovida pelos agentes da polícia municipal e de fiscalização, ainda, há vendedores renitentes, sobretudo os promotores e/ou praticantes da actividade financeira de carteira móvel.

“Nós não vamos parar de desmantelar os vendedores ambulantes, porque este é o nosso trabalho”, concluiu Zaina Muatamurro. (Nelsa Momade)