Violência escolar contra LGBT’s: “MECANISMOS DE DENÚNCIA NÃO FUNCIONAM EM MUITAS ESCOLAS MOÇAMBICANAS” – QUEIXAM-SE ESTUDANTES LGBT

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Nampula (IKWELI) – “Muitas vezes fui discriminado e violentado por colegas e também por alguns professores na escola, por conta da minha orientação sexual – [homossexual]. Mas quando apresentei o problema à direção da escola, nunca se tomou alguma medida para resolver o problema.” Este é um dos vários depoimentos de jovens estudantes LGBT, apresentado ontem, 24, em Maputo, durante mais uma sessão de disseminação dos resultados do estudo sobre “Violência com base na Orientação Sexual e Identidade de Género perpetrada contra Jovens estudantes LGBT nas escolas secundárias de Maputo, Beira e Nampula”, realizado pela associação LAMBDA.

Segundo apontam, o problema da violência e discriminação no espaço escolar, vem ganhando terreno e proporções alarmantes, porque as questões relacionadas a temática LGBT e identidade de género ainda são tratadas de forma “marginal” nas escolas do país, o que “contribui para a ocorrência de comportamentos e atitudes desrespeitosos, incluindo de violência, quer por parte de estudantes, como também de professores para com os estudantes que se identificam como LGBT- Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros,” consideram.

O estudo sobre “Violência com base na Orientação Sexual e Identidade de Género perpetrada contra Jovens estudantes LGBT nas escolas secundárias de Maputo, Beira e Nampula,” – realizado pela associação LAMBDA em 2021 e apresentado publicamente em Agosto passado, estando agora na fase de disseminação dos respectivos resultados pelo país, apresenta os principais desafios do sector da educação no que tange à problemática do estigma, discriminação e violência baseados na orientação sexual e identidade de género e apresenta os principais caminhos que podem contribuir para mitigar e/ou resolver os impactos do estigma e discriminação no espaço escolar, tendo em vista a necessidade de reduzir os altos níveis de desistência e insucesso escolar no seio da comunidade LGBT em Moçambique.

Na ocasião, ao intervir, a Presidente do Conselho de Direção da LAMBDA – Terezinha da Silva, apontou que em Moçambique há ainda um longo caminho a percorrer no que diz respeito ao reconhecimento da diversidade e da igualdade substantiva entre os cidadãos, independentemente da sua orientação sexual e, como prova disso, “é a atitude do Ministério da Justiça ao se manter em silêncio sobre o pedido de legalização da nossa organização, a [LAMBDA].”

Créditos/: #Lambdamoz

Para a Presidente da LAMBDA, a pesquisa em alusão, é de elevada importância porque, “conhecer esta realidade [sobre a comunidade LGBT] com maior detalhe e dá-la a conhecer, cumpre tanto uma função social quanto científica que nos habilita enquanto comunidade nacional a melhor nos entendermos e a melhor nos prepararmos para fazer do futuro uma coisa muito melhor do que o presente e o passado.”

Por seu turno, Roberto Paulo – Director Executivo da LAMBDA lamentou a falta de progressos no sector da Educação ao contrário do que vem se registando no sector da Saúde, aonde passos significativos têm sido dados com vista a inclusão das pessoas LGBT nas políticas públicas bem como a oferta de serviços de saúde amigáveis e humanizados, “algo que não se regista no sector da educação.”

Recorde-se, nos últimos 5 anos, a LAMBDA vem realizando sessões de sensibilização de professores secundários, a nível nacional, com vista ao desenvolvimento de competências culturais sobre diversidade, identidade de género e direitos humanos.

Enquadrado nos objectivos da associação LAMBDA, de sensibilização e educação pública para a mudança de comportamento, o evento juntou actores da sociedade civil, incluindo da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, académicos e jovens estudantes da comunidade LGBT. (Redação com Lambda)

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