Meluco (IKWELI) – Uma técnica do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) do distrito de Meluco, afecta ao sector de Acção Social, continua ainda desaparecida, depois de a viatura governamental em que viajava no sentido Cidade de Pemba / Meluco – sede, foi atacada por terroristas na última quinta-feira.
Na mesma viatura, onde viajam além de dois funcionários daquele serviço, sendo um motorista, estava uma mãe com um bebé de seis anos, que na companhia da técnica de Acção Social, estão em paradeiro desconhecido, segundo relataram fontes do Ikweli.
Segundo apuramos, o motorista imobilizou a viatura à uma distância de 300 metros quando pela frente notou presença de homens armados que não tinham aparência de elementos das FDS e logo pôs-se em fuga.
“Isso é verdade, mas o carro não queimaram, mas o movimento de terroristas foi visto desde anteontem, e o motorista viajou 13 horas, chegou numa aldeia assim, ele viu movimento estranho e daí abandonou o carro e fugiu. Estava aí uma senhora, uma técnica de saúde e uma criança, de seis meses, dali os tipos a levaram não sei, mas o carro não queimaram só que todos medicamentos”, disse uma fonte na cidade de Pemba.
Um outro entrevistado realçou que logo depois dos ocupantes abandonarem a viatura, apareceu uma equipa de militares que saia, também, de Pemba, que confrontou os terroristas e o carro, bem como uma motorizada foram evacuados até Macomia-sede.
O ataque à viatura Toyota Hilux do tipo D4D alocado ao governo do distrito de Meluco, aconteceu no mesmo dia em que o Chefe do Estado e comandante chefe, Filipe Nyusi, disse que o governo ainda não tinha dado ordem para o regresso da população às suas zonas de origem. (Redação)
Nampula (IKWELI) – Um indivíduo, jovem, de 22 anos de idade está a contas com a Polícia da República de Moçambique (P.R.M), no comando provincial de Nampula, indiciado de assassinar o seu próprio sobrinho que em vida tinha falta de pigmentação da pele.
O homicídio qualificado ocorreu em Iuluti, no distrito de Mogovolas, na semana finda, e o indiciado pretendia vender órgãos do malogrado.
De acordo com o indiciado, o crime macabro envolve cinco indivíduos e deu-se na localidade de Mputo, posto administrativo de Iuluti, onde depois de tirar vida da vítima o grupo esquartejou o corpo, tendo retirado os membros superiores e inferiores, para além segundo conta o indiciado, foram os seus amigos que o convenceram para a prática de tal crime, tanto que a persuasão do sobrinho seria uma tarefa fácil pela ligação familiar.
“Eu estou aqui porque matei meu sobrinho albino. Tudo começou quando um tio meu veio alegando que havia descoberto um patrão que compra boladas (pessoas albinas), mas para isso, eu devia convencer o meu sobrinho até o local indicado pelos mandantes. Ao chegar lá, eles fariam o resto, ou seja, matariam e levariam as partes que precisam para ir vender. Em troca disso, eu ganharia recompensa de 100.000,00Mt (cem mil meticais). Daí eu aceitei”, contou o indiciado que disse ter testemunhado a acção, e consumado o acto foi encarregue para enterrar a outra parte do corpo do seu sobrinho.
Este disse ainda que o possível comprador dos órgãos da vítima seria encontrado no distrito de Murrupula, mas antes a estratégia caiu em maus lençóis e um dos integrantes ficou detido, enquanto outros colocaram-se em fuga.
Refira-se que o corpo foi descoberto por um grupo de pastores de gado que na altura do esquartejamento do corpo da vítima assistiram o sucedido e de imediato comunicaram às autoridades comunitárias e, seguidamente, à polícia da vila de Nametil, sede do distrito de Mogovolas.
Por sua vez, o Comando provincial da P.R.M, através do seu porta-voz, Zacarias Nacute, classifica o acto de rapto e assassinato do jovem albino de crime de homicídio agravado, dando conta que um dos integrantes da quadrilha foi neutralizado na última quinta-feira 26 de Maio, no seu local de residência.
Para já, segundo garantiu o porta-voz, seguem os trâmites legais para responsabilizar o indiciado pelo crime praticado.
Em relação aos outros que se colocaram em fuga, Nacute garante igualmente que trabalhos estão a ser realizados no sentido de localizá-los e colocá-los a barra da justiça. Aliás, “o indivíduo detido afirma que teria sido prometido 7.000.000,00Mt (sete milhões de meticais) para fazer entrega das ossadas à um suposto mandante”, acrescentou Zacarias Nacute, porta-voz do Comando provincial da P.R.M em Nampula. (Texto: Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)
Nampula (IKWELI) – Em consequência da subida do preço do pão, várias famílias residentes na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, decidiram pelo consumo da batata doce em substituição deste produto.
Actualmente, um pão de trigo custa 8,00Mt (oito meticais) por unidade, cujo peso não é certo.
Nos principais pontos de venda de batata doce na autarquia de Nampula a procura é visível, sobretudo nos mercados, como é o caso do grossista do Waresta.
A dona Cristina é uma dona de casa que decidiu esquecer o pão, e conta que com “10,00Mt (dez meticais) compro batata suficiente para os meus filhos”.
Quem, também, aderiu a batata doce é a senhora Lídia que vive no bairro de Napipine. Com um agregado de seis pessoas, a sua capacidade de comprar o pão com o novo preço ficou, drasticamente, afectada.
Antes da subida do preço do pão, a família da Lídia precisava de, pelo menos, 30,00Mt (trinta meticais) por dia para ter pão suficiente na mesa, mas nos dias que correm tal não acontece.
Felipe Américo, vendedor no mercado do Waresta, também, aderiu a batata doce, e diz que nas condições actuais não é possível consumir o pão de trigo.
Reformado, o senhor Gabriel Isaac, também, tem dificuldades em adquirir o pão, e pelo rumo da vida diz que “parece que estamos no tempo colonial. Há alimentos que estão a virar de luxo”. (Vânia Jacinto)
Nampula (IKWELI) – O uso de métodos contraceptivos por raparigas e mulheres tem trazido efeitos colaterais para as usuárias, sobretudo períodos de menstruação prolongados e dificuldades em engravidar quando desejar.
Um trabalho desenvolvido pelo Ikweli, revelou que a maioria das usuárias está pouco informada sobre os efeitos colaterais destes métodos, o que as coloca em desespero em muitos casos.
De acordo com estas mulheres, os métodos usados, destacadamente o Implante, Dispositivo Intrauterino (DIU) e Depo-Provera, este último mais conhecido por “Depo”, causam dores na medida em que as usuárias decidem abandonar e seguir uma vida normal sem o uso dos mesmos, ou então quando mantem relações sexuais.
A injecção anticoncepcional trimestral chamado Depo-Provera é um contraceptivo injectável de acção prolongada, que tem efeito durante, pelo menos, três meses, enquanto que o Implante é uma pequena cápsula que contém o hormônio etonogestrel. Contudo, as raparigas e mulheres adultas, entrevistadas pela nossa reportagem, descrevem as desvantagens destes métodos, desde as dores no período em uso e dificuldades de engravidar após o abandono do uso.
A cidadã identificada pelo nome de Zaida, de 38 anos de idade, disse ao Ikweli que antes colocou o implante, método que achou certo para se prevenir da gravidez não desejada, porém, viu o seu ciclo menstrual interrompido por muito tempo, motivo que lhe levou a trocar este método pelo Depo-Provera.
“Quando troquei Implante pelo Depo, não passou muito tempo, que os meus pés começaram a doer, a minha bexiga enchia parecendo que estava grávida. Tive dificuldades de me locomover, e quando fui ao hospital deram-me pílulas para provocar, dai que fiquei oito meses a menstruar e sem interromper. Porém, para melhorar recorremos, eu e o meu marido, ao médico tradicional”.
Mãe de seis filhos, residente no bairro de Namutequeliua, arredores da cidade de Nampula, Zaida conta que, para ela, os métodos contraceptivos não só evitam gravidez indesejada, como também garante a saúde do seu filho de um ano e oito meses de vida e, quando dirigiu-se ao hospital para remoção do implante teve dificuldades, uma vez que o aparelho movimentou-se do lugar habitual para as outras partes do seu organismo (nas costelas).
A estória da Zaida repete-se nas outras raparigas e mulheres entrevistadas pelo Ikweli, na cidade de Nampula. A cidadã Angelina, residente em Namicopo, o mais populoso bairro do país, conta que desde o mês de Março do corrente ano o seu ciclo menstrual nunca parou, e mesmo assim continua a usar na esperança de ver o ciclo parar, uma vez que lhe é garantida pelo pessoal médico.
“Estou há um ano a usar esse método de Depo, tenho de receber por via injectável uma vez, em cada três meses. Passei oito meses sem entrar de período, todavia, quando fui picar no mês de Março do corrente ano até então não para o meu ciclo menstrual. Tenho cólicas fortes, dores abdominais, falta de apetite, náuseas e o pior é que a hemorragia que tenho saí com coágulos o que provoca mau cheiro. “Tentei por diversas formas tratar o problema, mas não resolve nada”, lamentou a nossa entrevistada.
“Essas coisas são boas quando na verdade não engravidamos, mas em termos de saúde fica tudo alterado para o pior. Eu já estou a pensar em tirar o Implante que coloquei, na verdade foi por incentivo das minhas colegas que comecei a usar métodos contraceptivos, sobretudo, o Implante. Desde Janeiro do ano passado 2021 que comecei a usar o método, só apanhei a menstruação neste mês de Maio. Já não consigo controlar o meu ciclo menstrual, uma vez que há momentos em que só dura 12 horas e com fortes dores de bexiga. Sinto-me incomodada, estou a ficar magra e já penso em abandonar”, conta outra fonte.
O que dizem os profissionais?
Para melhor entender o problema levantado pelas raparigas e mulheres adultas usuárias dos métodos contraceptivos, o Ikweli entrevistou Sara Joaquim Oface, enfermeira de Saúde Materno Infantil, afecta aos serviços de urgência de Genecologia do Hospital Central de Nampula (H.C.N), a qual defende ser normal o problema levantado pelas mulheres.
De acordo com as suas palavras, o uso dos métodos de planeamento familiar causa o fluxo menstrual diário, nalgum momento ligeiro, resultante do uso de medicamentos que são indicados pelos respectivos técnicos de saúde.
“Por exemplo, há casos que as mulheres logo que iniciam o método injectável vão tendo fluxo menstrual abundante”. Nesses casos, “elas (as mulheres) podem correr o risco de ter anemia grave e precisarem de internamento para receber cuidados médicos, uma vez que podem correr o risco de perder a vida devido ao estado de hemoglobina no seu organismo”, explicou a enfermeira, que aconselha a procura de um médico para assistência, em casos de complicação.
Sara Joaquim Oface, Técnica de Saúde Materno Infantil no HCN
Igualmente, “quando é assim verifica-se, primeiro, o seu estado clínico, se o método injectável está a criar complicações nesta mulher e se dá para continuar com o método ou não. O mesmo acontece com o Implante, a mulher que usa implante nos primeiros meses, pode ser que tem aquelas irregularidades de menstruação, mas se pode avaliar com o tempo. Se ela continua a ter o fluxo abundante, então precisara de voltar à unidade sanitária e explicar a situação”.
“Nunca se pode procurar médicos tradicionais, quando a pessoa já está com método de planeamento familiar, porque tem serviços de saúde disponível. Eu aconselho sempre quem tiver um período menstrual prolongado procure sempre uma unidade sanitária com urgência para tratar o problema”, desaconselhou a nossa fonte, a qual acredita na existência de usuárias de métodos contraceptivos que procuram pelos serviços de medicina tradicional, quando se deparam com questões de ciclo menstrual prolongado, por exemplo.
Na mesma linha de pensamento, quando questionada sobre a interrupção de fertilidade nas mulheres usarias de métodos contraceptivos, a enfermeira e ginecologista Sara Joaquim Oface começou por explicar que, em princípio, é preciso avaliar o porquê da infertilidade, uma vez que o problema não só ocorre durante o uso de métodos de planeamento familiar ou então depois disso.
Alias, “existem outros problemas ginecológicos e que precisam de ser avaliadas por especialista para entender a possibilidade de voltar a fertilidade e ter uma nova gravidez. Isso carece de consultas acompanhadas por um médico que avalia quais os problemas que a mulher apresenta, para além de planeamento”, concluiu a fonte. (Atija Chá)
Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, maior círculo eleitoral do país, já conta com uma nova Comissão Provincial de Eleições (CPE), cujos membros tomaram posse na manha de ontem, quinta-feira (26).
Ao todo são 15 membros, mas apenas três são mulheres. Trata-se de Alzira Manhiça, Olinda Graciete Vicente e Maria da Gloria Saúde.
Na mesma lista dos investidos constam os nomes de Luciano Tarieque, Albertino Luís, Abubacar Abdulai, Sumaila Muapaz, Júlio Mecussete, Momade Ecupe, Virgílio Arnane, Xavier Tianeque, Mário Nihico, Daniel Ramos, Joaquim Carmona e Branquinho Nhembe, onde estes últimos dois foram constituídos vice-presidentes. Aliás, ao que tudo indica, a Comissão Provincial de Eleições de Nampula continua a ser dirigida pelo cidadão Daniel Ramos, que consta na lista dos empossados.
Quem investiu os novos membros que irão conduzir as 6ª eleições autárquicas em Outubro do ano 2023 é o Vice-presidente da Comissão Nacional de Eleições, Fernando Mazanga, o qual desafia os membros a tornarem livre, justo, transparente e amigável o processo eleitoral próximo, dando o esforço maior para dirimir os eventuais litígios durante o processo.
Aliás, “a partir de hoje os processos eleitorais constituem a vossa charneira de acção enquanto membros da Comissão Provincial de Eleições de Nampula. Os processos eleitorais têm vicissitudes e complexidades específicas e, para além de lidar com esse binómio, exige de vós sentido de missão a razão de ser desta auto solene de tomada de posse. O sentido de missão exige de vós saber claramente onde estão, vão e o que precisam para lá chegar. O que na verdade esperamos de vós é alinhamento, direcção, compromisso, confiança mútua e trabalho em equipa porque individualmente não realizaram eleições livres, justas, transparentes e credíveis”, revelou Mazanga as suas expectativas para com os recém-empossados.
Dirigindo-se aos empossados, Fernando Mazanga recordou que o modo de actuação dos órgãos de administração e gestão eleitoral assenta-se na Constituição e das demais leis da república de Moçambique, nas deliberações e instruções e de mais instrumentos normativos dos órgãos da administração e gestão eleitoral, significando assim agir baseando-se nos ditames da lei, bem com de acordo com a consciência e exigência da técnica e profissionalismo.
“O vosso papel é garantir a realização das eleições e não para facilitar ou dificultar o processo da eleição deste ou daquele candidato”, sublinhou Mazanga aos membros da Comissão Provincial de Eleições de Nampula, recordando que “o acto de empossamento vos confere uma elevada responsabilidade e requere de vós o compromisso de gerir o processo eleitoral com o elevado sentido e cultura de paz, justiça, tolerância, diálogo, independência, transparência e parcialidade na tomada das vossas decisões, devendo dar igual tratamento e iguais oportunidades aos partidos políticos, as coligações de partidos políticos e grupos de cidadãos eleitores proponentes, deixando que só o povo faça a sua livre escolha”.
A seguir, o vice-presidente da Comissão Nacional de Eleições destacou as irregularidades verificadas nos processos eleitorais anteriores para se referir do desafio de melhorar as formas de actuação dos órgãos de administração eleitoral, por sinal instituições de grande importância na realização do processo em todo o território nacional.
E para garantir a melhoria do processo eleitoral, no entender de Fernando Mazanga, pressupõe-se a união dos envolvidos, ou seja, trabalho em equipa, que se constrói através de valores comuns, numa visão partilhada e resultante de desafios enfrentados e sucessos alcançados por todos, daí a importância dos valores que constituem pilares da Comissão Nacional de Eleições, nomeadamente, a liberdade, justiça, transparência, integridade, profissionalismo eficácia e eficiência, devem prevalecer acima de quaisquer interesses individuais e serem assumidos pelos membros no exercício das suas funções enquanto quadros da Comissão Provincial de Eleições na em Nampula. (Esmeraldo Boquisse)
Maputo (IKWELI) – O Governo, as associações das empresas do sector e a associação de produtores familiares de algodão de Moçambique acordaram hoje o preço de referência para o algodão caroco para a Campanha Agraria 2021/2022.
O acordo foi alcançado depois de negociações entre as partes, mediadas. Os produtores familiares haviam trazido a proposta de um preço de 35 Mts/KG e as empresas uma sugestão de 30 Mts/KG. Com a moderação do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), através do Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique, o preço a vigorar até a campanha agrícola do próximo ano será de 33 Mts.
O facto foi anunciado na manhã desta quinta-feira (26), pelo Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Ismael Correia, num evento que juntou as três partes, o qual serviu para se fazer o balanço de uma intervenção inédita na relação entre as três partes.
Há dois anos, aquando de acordo similar para novos preços mínimos – num momento em que o preço tinha baixado drasticamente e algumas empresas equacionam abandonar a compra do produto – o Governo decidiu injectar 240 milhões de Meticais de subsídios às empresas, garantindo a manutenção da sua ligação com 150 mil produtores familiares (cerca de 800 mil pessoas).
O impacto dessa intervenção para a economia foi tremendo. O negócio gerou 20 milhões de USD, 50% dos quais foi encaixe directo dos produtores e 10% (2 milhões de USD para empresas de logística). Estes dados foram aferidos por um estudo independente, apresentado no evento desta manhã. “A lógica dos subsídios, aplicada noutras geografias, surtiu o efeito”, frisou o Ministro. Esta política vai continuar, acrescentou, dado o impacto positivo deste sector, uma cultura de exportação de excelência, na balança de pagamentos e na balança comercial.
“Hoje atingimos uma das mais maiores exportações dos últimos 50 anos”, um dado histórico, de acordo com o Ministro, significando um aumento de rendimento de 150 mil famílias, em 32%, o qual vem em boa hora sobretudo devido à actual crise inflacionaria, que vigora em todo mundo, decorrente do conflito entre a Rússia e o Ucrânia. (Redação)
Nampula (IKWELI) – Com 13 anos de idade, a menina Palmira, residente na zona residencial de Mutomote, nos arredores da cidade de Nampula, vive uma vida repleta de desafios e dificuldades, em virtude da sua situação física.
Com uma deficiência psicomotora desde a nascença, a menina viu o seu pai abandonar-lhe, incluindo a sua mãe, alegando que não sua família não haviam pessoas com deficiência do género.
O pai, cuja identidade não nos foi revelada, abandonou a menor quando tinha, apenas, nove meses de vida, momento que, regularmente, as crianças começam a dar os primeiros passos.
De lá para cá, a menor vive quase que desamparada. Com uma mãe sem fontes de rendimento e doente, Palmira está na casa da sua avó materna, passando por momentos difíceis, pois a vizinhança que partilhou o caso com a nossa equipa de reportagem assegura que a mesma tem sido maltratada.
O Ikweli conversou com a mãe da menor, e ela recorda-se que o pai da Palmira disse-lhe que “era impossível para ele ter uma filha invalida”, por isso “decidiu” por abandona-las, deixando as duas sem qualquer condição, facto que as coloca como dependentes de ajuda de familiares e pessoas com boa vontade.
Fátima Francisco contou ao Ikweli que a filha é resultado de uma gravidez precoce. Ela ficou grávida aos 13 anos de idade, e sem qualquer ajuda familiar na altura, incluindo do pai da menor que decidiu abandona-la devido o estado da saúde da mesma, não se dirigiu ao hospital, o que fez com que o problema se agravasse gerando consequências na filha menor que até hoje, aos 13 anos, não anda.
A nascença, segundo conta a jovem Fátima, a pequena Palmira não foi diagnosticada nenhuma doença que condicionasse a sua mobilidade, mas tal como disse a mãe, aos nove meses de vida, o seu desenvolvimento físico parou. “Ela não desenvolvia igual as outras crianças que aos 4 meses já sentam, e aos sete meses já engatinham. Não, com ela foi muito diferente, não lhe levei ao hospital, mas tive que me esforçar para que, pelo menos, ela pudesse sentar-se”.
Os problemas de mobilidade da menina Palmira, constituem um entrave na realização dos seus sonhos e desejos. Este ano por exemplo, ela viu-se obrigada a abandonar a escola onde frequentava a terceira classe, por não ter uma carinha de rodas ou não ter quem lhe acompanhasse. Além disso Palmira era constantemente marginalizada pelos colegas no recinto escolar, o que lhe fazia sentir-se diferente de outras crianças.
“Não vou a escola porque não consigo chovar a carinha, as minhas colegas me descriminavam por não conseguir andar”, disse Palmira ao Ikweli, recordando-se que a última vez que ouviu falar do pai foi em uma ocasião em que o mesmo encontrava-se em uma saca próxima da de onde moram. “A minha mãe quando se apercebeu que o meu pai estava do outro lada da casa, ela foi ao encontro dele exigindo material escolar para mim, por sua vez ele respondeu dizendo que não tem filha paralítica”. Palmira quer voltar a escola para se formar e ser enfermeira.
A avó da menor lamenta que o pai, “nunca procurou saber da filha, pelo menos registar a menina não fez”.
A mãe da menor conta que para sustentar a menina, e para amenizar a situação recorre a conhecidos e familiares. (Atija Chá)
Nampula (IKWELI) – Viver num centro urbano não é uma tarefa fácil, tanto que representa um nível de gastos em taxas e impostos próprios de uma zona autarcizada, o que muitas vezes não acontece porque os munícipes não conhecem a postura municipal, dispositivo que estabelece direitos e deveres para quem vive dentro de uma cidade.
É na postura municipal que as atribuições legais de um município são colocadas em praticados.
Uma das formas mais visível do desconhecimento da postura camarária por parte dos munícipes, tem a ver com a prática de actividades comerciais em locais proibidos por este dispositivo legal.
Dentre as várias actividades, as mais destacadas na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, são a venda de produtos alimentares, vestuários, lavagem de viaturas e oficinas de motorizadas e de viaturas.
Os que desenvolvem estas actividades, defendem-se, segundo contaram ao Ikweli, afirmando que procuram estes espaços para garantir rendimentos para suprir as suas necessidades de sobrevivência.
Finito da Fátima, pratica uma dessas actividades proibidas, e diz que não sabe que há um dispositivo legal que proíbe a prática das mesmas na via pública, sobretudo nos passeios, e muito menos já ouviu falar de postura municipal.
“Não posso mentir, não conheço as normas que violam a postura municipal, só sei que passamos mal com a polícia municipal, porque quando eles chegam nas ruas, somos arrancados os nossos materiais de trabalho, sem nenhuma explicação clara”, disse esta fonte.
Fernando Sumail, também, vendedor de rua, sabe da existência de normas desta natureza, mas não tem conhecimento profundo a respeito.
Laura Hilário é vendedeira ambulante, e muitas vezes diz-se transtornada pela actuação dos agentes da polícia municipal e de fiscalização, que a todo custo procuram fazer cumprir o código de postura camararia.
Ela não tem conhecimento das suas obrigações, por isso comenta que “a polícia municipal, depois de eles arrancarem o nosso material de venda, tem dito que devemos praticar as nossas actividades nos mercados, mas não indicam um mercado específico”.
Quem, também, está na situação de violação do documento em referência são os operadores de táxi de mota, que muitas vezes tem embaraçado a mobilidade na cidade de Nampula.
“Estou a fazer táxi de mota para conseguir dinheiro”, afirma Danilo João, localizado numa das praças mais movimentadas da cidade, e justifica-se que “aqui eu espero clientes que fazem as suas compras, e tenho conhecimento que as autoridades proíbem a prática desta atividade neste local”.
“Em algum momento, não porque nós queremos exercer as nossas atividades nas avenidas da cidade, mas é por não ter outra alternativa que somos obrigados a estarmos nas ruas”, afirma Zeca António, moto-taxista, assegurando que “a polícia municipal tem razão no sentido de retirar os vendedores da rua que realizam as suas atividades na via publica, porque interrompe a boa transitabilidade de pessoas e bem”.
A chefe de Relações Públicas no comando da Polícia Municipal e de Fiscalização da cidade de Nampula, Zaina Nampuio, diz haver ainda muito trabalho de sensibilizar por se fazer, no sentido de garantir que os vendedores de rua ocupem os mercados existentes na autarquia.
“Nós temos um mercado, conhecido por Mphavara, concretamente no bairro de Namicopo. Ninguém quer aderir aquele mercado, alegadamente, por vários motivos e isso nos preocupa, dai que nós vamos conversar com os moradores daquela zona para saber o que está a acontecer”, disse Zaina Nampuio.
“As oficinas e parqueamentos impróprios nos passeios da urbe, violam o código de postura municipal e violando o código de postura tem algumas multas para os mesmos, e para evitar estas multas é preciso que se retirem desses locais, procurem sítios apropriados e terem uma licença que autoriza estas práticas e pagar as taxas para actividades económicas”, concluiu a fonte. (Nelsa Momade)
Beira (IKWELI) – “A nossa presença neste evento é para dizer que estamos aqui e vamos comemorar juntos.” Estas são as palavras do Presidente do Conselho Autárquico da Cidade da Beira, Albano Carige, na manhã de hoje, 19, durante a recepção e exposição do “Amsterdan Rainbow Dress”, ou simplesmente vestido Arco-íris, que se encontra desde hoje naquela Cidade, no quadro das actividades comemorativas do Dia Internacional de Combate a Homofobia, 17 de Maio.
Para Albano Carige, participar daquele evento é importante porque “O Presidente municipal só existe porque existe a comunidade e, se as pessoas LGBT são parte dessa comunidade, então, o município tem a responsabilidade de juntar-se às efemérides desta comunidade”.
Sobre se existe algum trabalho do município da Beira no sentido de proteger os direitos da comunidade LGBT, do estigma e discriminação, Carige indicou não existir nenhum trabalho específico, isto porque, “todo aquele que é munícipe beirense tem o direito de ser protegido pelo município e não tem sido diferente para com os munícipes LGBT.”
Para a LAMBDA, segundo apontou Fau Mangore – Director Executivo Adjunto da LAMBDA, que se encontra também na Cidade da Beira, a disponibilidade do Governo municipal em participar ao mais alto nível nestas actividades, “tem um significado muito grande e representa um sinal inequívoco de que se reconhece a comunidade LGBT e as acções da LAMBDA, dentro do quadro de um trabalho de sensibilização e educação pública, cujo papel das instituições é de apoiar”, destacou.
Recorde-se, antes da cidade da Beira, o vestido arco-íris esteve durante 3 dias em Maputo e foi exposto na Fortaleza de Maputo e no campo do bairro da Mafalala, entretanto, nenhum desses momentos contou com a presença de algum representante do Governo municipal. Depois da cidade da Beira, o palco será a cidade de Nampula, no dia 22 de maio corrente.
O “Amsterdan Rainbow Dress” – é uma obra de arte em forma de vestido, com o objetivo de incentivar o debate e a conscientização sobre inclusão e igualdade de direitos em todo o planeta. É um vestido monumental com um diâmetro de mais de 16 metros. Composto pelas 71 bandeiras de países onde ser LGBT é punível por lei, incluindo oito países em que actos homossexuais podem resultar em pena de morte. O corpete do vestido é feito com a bandeira da cidade de Amsterdão, na Holanda. (Redação)
Maputo (IKWELI) – O “Amesterdan Rainbow Dress” ou simplesmente vestido arco-íris, que está desde a segunda-feira, 16, em Moçambique, e exposto pela primeira vez na capital do país, Maputo, na Fortaleza de Maputo, vai seguir para a cidade da Beira e depois para a capital do Norte, Nampula. O périplo de exposições pelo país acontece no quadro das celebrações do Dia Internacional de Combate à homofobia, que se assinalou ontem, 17 de Maio.
Em Moçambique a homossexualidade não é crime desde 2015, por isso, a bandeira da República de Moçambique não consta do vasto leque de 71 nações que têm as suas bandeiras no vestido “arco-íris”, o que para os activistas e membros da comunidade LGBT, “é um bom sinal, apesar da necessidade de se fazer mais pelos direitos das pessoas LGBT a todos os níveis, no país”, defendem activistas.
Para além da exposição do vestido “arco-íris, sessões de fotos, o 17 de Maio – Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, deste ano, é marcado por uma série de eventos, incluindo mesas redondas tendo como pano de fundo a agenda dos direitos LGBT em Moçambique.
Na capital do país, o vestido arco-íris, esteve exposto em dois pontos, sendo a Fortaleza de Maputo e o bairro da Mafalala, onde a comunidade LGBT, amigos e simpatizantes tiveram a oportunidade de pousar para fotografias junto do mesmo. Enquanto que na cidade da Beira, o vestido estará exposto no dia 19 de Maio, amanhã e em Nampula, no dia 22 de Maio corrente.
O “Amsterdan Rainbow Dress” – é uma obra de arte em forma de vestido, com o objetivo de incentivar o debate e a conscientização sobre inclusão e igualdade de direitos em todo o planeta. É um vestido monumental com um diâmetro de mais de 16 metros. Composto pelas 71 bandeiras de países onde ser LGBT é punível por lei, incluindo oito países em que actos homossexuais podem resultar em pena de morte. O corpete do vestido é feito com a bandeira da cidade de Amsterdão. (Redação)