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Presidente da Renamo prepara autárquicas de 2023 nos municípios do norte do país

Cuamba (IKWELI) – O presidente do partido Renamo, Ossufo Momade, trabalha desde esta terça-feira (26) nas autarquias de norte de Moçambique, em preparação das próximas eleições municipais.

As actividades de Momade iniciaram no município de Cuamba, principal entreposto comercial da província do Niassa, e na ocasião disse que “aqui em Cuamba, iniciamos com um comício popular bastante concorrido, no centro da cidade e apesar do atraso em relação à hora programada devido às más condições de transitabilidade da via de acesso Malema/Cuamba, a população local esperou pacientemente para ouvir a mensagem de esperança”, explicando que “comícios populares e reuniões com quadros do nosso partido, vão caracterizar o nosso trabalho em todos locais onde vamos trabalhar”.

A convicção do presidente da perdiz é de que “não há dúvidas que os municípios por nós governados são os que têm maior visibilidade em termos de melhoria dos serviços prestados aos munícipes, infra-estruturas públicas como vias de acesso, fontes de abastecimento de água potável, sedes dos postos urbanos entre outros. É nossa convicção que os munícipes precisam de ser continuamente bem servidos e não roubados, daí, a nossa aposta de manter a governação dos municípios já conquistados e ganhar muitos que ainda não tiveram a oportunidade de ter um governo sério vindo da RENAMO”. (Redação)

Anchilo: Professor de geografia expulsa aluna da sala de aulas por ser natural de Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – Ser natural da província de Cabo Delgado não está sendo fácil. Mesmo não vivendo naquele ponto do país e não estando na situação de deslocada, uma aluna que frequenta a 11ª na escola secundária de Anchilo, no distrito de Nampula, está sendo impedida de frequentar aulas da disciplina de geografia.

O professor Ildo António Eduardo impede a jovem Baifa Ali Amade de frequentar as suas aulas, bem como de outras disciplinas, alegando que por ela ser de Cabo Delgado faz-se passar de boa gente quando, na verdade, é uma terrorista.

Segundo apurou o Ikweli em Anchilo, não é somente Baifa que passa por essa violência psicológica e física, há também outros alunos de famílias deslocadas de Cabo Delgado vítimas dos ataques terroristas que enfrentam a mesma dificuldade.

Durante as aulas, o professor Ildo António Eduardo, que é responsável por ensinar os adolescentes e jovens de Anchilo conteúdos da geografia na 10ᵃ e 11ᵃ classe, não cessa em ofender os naturais de Cabo Delgado

A denúncia foi feita ao Ikweli pelos pais e encarregados de educação e os respectivos alunos, para quem o acusado foi antes tomado a atenção pela direcção da escola em alusão, mas mesmo assim nada mudou, uma vez que a raiva do indiciado pelos cidadãos deslocados que frequentam aulas naquela escola ficou patente, até a altura em que as supostas vítimas denunciaram o facto ao nosso jornal.

Baifa Ali Amade, de 17 anos de idade, é aluna da 11ª classe na Escola Secundária de Anchilo. Em entrevista ao Ikweli, conta que foi vítima e a primeira a denunciar os abusos moral e físico, bem como a discriminação à secretaria da instituição. Ademais, a denunciante considera que tem sido alvo de perseguição parte do professor Ildo António Eduardo desde o primeiro trimestre do ano em curso, 2022.

“Recordo-me que no primeiro trimestre quando tínhamos abrigo na tenda, o professor entrou na turma proferindo palavras como: eu odeio muito vocês macondes. Mais logo ele chamou o pedagógico dizendo que não gostava dos macondes e que não queria dar mais aulas. Mas o pedagógico como de sempre, não levou muito a sério, e todos nós que viemos de Cabo Delgado reclamamos porque é que o professor trata assim aos seus alunos, especificamente os de Cabo Delgado”, contou a denunciante, um dos momentos de agressão que passou.

Outro episódio narrado pela menina Baifa Ali Amade é sobre a sua dificuldade de visão, motivo pelo qual tem de estar de óculos para facilitar a vista durante as aulas, quanto tanto em casa, nas suas actividades de rotina. É por este facto que um dia foi obrigado pelo professor a tirar os óculos, alegadamente, porque estava a mentir que tinha problemas de vista e que era deslocada, ao que disse ainda que “se eu fosse director desta escola não permitiria nenhum maconde estudar ou lecionar nesta escola”.

“Andam a mentir dizendo que fugiram de guerra. Você saiu lá em Cabo Delgado a frequentar 7ᵃ classe, mas mal que chegou cá mentiu que estava na 11ᵃ classe”, reformulou a suposta vítima o discurso do acusado professor Ildo António Eduardo, e acrescenta que “em plena aula da disciplina de língua francesa, o professor Ildo entrou na sala e ordenou que eu saísse, afirmando que eu não era ninguém para estudar naquela escola”, acrescentou.

Relatos ouvidos no local indicam que em várias ocasiões o professor chega à escola exalando forte cheiro de bebidas alcoólicas e há momentos em que o professor acusado profere palavras injuriosas aos alunos de Cabo Delgado chamando-os de inúteis e débeis mentais e mais, não permite que estes levantem questões durante as aulas.

“Mesmo não ser no tempo dele de dar aula, ele me tira da sala de aulas, quando tenho dúvida sobre a matéria responde-me com indisposição e má vontade, e outros nomes que tenho até vergonha de dizer. No caso de contribuição para tirar copia as brochuras que servem para testes, por exemplo, o professor recusa receber meu dinheiro, e avisa-me que por isso me vai levar ao tribunal ou então vou chumbar de classe”.

O comportamento agressivo do professor não constitui novidade na classe dos pais e encarregados de educação, tanto é que já denunciaram à direcção da escola. Enquanto isso, o suposto agressor se confortando pelo facto de ser um funcionário público e nos corredores esbraveja afirmando nos seguintes moldes: “eu sou funcionário concursado (aprovado). Não paguei dinheiro para ser professor. Ninguém me tira daqui”.

A mãe da menor Helena Casimiro disse ao Ikweli que depois de tomar conhecimento dos factos arrolados pela filha, denunciou à direcção e o chefe do posto administrativo de Anchilo, tanto que já reportou nas reuniões de pais e encarregados de edução, o que não tem efeitos positivos até o acto chegar à nossa equipa de reportagem.

“Fomos ter com o director e o pedagógico da escola, o director chamou o professor Ildo, mas ele não se fez presente. Na altura, o director alegou que já não tinha o poder de resolver o caso, uma vez que eu havia denunciado ao chefe do posto administrativo”, contou a mãe da aluna Baifa, que disse não ter alternativas de se aliviar do problema, daí que aconselhou a sua filha a ouvir, ver, calar e obedecer as ordens do suposto agressor Ildo António Eduardo.

A parcialidade da direcção da escola

O Ikweli contactou a direcção da escola por várias vezes, mas esta não se pronuncia sobre este acto de violência.

Inicialmente, a nossa equipa de reportagem dirigiu-se aquele estabelecimento de ensino público, mas o respectivo director, Adolfo Raimundo, não quis dar entrevista, alegando que precisava de um documento que solicita-se o seu pronunciamento.

A luz da Lei do Acesso a Informação e o direito à resposta previsto na Lei de Imprensa, o Ikweli endereçou uma carta de pedido de resposta ao dirigente, mas mesmo assim este não respondeu sobre a situação.

Na resposta enviada a nossa redação, sem nexo, Adolfo Raimundo diz que “a escola supracitada, vem por meio desta confirmar a recepção da vossa carta remetida a nossa secretaria no dia 05 de Julho do corrente ano com a N/Ref.008/Ikweli/DE/2022, contudo, está, decidiu indeferir por falta de conhecimento por parte dos nossos superiores hierárquicos”.

Entretanto, Raimundo, também, desejava que o Ikweli não divulgasse a notícia, ao que disse a nossa repórter para que deixasse o assunto de lado, alegando que não seria bom para a sua integridade.

O que entendem os estudiosos?

Para entender o que práticas desta natureza podem significar para a sociedade, o Ikweli entrevistou o sociólogo e docente universitário, Jaibo Mucufo, o qual comenta que “se é uma questão de discriminação, tem dois sentidos, pode ser discriminação que tenha uma dimensão criminal, ou que tenha apenas uma dimensão disciplinar, assim sendo devem denunciar à direção da escola, ou para as entidades de controle de sistema de edução para punir disciplinarmente, mas se esta discriminação tem dimensões ou proporções criminais também procurar as estâncias criminaisʺ.

O sociólogo afirmou que, infelizmente, na nossa sociedade há uma ideia que também é criada por causa dessa visão de tribalismo, em que certos grupos sociais, ou certas tribos tendem a ter dificuldade de se civilizar, ou de se modernizar, por isso acabam-se fazendo essa discriminação, muitas das vezes conflituosa porque a crença da outra  não é aceite por uma outra, e tais pessoas acham a outra crença um pouco atrasada em relação a outra, podem ser esses elementos que criam esse tipo de segregação.

“Infelizmente, parece estar a acontecer num espaço escolar e isso é uma coisa que me entristece sendo o exemplo o professor, seria um instrumento social de consolidação, aproximação entre diferentes grupos sociais”, comenta esta nossa fonte. (Atija Chá)

Produção de sementes certificadas dispara em Moçambique

Maputo (IKWELI) – A produção de semente certificada na presente campanha foi de 12 061 toneladas, o quemostra um crescimento de 18,3% face à campanha 2020/2021, onde se registou uma produção de 10196toneladas.

As províncias de Manica, Zambézia e Nampula são as maiores produtoras de semente de Moçambique.

Dados do Subsector de Insumos Agrícolas na Campanha Agraria apresentados na sessão do Conselho de Ministros desta terça-feira (26), indicam que “o crescimento da produção foi impulsionado pela demanda de sementes das culturas eleitas do Programa SUSTENTA (milho, soja, gergelim, feijões, arroz e amendoim). Poroutro lado, o sector agrícola usou 11 969 toneladas de sementes, registando um crescimento médio de 58%nos últimos 3 anos”, o que quer dizer que “mais uma vez o Programa Sustenta foi o responsável pelo aumento do uso de sementes, através do fomento de cerca de 50% da semente certificada, usada napresente campanha, num volume de 5 930 toneladas. A necessidade de uso de sementes no País é de 90.000 toneladas; o uso de semente certificada corresponde a 13,3% do total das necessidades de Moçambique”.

Por sua vez, o uso de fertilizantes em Moçambique registou um crescimento médio de 5 vezes mais,relativamente aos últimos 3 anos, passando de 6,38 kg/ha em 2019 para 29,9 kg/ha em 2021. O uso nacional de fertilizantes cresceu em 12% face a campanha anterior, tendo o Programa SUSTENTA representado 11%da demanda nacional.

Por último, o uso de pesticidas em Moçambique tem crescido a uma média anual de cerca de 31%. Noperíodo em análise, o volume de pesticidas usado decresceu em 33% face a campanha anterior, cenário que não afectou significativamente a produção agrícola, por não se ter registado ocorrência de pragas de grande impacto económico. O preço médio de pesticidas aumentou em 37%, quando comparado com a campanhaanterior. (Redação)

Malema: PACE do SUSTENTA sonha em ser empresário do sector agrário

Nampula (IKWELI) – Aurélio Paulo, de 30 anos de idade, residente no posto administrativo sede do distrito de Malema, província de Nampula, no norte de Moçambique, é um dos jovens nacionais que desde cedo apostou na agricultura como fonte inquestionável para a melhoria da renda familiar e, actualmente, conta com apoio do programa de desenvolvimento agrícola, SUSTENTA.

Em entrevista exclusiva ao Ikweli, Aurélio Paulo disse que entrou na agricultura em 2010, mas por razões adversas, principalmente pela falta de insumos agrícolas, a sua actividade não corria como o desejado. No ano passado, o nosso interlocutor conta que se tornou no Pequeno Agricultor e Comerciante Emergente (PACE), tendo passado a beneficiar do apoio do SUSTENTA.

“Quando ouvi falar do SUSTENTA e auscultei sobre os requisitos, eu acreditei em mim mesmo e fui submeter minha candidatura que ficou aprovada. Então, praticamente em 2021 comecei a ter os benefícios directos do SUSTENTA”, disse Aurélio Paulo, prosseguindo que “dali, recebi cinco toneladas de semente de soja, pulverizadores, adubos e equipamentos, com destaque para tractor completo”, por isso “agradeço muito ao governo, sobretudo o SUSTENTA por apostar em agricultura e apoiar os jovens”.

Esta fonte deixa claro que o SUSTENTA não é uma falácia, mas exige entrega, dedicação e disciplina, de forma a seguir todas as orientações técnicas disponíveis.

Aurélio Paulo possui, actualmente, um título de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) de uma área de 90 hectares. Na presente campanha agrícola, a fonte conta que explorou apenas 35 hectares onde se evidenciam as culturas de Soja, feijão bóer e milho.

Apesar de não ter alcançado com as metas de produção da campanha em curso devido, sobretudo, a queda irregular de chuva, Aurélio Paulo disse ser sua pretensão, incrementar a sua área de produção passando dos actuais 35 para 50 hectares.

Este nosso interlocutor diz que a sua produção na presente campanha é das melhores, por isso acredita que poderá ter, pelo menos, um lucro acima de 20%, “depois de pagamento de todas despesas e isso é animador para mim. Este ano pretendo elevar a área explorada, o meu desejo é mesmo de duplicar as áreas de cada cultura, porque, uma vez que tenho tractor isso me permite começar logo cedo com a lavoura e lançar a semente para o seu melhor crescimento, o que não acontecia antes, porque dependia de tractores de outras pessoas”.

Aliás, o sonho de Aurélio Paulo é de se tornar num empresário de referência ao nível nacional. “O desejo melhor é de ter fábricas, empresas de sucesso e tornar-me num empresário de sucesso. Por isso, mais uma vez agradeço ao governo e ao SUSTENTA por essa ajuda, e pedir para que não nos abandone, esteja sempre do nosso lado e intervir naquelas situações que nós sozinhos não consigamos solucionar”, precisou.

O nosso entrevistado, por outro lado, assistiu durante a presente campanha agrícola um total de 70 Pequenos Agricultores (PA). “A norma é assistir 100 pequenos agricultores, mas alguns deles não foram sérios no que deviam fazer, por isso fiquei apenas com esses 70”, disse.

Com a sua actividade, Aurélio Paulo empregou durante esta campanha cinco trabalhadores permanentes, para além de perto de 100 sazonais. No entanto, aquele nacional encoraja a outros jovens a apostarem na agricultura para reduzir o índice de desemprego no país. “A agricultura é o melhor refúgio para as nossas famílias, por isso convido aos jovens para abraçarem a agricultura e vão ver que é uma maravilha, vão aprender muita coisa, por exemplo se apostar na produção da soja, hoje em dia é uma cultura com várias áreas de aplicação, com soja pode-se produzir o óleo, ração e mais outras coisas”, concluiu a fonte. (Constantino Henriques)

CDD realiza formação piloto do centro de jovens de Angoche no âmbito do programa Coesão Social

Nampula (IKWELI) – O Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), a Fundação MASC (Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil e o Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), lançaram no mês de Outubro de 2021, na cidade de Nampula, o Programa de Acão da Sociedade Civil para Coesão Social no Norte de Moçambique.

Com apoio da Cooperação Suíça, a iniciativa visa contribuir para o fortalecimento da coesão social não só na província de Nampula, mas também nas províncias de Cabo Delgado e Niassa para fomentar o engajamento cívico de jovens e mulheres em espaços sociais, políticos e económicos e desta forma contribuir para a melhoria da governação local.

Este programa prevê a criação de Centros de Juventude e Academias de Liderança. Neste âmbito, decorre, entre os dias 25 e 30 de Julho a formação dos primeiros 30 jovens selecionados no distrito de Angoche. Com esta iniciativa, o CDD pretende dotar os jovens do Centro de Jovens (Youth Hub) de Angoche de diferentes competências, a saber Engajamento Cívico, Liderança, Empreendedorismo, Habilidades do Século XXI e Resolução de Conflitos.

O primeiro dia de formação foi testemunhado pelas estruturas de governação local, com destaque para o governo distrital, representação dos serviços distritais de educação, representação dos serviços distritais de actividades económicas, bem como das autoridades municipais. Para além do distrito de Angoche, na província de Nampula, o programa abrange igualmente o distrito de Moma. (Redação)

Terroristas continuam a matar em Ancuabe

Pemba (IKWELI) – Há mais relatos de decapitação de civis no distrito de Ancuabe, na região sul da província de Cabo Delgado, onde desde 5 de Junho passado, os terroristas abriram nova frente.

Na aldeia Mihecane, a poucos quilómetros da sede distrital, o Ikweli tem indicação de terem sido decapitadas à 19 de Julho corrente, mais outras cinco (5) pessoas, surpreendidas por um grupo de homens armados e com catanas, cuja descrição leva a crer que trata-se de parte dos terroristas que já actuaram naquela região.

De fontes locais, o nosso jornal sabe que as vítimas tinham ido de motorizadas à busca de produtos alimentares, numa comunidade onde as pessoas abandonaram logo depois do primeiro ataque em Junho findo.

Além de serem mortas as cinco pessoas, que saíram das comunidades que ficam nos arredores da vila de Ancuabe, as suas motorizadas foram igualmente queimadas e parte dos seus bens apoderados pelos atacantes.

Há dias, fontes tinham comentado ao Ikweli que naquele distrito, várias unidades das FDS foram destacadas, sendo que recentemente os produtores, nas machambas mais à sul do distrito (por exemplo, Muaja), estavam sendo aconselhados a abandonar as suas machambas que se encontram distante das casas, para dar lugar às operações de “caça” aos terroristas.

O alerta tinha sido emitido pelas Forças de Defesa e Segurança destacadas àquela zona, garantiram as fontes.

Ainda na semana passada, a empresa que explora os rubis de Montepuez, no mesmo extremo sul de Cabo Delgado, confirmou a decapitação de três pessoas à 30 quilómetros da área da sua concessão. (Redação)

Operação “Carta na mão” leva para as celas agente da PRM que conduzia ilegalmente em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) foi recolhido para as celas da corporação em Nampula, por ter sido flagrado a conduzir sem licença para o efeito.

De forma a apurar, mitigar e prevenir conduções ilegais, a Polícia em Nampula realizou na manha de ontem, sexta-feira (22), uma actividade de fiscalização rodoviária designada operação “Carta na Mão”, e foi nessa ocasião que o agente foi interpelado pelos próprios colegas.

A operação era conjunta que, para além dos agentes da Polícia de Trânsito, também, envolvia funcionários do Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO) e agentes da Polícia Municipal e de Fiscalização.

Na companhia deste agente da lei e ordem, igualmente, outros 17 indivíduos que dirigiam viaturas sem habilidades reconhecidas pelo Estado foram recolhidos.

Quanto ao policial, o mesmo até tentou mentir para os colegas, alegando que, por ter saído as pressas da sua casa, esqueceu-se de portar os seus documentos, sobretudo a carta de condução, e os da viatura.

Fazendo-se transportar em uma viatura do tipo Toyota, modelo Vitz, o agente não foi poupado pelos seus colegas e teve de parar, mesmo, nos calabouços do comando provincial, na venida Eduardo Mondlane.

Quem, também, não dignificou a sua instituição é um motorista do conselho autárquico da cidade de Nampula que, com a viatura da edilidade, fez-se a rua sem portar o documento que lhe autoriza a comandar em um veículo.

Os condutores dos transportes semi-colectivos de pessoas e bens, vulgos “chapa-100”, viram-se obrigados a dançar o tufo, e como tal encurtaram as ruas de forma a escaparem da operação, facto que denuncia a ilegalidade da condução dos mesmos, despertando, assim, os móbeis dos recorrentes acidentes de viação nas estradas da mais populosa província do país.

O utente Eduardo Insuale, entrevistado pelo Ikweli, confirmou que os “chapeiros” não ousaram, se quer, a se aproximar do raio próximo as brigadas da operação. “O que estou a ver é que a Polícia de Trânsito está a pedir carta de condução aos automobilistas”, por isso teve de pegar, pelo menos, três autocarros para chegar ao seu destino.

“Apanhei o primeiro o carro, ele recuou na Sipal. Depois apanhei outro “chapa-100” e ele recuou aqui na Jamila, isto porque foi informado que a Polícia de Trânsito está a pedir carta de condução e automaticamente ele recuou, evitou ser pegue e isso é um transtorno para nós, porque não há “chapas” e estamos a atrasar para os nossos postos de trabalho”, disse este nosso interlocutor.

Olhando para os encurtamentos de rota e a fuga que os motoristas empreendiam ao aperceber-se da operação, Insuale diz que “isso até dá medo, porque se formos a ver muitos chapeiros não tem carta de condução, e isso futuramente pode prejudicar a nós que precisamos de esses serviços”.

População caminhando por insuficiência de “chapa-100”

O chefe da Secção de Instrução e Educação na unidade da Polícia de Trânsito em Nampula, Assane Sirimão, explica que a operação tinha como objetivo identificar aqueles que circulam na via pública com as viaturas numa situação irregular e, também, aqueles condutores que não tem carta de condução.

“Dentro dessa operação, tivemos o resultado de 18 condutores irregulares, que foram conduzidos ao comando”, disse a fonte, que assegurou que, deste grupo, pelo menos, 3 tiveram de ser detidos.

Igualmente, deste grupo 15 condutores conduziam mesmo depois de terem sido proibidos pelo Estado por, anteriormente, terem prevaricado contra a legalidade da condução na via pública. Sem receio e nem medo, os mesmos exibiram, até, os recibos de inibição de condução, incluindo avisos de multas que observam a medida da retirada da carta de condução.

“Essa atividade visa educar e sensibilizar a todos utentes que se fazem as vias sem portar consigo a carta de condução, e não só, é também para desencorajar aquelas pessoas que querem se fazer as vias públicas sem ter o título de condução do condutor”, anotou Sirimão. (Hermínio Raja)

Nampula: Cidadão de 41 anos morto por causa de amendoim de 250,00Mt

Nampula (IKWELI) – Um indivíduo de 30 anos de idade, residente no bairro de Muahivire, na cidade de Nampula, está a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM), indiciado da prática do crime de homicídio.

Segundo conta a PRM, o indiciado, no dia 16 de Julho, terá tirado a vida da vítima em consequência de este ter sido apontado como quem retirou de um local onde secava amendoim torrado do autor.

“Por meio de arremesso de uma pedra, o indiciado atingiu a vítima, de 41 anos de idade, na nuca”, explicou a imprensa Dércio Samuel, das Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Nampula.

Esta fonte policial prossegue ainda afirmando que “do trabalho feito, a PRM tomou conhecimento que o indiciado tinha deixado amendoim torrado a secar e ao regresso não achou, e ele foi contra a vítima tendo praticado a justiça pelas próprias mãos”.

No habitual briefing semanal com a imprensa, a PRM exibiu o indivíduo, o qual encontra-se a ver o sol aos quadradinhos nas celas da 2ª Esquadra. Nesta ocasião, ele contou que foi uma criança que o reportou que o seu produto que comercializava para garantir o sustento da sua família tinha sido roubado.

Seguindo as pistas, na companhia da sua esposa, o indiciado encontrou os supostos ladrões na posse do seu produto, o qual tinham-no guardado em recipiente de balde, também, produto do roubo.

“Persegui a pessoa que tirava aquele amendoim, começou a fugir, então persegui até a estrada que vai no controle”, disse esta fonte, acreditando que o dia em causa não era dos melhores na sua vida, pois “eu com má sorte levei uma pedrinha lhe bate na nuca e deixei ele a ser batido”. (Redação)

Terroristas decapitam duas pessoas nas imediações de Montepuez

Pemba (IKWELI) – Os terroristas, em número não especificado, decapitaram duas pessoas que estavam à caminho das suas machambas, na aldeia Muaja, no distrito de Ancuabe na quarta-feira da semana passada (13).

A região onde ocorreu a decapitação dos dois homens está nas imediações das aldeias Nanhupo e Namanhumbir, no distrito de Montepuez, uma região que fica a menos de 10 quilómetros da área explorada pela empresa Montepuez Ruby Mining, um dos principais contribuintes das receitas aos cofres do Estado em Cabo Delgado.

Ao Ikweli, uma fonte contou que “depois de matarem as duas pessoas, porque eram dois homens e uma mulher, então deram as cabeças à senhora, num plástico para levar na aldeia, aqui em Muaja para informar”, o que fez com que muitas pessoas fugissem para a vila de Montepuez.

Confirmou a fonte que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) já estão em patrulha naquela área para repelir qualquer situação de movimentos estranhos. A circulação de viaturas no troço Pemba/Montepuez, também, decorre com normalidade, mas no mesmo dia havia fraco fluxo de viaturas.

O Chefe do Estado e Comandante-Chefe das FDS, Filipe Nyusi, anunciou na última semana, durante a sua visita de trabalho, em alguns distritos de Cabo Delgado, que as forças moçambicanas assaltaram uma das principais bases terroristas, designada Katupa, no distrito de Macomia.

Nesse assalto, segundo Filipe Nyusi, as FDS abateram um destacado comandante, que respondia pelo nome de Assane e capturados muitos outros terroristas, e reiterou que o trabalho ainda decorre com auxílio das forças estrangeiras. (Redacção)

Com a Polícia armada nas ruas: Dia de entrada em vigor da TSU foi calmo e frio em Nampula

Nampula (IKWELI) – A cidade de Nampula acordou “frágil” e sem agitação como o habitual, tanto que alguns serviços não funcionaram na plenitude. Escolas encerradas, crianças mantidas em casas e o ruído reduzido, tanto que o Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, cancelou a sua presença num evento por temer segurança.

Logo pelas primárias horas da manha, a reportagem do Ikweli estava nas ruas, onde observou que a agitação que tem caracterizado o maior centro urbano do norte de Moçambique não existia. Os “chapa-100” que, regularmente, correm como se tivessem a fúria de animais, nesta quinta-feira, 14 de Julho, data em que foi deu-se a entrada em vigor da Tabela Salarial Única na Administração Pública, eram os mais civilizados possíveis.

Em dias comuns, no horário entre as 5h30 e as 9h não é fácil atravessar a entrada do mercado grossista do Waresta, nos arredores da autarquia, mas a 14 de Julho era o lugar mais calmo e organizado para se passar. Os automobilistas particulares que, recorrentemente, são “humilhados” pelos “chapeiros” podiam, tranquilamente, passear a sua classe e conduzir num a vontade.

Durante a nossa estadia nas ruas, conversamos com alguns cidadãos e a tónica era única: “em Nampula não se faz greve”, mas os comentários em esquinas, barracas e transportes de passageiros era mesmo o alto custo de vida.

“As coisas estão difíceis, mas não temos o que fazer”, disse a senhora Matilde Peixoto, entrevistada pelo Ikweli no mercado grossista do Waresta. Vendedeira de mandioca confeccionada e molho de tomate no mercado de Naloco, esta fonte disse, ainda, que “hoje não foi fácil apanhar chapa-100, parece que não estão a funcionar todos. Para sair de Muahivire para Waresta não foi nada fácil”.

Outros locais que, normalmente, registam agitação e que na manha desta quinta-feira estavam as moscas são a zona da padaria sipal, a zona da Faina, o mercado do Matadouro, a zona de Naloco, a zona da Padaria Nampula e a zona da Memória.

Segundo constatamos, as pessoas tiveram o receio de se fazer as ruas, temendo por uma provável manifestação anunciada nas redes sociais, cujo rosto e mentores são desconhecidos.

No bairro de Namicopo, o Ikweli conversou com alguns jovens, os quais não escondiam o seu interesse em participar na manifestação em reivindicação ao elevado custo de vida.

“Eu posso participar na manifestação numa boa, basta só aparecer uma pessoa corajosa para avançarmos”, disse Jaimito, que comenta que “as coisas não estão boas, pior para nós que não trabalhamos. Precisamos que o governo pense em nós, porque somente estão a falar de funcionários públicos”.

Por seu turno, a Polícia da República de Moçambique (PRM) esteve em prontidão, tanto que durante ao meio dia de ontem convidou a imprensa para acompanhar o trabalho de fiscalização do comando provincial a certos pontos.

O movimento, até a esta hora, em vários pontos da cidade era, ainda, fraco, sobretudo nos principais pontos de aglomeração.

Os operadores de táxi de mota queixaram-se da falta de clientela, pois há quem tenha ficado o dia todo sem carregar um único passageiro.

“Ouvimos nas redes sociais que em todo mundo há-de haver uma manifestação, através do custo de vida”, começou por dizer um taxista de mota entrevistado pelo Ikweli no mercado do Waresta, o qual prossegue afirmando que “logo as 3h o movimento já estava muito fraco. A polícia cercou aqui. Outras pessoas acabaram fugindo, por isso ficamos aqui desde de manhã sem nada. Não há movimento, não há o quê, só estamos aqui a esperar só”.

A mesma anota ainda que “íamos conseguir uns 100,00Mt (cem meticais) para sustentarmos as crianças em casa, mas sendo assim estamos mal”.

Tino Xavier, outro taxista de mota, conta que “saímos de casa e não estamos a ver nada, porque não há passageiros”. A mesma posição, também, é partilhada por Jaime, outro operador de táxi de mota que tem a sua praça instalada no mercado do Waresta.

Por seu turno, Gilberto Ínguane, director da Ordem no comando provincial da PRM em Nampula, disse que naquele ponto do país não se registou a ocorrência e atos de distúrbio e/ou que colocassem em risco a ordem e segurança públicas.

A fonte diz-se satisfeito com o comportamento dos citadinos.

“Gostaríamos de saudar a população da província de Nampula, pelo comportamento que adoptou face a estas propaladas manifestações”, disse Ínguane, comentando que tal saudação é pelo “ter escolhido ir trabalhar e produzir, e não adesão a estas manifestações desordenadas que estamos a assistir em algumas províncias do nosso país”.

Por fim, o Director da Ordem no comando da PRM em Nampula, concluiu que “a nossa população de Nampula não é uma população desorganizada, é uma população com foco, com objectivos claros”. (Aunício da Silva e Constantino Henriques *Fotos: Hermínio Raja)