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“Para combater o extremismo violento é preciso desfazer a ideologia extremista”, defendem líderes religiosos do norte de Moçambique

Nampula (IKWELI) – Os líderes de diversas congregações religiosas, baseados na região norte de Moçambique, entendem que para erradicar o extremismo violento que se regista na província de Cabo Delgado e um pouco pela província do Niassa, não basta apenas a intervenção do Estado no contexto militar, tanto como carece de desconstruir o idealismo extremista no seio da sociedade afectada e não só.

É nesta linha de pensamento que nestes dois dias, terça-feira e quarta-feira (12 e 13), os líderes juntaram-se em plenária, na capital provincial de Nampula, para construir narrativas de paz, justiça e reconciliação, através da cooperação inter-religiosa, onde participam líderes religiosas da Nigéria e Quénia. Aliás, naquele encontro prevê-se discutir sobre as teorias e conceitos básicos de conflitos, mediação e negociação, tudo com vista a desenhar estratégias de prevenção e mitigação de actos violentos que desestabilizam o Estado moçambicano, para além de resolução de conflitos inter-religiosos.

“O que acompanhamentos sobre o terrorismo em Cabo Delgado, neste momento, é a intervenção do Estado no contexto militar”, referiu Saíde Abibo, do Conselho Islâmico de Moçambique, o qual adianta que, “mas nós precisamos penetrar na ideologia, ver como é que ela foi construída e como recruta os nossos concidadãos e, a partir de dentro, começar a desfazer essa ideia trazendo alternativas. Portanto, esse ponto é essencial. Trabalhar com a ideologia, a doutrina extremista”.

Em entrevista, o líder Saíde Abibo sublinha que um encontro igual não constitui novidade para o mundo actual, principalmente os países que vivem o extremismo violento, esses Estados já desenham programas que visam combater o fenómeno que, segundo as suas palavras, não tem religião nem nacionalidade, trata-se de um fenómeno global.

Então, “a acontecer aqui no nosso país, precisamente aqui em Nampula, é uma iniciativa a louvar na medida que permite o envolvimento e a intervenção de vários sectores e extratos da sociedade, porque isso não é apenas tarefa do Estado. Neste tipo de encontros aproveitamos discutir com profundidade aquilo que seriam as medidas apropriadas para fazer face ao fenómeno”, observou.

Tal como o líder Abibo, o bispo Manuel Ernesto, da igreja anglicana, a reunião dos religiosos provenientes da região norte do país e outros países africanos pretende discutir e alargar os planos referentes ao diálogo comunitário, um dos mecanismos rumo à prevenção e combate ao extremismo violento.

Para Manuel Ernesto, a desconstrução das ideias no seio da sociedade vai fazer com que haja percepção dos males que os actos violentos causam à própria população e alerta, igualmente, o envolvimento directo da comunidade religiosa para mitigar não só os efeitos do terrorismo, quanto o seu combate.

“A nossa convicção é de que espaços como estes podem facilitar e ajudar para dissiparmos percepções, e cada comunidade veja o quê é que a outra comunidade tem, como sentimento, e juntos termos visão única da realidade. As percepções por vezes sufocam a realidade e as interpretações podem ser mais fortes do que se espera”, acrescentou o bispo da diocese anglicana de Nampula e Cabo Delgado, Manuel Ernesto falando em entrevista na cidade de Nampula. (Esmeraldo Boquisse)

Instrutor da CAF ameaça cancelar curso de treinadores do nível B em Nampula por questões organizacionais

Nampula (IKWELI) – Arrancou no último domingo (10) na cidade de Nampula o curso de treinadores de futebol de nível B da Confederação Africana de Futebol (CAF B), envolvendo as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Zambézia e a anfitriã, mas o futuro da formação é incerto devido a questões organizacionais.

Apesar de a formação ter iniciado no passado domingo, a abertura oficial do curso deu-se nesta terça-feira (12), no salão nobre do Clube Ferroviário de Nampula, e aponta-se como um dos motivos a componente organizacional.

Foi na abertura oficial daquele acto formativo onde Abdul Abdulá, instrutor encarregue para dirigir o curso, mostrou o seu descontentamento com o nível de organização apresentado pela Associação Provincial de Futebol de Nampula, que para ele não se adequa com a magnitude daquele tipo de formação.

Segundo apuramos, o nível de organização de Nampula face àquele curso reflecte-se no tipo de alimentação que é providenciada aos cursandos, bem como dificuldades de transporte de e para o Estádio 25 de Junho, local das aulas práticas.

“Eu tenho poucas palavras a dizer, até ao momento já consenti uma série de situações, mas, se doravante verificar que essas situações prevalecem, vou solicitar, portanto, a estrutura da Federação Moçambicana de Futebol que faça o cancelamento deste curso aqui na província de Nampula”, disse Abdul Abdulá, para quem “não quero dizer que as coisas estão de tal ordem que nós não podemos recuperar, mas há aspectos que não devem ser vistos de ânimo leve”.

Para o instrutor, as condições a serem criadas devem estar à altura do tipo de pessoas que participam aquele tipo de curso. Aliás, segundo Abdulá “não são crianças que estão aqui a tirar um curso de treinadores da Confederação, são pessoas formadas, são licenciados, são treinadores de clubes, são empresários, têm sua personalidade, são pais de filhos e não podem ser tratados como estão neste momento em que nós somos obrigados em determinado momento a ter que esperar pelo transporte para fazermos distâncias a sairmos desta zona para a outra zona onde está o campo do Ferroviário, as vezes com dificuldades de transporte”.

“Portanto, que as situações sejam solucionadas o mais rápido possível para que eu possa, também, sentir-me acomodado de forma a trabalhar como moçambicano que sempre foi o meu apanágio, no sentido de contribuir para o desenvolvimento de futebol em Moçambique, concretamente na área de formação”, precisou Abdul Abdulá.

Segundo apuramos, o nível da desorganização começou a se sentir logo na chegada dos dirigentes da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) no aeroporto internacional de Nacala, com destaque para o Director do gabinete técnico, Arnaldo Salvado, em que a APFN não criou condições de recepção e transporte da zona económica especial a cidade de Nampula, o que em certa medida desapontou ao mister Salvado. Aliás, segundo apuramos, Salvado chegou a Nampula graças a uma boleia de um dirigente de um dos clubes de Nacala. Segundo mesmas fontes, Salvado vinha a Nampula para dirigir as cerimónias de abertura do curso, actividade que não chegou de se realizar porque dia antes regressou a capital moçambicana.

António Alfina Moisés, presidente da APFN, admite haver falhas na sua colectividade e que foram reflectidas nos primeiros dias do curso. Entretanto, aponta a própria FMF como que não colaborou para que o curso tivesse um arranque inequívoco.

“A falha que houve aqui, é que a própria Federação Moçambicana de Futebol, a parte financeira, chegou muito tarde, nós tínhamos que usar recursos particulares. Então, isso é um transtorno, mesmo na parte de recurso não há fundo de transporte que a FMF nos deu, por isso nós temos que bater as portas para podermos continuar, porque nós queremos o curso aqui na cidade de Nampula, nós temos que fazer o sacrifício”, disse o timoneiro da APFN.

“A Associação não tem valores, depende da FMF, e nós não recebemos a segunda tranche, então na parte de transporte temos que ser nós a soar, a bater portas, emprestar daqui, dali, até que tenhamos a tranche para pagarmos transporte, porque a conta foi errada, eles deviam ter incluso o próprio transporte, mas dentro do orçamento não tem transporte”, acrescentou Alfina.

Sobre a alegada insatisfação do mister Salvado, Director do gabinete técnico da FMF, António Alfina Moisés entende não fazer sentido. “Isso não é justo, porque a FMF tem ajudas de custo, por isso não podia vir aqui para poder reclamar, não seriamos nós a tirarmos de Nacala para aqui. A Associação não tem dinheiro, nós também dependemos da FMF e neste momento não recebemos dinheiro da segunda tranche, como é que vai ser?”, questionou a fonte.

Apesar das adversidades, o presidente da APFN reiterou o seu comprometimento em tudo fazer no sentido de sanar as irregularidades constatadas. “Vamos trabalhar no sentido de melhorar, um homem aprende errando, e acho que as coisas estão a correr bem, vamos fazer o curso até terminar”, sublinhou.

Participam no curso 25 técnicos, dos quais 13 provenientes na província de Nampula, 6 da Zambézia, 5 de Niassa e um de Cabo Delgado. (Constantino Henriques)

Meluco: terroristas matam uma pessoa e queimam casas

Meluco (IKWELI) – A crise humanitária em Cabo Delgado, que recentemente deslocou 36 mil pessoas, ainda está a agravar-se, porém, novos ataques continuam a registar-se, tal como aconteceu recentemente no centro da província.

As populações das aldeias Mussemuco e Mitepo no distrito de Meluco, foram alvos de ataques terroristas no último fim-de-semana, deixando mortos e danos avultados.

Os terroristas, de acordo com fontes locais, queimaram diversas casas da população na aldeia Mitepo no sábado, enquanto que no domingo a noite, além de queimarem palhotas da população em Mussemuco, à poucos quilómetros de vila-sede de Meluco, causaram a morte de uma pessoa do sexo masculino.

Parte da população, deslocou-se a sede do distrito de Meluco, ao passo que a outra está sem abrigo e alimentação. As aulas, por enquanto, também estão interrompidas, algumas crianças seguiram com os pais e encarregados de educação.

No entanto, anotam fontes do Ikweli, em Pemba, que a província de Cabo Delgado está cada vez mais militarizada. Nos últimos dias considerável material bélico chegou naquela província com vista a fazer face todos focos dos terroristas. (Redação)

Nampula: corrupção “mata” sonho de jovens

Nampula (IKWELI) – Jovens da província de Nampula, norte de Moçambique, mostram-se indignados com a elevada taxa de corrupção naquele ponto do país, fenómeno que “mata” os seus sonhos de construir uma sociedade mais desenvolvida e baseadas em valores morais aceitáveis.

No dia 11 de Julho corrente foi assinalado o Dia Africano de Combate a Corrupção, e foi nessa ocasião que jovens entrevistados pelo Ikweli exigiram ao governo para, com urgência, colmatar a situação.

Devido a corrupção, oportunidades de emprego que surgem, tanto no sector público, assim como no privado, são ocupadas não em base das competências e qualificações, mas mediante o pagamento de certos valores monetários, cujo montante tem sido assustador.

“A corrupção em Moçambique é uma situação que o Estado moçambicano precisa ainda continuar a lutar e combater, porque é importante que o Estado possa a fazer um trabalho de modo a colmatar essa situação”, disse o jovem Aguiar Jaime, para quem “a corrupção tem a afectado a juventude atual porque numa situação de sonhos em que alguém deseja desenvolver uma atividade ou seja formar-se uma certa área, mas numa situação em que este jovem ele tem a certeza efetivamente se eu me formar nesta área e eu não tenho condições monetárias, enquadrado nesta área será complicado”, por isso “esse jovem acaba fazendo uma atividade não relacionada com aquilo que era do sonho”.

Esta fonte avança ainda que “temos essa situação nos sectores de Saúde, Educação e Segurança, e que o Estado deve intervir. Nós temos vindo a acompanhar esses tipos de situações que nos últimos tempos tem sido complicado, porque são valores avultados que são exigidos aos jovens para poderem entrar lá e fazerem parte destes sectores”.

“Na verdade, aquilo que nós temos constatado e temos ouvido é que as pessoas acabam sendo cobradas numa média de 50.000,00mt (Cinquenta mil meticais) a 60.000,00Mt (Sessenta Mil meticais) para ter acesso ao emprego nestes sectores. Estamos a falar numa cidade em que a taxa de desemprego é muito elevado, e são valores avultados e que muitos jovens não estão em condições de disponibilizar”, precisou o nosso interlocutor.

Quem, também, mostra a mesma preocupação com a crescente taxa da corrupção em Nampula é a jovem Maudia Eusébio, a qual considera a situação como sendo “muito caótica”, por isso, “em mim pergunto, um jovem de uma família humilde que não tem condições, onde vai conseguir um valor de 50.000,00Mt (Cinquenta mil meticais) para poder pagar emprego, e com a realidade em que nos encontramos?”.

Maudia considera a situação como sendo mais pior nos sectores da educação e saúde, facto que “afecta negativamente a vida dos jovens e deixa eles sem esperança de um dia trabalhar, por isso que até outros jovens viram a ser gatunos”. (Hermínio Raja)

No dia Mundial da População: Governador de Nampula apela para que se preste maior atenção aos grupos vulneráveis

Nampula (IKWELI) – O governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, apelou, no âmbito das comemorações do dia mundial da população, para que a sociedade preste maior atenção nos grupos vulneráveis, destacadamente mulheres e raparigas.

Ao nível da província mais populosa de Moçambique, as cerimónias tiveram lugar no distrito de Mecubúri, no dia 11 do corrente mês de Julho, sob lema “Como Proteger a Saúde e os Direitos da Mulher e da Rapariga Já, e Travar o Covid-19”.

Na ocasião, Manuel Rodrigues disse que as mulheres e as raparigas são um grupo social vulnerável, sobre o qual “somos convidados a dar uma atenção especial quando se fala da população”, tanto que as autoridades devem “assumir que a saúde da mulher e da rapariga, incluindo os seus direitos sejam reflectidos com profundidade”.

“Como deve ser de domínio público, a Saúde da Mulher e da Rapariga está intrinsecamente ligada a saúde sexual e reprodutiva, está implicitamente ligada ao combate à violência sexual baseada no género”, disse Manuel Rodrigues, citado numa publicação no sítio de internet do Conselho Executivo Provincial de Nampula, o qual avança ainda que “é nessa perspectiva que estão sendo promovidos os direitos à saúde, com a expansão dos serviços e de maternidade”, como esforços que o governo tem empreendido. (Redação)

Nampula: três funcionários públicos detidos por gestão danosa dos fundos da covid-19

Nampula (IKWELI) – Por ordens do Gabinete Provincial de Combate a Corrupção (GPCC) de Nampula, no norte do país, três funcionários públicos foram detidos, acusados da prática de crimes de corrupção na gestão dos fundos da pandemia da covid-19.

De acordo com a Dra. Maria Ferrão, directora do GPCC de Nampula, os três funcionários que são acusados em único processo são apontados como tendo praticado os crimes de peculato e abuso de cargo e/ou função.

Ontem, segunda-feira, 11 de Julho, assinalou-se o Dia Africa de Combate a Corrupção, e foi no âmbito de uma reflexão organizada pelo GPCC para reflectir em torno do fenómeno que estas informações foram tornadas pública.

“Ao debruçarmos sob o lema adoptado para a comemoração da efeméride no presente ano, ressalta a componente de combate à corrupção como um dos instrumentos essenciais para garantir a gestão transparente da coisa pública, particularmente os fundos destinados a pandemia da COVID-19 visando conter a sua propagação. A eclosão da COVID-19 colheu de surpresa as autoridades do sector da saúde”, referiu.

Com efeito, a fonte contextualizou o esforço empreendido pelo governo para a mobilização de fundos, tanto dentro, assim como fora de portas, para a luta contra a pandemia.

“Desde a disposição do referido fundo orçamental, os órgãos de comunicação social foram inundados por notícias de corrupção, roubo e má gestão dos fundos relacionados com a COVID-19, nas questões referentes a falta de adesão, a medida de transparência e responsabilidade nos processos de aquisição e desperdício”, adiantou a fonte, para quem o índice de corrupção continua a preocupar as autoridades moçambicanas, de forma especifica a província de Nampula, daí oque  seu combate requere o envolvimento de todos os actores da sociedade, seja funcionários e agentes do Estado, privados e singulares.

Maria Ferrão não fala das instituições onde estavam afectos estes funcionários e/ou agentes do Estado.

Enquanto isso, de acordo com a directora Ferrão, estão em instrução dois processos crimes que envolvem servidores públicos, indiciados de gestão danosa dos fundos da pandemia. “Está claro que a missão de todos é combater sem tréguas a corrupção em todas as suas formas, desde a prevenção e responsabilização”.

“No primeiro semestre do ano de 2022 foram tramitados 123 processos, com destaque para crimes de corrupção passiva, peculato e simulação de competência”. Outrossim, “foram despachados 71, onde 43 acusados e remetidos ao tribunal por intermédio das procuradorias”, informou. (Esmeraldo Boquisse)

“Cerca de 36 mil pessoas foram deslocadas pelos ataques de Junho em Cabo Delgado”, refere a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)

Maputo (IKWELI) – O ACNUR, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, está preocupado com asconsequências humanitárias dos recentes ataques de Grupos Armados Não Estatais (GANEs) nos distritosde Ancuabe, Chiúre, Mecufi e Metuge, na província de Cabo Delgado.

Um dos ataques recentes ocorreu a 35 km de Pemba, capital da província. Estes são os primeiros ataques nos distritos do sul de Cabo Delgado (com excepção de Ancuabe que testemunhou ataques em 2020). OACNUR está especialmente preocupado com a segurança e o bem-estar dos mais vulneráveis entre osdeslocados, incluindo mulheres e crianças.

“Desde 5 de junho, os GANEs atacaram diferentes locais nos distritos mencionados, incluindo um ataque a 30 km do cruzamento entre as estradas EN1 e EN380, que são regularmente utilizadas por organizaçõeshumanitárias, incluindo o ACNUR, para missões a Ancuabe, Chiúre e Montepuez. Um número não confirmado de pessoas foram mortas (incluindo algumas por decapitação), várias casas foram incendiadas e bens saqueados, criando pânico em Ancuabe e nos distritos vizinhos”, refere o ACNUR em comunicado de imprensa distribuído a partir da capital moçambicana, Maputo.

De acordo com a DTM/IOM, “de 2 a 22 de Junho de 2022, cerca de 36.000 pessoas foram deslocadas emCabo Delgado. Aproximadamente 1.734 deslocados internos foram identificados com vulnerabilidades. Pelo menos 30% destes movimentos são chegadas à cidade de Pemba e 24% a Chiúre. Pessoas e famílias que fugiram da violência afirmaram que a primeira necessidade é a alimentação, seguida de abrigo e itens nãoalimentares. Os recém-deslocados precisam de assistência para salvar suas vidas, incluindo acesso aalimentos, abrigo e serviços básicos. As taxas de transporte aumentaram significativamente devido à crescente demanda. A maioria das pessoas continua a viajar a pé e está exposta a riscos de protecção, particularmente pessoas com vulnerabilidades adicionais, como sobreviventes de Violência Baseada no Género, pessoas idosas, pessoas com deficiência, grávidas e mulheres solteiras chefes de família.Mulheres e meninas também estão expostas a riscos adicionais, como violência sexual, incluindo sexo desobrevivência”.

O conflicto armado em curso na província de Cabo Delgado, rica em petróleo e gás, resultou em graves abusos de direitos, a interrupção de serviços críticos e um impacto severo nos civis, particularmente nascrianças que representam quase metade da população deslocada.

“O ACNUR está trabalhando em estreita colaboração com a Equipe de Área Humanitária do País (AHCT), Grupos e parceiros para garantir uma resposta coordenada com o Governo para ajudar as famílias recém-deslocadas”, garante este organismo das Nações Unidas, que conclui que “devido à situação de segurançavolátil nos distritos afectados, o ACNUR considera prematuro promover retornos nos distritos afectados.Apesar de alguns retornos espontâneos às zonas de origem, o ACNUR destaca a importância de garantir que os retornos sejam seguros, voluntários e baseados em decisões informadas, e que os serviços básicos sejam restabelecidos nas zonas de origem”.  (Redação)

Uniões prematuras forçam raparigas a abandonar aulas em Nivitha

Nampula (IKWELI) – Em Nivitha, no posto administrativo de Anchilo, no distrito de Nampula, metades das raparigas menores de 18 anos de idade, ainda são forçados a casar prematuramente, situação que acontece com maior incidência na província de Nampula.

Em cada duas meninas, uma contrai matrimónio antes de completar 18 anos e fica grávida precocemente, segundo relatos colhidos pelo Ikweli naquela comunidade.

Em consequência da idade, algumas raparigas enfrentam graves complicações na sua saúde, incluindo a saúde sexual e reprodutiva, incluindo a perda de oportunidade de educação e formação.

Esta situação tem deixado graves traumas e compromete a vida futura de algumas raparigas que são obrigadas a casar prematuramente, por vontade de alguns familiares. Aliás, a principal causa do problema, segundo os moradores entrevistados pelo nosso jornal, é a pobreza, pois muitas famílias com poucos recursos sentem-se pressionadas a deixar que as filhas se casem prematuramente como forma de prover sustento.

Tal como constatou a reportagem do Ikweli, grande parte das raparigas de Nivitha que são submetidas aos casamentos muitas vezes são abusadas e abandonadas.

Naquela comunidade, a reportagem do Ikweli entrevistou algumas raparigas vítimas destas práticas. Actualmente com 17 anos de idade e mãe de 2 filhos, C. Sebastião, conta que uniu-se, forçosamente, com um mais velho, o qual a proibiu de continuar a frequentar a escola. Mas, mesmo assim, este violador não ficou com ela. Abandonou-o a menor, com outros dois menores (filhos), e foi casar uma outra menor, por sinal vizinha da primeira vítima.

A menor I. Amade, de 16 anos de idade, também, viu-se forçada a aceitar um casamento, com um indivíduo que devia ser o exemplo da moral em uma sociedade, pois é professor no Sistema Nacional de Educação na vila de Namapa, distrito de Eráti.

Esta adolescente relata que “obrigaram-me a casar com um professor em casa, em Namapa, na altura ele tinha 39 anos de idade, eu frequentava a 6ª classe, ele tinha prometido para os meus pais que iria voltar a escola assim que chegássemos a cidade, obrigaram-me a abandonar os estudos e agora eu vivo em péssimas condições, todos dias tenho que ir a machamba ou vender bolinhos para poder ter um valor para me sustentar”.

A história da Isabel é uma entre várias, em que as raparigas vêm interrompidas muito cedo os seus sonhos devido ao casamento prematuro. Em Nivitha os hábitos socioculturais obrigam que as raparigas e rapazes ao completarem 12 anos de idade, sejam submetidos aos ritos de iniciação. Ao sair, os rapazes são liberados para continuarem os seus estudos, mas as raparigas são direccionadas para casamento, para formar lar e cuidar dos filhos.

Muanacha Abdul, de 17 anos de idade, teve que abandonar a escola para frequentar a madraça, a fim de aprender práticas da religião islâmica e, com o casamento prematuro, também, passou a cuidar da família.

A fonte conta que teve de enfrentar vários desafios, entre os quais, levantar-se todos os dias às quatros horas de madrugada para a machamba, frequentar a madraça, executar as actividades domésticas e cuidar do marido e dos seus filhos.

“Quando terminei a 7ᵃ classe, com 13 anos, fui aos ritos de iniciação onde fiquei quase quatro semanas, e perde o ano lectivo. No ano seguinte, regressei à escola contra a vontade da minha tia que dizia que já era altura de ir ao lar. Com o a poio do meu primo, que é professor, consegui terminar a 8ᵃ classe, um homem veio a minha casa pedir aos meus pais para casar comigo. Ela aceitou o pedido. Cumpriram-se com os rituais e daí fui ao lar, deixando para trás a escola e muitos sonhos”, disse a fonte.

Esta dura rotina, impediu a Muanacha de gozar a sua adolescência e hoje está impossibilitada de desfrutar da juventude e dos seus direitos.

Com dois filhos, de três e um ano respectivamente, a Muanacha confessou a nossa reportagem que, quando criança, sonhava ser professora, por ser uma profissão cuja essência é educar, ensinar.

O secretário do bairro de Nivitha, Constantino Abudo, lembra que o problema de desistência das raparigas na escola sempre existiu, mas ultimamente esse assunto é um fenómeno que já está a ter alguma solução, embora alguns continuam a casar as suas filhas cedo, alegando que é para ajudar a família.

Elisabeth Francisco, diretora-adjunta pedagógica da Escola Primaria do 1̊ e 2̊ graus de Nivitha, diz que o problema é mais grave em relação a desistências e casamentos prematuros.

“Estamos a tentar fazer a estatística do segundo trimestre, só assim havemos de ter um número exacto das raparigas que desistiram. Mas mesmo assim os números das raparigas desistentes que temos, nos preocupa, porque no ano passado (2021) até início deste ano (2022) tivemos 19 raparigas que desistiram, e algumas turmas quando passo por lá as alunas sempre dizem, que a colega fulana já está casada ou esta grávida”, concluiu a fonte. (Atija Chá)

Detidos indivíduos que drogaram e violaram sexualmente menores de idade em Nampula

Nampula (IKWELI) – Dois indivíduos de 20 e 25 anos de idade, respectivamente, estão a contas com as autoridades policiais, indiciados da prática de crime de cárcere privado e violação sexual de menores de idade residentes no bairro de Muahivire, nos arredores da cidade de Nampula.

O acto que incrimina os dois indivíduos, dos quais um de 20 anos de idade e de nacionalidade congolesa, deu-se no dia 5 de Julho corrente, onde as supostas vítimas foram mantidas em cárcere na residência de um dos violadores que fica junto do seu posto de trabalho, por sinal uma padaria localizada no bairro de Muahivire.

O Ikweli tomou conhecimento que as raparigas abandonaram as residências dos seus pais sob alegação de que iam à escolha secundária 22 de Agosto, onde estudam, para produção de um trabalho em grupo, e que não regressaram até a altura em que foram encontradas, seis dias depois.

Em entrevista, as raparigas de 13 e 16 anos de idade, contam que conheciam um dos supostos violadores que por sinal era amigo destas, aliás, foi através do alegado amigo que trocaram contactos e naquele dia receberam a comunicação para uma saída. Contudo, viram-se forçadas a entrar numa residência onde não devia atender chamadas telefónicas dos seus familiares ou conhecidos, caso não obedecesse a ordem seriam agredidas fisicamente.

“Nós entramos naquele quintal quando eram 15 horas e eles disseram ao guarda para não abrir as portas, porque ninguém devia sair ou entrar”, disse a suposta violada sexualmente de 16 anos de idade e que confessou ter conhecido um dos violadores, que era seu amigo, segundo deu a conhecer quando questionada e que durante seis dias mantiveram relações sexuais e foram obrigadas a consumir bebidas alcoólicas e drogas.

A outra vítima conta que “estava com esta minha amiga na casa dela, de repente recebeu a ligação do Baby que pediu para o visitar. Daí eu perguntei se lhe podia acompanhar e ela aceitou. Quando lá chegamos, apareceu o jovem de nome Mil Grama que disse ninguém devia sair daquele quintal e fecharam as portas e foram embora. Só fora regressar as 23 horas trazendo bebidas e obrigaram a fazer sexo”, acrescentou outra menor de 16 anos supostamente violada.

Os supostos violadores negam as acusações, mas aceitam que conhecem as meninas como amigas. Portanto, afirmam que desde os tempos em que se conhecerem as supostas raparigas violadas manifestaram interesse em manter relações amorosas, mas que estes não permitiram. “Uma das meninas é minha amiga, ela manifestava interesse comigo e sempre disse-lhe que não podia acontecer nada entre nós, porque eu sou comprometido. Tenho mensagens em SMS que trocávamos e elas frequentavam muito o meu local de trabalho”, disse um dos indiciados já nas mãos da polícia, nas celas da 1ª Esquadra.

Por sua vez, o comando provincial da Polícia da República de Moçambique (P.R.M) em Nampula, através do chefe do Departamento de Relações Públicas, Dércio Samuel, esclarece que tomou conhecimento do caso por via de uma denúncia pelos pais das supostas vítimas, dando conta do seu desaparecimento no seio da família.

“A Polícia neutralizou estes dois indivíduos porque as vítimas, na verdade, confessam que são estes dois que mantiveram-nas em cárcere privado. Os mesmos obrigavam-nas para a prática de actos sexuais. Uma das meninas foi convencida a dirigir-se naquele local, esse acto ocorreu perto de uma padaria”, referiu Dércio Samuel que garante haver trabalhos que visam responsabilizar criminalmente os supostos violadores sexuais. (Esmeraldo Boquisse)

Luanda: Momade recebido pelo presidente da UNITA

Luanda (IKWELI) – O presidente da Renamo, Ossufo Momade, manteve encontro com o líder da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, durante a sua estadia em Luanda, Angola, onde participou da reunião do comité executivo e da Assembleia-geral da Internacional Democrática do Centro (IDC).

“O encontro decorreu num ambiente cordial e fraternal, tendo em conta os laços de amizade que unem os dois partidos irmãos desde os primórdios da luta pela Democracia, liberdade e Estado de Direito Democrático”, disse Momade em contacto com o Ikweli.

Igualmente, segundo o político, na conversa, “passamos em revista a relação entre os dois partidos desde os tempos dos saudosos Presidentes Afonso Macacho Marceta Dhlakama e Jonas Malheiro Savimbi. Manifestamos o desejo de cada vez mais fortificar as relações de amizade e cooperação em várias áreas e para o efeito, assinamos um memorando de entendimento que acreditamos que vai catapultar mais os laços de amizade e cooperação entre os dois partidos”. (Redação)