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Secretário de Estado na província de Nampula visita aldeia atacada por terroristas em Memba

Memba (IKWELI) – O Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gôndola, visitou o bairro de Mithopue, no posto administrativo de Lúrio, no distrito de Memba, região que em Junho findo foi atacado por um grupo de homens armados ligados ao grupo terrorista que semeiam dor e luto na vizinha província de Cabo Delgado.

Trata-se de um grupo que veio a Memba para resgatar membros que se encontravam a gozar férias disciplinares da actividade terrorista em Cabo Delgado, e como tal recrutar novos membros.

Gondola esteve em Mithopue a 6 de Julho corrente, e na ocasião pediu maior vigilância e denúncia atempada em casos de movimentação de pessoas de origem duvidosa nas comunidades.

Gôndola disse que face a esta suspeita a população deve estar mais atenta e colaborar com as Forças de Defesa e Segurança (FDS). Numa reunião que manteve com os residentes da zona, o governante informou que estes não devem se distrair para se juntar aos grupos terroristas, porque, no seu entender, apenas retardam o desenvolvimento do país, além de ceifar vidas humanas.

Por outro lado, a fonte não descartou a hipótese de que o alarido tenha sido provocado por pessoas de má-fé, as quais pretendiam se apoderar de bens dos cidadãos, por isso assegurou que esforços estão em curso para neutralizar e responsabilizar os autores dos escândalos, uma vez que alguns residentes foram retirados os seus bens domésticos.

Na mesma ocasião, os residentes de Mithopue pediram as autoridades governamentais para melhorar certos serviços na região com destaque para os de saúde, educação, através de construção de mais escolas, manutenção de vias de acesso e pontes, construção de sistemas de abastecimento de água e mais. (Redação)

Mecubúri: Polícia dispara contra mulheres da Renamo por comemorarem o seu dia

Nampula (IKWELI) – A Liga Feminina da Renamo assinalou nesta terça-feira (5) o dia do Destacamento Feminino da Perdiz, e a luz das comemorações, no distrito de Mecubúri, na província de Nampula, a Polícia da República de Moçambique (PRM) tentou sem sucesso

O Ikweli tomou conhecimento que, decorrente do impedimento da marcha, chefiado pelo chefe das operações afecto no comando distrital da PRM de Mecuburi, a polícia disparou para o ar por duas vezes, tudo na tentativa de inviabilizar a actividade dos membros e simpatizantes daquela organização político partidária, segundo considera o respectivo porta-voz provincial, Nelson Carvalho.

“Quando avançamos para a marcha alusiva ao dia do Destacamento Feminino da RENAMO, apareceu a polícia e começou a nos intimidar, sem motivos. Deram dois disparos para o ar, tudo isso feito pelo chefe distrital das operações. Intimidou os nossos quadros e membros do partido”, informou Nelson Carvalho, dando conta que “o mais caricato é que o chefe das operações estava muito bêbado, em estado elevado de embriaguez”.

Refira-se que o disparo foi efectuado nas imediações do hospital distrital que, para além dos cidadãos que seguiam a marcha, os utentes daquela unidade sanitária entraram em pânico, facto que preocupa a liderança do partido RENAMO representada na ocasião, pela delegada política provincial, Abiba Aba. Ademais, “como uma manifestação pacífica, ordeira e bem organizada, não haviam motivos para ser inviabilizada. O que notamos é que o chefe das operações agiu sob comando de outras figuras políticas. Deixou de exercer a sua actividade de defensor do povo e começou a tentar fazer política, o que não é actividade dele”, acusou.

A RENAMO queria agredir os agentes da polícia

Entretanto, quando contactado o comandante distrital da Polícia da República de Moçambique em Mecubúri, este confirmou a ocorrência do incidente, tendo afirmado que “na verdade houve essa situação. Como é que ocorreu não sei, mas me apercebi que quando as pessoas da RENAMO foram ao local, começaram a manifestar fazendo a marcha, os policiais aproximaram-se para se informar do que estava a acontecer, mas eles foram agredidos. Até haviam promessas de serem arrancados as armas, e foi nesse sentido que a polícia usou dois tiros ao ar para conter os ânimos dos manifestantes”.

Estando a gozar de férias de trabalho, o comandante garantiu ao nosso repórter que “houve diálogo porque a polícia ia exactamente para lá aperceber-se do que estava a acontecer. No meio disto, haviam pessoas oportunistas que queriam criar certa agitação e vandalizar os estabelecimentos comerciais”, informou o comandante que disse tratar-se de uma marcha realizada pela RENAMO sem a devida autorização, razão pela qual os agentes da corporação aproximaram-se ao grupo para se informar. (Esmeraldo Boquisse)

Academia sofre duro golpe com a morte de dois intelectuais no norte de Moçambique

Nampula (IKWELI) – O dia 4 de Julho de 2022 será lembrado de forma triste e trágica pelos intelectuais e pela academia no norte de Moçambique. É que no mesmo dia, em circunstâncias diferentes, calaram-se duas importantes figuras para o mundo académico em Nampula e Cabo Delgado.

Trata-se do Professor Doutor Adelino Zacarias Ivala, pai da intelectualidade macua, como era carinhosamente reconhecido, e o director da Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Lúrio (UniLúrio), João Paulo Macuio, com sede na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado.

O Professor Ivala perdeu a vida no leito hospitalar, segundo uma nota da reitora da Universidade Rovuma (UniRovuma), que no passado foi delegação da Universidade Pedagógica, tendo o malogrado sido o director por vários anos e estabelecido a instituição.

“Estimados colegas Docentes e CTA. Comunicamos com profunda dor e consternação o desaparecimento físico do nosso colega e Director fundador da UPN. O Professor Doutor Adelino Zacarias Ivala, se encontrava doente nos últimos tempos, mas mesmo assim oferecia os seus melhores préstimos profissionais a nossa jovem universidade Rovuma, por isso perdemos um dos principais pilares e activo precioso do desenvolvimento institucional. Estando a família UniRovuma também de luto, pedimos a comunidade universitária a prestar solidariedade e todo tipo de apoio possível a família Ivala, bem como participar em todas as cerimónias autorizadas pela família”, esta é a primeira reação da UniRovuma, dirigida pelo Professor Doutor Mário Jorge Brito dos Santos.

Na mesma nota, a UniRovuma reconhece e garante que “os feitos históricos, os sonhos e o nome do Professor Doutor Ivala serão preservados nas nossas memórias e serão mantidos como símbolo da nossa Instituição”.

E o director da Faculdade de Ciências Naturais da UniLúrio, João Paulo, perdeu a vida vítima de acidente de viação, no distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado. Na sua companhia, também, perdeu a vida um outro funcionário da mesma unidade orgânica da UniLúrio. (Redação)

 

Nampula: Membros da Frelimo realizam actividades partidárias em estabelecimento de ensino público

Nampula (IKWELI) – Em preparação das eleições autárquicas de 2023 e as gerais de 2024, membros do partido Frelimo, no comité da zona de Muatala, nos arredores da cidade de Nampula, têm vindo a realizar as suas actividades na Escola Primária e Completa (EPC) 7 de Setembro.

No último sábado, 2 de Julho, o Ikweli observou bandeiras do partido hasteada no recinto e no edifício da EPC 7 de Setembro, e membros da Frelimo reunido naquele espaço, mobilizando-se jovens locais para os próximos pleitos eleitorais.

Esta prática é condenável pela lei, mas os membros do partidão ignoraram tal comando legal, tanto que executavam as suas actividades sem receio. (Redação)

Maputo é capital africana do algodão

Maputo (IKWELI) – A capital moçambicana, Maputo, acolheu nesta quinta-feira, 30 de Junho, a XV Sessão do Fórum do Algodão da África Austral e Oriental (SEACF), evento que serviu em torno da transição da produção convencional do algodão para a produção orgânica.

Intervindo na ocasião, o Inspectora-geral do Ministério da Agricultura (MADER), Rui Mapatse, disse o “fórum, acontece num momento em que o mundo está a dar passos para uma agricultura orientada para produção sustentável e voltada à conservação dos recursos naturais, e Moçambique não esta alheio a esta tendência actual. Tendência esta, que está alinhada com compromisso assumido por Moçambique nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e no Programa Quinquenal do Governo”.

“A agenda do algodão Orgânico em Moçambique é emergente e está enquadrada na Política de desenvolvimento do Sector Agrário e na Política de integração do Sector familiar em cadeias de valor Produtivas”, garantiu Mapatse, apontando que “um dos desafios lançados para reflexão neste fórum é a transição da produção convencional do algodão para a produção orgânica, tendo em conta a realidade de cada um dos países membros”.

Num outro desenvolvimento, a fonte afirmou que “a produção de algodão orgânico pelos produtores do sector familiar constitui uma oportunidade para o aumento da renda das famílias rurais e para melhoria da qualidade de vida. É igualmente uma oportunidade para o País, para a diversificação do mercado, maior contribuição na Balança de pagamentos e atracão de mais investimento tendo em conta o potencial de Produção que o Pais dispõe para responder a este mercado crescente e promissor”.

Ainda assim, o Inspectora-geral do MADER reconhece que “estamos cientes que esta transição ou a exploração deste mercado do algodão Orgânico tem desafios relativos a Tecnologia adequada, Pesquisa das melhores práticas, pacote tecnológicos, assistência técnica aos produtores, mudanças culturais e acesso a financiamento, facto que irá requer empenho e comprometimento individual de cada País e esforço de todos como membros do SEACF”.

O SEACF é um fórum técnico formado por países produtores do algodão da África Austral e Oriental, criado em 1998 com o objectivo de estabelecer uma rede de discussão de assuntos técnicos de interesse comumno algodão, que afectam as duas regiões.

As sessões deste Fórum são bienais e organizadas de forma rotativa pelos países membros constituídos por: Moçambique, Malawi, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué, Quénia e Uganda, tendo a última sessão sido suspensas por causa da Covid-19. As últimas sessões foram realizadas na Tanzânia (2008), Zâmbia (2010), Quênia (2012), Moçambique (2014), Brasil (2016) e Zimbábue (2018). Será a segunda vez queMoçambique país acolherá o SEACF.

A organização do evento é coordenada entre Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM,IP) e o Comité Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) e contamos com 80 participantes.

No presente ano, para além da participação dos países da África Austral e Oriental que produzem algodão, o evento contará com a participação de outros países convidados como: Nigéria, costa do Marfim, Índia, USA, Alemanha, Reino Unido e Suíça.

Este evento constitui uma oportunidade para Moçambique preparar um roteiro para introdução do algodão orgânico e esperamos como resultados, adquirir bases sólidas para delinear um roteiro de introdução da produção orgânica e expor as oportunidades e potencialidades de Moçambique para atracção de investimentos públicos e privados ao longo da cadeia de valor do algodão.

Os países que irão participar estão avançados na produção do algodão orgânico e Moçambique pretende aproveitar a presença deste país, para também diversificar a qualidade do algodão.

A iniciativa de produção de algodão orgânico será implementada pelo sector privado e pelos produtores e o IAOM entrará com papel de regulador. (Redação)

Mais de 71 violações graves contra crianças foram registadas diariamente em conflitos entre 2016 e 2020

Nova Iorque (IKWELI) – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla inglesa) aponta, em novo relatório publicado nesta terça-feira (28), que entre 2016 e 2020 foram registados, em média diária, 71 violações graves contra crianças em zonas de conflitos.

“Entre 2005 e 2020, as Nações Unidas verificaram mais de 266.000 violações graves contra crianças cometidas por partes em conflito em mais de 30 situações de conflito na África, Ásia, Oriente Médio e América Latina”, aponta o relatório do UNICEF.

Esta agência da ONU acredita que o número possa ser ainda maior, pois este “é uma fração das violações que se acredita terem ocorrido, pois as restrições de acesso e segurança, entre outras, e a vergonha, dor e medo que as crianças e familiares sobreviventes sofrem muitas vezes dificultam a notificação, documentação e verificação de violações graves contra crianças em situações de conflito armado”.

Intitulado “25 anos de crianças e conflitos armados: agindo para proteger crianças na guerra”, o relatório constatou que “entre 2005 e 2020 mais de 104.100 crianças foram confirmadas como mortas ou mutiladas em situações de conflito armado; mais de 93.000 crianças foram confirmadas como recrutadas e usadas pelas partes em conflito; pelo menos 25.700 crianças foram abduzidas pelas partes em conflito; as partes em conflito estupraram, casaram-se à força, exploraram sexualmente e cometeram outras formas graves de violência sexual contra pelo menos 14.200 crianças”.

Por outro lado, “as Nações Unidas verificaram mais de 13.900 incidentes de ataques contra escolas e hospitais e não menos de 14.900 incidentes de negação de acesso humanitário para crianças desde 2005”.

“Este relatório expõe, nos termos mais severos possíveis, o fracasso do mundo em proteger suas crianças de graves violações durante os tempos de conflito armado”, disse a Diretora Executiva do UNICEF, Catherine Russell, citado numa nota de imprensa da organização que dirige distribuída a partir de Nova Iorque.

Russel prossegue afirmando que “graves violações devastam crianças, famílias e comunidades – e rasgam o tecido da sociedade, tornando ainda mais difícil restaurar e manter a paz, a segurança e a estabilidade. Devemos nos recusar a aceitar violações contra crianças como um resultado inevitável da guerra”.

Com base em dezasseis anos de dados do Relatório Anual do Secretário-Geral sobre Crianças e Conflitos Armados, o relatório ilustra o impacto que os conflitos armados tiveram sobre as crianças, apresentando tendências de graves violações em todo o mundo e ao longo do tempo. O relatório examina como as informações sobre os padrões documentados de violações graves estão sendo usadas para responder às necessidades das crianças e como o envolvimento com as partes em conflito – atores estatais e não estatais – permite acabar com e prevenir violações graves.

“O número anual de violações verificadas aumentou gradualmente desde 2005, ultrapassando 20.000 em um ano pela primeira vez em 2014 e chegando a 26.425 em 2020. Entre 2016 e 2020, a média global diária de violações graves verificadas ficou em um alarmante 71 violações. O elevado número de violações observado nos últimos anos demonstra o impacto dramático que os conflitos armados – e as crises de proteção cada vez mais complexas e prolongadas – têm sobre as crianças”, lê-se no relatório, cujo conteúdo temos vindo a citar.

O relatório observa que muitas crianças sofrem mais de uma violação, aumentando sua vulnerabilidade. Por exemplo, o rapto é muitas vezes combinado com ou leva a outras violações, particularmente recrutamento e uso e violência sexual. Crianças – especialmente meninas – que foram sequestradas e/ou associadas a partes em conflito estão expostas a riscos elevados de violência sexual, incluindo estupro, exploração sexual e casamento forçado.

As violações são de todas as partes

O relatório constatou que graves violações contra crianças foram cometidas por todas as partes em conflito, Estados e atores não estatais. Entre 2016 e 2020, atores estatais – incluindo forças e coalizões nacionais e internacionais – foram responsáveis ​​por pelo menos 26% de todas as violações. Em comparação, os atores não estatais foram responsáveis ​​por cerca de 58% de todas as violações verificadas, ressaltando a importância do envolvimento de todas as partes em conflito, incluindo atores não estatais, para encerrar e prevenir significativamente as violações contra crianças.

A fim de reforçar a responsabilidade, as partes em conflito listadas no relatório anual do Secretário-Geral sobre crianças e conflitos armados desenvolvem e implementam Planos de Ação com ações específicas, concretas e com prazo determinado para estabelecer medidas sustentáveis ​​para proteger as crianças do impacto do conflito, por isso “entre 2005 e 2021, um total de 37 Planos de Ação foram assinados pelas partes em conflito em 17 situações de conflito. Cerca de 70 por cento dos Planos de Acção foram assinados com actores não estatais, sendo os restantes 30 por cento assinados com actores estatais. O relatório apresenta vários exemplos que destacam o valor crítico e o impacto dos Planos de Ação em trazer mudanças positivas para as crianças, tanto no imediato quanto no longo prazo, bem como delinear desafios e obstáculos”.

O número cada vez maior de actores armados não estatais, o desenvolvimento e emprego de novos meios e métodos de guerra, o uso de artefactos explosivos improvisados ​​e outras armas explosivas, particularmente em áreas povoadas, são apenas alguns dos muitos factores que contribuem para a criação de desafios sem precedentes para a proteção de crianças em situações de conflito armado. (Aunício da Silva)

Nampula é uma das províncias que mais casos de fístulas obstétricas regista

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte de Moçambique, é uma das que mais casos de fístulas obstétricas regista a escala nacional, segundo deu a conhecer o urologista Igor Vans.

Falando no lançamento da campanha de tratamento de fístulas obstétricas na cidade de Nampula, o Dr. Vans apontou, também, a província do Niassa como a outra que mais casos da doença regista.

“Nós trabalhamos quase em todo país, Nampula e Niassa são as piores províncias, não sei se é por causa da extensão ou população. No Niassa, por exemplo, penso que é porque as pessoas vivem muito longe das unidades sanitárias”, comentou a fonte, explicando que “o grande problema é que as mulheres começam o parto em casa, então normalmente as sogras e maridos não dão autorização para elas irem fazer os partos nas unidades sanitárias. Antigamente, os partos eram feitos em casa, agora não é possível continuar com esse parto tradicional. Quando chega o momento do parto as pessoas não têm tempo de chegar no hospital por isso há uma rotura, o útero pode se romper, pode se romper a bexiga, elas chegam as unidades sanitárias já com uma rotura uterina”, por isso “algumas mulheres para não morrerem o técnico de saúde é obrigado a retirar o útero”.

A campanha em curso na cidade de Nampula, de acordo com o médico urologista Igor Vans, deverá beneficiar, pelo menos, 65 mulheres e termina na próxima sexta-feira.

“Nesta campanha, nós viemos operar casos complicados, os casos que não têm sido operados nas outras campanhas”, explicou a fonte durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde da última segunda-feira (27) no Hospital Central de Nampula (HCN). (Vânia Jacinto)

Tartarugas marinhas das Ilhas Primeiras e Segundas passam a ter maior protecção

Maputo (IKWELI) – A Fundação para Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e a WWF Moçambique assinaram, no início de Junho de 2022, um acordo de subvenção para um novo projecto de monitoria das tartarugas marinhas na Área de Protecção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas (APAIPS), através da colocação de etiquetas satélites nas tartarugas.

A APAIPS é uma das maiores áreas marinhas da África localizada no norte de Moçambique, nas províncias de Nampula e Zambézia. Com uma superfície de aproximadamente 1.040.926 ha (hectares) e por uma faixa terrestre de 205 km, o arquipélago das Ilhas Primeiras e Segundas forma uma região de grande influência marinha onde se desenvolve uma extensa “cordilheira de recifes” de profundidade que em certos locais afloram à superfície, com elevada riqueza em diversidade biológica.

Esta iniciativa tem em vista a melhoria do conhecimento em tempo real, das rotas de migração das tartarugas que nidificam nas ilhas da APAIPS. O projecto é financiado através do programa Cartão bio, uma parceria entre o Banco Comercial de Investimentos (BCI) e a BIOFUND, onde uma percentagem do valor da anuidade do cartão e do uso do cartão é canalizado para apoiar projectos de conservação de biodiversidade.

No âmbito do projecto, prevê-se igualmente a implementação de um plano de comunicação, como forma de sensibilizar as comunidades locais a todos níveis, para o seu envolvimento na conservação das tartarugas marinhas. Com esta parceria, a BIOFUND pretende apoiar cada vez mais aspectos de pesquisa e inovação relacionados com a conservação da biodiversidade, promovendo acções de sensibilização ambiental sobre temas relevantes.

De acordo com estudos feitos, pouco se sabe sobre as tartarugas marinhas em Moçambique, excepto em áreas específicas onde decorrem programas mais consistentes de monitoria e investigação, como é o caso da Ilha de Inhaca, Ponta do Ouro, Ponta Santa Maria, Arquipélago do Bazaruto e Ilhas de Vamizi e Rongui. Nas Ilhas Primeiras e Segundas algumas acções de monitoria e marcação foram levadas a cabo (com marcadores de titânio que são aplicados na barbatana) entre os anos 2005-2010. Os dados dessas monitorias, demonstram a ocorrência de ninhos de tartarugas verde nas Ilhas Primeiras e Segundas. (Redação)

“Experiência da democracia em Moçambique está tremida”, afirma o Arcebispo de Nampula, dom Inácio Saure

Nampula (IKWELI) – O arcebispo de Nampula, dom Inácio Saure, considera que a experiência da democracia em Moçambique está tremida, uma vez que a transição de poderes constitui motivo de insatisfação para as pessoas que, movidos pelos interesses pessoais ou de grupos, não aceitam passar aos outros.

Esta situação faz com que o clérigo tenha reservas relativamente aos próximos pleitos eleitorais, precisamente as autárquicas de 2023 e as gerais de 2024.

“Quantos dirigentes religiosos, políticos ou de associações, todo aquele que é dirigente, passam o poder tão livremente aos seus sucessores?”, questionou o chefe máximo da igreja Católica em Nampula, durante a missa que marcou o fim da peregrinação de jovens ao santuário de Rapale.

Saure prosseguiu na ocasião afirmando que “quando se aproximam as eleições vós sabeis melhor do que eu. Há visitas noturnas aos curandeiros, nascem ódios, criam-se pequenos partidos de oposição para inviabilizar o mandato do outro nas nossas comunidades cristãs”, para depois questionar: “será que não sabemos que na igreja autoridade é serviço e quem reina é aquele que serve, aquele que lava os pés dos irmãos como nos ensinou Jesus­?”, recordando que “isto é que é poder e autoridade”.

Na sua pregação, dom Inácio Saure questiona as razões que levam os governantes que não querem passar o poder aos outros, aliando-se no seu discurso de que autoridade é serviço e quem reina é aquele que serve ao povo e não se serve do povo. Neste sentido, exorta o auto-reconhecimento de todos os que governam o povo de Deus no seio da igreja, e não só, para estarem ao serviço do povo.

Citando as palavras do Papa Francisco, dom Inácio Saure afirma que é preciso aprender a despedir-se. “Aprenda a despedir-se, dizer prontos, já acabou o meu mandato. Que seja assim para os políticos, também”, isto porque o mais importante é o bem do povo e não as honras, vantagens pessoais, salários acima do salário mínimo do cidadão comum que, também, é filho de Deus e foi criado “à imagem e semelhança de Deus, também, com direito a viver a sua dignidade”.

“Em África os dirigentes são como macaco velho. O macaco velho, também, sabe subir. Ele sobe até no cimo das árvores, só que quando sobe ele olha para baixo e tem medo de descer, já não consegue e cola-se lá mesmo, não quer descer. E sabem o que fazem os homens? Fazem-no cair esse macaco velho”, deu por exemplo o Arcebispo alertando a comunidade a se libertar da escravidão, numa altura em que o país celebra no presente ano 2022, os 47 anos da Independência Nacional.

No contexto da independência do país e a possível libertação dos governantes que não desejam passar o poder, o Arcebispo da arquidiocese de Nampula disse ser primordial envolver a juventude nos processos de governação em todos os sectores da sociedade. Entretanto, há que antes libertar os jovens do consumo e tráfico de drogas que, no seu entender, ofuscam o seu discernimento diante dos desafios do povo religioso e não só.

“Nestes dias circulam informações alarmantes, dando conta que Nampula tornou-se trampolim de tráfico de drogas. Isso não nos honra, muito pelo contrário, é uma grande vergonha na nossa casa que é Nampula e, grande vergonha sobretudo, para queles que têm o dever de preservar o povo deste tipo de males. Aonde queremos levar essa juventude? Aqueles que vos ensinam meus jovens, a consumirem e traficar drogas não vos querem bem, eles estão a matar-vos para não serem capazes de dirigir os destinos desta igreja, o destino deste país”, disse.

Para dom Saure, a edificação de uma nação e o mundo consiste nos três pilares, nomeadamente, a educação, formação e acompanhamento correcto aos jovens. Embora todo o investimento sério seja exigente e muitas vezes passíveis de falhas, segundo disse, investir na juventude garante o futuro da igreja e da sociedade no meio de vários desafios.

Outrossim, aponta a instrumentalização dos jovens na prática de actos que inviabilizam o progresso do país. Por isso, a necessidade de entrega total desta camada social a fim de libertar o povo de Deus dos males que os apoquentam. (Esmeraldo Boquisse)

Nampula: cemitérios são alvos de vandalização por conta da procura de ferro velho

Nampula (IKWELI) – Indivíduos desconhecidos estão a vandalizar campas nos cemitérios, tanto familiares assim como municipais em Nampula, no norte de Moçambique, com o propósito de extrair ferro e mármore, usados na construção das cruzes e outras partes.

Este material colectado nos locais de repouso eterno é, a posterior, comercializado no mercado informal, sob forma de sucata.

Nos últimos tempos, o negócio de ferro velho na cidade de Nampula é visto como uma das alternativas de sobrevivência por parte de alguns munícipes. Cada quilograma de ferro velho, segundo apuramos, chega a ser comercializado ao valor mínimo dez meticais (10.00MT), no mercado informal.

Dada a sua maior procura, o ferro velho está escasseando em Nampula e, como alternativa, os indivíduos, maioritariamente jovens, avançam com a vandalização das campas, onde retiram o referido metal.

Exemplo disso é o cemitério municipal de Cotocuane, localizado no bairro de Namutequeliua, posto administrativo municipal de Muhala, onde os familiares com entrequeridos sepultados no local mostram-se preocupados com o fenómeno.

Aliás, para alguns familiares ouvidos pelo Ikweli, uma das razões que facilita a acção desumana é a falta de guardas no cemitério de Cotocuane, especificamente, e pedem a intervenção das autoridades municipais para a mitigação do problema.

“O que está a acontecer aqui é a vandalização das campas. Por exemplo, ali é a campa do meu pai, tinha mármore que tinha ferro, vandalizaram aquilo tudo e ficou naquele estado. Outras campas foram vandalizadas as cruzes e ali tinha ferro, onde tem arrame eles apanham e deixam a cruz inclinada”, disse João Manuel Lipeque.

“Então, todas as campas onde tem ferro são vandalizadas e isso indigna a nós que somos familiares que tentamos construir uma campa de modo que os netos amanha venham conhecer que aqui foi enterrado o nosso avô, o nosso tio, o nosso ente – querido, mas isso não há-de ser possível por causa dessas vandalizações que estão a ocorrer aqui, por isso estamos mesmo indignados”, continuou Lipeque.

“Ontem quando viemos fazer limpeza é que vimos isso. Antes eram apenas as cruzes com ferro. Desde que morreu o guarda Marcelo que se dedicava a este cemitério começou essa vandalização das cruzes e outras coisas, mas agora é o cúmulo, eles já tiram toda campa, destroem toda campa deixando naquele estado”, acrescentou, lamentando o nosso interlocutor.

Para Rosa Manuel Lipeque “a falta de guarda aqui é uma preocupação mesmo, porque o que fizeram com a campa do meu pai é sentimental. De momento estão a tirar ferro, mas depois vão começar a tirar os ossos dos mortos. Assim como vamos ficar? É uma situação triste que estamos a ver aqui”.

“Essas pessoas começaram há muito tempo a tirar as cruzes, agora estão a começar com as próprias campas, assim como é que nós vamos ficar, principalmente aquela minha filha que é mais pequena, como é que vai conhecer a campa e o nome da avó dela enquanto já tiraram as coisas ali?”, questionou Rosa Manuel Lipeque.

Para além das campas, o que o Ikweli constatou no cemitério de Cotocuane é que o próprio ferro usado para os pilares do muro de vedação, também está sendo retirado.

“Em primeiro lugar quero sensibilizar essa gente de que isso não é bom. Nós somos seres humanos e esperamos passar neste mundo, então não dá invadir as campas para vender o ferro porque sabemos que isso vai nos prejudicar. Temos que deixar”, disse Amade Júnior, um dos compradores de Ferro velho nas periferias do cemitério de Cotocuane.

Tentamos ouvir o pronunciamento das autoridades Municipais a volta do assunto, mas que se mostrou indisponível falar a imprensa para o efeito até o fecho desta matéria.