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Renamo ainda não decidiu se vai recandidatar Manuel de Araújo em 2023

Nampula (IKWELI) – O Presidente do Conselho municipal da cidade de Quelimane, Manuel de Araújo, disse que a sua recandidatura para o terceiro mandato na condução dos destinos dos quelimanenses está dependente das decisões a serem tomadas pela Renamo, partido no qual é membro.

Manuel de Araújo, de 51 anos de idade, está na presidência do município da cidade de Quelimane há 12 anos. O político ascendeu ao poder em 2011 depois de ter ganho a eleição intercalar realizada naquela cidade do centro de Moçambique, pelo partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na altura sua nova agremiação política, depois de ter desertado da Renamo na qual representou na Assembleia da República durante um mandato (2004 a 2009).

Devido a simpatia mostrada pelos munícipes de Quelimane durante os primeiros três anos de governação, de Araújo conquistou, inclusive, a confiança dentro do MDM pelo que com o partido do Galo concorreu e venceu as autárquicas de 2013.

No desenrolar dos acontecimentos, recorde-se, o político e académico Manuel de Araújo encontrou um ambiente turvo no seio do MDM e, sob fortes influências do então líder da Renamo, Afonso Dhlakama, de Araújo voltou às origens e com a perdiz concorreu à presidência da cidade de Quelimane nas municipais de 2018, tendo derrotado os seus adversários de forma convincente.

Aliás, no ano seguinte, de Araújo foi cabeça de lista da Renamo para o cargo de governador da província da Zambézia, tendo perdido para o vizinho Pio Matos, da Frelimo.

Entretanto, no meio da sua governação, de Araújo parece não estar a viver um clima de paz no seio da perdiz. E porque o seu mandato está prestes a terminar com a realização das eleições municipais no próximo ano, o Ikweli procurou saber junto do político sobre a sua prontidão para um possível terceiro mandato (mais três anos das intercalares).

Sobre a questão colocada, Manuel de Araújo respondeu que “a decisão para continuação depende de três factores. Primeiro a minha vontade, segundo a vontade dos munícipes e terceiro a vontade dos partidos políticos. O que já disse agora é que eu estou disponível, o que os munícipes de Quelimane dizem é que eles estão disponíveis. Quem ainda não se pronunciou é o meu partido, estou a espera que qualquer altura o partido se pronuncie”.

Questionado sobre uma possível rejeição da Renamo para o seu terceiro mandato, de Araújo foi cauteloso, pelo que não avançou medidas subsequentes. Aliás, disse que “nessa altura, caso o partido não se pronuncie eu vou responder a tua pergunta. Neste momento não tenho razão para suspeitar que o partido não se vai pronunciar”, precisou.

A cidade de Quelimane, na qual de Araújo é timoneiro, celebra no próximo dia 21 de Agosto corrente 80 anos de elevação a categoria de cidade. “Quelimane vai celebrar 80 anos de elevação à categoria de cidade e vamos ter uma série de eventos. Vamos inaugurar, também, a Catedral Velha, temos eventos desportivos com equipa, como por exemplo, de basquetebol de Quelimane e de Malawi, vamos ter futebol, vamos ter a maior e melhor pedalada, vamos ter carnaval, canoagem, portanto, vai ser uma grande festa com a primeira fase a iniciar no dia 21 até 31 de Agosto, depois vamos ter a segunda fase que começa a 1 de Setembro e vai até 1 de Setembro de 2023.

A cidade de Quelimane, a semelhança das outras do país, está rodeada de múltiplos desafios, com destaque para a insuficiência dos meios de transporte público para dar vazão a actual demanda.

Apesar disso, Manuel de Araújo orgulha-se com os avanços que a cidade vem registando, em alguns sectores. “Há muitos avanços. A cidade de Quelimane hoje é uma cidade com quem se fala, não de que se fala. Portanto, é uma cidade que, ao nível de infraestruturas, ao nível do saneamento, ao nível de extensão das estradas nos bairros, assim como ao nível de abastecimento de água, evoluímos bastante”, disse o autarca.

“Mas, também, ao nível regional, continental e internacional, a cidade de Quelimane é líder no sentido de que nós somos cidade mais internacional de Moçambique, neste momento. Portanto, participamos em várias organizações internacionais, liderados várias organizações internacionais, liderança várias organizações continentais e mundiais, portanto, somos considerados como campeões ao nível das nações unidas no que se refere às mudanças climáticas”, vangloriou-se o político. (Constantino Henriques)

Nivitha: Prevalece desnutrição crónica em crianças

Nampula (IKWELI) – Em Nivitha, no posto administrativo de Anchilo, no distrito de Nampula, a falta de diversificação alimentar das famílias está a colocar em causa a saúde e desenvolvimento de várias crianças, sobretudo as menores de cinco anos de idade.

O problema surge em consequência da falta de informação sobre a alimentação saudável, os hábitos e costumes tradicionais, associados à pobreza da qual vivem as famílias na zona rural onde o problema é predominante.

Tal como constatou a reportagem do Ikweli, grande parte da população de Nivitha, apesar de ser composta por agricultores, têm dificuldades na combinação dos alimentos o que faz com que prejudique o estado de saúde dos seus filhos, menores de idade.

Isabel Casimiro António, de 38 anos de idade, mãe de quatro filhos, é residente em Nivitha e contou não ter qualquer informação sobre a combinação de alimentos, por isso tem alimentado os seus filhos com o que consegui na machamba

“Na minha casa não temos horário definido, comemos aquilo que conseguimos, muita das vezes, dou meus filhos mandioca com amendoim torrado, chima de mandioca (caracata) com papahi ou mesmo com nicussi (peixe seco pequeno), misturado com feijão macaco”, contou a Isabel , acrescentando, por outro lado, que “por exemplo, o meu filho mais novo de dois anos de idade, ficou doente e levei ao hospital de Muhala Expansão, no dia 30 do mês passado, me disseram que ele tem falta de alguns nutrientes no organismo devido a qualidade da comida que eu  dou”.

Um outro factor que leva as crianças a terem problemas relacionados a alimentação saudável, é o facto de maior parte da comida que é produzida pelas famílias ser destinada a venda.

“As vezes produzimos para vender, mas não nos alimentamos muito bem, por que levamos todos os produtos ao mercado”, referiu Anchita Ofélio, uma outra residente entrevistada.

A fonte disse, ainda, que “precisamos de dinheiro para nos sustentar, e por isso, que além de guardar os nossos produtos para comermos com os nossos filhos a maioria levamos ao mercado”.

A história da Anchita repete-se nas outras mulheres entrevistadas pelo Ikweli, como é caso da Telma André, de 33 anos de idade, mãe de 5 filhos, residente na mesma comunidade de Nivitha, que também contou que muita das vezes produz para comercializar, o que faz com que fique com pouco produto para o consumo.

“Vendo os produtos que tiro da machamba porque precisamos de dinheiro para material escolar ou mesmo roupa para as crianças, nas manhãs comem mandioca com chá, no almoço faço matapa tocossado com chima de caracata ou mesmo feijão bóer misturado com nicussi (peixe seco pequeno), se não tiver arroz para cozinhar repetimos chima de novo, só para não morrermos de fome’’ afirmou.

A província de Nampula é apontada como uma das que tem maior índice de desnutrição cronica ao nível do país, uma informação confirmada pelas autoridades de saúde local que aconselham as famílias a se dirigirem as unidades sanitárias para terem informação sobre alimentação saudável e adequada, principalmente na primeira infância.

A nutricionista Cecília Boaventura, docente na Universidade Lúrio (UniLúrio), critica o comportamento de algumas famílias, explicando que “dar caracata no período da manhã não é recomentado em nenhum lugar, o recomendado é dar uma alimentação um pouco mais leve no período de manhã, e no almoço dar uma alimentação um pouco mais pesada e que esta alimentação seja equilibrada, que tenha lá os quatros principais grupos de alimentos disponíveis, alimentos que fornecem proteínas, ferro, nutrientes e outros”.

“Por exemplo, as mães podem fazer uma papa de farinha de milho enriquecida com amendoim torrado, e depois com um pouco de folhas de couve ou folhas de espinafre, esse prato ao sair para uma criança ele é um prato leve que pode ser consumido no período de manhã e não só, é um prato que tem todos nutrientes que a criança precisa naquele momento, porque tem a farinha que é rica em dióxido de carbono, tem o amendoim que é rico em proteína e é um alimento de energia concentrada e tem as folhas de couve ou folhas de espinafre que podem ser fontes de vitaminas e minerais.  É um prato de baixo custo que as crianças podem consumir a nível da comunidade no período da manhã”, frisou Cecília.

A nutricionista apela as mães a não esquecerem de inclusão das higienes nos alimentos. “Uma falha da higiene faz com que uma criança tenha problemas de saúde, faz com que tenha doenças como a diarreia, que facilmente pode levar a complicações como a desnutrição, por isso é sempre importante lavar bem as mãos antes de preparar os alimentos e conservar os mesmos, e não podemos comer os alimentos muito arrefecido, mas sim que estejam mais ou menos quentes”, reforçou o seu apelo. (Atija Chá)

Muedumbe: Terroristas matam dois caçadores de ratazanas

Nampula (IKWELI) – Os terroristas que desde 2017 matam, ferem e destroem infraestruturas, em suas incursões, protagonizaram mais uma acção, na região de Nantika, no distrito de Muidumbe em Cabo Delgado.

As nossas fontes no distrito de Muidumbe referem que duas pessoas foram mortas, no sábado (6), depois de terem sido surpreendidas pelo grupo de terroristas, que circula naquela zona desde semana passada. As vítimas, dois homens, estavam a caçar ratazanas (ratos do mato), quando foram atacadas até à morte.

Acrescentaram as nossas fontes, que a região de Nantika é habita por populares que depois de deslocar devido aos intensos ataques terroristas nas aldeias, não abandonam o distrito de Muidumbe.

Contudo, pelo facto de ainda acreditar-se que os terroristas continuam na mesma zona, que fica bem próximo do rio Messalo, algumas famílias, refugiaram-se à aldeia Muambula.

Saliente-se que à estas alturas, muitas zonas planálticas de Cabo Delgado e não só, a procura por ratazanas tem sido maior, por constituir um caril importante, para as refeições das famílias e noutros casos para a venda. (Redação)

“Não tenham medo da agricultura. Agora vamos produzir”, PR, Filipe Nyusi, no lançamento do PAE

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, lançou na tarde desta terça-feira (9) um pacote constituído por 20 medidas de estímulo da economia, designado por Pacote de Medidas de Aceleração Económica (PAE), sendo o sector da Agricultura a beneficiar parte das medidas mais radicais.

Entre as medidas estão a redução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), de 17% para 16%, e a isenção de impostos na importação de bens ligados à agricultura, aquacultura e transportes

Foi nesta ocasião que Nyusi disse que “não tenham medo da agricultura. Agora vamos produzir”, num claro reconhecimento sobre o papel fulcral do sector no desenvolvimento do país, bem como na vida dos produtores agrícolas.

Nos primeiros momentos da sua intervenção, o PR falou do papel do programa SUSTENTA, que tem trazido ganhos enormes nas famílias produtoras, destacando o facto de Moçambique ter saído da lista dos países em alto risco de fome.

Reagindo a estas medidas, Celso Correia, ministro moçambicano da Agricultura e Desenvolvimento Rural, comentou que “a redução do IRPC vai permitir atrair investimentos, permitir aos actuais operadores investirem mais, mas também criarem melhores condições de trabalho para os seus trabalhadores”.

“Sabemos que o salário da agricultura tem estado a subir anualmente a 10%. Esperamos que as próximas negociações, dentro desta folga, permitam que quem trabalha na agricultura possa ter maiores rendimentos”, comentou Correia, reconhecendo que “é uma medida estruturante, acreditamos que pelo desempenho, e por tudo que está sendo feito na agricultura, poderá acelerar ainda mais este sector”.

“A isenção do IVA na importação de meios de produção, também, é estratégico, num momento em que estamos a importar muita tecnologia”, disse o ministro, reconhecendo, também, que “o Fundo de Estabilização e Financiamento para a reduzir a taxa de juros, que normalmente é alta para o sector da agricultura, 250 milhões de dólares, é importante para a indústria, para agropecuária, mas também para os outros sectores”.

Celso Correia conclui afirmando que “estamos convencidos que a trajectória difícil que o país tem atravessado, permitiu hoje anunciar esse novo caminho que se abre e que vai consolidar tudo o que temos feito”. (Aunício da Silva)

Thopuito: Há mulheres jovens que ainda sobrevivem da prostituição

Nampula (IKWELI) – As zonas de exploração mineira, em vários cantos do mundo, têm mobilizado gente de diferentes pontos, alegadamente a procura de oportunidades, podendo essas serem legais ou ilegais, e em alguns casos até imorais.

No distrito de Larde, a sul da província de Nampula, fica um empreendimento mineiro na localidade de Thopuito, o qual mobilizou muita gente para o local, cuja maioria seguiu os investimentos que estão a trazer desenvolvimento para aquele ponto do país.

Empreendimentos desta natureza, que apostam no uso de tecnologia de ponta, tem sido erradamente interpretado. As pessoas, sobretudo nativas, acreditam que deviam ter acesso ao emprego de forma abundante, mesmo sem qualificação para o efeito

É nesta senda que começam a surgir alternativas de sobrevivência. Há fluxo de pessoas vindas de vários cantos do país e do mundo. Os homens pouco letrados vão prestando serviços sazonais que exigem menor qualificação técnica e científica. As mulheres abandonam os campos de produção e dedicam-se a prostituição.

No caso de Thopuito, o cenário tendo a mudar, pois, se no período da instalação e início de funcionamento da mina o fenómeno da prostituição ocorria um quase por os bairros, actualmente a maior concentração ficou no bairro de Muthiticoma, praticamente o centro da localidade, zona onde para onde foi reassentada a primeira população.

A mineradora Kenmare, que se dedica a exploração de areias pesadas, teve de investir para a mudança do cenário. Apostou na educação das mulheres e raparigas, promovendo acções com vista a manter estes dois grupos ou na realização de actividades de rendimento ou na escola. No caso das raparigas, a empresa passou a oferecer bolsas de estudo e outros incentivos.

Nos dias que correm, a maioria das raparigas, da idade compreendida entre os 15 e 37 anos, que se dedicam a prostituição é oriunda de fora da localidade de Thopuito, precisamente da vila de Moma, das cidades de Nampula e de Angoche.

O pico da presença destas mulheres e raparigas é no fim do mês, altura em que as empresas pagam os ordenados aos seus trabalhadores.

A reportagem do Ikweli esteve em Thopuito, onde entrevistou algumas mulheres e raparigas que se dedicam a prostituição, e as histórias que colhemos são de bradar os céus. Muitas delas não usam métodos contraceptivos, e em consequência há gravidezes indesejada, e aumentam casos de doenças de transmissão sexual, incluindo o HIV/SIDA.

Com 15 anos de idade, uma adolescente contou ao Ikweli que se dedica a prostituição para suprir as suas despesas, sobre as escolares. “Eu sou estudante, tenho 15 anos de idade e para sustentar os meus estudos faço isto. Os jovens não gostam de usar preservativos, porque segundo eles lhes incomoda, não usam porque querem carne a carne”, disse esta fonte.

Histórias como as desta adolescente observam-se e vivem-se todos os dias, sobretudo no período da noite.

Contudo, as famílias nativas, e não só, não escondem a sua preocupação com esta prática, tal como disse Naldo Faustino, em entrevista.

“Pelo simples facto de isso ser um corredor tem a tendência de encherem mulheres que vendem sexo, principalmente nos finais de semana”, disse Faustino, explicando que “nos fins-de-semana fica superlotado”, porque há homens que procuram pelo prazer fácil.

Outra preocupação do senhor Faustino é em relação ao abuso sexual de menores, literalmente designado por prostituição infantil. “Tenho notado, por lá (nas barracas) que raparigas de 14 anos estão lá. E pela estatura você vê mesmo que esta menina é menor e que deveria estar na escola, mas está no mundo da prostituição. E se você for a questionar vão culpar a fome e que usam essa via para o sustento”.

Ainda em Muthiticoma, o Ikweli, também, entrevistou Sualeh Mário, de 42 anos. Nativo e pai de 4 filhos, esta fonte vê com muita preocupação a destruição do tecido social na sua comunidade, mas agradece o esforço que a empresa Kenmare faz para que meninas menores de idade se mantenham na escola.

O que dizem as autoridades locais?

As autoridades locais, também, têm preocupação com isso, por isso estão a envidar esforços no sentido de acabar com essas práticas.

O secretário do bairro de Muthiticoma, Ossufo Pedro Manuel Vanlotha, disse que “agora estamos a trabalhar para isso. Tem um projeto que apareceu agora, em que as meninas se beneficiaram de cadernos, pastas, uniformes, para as crianças que tem uma idade de 12 a 15 anos. Isto para as crianças não abandonarem as escolas. Nós, como líderes locais, também, estamos a controlar essas meninas para que ninguém venha a lhes enganar, porque se sair alguém violar os direitos delas, o violador da lei acaba destruindo o futuro da criança”.

A justificação de que as crianças abraçam a prostituição para suprir as suas despesas, não convence o secretário Vanlotha, o qual assegura que os apoios prestados pela Kenmare são, exactamente, “para evitar essas práticas”.

As consequências

Uma das consequências imediatas em contaminação por doenças de transmissão sexual, tal como disse o responsável do centro de Saúde de Thopuito, Gabene Guite.

Guite diz que a unidade sanitária que dirige recebe, frequentemente e com maior incidência, pacientes que padecem de HIV e gonorreias. (Vânia Jacinto)

Moçambique sai da lista dos países em alto risco de fome

Nampula (IKWELI) – O Programa Mundial de Alimentação (PMA), uma agência das Nações Unidas, declarou a 5 de Agosto corrente que Moçambique saiu da lista dos países em alto risco de fome para um país estável, onde 2,6 milhões de pessoas saíram da insegurança alimentar por conta da boa colheita na campanha agrícola 2021/2022.

Actualmente, pelo menos 12 países em todo mundo encontram-se na situação de prevalência de consumo insuficiente de alimentos, precisamente o Afeganistão, a Somália, Níger, Sudão do Sul, Mali, Guine, Mauritânia, Burquina Faso, Iémen, Serra Leoa, Haiti e República Árabe da Síria.

Este organismo das Nações Unidas indica ainda que Moçambique encontra-se numa de risco moderado e estável, onde a prevalência é inferior a 40% e sem deterioração significativa observada nos 90 dias antes da publicação desta posição.

Através do programa SUSTENTA, implementado pelo ministério moçambicano da Agricultura e Desenvolvimento Rural, o país tem vindo a registar nos anos um aumento da produção e da produtividade exponencial, tanto quanto o rendimento das famílias produtoras, também, tem aumentado significativamente. (Redação)

1000 DIAS INFORMANDO PARA O DESENVOLVIMENTO

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Hoje, quinta-feira, 4 de Agosto de 2022, alcançamos os 1000 dias informando para o desenvolvimento. Um trabalho árduo, mas não impossível, com muitos sacrifícios, medos, ameaças e perseguições, mas também de muita glória.

Nestes 1000 dias que celebramos a nossa existência temos a agradecer os que publica e anonimamente têm nos apoiado. Vós sois muitos e garantem a nossa existência, desde os nossos clientes, seguidores e críticos.

Quando começamos, em Julho de 2016, entravamos para um mercado competitivo como um jornal e não como “mais um jornal” e isso provamos quando pedimos para que nos acolhessem, e hoje estamos gratos por isso.

São 6 anos de muito desafio, sobretudo ameaças, porque o exercício da liberdade de imprensa é apenas perigoso quando feito, e disso temos estado a pagar.

As nossas glórias e conquistas estão patentes, ao ponto de não sermos mais um grupo anônimo, e recebermos denúncias e informações como uma entidade credível e confiável por parte dos cidadãos que não encontram espaço para manifestar as suas indignações e desesperos perante esta sociedade.

Agora olhamos o futuro com uma melhor perspectiva. Queremos e vamos ser a casa de mídia de referência do norte de Moçambique.

Há um ano iniciamos o nosso processo de multimediatização e esperamos crescer, mais uma vez, com todos vocês.

Para breve introduziremos novos produtos do Ikweli no mercado, e mais uma vez pedimos para que nos acolham.

KOSHUKURO!

Nacarôa: Director de uma escola viola sexualmente menor de 13 anos de idade

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, recolheu um professor, por sinal director da Escola Primária e Completa (EPC) de Nacaropa, no distrito de Nacarôa, indiciando-o da prática do crime de violação sexual contra menor de 13 anos de idade.

Esta vítima é cunhada do infractor, e vem fazendo das suas com a menor desde o ano de 2019, altura em que a esposa fora ser monitora eleitora.

Este é o segundo caso que, em menos de um mês, é reportado do distrito de Nacarôa, em ambos dos violadores negam, mas as vítimas confirmam.

“A vítima é minha sobrinha e o violador é meu tio que casa com a minha sobrinha mais velha, e aquela minha sobrinha vivia na casa violador”, contou o tio da vítima, acrescentado que “ela já vem sofrendo esse caso de violência há bastante tempo e não revelava a ninguém, só agora quando a mesma ficou cansada de ver cada dia a mesma coisa decidiu contar a família, mas a minha família queria que isso termina-se, só pela família, mas como eu sou de uma associação que luta contra esse mal, então eu não me senti bem deixar isso só na família”.

Olga Loforte, da Associação Moçambicana da Mulher e de Apoio a Rapariga (OPHENTA), encoraja que estes tipos de práticas criminais devam ser denunciados vivamente.

“O nosso trabalho como a média, Procuradoria e como Polícia, tem que ser para salvaguardar os direitos da criança, isto porque muitas vezes quando estamos num caso de abuso sexual, essas pessoas sofrem danos não apenas danos físicos, mas mentais, sociais, porque elas ficam impedidas de exercer a sua cidadania no espaço em que estão. Uma menor de 13 anos não tem como abordar um caso de violência sexual, isto porque a maioria das vezes o perpetrador ameaça a vítima”, disse esta fonte.

Com estes casos, a preocupação da PRM é ainda maior, pois somente no primeiro semestre do corrente ano, o Gabinete de Atendimento a Família e Menores Vítimas de violência, atendeu 126 casos de violência sexual contra menores de idade. (Hermínio Raja)

Passagem irregular força alunos a voltar à classe anterior na escola secundária da Barragem

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 11 alunos da Escola Secundário da Barragem, nos arredores da cidade de Nampula, foram devolvidos à classe anterior pela direcção da escola por, alegadamente, não terem sido aprovados da 10ª classe para 11ª classe, naquela instituição de ensino do sector público.

O facto que provocou barulho no seio dos alunos afectados, pais e encarregados de educação foi despoletado pela direcção da escola em alusão nos finais do segundo trimestre do presente ano lectivo, onde foram abrangidos seis alunos do sexo feminino e os restantes homens que frequentavam a 11ª classe naquela escola.

Porém, quem denunciou ao Ikweli foram os pais e encarregados de educação que antes questionaram o critério usado para que os alunos fossem devolvidos. Além disso, estes acreditarem que os seus educandos foram injustiçados, na medida que a direcção da escola deixou passar cerca de seis meses para depois tomar a decisão.

“Eu estava a frequentar a 11ª classe, mas assim devolveram-me para a 10ª classe. Isso aconteceu na escola da Barragem, porque dizem que reprovei a secção de ciências”, informou Graciete Paulo, uma das alunas abrangidas que disse não concordar com o posicionamento da direcção, na medida em que antes verificou na pauta final que havia sido aprovada de 10ª classe para a classe seguinte.

A aluna que se considera lesada mostra-se indignada, pelo facto de, depois de constatar que foi aprovada, dirigiu-se à escola para requerer o seu certificado, bem como a matrícula para o ano seguinte frequentar a 11ª classe. “Eu, por exemplo, não me baseei nas informações dos colegas de turma, fui pessoalmente verificar as pautas fixadas na escola”, garantiu.

Edma Xavier é outra aluna abrangida pela medida rigorosa da escola que, diante das expectativas de lucrar êxitos na sua carreira estudantil, viu o sonho redundado no fracasso quando foi forçada a voltar à classe anterior. E em consequência da ordem da direcção, Edma Xavier decidiu abandonar os estudos, caso o seu caso não fosse resolvido a seu favor, decisão que não teve pernas para andar, pois não devia ficar sem ir à escola e vivendo com os seus encarregados de educação.

Em torno do assunto, os pais e encarregados da educação foram solicitados pela direcção da escola para que fossem informados, porém, estes não concordaram com a decisão, daí que questionam a tomada tardia da decisão.

“Tomamos conhecimento da situação através das nossas filhas, sobre o posicionamento de elas retomarem a classe anterior, com isso ficamos preocupados. Nós acreditamos que as nossas filhas passaram de classe”, disse em entrevista ao Ikweli, Faneca Inácio, encarregado de educação de um dos alunos abrangidos.

Albino Alberto, outro encarregado que falou ao nosso repórter, disse estar lesado pelo facto de durante muito tempo investir na educação do seu educando, contudo, o que no fim colheu foi retrocesso. Caricato ainda, segundo a fonte, é das razões que levaram a direcção a emitir recibo de pedido de certificados e permitir que os alunos se matriculem nas classes seguintes.

Direcção da Barragem assume a medida e explica

O Ikweli dirigiu-se a Escola Secundária da Barragem que, através da chefe da secretaria, adjuntos directores do 1º e 2º ciclos, respectivamente, que receberam o nosso repórter, confirmou a acção de devolver os alunos a classe anterior, uma forma que, segundo entendem, vai evitar que o percurso académico e/ou profissional dos alunos seja afectado pela negativa, futuramente.

Igualmente, a decisão da escola foi tomada tendo em conta os critérios de aprovação no 1º ciclo, que consta no Regulamento Geral de Avaliação dos Subsistemas de Educação Geral e Educação de Adultos, do Sistema Nacional de Educação, onde na globalidade, aprova o aluno que cumulativamente tenha média global final igual ou superior a 10 valores arredondados, tenha nota final positiva em todas as disciplinas e que não tenha obtido no exame uma nota inferior a 8 valores. No entanto, os alunos abrangidos não obedeceram estes critérios.

“O que sucedeu neste caso é que no rol das nossas actividades do sector pedagógico, nós pedimos que os alunos que transitam da 10ª classe para a 11ª tragam os seus respectivos certificados e os da 12ª classe têm de nos apresentar a declaração de passagem, isto é um controlo que a gente faz no sector para verificar até que ponto o aluno é elegível na classe”. Entretanto, “quando pedimos que os alunos trouxessem os seus respectivos certificados e, dentro deste pedido, começamos a verificar que alguns não tinham condições de apresentar, sobretudo os alunos internos”, explicou Osvaldo Mutubi, director adjunto do 2º ciclo, para quem a direcção trabalhou com as pautas dos anos 2020 e 2021, respectivamente, para apurar a situação de cada aluno.

E porque a medida tomada é do conhecimento das autoridades do sector da educação em Nampula, a direcção da escola foi orientada a colocar os alunos abrangidos na mesma turma, de modo a garantir maior controlo. Outrossim, a orientação focou-se ainda nas aulas de recuperação, tendo em conta que perderam o primeiro trimestre do ano lectivo corrente.

Quando questionado do procedimento de aceitação de pedido de emissão de certificados bem como matrícula para classes anteriores, o director adjunto Osvaldo Mutubi justificou que “quando estamos no fim do ano tem sido um momento muito conturbado para nós. Corremos de um lado para o outro, são processos que temos de enviar para a direcção distrital e pautas que temos de averiguar. Então é um momento muito conturbado”. (Esmeraldo Boquisse)

Laboratórios sul africanos acabam com o suspense sobre o possível caso da varíola dos macacos em Nampula

Nampula (IKWELI) – As análises clínicas das amostras do paciente suspeito de ser portador da varíola dos macacos, feitas nos laboratórios da vizinha África do Sul, confirmaram não se tratar da mesma enfermidade, mas sim de varicela, tal como inicialmente avançaram as autoridades de saúde em Nampula.

Tal como o Ikweli noticiou nas suas anteriores edições, a cidade de Nampula ficou literalmente agitada na manha do passado dia 27 de Julho porque nas redes sociais circulava a informação que dava contas que um paciente foi diagnosticado com a varíola dos macacos no Hospital Militar de Nampula (HMN).

Para apurar a verdade se se tratava ou não da temível varíola dos macacos, e porque ao nível nacional não tem equipamentos apropriado para detectar com precisão a doença, segundo fontes governamentais, foram recolhidas as amostras de sangue no paciente e enviadas aos laboratórios da África do Sul, onde se concluiu não se tratar da mesma doença que criou pânico na mais populosa província de Moçambique.

“As amostras seguiram ao laboratório do Instituto Nacional de Saúde e, felizmente, essas amostras depois seguiram para África do Sul onde foram processadas e na tarde de sábado tivemos a confirmação de que o resultado deste caso é negativo, portanto, confirmou-se o diagnóstico inicial que tinha sido conferido a esse paciente”, disse Geraldino Avalinho, chefe do Departamento de Saúde Pública no Serviço Provincial de Saúde de Nampula.

O jovem está sendo rejeitado

Em conformidade com Geraldino Avalinho, o paciente em causa está a apresentar um bom quadro clínico. “Por aquilo que temos vindo a acompanhar, as lesões tiveram uma evolução natural, apresentavam primeiro no seu conteúdo um liquido claro depois passaram para um líquido contendo pus, foram quatro, cinco dias e, actualmente ele já apresenta todas as lesões secas, ou seja, formaram crostas e o risco de transmitir esse problema para um outro indivíduo é reduzido, porque está naquela fase em que a carga viral caiu”, referiu Avalinho, prosseguindo que “apesar daquelas lesões que apresenta, são lesões cicatriciais. Então, ele já está mesmo numa boa evolução clínica, penso que o risco de transmissão até neste momento é muito reduzido. O quadro clínico que ele apresentava antes já não tem, a febre que ele apresentava já não tem, a comichão que nalgum momento queixava já não tem, portanto, as lesões já estão mesmo secas e para nós é uma satisfação”.

Entretanto, Avalinho lamenta pelo facto de que tal jovem possa ver seu futuro comprometido, devido a exposição que a sua imagem teve e que neste momento tem merecido rejeição até nas barbearias.

“De certa forma, teremos um trabalho árduo e acho que isso irá envolver outras estruturas para conseguir reinserir o indivíduo, portanto, na sociedade, uma vez que é um professor, com certeza que no seu local de trabalho há um trabalho apurado para consciencializar aos seus colegas, aos pais e encarregados de educação que têm crianças que frequentam nessa escola. Até dizia ele que nalgum momento quando teve aquela situação mesmo até para cortar o cabelo é difícil, porque os locais já não aceitam. A imagem vazou e o conteúdo que acompanhava a imagem é que manchou o próprio indivíduo. Estamos agora num processo de apoio psicossocial, de forma que ele possa ser inserido na sociedade e que tudo que ele tinha para fazer possa fazer, portanto as pessoas abram portas”, precisou Geraldino Avalinho. (Constantino Henriques)