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Nivitha: Prevalece desnutrição crónica em crianças

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Nampula (IKWELI) – Em Nivitha, no posto administrativo de Anchilo, no distrito de Nampula, a falta de diversificação alimentar das famílias está a colocar em causa a saúde e desenvolvimento de várias crianças, sobretudo as menores de cinco anos de idade.

O problema surge em consequência da falta de informação sobre a alimentação saudável, os hábitos e costumes tradicionais, associados à pobreza da qual vivem as famílias na zona rural onde o problema é predominante.

Tal como constatou a reportagem do Ikweli, grande parte da população de Nivitha, apesar de ser composta por agricultores, têm dificuldades na combinação dos alimentos o que faz com que prejudique o estado de saúde dos seus filhos, menores de idade.

Isabel Casimiro António, de 38 anos de idade, mãe de quatro filhos, é residente em Nivitha e contou não ter qualquer informação sobre a combinação de alimentos, por isso tem alimentado os seus filhos com o que consegui na machamba

“Na minha casa não temos horário definido, comemos aquilo que conseguimos, muita das vezes, dou meus filhos mandioca com amendoim torrado, chima de mandioca (caracata) com papahi ou mesmo com nicussi (peixe seco pequeno), misturado com feijão macaco”, contou a Isabel , acrescentando, por outro lado, que “por exemplo, o meu filho mais novo de dois anos de idade, ficou doente e levei ao hospital de Muhala Expansão, no dia 30 do mês passado, me disseram que ele tem falta de alguns nutrientes no organismo devido a qualidade da comida que eu  dou”.

Um outro factor que leva as crianças a terem problemas relacionados a alimentação saudável, é o facto de maior parte da comida que é produzida pelas famílias ser destinada a venda.

“As vezes produzimos para vender, mas não nos alimentamos muito bem, por que levamos todos os produtos ao mercado”, referiu Anchita Ofélio, uma outra residente entrevistada.

A fonte disse, ainda, que “precisamos de dinheiro para nos sustentar, e por isso, que além de guardar os nossos produtos para comermos com os nossos filhos a maioria levamos ao mercado”.

A história da Anchita repete-se nas outras mulheres entrevistadas pelo Ikweli, como é caso da Telma André, de 33 anos de idade, mãe de 5 filhos, residente na mesma comunidade de Nivitha, que também contou que muita das vezes produz para comercializar, o que faz com que fique com pouco produto para o consumo.

“Vendo os produtos que tiro da machamba porque precisamos de dinheiro para material escolar ou mesmo roupa para as crianças, nas manhãs comem mandioca com chá, no almoço faço matapa tocossado com chima de caracata ou mesmo feijão bóer misturado com nicussi (peixe seco pequeno), se não tiver arroz para cozinhar repetimos chima de novo, só para não morrermos de fome’’ afirmou.

A província de Nampula é apontada como uma das que tem maior índice de desnutrição cronica ao nível do país, uma informação confirmada pelas autoridades de saúde local que aconselham as famílias a se dirigirem as unidades sanitárias para terem informação sobre alimentação saudável e adequada, principalmente na primeira infância.

A nutricionista Cecília Boaventura, docente na Universidade Lúrio (UniLúrio), critica o comportamento de algumas famílias, explicando que “dar caracata no período da manhã não é recomentado em nenhum lugar, o recomendado é dar uma alimentação um pouco mais leve no período de manhã, e no almoço dar uma alimentação um pouco mais pesada e que esta alimentação seja equilibrada, que tenha lá os quatros principais grupos de alimentos disponíveis, alimentos que fornecem proteínas, ferro, nutrientes e outros”.

“Por exemplo, as mães podem fazer uma papa de farinha de milho enriquecida com amendoim torrado, e depois com um pouco de folhas de couve ou folhas de espinafre, esse prato ao sair para uma criança ele é um prato leve que pode ser consumido no período de manhã e não só, é um prato que tem todos nutrientes que a criança precisa naquele momento, porque tem a farinha que é rica em dióxido de carbono, tem o amendoim que é rico em proteína e é um alimento de energia concentrada e tem as folhas de couve ou folhas de espinafre que podem ser fontes de vitaminas e minerais.  É um prato de baixo custo que as crianças podem consumir a nível da comunidade no período da manhã”, frisou Cecília.

A nutricionista apela as mães a não esquecerem de inclusão das higienes nos alimentos. “Uma falha da higiene faz com que uma criança tenha problemas de saúde, faz com que tenha doenças como a diarreia, que facilmente pode levar a complicações como a desnutrição, por isso é sempre importante lavar bem as mãos antes de preparar os alimentos e conservar os mesmos, e não podemos comer os alimentos muito arrefecido, mas sim que estejam mais ou menos quentes”, reforçou o seu apelo. (Atija Chá)