Thopuito: Há mulheres jovens que ainda sobrevivem da prostituição

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Nampula (IKWELI) – As zonas de exploração mineira, em vários cantos do mundo, têm mobilizado gente de diferentes pontos, alegadamente a procura de oportunidades, podendo essas serem legais ou ilegais, e em alguns casos até imorais.

No distrito de Larde, a sul da província de Nampula, fica um empreendimento mineiro na localidade de Thopuito, o qual mobilizou muita gente para o local, cuja maioria seguiu os investimentos que estão a trazer desenvolvimento para aquele ponto do país.

Empreendimentos desta natureza, que apostam no uso de tecnologia de ponta, tem sido erradamente interpretado. As pessoas, sobretudo nativas, acreditam que deviam ter acesso ao emprego de forma abundante, mesmo sem qualificação para o efeito

É nesta senda que começam a surgir alternativas de sobrevivência. Há fluxo de pessoas vindas de vários cantos do país e do mundo. Os homens pouco letrados vão prestando serviços sazonais que exigem menor qualificação técnica e científica. As mulheres abandonam os campos de produção e dedicam-se a prostituição.

No caso de Thopuito, o cenário tendo a mudar, pois, se no período da instalação e início de funcionamento da mina o fenómeno da prostituição ocorria um quase por os bairros, actualmente a maior concentração ficou no bairro de Muthiticoma, praticamente o centro da localidade, zona onde para onde foi reassentada a primeira população.

A mineradora Kenmare, que se dedica a exploração de areias pesadas, teve de investir para a mudança do cenário. Apostou na educação das mulheres e raparigas, promovendo acções com vista a manter estes dois grupos ou na realização de actividades de rendimento ou na escola. No caso das raparigas, a empresa passou a oferecer bolsas de estudo e outros incentivos.

Nos dias que correm, a maioria das raparigas, da idade compreendida entre os 15 e 37 anos, que se dedicam a prostituição é oriunda de fora da localidade de Thopuito, precisamente da vila de Moma, das cidades de Nampula e de Angoche.

O pico da presença destas mulheres e raparigas é no fim do mês, altura em que as empresas pagam os ordenados aos seus trabalhadores.

A reportagem do Ikweli esteve em Thopuito, onde entrevistou algumas mulheres e raparigas que se dedicam a prostituição, e as histórias que colhemos são de bradar os céus. Muitas delas não usam métodos contraceptivos, e em consequência há gravidezes indesejada, e aumentam casos de doenças de transmissão sexual, incluindo o HIV/SIDA.

Com 15 anos de idade, uma adolescente contou ao Ikweli que se dedica a prostituição para suprir as suas despesas, sobre as escolares. “Eu sou estudante, tenho 15 anos de idade e para sustentar os meus estudos faço isto. Os jovens não gostam de usar preservativos, porque segundo eles lhes incomoda, não usam porque querem carne a carne”, disse esta fonte.

Histórias como as desta adolescente observam-se e vivem-se todos os dias, sobretudo no período da noite.

Contudo, as famílias nativas, e não só, não escondem a sua preocupação com esta prática, tal como disse Naldo Faustino, em entrevista.

“Pelo simples facto de isso ser um corredor tem a tendência de encherem mulheres que vendem sexo, principalmente nos finais de semana”, disse Faustino, explicando que “nos fins-de-semana fica superlotado”, porque há homens que procuram pelo prazer fácil.

Outra preocupação do senhor Faustino é em relação ao abuso sexual de menores, literalmente designado por prostituição infantil. “Tenho notado, por lá (nas barracas) que raparigas de 14 anos estão lá. E pela estatura você vê mesmo que esta menina é menor e que deveria estar na escola, mas está no mundo da prostituição. E se você for a questionar vão culpar a fome e que usam essa via para o sustento”.

Ainda em Muthiticoma, o Ikweli, também, entrevistou Sualeh Mário, de 42 anos. Nativo e pai de 4 filhos, esta fonte vê com muita preocupação a destruição do tecido social na sua comunidade, mas agradece o esforço que a empresa Kenmare faz para que meninas menores de idade se mantenham na escola.

O que dizem as autoridades locais?

As autoridades locais, também, têm preocupação com isso, por isso estão a envidar esforços no sentido de acabar com essas práticas.

O secretário do bairro de Muthiticoma, Ossufo Pedro Manuel Vanlotha, disse que “agora estamos a trabalhar para isso. Tem um projeto que apareceu agora, em que as meninas se beneficiaram de cadernos, pastas, uniformes, para as crianças que tem uma idade de 12 a 15 anos. Isto para as crianças não abandonarem as escolas. Nós, como líderes locais, também, estamos a controlar essas meninas para que ninguém venha a lhes enganar, porque se sair alguém violar os direitos delas, o violador da lei acaba destruindo o futuro da criança”.

A justificação de que as crianças abraçam a prostituição para suprir as suas despesas, não convence o secretário Vanlotha, o qual assegura que os apoios prestados pela Kenmare são, exactamente, “para evitar essas práticas”.

As consequências

Uma das consequências imediatas em contaminação por doenças de transmissão sexual, tal como disse o responsável do centro de Saúde de Thopuito, Gabene Guite.

Guite diz que a unidade sanitária que dirige recebe, frequentemente e com maior incidência, pacientes que padecem de HIV e gonorreias. (Vânia Jacinto)

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