Laboratórios sul africanos acabam com o suspense sobre o possível caso da varíola dos macacos em Nampula

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Nampula (IKWELI) – As análises clínicas das amostras do paciente suspeito de ser portador da varíola dos macacos, feitas nos laboratórios da vizinha África do Sul, confirmaram não se tratar da mesma enfermidade, mas sim de varicela, tal como inicialmente avançaram as autoridades de saúde em Nampula.

Tal como o Ikweli noticiou nas suas anteriores edições, a cidade de Nampula ficou literalmente agitada na manha do passado dia 27 de Julho porque nas redes sociais circulava a informação que dava contas que um paciente foi diagnosticado com a varíola dos macacos no Hospital Militar de Nampula (HMN).

Para apurar a verdade se se tratava ou não da temível varíola dos macacos, e porque ao nível nacional não tem equipamentos apropriado para detectar com precisão a doença, segundo fontes governamentais, foram recolhidas as amostras de sangue no paciente e enviadas aos laboratórios da África do Sul, onde se concluiu não se tratar da mesma doença que criou pânico na mais populosa província de Moçambique.

“As amostras seguiram ao laboratório do Instituto Nacional de Saúde e, felizmente, essas amostras depois seguiram para África do Sul onde foram processadas e na tarde de sábado tivemos a confirmação de que o resultado deste caso é negativo, portanto, confirmou-se o diagnóstico inicial que tinha sido conferido a esse paciente”, disse Geraldino Avalinho, chefe do Departamento de Saúde Pública no Serviço Provincial de Saúde de Nampula.

O jovem está sendo rejeitado

Em conformidade com Geraldino Avalinho, o paciente em causa está a apresentar um bom quadro clínico. “Por aquilo que temos vindo a acompanhar, as lesões tiveram uma evolução natural, apresentavam primeiro no seu conteúdo um liquido claro depois passaram para um líquido contendo pus, foram quatro, cinco dias e, actualmente ele já apresenta todas as lesões secas, ou seja, formaram crostas e o risco de transmitir esse problema para um outro indivíduo é reduzido, porque está naquela fase em que a carga viral caiu”, referiu Avalinho, prosseguindo que “apesar daquelas lesões que apresenta, são lesões cicatriciais. Então, ele já está mesmo numa boa evolução clínica, penso que o risco de transmissão até neste momento é muito reduzido. O quadro clínico que ele apresentava antes já não tem, a febre que ele apresentava já não tem, a comichão que nalgum momento queixava já não tem, portanto, as lesões já estão mesmo secas e para nós é uma satisfação”.

Entretanto, Avalinho lamenta pelo facto de que tal jovem possa ver seu futuro comprometido, devido a exposição que a sua imagem teve e que neste momento tem merecido rejeição até nas barbearias.

“De certa forma, teremos um trabalho árduo e acho que isso irá envolver outras estruturas para conseguir reinserir o indivíduo, portanto, na sociedade, uma vez que é um professor, com certeza que no seu local de trabalho há um trabalho apurado para consciencializar aos seus colegas, aos pais e encarregados de educação que têm crianças que frequentam nessa escola. Até dizia ele que nalgum momento quando teve aquela situação mesmo até para cortar o cabelo é difícil, porque os locais já não aceitam. A imagem vazou e o conteúdo que acompanhava a imagem é que manchou o próprio indivíduo. Estamos agora num processo de apoio psicossocial, de forma que ele possa ser inserido na sociedade e que tudo que ele tinha para fazer possa fazer, portanto as pessoas abram portas”, precisou Geraldino Avalinho. (Constantino Henriques)

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