Passagem irregular força alunos a voltar à classe anterior na escola secundária da Barragem

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Nampula (IKWELI) – Pelo menos 11 alunos da Escola Secundário da Barragem, nos arredores da cidade de Nampula, foram devolvidos à classe anterior pela direcção da escola por, alegadamente, não terem sido aprovados da 10ª classe para 11ª classe, naquela instituição de ensino do sector público.

O facto que provocou barulho no seio dos alunos afectados, pais e encarregados de educação foi despoletado pela direcção da escola em alusão nos finais do segundo trimestre do presente ano lectivo, onde foram abrangidos seis alunos do sexo feminino e os restantes homens que frequentavam a 11ª classe naquela escola.

Porém, quem denunciou ao Ikweli foram os pais e encarregados de educação que antes questionaram o critério usado para que os alunos fossem devolvidos. Além disso, estes acreditarem que os seus educandos foram injustiçados, na medida que a direcção da escola deixou passar cerca de seis meses para depois tomar a decisão.

“Eu estava a frequentar a 11ª classe, mas assim devolveram-me para a 10ª classe. Isso aconteceu na escola da Barragem, porque dizem que reprovei a secção de ciências”, informou Graciete Paulo, uma das alunas abrangidas que disse não concordar com o posicionamento da direcção, na medida em que antes verificou na pauta final que havia sido aprovada de 10ª classe para a classe seguinte.

A aluna que se considera lesada mostra-se indignada, pelo facto de, depois de constatar que foi aprovada, dirigiu-se à escola para requerer o seu certificado, bem como a matrícula para o ano seguinte frequentar a 11ª classe. “Eu, por exemplo, não me baseei nas informações dos colegas de turma, fui pessoalmente verificar as pautas fixadas na escola”, garantiu.

Edma Xavier é outra aluna abrangida pela medida rigorosa da escola que, diante das expectativas de lucrar êxitos na sua carreira estudantil, viu o sonho redundado no fracasso quando foi forçada a voltar à classe anterior. E em consequência da ordem da direcção, Edma Xavier decidiu abandonar os estudos, caso o seu caso não fosse resolvido a seu favor, decisão que não teve pernas para andar, pois não devia ficar sem ir à escola e vivendo com os seus encarregados de educação.

Em torno do assunto, os pais e encarregados da educação foram solicitados pela direcção da escola para que fossem informados, porém, estes não concordaram com a decisão, daí que questionam a tomada tardia da decisão.

“Tomamos conhecimento da situação através das nossas filhas, sobre o posicionamento de elas retomarem a classe anterior, com isso ficamos preocupados. Nós acreditamos que as nossas filhas passaram de classe”, disse em entrevista ao Ikweli, Faneca Inácio, encarregado de educação de um dos alunos abrangidos.

Albino Alberto, outro encarregado que falou ao nosso repórter, disse estar lesado pelo facto de durante muito tempo investir na educação do seu educando, contudo, o que no fim colheu foi retrocesso. Caricato ainda, segundo a fonte, é das razões que levaram a direcção a emitir recibo de pedido de certificados e permitir que os alunos se matriculem nas classes seguintes.

Direcção da Barragem assume a medida e explica

O Ikweli dirigiu-se a Escola Secundária da Barragem que, através da chefe da secretaria, adjuntos directores do 1º e 2º ciclos, respectivamente, que receberam o nosso repórter, confirmou a acção de devolver os alunos a classe anterior, uma forma que, segundo entendem, vai evitar que o percurso académico e/ou profissional dos alunos seja afectado pela negativa, futuramente.

Igualmente, a decisão da escola foi tomada tendo em conta os critérios de aprovação no 1º ciclo, que consta no Regulamento Geral de Avaliação dos Subsistemas de Educação Geral e Educação de Adultos, do Sistema Nacional de Educação, onde na globalidade, aprova o aluno que cumulativamente tenha média global final igual ou superior a 10 valores arredondados, tenha nota final positiva em todas as disciplinas e que não tenha obtido no exame uma nota inferior a 8 valores. No entanto, os alunos abrangidos não obedeceram estes critérios.

“O que sucedeu neste caso é que no rol das nossas actividades do sector pedagógico, nós pedimos que os alunos que transitam da 10ª classe para a 11ª tragam os seus respectivos certificados e os da 12ª classe têm de nos apresentar a declaração de passagem, isto é um controlo que a gente faz no sector para verificar até que ponto o aluno é elegível na classe”. Entretanto, “quando pedimos que os alunos trouxessem os seus respectivos certificados e, dentro deste pedido, começamos a verificar que alguns não tinham condições de apresentar, sobretudo os alunos internos”, explicou Osvaldo Mutubi, director adjunto do 2º ciclo, para quem a direcção trabalhou com as pautas dos anos 2020 e 2021, respectivamente, para apurar a situação de cada aluno.

E porque a medida tomada é do conhecimento das autoridades do sector da educação em Nampula, a direcção da escola foi orientada a colocar os alunos abrangidos na mesma turma, de modo a garantir maior controlo. Outrossim, a orientação focou-se ainda nas aulas de recuperação, tendo em conta que perderam o primeiro trimestre do ano lectivo corrente.

Quando questionado do procedimento de aceitação de pedido de emissão de certificados bem como matrícula para classes anteriores, o director adjunto Osvaldo Mutubi justificou que “quando estamos no fim do ano tem sido um momento muito conturbado para nós. Corremos de um lado para o outro, são processos que temos de enviar para a direcção distrital e pautas que temos de averiguar. Então é um momento muito conturbado”. (Esmeraldo Boquisse)

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