Nampula (IKWELI) – O último fim-de-semana não foi nada agradável em alguns pontos da cidade de Nampula, e relatos que nos chegam do bairro Marrere indicam que um jovem, em estado de embriaguez, invadiu o quarto de uma estância turística, onde, com recurso a um extintor, “pulverizou” mulheres e crianças que participavam de uma despedida de solteira.
A situação deixou o local em alvoroço, e para se defender do agressor, as mulheres viram-se obrigadas a recorrer ao uso da força para salvaguardar a sua integridade física.
Ao certo, desconhecem-se as intenções do indivíduo, o qual, paralelamente, segundo apuramos, tenta um processo contra as senhoras, mesmo reconhecendo que tenha sido o mesmo que começou o imbróglio.
Agastado com a situação, narra o proprietário, em documento na posse do Ikweli, que “o cidadão em causa, por volta das 22h, dirigiu-se a um dos quartos onde decorria uma festa de despedida de solteiro de uma hóspede, com mais de 15 participantes adultos e 3 crianças, bateu a porta e a hóspede abriu o quarto pensando que se tratava de um dos colaboradores e em seguida abriu o extintor que havia, previamente retirado do corredor, e tentou atear fogo, pois estava munido com um isqueiro”. “A situação criou pânico no seio dos clientes que se encontravam tanto no quarto em causa bem como no pátio do estabelecimento. O pior só não aconteceu graças a rápida intervenção de uma das integrantes do grupo que conseguiu arrancar o extintor e o isqueiro que o cidadão trazia”, prossegue a mesma nota.
Por ironia do destino, encontrava-se no local o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), e como autoridade tentou apaziguar a situação para evitar o pior, ainda que o infractor seja um indivíduo das suas relações, mas nada tinha a ver Zacarias Nacute, segundo apuramos, com precisão, de outras fontes que assistiram a contenda.
A atitude de Nacute foi, de facto, segundo tomamos conhecimento, de autoridade, pois evitou que o cidadão fosse linchado, pois, nem mesmo os seguranças da instituição visada agiram de forma a repor a ordem e tranquilidade públicas.
Ao enfrentar a fúria das vítimas, Nacute evitou que o indivíduo em causa fosse linchado, tanto quanto sempre apelou que fossem a uma subunidade policial.
Esta intervenção do porta-voz da PRM em Nampula foi vista como sendo abuso de autoridade, segundo a nota que tivemos acesso.
“Estranhamente, Zacarias Nacute que estava na companhia do visado defendia que o mesmo devia ser conduzido às autoridades policiais para a devida responsabilização. Chegados ao posto policial que se localiza na Faina, Zacarias Nacute tratou de exibir que era superintendente da polícia e porta-voz. Esse procedimento deixou agastado tanto os representantes das vítimas de tentativa de assassinato, bem como aos proprietários do estabelecimento”, lê-se na nota cujo conteúdo temos vindo a citar.
Uma senhora que assistiu a confusão, e que pediu o anonimato, contou ao Ikweli que “se não fosse o Nacute, a situação seria pior. As pessoas estavam muito emotivas e não queriam dar ouvidos a ninguém, tanto que ele tentou, sem sucesso, dissuadir as pessoas fazendo ameaças leves para chamar a razão dos envolvidos”. “Ele assegurou que polícia é polícia, com ou sem farda, por isso sempre apelou que as pessoas fossem levadas para uma esquadra, mas acho que os outros queriam algo com ele e foram dizendo que ele está a se exibir”.
É neste desentendimento que as vítimas denunciaram o caso ao Comando Provincial da PRM com o conhecimento do Comando-Geral, com o intuito de que Nacute seja punido.
Cheila Damas, umas das vítimas, contou ao Ikweli alega que Nacute agiu a favor do seu conhecido, e será por isso que as coisas no país não andam como o desejado.
Intervim no caso para evitar que aquele indivíduo fosse linchado
Chamado a reagir as acusações que pesam sobre si, Zacarias Nacute confessa ser um conhecido do indivíduo em causa, mas disse que ao intervir no caso é porque estava no local do acontecimento e, por se tratar de autoridade policial, teve que dar o seu máximo para evitar um possível linchamento ao mesmo.
“Eu na qualidade de autoridade policial intervim no caso para evitar que aquele indivíduo fosse linchado por aquelas senhoras. Após ter socorrido esse cidadão encaminhei a esquadra mais próxima para dar seguimento criminal. Agora, o resto aí que estão a falar não sei o que se trata, mas o que aconteceu é isso, eu na qualidade de agente da polícia fui socorrer um cidadão que estava a ser agredido”, disse Zacarias Nacute, que também descreve a atitude dos proprietários do hotel como tentativa de manchar a sua imagem. (Redação)
Nampula (IKWELI) – As mulheres produtoras de Castanha de Caju na localidade de Nacavala e no posto administrativo de Nanhupo Rio, nos distritos de Meconta e Mogovolas, na província de Nampula, no norte de Moçambique, dizem que as dificuldades e a falta de oportunidades no acesso a financiamentos agrários colocam em causa o seu empoderamento econômico.
Segundo contam, tudo deve-se, em parte, o facto de nas suas zonas não haver instituições de microcrédito e as instituições bancárias existentes estarem viradas a financiar funcionários públicos em detrimento das mulheres produtoras, alegando que não dispõem de garantias.
Associado a isso, estão os vários requisitos que descrevem como exagerados e que, tal como disseram ao Ikweli, tem sido exigido como garantia para obter financiamento quando dirigem-se para buscar apoio nas instituições bancárias na cidade capital, Nampula.
A província de Nampula está entre as maiores produtoras de castanha de Caju em Moçambique, uma actividade que nos últimos tempos tem vindo a ser liderada por mulheres. A título de exemplo, de acordo com os dados do Governo, na presente campanha agrária 2021/2022, cerca de 2, 675 mulheres tiveram o acesso a mudas de cajueiro e um total de 23,130 tiveram os seus cajueiros tratados para evitar o ataque por pragas e doenças.
Maria Roda, de 49 anos de idade, está na produção de castanha de caju há 22 anos no posto administrativo de Nanhupo rio, no distrito de Mogovolas. Ela considera a produção de castanha de caju uma actividade que gera dinheiro, mas afirma estar a se tornar cada vez mais difícil devido à falta de oportunidades de financiamento, numa altura em que para ter boa castanha e que seja apreciada no mercado se exige muito investimento. “Tenho quatro máquinas de tratamento químico de cajueiros e tenho que comprar gasolina que o litro está 100,00Mt (cem meticais), óleo de mistura que custa 400,00Mt (quatrocentos meticais) a cada litro, para além de peças e reparação”.
Maria acrescenta que tudo isso é por sua conta e requer dinheiro, por isso que um apoio financeiro, através dos projectos do Governo e não só, podia alavancar ainda mais a sua actividade.
Apesar disso, Maria diz que trabalha sem parar para ter sucessos. Daí que ela é, também, provedora e tem alugado a sua máquina a outros produtores o que lhe ajuda a ter uma renda adicional. “Tenho máquinas que estão aí no bairro, junto com o que sai da venda de castanha de caju, consigo entre 70 mil a 100 mil”, explicou, adiantando que para este ano a perspectiva é conseguir até pelo menos 150.000,00Mt (cento e cinquenta mil meticais).
Laura João é outra produtora de castanha de caju, que há mais de 15 anos dedica-se à cultura no posto administrativo de Nacavala. Em entrevista disse que na região há muita produção de castanha de caju, e as mulheres têm vontade de trabalhar, mas não há apoio. “Só agradecemos o facto de que depois da venda da castanha conseguimos um pouco para o sustento”, frisou Laura, afirmando, por outro lado, que há anos em que por falta de dinheiro as mulheres têm dificuldade de regar os cajueiros e pagar pessoas para fazerem a colecta. “Ouvimos que há projetos que ajudam mulheres camponesas, mas aqui não chegam, se essas oportunidades chegassem aqui, acredito que teríamos uma vida melhor”.
Laura João, produtora de caju em Nacavala
A falta de financiamento às mulheres produtoras de castanha de caju foi um assunto, também, abordado pelo presidente da União Provincial de Camponeses de Nampula (UPCN), Costa Estevão, o qual afirmou no terreno ser difícil encontrar alguma mulher que tenha se beneficiado de financiamento direcionada a apoiar mulheres produtoras de castanha de caju. “O que vemos muitas vezes, as mulheres têm feito é a apanha e vendem de qualquer maneira, mas se falarmos de financiamento, aqui na província, ainda não conheço nenhuma comunidade, associação ou mulher que tenha se beneficiado”, disse.
Segundo Costa, como associação de produtores, tem um projecto em carteira virado a apoiar mulheres produtoras de castanha de caju, e que neste momento está numa fase de identificação de parceiros. A ideia do projecto é distribuir mudas de cajueiros às mulheres para que possam produzir ainda mais.
Costa Estêvão, presidente da UPCN
Neste momento, segundo Costa, há um viveiro na localidade de Nacavala e logo que for aprovado pelo parceiro vão avançar.
Hábitose costumes continuam a limitar as mulheres de alcançarem a independência financeira no meio rural.
Questionamos tanto o Governo, assim como a associação dos camponeses de Nampula, sobre o que faz com que as oportunidades de financiamento não cheguem às mulheres.
O director provincial da Indústria e Comércio de Nampula, Alfredo Nampuio, explicou que na tradição, o homem produz, a mulher colhe e infelizmente ela não tem acesso de levar os produtos ao mercado. Essa tarefa é dada ao homem e isso foi herdando de geração para geração. “No entanto, como Governo e olhando na perspectiva do empoderamento da mulher fomos desenhando programas para contrariar este fenômeno tradicional, que passam por incutir na mulher que ela não só pode cuidar da casa, mas que também pode participar no desenvolvimento através de seus meios de produção ou as rendas resultantes da agricultura”.
Segundo Nampuio, hoje nota-se que o cenário tende a mudar, mas prevalecem as dificuldades de financiamento às mulheres. “As mulheres não têm linhas de financiamento concretas para as iniciativas ligadas à agricultura e principalmente o sector de caju, e se tem, há várias exigências que as mulheres não conseguem corresponder”, disse, apelando que os bancos devem começar a reduzir as exigências para as mulheres terem financiamento.
Por seu lado, o presidente da UPCN, disse que há vezes em que a própria mulher tem se limitado, para isso, Costa deu como exemplo alguns projectos agrários que tem sido desenhado para as mulheres, mas que elas, muitas vezes, se mostram incapazes colocando os homens para dirigir as iniciativas.
No entanto, para colmatar a situação, Costa Estevão disse que a sua organização tem realizado palestras e sensibilização às mulheres de modo que elas possam caminhar em pé de igualdade com os homens e de igual modo enfrentarem as barreiras culturais que limitam o seu empoderamento econômico.
Que mais apoios há?
O delegado do Instituto de Amêndoas de Moçambique na província de Nampula, Júlio Langa, disse ao Ikweli que tem constatado com agrado a participação activa das mulheres no plantio de mudas. E afirmou que “neste momento que estamos no manejo integrado já existem mulheres provedoras que tem seus operadores que são homens que fazem a pulverização da castanha de caju”.
E como Governo, o Delegado explicou que tem apoiado as produtoras de castanha de caju no que concerne a distribuição de mudas, pesticidas e assistência técnica.
Outro apoio, segundo ele, é na componente literacia financeira, para que percebam o que estão a gastar para fazerem cálculos do que vão ganhar. Isso lhes permite planificar os rendimentos que advém da venda da castanha de caju.
Para além disso, Langa disse ainda que têm promovido formações a grupo de mulheres produtoras para a venda conjunta, agregação da castanha e determinação da qualidade para que no final elas possam discutir melhor os preços.
Por outro lado, Elcídio Sueleque, extensionistas no distrito de Mogovolas, disse que ao nível do distrito, há cerca de 5 mil mulheres envolvidas na produção de castanha de caju, destas sete são provedoras que facilitam as outras no tratamento químico dos cajueiros. “Ao nível do distrito de Mogovolas temos duas milhões e quinhentas plantas e as mulheres conseguiram tratar cerca de 15 mil plantas”, frisou Sueleque, o qual adiantou que para este ano, o distrito prevê apanhar e comercializar 17,500 toneladas de castanha de caju.
Preços de venda da castanha não compensam o esforço das mulheres
O Governo Moçambicano aprovou, recentemente, o preço de referência da venda da castanha de caju, fixando-o em 37,00Mt (trinta e sete meticais) a ser praticado na campanha de comercialização deste ano.
Entretanto, as mulheres entrevistadas pelo Ikweli dizem que o valor é bastante baixo, comparando com o esforço que têm feito para produzir uma castanha de qualidade.
Atija Sualehe Parare, de 30 anos de idade, produtora no posto administrativo de Nanhupo Rio, lembrou que no ano passado venderam a 43,00Mt (quarenta e três meticais) e este ano o valor é muito abaixo. “37 meticais não será um valor benéfico para nós, porque houve muitos gastos este ano”.
Atija disse ainda que, por exemplo, este ano gastou mais de dez mil meticais na compra de gasolina e óleo para abastecer a sua máquina incluindo a sua manutenção.
As produtoras consideram que a produção este ano indica que será das melhores com castanhas de qualidade, daí que um preço “justos” para elas seria melhor.
Arminda Saela, outra produtora de Nanhupo rio, disse que um dos maiores constrangimentos na venda da castanha de caju é o facto de mesmo havendo um preço já estabelecido pelo Governo, haver compradores que enganam as produtoras e compram a castanha a preços mais baixos. “Mas para este ano, gostaríamos que o Governo fizesse como no ano antepassado e passado em que nós fizemos a apanha da castanha, ele identificou um patrão e veio comprar”, lembrou Arminda, afirmando que foram bons anos de comercialização da castanha de caju onde chegou a ganhar mais de 50 mil meticais.
Isaura Marcelino, produtora de castanha de caju na localidade de Nacavala, disse que os compradores têm usado manobras para enganar e roubar durante a comercialização. O que muitas vezes acontece, tal como explicou Isaura, os compradores vão directamente ás casas dos produtores muito antes de se anunciar a venda pelo Governo e “nós por fome acabamos por vender a castanha a preços muito baratos”, afirmou, concluindo que os produtores entregam a castanha porque eles dizem que têm o melhor preço a pagar e mais tarde descobre-se que há outro preço acima que o Governo recomendou para vender”.
Direção provincial de indústria e comércio reconhece a necessidade de melhorar o mercado
O director provincial da Indústria e Comércio de Nampula Alfredo Nampuio, falando sobre o acesso a mercado para as mulheres produtoras de castanha de caju, lembrou que a castanha de caju constitui uma cultura de riqueza e uma das que a província mais produz. Olhando para isso, Nampuio disse que é importante agrupar as mulheres e ensiná-las como valorizar o produto.
“Hoje elas produzem, muitas delas processam manualmente, mas vendem nas tigelas o que faz com que o produto seja menos apreciado”, comenta o dirigente.
Entretanto, um dos trabalhos para melhorar o acesso ao mercado, Nampuio disse que o que o Governo está a fazer é garantir a valorização da castanha através da implementação de embalagens, o que vai criar condições de higiene e valorização do produto. E a criação de condições para que haja inspectores nos mercados em que é comercializada a castanha, facto que reconhece acarear muitos custos.
Para ele, as mulheres já têm o instrumento que é a matéria-prima, o seu sector já está a criar facilidades para estás mulheres terem licenças simplificadas. A título de exemplo, tal avançou Nampuio, este ano foram licenciados quatro grupo de mulheres no distrito de Meconta. (Texto Adina Sualehe *Fotos: Hermínio Raja)
Nampula (IKWELI) – Foi reaberta nesta segunda-feira (31) a circulação rodoviária no rio Mutacazi, na vila de Nametil, no distrito de Mogovolas, numa altura em que obras de acabamento da infra-estrutura que tinha sido destruída pela fúria das águas da última época ciclónica ainda estão em curso.
O Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, foi a figura de cartaz do evento, em consideração ao valor da mesma infra-estrutura na circulação de pessoas e bens para o distrito de Angoche e parte do distrito de Mogovolas, com ligação alternativa para os distritos de Larde e Moma.
Para esta empreitada, a Administração Nacional de Estradas (ANE) teve de desembolsar 16.000.000,00Mt (dezasseis milhões de meticais).
A execução da obra extravasou todos os prazos anteriormente estabelecidos, tal como afigurou Gondola. “A previsão inicial era de 60 dias, mas infelizmente acabamos levando 90 dias”, disse a fonte, justificando que tal se deveu pela requalificação da infra-estrutura.
“Esse trabalho ainda exige cerca de 50 metros ou mais de asfaltagem que é para cuidar um pouco mais da estrutura, sobretudo nas ligações da própria ponte”, afirmou Mety Gondola, concluindo que “temos agora cerca de 50 metros e o peso que temos é de 4 toneladas, isso vai exigir com que todos nós tenhamos uma responsabilidade acrescida na preservação desta infra-estrutura”. (Hermínio Raja)
Nampula (IKWELI) – Uma disputa entre gigantes coloca pouco mais de 2500 (duas mil e quinhentas) famílias em situação de desespero e fome na província de Nampula, no norte de Moçambique.
Sucede que, de má-fé, a empresa EGT Export and Marketing decidiu por prejudicar a empresa Royal Plastics, com uma falsa denúncia no mercado indiano sobre a exportação de um cereal (soja) geneticamente modificado, uma das 15 empresas que constituem a ETG Export and Marketing, segundo apurou o Ikweli, é decidiu prejudicar a sua concorrente com a falsa informação de exportação de commodities agrícolas geneticamente modificados.
Altamente lesada, a Royal Group decidiu denunciar a sua concorrente na Secção Laboral e Comercial do Tribunal Judicial da Província de Nampula, tendo a primeira audição ocorrido na última sexta-feira.
Trata-se de uma providência cautelar, do processo 52/2022, intentada pela empresa Royal Grupo contra a ETG-Export e Marketing, esta última que é acusada de ter caluniado a primeira empresa junto das autoridades indianas.
As duas empresas são fortes concorrentes no ramo de agronegócios, ao nível do território moçambicano. As coisas vieram a se agravar a partir do dia 5 de Setembro do ano em curso, quando a mercadoria contentorizada da empresa Royal Grupo, contendo feijão bóer e soja, foi arrestado em Mumbai, pelas autoridades indianas por alegadamente a mesma ser de proveniência duvidosa e sem qualidade requerida.
Segundo apuramos, tais denúncias teriam sido perpetradas pelo grupo de 15 empresas em que a ETG-Export e Marketing é cabecilha. Trata-se de uma mercadoria de 30.000 ton (trinta mil toneladas) desses produtos e é avaliada em USD25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de dólares norte americanos).
Inconformado com a alegada atitude do concorrente, o grupo Royal intentou uma providência cautelar junto do Tribunal Judicial da Província de Nampula, que consistiu, inclusive, no arresto de bens e contas bancárias da ETG-Export e Marketing, onde exige que a denunciante possa ressarcir os danos vindos da renúncia, num valor de USD60.000.000,00 (sessenta milhões de dólares norte americanos).
Na sequência, desde o dia 20 de Outubro, a empresa ETG encontra-se com as portas fechadas e as contas congeladas, por ordens do tribunal.
Esta atitude da ETG Export e Marketing fez com que muitas famílias, com chefes ao exercício da Royal Group, estivessem voltadas a fome, porque o patronato, com os custos operacionais de frete e manutenção de navios nas águas indianas não conseguem honrar com todos os seus compromissos.
Munidos neste sentimento, os trabalhadores até ousaram em tentar, com presença, transmitir ao juiz da causa o sentimento de fome por que passam as suas famílias em face deste acto protagonizado pela ETG Export e Marketing. A tal intenção não foi para além da presença nas proximidades do tribunal.
“A minha empresa está totalmente danificada”
Dentro e fora do tribunal, Hassnein Taki, PCA da Royal Grupo, disse que os seus concorrentes estão a fazer de tudo para banir a sua empresa do mercado nacional e internacional. No caso concreto da sua mercadoria que está parado na Índia, o empresário pede a intervenção de todos moçambicanos que a mesma seja viabilizada.
“Estão a derrubar uma empresa moçambicana, derrubaram-me completamente, financeiramente, emocionalmente. A minha empresa está totalmente danificada. Eu peço ajuda a todos para essa solução urgente”, referiu Hassnein Taki.
“O navio está parado, não só parado, está na água, está ali feijão bóer só, na água sem direito de ver o meu produto, parece que eu exportei outro produto, aquele é um produto moçambicano, com certificação, tem toda documentação até Índia, o ministério da Agricultura já foi lá e disse que esse produto é 100% moçambicano, deixem sair, mesmo assim não estão a deixar sair”, prosseguiu a fonte aos jornalistas.
“Há indivíduo que estão a fazer aquilo parar, há indivíduos que querem nos fechar completamente entrada na Índia. Estou a pedir ao povo moçambicano, a Justiça moçambicana interagir e resolver isso. É um processo que todo ministério conhece, tem documento desde Agosto, desde 5 de Setembro o navio está lá, até hoje está no mar, não deixam descarregar o navio”, disse.
“A carga em geral está avaliada em 25 milhões de dólares, mas tem já o comprador a cancelar o contrato, há danos em cada navio pagando 50 mil dólares diário, há danos do porto não deixar o navio, aquele navio está no meio assim, nem pode voltar nem ir, portanto, eu quero uma ajuda moçambicana para acabar esse tipo de sindicato estrangeiro-indiano que estão a fazer em Moçambique”, precisou a fonte. (Constantino Henriques e Redação)
Nampula (IKWELI) – Uma acusação caluniosa e de difamação fez com que um grupo de empresários baseados em Nacala, província de Nampula, entrasse em conflitos comerciais, caracterizados por acção judicial, bloqueios sucessivos de negócios, interrupção de operações portuárias, entre outras formas de alegada demonstração de poder financeiro.
Informações até aqui não confirmadas indicam que o grupo Royal Plastics exportou uma quantidade não especificada de produtos agrícolas para o mercado indiano.
Porém, um dos seus concorrentes acabou alertando as autoridades daquele país que a mercadoria era ilegal e sem qualidade, o que fez com que o proprietário da mercadoria enfrentasse processo judicial, tendo sido condenado a pagar mais de 50 milhões de dólares norte-americanos.
Os empresários lesados acabaram percebendo que a calúnia e a difamação foram protagonizadas pelo accionista maioritário da ETG-Export e Marketing, um grupo de 20 empresas de capitais indianos que se encontra a explorar o mercado moçambicano há 23 anos.
Segundo soubemos, a ETG produz e vende fertilizantes, presta serviços de frete de logística, para além de que intervém na produção e comercialização agrícola, estando a empregar mais de 800 trabalhadores, entre efectivos e sazonais, nacionais e estrangeiros.
E como forma de retaliação, a Royal Plastics decidiu intentar uma acção judicial, cujo processo leva o número 52/2022, que está a correr na secção comercial do tribunal Judicial da Província de Nampula, onde exige uma indemnização de mais de 60 milhões de dólares norte-americanos.
Para além disso, a Secção Aduaneira da Procuradoria Provincial de Nampula foi accionada para bloquear as operações portuárias envolvendo sete navios que foram contratados para prestar os serviços de importação e de exportação. Para o efeito, alegou-se que as empresas contratantes são suspeitas de praticar os crimes de fraude fiscal, crimes tributários, associação criminosa, financiamento ao terrorismo e branqueamento de capitais.
Na sequência, o Ministério Público abriu o processo de averiguação número 03/3/SA/2022, para apurar a legalidade das empresas que contrataram os seguintes navios: ISLANDER, PH MINH GIANG, PAN JASMINE, ZULFICAR, PROPEL SHAKTI, SEA KSANTI e CL DIYIN HE.
Os números 1, 2 e 3 do artigo número 4, da lei 13/2020, de 13 de Dezembro, que estabelece o regime jurídico especial de perda alargada de bens e recuperação de activos, conferem poder as autoridades para solicitar os documentos que comprovassem a identificação das referidas empresas suspeitas e elementos constitutivos de crimes.
Trata-se de recibos de bordo, conhecimento de embarque (Bill of Landing) e todos os documentos relacionados com os navios de importação e exportação, a confirmação das empresas de exportação e de importação, incluindo os documentos que comprovam o pagamento de frete.
Mais tarde, a direcção da ETG em Nacala foi surpreendida com uma ordem judicial para o arrasto de bens e o encerramento de escritórios e armazéns.
Prejuízos avultados
A paralisação das operações portuárias está a gerar prejuízos avultados. Porque a situação afecta mais de 15 mil funcionários. O director do Porto de Nacala, Naimo Induna, disse que a sua instituição vai fazer os somatórios de quanto é que houve de perdas em termos de receitas.
Há, também, funcionários que estão a perder os seus empregos e que não imaginam como será a sobrevivência das suas famílias.
Os empresários envolvidos no imbróglio recusam-se a prestar declarações à imprensa. Mas o Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, foi solicitado para mediar o problema.
O presidente do Conselho Provincial Empresarial de Nampula, Yunuss Gafar, caracterizou o problema como sendo uma troca de mimos que está a afectar a economia das famílias, da província e do país no geral.
A Secção Comercial do Tribunal Judicial da Província de Nampula marcou para esta sexta-feira (28) a primeira audiência para se dirimir o caso. (Redação)
Maputo (IKWELI) – A ativista social da Associação Coalizão da Juventude de Moçambique, Márcia Jeiambe, acredita que a formação e educação de estereótipos de gênero pode ser eliminada na infância, com ajuda de pais e encarregados de educação, através de ensinamentos sobre como lidar com certas actividades que são atribuídas dentro de casa.
“As experiências individuais, principalmente as coisas que vivemos dentro de casa são as que mais vão nos moldar. Ainda que estejamos numa sociedade extremamente machista, se nossos pais nos ensinarem, por exemplo, a divisão igual de tarefas domésticas, igualdade de oportunidades etc., facilmente vamos levar aqueles hábitos e lições para o nosso dia a dia quando crescermos”.
O posicionamento foi partilhado na última quarta-feira (26), aos estudantes da Escola Superior de Jornalismo (ESJ), durante uma palestra organizada pela Associação h2n, que tinha em vista falar sobre “Um olhar sobre a situação das raparigas e mulheres no contexto da VBG”.
De acordo com a palestrante, a questão da Violência Baseada no Gênero (VBG), não afecta somente as mulheres, mas também o homem, que sofre com a violência a partir do momento que é obrigado a prover pela família independente das circunstâncias.
“O estigma, o preconceito, o medo e a baixa autoestima impedem muitos homens de falarem sobre assuntos relacionados com a violência que tem sofrido a partir do momento que a sociedade rotula que o homem deve ser responsável por sustentar a sua família já coloca uma pressão psicológica sobre ele. Por isso que homens e mulheres deviam ser educados do mesmo jeito para que não haja essas desigualdades de gênero”.
Por outro lado, o Diretor Científico da ESJ, Isaías Fuel, falou da importância de se informar, partilhar informações, questionar e militar sobre igualdade de género, por isso os estudantes devem ser porta-vozes daqueles que estão mais afastados das cidades, pois, estes têm menos acesso à informação e tem incidências de outras formas de VBG, tal como uniões prematuras.
“Os estudantes devem ser dotados de informações sobre gênero para que possam passar experiências sobre a problemática da VBG as comunidades que não têm acesso a informações e que continuam a praticar ações que são prejudiciais para a própria rapariga e não só, os jovens também são forçados a casar muito cedo e automaticamente ele tem que abandonar a escola para ir a África de sul para ir trabalhar. Esta e uma violência também. Mas se a gente conversar e trocarmos ideias quem sabe um dia são futuros dirigentes e vão desenhar políticas que possam em algum momento favorecer as comunidades”.
Por sua vez, os estudantes enalteceram a iniciativa levada a cabo pela h2n e, esperam que a mesmas possa ser replicada em outras universidades porque temáticas sobre a igualdade de gênero podem ajudar a mudar a mudar o atual cenário.
“Eu acho que foi uma boa iniciativa, porque há coisas que eu percebi que não dependem de nós, nascemos e encontramos. São normas sociais que nos são incutidas. Mas essas palestras vão ajudar a abrir nossas mentes, embora seja um desafio”, disse Carla Tembe, estudante de Marketing.
Armindo Pelembe, igualmente estudante, sublinhou que uma das formas de disseminar mensagens sobre a VBG nas zonas recônditas é difundir informações claras e concretas que ajudam a comunidade a perceber sobre a igualdade de gênero nas famílias.
“Uma das coisas que dificulta por exemplo que as mensagens não cheguem as zonas rurais são os meios de comunicação, se formos a ver as zonas recônditas dificilmente tem acesso a televisão e poucas tem acesso a rádio, então uma das formas mais acessíveis e levando as mensagens de forma presencial, através de algumas palestras que explicam de forma clara e com exemplos concretos, por forma a adaptar o nosso discurso aquela realidade”, explicou Pelembe.
A coordenadora de Mídia da associação h2n, Sheynise Shádia, disse que trata-se de uma actividade que faz parte de uma série de intervenções previstas no seio académico e enquadra-se no âmbito do projecto Asas, que visa promover a igualdade de género e o emponderamento da mulher e da rapariga adolescente em Moçambique. Para a coordenadora, as palestras irão ajudar os estudantes de comunicação e não só a ter uma visão mais aberta sobre assuntos ligados ao gênero.
“Nós temos uma iniciativa que é tentar influenciar as universidades a incluir conteúdos de gênero principalmente nas faculdades de comunicação e, assim garantir que quando esses comunicadores estiverem nas redações tenham essa sensibilidade de gênero desde a faculdade. E para tal temos parceiros que também trabalham na área de gênero e fazem algumas palestras nas universidades e, mais para frente quem sabe conseguirmos influenciar alguns currículos universitários.
Importa referir que as palestras têm como objetivo promover a igualdade de género e o emponderamento da mulher e da rapariga adolescente em Moçambique. Estas são actividades levadas a cabo pelo projecto Asas, implementado pela h2n tendo como seu principal financiador Alto Comissariado do Canada. (Ângela da Fonseca)
Nampula (IKWELI) – Três casas e duas igrejas foram queimadas, por indivíduos desconhecidos, no bairro de Murrapaniua, nos arredores da cidade de Nampula.
Construídas com base em material precário, as infra-estruturas, localizadas no posto administrativo de Natikiri, eram tudo o que as famílias tinham, mas que no dia 23 de Outubro corrente foram reduzidas a cinzas.
Em termos concretos, pelo menos 8 pessoas encontram-se ao relento, sendo que uma centena de crentes não tem onde realizar os seus cultos.
Fontes do Ikweli naquele ponto de Nampula asseguram que acto idêntico terá ocorrido, também, no princípio do mês e na mesma circunscrição.
“A nossa igreja foi incendiada por pessoas de má fé e não sabemos de onde tais pessoas vêm e se são deste bairro ou não. Devido a isso, é difícil chegar a uma conclusão. Esta não é única igreja que sofreu este incêndio”, disse ao Ikweli Eduardo António Amade, da igreja Adventista do Sétimo Dia de Murrapaniua.
Esta fonte entende que esta prática é movida por desavenças entre confissões religiosas distintas, o que resulta em perseguições.
“Os malfeitores quando ateiam fogo nas igrejas, assim como nas residências, a sua tendência não é de levar os bens, por isso sinto que os mesmos são pessoas de menos fé e que estão contra as crenças do cristianismo, tem inveja e que não gostam e perseguem esta religião”, comentou este religioso.
A fonte, fez saber que a situação de incêndio de casas e igrejas naquele bairro é do conhecimento das autoridades locais, e está em debate no sentido de se achar mecanismos que possam colmatar aquele fenómeno de terror.
Em relação as residências, o senhor Isidro Américo diz ter perdido todos os seus bens, e o fenómeno instalou medo em si e nos seus dependentes.
“Pelas 22 horas de domingo passado, a minha casa foi incendiada por pessoas desconhecidas e de má fé e dentro da casa éramos cinco membros, mas graças a Deus não houve danos humanos, apesar de nunca faltarem prejuízos de alguns bens materiais”, disse a fonte, assegurando que “neste momento já ultrapassamos, somente o medo é que resta, porque não dormimos em paz nesta unidade”.
Na situação de medo e pânico está a dona Isabel Eduardo, outra vítima que teme que o pior aconteça se a situação continuar. “Tenho duas casas e uma foi incendiada”, disse esta fonte, informando que naltura do sucedido um dos seus filhos encontrava-se a dormir, mas por sorte não contraiu ferimentos.
As autoridades comunitárias de Murrapaniua não escondem a sua preocupação face a este fenómeno, e um dos secretários, Joaquim Gimo, assegura que a informação já foi reportada as autoridades competentes. (Nelsa Momade)
Maputo (IKWELI) – Os jovens da cidade de Maputo dizem-se preocupados com a falta de campanhas de consciencialização sobre o cancro da mama, facto que faz com que muitas mulheres não saibam sobre o seu estado de saúde.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2019, Moçambique registou um total de 25 mil casos de cancro da mama, sendo que dezassete mil pessoas morreram vítimas da doença que poderá aumentar para cerca de 51.8 mil em 2040.
Joana Nhamtumbo, estudante de Medicina, disse a equipa do Ikweli que mensagens apelativas para o combate ao cancro da mama só têm sido frequentes quando chega o mês de Outubro.
“Infelizmente, no nosso país as campanhas ou mensagens de sensibilização sobre como identificar o cancro é muito difícil ou quase impossível, nós só conseguimos ter uma ideia sobre a doença quando chega outubro, por conta das mensagens que são disseminadas”.
Roberto Matusse acredita que campanhas frequentes para alertar a sociedade sobre as formas de prevenção e detecção precoce desta doença, com destaque na mulher, “podem ajudar a ter um diagnóstico muito cedo e assim prevenir muitas mortes, mas para tal, o mesmo devia acontecer em toda época do ano, não somente em Outubro”.
Maida Benete é sobrevivente do cancro da mama, foi diagnosticada em Dezembro de 2016, quando tinha 24 anos de idade, tudo começou com um aquecimento nas axilas, quando em 2015 sentiu dores na mama direita e decidiu ir a uma unidade sanitária, onde lhe foi receitada uma pomada.
“Porque não tinha lá um carroço apenas receitaram-me uma pomada. Então fiquei todo 2015 e, em 2016 comecei a sentir algo anormal na minha mama, comecei a sentir um aquecimento na parte da axila e a mama começou a mudar de tamanho, achei aquilo anormal, na altura eu não tinha nenhuma informação do que era cancro”, disse a fonte.
Maida disse que foi ao hospital provincial da Matola, onde, após ser apalpada nas mamas, foi confirmado a presença de um carroço. Entretanto, só os resultados feitos no Hospital Central de Maputo (HCM), confirmaram que ela tinha cancro.
“Mandara-me para o hospital central de Maputo, onde fui fazer a biopsia, recordo-me que no dia que fui levar os resultados, os médicos não acreditaram, perguntaram se na minha família tinha um caso de cancro e eu disse que não porque não sabia, então eles disseram que tinha um problema no exame e que tinha que se repetir o exame, acredito que eles não estavam a acreditar no diagnostico por causa da minha idade, fizeram um exame rápido e infelizmente deu mesmo resultado”.
Um resultado que para a jovem foi difícil de assimilar, pois, ela não sabia o que era o cancro da mama e achava que fosse morrer. “Eu via nas novelas que cancro de mama era uma sentença de morte. Eu só chorava, porque achava que eu ia morrer, mas o oncologista disse que a cura dependia muito da minha força”.
Benete afirmou que logo foi submetida ao processo de quimioterapia, um tratamento que para ela não foi fácil devido aos seus efeitos como é o caso da queda do cabelo. “Isso deixou-me para baixo porque eu como mulher, primeiro foi pensar como é que a sociedade vai olhar para mim, tendo em conta que a sociedade não está preparada para isso, como vão olhar para mim careca, o que é que eles vão pensar, mas porque eu já estava ali ganhei uma força que até hoje só digo que foi Deus”.
Após várias sessões de quimioterapia, em Março de 2017, Maida, foi submetida a uma cirurgia onde lhe foi retirada toda a mama, e o fator chave para que continuasse a seguir com o tratamento, foi o apoio que recebeu da família.
“Receber a notícia da retirada da mama não foi fácil, porque faz também parte da estética de uma mulher, mas porque era o que podia me salvar eu aceitei. Depois da recuperação da cirurgia continuei com a quimioterapia que terminei em Setembro de 2017, comecei com o tratamento hormonal em 2017 e graças a Deus terminei em Setembro deste ano”.
Em 2018, Maida Benete, através do Facebook conheceu a associação “Casa Rosa” e, desde lá até então, tem ajudado outras mulheres através de palestras contando como é que ela conseguiu vencer a doença com mensagens de que é possível vencer, “porque muitas mulheres que estão na oncologia pensam que vão morrer porque não tem informação, quando alguém é diagnosticada cancro acha que vai morrer, então quando a mulher está nessa situação e ouve a história de uma outra mulher ganha mais forças para poder lutar”.
Diferente da Maida, Isabel Jonas não teve a mesma sorte, pois ela perdeu sua mãe vítima do cancro da mama em Abril do corrente ano. Visivelmente abalada e sem dar muitos detalhes, contou que foi tudo rápido.
“Minha mãe começou a ficar doente, levamos ela ao hospital e lá foi diagnosticada com o cancro da mama, na altura nós não sabíamos o que era, eu penso que se nós soubéssemos do seu estado ainda cedo ela estaria aqui, mas enfim…”, comentou.
Jonas acredita que se houvesse mais campanhas de alerta e consciencialização, a mãe ainda estaria viva. Tendo dito igualmente que não sentiu apoio de nenhuma associação.
“Nós não temos um sítio onde recorrer quando estamos nessas situações, as nossas associações só aparecem quando chega o mês de outubro para nos encher de informações que deviam fazer de forma constante”.
A associação Casa Rosa tem apoiado doentes com o cancro. Neste mês em específico são realizadas várias actividades de conscientização sobre o cancro da mama. Nercia Cassamo, membro da associação, disse que atualmente contam com 96 mulheres em tratamento de hormonioterapia, quimioterapia e radioterapia no HCM e 46 apresentam um quadro clínico melhorado.
“O nosso foco é o cancro da mama! Mas todo paciente oncológico independentemente do tipo de cancro que nos procura e precisa de ajuda a associação ajuda mediante as nossas condições. Desde crianças, jovens e adultos. Ajuda desde apoio psicológico, viagens para tratamento, nutrição”.
Cassamo garantiu que a associação Casa Rosa tem trabalhado em apoio ao doente oncológico todo ano (de janeiro a janeiro), diretamente no serviço de Oncologia do HCM e ao domicílio quando necessário.
“Temos um projeto intitulado “Resgate”, onde junto ao assistente social da oncologia vamos atrás dos pacientes que desistem do tratamento ou deixam de ir as consultas para percebermos o motivo e ajudarmos a ultrapassar as dificuldades desses pacientes”, explica esta fonte.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o cancro da mama é um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário. É frequente nas mulheres, mas pode atingir também os homens. A doença mata mais de 500 mil mulheres em todo mundo. (Ângela da Fonseca)
Nampula (IKWELI) – A Administração Nacional de Estradas (ANE), delegação de Nampula, disse não dispor de fundos para garantir a construção de uma ponte definitiva sobre o rio Natete, mesmo ao longo da estrada nacional número treze (EN13), localizada no distrito de Ribáuè na considerada província mais populosa de Moçambique.
A EN13 joga um importante papel na economia de Moçambique, como também do vizinho Malawi, por ser um dos meios que permitem as trocas comerciais, via terrestre, entre os dois países. A nível interno, a via torna-se fundamental para a comunicação e trocas comerciais entre as províncias do Niassa, Nampula e de Cabo Delgado.
Ao longo da EN13, o rio Natete está situado a 25 quilómetros da vila – sede do distrito de Ribáuè, ou melhor a 168 quilómetros da cidade de Nampula, e a 528 quilómetros de Lichinga, cidade capital da província de Niassa. Trata-se de um ponto que faz com que o trânsito na EN13 seja de forma condicionada.
Este condicionalismo começou a verificar-se desde Fevereiro de 2021, período em que a ponte que ali foi implantada não resistiu à fúria das águas tendo culminado no seu desabamento e, como alternativa, foi instalada uma ponte com uma estrutura metálica.
A 10 de Outubro do ano em curso, por exemplo, a circulação de viaturas foi interdita a partir daquele ponto, devido ao desabamento da referida ponte metálica. A interdição durou por duas semanas, porque só na passada segunda-feira (24) é que os técnicos da ANE conseguiram repor a infra-estrutura.
“Temos já a ponte sobre o rio Natete aberta, depois de 14 dias de muito trabalho em que tivemos no antepassado domingo um pequeno constrangimento, mas tudo que estamos a levar a cabo era para que não ultrapassassem aquilo que era o prazo que propusemos para a interrupção da via. Portanto, temos aqui a ponte já aberta, em condições de fazer a transitabilidade com camiões com as cargas regulares”, garantiu Celso Mabjaia, delegado da ANE em Nampula.
O apelo de Mabjaia aos transportadores, é no sentido de, quando se fazem passar por aquele local, fazerem-se respeitando a placa de velocidade ali fixada, portanto, 20 quilómetros por hora, como forma de prolongar a utilização da mesma infra-estrutura.
“Apelar a todos os transportadores que utilizem bem a ponte, porque este é um bem público para todos nós. Sabemos que é uma infra-estrutura social que garante a transitabilidade. Dizer que é uma ponte metálica segura, por isso apelar mais uma vez aos transportadores para não danificar a mesma, transpondo-a com as velocidades moderadas, ou seja, 20 km/h, garantindo mais durabilidade e a vida da mesma”, referiu.
“Os transportadores não excedem o seu peso, principalmente os que passam nesta via, porque nós ainda não temos básculas fixas para garantir o controle das cargas. O primeiro conservador de estradas são os transportadores depois é que podemos vir nós porque eles são usuários da mesma, todos dias”, disse a fonte, lembrando que “a destruição desta ponte vem mesmo por causa dos embates que tem sofrido com a passagem dos camiões, eles não respeitam e embatem e ela fica fragilizada, como vimos desta vez, interrompemos o tráfego mesmo para substituir os elementos metálicos danificados por causa dessa acção dos transportadores, que é embater na ponte”.
Entretanto, questionado pelos jornalistas sobre para quando será erguida no local uma ponte definitiva para evitar o sofrimento dos utentes, Celso Mabjaia disse não ter datas para tal trabalho por, alegadamente, o seu sector estar desprovido de fundos para executar os trabalhos daquela natureza. Aliás, disse que está em curso um processo de negociação de fundos para garantir a construção da referida ponte. (Constantino Henriques)
Nampula (IKWELI) – O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula ordenou a detenção imediata de três funcionários dos quais, servidores públicos afectos à Autoridade Tributária, delegação provincial de Nampula, por recaírem sobre eles fortes indícios de venda de Número Único de Identificação Tributária (NUIT) à utentes.
Trata-se de uma funcionária afecta ao sector de emissão de NUIT e dois guardas de uma empresa de segurança privada que têm como posto de trabalho na Autoridade Tributária, delegação de Nampula, os quais montaram uma rede com vista a aldrabar os cidadãos que se dirigem àquela instituição pública para pedido e emissão de NUIT.
Uma nota enviada à nossa redacção indica que a rede era liderada pela funcionária, sob auxílio dos guardas sendo que, “a funcionária dizia às pessoas que não havia sistema para a emissão do documento e, depois orientava os guardas para abordar os utentes do lado de fora da instituição, prometendo-lhes a emissão por meios alternativos, mediante pagamento de 100,00Mt (cem meticais)”.
E uma vez pago a soma exigida aos utentes, “o guarda levava a cópia do Bilhete de Identidade do utente para o interior da instituição, de onde num instante, voltava com NUIT impresso”. Depois do acto, segundo a nota, “o dinheiro era dividido por entre os detidos, no final do dia”.
A nota que temos vindo a citar esclarece que o facto que culminou com a detenção dos indivíduos em flagrante delito e na posse de dinheiro ilícito, resulta de uma denúncia anónima que chegou ao Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula. Igualmente, os detidos foram neutralizados na posse de vários NUIT, impressos e que seriam entregues aos respectivos utentes que solicitaram mediante ao pagamento.
O Gabinete Provincial de Combate à Corrupção explica que o crime praticado pelos indivíduos enquadra-se na corrupção passiva para acto lícito e abuso de cargo ou função, daí que serão encaminhados os processos aos órgãos de administração da justiça para a sua responsabilização. (Esmeraldo Boquisse)