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Critério de menor preço levou Vahanle a escolher empreiteiro “malandro” para construir a estrada de Marrere

Nampula (IKWELI) – O autarca da cidade de Nampula, Paulo Vahanle, convocou a imprensa ao meio dia desta quinta-feira (17) para dar satisfação aos munícipes sobre o estado do contrato e da execução do primeiro lote das obras da via que liga a estrada nacional número um (N1) ao Hospital Geral de Marrere, nos arredores da cidade de Nampula.

Como lhe é característico, pouco discursivo, e numa linguagem popular, Vahanle anunciou a rescisão unilateral do contrato com a empresa ZAC Construções, por incumprimento de prazos, obras defeituosas e sem qualidade.

A fonte explicou na colectiva de imprensa que, inicialmente, a ZAC Construções predispôs-se a reparar os danos da execução das obras, mas depois de tantas oportunidades dada a empresa não mexeu palha nenhuma.

Com a destruição da estrada, dez dias após a inauguração, uma equipa multissectorial produziu recomendações que deviam ter sido cumpridas pelo empreiteiro, o que não se observou, depois de ter garantido a execução das mesmas em 60 dias.

“Esgotadas todas as negociações com a ZAC Construções, nós tivemos de fazer um comunicado de rescisão do contrato, no dia 12 de Outubro”, explicou Vahanle, prosseguindo que “no dia 15 de Outubro, a escassos dias para o término do prazo de reclamação, a ZAC Construções remeteu um expediente a pedir favor que não devíamos rescindir o contrato e que iria cumprir com os prazos”.

Já sem fé e esperança na ZAC Construções, a edilidade de Nampula decidiu por “rescindir o contrato e vamos responsabilizar pelos danos que causou ao Conselho Municipal da cidade de Nampula”.

Paulo Vahanle deixou entender que convocou a imprensa para melhor a sua relação com o eleitorado em relação a estrada de Marrere, pois tem-lhe apontado o dedo como não estando a ser sério naquela empreitada.

“Lamentavelmente, esse caso não está a ser bem entendido pelos munícipes. Acham que é o presidente do município que não quer avançar, acham que é o conselho municipal que não quer repor a via, mas se fosse o caso nós não teríamos agendado, não teríamos incluso no nosso plano de actividades 2022 a construção da estrada e a ponte via Marrere. Não teríamos feito isso. E se fizemos é porque estávamos convictos que queríamos a estrada, queremos melhorar a via e vida dos munícipes da cidade de Nampula”, esclareceu Vahanle.

Em relação a ZAC Construções, Vahanle tomou uns bons minutos para elaborar sobre o comportamento da empresa, e ficou claro que a mesma concorreu para uma actividade para a qual não tinha competências técnicas e qualificações devidas para honrar com o compromisso.

“A ZAC Construções não pode reclamar sobre os pagamentos”, avisa a fonte, que deixa claro que 30 milhões de meticais (perto de meio milhão de dólares norte americanos) foram desembolsados para a empresa, prosseguindo que “a ZAC Construções fez uma aventura ao concorrer para uma obra de grande engenharia. Eu acredito que nunca fez obras de qualidade, nunca fez obras daquele tamanho”.

Durante a apuração sobre a capacidade da empresa, Vahanle disse que a ZAC Construções levou uma equipa da edilidade para um estaleiro alheio na província de Cabo Delgado, tanto quanto apresentou um orçamento, de baixo preço, sobre o qual caiu a vantagem, segundo os ditames legais. (Aunício da Silva)

 

Jovem apaixonada por um “artista” do Facebook burlada mais de 550 mil meticais

Nampula (IKWELI) – Uma cidadã de 28 anos de idade, residente na cidade de Nampula, no norte do país, sofreu burla por suposto namorado que o conheceu através das redes sociais, concretamente no Facebook, facto que lhe causou um prejuízo de 558.700,00Mtt (quinhentos e cinquenta e oito mil, setecentos meticais).

A burla remonta há cinco meses, quando a vítima conheceu um indivíduo que lhe solicitou amizade, sob alegação de que a conhecia em algum ponto da província de Nampula, dado é que começou a conexão recorrente entre os dois e que mais tarde começou a rolar um clima de paixão, o que inspirava confiança à cidadã burlada.

O tempo passou, a paixão pelo homem burlador e a confiança, mesmo com a distância que os separa aumentou, até um certo dia em que o burlador inventou viagens da capital moçambicana, Maputo, em missão de serviço e para se encontrar com a sua amada na cidade de Nampula, o que acarretou custos segundo conta a vítima que se mostra burlada.

“Eu conheci este moço via Facebook. Ele enviou-me um pedido de amizade e eu aceitei e começamos a conversar. Perguntou-me de onde eu era e quando lhe disse que era de cá Nampula, disse-me que viria cá e era trabalhador da Petromoc. Depois de mais de um mês de conversa, alertou-me que estava a vir, mas antes passava pela província de Manica, o que não chegou de acontecer”, começou por contar a vítima que semanas seguidas, o suposto namorado partilhou-lhe vídeos que fazia durante a viagem de ida a cidade de Nampula.

Todavia, “depois de três horas enviou-me uma mensagem pedindo para lhe ligar e que era urgente. Quando liguei disse que tinha problemas, teria sido interpelado na posse de pedras semipreciosas e que precisava de 40.000,00Mt (quarenta mil meticais), uma vez que a polícia pediu-lhe 100.000,00Mt (cem mil meticais) e ele tinha apenas 60.000,00Mt (sessenta mil meticais), mas que ia reembolsar o valor”, acrescentou a cidadã burlada que pela primeira vez transferiu a soma para o indivíduo.

Passadas algumas horas, a vítima conta que o burlador voltou a comunicar solicitando mais 10.000,00Mt (dez mil meticais), alegando que era para a legalização de seus documentos sob ordens das autoridades policiais, uma vez que estavam vencidos, ou seja, expirados. Já no dia seguinte, pelas duas horas da madrugada, segundo narra a vítima, o burlador comunicou para informar que encontrava-se detido pela polícia, devido às pedras semipreciosas as quais foram encontradas na sua posse.

A fonte informou que na mesma altura, este [o burlador] partilhou-lhe um contacto do seu suposto advogado que responde pelo nome de Rocha, a fim de esta informá-lo da situação em que o indivíduo se encontrava. Entretanto, o número estava fora de linha de comunicação. O que preocupa é que horas depois, o referido advogado [ostentando sotaque português], pediu o envio de uma quantia de 100.000,00Mt (cem mil meticais), para garantir a soltura do burlador. Comovida com a situação, a vítima recorreu ao empréstimo para ajudar o parceiro que supostamente estava em apuros.

Quando questionada de como teria caído na cilada do burlador, a vítima que denunciou o caso ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), retorquiu que “obviamente que há quem me vai julgar, mas apenas tentei ajudar. Primeiro ele disse que a sua família estava na África do Sul, vivia cá sozinho com dois filhos e que não podia perder o seu emprego. Eu fiz isso para lhe ajudar. Nós já conversávamos via WhatsApp e fazíamos vídeo chamada”.

Um dos talões de depósito que tivemos acesso prova uma transferência efectuada pela cidadã no dia 21 de Agosto deste ano, o montante de 100.055,00Mt (cem mil e cinquenta e cinco meticais) que teria sido solicitado pelo indivíduo, valor que foi creditado na conta de um indivíduo identificado pelo nome de Isac Guedes. Outra importância ocorreu no dia 10 do mês em alusão, onde foram transferidos cem mil meticais.

Consumado o acto, o burlador não mais voltou a contactar e todos os seus números telefónicos encontram-se incomunicáveis. Portanto, a vítima pede que sejam criadas diligências para a sua localização, neutralização e responsabilização pelo acto cometido. Aliás, reconhece as suas fraquezas diante das arte-manhas do burlador e exorta aos demais a serem vigilantes.

“Primeiro quero que ele me devolva o valor, essa é a maior preocupação. Eu pedi algumas pessoas conhecidas e que estão precisando do dinheiro. Segundo, são pessoas de má-fé que agem assim. Nós que sofremos esse tipo de burla é muito difícil acreditar que ajudamos alguém e que a mesma se passou de alguém que está em apuro para nos tirar dinheiro. Chamo atenção que tomem cuidado, o tempo não está bom e com esta crise muitos aproveitam-se de várias formas”, concluiu. (Esmeraldo Boquisse)

COESÃO SOCIAL NO NORTE DE MOÇAMBIQUE: CDD inaugura instalações do Youth Hub de Angoche e organiza o primeiro Policy Dialogue Distrital

Nampula (IKWELI) – O Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) realizou, no dia 27 de Outubro, o evento de inauguração do Centro de Jovens/Youth Hub de Angoche, estabelecido no âmbito do Programa Coesão Social no Norte de Moçambique. Este Programa é implementado com o apoio da Cooperação Suíça, e visa contribuir para o fortalecimento da coesão social nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, bem como catalisar o engajamento cívico de jovens e mulheres em espaços sociais, políticos e económicos e, desta forma, contribuir para a melhoria da governação local, vista numa perspectiva da realização dos direitos dos cidadãos.

Os Youth Hubs são espaços formais e/ou informais para o empoderamento de jovens e oferecem uma ampla gama de programas em uma rede de espaços seguros onde os membros são livres para se socializar e aprender novas habilidades, ajudando a desenvolver identidades e desbloqueando o seu potencial. Com enfoque distrital, a abordagem dos Youth Hubs inclui a capacitação, recursos, networking e engajamento com autoridades estatais e não estatais.

Coube ao Administrador de Angoche, Bernardo Alide, proceder com a inauguração das instalações, num evento que, para além das autoridades governamentais a nível do distrito, contou igualmente com a participação dos líderes comunitários, líderes de associações juvenis, representantes da plataforma distrital da sociedade civil e cerca de 60 jovens membros do Youth Hub de Angoche.

Bernardo Alide, Administrador de Angoche inaugurando a Youth Hub

Tendo em conta a crescente ameaça do extremismo violento, o Administrador de Angoche endereçou uma mensagem aos jovens, instando-os a serem vigilantes e a usarem o Youth Hub como um espaço de aprendizagem para promoção da paz e do desenvolvimento do distrito.

Para além da cerimónia de inauguração, o momento serviu para a realização do primeiro Policy DialogueDistrital de Angoche, subordinado ao tema “O Papel da Juventude no Desenvolvimento do Distrito de Angoche no Contexto da Crescente Ameaça do Extremismo Violento”. Os Policy Dialogues visam colocar os jovens emponderados nos Youth Hubs a liderarem, concebendo e catalisando um diálogo público ao nível distrital, provincial e regional norte, em prol de uma governação orientada para o desenvolvimento inclusivo assente no potencial transformacional dos jovens.

A abordagem do Policy Dialogue assenta na noção de espaços inventados (invented spaces) que se diferem dos habituais espaços convidados (invited spaces). Por espaços inventados entende-se um novo paradigma de intervenção da juventude, de forma autónoma e independente, nos processos decisórios públicos. Os objectivos do Policy Dialogue compreendem “estimular uma participação autónoma e independente dos jovens nos processos públicos de tomada de decisão; edificar um fórum para interacção transparente entre os jovens e os decisores públicos, sector produtivo e sociedade civil em prol de políticas e estratégias de desenvolvimento centradas no potencial e perspectiva da juventude; expor as capacidades, habilidades e recursos da juventude relevantes para a agenda da transformação socioeconómica no norte de Moçambique; consolidar a visão e agenda colectiva da juventude ao nível distrital, provincial e regional norte de Moçambique;

Catalisar a cultura de prestação de contas em torno da materialização da visão e agenda colectiva da juventude ao nível distrital, provincial e regional norte de Moçambique”.

A escolha dos temas para o Policy Dialogue está ancorada aos Youth Hubs através da rede dos Youth Hubsda região norte de Moçambique. Em cada ano, existe um tema específico ligado à agenda da coesão social no norte de Moçambique.

Ao longo do diálogo, os jovens foram unânimes ao apontar o desemprego e a falta de oportunidades como factores que aumentam a vulnerabilidade da juventude ao recrutamento para os grupos extremistas. Um dos desafios apontados é a insuficiência de instituições de ensino técnico-profissional, deixando os jovens sem alternativas quando terminam o ensino secundário geral. Paralelamente, quando os jovens terminam os cursos de formação profissional não encontram espaços para aplicação do conhecimento adquirido, através, por exemplo, de estágios ou emprego.

Os jovens clamam por iniciativas que permitam a maximização dos seus talentos e habilidades. Como referiu Abílio Ussene, Líder do Youth Hub de Angoche, “os jovens sabem o que fazer, mas não têm uma incubadora que acolha e apoie as suas ideias”. Referiu ainda que as poucas iniciativas existentes são pouco difundidas e as oportunidades não chegam ao grupo alvo, os jovens. Assim, a instalação do Youth Hub de Angoche responde a esses desafios e constitui uma plataforma de partilha de informações.

O líder dos régulos de Angoche, Manuel Jamal, instou os jovens a se posicionarem nos diferentes fóruns de tomada de decisão a nível das suas comunidades e a nível do governo distrital e municipal. De acordo com o Régulo Jamal, os jovens passam a ser líderes a partir do momento em que inspiram os outros a serem como eles, através das suas boas acções nas comunidades.

O Programa de Coesão Social é implementado com o apoio da Cooperação Suíça. É uma iniciativa liderada pela sociedade civil (CDD, IESE e Fundação MASC) para fortalecer a coesão social no Norte de Moçambique. Os grupos-alvo são os jovens e as mulheres, vistos como “agentes de mudança” tanto individual como colectivamente. Os agentes de mudança colectiva também incluem instituições públicas que têm interesse, capacidade e ideias para contribuir para a inclusão económica, política e social, melhorar a capacidade de resposta do Estado e a prestação de serviços. (Américo Maluana, colaboração)

Governo dos E.U.A. fornece 9.8 milhões de vacinas contra a COVID-19 para a Juventude moçambicana

Maputo (IKWELI) – O Governo dos Estados Unidos cumpriu a promessa feita ao Governo e ao povo de Moçambique, ao entregar este mês mais 4,9 milhões de doses de vacina Pfizer-BioNTech COVID-19.  Somado ao primeiro carregamento de 4,9 milhões de doses, o número total de vacinas doadas pelo Governo dos Estados Unidos para adolescentes é de 9,8 milhões.

A segunda remessa permitirá ao Governo moçambicano administrar uma segunda dose de vacinas COVID-19 à sua população-alvo adolescente. Através da forte parceria entre os Estados Unidos e Moçambique para combater a COVID-19, Moçambique tornar-se-á o primeiro país da África Subsaariana a vacinar totalmente 94% da sua população adolescente com a primeira e segunda doses.

Quando as primeiras vacinas COVID-19 para adultos ficaram disponíveis em finais de 2020, o Governo dos E.U.A. comprometeu-se a garantir que as vacinas estivessem disponíveis para todos os países, incluindo Moçambique.  Desde então, em colaboração com o sector da saúde de Moçambique, a USAID tem liderado os esforços do governo dos E.U.A. para vacinar a população. O governo dos E.U.A. não só doou mais de 18 milhões de vacinas a Moçambique, como também investiu na prontidão e logística das vacinas para assegurar que os moçambicanos em todos os distritos tivessem acesso a essas vacinas. Globalmente, o governo dos E.U.A., através da USAID, forneceu quase 90 milhões de dólares para implementar os esforços de resposta à COVID-19 desde o início da pandemia.

Uma nova campanha de vacinação, com a duração de duas semanas, foi lançada a 14 de Novembro, tendo em vista a administração da segunda dose ao adolescente.  “Esta campanha demonstra o empenho do governo moçambicano em assegurar a saúde da sua população jovem”, disse o Embaixador Vrooman. “Juntos, os Estados Unidos e Moçambique estão a proteger milhões de adultos e adolescentes de um vírus que já ceifou demasiadas vidas”.

Os Estados Unidos e Moçambique mantêm há cerca de 20 anos uma estreita parceria sanitária na luta contra o VIH/SIDA, malária, poliomielite, tuberculose e outras doenças infecciosas.  Esta parceria ajudou Moçambique a responder rápida e eficazmente à pandemia global da COVID-19.

O apoio às vacinas e serviços de saúde melhorados é uma componente essencial da assistência mais ampla do Governo dos E.U.A. em Moçambique. As melhorias neste sector contribuem para uma melhor saúde e criam um ambiente para um crescimento económico diversificado. Em estreita colaboração com o Governo de Moçambique, o Governo dos E.U.A. fornece mais de 500 milhões de dólares em assistência anual para ajudar os moçambicanos a construir um país mais saudável, mais democrático, mais seguro e mais próspero para todos. (Redação)

Terroristas continuam a destruir vidas e bens em Muidumbe

Nampula (IKWELI) – O distrito de Muidumbe, a norte de Cabo Delgado, continua sob ameaça dos terroristas, mesmo com as forças locais activas e da recente patrulha das forças de Lesotho, estacionadas na região de Litembo, no distrito de Mueda.

Das suas fontes locais, o Ikweli sabe que os terroristas desencadearam, nos últimos dias, ataques esporádicos nas aldeias Mandava, Mandela, Litapate, Namacule e já na última segunda-feira, a aldeia Muambula, antiga sede distrital.

Nas suas incursões, os terroristas, mataram, roubaram e queimaram casas e bens da população e dos comerciantes locais, que estão na fase de restabelecimento depois de dias de fuga em resultado dos ataques anteriores.

A situação é descrita como preocupante, por residentes locais, que acreditam que os terroristas tenham estabelecido novas pequenas bases nas baixas da aldeia Mandela, embora o ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, tenha afirmado na segunda-feira, em Maputo, que não havia bases permanentes daquele grupo que desafia as forças desde 2017.

“Estamos assim mesmo, hoje a situação está calma, mas as pessoas estão de novo a fugir para aqui Matambalale, Miteda, Litembo e na vila de Mueda, com as suas crianças, e automaticamente alguns exames não foram feitos, os alunos e professores fugiram, quando começou o ataque de Muambula”, contou um residente da aldeia Matambalale.

Segundo um outro residente da mesma aldeia, nos últimos ataques, de domingo por exemplo, na aldeia Mandava, haviam sido mortas duas pessoas, na sexta-feira, uma pessoa voltou a ser vítima de decapitação na mesma aldeia pelo mesmo grupo, mas no domingo, havia morto duas pessoas em Litapate.

Frente Sul continua a progredir

 Além de Muidumbe, as incursões terroristas, chegaram a Balama, depois de Namuno, onde cerca de 16 mil pessoas estão deslocadas, segundo estimativas de algumas organizações não-governamentais que lidam com a crise humanitária em Cabo Delgado.

Na aldeia Marica, localidade Ntete, no distrito de Balama, por exemplo, dois produtores foram decapitados na manhã de segunda feira.

Refira-se que a movimentação dos terroristas teria forçado a tomada de medidas pela direcção da empresa que explora o grafite de Balama, que na sexta-feira passada tinha anunciado dispensa dos trabalhadores. Em comunicado, esta terça-feira, a empresa anunciou o retorno das operações.

Tanto em Namuno, como no distrito de Balama, as forças locais, denominadas “Namparama” e as FDS reclamam sucessos na perseguição dos terroristas, mortes e captura de alguns é o relato que tem sido exaltado nos últimos dias, mas a crise humanitária em Balama e Namuno está à vista.

Na sede do distrito de Balama, segundo o que se sabe, algumas famílias estão acolhidas nas instalações do futuro mercado distrital. (Redação)

Agricultura mantem crescimento robusto em Moçambique

  • Na campanha agrária 2021/2022 o sector cresceu em 7,4%

Pemba (IKWELI) – O Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, disse nesta segunda-feira (14) na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, que o sector agrário cresceu, na campanha agrária 2021/2022 em 7,4% o que representa um crescimento robusto que se mantem nos últimos anos.

Nyusi que lançou a campanha agrária 2022/2022, descreveu que “a campanha agrária 2021/2022 decorreu num ambiente de grandes expectativas dos moçambicanos face ao contexto adverso em que se vivia, marcado essencialmente por: incertezas nas políticas comerciais das principais economias e afectando as dinâmicas de produção, o comércio internacional e o crescimento económico ao nível global, resultante dos efeitos da pandemia da covid-19; guerra na Ucrânia, que levou a ruptura nas exportações agrícolas e continua a afectar negativamente os mercados globais de alimentos, fertilizantes e energia. Esta guerra alterou os padrões globais de comércio e produção e consumo de commodities, com impacto nos custos de produtos alimentares e na inflação; os actos de terrorismo que têm ocorrido aqui em certos distritos da província de Cabo Delgado, e que têm tentando, sem sucesso, paralisar totalmente a nossa capacidade produtiva”.

Ainda assim, os esforços empreendidos pelo ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, liderado por Celso Correia, segundo Nyusi, resultaram que “na campanha agrária que agora finda, a agricultura em Moçambique voltou a ter um desempenho robusto, tendo registado um crescimento de 7,4% do PIB Agrícola nacional, o qual contribui para um crescimento de cerca de 2% do Produtor Interno Bruto (PIB) do país”.

“Na campanha agrária 21/22 alcançamos um volume de produção de cerca de 18,3 milhões de toneladas, que marca um crescimento de 8,3% de produção, com destaque para os seguintes grupos de culturas: Nos cereais, a produção foi de 2,8 milhões de toneladas, contra as 2,2 milhões de toneladas da campanha anterior, o que representa um crescimento de 28%. Este crescimento foi impulsionado pelo crescimento do milho que atingiu 2,3 milhões de toneladas e do arroz que atingiu 245 mil toneladas; Nas leguminosas, a produção saiu de 527 mil para 565 mil toneladas, o que representa um crescimento de 7%, com destaque para o crescimento de feijões que foi de 9%; Nas oleaginosas, a produção foi de 306 mi toneladas contra as 269 mil toneladas da campanha anterior, o crescimento foi de 13%, e o gergelim atingiu 188 mil toneladas, tendo sido a cultura que mais cresceu (23% em relação a campanha anterior); A produção de hortícolas foi de 3,7 milhões toneladas, o que corresponde a um crescimento de 9% em relação a campanha anterior que foi de 3,4 milhões de toneladas; A produção de tubérculos foi de cerca de 6,9 milhões contra 6,7 milhões de toneladas da campanha anterior, o que corresponde a um crescimento de 3% e aqui o destaque vai para o crescimento da batata reno em 26%, que passou de 57 mil toneladas para 73 mil toneladas; Nas amêndoas, produzimos cerca de 150 mil toneladas contra as 124 mil toneladas da campanha anterior, o crescimento foi de 21%, impulsionado pelo crescimento da castanha de caju em 19% e da macadâmia em 97%; Nas frutas a produção foi de 594 toneladas, e o crescimento foi de 2%, tendo o subsector sido afectado negativamente pelo clima (ciclone Gombe, principalmente); O efectivo animal nacional cresceu em 3%, passando de 9,1 milhões contra as anteriores 8,8 milhões de animais, o destaque aqui vai para o gado bovino que registou um crescimento de 5%, passando de 2,2 milhões para 2,3 milhões de cabeças”.

O papel do SUSTENTA

Na sua locução, o PR frisou, por várias vezes, que o Programa SUSTENTA tem vindo a revolucionar o sector agrário no país, e que os resultados são visíveis e encorajadores.

“Este crescimento da agricultura foi, em grande medida, impulsionado pela agricultura familiar que através do Programa Nacional de Integração da Agricultura Familiar em Cadeias de Valor Produtivas, que contribui para o registo de 590.342 famílias integradas em programas de fomento, com destaque para o SUSTENTA (com cerca de 190 mil famílias), tabaco (cerca de 82 mil famílias), caju (164 mil famílias), algodão (148 mil famílias) e açúcar (1550 famílias)”, disse Nyusi, afirmando que “através do Programa SUSTENTA registamos ainda uma subida de número de pequenos agricultores que beneficiaram de assistência técnica de cerca de 870 mil pequenos produtores na campanha passada para 965 mil na campanha finda”.

Este programa governamental, também, priorizou a assistência técnica providenciada aos produtores, sobretudo os do sector famílias, passando so anteriores 1.810 para 3.817 agentes.

Ainda no âmbito do mesmo programa, segundo o PR, “houve o aumento da produção e de insumos agrícolas, tecnologia essencial para a transformação da agricultura”.

Em relação a produção de semente, registou-se um crescimento “em 18%, subindo de 10.196 toneladas para 12.061 toneladas. A nível nacional o uso da semente registou um crescimento de 23%, tendo sido usadas 11.969 toneladas, contra as 9.700 toneladas da campanha anterior”.

Segurança alimentar

Filipe Nyusi não deixou de fora o capítulo da segurança alimentar, e na sua elaboração disse que “o ano de 2022 ficará marcado pelo facto de Moçambique não ter o registo de bolsas de fome”, e que “Moçambique saiu da lista de países com alto risco de fome no mundo. O país passou a ser considerado estável por termos retirado cerca de 2,6 milhões de pessoas da insegurança alimentar, na sequência da boa colheita que foi registada na campanha agrária que agora finda”.

“O número de pessoas que passam fome no país caiu de 9,8 para 7,2 milhões”, assegura Nyusi que prossegue afirmando que “registamos ainda a redução do número de famílias em risco de insegurança aguda com necessidades de assistência alimentar, de cerca de 1,4 milhões para 1,2 milhões. Esta redução foi positivamente influenciada pela implementação do SUSTENTA Emergência na província de Cabo Delgado, com envolvimento de cerca de 120 mil famílias que incluíram deslocados e comunidades acolhedoras que tiveram acesso a insumos agrícolas”, tanto que “por conta dessa acção, o número de famílias em risco de situação de insegurança alimentar na província de Cabo Delgado reduziu cerca de 932 mil pessoas em 2021 para 382 mil pessoas em 2022”.

Ainda neste capítulo, o PR aponta como conquista do seu governo o facto de “a desnutrição crónica em Moçambique reduziu de 48% para 38%, consolidando a nossa visão de aposta na implantação de políticas integradas de desenvolvimento rural, de produção e acesso a alimentos, de água e saneamento e de educação”.

Campanha 2022/23

A campanha lançada nesta segunda-feira é caracterizada por boas perspectivas, por isso que o PR garantiu que a mesma “será dinamizada pelo aumento do número de produtores que praticam a agricultura familiar em 2,1%, aumento do uso da mecanização na agricultura familiar, investimento em novas áreas da agricultura comercial, incremento do número de famílias com acesso a insumos e meios de produção no âmbito do programa SUSTENTA, de 189.789 para 316.698 agregados”.

“Por conseguinte, para a presente campanha agrária, projectamos um aumento da área de produção de 5,85 milhões de hectares para 6,2 milhões de hectares”, asseverou o governante.

O PEDSA preconiza acelerar o crescimento do sector nos próximos 10 anos

Ainda na cidade de Pemba, foi lançado o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA 2030).

Foi nesta ocasião que Nyusi garantiu que o “PEDSA 2030 promoverá a transformação acelerada do nosso sector agrário, através do seu crescimento rápido, competitivo, inclusivo, e sustentável, assegurando um maior engajamento inclusivo do sector privado nacional e contribuindo para a melhoria da segurança alimentar e nutricional no país, para a criação de emprego, o fortalecimento da resiliência a desastres e a redução da pobreza”.

O PEDSA 2030 é constituído por 4 pilares, nomeadamente o Pilar da Produção, Produtividade e Competitividade Agrária, o Pilar da Gestão Sustentável dos Recursos Naturais, o Pilar do Agronegócio e o Pilar do Fortalecimento e Desenvolvimento Institucional.

Mocímboa da Praia

Para começar o evento do lançamento da campanha agrária 2022/2023, o PR trabalhou no distrito de Mocímboa da Praia, numa circunscrição recuperada pelas Forças de Defesa e Segurança, em virtude de ter sido destruída por terroristas.

E foi em Mocímboa da Praia onde Nyusi procedeu a entrega de 25 pacotes tecnológicos para igual número de famílias.

Esta actividade, segundo Celso Correia, deverá ser replicada em todo o país.

Na mesma ocasião, no âmbito do Programa SUSTENTA Emergência, foi feita a entrega, simbolicamente, de insumos a 200 produtores em representação de um universo de 25 mil famílias beneficiárias. (Aunício da Silva, em Pemba)

Pela primeira vez um Presidente da República visita Namicopo

Nampula (IKWELI) – O bairro de Namicopo, o mais populoso do país, recebeu no último sábado (12) uma visita de honra, com a recepção do estadista moçambicano Filipe Nyusi.

Namicopo é conhecido por diversas razões, sendo poucas delas de bom gabarito. É que aquele ponto do país tem a fama de albergar indivíduos de conduta duvidosa ao nível da cidade de Nampula, mas também por ter conseguido fazer eleger três dos seus filhos para a presidência do conselho autárquico local.

“Não viemos fazer inaugurações como temos estado a fazer sempre, porque para isso viremos.  Estávamos a trabalhar em Nacala, jovens ficaram lá meses e meses a se preparar para defender a pátria, então encerramos o curso das Forças Especiais do comando. Então como estava aqui perto eu disse deixa-me passar um pouco por Nampula, e perguntei o vosso governador e ele ficou a falar com o Secretário do Estado e disseram vamos levar para Namicopo”, começou por discursar Filipe Nyusi, para os aplausos e alaridos dos presentes.

“Vim aqui primeiro para saudar a população de Nampula e agradecer tudo que tem feito para que a nossa unidade nacional se mantenha nesta província, obrigado, Koshukuro”, precisou o estadista moçambicano.

21 Antigos terroristas arrependem-se

Na ocasião o Presidente da República fez a apresentação pública de 21 indivíduos que pertenciam as fileiras dos terroristas que protagonizam ataques e semeiam luto em Moçambique, sobretudo na nortenha província de Cabo Delgado, e que supostamente estão arrependidos e que alguns deles se entregaram às autoridades com vista a sua inserção na sociedade.

São jovens maioritariamente dos distritos Memba e Mogincual, sendo que alguns deles participaram, inclusive, nos processos iniciais da implantação dos insurgentes na província de Cabo Delgado.

Para aqueles jovens, Nyusi pediu para serem colaborativos com as autoridades governamentais e que não voltem a se juntar ao grupo que tira vidas aos moçambicanos e que atrasa o desenvolvimento económico do país.

“Aqui não há ninguém que não tem ligação com esses que estão no mato. Esses nomes que estão a dizer de cheia são nomes reais, alguns não existem porque ficaram fora do combate durante as operações lá”, transpareceu Filipe Nyusi.

“Então mais uma vez a vocês vos peço, se pensam que são espertos, vieram para aqui para nos enganar para depois continuar a comunicar com eles e mandar dinheiro, ninguém perdoa duas vezes a quem mata pessoas”, alertou Nyusi, acrescentando que “é bom sermos sérios, nós não vamos fazer nada, ninguém vai vos tocar, fiquem nas vossas casas, colaborem, digam vocês que recebem telefonema de Ibin, digam, vocês sabem como falam e ele está a ouvir agora porque ele escuta muito quando a gente fala. Velhas e velhos, crianças, mulheres e jovens a dormirem no mato, agora vem a chuva, não têm casa, vão ficar em baixo das pedras, então queremos que vocês se comportem bem, fizeram bem voltar, mas comportem-se bem”, reiterou o PR.

À população, Filipe Nyusi voltou a pedir o espírito de perdão e tolerância para com os arrependidos. “Mas por outro lado há aqueles que conseguem ser convencidos para irem se juntar com aqueles que estão a matar nossos irmãos. Estão a queimar casas, estão a destruir tractores, estão a assaltar bancos, fazem tudo, quando chegam fazem confusão, mas nós as Forças de Defesa de Moçambique e os países que nos ajudam trabalhamos muito, conseguimos recuperar Mocímboa da Praia que eles tinham ficado e destruíram, conseguimos não permitir que eles ficassem em Palma, em Nangade, em Quissanga, em Macomia, tentaram Muidumbe duas vezes, então agora todos eles abandonaram porque foram corridos”, refere Nyusi.

“Esses alguns foram chamados, carregados, foram enganados. Então temos que ser tolerantes, temos que saber perdoar. Há uns que interpretam mal quando o Presidente diz, vamos lá perdoar começam a dizer esse está a violar a lei, qual lei que se viola quando você diz que não faz mal a outro irmão. E onde é que foram julgadas essas pessoas para você dizer que são criminosos e anda convencido. Uns estão a sair sozinhos, chamam e vão a polícia, e dizem nós fomos enganados e conheço o meu irmão que também foi enganado queremos ficar em paz, mas nossas casas. Estamos a mobilizar desde que demos o primeiro sinal em Mocímboa da Praia, agora estão todos os dias a se apresentar. Por isso quero pedir, aqueles que estão a voltar e que não querem estar ainda na guerra com os terroristas, esses têm que voltar e têm que ficar connosco. Ouviram? Vamos perdoar? Vamos perdoar? Ou vamos deixar lá no mato para ainda se organizarem para virem nos matar?”, questionou Nyusi aos populares que responderam positivamente para o perdão”. (Constantino Henriques)

Agiotas poderão ter dias “amargos” em Nampula

Nampula (IKWELI) – A prática de agiotagem, um tipo legal de crime previsto e punível na lei, está a preocupar as entidades estatais na província de Nampula, pelo facto de esta actividade ser considerada como um forte veículo para o financiamento do terrorismo que continua a fustigar em Moçambique, com principal incidência na nortenha província de Cabo Delgado.

A agiotagem é uma prática que consiste no empréstimo de valores monetários, feito por um agiota, com aplicação de juros exorbitantes durante um período pré-estabelecido. Trata-se de uma prática que a província de Nampula não é excepção, onde alguns agiotas chegam a cobrar uma taxa de juro de 50% num período de 30 dias, o que equivale dizer que, um capital de 1000,00 Mt (mil meticais) pode gerar um montante de 1.500,00 Mt (mil e quinhentos meticais).

Para além da agiotagem representar uma desconfiança de que os praticantes possam a ser um dos financiadores do terrorismo, bem como contribuírem na onda de rapto a escala nacional, a mesma é vista como principal razão da fraca adesão dos cidadãos ao crédito bancário.

Devido a esse fenómeno descrito como novo na província de Nampula, foi promovido nesta quinta-feira (10) um encontro multissetorial envolvendo o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), Gabinete Provincial de Combate a Corrupção de Nampula, Autoridade Tributária e o Banco de Moçambique, para se encontrar estratégias para desencorajar tal prática.

“É um encontro de reflexão sobre as estratégias de abordagens que podem ser desencadeadas contra o crime de agiotagem, sobretudo, mas também o crime de branqueamento de capitais e o ilícito criminal de circulação não autorizada de moeda, portanto o nosso encontro foi a volta desses assuntos”, começou por contextualizar José Wilson, porta – voz do Gabinete provincial de Combate a Corrupção em Nampula.

“Não só a agiotagem e o crime de branqueamento de capitais, esses crimes preocupam-nos por causa da situação que Moçambique está a viver neste momento. Como sabem, estamos numa situação de terrorismo no norte de Moçambique, mas não só, temos a questão de rapto. Então, esses crimes podem ser usados para financiar esse tipo de ilicitudes, por isso queremos ter a certeza que na nossa província não há, portanto, pessoas que podem fazer o uso dessas acções para financiar o crime organizado e crime transnacional”, disse José Wilson.

A fonte não avançou com casos relacionados com a prática do crime de agiotagem ao nível da província de Nampula, mas disse acreditar na existência de muitas pessoas que enveredam por aquela prática. “O crime de agiotagem é um crime novo, estamos a estabelecer a estratégia de abordagem agora, mas a informação que temos é que existem muitos agiotas ao longo da província, portanto, ao nível dos bairros, ao nível das instituições públicas, ao nível dos mercados. Então, o trabalho agora é de identificação dos actores, dos focos para depois desencadear-se os procedimentos criminais porque, como sabem, essa actividade deve ser feita por entidades autorizadas, nesse caso instituições de crédito, não é qualquer pessoa entendeu, embora tenha muito dinheiro em sua posse, que possa desenvolver esta actividade”, referiu Wilson, apelando aos agiotas a abandonarem essa prática. (Constantino Henriques)

Governo de Nampula diz que ninguém será responsabilizado no caso de desabamento de salas de aula em Muatala

Nampula (IKWELI) – A porta-voz da Direcção Provincial de Educação (DPE) de Nampula, Caetana Cunhete, diz que o governo não vai responsabilizar a ninguém no incidente de desabamento de 3 salas de aulas na Escola Primária e Completa (EPC) de Muatala ocorrido na última segunda-feira.

Esta ocorrência fez perto de duas dezenas de feridos, dentre graves e ligeiros, sendo as vítimas alunos menores de idade e professores.

A justificação de Cunhete é de que a infra-estrutura que desabou já tinha sido afectado por um evento climático extremo, neste caso o ciclone tropical Gombe, ainda que as salas estivessem a albergas turmas de alunos.

“Nós acompanhamos o incidente da Escola Primária de Muatala, logo nos dirigimos a escola junto com os serviços distritais de Educação para podermos melhor percebemos o que se passou, como é que aconteceu e em que circunstâncias aconteceu. Primeiro dizer que este número de 28 alunos feridos não corresponde à verdade, nas informações que tivemos no terreno são 13 crianças, dois professores e um funcionário administrativo da secretaria da própria escola, e foi essa informação que nós recolhemos”, disse a fonte.

Cunhete anota que “é de lamentar o sucedido. Foi um acontecimento inesperado, aconteceu no momento em que estavam numa concentração e não estavam por dentro das salas”.

O outro comentário da porta-voz da DPE de Nampula é de que houve demora na requalificação das salas de aula devido a falta de parceiras no momento em que a escola foi afectada pelo ciclone. (Hermínio Raja)

Salas de aula desabam e ferem perto de 30 crianças na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 28 alunos, incluindo professores, da Escola Primária e Completa (EPC) de Muatala, nos arredores da cidade de Nampula, contraíram ferimentos, dentre graves e feridos, em consequência do desabamento de parede de 3 salas de aula de construção precária ocorrido na manhã da última segunda-feira (7).

A tragedia ocorreu nesta terça-feira (8), quando as vítimas estavam a ter aulas, tendo cerca de 6 sido socorridos para o Hospital Central de Nampula (HCN).

Este cenário deixou pais e encarregados de educação agastados, chegando a acusar a direcção da escola e o governo de pouco fazer para garantir a segurança nas escolas, bem como manter um ambiente de higiene e saneamento do meio de qualidade.

“É deveras preocupante”, comenta Nelson de Carvalho, pai e encarregado de educação, avançando que “a escola foi destruída pelo ciclone Gombe, mas mesmo assim, o mesmo local era usado para que nossos filhos frequentassem as aulas e o resultado é esse”.

Carvalho chama a atenção para que se melhore as condições das infra-estruturas, e respira de alívio por não ter havido vítimas mortais, e questiona: “onde está o dinheiro que foi programado para a construção destas salas de aulas? Será que esperavam ferirem os nossos filhos para começarem com as obras?”.

Na mesma preocupação está a senhora Celestina Razaque, que tem filhos no mesmo estabelecimento de ensino público. “As rachadoras daquelas paredes não foram de 2 meses, já faz tempo que aquele muro mostrava sinais de perigo”, comenta a fonte.

José Tomás, outro encarregado de Educação, diz que, aquele fenómeno mostra que a segurança daquela escola é muito escassa e o governo deve destruir todas as salas de aula e construir novamente com materiais apropriados para o efeito, isto para evitar que haja futuros problemas do género.

Por seu turno, Manuel Rodrigues, Governador da província de Nampula, entende que que a construção de infra-estruturas governamentais sem qualidade é um desafio a nível nacional.

Na circunstância do incidente de Mutala, Rodrigues lamenta, prometendo que irá conversar com os gestores escolares para trazer o real motivo do desabamento daquelas salas de aula.

“Nós recomendamos a todas entidades, tanto do governo assim como os nossos parceiros, que nos apoiam na necessidade de sempre construirmos infra-estruturas resilientes, infra-estrutura que possam resistir a qualquer tipo de desafio natural ou a natureza da qualidade da própria infra-estrutura”, disse Manuel Rodrigues, Governador de Nampula

“É um desafio muito grande e foi pena que tendo registado numa instituição de ensino em que as crianças lá estavam, e nós vamos continuar a realizar acções com vista a melhoramos cada vez mais o tipo de infra-estruturas que estamos a construir, porque realmente a infra-estrutura não pode perigar a vida das nossas crianças, e de facto assumir de todos este desafio do governo e nós vamos continuar a monitorar”, concluiu Rodrigues. (Hermínio Raja)