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Pela primeira vez um Presidente da República visita Namicopo

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Nampula (IKWELI) – O bairro de Namicopo, o mais populoso do país, recebeu no último sábado (12) uma visita de honra, com a recepção do estadista moçambicano Filipe Nyusi.

Namicopo é conhecido por diversas razões, sendo poucas delas de bom gabarito. É que aquele ponto do país tem a fama de albergar indivíduos de conduta duvidosa ao nível da cidade de Nampula, mas também por ter conseguido fazer eleger três dos seus filhos para a presidência do conselho autárquico local.

“Não viemos fazer inaugurações como temos estado a fazer sempre, porque para isso viremos.  Estávamos a trabalhar em Nacala, jovens ficaram lá meses e meses a se preparar para defender a pátria, então encerramos o curso das Forças Especiais do comando. Então como estava aqui perto eu disse deixa-me passar um pouco por Nampula, e perguntei o vosso governador e ele ficou a falar com o Secretário do Estado e disseram vamos levar para Namicopo”, começou por discursar Filipe Nyusi, para os aplausos e alaridos dos presentes.

“Vim aqui primeiro para saudar a população de Nampula e agradecer tudo que tem feito para que a nossa unidade nacional se mantenha nesta província, obrigado, Koshukuro”, precisou o estadista moçambicano.

21 Antigos terroristas arrependem-se

Na ocasião o Presidente da República fez a apresentação pública de 21 indivíduos que pertenciam as fileiras dos terroristas que protagonizam ataques e semeiam luto em Moçambique, sobretudo na nortenha província de Cabo Delgado, e que supostamente estão arrependidos e que alguns deles se entregaram às autoridades com vista a sua inserção na sociedade.

São jovens maioritariamente dos distritos Memba e Mogincual, sendo que alguns deles participaram, inclusive, nos processos iniciais da implantação dos insurgentes na província de Cabo Delgado.

Para aqueles jovens, Nyusi pediu para serem colaborativos com as autoridades governamentais e que não voltem a se juntar ao grupo que tira vidas aos moçambicanos e que atrasa o desenvolvimento económico do país.

“Aqui não há ninguém que não tem ligação com esses que estão no mato. Esses nomes que estão a dizer de cheia são nomes reais, alguns não existem porque ficaram fora do combate durante as operações lá”, transpareceu Filipe Nyusi.

“Então mais uma vez a vocês vos peço, se pensam que são espertos, vieram para aqui para nos enganar para depois continuar a comunicar com eles e mandar dinheiro, ninguém perdoa duas vezes a quem mata pessoas”, alertou Nyusi, acrescentando que “é bom sermos sérios, nós não vamos fazer nada, ninguém vai vos tocar, fiquem nas vossas casas, colaborem, digam vocês que recebem telefonema de Ibin, digam, vocês sabem como falam e ele está a ouvir agora porque ele escuta muito quando a gente fala. Velhas e velhos, crianças, mulheres e jovens a dormirem no mato, agora vem a chuva, não têm casa, vão ficar em baixo das pedras, então queremos que vocês se comportem bem, fizeram bem voltar, mas comportem-se bem”, reiterou o PR.

À população, Filipe Nyusi voltou a pedir o espírito de perdão e tolerância para com os arrependidos. “Mas por outro lado há aqueles que conseguem ser convencidos para irem se juntar com aqueles que estão a matar nossos irmãos. Estão a queimar casas, estão a destruir tractores, estão a assaltar bancos, fazem tudo, quando chegam fazem confusão, mas nós as Forças de Defesa de Moçambique e os países que nos ajudam trabalhamos muito, conseguimos recuperar Mocímboa da Praia que eles tinham ficado e destruíram, conseguimos não permitir que eles ficassem em Palma, em Nangade, em Quissanga, em Macomia, tentaram Muidumbe duas vezes, então agora todos eles abandonaram porque foram corridos”, refere Nyusi.

“Esses alguns foram chamados, carregados, foram enganados. Então temos que ser tolerantes, temos que saber perdoar. Há uns que interpretam mal quando o Presidente diz, vamos lá perdoar começam a dizer esse está a violar a lei, qual lei que se viola quando você diz que não faz mal a outro irmão. E onde é que foram julgadas essas pessoas para você dizer que são criminosos e anda convencido. Uns estão a sair sozinhos, chamam e vão a polícia, e dizem nós fomos enganados e conheço o meu irmão que também foi enganado queremos ficar em paz, mas nossas casas. Estamos a mobilizar desde que demos o primeiro sinal em Mocímboa da Praia, agora estão todos os dias a se apresentar. Por isso quero pedir, aqueles que estão a voltar e que não querem estar ainda na guerra com os terroristas, esses têm que voltar e têm que ficar connosco. Ouviram? Vamos perdoar? Vamos perdoar? Ou vamos deixar lá no mato para ainda se organizarem para virem nos matar?”, questionou Nyusi aos populares que responderam positivamente para o perdão”. (Constantino Henriques)