Início Site Página 494

Governador de Nampula apela vigilância aos residentes de Quiricuidje no combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo

Nampula (IKWELI) – O governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, pediu vigilância aos residentes da comunidade de Quiricuidje, no distrito de Angoche, para aquela zona costeira não seja zona não seja usada por traficantes de droga e terroristas.

“Precisamos ser vigilantes para que os barcos não tragam malandros”, disse Rodrigues, em comício popular realizado no início da tarde desta terça-feira (29 de Novembro), recordando que “não queremos guerra, não queremos terroristas em Quiricuidje”.

O governante reconheceu que “Angoche é apontado como o ponto de passagem de muitos criminosos, incluindo traficantes. Não queremos que está costa seja usada pra o tráfico de drogas. Não queremos que essa costa sirva para passagem de jovem que estão a semear terror lá em Cabo Delgado”. (Aunício da Silva)

Quiricuidje conta com uma nova escola

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Manuel Rodrigues, inaugurou nesta terça-feira (29 de Novembro) no distrito de Angoche uma escola primária na comunidade de Quiricuidje, que para além dos residentes locais, também, vai beneficiar crianças das comunidades vizinhas de Mualuli, Malacassa e Nagonha.

A infra-estrutura conta com 2 blocos, sendo constituída por 5 salas de aulas e um compartimento administrativo, e foi construído no âmbito das acções de responsabilidade social da mineradora Haiyu Mozambique Mining.

Intervindo na ocasião, o régulo de Murrua, Lopes Cocotela Vasco, disse em mensagem da população, que a referida escola “é fruto de muito esforço na ideia de alcançar um desenvolvimento sustentável da comunidade”.

Esta fonte que o local onde foi erguida a escola é por ser “um lugar que sempre acolheu discussões sobre o nosso desenvolvimento”, e para os presentes disse que “esperamos vossa dedicação, transparência e exigência para que o desenvolvimento das nossas comunidades seja inclusivo, célere e transparente”, entendendo que “este evento está atrasado há dois anos”, e que se deve ter “respeito humano por parte dos investidores”.

Em representação da Haiyu Mozambique Mining, Amílcar Marremula, disse ser “com alegria que temos este momento, porque sempre se almejou essa escola para os nossos meninos dessas 4 comunidades”.

Por seu turno, Manuel Rodrigues anotou que “as mensagens indicam que reconhecemos a existência e bênção dos nossos antepassados em todas as actividades que nós realizamos”, referindo aos cânticos e cerimónias tradicionais que antecederam a inauguração.

“É uma escola que vem marcar uma etapa de desenvolvimento aqui na nossa região.

Essa entrega indica o cumprimento da promessa que o nosso governo faz no âmbito da implementação do Programa Quinquenal do Governo”, disse Rodrigues, explicando a população que “há condições para as crianças aprenderem em melhores condições”, por isso deve ser preservar o património.

“Usar bem é nossas crianças virem aqui estudar. Usar bem é ajudar na conservação da escola e do mobiliário”, esclareceu Manuel Rodrigues, que recordou que “é obrigação das empresas que exploram os nossos recursos apoiar o desenvolvimento das nossas comunidades”.

O primeiro governador eleito de Nampula comentou ainda que os recursos devem beneficiar a todos, porque “foram deixados aqui pra o nosso benefício, por isso a sua exploração deve trazer benefícios para as nossas comunidades”.

E porque a cerimónia ocorreu no período de realização de exames escolares, Manuel Rodrigues apelou aos alunos para que não cometam fraude. “Nada de fraudes, nada de atrasos. Exibam aquilo que aprenderam”, concluiu a fonte. (Aunício Silva)

“Caracata” mata duas pessoas da mesma família em Murrupula

Nampula (IKWELI) – Pelo menos duas pessoas, da mesma família, perderam a vida e outras quatro estão em estado de saúde ligeiro depois de ingerir, na noite desta segunda-feira (28/11), chima de farinha de mandioca seca, vulgarmente conhecida por caracata, no posto administrativo de Cazuzu, distrito de Murrupula, na província de Nampula.

O incidente deu-se na zona residencial próximo a escola primária de Mulio, nos arredores do posto administrativo em alusão, quando um casal serviu a comida por si preparada à família vítima, na refeição do jantar. Este acto, segundo tomamos nota, era recorrente naquelas duas famílias, por sinal genro e sogro, mas que não existia boa convivência entre as partes, pois o genro sempre reclamou de estar supostamente a alimentar o seu sogro e cunhados, ao que prometera resolver de sua maneira.

Tomada a refeição naquela noite, as nossas fontes contam que a família foi a cama dormir, mas que as 00horas do dia 29 de Novembro corrente, todos os que haviam tomado a refeição começaram a queixar-se de dores no estômago, facto que agravou até serem socorridos ao centro de saúde de Cazuzu, onde vieram a perder a vida duas menores de sexo feminino e em idade escolar, pese embora das tentativas de socorro efectuadas pelos técnicos afectos aquele centro de saúde.

“Foi pelas 00horas de ontem que seis pacientes, por sinal membros da mesma família, acompanhados pelos vizinhos deram entrada no centro de saúde queixando-se de dores de barriga, mau estar e tiravam espuma pela boca. Chegados lá, o enfermeiro atendeu e depois de dar o suporte, duas menores acabaram perdendo a vida porque era tarde a altura em que chegaram”, informou Regina Lino, directora do Centro de Saúde de Cazuzu, quando contacto pela nossa equipa de reportagem.

A fonte confirmou-nos ainda que depois de os dois pacientes perderem a vida, os restantes já pela manhã, apresentavam situação de saúde grave, razão pela qual foi solicitado uma ambulância que os transferiu para o Hospital Central de Nampula (HCN), para receber cuidados intensivos.

Portanto, a directora Regina Lino que nos confirmou o sucedido deixa claro que não restam dúvidas de que se tratou de um envenenamento, pois as características dos pacientes indicavam isso, aliás, o cheiro que traziam era característico de uma substância. Ademais, depois do sucedido, a directora adiantou que o casal que preparou e serviu a refeição foi de imediato recolhido ao comando distrital da Polícia da República de Moçambique (P.R.M) de Murrupula, para efeitos de investigação em torno do assunto.

Para mais informações contactamos telefonicamente o Hospital Central de Nampula, através do Departamento de Comunicação e Imagem, que confirma a entrada de quatro pacientes por intoxicação alimentar, os quais ficaram internados para receber os tratamentos, enquanto uma criança recebeu alta por não ostentar riscos de perda de vida. Neste sentido, o casal e uma criança permanecem naquele maior hospital da região, sendo que estão fora do risco.

Já a P.R.M, através do Departamento de Relações Pública do comando provincial de Nampula, deu a entender que tomou conhecimento do sucedido, mas que carecia de mais informação para avançar com detalhes. Assim sendo, o respectivo chefe do departamento, Dércio Samuel, prometeu trazer mais detalhes depois de interagir com o comando distrital de Murrupula. (Esmeraldo Boquisse)

Nabota vai a julgamento no dia 6 de Dezembro

Nampula (IKWELI) – A 5ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Nampula marcou para o dia 6 do corrente mês de Dezembro, o julgamento do processo nº 143/0301/P/GPCCN/2022, movido pelo Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula (GPCCN), relacionado com a detenção em flagrante delito na via pública.

Segundo uma nota do GPCCN enviado ao Ikweli, “é arguido no processo, Júlio Rafael Mutepeia (vulgo NABOTA), ainda em prisão preventiva”, e que o “mesmo é indiciado pela prática de tipos legais de crimes de corrupção passiva para acto ilícito e abuso de cargo ou função”.

A acção levada acabo pelo arguido, lesou o Estado moçambicano em 2.000,00MTS (dois mil meticais). (Redação)

Zeton Mário, um exemplo de luta incansável na promoção da comunidade LGBT+ em Nampula

Nampula (IKWELI) – A semelhança de muitos que se assumem a sua orientação sexual, Zeton Mário, de 22 anos, residentes no bairro de Namutequeliua, nos arredores da cidade de Nampula, teve que enfrentar a sociedade homofóbica até vencer estigmas e discriminação.

Tendo sido expulso de casa pelo seu próprio pai que, na altura, não entendia a sua orientação sexual, teve que enfrentar as regras escolares discriminatórias às pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais).

Em entrevista ao Ikweli, Zeton contou que quando descobriu que era “diferente” dos outros meninos aos 12 anos de idade, foi constantemente vítima de agressão física e psicológica pelo facto de apresentar um comportamento feminino diante dos meninos, e quem também não soube lidar com a sua orientação sexual foram os seus pais que na altura decidiram expulsar-lhe de casa.

“Quando o meu pai me expulsou de casa por causa da minha orientação sexual, fui acolhida por minhas amigas iguais a mim, depois decidi ir viver em Quelimane em casa da minha irmã onde, também, não foi fácil me aceitarem”, conta a nossa fonte.

Para Zeton, por falta de informação sobre as questões relacionadas à orientação sexual por parte da família, teve que viver por algum tempo isolada, não havia na sua família quem o aceitasse como é, mas a força de vontade de lutar contra os preconceitos e para o respeito da sua sexualidade fizeram com que ele agora comece a partilhar as suas vitórias dentro da sua família, na escola, apesar de ainda persistirem desafios que lhe colocam ainda limitações para a sua melhor convivência social.

“A minha aceitação não foi fácil, mais tarde depois começaram a habituar-se da maneira que eu sou diferente dos outros homens e agora me assumem como uma mulher normal como as outras. Agora sou amiga da minha mãe e pai porque já me aceitam da maneira que sou e como me comporto e isso é mais importante”.

Inserção na escola

Zeton Mário é estudante da 12ª classe, no turno da noite, na escola secundária de Nampaco, nos arredores da cidade de Nampula. Ela conta que quando começou a estudar naquela instituição  de ensino público não era aceite pelos professores entrar na sala de aula usando vestidos  e calças apertadas, por este motivo perdia as aulas. Para que continuasse a estudar, os professores diziam que devia pedir autorização ao pedagógico, mas que apesar de ter feito o pedido este, também, não aceitou nem se quer ouvi-lo.

Por outro lado, lembrou que no mês de Setembro do ano em curso foi vítima de agressão física, praticado por dois desconhchecidos, quando regrassava da escola.

Para poder continuar com os estudos, Zeton teve de recorrer a ajuda externa. Neste caso, a Lambda foi a entidade que teve de intervir. “A LAMBDA fez seguimento do caso que se passava na escola e depois fui aceite e até agora as pessoas já me aceitam”.

É sonho de Zeton ser agente da Polícia da República de Moçambique, porque pretende “fazer entender estes agentes a não praticar agressão física contra nós que somos deste grupo. Nós sofremos muito quando vamos num posto policial meter queixa de qualquer tipo de violência sexual, porque alguns policiais não entendem a nossa situação e não dão o seguimento. Na maioria das vezes até acham que nós somos pessoas que fingem ser mulher, por isso sofremos agressão”.

Zeton é activista no âmbito de um projecto que está a ser desenvolvido pela organização de defesa de direitos humanos das pessoas LGBT+, Lambda, onde tem ajuda as pessoas LGBT a partilharem as suas histórias de autoaceitação e aceitação na sociedade, seus sonhos e desafios.

Através deste projecto, tal como conta Zeton, já surge um novo sonho, tornar-se jornalista para ouvir e escrever a história das suas amigas.

Para além disso, Zeton trabalha com Beleza onde presta serviços de maquiagens, costura de perucas, tranças entre outros o que lhe ajuda a ter algum rendimento e não só, “isso sei fazer porque gosto de ficar linda e deixar as pessoas lindas também e ganho dinheiro por essa atividade que realizo na minha zona”.

Segundo Zeton, o gosto de cuidar da beleza dos outros contribuiu significativamente para que fosse aceite no bairro pelas pessoas que hoje são suas clientes. (Nelsa Momade)

Mexicana, um exemplo de superação dos preconceitos de uma sociedade homofóbica

Nampula (IKWELI) – Faque Sadique, ou simplesmente mexicana como carinhosamente gosta de ser tratada na praça, já canta vitória pelo facto de ter conseguido quebrar todas as barreiras discriminatórias que durante vários anos travou devido a sua orientação sexual, por isso agora considera-se a menina mais feliz da sociedade.

Mexicana assume publicamente e sem qualquer preconceito de ser uma mulher transsexual. De 21 anos de idade, ela nasceu e vive no mítico bairro de Namutequeliua, na cidade de Nampula, juntamente com a sua mãe e irmãos.

Em conversa exclusiva com o Ikweli, a jovem fez transparecer que nos dias que correm já convive com toda sociedade normalmente, contrariamente aos anos passados em que sentia o seu mundo separado com o resto da comunidade.

Ela conta que, apesar de se identificar com a sua orientação sexual, se sentia mal devido ao comportamento discriminatório na própria sociedade em que está inserida, mas com o passar dos tempos, foi adquirindo informações e conhecendo os seus direitos, graças a associação Lambda, uma agremiação que advoga pelo reconhecimento dos Direitos Humanos das pessoas LGBT, o que lhe ajudou a superar as adversidades.

“No princípio não foi fácil estar a conviver com a população sobre a minha orientação sexual, mas actualmente está sendo melhor porque no bairro em que vivo as pessoas já me acostumaram. No princípio não era fácil conviver com aquela população, porque eles não tinham informação sobre a homossexualidade, então foi muito difícil”, referiu Mexicana.

Para a nossa fonte, a interação permanente com a própria sociedade contribui significativamente na sua vitória. “Sim, eu tenho interagido com a população constantemente, e isso me ajudou muito porque se existiam pessoas que falavam algo contra é porque não tinham conhecimento, então eu tinha que arranjar formas de sentar com a pessoa e tentar lhe explicar o que eu sou. Então, com isso me ajudou muito, mas tem pessoas que não querem saber mesmo tendo essa informação sobre a homossexualidade, só que não querem assumir mesmo”, comentou.

“A minha família, no princípio, também, me rejeitou, mas agora já me assume. Tem outras pessoas da família que não querem saber de mim a semelhança de outras populações. Epah! Como a minha mãe e meus irmãos já me assumiram, o resto para mim não importa”, precisou a jovem Mexicana.

Abandonei a formação devido ao preconceito da minha directora

Agora com as barreiras quase vencidas, Mexicana se sente arrependida de ter interrompido o curso técnico de saúde num dos estabelecimentos de ensino na cidade de Nampula, devido a postura discriminatória da directora adjunta pedagógica da referida instituição.

“Já fiz a 12ª classe e tive uma formação em saúde, mas não consegui alcançar o meu objectivo por preconceito da Directora Adjunta Pedagógico, por isso deixei aquela formação, não terminei. A pedagógica era preconceituosa, me discriminava muito, então como na altura me sentia muito mal preferi mesmo sentar, isso foi em 2019”, prosseguiu a nossa entrevistada, para quem “no primeiro semestre as coisas iam bem, talvez ela não tinha prestado atenção em mim porque ela me via só de uniforme. Acho que ela não tinha prestado atenção em mim, mas quando descobriu que eu era mulher trans ela sempre fazia a questão de ficar na porta porque queria ver como é que eu iria me apresentar, se iria me apresentar de calças apertadas, de uma blusa de mulher, dali decidi desistir”, disse lamentando.

Entretanto, o desejo da nossa entrevistada é de continuar a fazer o curso que interrompeu, mas num outro estabelecimento de ensino. “Na altura eu não tinha boa informação mesmo sobre a homossexualidade, mas agora já tenho, se fosse que era agora eu iria enfrentar a situação. Aquela informação chave sobre a orientação eu não tinha, agora já tenho. Por isso, já penso em voltar a estudar, sim, mas não lá. Deve ser noutros institutos, mas antes de eu me matricular primeiro tenho que falar com a directora e informar que eu sou transgénero, se eu me apresentar desta e de outra forma, já sabe!”, anotou a nossa interlocutora.

Por outro lado, Mexicana disse não ter dúvidas da existência de muitas pessoas LGBT+ que continuam sendo descriminadas. “Sim, são muitas pessoas que estão sendo discriminadas, mas eu vejo que isso é falta de percepção nas pessoas. Então, é necessário que a pessoa que se sente discriminada explique essa sociedade, porque se você deixa a comunidade lhe descriminar, se você não dar basta naquilo, a comunidade nunca vai parar. Por isso, o mais essencial é você chegar até aquela pessoa que discrimina para fazer entender a situação”, aconselhou a nossa fonte. (Constantino Henriques)

Adeptos do Desportivo de Nacala destroem viatura da PRM por ficaram insatisfeitos com a prestação da equipa

Nampula (IKWELI) – O Desportivo de Nacala está, matematicamente, sem possibilidades de regressar ao campeonato Nacional da primeira divisão, o Moçambola do próximo ano, depois do empate registado no passado domingo diante de Baía de Pemba, em jogo da 5ª jornada da poule regional norte de apuramento.

Numa partida disputada no campo da Bela Vista, na cidade de Nacala, o Desportivo local recebeu e empatou frente ao Baía de Pemba por 1-1, um resultado que lhe corta o sonho de regressar ao futebol de alta competição, pois, matematicamente, o representante da zona económica especial, independentemente do resultado que vier a registar na última jornada não atingirá os pontos do próprio Baía de Pemba ou os do Sporting de Nampula.

No jogo passado, o Desportivo de Nacala teve tudo para vencer a partida, uma vez que jogava em casa perante o seu público que acorreu massivamente ao recinto do confronto. Igualmente, o Desportivo entrou bem dentro das quatro linhas sendo que foi o primeiro conjunto a adiantar-se no marcador, com golo de Beto, isso na primeira parte.

Na segunda parte, viu-se um Baía de Pemba mais interessado a ganhar o jogo em relação aos anfitriões. Foi daí que numa jogada do laboratório, o Baía empatou a partida, com um golaço de Hélio, relançando, assim a esperança de Cabo Delgado voltar a ser mencionado na mais importante prova futebolística de Moçambique.

“Foi um jogo de sofrimento, por isso parabenizar o grupo porque conseguiu cumprir com a táctica, então, vamos tentar fazer de tudo lá em casa para ver se a gente vence o jogo e assim festejarmos”, disse Minate Chabane, treinador do Baía de Pemba, após o empate a uma bola.

“Não é aquilo que nós esperávamos, pelo investimento e aquilo que era esperança que nós tínhamos desde o primeiro dia até hoje. Neste jogo estávamos preparados para conseguirmos os três pontos e chegarmos um pouco mais alto, mas aquilo que aconteceu já não tenho o que dizer”, referiu Amisse André (Zélio), treinador do Desportivo de Nacala.

Com o empate do passado domingo, o Desportivo de Nacala passa a contar com 7 pontos na tabela classificativa da competição, contra 10 pontos do Baía de Pemba e 9 do Sporting de Nampula (que perdeu por 4-2 diante da Associação Desportiva de Pemba). Na última jornada, a disputar-se no próximo fim-de-semana, o Desportivo de Nacala recebe a Associação Desportiva de Pemba, e o Baía de Pemba defronta, no seu reduto, o Sporting de Nampula, sendo que qualquer resultado que se registar em Pemba não favorecerá o Desportivo a regressar no Moçambola do próximo ano.

Foi por essa razão que, no final do jogo no campo da Bela Vista, os adeptos não se conformaram com o resultado da partida de tal ponto que queriam fazer a justiça com as próprias mãos contra os treinadores, jogadores, incluindo o corpo directivo da agremiação, porque no entender da massa associativa, foram os responsáveis pelo adiamento do regresso do clube ao Moçambola em 2023.

Entretanto, para tentar dispersar a multidão os membros da Unidade de Intervenção Rápida escalados para garantir a ordem naquela partida viram-se obrigados a disparar balas de gás lacrimogéneo. Na sequência, mesmo estando de fora do recinto desportivo, o público avançou com a contraofensiva, com arremesso de objectos contundentes para dentro do campo e parte desses projéteis destruiu o vidro traseiro da polícia da República de Moçambique (PRM). (Constantino Henriques)

Ataque mortal atribuído aos terroristas paralisa circulação no troço Macomia-Awasse

Pemba (IKWELI) – A circulação de viaturas, pessoas e bens, no troço Macomia-Awasse, está interrompida desde 15 horas deste domingo (20), por conta de um ataque atribuído à terroristas, na aldeia Xitaxi, Posto Administrativo de Chitunda, distrito de Muidumbe, extremo norte de Cabo.

Ao Ikweli, fontes deram a conhecer que a viatura atacada, um camião de transporte de mercadorias, fazia o trajecto vila de Mueda à cidade de Pemba, mas quando chegou em Xitaxi, homens armados começaram a disparar contra a mesma, e um dos dois ocupantes, foi morto enquanto que outro escapou tendo fugido até ao posto da UIR (Unidade de Intervenção Rápida) na aldeia de Miangalewa e deste local, ajudado até à vila de Macomia.

Devido a esta situação, que de imediato foi comunicada às autoridades na sede do distrito de Macomia, a circulação de viaturas foi interrompida, sendo que muitos viajantes à região norte tiveram que pernoitar na estação de viaturas no bairro Nanga, arredores da vila.

Ao final do dia (domingo), havia indicação de que ainda não tinha sido destacada uma equipa das FDS para o local do ataque, ao mesmo tempo que se acredita que o ataque de Xitaxi tenha sido feito pelo mesmo grupo de terroristas que nos últimos dias ataca as aldeias do interior do distrito de Muidumbe, como recentemente sucedeu em Muambula.

Ikweli apurou a partir de um dos viajantes à Mocímboa da Praia, que até 7 horas desta segunda-feira não tinha sido autorizada, a partida de viaturas de Macomia-sede à Awasse, sendo que tudo indicava a introdução de coluna militar, que deixou de funcionar há três meses.

“Os carros ainda estão aqui, nem as forças ainda não foram, mas tudo indica que haverá escolta, porque desde ontem não se passa devido esse ataque lá em Xitaxi”, descreveu uma fonte do Ikweli. (Redacção)

Mexicana, um exemplo de superação dos preconceitos de uma sociedade homofóbica

Nampula (IKWELI) – Faque Sadique, ou simplesmente mexicana como carinhosamente gosta de ser tratada na praça, já canta vitória pelo facto de ter conseguido quebrar todas as barreiras discriminatórias que durante vários anos travou devido a sua orientação sexual, por isso agora considera-se a menina mais feliz da sociedade.

Mexicana assume publicamente e sem qualquer preconceito de ser uma mulher transsexual. De 21 anos de idade, ela nasceu e vive no mítico bairro de Namutequeliua, na cidade de Nampula, juntamente com a sua mãe e irmãos.

Em conversa exclusiva com o Ikweli, a jovem fez transparecer que nos dias que correm já convive com toda sociedade normalmente, contrariamente aos anos passados em que sentia o seu mundo separado com o resto da comunidade.

Ela conta que, apesar de se identificar com a sua orientação sexual, se sentia mal devido ao comportamento discriminatório na própria sociedade em que está inserida, mas com o passar dos tempos, foi adquirindo informações e conhecendo os seus direitos, graças a associação Lambda, uma agremiação que advoga pelo reconhecimento dos Direitos Humanos das pessoas LGBT, o que lhe ajudou a superar as adversidades.

“No princípio não foi fácil estar a conviver com a população sobre a minha orientação sexual, mas actualmente está sendo melhor porque no bairro em que vivo as pessoas já me acostumaram. No princípio não era fácil conviver com aquela população, porque eles não tinham informação sobre a homossexualidade, então foi muito difícil”, referiu Mexicana.

Para a nossa fonte, a interação permanente com a própria sociedade contribui significativamente na sua vitória. “Sim, eu tenho interagido com a população constantemente, e isso me ajudou muito porque se existiam pessoas que falavam algo contra é porque não tinham conhecimento, então eu tinha que arranjar formas de sentar com a pessoa e tentar lhe explicar o que eu sou. Então, com isso me ajudou muito, mas tem pessoas que não querem saber mesmo tendo essa informação sobre a homossexualidade, só que não querem assumir mesmo”, comentou.

“A minha família, no princípio, também, me rejeitou, mas agora já me assume. Tem outras pessoas da família que não querem saber de mim a semelhança de outras populações. Epah! Como a minha mãe e meus irmãos já me assumiram, o resto para mim não importa”, precisou a jovem Mexicana.

Abandonei a formação devido ao preconceito da minha directora

Agora com as barreiras quase vencidas, Mexicana se sente arrependida de ter interrompido o curso técnico de saúde num dos estabelecimentos de ensino na cidade de Nampula, devido a postura discriminatória da directora adjunta pedagógica da referida instituição.

“Já fiz a 12ª classe e tive uma formação em saúde, mas não consegui alcançar o meu objectivo por preconceito da Directora Adjunta Pedagógico, por isso deixei aquela formação, não terminei. A pedagógica era preconceituosa, me discriminava muito, então como na altura me sentia muito mal preferi mesmo sentar, isso foi em 2019”, prosseguiu a nossa entrevistada, para quem “no primeiro semestre as coisas iam bem, talvez ela não tinha prestado atenção em mim porque ela me via só de uniforme. Acho que ela não tinha prestado atenção em mim, mas quando descobriu que eu era mulher trans ela sempre fazia a questão de ficar na porta porque queria ver como é que eu iria me apresentar, se iria me apresentar de calças apertadas, de uma blusa de mulher, dali decidi desistir”, disse lamentando.

Entretanto, o desejo da nossa entrevistada é de continuar a fazer o curso que interrompeu, mas num outro estabelecimento de ensino. “Na altura eu não tinha boa informação mesmo sobre a homossexualidade, mas agora já tenho, se fosse que era agora eu iria enfrentar a situação. Aquela informação chave sobre a orientação eu não tinha, agora já tenho. Por isso, já penso em voltar a estudar, sim, mas não lá. Deve ser noutros institutos, mas antes de eu me matricular primeiro tenho que falar com a directora e informar que eu sou transgénero, se eu me apresentar desta e de outra forma, já sabe!”, anotou a nossa interlocutora.

Por outro lado, Mexicana disse não ter dúvidas da existência de muitas pessoas LGBT+ que continuam sendo descriminadas. “Sim, são muitas pessoas que estão sendo discriminadas, mas eu vejo que isso é falta de percepção nas pessoas. Então, é necessário que a pessoa que se sente discriminada explique essa sociedade, porque se você deixa a comunidade lhe descriminar, se você não dar basta naquilo, a comunidade nunca vai parar. Por isso, o mais essencial é você chegar até aquela pessoa que discrimina para fazer entender a situação”, aconselhou a nossa fonte. (Constantino Henriques)

Disponíveis 35 milhões de dólares para a estrada Malema-Cuamba

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 35.000.000 (trinta e cinco milhões) de dólares norte-americanos serão necessários para a conclusão da asfaltagem da estrada que liga as províncias de Nampula e Niassa, através dos distritos de Malema e Cuamba, respectivamente, segundo anunciou a Vice-ministra das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Cecília Chamutota.

A ser desembolsado pela União Europeia, através do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), segundo garantiu a dirigente, serão cobertos os cerca de 35 quilómetros de estrada que estão em falta, sendo 15 quilómetros a partir do distrito de Malema o que inclui a ponte sobre o rio Mutivaze e os 20 quilómetros para quem saí de Cuamba, no Niassa.

“Percorremos o corredor de Nacala e, como sabem, com as obras de reabilitação e modernização do porto de Nacala, as infra-estruturas rodoviárias e estradas que ligam a este ponto são elementos importantes para completar toda a cadeia logística nesta região”. Com isso, “tivemos a oportunidade de ver a estrada que está a ser asfaltada a partir de Malema em direcção a Cuamba, incluindo a ponte sobre o rio Mutivaze que já está praticamente concluída. Ficamos satisfeitos pelo trabalho que está sendo feito no terreno”, começou por descrever Cecília Chamutota, sobre os trabalhos em curso naquele troço.

Já agora com o financiamento garantido, de acordo com a governante, está-se neste momento na fase do procurement para a selecção do consultor que fará a actualização do projecto de asfaltagem da estrada, bem como a fiscalização. Ademais, Chamutota sublinhou que com a criação das condições o consultor a ser seleccionado posteriormente terá quatro meses para actualizar o projecto de construção, o que significa que até o primeiro trimestre do próximo ano 2023 os trabalhos serão concluídos na sua totalidade.

Enquanto isso, a Vice-ministra das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos disse ter recomendado ao empreiteiro a concluir o processo de destruição dos encontros da ponte antiga, que é para permitir o fluxo da água, ao considerar que se está na época chuvosa. Daí “a necessidade de concluir o processo de protecção dos taludes numa das secções da estrada”.

Recorde-se que o troço Malema/Cuamba integra-se no lote “C”, de cerca de 114 quilómetros no âmbito do projecto de reabilitação e asfaltagem da estrada que liga a província de Nampula e a do Niassa, região norte do país, numa extensão de pouco mais de 315 quilómetros. (Esmeraldo Boquisse)