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Jovem apaixonada por um “artista” do Facebook burlada mais de 550 mil meticais

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Nampula (IKWELI) – Uma cidadã de 28 anos de idade, residente na cidade de Nampula, no norte do país, sofreu burla por suposto namorado que o conheceu através das redes sociais, concretamente no Facebook, facto que lhe causou um prejuízo de 558.700,00Mtt (quinhentos e cinquenta e oito mil, setecentos meticais).

A burla remonta há cinco meses, quando a vítima conheceu um indivíduo que lhe solicitou amizade, sob alegação de que a conhecia em algum ponto da província de Nampula, dado é que começou a conexão recorrente entre os dois e que mais tarde começou a rolar um clima de paixão, o que inspirava confiança à cidadã burlada.

O tempo passou, a paixão pelo homem burlador e a confiança, mesmo com a distância que os separa aumentou, até um certo dia em que o burlador inventou viagens da capital moçambicana, Maputo, em missão de serviço e para se encontrar com a sua amada na cidade de Nampula, o que acarretou custos segundo conta a vítima que se mostra burlada.

“Eu conheci este moço via Facebook. Ele enviou-me um pedido de amizade e eu aceitei e começamos a conversar. Perguntou-me de onde eu era e quando lhe disse que era de cá Nampula, disse-me que viria cá e era trabalhador da Petromoc. Depois de mais de um mês de conversa, alertou-me que estava a vir, mas antes passava pela província de Manica, o que não chegou de acontecer”, começou por contar a vítima que semanas seguidas, o suposto namorado partilhou-lhe vídeos que fazia durante a viagem de ida a cidade de Nampula.

Todavia, “depois de três horas enviou-me uma mensagem pedindo para lhe ligar e que era urgente. Quando liguei disse que tinha problemas, teria sido interpelado na posse de pedras semipreciosas e que precisava de 40.000,00Mt (quarenta mil meticais), uma vez que a polícia pediu-lhe 100.000,00Mt (cem mil meticais) e ele tinha apenas 60.000,00Mt (sessenta mil meticais), mas que ia reembolsar o valor”, acrescentou a cidadã burlada que pela primeira vez transferiu a soma para o indivíduo.

Passadas algumas horas, a vítima conta que o burlador voltou a comunicar solicitando mais 10.000,00Mt (dez mil meticais), alegando que era para a legalização de seus documentos sob ordens das autoridades policiais, uma vez que estavam vencidos, ou seja, expirados. Já no dia seguinte, pelas duas horas da madrugada, segundo narra a vítima, o burlador comunicou para informar que encontrava-se detido pela polícia, devido às pedras semipreciosas as quais foram encontradas na sua posse.

A fonte informou que na mesma altura, este [o burlador] partilhou-lhe um contacto do seu suposto advogado que responde pelo nome de Rocha, a fim de esta informá-lo da situação em que o indivíduo se encontrava. Entretanto, o número estava fora de linha de comunicação. O que preocupa é que horas depois, o referido advogado [ostentando sotaque português], pediu o envio de uma quantia de 100.000,00Mt (cem mil meticais), para garantir a soltura do burlador. Comovida com a situação, a vítima recorreu ao empréstimo para ajudar o parceiro que supostamente estava em apuros.

Quando questionada de como teria caído na cilada do burlador, a vítima que denunciou o caso ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), retorquiu que “obviamente que há quem me vai julgar, mas apenas tentei ajudar. Primeiro ele disse que a sua família estava na África do Sul, vivia cá sozinho com dois filhos e que não podia perder o seu emprego. Eu fiz isso para lhe ajudar. Nós já conversávamos via WhatsApp e fazíamos vídeo chamada”.

Um dos talões de depósito que tivemos acesso prova uma transferência efectuada pela cidadã no dia 21 de Agosto deste ano, o montante de 100.055,00Mt (cem mil e cinquenta e cinco meticais) que teria sido solicitado pelo indivíduo, valor que foi creditado na conta de um indivíduo identificado pelo nome de Isac Guedes. Outra importância ocorreu no dia 10 do mês em alusão, onde foram transferidos cem mil meticais.

Consumado o acto, o burlador não mais voltou a contactar e todos os seus números telefónicos encontram-se incomunicáveis. Portanto, a vítima pede que sejam criadas diligências para a sua localização, neutralização e responsabilização pelo acto cometido. Aliás, reconhece as suas fraquezas diante das arte-manhas do burlador e exorta aos demais a serem vigilantes.

“Primeiro quero que ele me devolva o valor, essa é a maior preocupação. Eu pedi algumas pessoas conhecidas e que estão precisando do dinheiro. Segundo, são pessoas de má-fé que agem assim. Nós que sofremos esse tipo de burla é muito difícil acreditar que ajudamos alguém e que a mesma se passou de alguém que está em apuro para nos tirar dinheiro. Chamo atenção que tomem cuidado, o tempo não está bom e com esta crise muitos aproveitam-se de várias formas”, concluiu. (Esmeraldo Boquisse)