“Educação sobre igualdade de gênero começa em casa” – Márcia Jeiambe

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Maputo (IKWELI) – A ativista social da Associação Coalizão da Juventude de Moçambique, Márcia Jeiambe, acredita que a formação e educação de estereótipos de gênero pode ser eliminada na infância, com ajuda de pais e encarregados de educação, através de ensinamentos sobre como lidar com certas actividades que são atribuídas dentro de casa.

“As experiências individuais, principalmente as coisas que vivemos dentro de casa são as que mais vão nos moldar. Ainda que estejamos numa sociedade extremamente machista, se nossos pais nos ensinarem, por exemplo, a divisão igual de tarefas domésticas, igualdade de oportunidades etc., facilmente vamos levar aqueles hábitos e lições para o nosso dia a dia quando crescermos”.

O posicionamento foi partilhado na última quarta-feira (26), aos estudantes da Escola Superior de Jornalismo (ESJ), durante uma palestra organizada pela Associação h2n, que tinha em vista falar sobre “Um olhar sobre a situação das raparigas e mulheres no contexto da VBG”.

De acordo com a palestrante, a questão da Violência Baseada no Gênero (VBG), não afecta somente as mulheres, mas também o homem, que sofre com a violência a partir do momento que é obrigado a prover pela família independente das circunstâncias.

“O estigma, o preconceito, o medo e a baixa autoestima impedem muitos homens de falarem sobre assuntos relacionados com a violência que tem sofrido a partir do momento que a sociedade rotula que o homem deve ser responsável por sustentar a sua família já coloca uma pressão psicológica sobre ele. Por isso que homens e mulheres deviam ser educados do mesmo jeito para que não haja essas desigualdades de gênero”.

Por outro lado, o Diretor Científico da ESJ, Isaías Fuel, falou da importância de se informar, partilhar informações, questionar e militar sobre igualdade de género, por isso os estudantes devem ser porta-vozes daqueles que estão mais afastados das cidades, pois, estes têm menos acesso à informação e tem incidências de outras formas de VBG, tal como uniões prematuras.

“Os estudantes devem ser dotados de informações sobre gênero para que possam passar experiências sobre a problemática da VBG as comunidades que não têm acesso a informações e que continuam a praticar ações que são prejudiciais para a própria rapariga e não só, os jovens também são forçados a casar muito cedo e automaticamente ele tem que abandonar a escola para ir a África de sul para ir trabalhar. Esta e uma violência também. Mas se a gente conversar e trocarmos ideias quem sabe um dia são futuros dirigentes e vão desenhar políticas que possam em algum momento favorecer as comunidades”.

Por sua vez, os estudantes enalteceram a iniciativa levada a cabo pela h2n e, esperam que a mesmas possa ser replicada em outras universidades porque temáticas sobre a igualdade de gênero podem ajudar a mudar a mudar o atual cenário.

“Eu acho que foi uma boa iniciativa, porque há coisas que eu percebi que não dependem de nós, nascemos e encontramos. São normas sociais que nos são incutidas. Mas essas palestras vão ajudar a abrir nossas mentes, embora seja um desafio”, disse Carla Tembe, estudante de Marketing.

Armindo Pelembe, igualmente estudante, sublinhou que uma das formas de disseminar mensagens sobre a VBG nas zonas recônditas é difundir informações claras e concretas que ajudam a comunidade a perceber sobre a igualdade de gênero nas famílias.

“Uma das coisas que dificulta por exemplo que as mensagens não cheguem as zonas rurais são os meios de comunicação, se formos a ver as zonas recônditas dificilmente tem acesso a televisão e poucas tem acesso a rádio, então uma das formas mais acessíveis e levando as mensagens de forma presencial, através de algumas palestras que explicam de forma clara e com exemplos concretos, por forma a adaptar o nosso discurso aquela realidade”, explicou Pelembe.

A coordenadora de Mídia da associação h2n, Sheynise Shádia, disse que trata-se de uma actividade que faz parte de uma série de intervenções previstas no seio académico e enquadra-se no âmbito do projecto Asas, que visa promover a igualdade de género e o emponderamento da mulher e da rapariga adolescente em Moçambique. Para a coordenadora, as palestras irão ajudar os estudantes de comunicação e não só a ter uma visão mais aberta sobre assuntos ligados ao gênero.

“Nós temos uma iniciativa que é tentar influenciar as universidades a incluir conteúdos de gênero principalmente nas faculdades de comunicação e, assim garantir que quando esses comunicadores estiverem nas redações tenham essa sensibilidade de gênero desde a faculdade.  E para tal temos parceiros que também trabalham na área de gênero e fazem algumas palestras nas universidades e, mais para frente quem sabe conseguirmos influenciar alguns currículos universitários.

Importa referir que as palestras têm como objetivo promover a igualdade de género e o emponderamento da mulher e da rapariga adolescente em Moçambique. Estas são   actividades levadas a cabo pelo projecto Asas, implementado pela h2n tendo como seu principal financiador Alto Comissariado do Canada. (Ângela da Fonseca)

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