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Governo de Monapo confirma insegurança alimentar

Monapo (IKWELI) – A queda irregular da chuva que se regista na presente campanha agrícola um pouco por toda a província de Nampula, no norte de Moçambique, afectando assim o processo de germinação e frutificação das culturas, veio agravar o cenário de insegurança alimentar que se assiste desde o segundo semestre do ano passado no distrito de Monapo.

O Ikweli, na sua edição 511, publicado a 17 de Agosto de 2020, reportou sobre os sinais de bolsas de fome em algumas comunidades de Monapo, destacadamente no regulado de Nakotto, localidade de Naculue, no posto administrativo de Netia, mas na altura, as autoridades governamentais locais teriam desdramatizado a situação.

Entretanto, nos dias que correm, e com a queda irregular das chuvas que não possibilitou a sementeira saudável durante a primeira época da presente campanha agrícola, a insegurança alimentar naquele distrito acentuou-se e, finalmente, as autoridades governamentais locais confirmam a situação delicada com que vivem os populares.

Em Monapo, segundo apuramos, só tem acesso aos alimentos as pessoas com capacidades financeiras, sendo que as famílias com baixo poder vêm a sua situação nutricional comprometida. Aliás, neste momento, o farelo continua sendo a base de alimentação da população, produto cujo preço aumenta a cada dia que passa, chegando a custar cerca de 500,00Mt (quinhentos meticais) o saco de 50 quilograma.

“A população tem dificuldade para aquisição dos produtos, porque a primeira época não foi das melhores e há dificuldades nalgumas famílias, mas a circulação de produtos existe, só há fraco poder de compra”, admite Rafa Pereira, chefe do posto Administrativo de Netia, distrito de Monapo, que antes negara a existência de escassez de alimento na circunscrição que dirige.

“Há problemas aqui, a chuva não está a cair de forma regular, está uma situação crítica”, prosseguiu a fonte, para quem “as culturas já estão a secar. Estamos numa situação que não sabemos como fazer. Já estamos a ficar desencorajados em relação a esta campanha, para todo posto administrativo há irregularidade de chuva e as culturas estão com stress, toda primeira época ficou comprometida. Assim estamos aguardando a segunda época”.

Armando Braimo, director dos Serviços Distritais das Actividades Económicas (SDAE) de Monapo, também, confirmou o desespero dos populares daquela parcela moçambicana. “O que está a acontecer agora, de forma geral para as populações que tem rendimento, com poder de compra, conseguem ir comprar”, disse, acrescentando que, “se as chuvas fossem boas agora estaríamos a falar de uma situação melhorada, teríamos muito feijões, folha de mandioca, amendoim, pepinos e abóboras. Estaríamos a começar a ver esses produtos, então praticamente a situação não está boa, estamos a falar de insegurança alimentar”.

Segundo acrescentou Armando Braimo, falando exclusivamente ao Ikweli, “o que está a acontecer é que nos meses de Outubro e Novembro, a situação foi catastrófica, foi uma situação muito difícil, praticamente não choveu, porque chovia em intervalo de 20 dias e as sementeiras eram perdidas. Já aconteceram cerca de três sementeiras e, consequentemente, muita semente perdeu-se, então, neste Janeiro é que está havendo queda de chuva, mas também não satisfaz”.

Em conformidade com o nosso interlocutor, “os próprios tanques piscícolas estão com problemas de água, se continuar assim a produção de hortícolas estará comprometida. De um modo geral as chuvas estão sendo um problema de Aquiles e que já comprometeu a campanha pelo menos da primeira época, temos esperança nesta segunda época, também não é boa esperança, estamos a falar de feijões, gergelim, até hoje o aspecto está sendo positivo, mas para assunto de milho é grave. Houve muita perda de estacas de mandioca porque as temperaturas eram muito elevadas e as estacas eram plantadas, mas não chovia e com aumento da temperatura as estacas não germinaram e secaram, então a situação não é boa”, sublinhou a fonte.

Com três postos administrativos, o distrito de Monapo é o segundo mais populoso da província de Nampula com cerca de 394.000 (trezentos e noventa e quatro mil) habitantes, com uma superfície de 3.564 quilómetros quadrados, de acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE). (Constantino Henriques)

CEO da Huawei: Não desistiremos do ideal de globalização

Maputo (IKWELI) – O CEO da Huawei, Ren Zhengfei, se comprometeu a seguir uma estratégia de globalização, apesar da pressão externa. Ele pediu à nova administração dos Estados Unidos da América (EUA) que proponha políticas mais abertas que sejam do interesse das empresas americanas e da economia dos EUA como um todo.

Estas são as primeiras declarações públicas que o fundador da Huawei fez desde a mudança do governo dos Estados Unidos. Ren falava durante uma coletiva de imprensa em Taiyuan, capital da província de Shanxi, no norte da China, após o lançamento do Laboratório de Inovação de Mineração Inteligente.

“O comércio beneficia ambos os lados. Permitir que as empresas norte-americanas forneçam bens a clientes chineses é favorável ao seu próprio desempenho financeiro. Se a capacidade de produção da Huawei se expandir, as empresas americanas poderão vender mais. É uma situação ganha-ganha. Acredito que a nova administração pesará esses interesses ao considerar suas políticas”, disse Ren.

Ren afirmou que a Huawei cria valor para todo o ecossistema e uma economia mais ampla. Ele citou o exemplo de que a Huawei construiu redes 5G em muitas cidades da Europa, Ásia e Oriente Médio, e suas redes na Europa são os melhores testes de desempenho de rede global, beneficiando todos os usuários dessas redes.

“O fato de os usuários avançados poderem usar o iPhone 12 em todas suas funcionalidades em nossas redes 5G na Europa é uma prova da qualidade de nossas redes”, disse Ren.

“À medida que a humanidade avança, nenhuma empresa pode desenvolver sozinha uma indústria globalizada. Requer esforços concentrados em todo o mundo”, acrescentou Ren.

O governo dos Estados Unidos tem feito campanha contra a Huawei nos últimos dois anos, alegando que o equipamento da Huawei poderia ser usado para espionar americanos, sem apresentar qualquer evidência. A Huawei negou repetidamente as alegações, e poucos outros países cederam à pressão dos EUA, com a maioria se concentrando em garantir que todos os fornecedores atendam aos padrões técnicos de segurança.

Ren disse que agora está ainda mais confiante sobre a sobrevivência da Huawei do que antes. “Encontramos novas e mais maneiras de superar nossos desafios. Nossa receita de vendas e lucros em 2020 foram maiores do que nos anos anteriores”, disse Ren a jornalistas.

Permitindo a transformação digital para indústrias

Ren disse que as novas estratégias incluem pesquisa e desenvolvimento e crescimento de raízes mais profundas em indústrias verticais em todo o mundo para permitir a transformação digital com seus principais recursos de ICT da Huawei. Ren disse que o Laboratório de Inovação de Mineração Inteligente resultaria em melhores serviços para minas com 5G.

“Ao apoiar a indústria de mineração, podemos expandir nossos negócios e apoiar uma produção mais eficiente e segura nas minas. Também podemos permitir que ostrabalhadores da mina de carvão ‘usem terno e gravata’ no trabalho”, disse Ren. “Na era 5G, conectar empresas é o objetivo principal. Existem muitas indústrias com as quais não estamos muito familiarizados, como aeroportos, portos, mineração de carvão, produção de ferro e aço, fabricação de automóveis e fabricação de aeronaves. É por isso que construímos laboratórios conjuntos para aprender mais sobre as necessidades dessas indústrias”.

Os resultados de negócios da Huawei nos primeiros nove meses do ano de 2020 mostraram que a receita totalizou 671,3 bilhões de yuans (USD 98,57 bilhões), um aumento de 9,9% em relação ao mesmo período em 2019.

“Continuaremos atendendo bem nossos clientes criando mais valor para eles. Queremos que eles tenham uma fé duradoura em nós e esperamos que eles não balancem por causa da pressão política”, concluiu Ren. (Redação)

Detidos somalianos por tráfico e consumo de drogas em Nampula

Nampula (IKWELI) – Dois cidadãos de nacionalidade somaliana estão a contas com o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, indiciados de tráfico e consumo de drogas naquele ponto do norte do país.

A porta-voz do SERNIC em Nampula, Enina Tsinine, disse a imprensa que em um trabalho de rotina, no aeroporto internacional de Nampula, realizado na última sexta-feira (5), foram verificadas bagagens destes indivíduos contendo a droga em referência.

Segundo a mesma fonte, na ocasião foram apreendidos 168 quilogramas de mirá transportadas em voo proveniente do Kenya.

“O tráfico e consumo do mirá é considerado crime no nosso país, uma vez que contem uma substância denominada Catinona que possui, igualmente, efeitos da anfetamina, por isso que é considerado crime. Os mesmos cidadãos eram proprietários da bagagem e encontram-se detidos aguardando trâmites subsequentes para a sua responsabilização”, explicou Tsinine, para quem “a droga é proveniente da Somália, mas o voo era proveniente da capital queniana, Nairobi que teve escala na província de Nampula”.

Refere-se que o destino da droga apreendida era mesmo a província de Nampula, onde os proprietários planejavam vender para cidadãos de diferentes nacionalidades, num valor de cerca de 550,00Mt (quinhentos e cinquenta meticais) cada molho. Igualmente, um dos indiciados assume ser proprietário e avança que para além de traficante, é também consumidor do Mirá, usando como produto energético, ou seja, café. (Esmeraldo Boquisse)

Comércio informal contribui para a imundice na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – O comércio informal praticado na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte do país, está a contribuir a degradação do sistema de saneamento do meio, e consequentemente na imundice.

Caracterizado por venda ambulante, maioritariamente, os vendedores informais tem embaraçado o governo autárquico local, presidido por Paulo Vahanle, complicando assim a gestão do lixo.

No dia 29 de Janeiro findo, o governo de Vahanle reuniu com jornalistas, vendedores de rua e a sociedade civil, com o intuito de negociar a situação do comércio nas ruas e passeios da autarquia, e com efeito o dia 1 de Fevereiro tinha sido marcada para a retirada compulsiva dos que usam as ruas e passeios para a venda de produtos diversos.

“A conclusão que tivemos neste encontro, é que pode existir sim um vendedor ambulante e não um vendedor fixo, aquele que ocupa uma porção na via pública impedindo a circulação dos munícipes, por isso não vamos permitir a entrada na cidade, de vendedores de mangas, laranjas, mandiocas, feijão, maçaroca, tomate, amendoim e outros produtos que aceleram a sujidade da cidade”, disse Vahanle na altura.

As avenidas Paulo Samuel Kankhomba e do Trabalho são as mais críticas, e a circulação de pessoas tem sido difícil, o que, em alguns casos, contribuem na ocorrência de acidentes de viação.

Segundo alguns cidadãos entrevistados pela nossa reportagem, a cidade de Nampula já estava a voltar à normalidade na altura em que a polícia municipal passava nas ruas todos os dias para fiscalizar a venda desses produtos, mas, desde que estes pararam, notou-se uma invasão total dos passeios.

“Com estes vendedores aqui, está a tornar-se difícil passear na cidade, uma vez que para além de inalar o cheiro nauseabundo do lixo causado pelos mesmos, corremos o risco de ser atropelados por viaturas uma vez que passamos quase o meio da estrada”, disse Manuel Ibraimo.

Já para os vendedores, aqueles locais, são os que mais acolhem clientes a nível da urbe, porque segundo eles, os mercados estão escondidos e lá é difícil vender quantidades grandes que possam permitir que os mesmos voltem a casa com alguma coisa para comer.

“Os nossos mercados estão nos bairros e a maior parte de pessoas que compram os nossos produtos estão no centro da cidade. Podemos ir no mercado e ficar lá desde manhã até a tarde e não conseguir, pelo menos, 100,00Mt (cem meticais), mas se virmos aqui na cidade, é normal conseguirmos quinhentos meticais ou mais e assim podemos sem nenhum problema, sustentar as nossas famílias”, argumentou um dos vendedores que não quis revelar a sua identidade.

Já para outros cidadãos, estes vendedores estão a negar sair das ruas só para irritar a edilidade e poder usar a força para retirá-los, e continuarem a lamentar a má actuação da polícia municipal.

“Eu acho que nós já estamos habituados a obedecer com medo, a sermos espancados e torturados, porque se não fosse isso, com este apelo feito pelo município, estes vendedores já estariam fora das ruas, mas se fosse que se usou a força, a essa altura muitos já haviam voltado aos mercados”, disse Assane Mussa. (Alfredo Célia)

Huawei novamente reconhecida como uma das Melhores Empregadoras da África

Maputo (IKWELI) – Líder global de TIC, Huawei foi reconhecida como uma das top empregadoras de Africa, recebendo o premio anual e certificação de melhores empregadores, em reconhecimento das suas pérticas excecionais de emprego.

Além da Certificação Continental HQ Top Employer para a África 2021, a Huawei também recebeu o prestigioso prêmio em 13 países africanos, incluindo África do Sul, Quênia, Nigéria e Zâmbia.

A Top Employer Institute é uma autoridade global em excelência em práticas de pessoas. Por meio do programa de certificação do Top Employers Institute, as empresas participantes são avaliadas, pesquisadas e credenciadas anualmente como empregadores líderes em relação às suas práticas de Recursos Humanos.

“Ganhar o prêmio Top Employer é o reconhecimento dos altos padrões e compromisso da Huawei em incentivar e capacitar nossos funcionários a trabalhar com o mais alto comprometimento e paixão. A Huawei está empenhada em criar oportunidades para todos, a fim de construir uma força de trabalho diversificada com foco no desenvolvimento profissional, saúde e segurança e bem-estar dos funcionários”, disse Chen Yu, Diretor de RH da Região Sul de África da Huawei.

Com a era digital e o impacto da pandemia Covid-19, a necessidade de melhorar as habilidades tornou-se uma das principais prioridades das organizações. As habilidades em TIC também se tornaram críticas para o desenvolvimento nacional, assim como as oportunidades de carreira para profissionais ativos. Chen Yu disse que a Huawei enfoca persistentemente o crescimento das habilidades de TIC de seu pessoal, para atender às necessidades da futura economia digital.

O programa Top Employers Institute certificou e reconheceu mais de 1.600 Melhores Empregadores em 120 territórios nos cinco continentes. O programa Top Employers Institute certifica organizações com base nos resultados de sua Auditoria de Melhores Práticas de RH realizada em cada organização após a conclusão de uma pesquisa altamente intensa. A pesquisa cobre tópicos como estratégia de pessoas, ambiente de trabalho, aquisição de talentos, aprendizagem, bem-estar, diversidade, gestão de mudanças, gestão de desempenho, cultura e muito mais.

“Apesar do ano desafiador que vivemos, a Huawei continuou a demonstrar o poder de colocar seu pessoal em primeiro lugar no local de trabalho”, disse David Plink, CEO do Top Employers Institute. “Estamos orgulhosos de compartilhar o anúncio deste ano e parabenizar as organizações que foram certificadas em seus respetivos países por meio do programa Top Employers Institute”. (Redação)

Detido português na posse de espécie animal protegida na Ilha de Moçambique

Nampula (IKWELI) – Um individuo de nacionalidade portuguesa foi detido na cidade da Ilha de Moçambique, primeira capital do país, flagrado na posse de pouco mais de 70 (setenta) tartarugas, uma espécie protegida pela lei nacional.

A Procuradoria da República da Ilha de Moçambique e a Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC) vinham recebendo denúncias dando conta das infracções do detido.

Depois de uma verificação feita pelos agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), direcção provincial de Nampula, emitiu-se um mandado de busca e apreensão na passada sexta-feira (5), e na residência do indiciado, foram apreendidas 79 tartarugas de espécie Astrochelys Radiata, provenientes do Madagáscar.

“Nós recebemos uma denúncia da Administração Nacional da Área de Conservação (ANAC) e, junto do SERNIC, apreendemos cerca de 79 tartarugas. Tratando-se de um número maior de animais, sobretudo, protegida, achou melhor que o proprietário acompanhasse para os posteriores termos processuais”, disse Ali João Teques, procurador da secção de Instrução Criminal, na Procuradoria Provincial de Nampula.

Falando a jornalistas na manhã da última segunda-feira (8), Ali João Teques referiu que esta actividade será desencadeada ao nível nacional no sentido de desencorajar o acto de posse de espécies de animais protegidas, uma vez que para a população é uma prática normal, mas que contribui para a extinção de diversas animais neste território.

Em termos legais, de acordo com o procurador Teque, o cidadão português cometeu um crime com pena de 12 a 17 anos de prisão maior e, “quando é assim, acredito que será recebida a acção praticada que, futuramente, não volte a acontecer no nosso país. Não é só tartaruga, existem tantos animais que estão em extinção devido à acção de algumas pessoas”.

Por sua vez, o cidadão português, residente em Moçambique há mais de 50 anos, confirma que foi encontrado na posse dos animais na sua residência. Ele disse ainda que há 20 anos que cria tartarugas que apanhou e preferiu cuidar para não morrer.

“Tratei estes animais, tiveram muita criação e ainda deve haver muito mais por aí. Só porque eu sabia que eram protegidos e difíceis de ter, fui juntando, nunca comprei, nunca vendi nenhum e nunca tentei vender nenhum, pura e simplesmente estava a cuidar deles. Eu gastava em média mensal cerca de 15.000,00Mt (quinze mil meticais) só para manter os animais vivos”, acrescentou o cidadão que omitimos a sua identidade por presunção de inocência, para depois concluir que “a intenção era um dia a autoridade máxima conseguir provar que aqueles animais não eram de negócio, legalizar e tomar conta deles”.

O Ikweli apurou na altura, através de uma fonte da Administração Nacional da Área de Conservação (ANAC) que aquela espécie de tartarugas protegidas tem um valor comercial avaliado em cerca de 50.000,00Mt (cinquenta mil meticais) por cada animal. (Esmeraldo Boquisse)

Detidos funcionários da saúde indiciados de roubo de medicamentos em Nacarôa

Nampula (IKWELI) – Três funcionários públicos, afectos ao sector da saúde, no distrito de Nacarôa, no norte de Moçambique, encontram-se sob custodia policial indiciados de roubo de medicamentos dos Sistema Nacional de Saúde (SNS).

A detenção do grupo teve lugar no dia 25 de Janeiro findo, e sob ordens do Tribunal Judicial do Distrito de Eráti, depois de um aturado trabalho de investigação levado a cabo pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), sob orientação da Procuradoria da República do distrito de Nacarôa.

O Procurador distrital de Nacarôa, Dr. Alcides Bauque, disse ao Ikweli que “primeiro foi requerida a busca e apreensão, tendo em conta que já temos informações de que costumam a estar envolvidos em comércio de medicamentos, ou mesmo detêm medicamentos para assistência personalizada, ou seja, atendem pessoas em casa. Então foi a partir disto que foi requerida a busca e apreensão onde foram encontrados os medicamentos nas suas respectivas casas”.

Segundo esta fonte, no dia 25 de Janeiro tinham sido, ao todo, detidos quatros funcionários, mas depois de averiguações, notou-se que “um deles não devia ser detido, uma vez que foi encontrado com uma carteira de medicamento que era de consumo pessoal, por isso não há indícios para ele continuar detido”. (Esmeraldo Boquisse)

Violação sexual de raparigas e mulheres com perturbações mentais tornou-se recorrente em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Gabinete de Atendimento Integrado as Vítimas de Violência (GAIVV) em Nampula, no norte do país, afirma que a violação sexual de mulheres e raparigas com perturbações mentais tem sido recorrentes nos últimos tempos, o que preocupa a instituição.

De acordo com o psicólogo Armando Cumbe, afecto ao GAIVV, “muita das vezes as vítimas têm sido mulheres desacompanhadas e solteiras. O agressor não tem sido alguém que vem de longe, é uma pessoa conhecida e antes desenha como é que vai consumar o acto. Ele [o agressor] sabe quem você é, aonde vive e com quem vive”.

“Quando se trata de crianças, é preciso avançar que são algumas delas que têm perturbações mentais, grupo mais vulnerável”, apontou a nossa fonte, prosseguindo que “o agressor sabe que essa é uma deficiente e não tem forças para recusar um acto sexual ele acaba abusando-a”.

Para esta fonte, “é mais fácil abusar alguém que não goza do seu juízo crítico, ou mesmo não tem uma capacidade mental de reagir a um fenómeno de violência, e outros aproveitam-se desse tipo de pessoa”.

Cumbe não fala de números, mas está ciente que desde o ano em que foi instalada a instituição, vários casos foram atendidos, com a elevado preocupação de algumas vítimas terem contraído o HIV e outras doenças de transmissão sexual, incluindo gravidezes.

Em termos cumulativos, em 2020 aquele gabinete registou 525 casos de violência, dentre a física e sexual, contra os 577 registados no ano anterior, 2019.

“As mães, entre outros encarregados de educação, ao notarem uma certa de mudança comportamental, entre outras características, no seio das crianças, elas acabam suspeitando que as crianças foram violadas e encaminham-nas ao nosso gabinete onde, depois de um trabalho técnico por nós feito, apuramos que não houve violação ou seja, penetração no órgão vaginal”, explicou a fonte sobre os casos de suspeita e tentativa de violação sexual.

Este psicólogo observa que nos últimos tempos as pessoas estão a tomar em consideração sobre as consequências da violência em todas as suas formas, isto na medida em que quando há suspeitas e tentativas de violação se preocupam e encaminham os casos às autoridades competentes e ao gabinete para se fazer o trabalho clínico. Ademais, “a violência vem desde os tempos, o que acontecia é que as pessoas não estavam informadas, pelo facto de as vítimas não conhecerem os seus direitos, não procuravam apoio em nenhum lugar e resolviam os problemas no meio familiar. Igualmente, os casos de violação não só eram resolvidos ao nível das autoridades comunitárias, também não eram reportados às autoridades de saúde e policiais. Nos últimos dias as pessoas ganharam mais consciência para combater estes casos”.

Contudo, para garantir a continuidade da vida, por partes das vítimas, segundo Cumbe, a instituição onde trabalha providencia apoio psicossocial e emocional, por forma a corrigir os traumas decorrentes.

“As nossas vítimas, em particular as adolescentes, chegam na unidade sanitária fora do período elegível da profilaxia, uma vez que a violação ocorreu há mais de 120 horas e, consequência disso, são aquelas adolescentes que nos aparecem com gravidez, dependendo do período de gestão, daí que optamos pelo aborto seguro em coordenação com os pais, isto porque é mais um serviço que podemos oferecer em casos dessa situação”, concluiu o Dr. Armando Cumbe. (Esmeraldo Boquisse)

SERNIC acusada de perseguir Mentes Revolucionárias em Nampula

Nampula (IKWELI) – Membros e activistas do Movimento Mentes Revolucionárias (MMR), em Nampula, no norte do país, acusam o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) de estar a perseguir e intimidá-los, alegadamente por se ocuparem de injuriar e difamar altos dirigentes do país.

Jojo Ernesto é o presidente do MMR, e ao Ikweli disse que, recentemente, foi solicitado para prestar declarações junto do SERNIC, sob pretexto de estarem a denigrir a imagem do Presidente da República, Filipe Nyusi, actuando nas diversas redes sociais.

“O que tem acontecido comigo é, exactamente, o que acontece com muitos cidadãos moçambicanos que abraçam causas nobres em defesa dos direitos humanos”, aponta Jojo Ernesto, ou simplesmente “JJ”, como ficou patenteado no mundo do activismo.

“O que aconteceu comigo é que, recentemente, fui chamado para depor no SERNIC. Na chamada de uma senhora que recebi dizia que era para falar sobre burlas, diziam na chamada que que eu burlei um cidadão estrangeiro chamado Mamado Dialo, mas eu nunca burlei a ninguém. Então, quando cheguei lá no dia seguinte pesava sobre mim um processo de injúria e difamação contra altas individualidades, em particular na pessoa do Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, encontrei lá o processo e dali começou o interrogatório”, disse em conversa exclusiva ao Ikweli.

Para “JJ”, em Moçambique ainda se vive “aparentemente, numa democracia que ainda ela não está bem estabelecida. As pessoas hoje, ainda, têm dificuldades de interpretar a injúria, difamação, com liberdade de expressão”, daí concluir que o chamamento junto do SERNIC constitui “na verdade, uma intimidação. As pessoas querem calar certas vozes que se levantam contra a má-governação, contra a incompetência, contra a corrupção, contra o rumo que o nosso país está a levar, o nosso país está a ser atrasado. Historicamente, as pessoas estão a atrasar a história do nosso país, o nosso país está a atrasar economicamente em relação a outros com o mesmo período histórico, e nós continuamos na cauda das economias do mundo, isto é inadmissível”.

“Existem alguns países que, absolutamente, não têm nenhum recurso, mas esses países conseguiram sair-se bem, mas, nós temos recursos, temos águas porque chove periodicamente e continuamos nessa situação, ainda assim as pessoas apelam para aceitarmos isso com muita naturalidade, isso é impossível. Nós temos que nos levantar e dizer que o país está mal, as coisas estão andar de qualquer maneira, alguém precisa pôr isto nos carris, isso é porque há uma incompetência dum regime, dum governo que está há 45 anos, que é o governo da Frelimo que não consegue gerir bem este país, e nós temos que dizer que a Frelimo é incompetente, a Frelimo falhou”, continuou, acrescentando que  “a única coisa que nos deu foi a bandeira, as insígnias, o Hino Nacional, mas o resto, o bem-estar não, a dignidade não, a moral não”.

Para Jojo Ernesto, em Moçambique, “existem pessoas neste país sem vergonha na cara, os governantes que nos dirigem roubam votos, roubam o erário público, enriquecem suas famílias e não se envergonham. Quando você não tem vergonha na cara que, porque a vergonha é excelência da moral, tu não tens vergonha na cara e não serves nada, não podes estar em frente de uma nação com trinta milhões de pessoas, aqui então temos um problema da ética. Temos um regime que, eticamente, não pode em nenhum momento deve continuar a servir os interesses dos moçambicanos porque eles falharam por completo”, atacou.

O slogan do MMR é “mudamos tudo ou tudo se repete”, e foi criado em Nampula nos princípios do ano passado, 2020. Segundo o presidente, actualmente, conta com representações em todas as províncias do país.

“O MMR está em progressão e fui chamado, justamente, porque eles notaram que o movimento está em progressão. Hoje o MMR já movimenta massas em qualquer ponto do país, já temos muitos membros em todo o país, jovens sobretudo intelectuais, académicos. Uns estão em processo de formação, outros já são pós-graduados, são pessoas que se identificam com a nossa ideologia política, a nossa visão sobre o país. Quando falamos de oposição não se deve ver apenas os partidos políticos, oposição é todo cidadão que não concorda com a maneira como a Frelimo governa o país”, precisou Jojo Ernesto, reafirmando que o movimento que lidera não almeja fins partidários. “Nós não somos partidários, somos apartidários, mas também somos da oposição, estamos a fazer oposição ao governo, a este regime que não está a dar conta do recado na matéria de governação. Então, a oposição são todos os moçambicanos que não concordam com este sistema e nós estamos unidos para fazermos uma frente e exigirmos mudanças, nós não estamos contra ninguém, nem o Presidente Filipe Nyusi, nem o partido Frelimo. Nós estamos contra o mal, venha de onde vier, é da Renamo, do MDM, qualquer organização, porque nós já somos uma sociedade crescida, uma sociedade que evoluiu, então não há razão para continuarmos a assistir o mal sob olhar impávido, não podemos ainda alimentar a passividade enquanto vivemos com o mal todos os dias”, destacou o nosso interlocutor.

“O assunto (do SERNIC)”, refere a fonte, “ainda não teve desfecho, fui notificado e simplesmente fui apresentar as minhas posições em relação ao interrogatório, fizeram-me muitas perguntas e respondi segundo aquilo que eu acredito e fui dispensado com a garantia de que oportunamente seria novamente chamado, se calhar vai ser tramitado para o tribunal, pode provavelmente haver um mandato de busca e captura sem aviso ou sem nenhuma solicitação, quando o Estado assim compreender epah…, eu estou aqui”.

Apesar das adversidades encontradas no terreno, “JJ” garantiu não desfalecer nas suas actividades de ativismo. “Eu não posso desistir quando um punhado de pessoas tem tudo em nome do Estado, comem de borla, vivem de borla, não pagam energia, não pagam transporte, não pagam absolutamente nada, vivem de borla com os nossos impostos a favor do Estado e eu, simplesmente cruzar braços, eu não vou fazer isso, vou continuar firme e irredutível”, assegurou. (Redação)

Moçambique tem apenas um único aparelho para rastrear cancro da mama no norte do país

Nampula (IKWELI) – Os profissionais de saúde afectos ao Hospital Central de Nampula (HCN), maior unidade sanitária da região norte de Moçambique, mostram-se preocupados com a capacidade instalada naquela unidade hospitalar para fazer face ao diagnóstico do cancro da mama, um dos tipos que mais afecta as mulheres.

Actualmente o HCN possui, apenas, um único mamógrafo, aparelho que permite identificar os tumores presentes nas mamas, mesmo em fase inicial, para atender todos os pacientes ao nível da região norte do país.

Numa altura em que se recomenda o rastreio com vista à descoberta precoce do cancro, e tendo em conta o elevado número da população residente nesta parcela, os responsáveis do HCN, dizem ser necessário o aumento da capacidade instalada para o diagnóstico daquela enfermidade.

Aliás, de acordo com peritos na matéria de oncologia, a descoberta precoce do cancro da mama ou de qualquer outro tipo aumenta as possibilidades de cura e sobrevivência do paciente.

“Nos países desenvolvidos, com um bom sistema de saúde, é por obrigação que as mulheres façam a mamografia, porque nem sempre é possível apalpar as lesões da mama, mas a mamografia é um exame que nos permite avaliar o programa de rastreio do cancro da mama”, refere Dércio Fernandes, cirurgião – geral afecto no HCN.

“Quando digo que há necessidades de melhorarmos, é no sentido de que há maior parte dos doentes, ou seja, nós somos mais de 30 milhões de habitantes em todo Moçambique, é muito difícil dizer que dos habitantes que estão na zona norte todos vão depender de um único aparelho de mamografia. Naturalmente, se houvesse capacidade de melhorarmos esses aparelhos seria o ideal, porque, por exemplo, os doentes que estão no Niassa, em Cabo Delgado, dependem desse aparelho que está no HCN”, frisou Dércio Fernandes.

A fonte fez essa observação por ocasião da celebração do dia mundial contra o cancro, um mal que continua a constituir uma ameaça à saúde pública no mundo e em Moçambique, de maneira em particular. Aliás, em conformidade com a fonte, de Janeiro a esta parte, mais de 750 pacientes diagnosticados padecem de qualquer tipo de cancro.

“No nosso país o cancro continua a ser um problema de saúde pública, de uma forma geral. Ao nível da região norte, o HCN é que responde maior parte dos casos de cancro das províncias de Nampula, Cabo Delgado, Niassa e alguns casos da província da Zambézia. Nós temos um cumulativo de mais de 6000 casos de doentes de cancro (dados referentes aos últimos seis anos) dos quais, novos casos diagnosticados no ano passado são cerca de 800, mais de 3500 doentes em tratamento de quimioterapia dos quais, este ano fizemos aproximadamente cerca de 200 sessões de quimioterapia”, continuou a fonte.

Mesmo assim, os profissionais de saúde no HCN apelam à população, especialmente as mulheres, a dirigirem-se à unidade sanitária para o respectivo diagnóstico, sempre que descobrirem qualquer alteração no organismo, uma vez que pode tratar-se de cancro.

“Infelizmente o cancro constitui um tabu, ou seja, aqueles cancros como do colo de útero, da mama que, se formos a avaliar, são partes íntimas, então, devido às nossas situações culturais na zona norte, dificilmente as mulheres vão à unidade sanitária, isso faz com que haja atraso na chegada, haja atraso de diagnóstico. No segundo aspecto, é que muitos dos maridos não deixam que essa mulher se dirija à unidade sanitária, então, esses são alguns atrasos que influenciam bastante no diagnóstico, pelo que há necessidade da nossa população ter conhecimento, familiarizar-se, há necessidade de nós termos conhecimento de que o cancro existe”, exorta Dércio Fernandes.

A mesma exortação foi secundada por algumas pacientes em tratamento de quimioterapia no HCN. Clementina Fernando, de 42 anos de idade, é uma das pacientes, para se dirigir à unidade sanitária ela conta que descobriu um pequeno nódulo (uma lesão sólida) na sua mama, mas que depois foi-se desenvolvendo. “Foi em Setembro no primeiro rastreio, em Pemba, em que foi detectado o câncer (cancro de mama), me transferiram de Pemba para aqui e assim estou com a quimioterapia. Para dizer que o cancro do câncer existe, já estou na terceira fase em que vou fazer a cirurgia”, referiu, para depois aconselhar “a todas as mulheres para fazerem o rastreio e que, quem sentir o nódulo correr logo para a unidade sanitária mais próxima e daí será encaminhada ao especialista”.

Ilda da Conceição, outra paciente de 34 anos de idade, internada naquela unidade hospitalar, conta que “eu estou aqui no HCN porque tinha problema de hemorragia desde Janeiro de 2020, não parava aquela hemorragia com coágulo, fiquei de baixa dois meses dali me disseram que devia começar com a quimioterapia, comecei a fazer desde Setembro e assim estou bem, graças a Deus”, salientou. (Constantino Henriques)