Comércio informal contribui para a imundice na cidade de Nampula

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Nampula (IKWELI) – O comércio informal praticado na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte do país, está a contribuir a degradação do sistema de saneamento do meio, e consequentemente na imundice.

Caracterizado por venda ambulante, maioritariamente, os vendedores informais tem embaraçado o governo autárquico local, presidido por Paulo Vahanle, complicando assim a gestão do lixo.

No dia 29 de Janeiro findo, o governo de Vahanle reuniu com jornalistas, vendedores de rua e a sociedade civil, com o intuito de negociar a situação do comércio nas ruas e passeios da autarquia, e com efeito o dia 1 de Fevereiro tinha sido marcada para a retirada compulsiva dos que usam as ruas e passeios para a venda de produtos diversos.

“A conclusão que tivemos neste encontro, é que pode existir sim um vendedor ambulante e não um vendedor fixo, aquele que ocupa uma porção na via pública impedindo a circulação dos munícipes, por isso não vamos permitir a entrada na cidade, de vendedores de mangas, laranjas, mandiocas, feijão, maçaroca, tomate, amendoim e outros produtos que aceleram a sujidade da cidade”, disse Vahanle na altura.

As avenidas Paulo Samuel Kankhomba e do Trabalho são as mais críticas, e a circulação de pessoas tem sido difícil, o que, em alguns casos, contribuem na ocorrência de acidentes de viação.

Segundo alguns cidadãos entrevistados pela nossa reportagem, a cidade de Nampula já estava a voltar à normalidade na altura em que a polícia municipal passava nas ruas todos os dias para fiscalizar a venda desses produtos, mas, desde que estes pararam, notou-se uma invasão total dos passeios.

“Com estes vendedores aqui, está a tornar-se difícil passear na cidade, uma vez que para além de inalar o cheiro nauseabundo do lixo causado pelos mesmos, corremos o risco de ser atropelados por viaturas uma vez que passamos quase o meio da estrada”, disse Manuel Ibraimo.

Já para os vendedores, aqueles locais, são os que mais acolhem clientes a nível da urbe, porque segundo eles, os mercados estão escondidos e lá é difícil vender quantidades grandes que possam permitir que os mesmos voltem a casa com alguma coisa para comer.

“Os nossos mercados estão nos bairros e a maior parte de pessoas que compram os nossos produtos estão no centro da cidade. Podemos ir no mercado e ficar lá desde manhã até a tarde e não conseguir, pelo menos, 100,00Mt (cem meticais), mas se virmos aqui na cidade, é normal conseguirmos quinhentos meticais ou mais e assim podemos sem nenhum problema, sustentar as nossas famílias”, argumentou um dos vendedores que não quis revelar a sua identidade.

Já para outros cidadãos, estes vendedores estão a negar sair das ruas só para irritar a edilidade e poder usar a força para retirá-los, e continuarem a lamentar a má actuação da polícia municipal.

“Eu acho que nós já estamos habituados a obedecer com medo, a sermos espancados e torturados, porque se não fosse isso, com este apelo feito pelo município, estes vendedores já estariam fora das ruas, mas se fosse que se usou a força, a essa altura muitos já haviam voltado aos mercados”, disse Assane Mussa. (Alfredo Célia)

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