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“Antes dos ataques de Mocímboa da Praia: Nampula e Niassa apresentavam dinâmicas de insurgência” – conclui IESE, que refere ao bairro de Mutotope como um dos principais pontos da existência de células religiosas radicais

Nampula (IKWELI) – O Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) refere em uma das suas publicações que as províncias de Nampula e Niassa, no norte de Moçambique, já apresentavam evidencias da existência de células religiosas de tendência radical antes do primeiro ataque terrorista a vila da Mocímboa da Praia em Outubro de 2017.

“Antes do primeiro ataque a Mocímboa da Praia, em Outubro de 2017, já havia evidências da existência de células religiosas de tendência radical em alguns distritos de Nampula e Niassa. Com a eclosão da violência armada, essas células passaram a funcionar como elementos importantes no recrutamento para engrossar as fileiras dos insurgentes em Cabo Delgado. Quando se olha para o processo de instalação dessas células, é interessante verificar a semelhança que existe com o que aconteceu nos distritos de Cabo Delgado, em termos de etapas: primeiro são estabelecidas as células religiosas e, mais tarde, as células militares. As nossas entrevistas mostram que as células religiosas foram estabelecidas por indivíduos Tanzanianos ou Moçambicanos que frequentaram mesquitas de tendência salafista na Tanzânia”, lê-se Ideias, uma publicação regular do IESE, distribuído na tarde desta terça-feira a partir de Maputo.

O mesmo documento da co-autoria dos académicos Salvador Forquilha e João Pereira prossegue que “quando esses indivíduos chegaram a Nampula e Niassa, eles procuraram, primeiro, penetrar nas mesquitas locais. Exemplo disso são os casos da zona de Mutotope, arredores da cidade de Nampula, em 2017, ou ainda de Memba, em 2016 (província de Nampula); Mecula, em 2017, e Lichinga, em 2014/15 (província de Niassa). Em todos estes casos, à semelhança do que aconteceu em Cabo Delgado, eles encontraram resistência por parte das lideranças religiosas muçulmanas locais, quer do Conselho Islâmico de Moçambique (casos de Lichinga e Mutotope), quer do Congresso Islâmico (caso de Mecula). Na sequência disso, decidiram construir seus próprios locais de culto (mesquitas). A resistência por parte das lideranças religiosas foi acompanhada por denúncias junto das autoridades locais, à semelhança do que aconteceu nos distritos de Cabo Delgado nos momentos iniciais do fenómeno”.

Toda via, segundo a mesma análise, “é importante referir que, diferentemente de Cabo Delgado, as células de Nampula e Niassa não conseguiram militarizar-se e desencadear acções armadas de grande envergadura contra as instituições do Estado e populações civis. Esta diferença pode estar relacionada com, pelo menos, dois factores, nomeadamente: a) uma acção melhor coordenada em Nampula e Niassa entre as autoridades governamentais e as lideranças religiosas muçulmanas locais na denúncia dos elementos do grupo e, em alguns casos, sua neutralização; b) dificuldades por parte do grupo em estabelecer uma logística capaz de desencadear e alimentar ataques armados em Nampula e Niassa. Apesar disso, nas zonas onde o grupo conseguiu estabelecer células religiosas de tendência radical, essas células passaram a funcionar como polos importantes de recrutamento de jovens com vista à sua integração nas fileiras do Al-Shabaab nos distritos de Cabo Delgado”.

Ainda assim, segundo aponta o estudo, “evidências no terreno sugerem que os elementos que compõem o grupo dos Al-Shabaab não provêm unicamente de Cabo Delgado. Com efeito, dinâmicas associadas à evolução da violência permitiram que os Al-Shabaab instalassem uma vasta e complexa rede de recrutamento, viabilizando a incorporação de combatentes provenientes não só do estrangeiro, como também de diversos lugares do interior de Moçambique, com destaque para Nampula e Niassa, facto que, em grande medida, esvazia uma eventual tese de “guerra étnica.

No que se refere a Nampula e Niassa, as nossas entrevistas sugerem que os Al-Shabaab exploram as dinâmicas sociais, económicas, políticas e religiosas locais para efeitos de recrutamento, focalizando a sua acção em diferentes aspectos, nomeadamente clivagens religiosas dentro do Islão a nível local; clivagens étnicas; instrumentalização da narrativa anti-Estado/Frelimo; esquemas de microcréditos com vista a impulsionar pequenos negócios dos futuros recrutas; promessas de emprego em Cabo Delgado no sector da pesca (para o caso dos jovens provenientes dos distritos costeiros de Nampula) e na mineração e outro tipo de actividades (para os jovens provenientes dos distritos de Niassa)”.

Por outro lado, o mesmo documento avança que “em muitos casos, os incentivos dos recrutas baseiam-se essencialmente em dois aspectos: salários altos, que se acredita que existem em Cabo Delgado; possibilidade de melhoramento das condições de vida. Em termos de grupo-alvo, o processo de recrutamento visa essencialmente jovens, na sua maioria em condições de grande vulnerabilidade, cristalizada na ausência de emprego e perspectivas com destaque para os distritos do litoral de Nampula (Angoche, Mossuril, Nacala-a-Porto, Nacala-a-Velha e Memba) e os distritos do Niassa limítrofes da Tanzânia (Lago, Sanga e Mecula) e Cabo Delgado (Marrupa). Nestas circunstâncias, os Al-Shabaab estruturam o seu discurso de recrutamento com recurso à manipulação de factores de ordem não só religiosa como também de contestação do Estado. As nossas entrevistas mostram que as estratégias de recrutamento usadas pelos Al-Shabaab bem Nampula e Niassa assentam essencialmente nas dinâmicas do contexto local, facto que torna o recrutamento um fenómeno contextualmente determinado. Por conseguinte, conhecer as dinâmicas do contexto local constitui uma condição fundamental para o combate à insurgência. Nesse sentido, acções de contra-insurgência, no contexto dos chamados programas de “contra extremismo violento”, não podem ser desenhadas e implementadas no norte de Moçambique com base em modelos oriundos de outros contextos, sob o risco de reproduzir e reforçar as tensões locais, exploradas e mobilizadas pelos insurgentes para efeitos de recrutamento”.

“Embora Cabo Delgado continue a ser o epicentro da violência armada que se vive no norte de Moçambique, evidências no terreno mostram que a insurgência tem ramificações geográficas complexas através da instalação de células religiosas de tendência radical e mecanismos de recrutamento fora de Cabo Delgado, com destaque para Nampula e Niassa. Neste contexto, a violência armada no norte de Moçambique exige uma abordagem que deixe de olhar para Cabo Delgado como uma “ilha” para se interessar às dinâmicas presentes nas outras duas províncias, tal como nos referimos ao longo do texto, porque, afinal, não é só Cabo Delgado”, conclui o Ideias nr. 138. (Aunício da Silva)

Apreendidas mais de 100 quilogramas de droga desconhecida em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, apreendeu durante a semana passada pouco mais de 100 quilogramas de uma substância desconhecida, mas que se pressupõe tratar-se de droga, no distrito de Murrupula.

Sem nenhum indivíduo detido em conexão com o caso, segundo o porta-voz do comando provincial da Polícia da República de Moçambique em Nampula, Zacarias Nacute, a apreensão resulta de um trabalho de fiscalização desenvolvido pela polícia de protecção e outras forças de segurança que se encontram em diferentes pontos da via pública. No momento da apreensão, segundo o porta-voz, o motorista que conduzia a viatura percebendo-se da presença policial colocou-se em fuga, tendo abandonado o autocarro no local.

“Depois deste trabalho realizado pela polícia, o produto será encaminhado ao Serviço Nacional de Investigação criminal (SERNIC) para se fazer a avaliação e poder apurar exactamente de que produto se trata. Mas pela experiência que tivemos em outras apreensões não difere muito da última quantidade que a polícia apresentou, onde tratava-se de heroína e craque, mas vamos aguardar pelo pronunciamento dos nossos colegas do SERNIC”, disse.

Falando a jornalistas na manhã da última segunda-feira (08), no acto da apresentação da presumível droga, Nacute referiu que a corporação está atenta a circulação de todos os produtos nocivos a saúde da população e todas as acções que contrariam a ordem pública e, como resultado disso, temos estas apreensões. “Tivemos a apreensão de mais de 300 quilogramas de estupefaciente, entre outras feitas em diferentes distritos da província”.

A apreensão do produto que se supõe tratar-se de droga acontece em menos de um mês em que a mais populosa província do país apreendeu, a partir do Aeroporto Internacional de Nampula, mais uma quantidade significativa de droga denominada Miram, envolvendo cidadãos somalis, facto que preocupa às autoridades policiais, entre outras do governo desta região nortenha. (Esmeraldo Boquisse)

Agentes da PRM espancam cidadão até quebrar uma perna no mercado do Waresta

Nampula (IKWELI) – Um cidadão de 37 anos de idade, comerciante no mercado grossista do Waresta na cidade de Nampula, acusa agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) de o terem espancado a ponto de contrair lesões graves na perna direita.

O incidente ocorreu na tarde do último domingo (7), e a vítima Jotom Inácio caiu nas agressões policiais pelo facto de não ter obedecida as exigências dos homens da lei e ordem para o cumprimento das medidas de prevenção da covi-19, destacadamente o uso da máscara facial e o encerramento das actividades comerciais no referido mercado, alegadamente, por estar na hora de se largar.

No local, ninguém aceita, abertamente, falar do caso, com o receio de serem sancionados pelos responsáveis do mercado, mas a socapa avançam que a actuação dos membros da PRM no local tem sido desumana.

“O jovem foi batido aqui na resta porque não usou correctamente a máscara, a polícia encontrou ele a desarrumar a sua banca para depois ir a sua casa. Daí que começou o problema, eles obrigaram-no a arrumar de maneira tão rápida e depois começaram a lhe espancar com chambocos [cassetetes]”, contou um vendedor que assistiu a agressão.

Depois de espancarem, brutalmente, a vítima, os agentes abandonaram-no, ficando a contorcer-se de dores e sem socorro imediato.

Foram os colegas do agredido que o levaram para o Hospital Central de Nampula (HCN), onde foi assistido na secção de Ortopedia.

Os resultados médicos indicam que o cidadão fraturou a perna direita, o que pode colocar em causa a sua movimentação normal e, até ao fecho desta notícia, ele encontrava-se na sua residencial no bairro de Carrupeia, cidade de Nampula.

“Eu recebi, ontem, a ligação de um dos seus amigos aqui no mercado dando conta que o meu marido se encontrava estatelado no mercado sem conseguir andar, isto porque foi batido pela polícia. Eles dizem que ele demorou desarrumar a sua banca e não havia usado correctamente a máscara. Quando cheguei ele havia sido levado para o hospital, recebeu socorro dos amigos daqui”, Disse Matilde António, esposa do cidadão espancado.

Inácio Pilopilo, chefe do mercado do Waresta, entrevistado pelo Ikweli, a propósito, disse não ter informações detalhadas sobre o sucedido, razão pela qual lhe é difícil explicar.

De acordo com, ele a família do cidadão não denunciou às autoridades responsáveis pelos vendedores do mercado, ainda mais trata-se de um cidadão que na altura encontrava-se embriagado e desacatou às ordens dos agentes.

Mas, segundo apuramos no local, Pilopilo ameaça as pessoas para que não denunciem o caso.

Ao contrário das informações avançadas pelo chefe do mercado e o seu elenco da polícia Municipal que alegam que o cidadão se encontrava sob efeitos de álcool, a senhora Matilde António esclarece que constitui uma mera mentira que as autoridades usam para justificar a sua má actuação, o seu marido nunca, na vida, consumiu bebidas alcoólicas.

“Escreveu-se que ele consumiu bebidas alcoólicas e ficou a fazer das suas, enquanto não, meu marido não bebe. Quando eles bateram perdeu o que tinha como pertence naquele momento, isso é triste. Agora estou a passar mal porque não tenho como sustentar os meus filhos, ele é pai de cinco filhos e assim que aconteceu isso, ninguém se prontificou para assumir o caso, bateram-no e abandonaram”, lamentou a esposa do cidadão.

Enquanto isso a PRM em Nampula reage…

“Já consta nos blocos informativos da PRM que a polícia vem fazendo um trabalho de desencorajamento e de sensibilização para não existência de aglomerados de pessoas e, por conta da situação da covid-19, a polícia deu continuidade e está a executar estas actividades em diversos pontos que, em alguns momentos, entram em discordância com o decreto presidencial que estabelece a situação de calamidade pública”, respondeu Zacarias Nacute, porta-voz do Comando provincial da PRM em Nampula, quando questionado pelo Ikweli a propósito deste incidente.

Na mesma abordagem, o porta-voz continua a afirmar que “nestas acções da Polícia da República de Moçambique, há momentos que a população desobedece as ordens das autoridades mantendo-se nos locais, até retaliando-se contra a polícia, e não tendo outras alternativas a polícia acaba usando a força para dispersar essas pessoas e garantir que não haja situação de desestabilização da ordem e se observe as medidas patentes no decreto que estabelece a situação de calamidade pública no país”. (Esmeraldo Boquisse)

Vahanle vai gastar perto de 30 milhões de meticais para asfaltar metade da estrada do Marrere

Nampula (IKWELI) – O autarca da cidade de Nampula, Paulo Vahanle, efectuou o lançamento da primeira pedra das obras de asfaltagem da estrada do Marrere, ligando a Estrada Nacional Número 1 (EN1) ao Hospital Geral de Marrere.

O evento teve lugar na manhã da última sexta-feira (5), e o dado surpreendente é que a edilidade vai gastar 29,000,000.00Mt (vinte e nove milhões de meticais) para asfaltar, apenas, um quilometro e duzentos metros, ou seja quase a metade da estrada. O troço que será melhorado começa no cruzamento, junto da EN1, até as instalações da direcção da Ciência e Tecnologia.

“Este projecto compreende a construção da estrada que dá acesso ao Hospital Geral de Marrere, em apenas uma extensão de um quilómetro e 200 metros nesta primeira fase, isto porque nós achamos que tínhamos de fazer a construção em fases, de acordo com as nossas capacidades financeiras. Este projecto surge no âmbito da nossa responsabilidade social como gestores deste município, e porque conhecemos as preocupações dos nossos munícipes, esta via sempre teve dificuldades de transitabilidade”, explicou Paulo Vahanle.

O plano, segundo apuramos no local, compreende, para além da asfaltagem, a abertura de valas de drenagem e uma ponte com a dimensão de 10 metros. Está ainda previsto o término da obra num decurso de seis meses.

“O que nós pedimos, neste momento, aos nossos munícipes é que eles evitem vandalizar e roubar o nosso material, e que a empresa responsável que nos seja honesta e cumpra com o prazo, e nós estaremos prontos para cumprir aquilo que são as nossas obrigações com o empreiteiro”, concluiu o autarca do maior centro urbano do norte de Moçambique.

O início da asfaltagem da referida via de acesso pegou se surpresa aos seus utentes, os quais não escondem a sua satisfação.

“Realmente era e até agora continua a ser um grande sofrimento da população, porque sempre houve destruição das pontes e degradação da estrada da via de Marrere. Por isso, louvo a iniciativa porque vai se aliviar o nosso sofrimento e esperamos que seja feito um trabalho de qualidade, de maneiras que seja duradouro, porque será um ganho para todos nós da cidade de Nampula, entre outros cidadãos”, disse Alberto Bandeira, entrevistado no local. (Esmeraldo Boquisse e Hermínio Raja)

Fome faz 35 mortes em Muecate

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 35 (trinta e cinco) pessoas perderam a vida em consequência da fome que assola o distrito de Muecate, em Nampula, ainda que as autoridades governamentais locais entendam que a causa é ainda desconhecida.

Destas, 25 (vinte e cinco) pertenciam a mesma família, e todas as vítimas residiam na comunidade de Xequixe, tal como informou Florência Alface, administradora de Muecate, durante a sessão do Conselho Provincial de Segurança Alimentar e Nutricional (COPSAN).

Esta fonte refere que as mortes vêm ocorrendo desde o mês de Janeiro do corrente ano, de forma recorrente sem se saber a principal causa, mas não descarta a possibilidade de insegurança alimentar estar na origem dos óbitos, considerando que o distrito que dirige apresenta focos de fome e que a população se socorre do farelo para se alimentar.

Mety Gondola, Secretário de Estado da província de Nampula, fico chocado com a informação, por isso na referida sessão por ele dirigida prometeu que trabalho árduo será levado a cabo para descobrir as reais causas dessas mortes.

“O que vamos fazer dentro de dias é dar a conhecer, com dados eficazes, sobre o que estará por detrás desta situação, e naturalmente vermos que medidas temos que tomar de imediato, por forma a evitar que tenhamos cenários similares no futuro, mas duma forma pontual podemos referir que não é uma situação contínua, é algo que ocorreu e está a se trabalhar no assunto para termos os detalhes, e se estudar medidas a se tomar e o apoio a famílias enlutadas”, garantiu Gondola.

Enquanto isso…

O governo está ciente que a queda irregular de chuvas na mais populosa província do país, desde Outubro do ano passado, 2020, tem vindo a abalar a segurança alimentar da população, e em consequência há distrito que apresentam indícios de bolsas de fome.

Na Iª sessão ordinária do COPSAN, Mety Gondola confirmou que “vão existindo sinais de bolsas de fome, ocorrência de situação de pessoas que estão consumindo frutas silvestres por razão de ausência de disponibilidade de alimentos, por isso era importante juntar todos os actores e cruzarmos a informação. O que temos a dizer, nesse momento, é que se reconhece que ao nível da província de Nampula, de uma forma geral, a situação é preocupante porque as chuvas não ocorreram dentro de uma regularidade que permitisse que a produção pudesse responder positivamente”.

Este governante partilhou que a situação não está a acontecer de forma homogénea ao longo de toda a província, mas que do lado do interior existe um cenário que inspira confiança e do lado costeiro, a situação é diferente, e para a mitigação da situação, deu a conhecer que há um conjunto de acções que estão a acontecer, e fez menção do papel dos parceiros em apoio programático e as organizações que têm estado a disponibilizar insumos agrícolas, para que se possa aproveitar as chuvas que nos últimos tempos vão ocorrendo.

“Nós temos estas intervenções, mas mantém-se ainda a preocupação relativamente a alguns dos pontos e em razão disto, foi adoptado o termo de referência em relação a um trabalho mais aturado que nos permita com toda segurança e detalhes possíveis e dar a conhecer a situação em relação em alguns distritos, postos administrativos e localidades”, acrescentou.

Durante a reunião, alguns administradores dos distritos confirmaram a existência de famílias nos seus territórios que devido a falta de comida, vão ingerindo, como comida, coisas que até no ano passado não eram comestíveis.

Abduremane Selemane, administrador de Nacala-A-Velha, confirmou que no seu distrito, existe um universo de 600 famílias que devido a falta de comida, estão a consumir uma espécie de capim para, pelo menos,enganar o estômago uma vez por dia.

“As famílias levam aquele capim, pilam e depois levam a farinha que sai para fazer papas e comer com as crianças”, disse Selemane.

“No meu distrito muitas famílias estão a consumir farinha de farelo, porque não há comida e durante uma visita que efectuei numa delas, serviram para mim e comi pensando que era de milho e só fui descobrir depois de algumas complicações que tive, que na verdade se referia de uma farinha de farelo”, afirmou a administradora de Nacarôa. (Alfredo Célia)

 

Otorrinolaringologistas em Nampula renovam apelo para práticas saudáveis ao ouvido

Nampula (IKWELI) – Crescem, a cada dia, o número de pessoas que procuram pelos cuidados saúde nas unidades sanitárias da província de Nampula devido aos problemas de audição. No Hospital Central de Nampula (HCN), a maior unidade sanitária da região norte de Moçambique, por exemplo, 60 das pessoas que diariamente são atendidas queixam-se de problemas de audição.

Das pessoas diagnosticadas com problemas auditivos, grosso número são jovens, e são apontadas como principais causas, os hábitos nocivos ao ouvido como o uso ininterrupto de auriculares e com volume alto, introdução de cotonetes, penas de galinhas, tampas de canetas, bem como chaves de carro, considerados como objectos estranhos ao ouvido.

A Dra. Sónia Marrime, Otorrinolaringologista afecta ao Hospital Central de Nampula (HCN), numa entrevista exclusiva que concedeu ao Ikweli, fala de entre vários assuntos, os cuidados a ter com o ouvido, o garante da nossa audição.

Segundo ela, o problema auditivo “é uma patologia que vem subindo seu índice pois na conjuntura actual as pessoas têm hábito, tem a disposição o uso de auricular que são prejudiciais a audição. Temos, também, a disponibilidade da música, os jovens vivem mais de música e que não tem o uso devido dos volumes que são necessários para ouvir essa música”, começou por dizer a nossa entrevistada, acrescentando que “em uma consulta de otorrino que temos em média 15 doentes, nós conseguimos ter acima de 5 doentes com patologia auditiva relacionada com audição como tal, e podemos ter mais outros cinco com patologia infecciosa. Mas, acrescentar, também, que essa patologia infecciosa pode estar decorrente ao mau uso dos auriculares, porque estes são embutidos dentro do ouvido e propiciam ao crescimento de alguns patógenos”.

“Os idosos já vem com um défice auditivo, mas relacionado com a perda da capacidade auditiva da idade, mas os jovens têm aparecido com um número crescente e todos eles quando confrontados com os seus hábitos, eles assumem o uso dos aparelhos auditivos que, geralmente, são aparelhos auditivos de fraca qualidade, porque quando são de boa qualidade, mesmo sendo os fones relacionados com telefone, já mostra ali no telefone uma barra que mostra qual é o limiar auditivo normal, que não seja nocivo, então, quando agente tem telefones que são parados eles já não oferecem essa informação”, referiu a nossa interlocutora.

Respeitar a barra reguladora de volume do seu telemóvel, não entre no vermelho

Segundo recomenda a nossa interlocutora, é necessário reduzir ao máximo o volume dos aparelhos e quando for para usar, façam-no de forma saudável. “Geralmente, nós temos que ter um aparelho que não lese o nosso ouvido, o som quando está muito alto ele nos provoca um desconforto, os telefones actuais tem ali um regulador que mostra uma cor e, depois quando o nível auditivo está entrar para um volume perigoso ele muda de cor e mostra uma cor vermelha, então, nunca entrem naquela cor vermelha porque esta lesão não é igual a um corte que vai sair sangue, é uma coisa que usando frequentemente vai provocar alguma perda, o som é conduzido por um nervo que é formado por fibras e, a cada vez que nós vamos pondo a esses níveis lesivos é uma fibra que se perde  até chegar a ponto que são todas e a gente já não ouve nada”, recordou.

“Quando tiverem que usar os auriculares, devem usar os auriculares externos, aqueles iguais aos Dj, que cobrem a orelha, porque eles deixam para que algum som se perca cá fora antes que todo entre para a membrana. Sem contar que aqueles auriculares que são internos esses o som vai todo e agente até ajusta, e quando é aquela música que a gente gosta não quer perder, isso não é bom, porque ele, também, vai provocar uma lesão mecânica do próprio canal, para alem de diminuir o arejamento do próprio ouvido diminuindo assim, o ph tornando o ouvido propenso a infecções. Os auriculares também não se devem emprestar, eles são individuais, os profissionais de rádio, por exemplo usam o mesmo auricular, portanto, a ter que se usar o mesmo auricular, deve-se fazer uma limpeza regular para que se possa evitar a passagem de infecção de uma pessoa para outra através do auricular”, continuou a Otorrinolaringologista.

Não introduza cotonete, pena de galinha, tampa de caneta, chave de carro ao ouvido

Conforme a Dra. Sónia Marrime, “nenhum desses instrumentos deve ser introduzido no ouvido porque, o ouvido tem a capacidade para fazer a autolimpeza, a anatomia do ouvido ela foi feita para que ele próprio conseguisse fazer a limpeza. Nós temos pelos na entrada do ouvido que permitem aprisionar qualquer corpo estranho que lá possa entrar, seja poeira, insecto, associado a isso temos a serra, esse sujo que as pessoas limpam, a serra é protectora porque ela torna o ambiente do ouvido acido que é bom para evitar o crescimento de bactérias e dá uma certa oleosidade a pele do ouvido que permite com que este não fique com racha e dá uma segura ao ouvido que é esse ambiente propício para ouvido saudável”.

Segundo disse, ao serem introduzidos esses objectos ao ouvido tiram a serra fazendo com que as pessoas fiquem com comichão e usam esse cotonete com força e, outras pessoas até vem para aqui (no HCN) a sangrarem ou então, o pedaço do algodão fica preso lá dentro do ouvido e vem para aqui que é para fazer a extracção do corpo estranho.

De acordo com Sónia Marrime, “a única limpeza que nós, como otorrino, recomendamos é que se use uma ponta de toalha húmida, quer dizer, a gente pega uma ponta da toalha e por na água, só para dar a humidade e rola no dedo e mede no ouvido até onde isso entrar, não é para procurar maneira de meter mais ao fundo, então, é para limpar geralmente, a orelha, os bordos que é para tirar aquela poeira que vai ficando no ouvido durante o dia quando a gente está a fazer nossa actividade”.

Consultas de prevenção

“As consultas de prevenção são feitas em todos os sentidos, só que o que se recomenda, em linguagem que agente usa é o check-up, dependendo da nossa idade, o check-up vai-se tornando cada vez mais necessário ou menos necessário, dependendo da idade”, salientou a especialista.

Segundo anotou a fonte, “geralmente quando nós temos necessidade de introduzir uma coisa no ouvido significa que o ouvido não está saudável, essa é a primeira demonstração de que o ouvido não está bem, então é preciso ir ser avaliado por um profissional de saúde, pode ser um técnico otorrino, qualquer especialista, dependendo do que tem no local. Em relação ao Check-up, geralmente, as pessoas que trabalham em locais que se produz ruído, como maquinistas dos caminhos – de – ferro, o serralheiro, deviam de tempos em tempos, pelo menos de dois em dois anos ir a uma consulta e dizer o meu trabalho é ruidoso e preciso de uma consulta para ver se está tudo bem, isso é protector”. (Constantino Henriques)

Acolhidos no centro de Corrane: Mais de 80% dos deslocados da guerra de Cabo Delgado não tem documento de identificação

Nampula (IKWELI) – Mais de 80 por cento de cidadãos deslocados de guerra de Cabo Delgado acolhidos no Centro de acomodação do posto administrativo de Corrane, distrito de Meconta, província de Nampula, não possui documento de identificação, nomeadamente, Bilhete de Identidade, Cédula Pessoal, Cartão de Eleitor, entre outros.

Naquele centro, estão acolhidas mais de 2000 (duas mil) pessoas, dentre crianças, adultos, mulheres e jovens que, poupando as suas vidas, abandonaram as suas aldeias natais.

“Ao nível da província de Nampula apresentamos dados indicativos, nunca é possível ter dados exactos salvo os distritos onde o número de deslocados é bastante menor, mas os que apresentam acima de mil pessoas tem sido difícil. Entretanto, uma das questões relevantes, de facto, é a falta da documentação. A partir de um breve levantamento no centro de acolhimento em Corrane, temos indicação que cerca de 80 por cento de deslocados não tem documento de identificação oficial, isto porque perderam durante a fuga nas suas zonas de origem ou mesmo por outros motivos”, contou-nos Alberto Armando, delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), em Nampula.

Em exclusivo ao Ikweli, o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres referiu que esta percentagem de deslocados sem documentos resulta de um breve levantamento feito ao nível do centro de acolhimento, o que significa que maior parte de deslocados que passam as mesmas circunstâncias ainda não foi apurada. Entretanto, de acordo com a fonte, a percentagem pode ser generalizada, embora sem bases suficientes do levantamento de todo o universo de pessoas deslocadas acolhidas nesta província.

Como forma de regularizar a actual situação destas pessoas que precisam de documentos de identificação, o entrevistado garantiu que o governo e os seus parceiros estão a envidar esforços, de maneiras que estes tenham os documentos em dia.

A título de exemplo, de acordo com as suas dissertações, recentemente esteve presente na província de Nampula, uma equipa da Direcção Nacional de Registo e Notariado e um dos parceiros de cooperação que pretendem apoiar neste sentido.

E porque várias são as organizações que trabalham de forma directa com os deslocados e facilitam as formações técnico-profissionais na tentativa de reintegrá-los socialmente, o delegado Alberto Armando informou que as vítimas têm acesso a estas oportunidades através de uma declaração que se atribui pelas estruturas competentes, isto quando eles chegam nas zonas de acolhimento.

“Não se trata de um documento oficial, mas pelo menos permite-nos fazer a gestão quando eles estão no centro de acolhimento e nas famílias acolhedoras existentes em diferentes regiões da província. No posto administrativo de Corrane, por exemplo, os que estavam a frequentar a 10ª e 12ª classes foram enquadrados ao sistema de ensino para serem examinados, isto aconteceu um pouco por todo o lado, não temos as estatísticas exactas dos outros pontos, mas tem havido essas facilidades. Há pouco tempo ainda, no processo de recenseamento militar, há brigadas que foram trabalhar no posto administrativo de Corrane e Namialo na perspectiva que estes tenham oportunidades de vagas, entre outras onde um dos requisitos é o recenseamento militar.” Sublinhou.

De acordo com dados avançados pelo delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão de Desastres, Alberto Armando, a província de Nampula conta actualmente com mais 60.000 (sessenta mil) pessoas deslocadas de guerra de Cabo Delgado, distribuídas em 20 distritos da província, excepto os distritos de Lalaua, Moma e Larde. Aliás, “nesses distritos até pode ser que existem vítimas dos ataques, mas não nos foram apresentados oficialmente”. (Esmeraldo Boquisse)

Menor de 2 anos escapa violação sexual em Nampula

Nampula (IKWELI) – Uma menor de 2 anos e seis meses, na cidade de Nampula, escapou de uma violação sexual que estava para ser protagonizada por um indivíduo de 43 anos de idade, no bairro de Namutequeliua.

No local, próximo ao mercado de Cotocuane, um indiciado encontrava-se a consumir bebidas alcoólicas na residência dos pais da menor, e porque a mãe estava a lavar a loiça e o pai a dormir, o indivíduo tentou, sem sucesso, concretizar a sua maléfica acção.

“Veio aqui um senhor, comprou vinho que a gente vende e sentou neste alpendre. Nesta altura, a minha esposa encontrava-se a lavar pratos e eu a dormir. Quando a mãe termina de lavar pratos foi à casa de banho, porque queria já tomar banho. Então, foi nesse momento em que o senhor que tomava vinho do outro lado chamou à criança que se encontrava a brincar sozinha, carregou-a sobre as suas pernas e, de seguida, tirou o seu órgão masculino e colocou na boca da criança”, contou o pai da menor ao Ikweli.

A fonte prosseguiu que “como a mãe teria esquecido sabão quando ia ao banho, saiu na busca deste produto. Foi daí que ela encontra a sua filha nas pernas do senhor e com o órgão masculino na sua boca, tendo de imediato gritado socorro e tirada das mãos do acusado a criança”.

Depois disto, segundo narram as nossas fontes entrevistadas no local, o suposto violador foi levado de imediato à 4ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), localizada nas proximidades do mercado Cotocuane, bairro de Namutequeliua, no sentido de se responsabilizar o acusado.

Chegados na polícia, a família foi orientada à se dirigir ao posto de saúde para se apurar se houve ou não penetração no órgão genital da menor, entre outras anomalias. Porém, as análises clínicas recebidas indicam que a criança não foi violada. Entretanto, “apresentados os resultados clínicos, o suspeito permaneceu ainda detido nas celas da polícia da 4ª esquadra”. (Esmeraldo Boquisse. *Foto ilustrativa)

Cancro infantil: Doença mortífera, mas desconhecida em Nampula

Nampula (IKWELI) – O cancro infantil é apontado como uma das doenças que constituí uma das causas da mortalidade nas crianças em Moçambique e na província de Nampula, de maneira em particular, mas contínua sendo uma das enfermidades muito ignoradas no seio familiar, facto que concorre na procura tardia dos serviços de saúde.

Segundo apuramos, pelo menos 15 crianças que, mensalmente, entram no Hospital Central de Nampula (HCN), são diagnosticadas com um certo tipo de cancro, mas, segundo a Dra. Dalva Khosa, porta-voz do Hospital Central de Nampula, “infelizmente, essas crianças chegam num estado avançado daí a importância de os pais não ignorarem com aquilo que as crianças queixam-se”.

“Algumas das queixas parecem banais, mas não vamos ignorar”, disse Khosa, prosseguindo que “acabam chegando tarde, talvez pelo facto de os pais não conhecerem os sinais e sintomas, não conhecerem que nós tratamos os cancros e que vai melhorar a qualidade de vida desse doente, e os tratamentos de cancro em criança tem boa resposta aos tratamentos actuais, diferentemente do adulto, então, infelizmente essas crianças nalgum momento chegam num estado avançado”.

O cancro é uma patologia caracterizada pelo crescimento anormal das células e que pode acontecer em qualquer parte do organismo, desde a cabeça até aos pés e, contrariamente dos cancros nos adultos, nas crianças o tumor afecta mais as células, o sistema sanguíneo e, normalmente é de origem embrionária.

Alguns factores, de acordo com Dalva Khosa, “são ao nível da mãe gestante devido ao uso exagerado de tabaco, o uso exagerado de álcool, uso exagerado de certos fármacos que podem desencadear no seu feto o desenvolvimento desorganizado das células, e essa mãe vai nascer uma criança propensa a um desenvolvimento do cancro. As radiações nas mulheres grávidas, também, é preciso ter atenção, porque pode ser factor de risco, principalmente no primeiro trimestre da gravidez, este risco é muito mais elevado porque é um período em que há muita alteração ao nível do embrião, há muita transformação, há muito crescimento, então pode influenciar ao aparecimento de cancros em criança”.

“É preciso nós termos um diagnóstico precoce, porque o seu tratamento responde cerca de 80%, o diagnóstico deve ser feito o mais cedo possível, afim de nós impedirmos a progressão deste tumor, com objectivo, também, de nós iniciarmos o mais cedo o tratamento, porque isso vai diminuir a replicação biológica do cancro, para recuperarmos as células normais e vai favorecer um bem-estar e qualidade de vida para a criança”, exortou a fonte.

De acordo com aquela cirurgia, muitas das vezes os sintomas dos tumores em crianças podem ser parecidos com outras doenças comuns em crianças, daí que torna indispensável que “os pais comecem a ter muita atenção naquilo que as crianças referem, é importante que os pais prestem muita atenção em alguma anomalia que forem a reparar durante o crescimento ou desenvolvimento dessa criança e dirigirem-se a uma unidade sanitária em que vai ser observada por um profissional para a identificação precoce das crianças, não deixando que as queixas dessas crianças progridam para depois apresentar muito tarde nas unidades sanitárias”, reiterou.

Sinais em crianças com cancro infantil

Em conformidade com Dalva Khosa, são vários sinais que podem levar aos pais a desconfiarem a presença de um cancro em suas crianças, “mas devemos prestar muita atenção aquelas criança que tem a perca de peso continuo sem uma causa explicável, falta de apetite, febre constante que não está a responder a nenhum tratamento antibiótico, é preciso também suspeitarmos, podemos também observar algumas crianças que tem caroço no pescoço, na cabeça, nas axilas, também é preciso levarmos a criança a unidade sanitária para ser observada por um profissional de saúde”, disse a fonte, acrescentando que “as crianças que apresentam constantemente sangramentos e dores articulares, são crianças que constantemente que estão a receber sangue que contem anemias, são crianças que são portadores de infecções no organismo, crianças com problema de olho, crianças com sensibilidade muito exagerada da luz, então são sinais que nós como pais sabermos identificar, crianças com tumores abdominais, nós ao darmos banho a criança podemos apercebermos que estamos apalpar uma massa na barriga, então devemos suspeitar que esta massa palpável pode ser um tumor, crianças que urinam com sangue é preciso também levar a unidade sanitária porque a urina com sangue tem várias causas, pode ser apresentação de um tumor, não ignoremos esses aspectos, é necessário que os pais reconheçam esses sinais e encaminhar a uma unidade sanitária especializada”.

Prevenção do cancro infantil   

No que concerne as medidas de prevenção, Dalva Khosa precisou que ainda não há evidências científicas que clarifiquem sobre associação da doença com os factores ambientais, pelo que considera a prevenção como um desafio no mundo de cancros infantis, mas mesmo assim, reitera a necessidade do diagnóstico precoce.

“Gostaria de aproveitar este momento para chamar atenção a todas as mães grávidas para cumprirem com o calendário das consultas pré-natais porque é muito importante visto que alguns tumores são feitos os diagnósticos no pré -natal, isto também faz parte do diagnóstico precoce, o médico especializado pode detectar ainda durante a gravidez a presença de um tumor dum cancro em criança, então a importância de toda mulher grávida cumprir com o calendário pré-natal, cumprir com as consultas do pré-natal, cumprir com as orientações que vão dando porque é possível fazer o diagnostico desde o pré-natal da criança, isto é, durante a vida fetal dessa criança é possível fazer o diagnostico. Depois do nascimento das crianças, também deve-se cumprir com o controlo do peso, a vacinação, variação do seu estado de saúde, devemos levar as nossas crianças a consulta de peso porque avalia directamente o estado da saúde das nossas crianças”, sublinhou a nossa interlocutora.

Ao nível do HCN, a fonte assegurou que apesar de insurgência de alguns meios de trabalho para dar resposta universal dos casos de cancro infantil que dão entrada aquela unidade sanitária, existem profissionais especializados em diferentes áreas. Aliás, segundo fez saber a Dalva Khosa, “para aqueles casos em que o HCN não se encontra, talvez em condições, que são mais complexos, existe comité de tumores no hospital e discute-se e decide-se a transferência para o Hospital Central de Maputo (HCM) onde o doente vai ser encaminhado, observado e beneficiar, por exemplo nós aqui no HCN não temos radioterapia mas HCM tem, então se é uma criança que precisa de radioterapia para poder mudar o seu bem-estar refere-se para beneficiar desse tratamento no HCM, é um tratamento gratuito”, disse. (Constantino Henriques)

 

Desmobilizados de guerra dispostos a combater o terrorismo em Cabo Delgado

Nampula (IKWELI) – Os desmobilizados, tanto da luta da libertação do país bem como os da democracia, filiados a Associação Moçambicana dos Desmobilizados de Guerra (AMODEG), na província de Nampula, mostram-se preocupados com os recorrentes ataques terroristas nos distritos do norte de Cabo Delgado, e manifestam a prontidão em reforçar às Forças de Defesa e Segurança (FDS), caso o governo avalize.

Desde Outubro de 2017, os distritos nortenhos da província de Cabo Delgado têm sido alvo de ataques de grupos terroristas, cuja pretensão é pouco clara, situação que já causou milhares de mortos e pouco mais de 600 mil deslocados internos. A província de Nampula é uma das que mais recebe os deslocados, estando actualmente com perto de 70 mil, espalhados em diferentes distritos da mais populosa província moçambicana.

Os desmobilizados de guerra na província de Nampula dizem desconhecer o real problema das mortes e deslocações de cidadãos de Cabo Delgado, por conta dos ataques e saques dos terroristas, e exigem explicações. Enquanto aguardam o esclarecimento das motivações, os antigos guerrilheiros, apesar de alguns com o físico debilitado, afirmam estarem em prontidão combativa para ajudar às Forças de Defesa e Segurança a eliminar os terroristas.

A disponibilidade dos antigos guerrilheiros no combate ao terrorismo foi manifestada, em exclusivo ao Ikweli, pelo delegado provincial da Associação Moçambicana dos Desmobilizados de Guerra, Eugénio de Fátima, que garante que a decisão é consensual no seio dos desmobilizados.

“Havendo o interesse da parte do governo, a AMODEG como uma associação poderá mobilizar os seus membros para ingressar nas Forças de Defesa e Segurança para apoiar os nossos jovens que estão a combater em Cabo Delgado”, disse.

Para Estêvão de Fátima, o apoio é extensivo ao teatro operacional centro, protagonizado pela autoproclamada Junta Militar da Renamo, desencadeada por Mariano Nyongo, dissidente do principal partido da oposição em Moçambique.

Na verdade, a AMODEG quer que seja o próprio governo da Frelimo, chefiado por Filipe Nyusi, a solicitar os antigos guerrilheiros. “Nós não podemos ir lá só como voluntários, o nosso papel como patriotas já cumprimos [nas guerras passadas], e agora esperamos que o governo nos solicite o apoio. Nós lá vamos sem fardamentos e nem armas, então tem de ser o próprio governo a preparar tudo isso e solicitar aos combatentes e dar armas e fardamentos”, afirmou.

O grupo dos desmobilizados, segundo Eugénio de Fátima, já lançou um repto aos associados a nível de todos os distritos, que mostraram o interesse em participar, activamente, no teatro operacional norte, e inclusive diz ter endereçado uma carta ao Secretário de Estado da província de Nampula com vista a apoia-los financeiramente para um seminário, de nível provincial, que visa incutir estratégias aos desmobilizados, face o combate ao terrorismo, bem como a desincentiva-los a aderência aos grupos dos insurgentes.

“Nós pedimos, ao Secretário do Estado [da província de Nampula], um fundo que é para realizarmos um seminário dentro deste ano, se for possível o mais tardar em Abril, onde queremos incutir os nossos representantes distritais no sentido de estes não aderirem aos grupos terroristas, pois a guerra que realizam não tem objectivos claros e está a semear luto na população”, disse. (Sitoi Lutxeque)